A areia seca,
O solo molhado,
Sobre o solo a gitirana
Cresce se esparramando.
Tão belo seu movimento,
De crescimento,
De vida efêmera.
A Pinheira verdinha.
Senhora Pinheira,
Amiga conhecida
De tantas safras,
Tantas visitas,
Sanhaçus,
Vem-vems...
O fruto verde gerado,
Crescente e maduro.
Do duro ao mole,
Só verde ao branco.
Dia e noite,
Verão e inverno.
Chuva e água.
Ser.
Ali ao lado,
Tantas vezes me sentei.
Tantas vezes me senti.
Sou uma Pinheira.
Que resiste se sequidão.
Que sofre calada,
As ervas daninhas nos meus galhos.
Sofre calada o calor, mas repleta de esperança
Pelo tempo de bonança que sempre vem.
Para a terra.
O lugar.
A existência...
Sentado ali.
Foi confidente a Pinheira,
Minha de papai e de mamãe.
Quando eles participaram ela estava triste e desgalhada e assim me senti.
Ontem estava plena.
Eu também.
Mas havia um certo vazio no meu peito...
Que nunca vai passar...
É a autoconsciência.
Queria ser uma gitirana espalhando-se pelo chão.
Mas o tempo, a memória me fizeram Pinheira.