Após o café, o caminhar...
A manhã metade ida.
O corpo quer um descanso.
A gente senta na área.
Nessa área eterna.
Área que sentei toda a infância.
Área que sentei na adolescência,
Área que papai sentava pela manhã
E pela tarde.
Área que mamãe despertava
Após o cochilo vespertino.
Área de recepção,
Área de despedida...
Nunca estava vazia nestes momentos...
Esta área foi testemunha das nossas visitas
Vovô sinhá,
O amigo Dadá,
Meu tio Aldo,
João de Licor,
João de Lourival...
Quantas vezes Bege, as meninas
E eu chegamos
E quantas vezes demos adeus.
Esta área eterna.
Hoje vive vazia,
Tendo um cachorro
Por companhia.
O sol
E a lua
Alumiaram
E alumiam.
Papai deixou plantado em sua frente
Um espada de São Jorge,
As vincas,
Mamãe aqui deixou a açucena
E o jasmim laranjeira...
Área que me ensinou sobre paciência.
Aqui li Gandi,
Machado de Assis,
Aluízio Azevedo...
Encarei a biologia,
A química as ciências naturais.
Aqui esperei o inverno e as chuvas.
Os resultados das provas que fiz.
O triste dia da partida de papai,
De mamãe...
Aqui foi o palco de alegria e tristeza.
Não se sabe,
Não se percebe
Porque se vive sempre
No presente...
O passado são memórias
E o futuro são desejos.
Essas coisas são particulares
Está cultivada em cada um de nós.
Aqui papai envelheceu, cochilou e partiu.
Mamãe tantas vezes renasceu
E a morte venceu.
Hoje tudo é só memória,
Parte de uma memória...
Se está área falasse.
Se ao menos existisse,
Porém é apenas um vazio entre três portas.
Só isso.
Tudo e nada.