Ontem tive o maior presente do criador,
Estando em minha terra natal
E foi como um sonho renovador.
Acordei enquanto chovia
Meu peito cheio de alegria...
Foi um sonho vivido,
Foi um sonho revivido.
Vivi duas coisas numa só.
A natureza eterna e profunda
Numa face maravilhosa,
Verde, fresca e molhada.
Quantas vivi essa face em minha vida
Não foram muitas.
As maravilhas divinas sentimos
E amamos mesmo
Que seja a primeira vez.
A esperança forte batendo no peito.
E a já sente a eternidade.
A chuva, o verde e a fé que isso é bom
É verdadeiro e efêmero.
O cantar alegre das aves...
O cantar harmônico das aves.
O cantar feliz das aves
nos transmite felicidade.
Foi o que senti ainda criança
E reafirma sempre que ouço...
Tá guardado na memória.
Ver pela janela a fora
Enchendo a vista de forma, de cor, de profundidade...
Sentir o ar fresco,
A brisa fria, o cheiro de mato molhado, o cheiro da terra enxombrada.
Sentir a realidade da ausência de pai e mãe materializada em saúde.
Aí está.
O coqueiro morreu.
A graviola está quase morta.
Foi papai que plantou.
A realidade do tempo que se foi.
A realidade do tempo que é.
Esse posso viver,
Aquele não mais
Em totalidade.
Tenho um filho pra criar,
Um filho pra ensinar como é a vida aqui...
Na ausência de meus manos e meus pais.
Aqui as mesmas sensações terá.
O ontem foi pra isso.
O café aquecendo o frio da manhã.
A manhã de chuva.
O banho de chuva.
O passeio na mata.
O almoço com arroz de leite e peixe frito.
A tarde de chuva...
Chuva a tarde todinha...
A noite escura e fria.
O angu com leite...
O chá.
A vida.