07/04/26

Parte da existência, o ser

 Após o café, o caminhar...

A manhã metade ida.

O corpo quer um descanso.

A gente senta na área.

Nessa área eterna.

Área que sentei toda a infância.

Área que sentei na adolescência,

Área que papai sentava pela manhã 

E pela tarde.

Área que mamãe despertava 

Após o cochilo vespertino.

Área de recepção,

Área de despedida...

Nunca estava vazia nestes momentos...


Esta área foi testemunha das nossas visitas 

Vovô sinhá,

O amigo Dadá,

Meu tio Aldo,

João de Licor,

João de Lourival...


Quantas vezes Bege, as meninas 

E eu chegamos 

E quantas vezes demos adeus.


Esta área eterna.


Hoje vive vazia,

Tendo um cachorro 

Por companhia.


O sol

E a lua

Alumiaram

E alumiam.


Papai deixou plantado em sua frente 

Um espada de São Jorge,

As vincas,

Mamãe aqui deixou a açucena 

E o jasmim laranjeira...


Área que me ensinou sobre paciência.


Aqui li Gandi,

Machado de Assis,

Aluízio Azevedo...


Encarei a biologia,

A química as ciências naturais.


Aqui esperei o inverno e as chuvas.


Os resultados das provas que fiz.


O triste dia da partida de papai,

De mamãe...


Aqui foi o palco de alegria e tristeza.


Não se sabe,

Não se percebe 

Porque se vive sempre 

No presente...

O passado são memórias 

E o futuro são desejos.


Essas coisas são particulares 

Está cultivada em cada um de nós.


Aqui papai envelheceu, cochilou e partiu.


Mamãe tantas vezes renasceu 

E a morte venceu.


Hoje tudo é só memória,

Parte de uma memória...


Se está área falasse.

Se ao menos existisse,


Porém é apenas um vazio entre três  portas.


Só isso.

Tudo e nada.

Labirinto temporal

 A tarde surda, Tudo é silêncio, O calor muda A voz da natureza, Numa sombra, Pia um bem-ti-vi. Desperto para essa realidade. E por minha me...

Gogh

Gogh