23/03/19

Loop

Enquanto lia na cama algo tirou minha atenção e tirou-me o foco da leitura. Foi o canto de um gavião carijó que ouvi soar. Imediatamente, lembrei de mamãe que sempre que ouvia um gavião cantar se recordava de vovó que dizia que quando gavião cantava era sinal de logo iria chuva. Que memória bonita. Quem teria dito isso a vô José? Naquele instante, vô se fez presente em minha alma. Então, fui tomado de alegria, pois acho que tentar entender essa trama onde filho lembra da mãe que lembra do próprio pai que se lembrou de algum numa espiral temporal fônica e simbólica. Onde se inicia a gênese de tudo isto?
Suponho que seja a água o recurso essencial a vida e suas transformações. Onde mamãe mora e vovó morou é uma região semi-árida que se caracteriza pela baixa disponibilidade de água. A água é o fator limitante de tudo e a água está associado a alegria, a fartura, a beleza e ao bem está. Ali, na serra tudo é regido pela atmosfera que trás a água por meio das chuvas. 
Então, alguém associou o canto daquela ave aos fenômenos atmosféricos da chuva. A fé norteava vô José e a esperança não o fazia fraquejar. Ouvir a ave cantar fazia sua esperança se perpetuar.
Para certas situações só resta apelar para a fé e a esperança.
O gavião canta para a fêmea e seu canto significa reprodução que é um processo que só ocorre mediante a presença suficiente de recurso que só o inverno pode oferecer.
Sendo assim, canta gavião o canto da chuva.
Enquanto isso saudades de mamãe por esta longe e de vovó por ter desencarnado, mas agradecido pelo dom da existência e pela memória dagora.    

22/03/19

As três ruas um espaço de lazer


Um lugar muito conhecido em João Pessoa são as Três Ruas que se localiza no bairro dos Bancários. Para alguns trata-se apenas uma via de acesso, no entanto, para os moradores dos Bancários este espaço vai muito além desta função. As três ruas tem esse nome por apresentar três ruas paralelas com grandes espaços arborizados. Dessa maneira, as Três ruas se trata de um excelente espaço de lazer, sendo perfeito para caminhar. Durante a semana, a rua principal é de uso exclusivo para caminhada, sendo proibido a passagem de veículos entre as cinco e sete horas. Assim as pessoas têm a sua disposição um espaço para caminhada com 1,5 km de comprimento, onde é possível caminhar ou correr com tranquilidade. A pista tem espaços planos e suavemente ondulados, mas sem oferecer muita resistência. Uma das coisas que chama atenção no lugar a presença de uma longa área verde, o ambiente é composto por uma espaços arborizados durante sua criação. Embora, ainda seja necessário arborizar alguns perímetros, até o momento foram contabilizadas mais de 80 espécies vegetais que apresentam uma variação no porte desde ervas até e árvores. Essas espécies em sua maioria são compostas por espécies exóticas que são as trazidas de outros países, todavia são muitas as espécies nativas de grande importância ecológicas, dentre as nativas se destacam a guabiroba, pitanga e jatobá. O porte das árvores pode atingir 30 metros em espécies como castanhola e casuarina, no caso das castanholas sua copa é enorme com mais de 10 metros de diâmetro. Estas promovem em determinadas áreas a redução da temperaturas e são locais favoritos por motoristas para tirar um cochilo após o almoço. Entre as árvores com sombras são encontradas ainda figueiras, jamboleiros, mangueiras, cajueiros, acácias. Algumas especies são muito raras com poucos indivíduos como um pé de canela e pés de jatobá. O interessante é que essa diversidade de espécies vegetais se reflete na riqueza de aves que variam de pássaros a aves de rapina que usam este espaço como habitat. Além disto, é uma via de acesso a estes pássaros que podem migrar de área, bem como para pousar e descansar. Pela manhã, é possível ouvir os essa riqueza de pássaros através do seus cantos. Muitos destes pássaros como sanhaçus e os tangarás se alimentam das plantas frutíferas como cajueiros, cheflereiras, pitangueiras, amoreiras, mata-fomes, piriquiteiras, aroeiras e embaúbas outros como os bem-ti-vis se alimentam de insetos e outros como os gaviões se alimentam de outros pássaros como rolinhas e pardais. Estes pássaros prestam um excelente serviço como dispersores de sementes. Além de pássaros é possível ainda observar a presença de morcegos frugívoros, ou seja, aqueles que se alimentam de frutas como a castanhola, o jambo e figos silvestres. Os Sem dúvidas, as três ruas é um excelente lugar para começar o dia. 

