Um domingo no passado, estava muito feliz. Meus avós eram velhinhos. Meu tio Raimundo havia vindo de Natal. Estava feliz porque ia ver ele, sua esposa Tereza e seu filho Aquiles. A gente sentia felicidade em conhecer aqueles parentes que não conhecemos. Só o conhecia pelos retratos. Nem lembro de muita coisa. Lembro de uma câmera fotográfica e um carro, acho que era um gol GTI. Lembro da felicidade que estava naquela casa. A casa onde minha mãe cresceu. Era época de inverno. Lembro da alegria de meu avó. Lembro da felicidade dos vizinhos que passavam falando do doutor Teixeira. Zequinha, Antônio de Chiquinho... A dificuldade que vovô passava, Meire ajudando a vovô. Mamãe De Assis feliz conversando com Terezinha. As coisas trancadas no quarto intocável de vovô Sinhá. Então, ali na frente tio fez algumas fotos nossas. E contando histórias...
Contou de uma disputa entre dois cantadores.
Tio tinha uma voz muito forte, orgulhosa e rompante. Falava alto para ser ouvido ou para se mostrar.
Então ele contou que dois cantadores cantaram assun:
A. Eu sou jiquitiranaboia,
Besouro do piauí,
Quando prego meu ferrão,
O sangue começa a cair.
B. Tu não és juiquitiranaboia,
Besouro do piauí,
Tu és um rola-bosta qualquer
Besouro besta daqui...
Rimos muito e aquele dia foi memorável.