Quanto as pessoas, em sua maioria são compostos adultos de segunda e terceira idade que utilizam este espaço e quase todos são moradores do bairro. Efetivamente, caminhar pelas três ruas nos proporciona muito bem está, pelo espaço, pelo contato com as pessoa, pela sombra das árvores e pelo sentimento de pertencimento.

Poucos são os problemas, mas eles existem e dois deles são bem recorrentes que são a presença de lixo o desrespeito pelos motoristas quanto ao horário uso da pista central. O lixo na maior parte das vezes é deixado pelos motoristas que usam apenas como via, sendo os principais objetos encontrados vasilhames de bebida e sacola. Quanto ao desrespeito muitas vezes ocorre pela ausência de fiscalização. Atualmente os guardas de trânsito não tem aparecido para colocar os cones.

A parte isso, resta caminhar e desfrutar deste delicioso espaço.





Pé de ficus bejamim

pé de cajueiro

Uma palmeira

19/03/19

Desacelerar

Na correria cotidiana, imersos em atividades e problemas a serem solucionados, acabamos nos esquecendo de viver. Hoje, terça-feira, no final da tarde quando retornava da caixa econômica para minha sala na UFPB, ouvir cantar um sabiá. Minha reação foi instantânea, parei naquele instante e desci da bicicleta, pois queria ouvi-lo novamente cantar. Então percebi quanto era linda aquela luz dourada. Num momento esqueci de tudo, porém fui tomado pelas memórias vivadas das tardes lá em Barão Geraldo, algo nesta tarde se convergia naquele instante. Era a tarde dourada, andar de bicicleta, ouvindo cantar o sabiá. Os tempos, os problemas, assim como as circunstâncias são outras, porém acho que sou o mesmo, mais velho. Quando cheguei na minha sala, havia esquecido quase tudo que me tomava. Assim arrumei minhas coisas e vim para casa sem perceber no caminho e nem me ater ao caminho. Apenas percebi que à tarde caia, assim orgânica sem poesia. E quando a noite caiu, não percebi na delicia que estava a água, nem nas atividades que fiz como estender as roupas, pois meu foco era jantar. Comi bastante como quem tem muita fome. Em seguida, fui fechar a janela e foi quando vi que era lua cheia. Ah! Que agradável surpresa que é contemplar o céu plenilúnio e sentir a brisa fresca. Depois cansado, deitar-se feliz porque esses momentos valem a pena e nos deixam feliz.
Agrada-me ouvir o piano Debussi ou Chopin ou ler Platão ou simplesmente algo do gênero que me faça esquecer o cotidiano, desacelerar e dormir em paz.

18/03/19

Viagem ao Cariri

Sexta-feira à noite, viajei pela quadragésima vez para os Cariris Velhos. Não canso de visitar e conhecer aquele lugar que me traz intensas sensações como de alegria, de harmonia, de resistência, de silêncio e de paz. Acho que o Cariri representa tudo isso em sua paisagem rústica imensa, profunda. Percebo tudo isso através das formas dos afloramentos de gnaíses e granitos, do cheiro exalado pelas plantas, do som dos pássaros, da comida sertaneja e de cada momento do dia do primeiro ao segundo crepúsculo, do pino do meio dia ao enluarar de lua cheia onde céu mais limpo não há. Há uma magia quando saímos do asfalto e entramos na estrada de chão com terra branca quando reduzimos a velocidade e se prepararmos para os obstáculos, sentimos-nos mais próximos da natureza. Então entre salavancos, vamos contemplando as paisagens de caatinga com suas vegetação arbustiva, cinzenta e empoeirada ou verde e lamacenta composta por cactáceas candelabriformes, juremas com acúleos em formas de unha gato, catingueiras retorcidas, baraúnas majestosas, granitos pungentes e harmonizando esta paisagem encontramos os velhos casarões de tijolo nu ou caiados compostos pelas janelas azuis. Por vezes sentimos os odores das plantas, da natureza, do esterco de gado, do almíscar de raposas. Esta miscelânea de impressões  fazem minha nossos corpos sentirem uma paz plena interior. Na entrada da fazenda o carro para então abro a cancela, a entrada permitida é sinal de boa acolhida pelo caririzeiro, falta pouco para chegar e descansar, a estrada serpenteia, ondula, chego a reconhecer os pontos na estrada. Então finalmente chegamos a casa onde somos recebidos calorosamente pela dona que simplesmente é a alegria viva. Conversamos um pouco e vamos dormir, pois a viagem longa foi cansativa o que facilita muito para um sono intenso que é ajudado pelo silêncio ensurdecedor. Antes de dormir nada melhor que contemplar o céu estrelado.
Então, deito e apago sem tempo sequer para sonhar, a gente dorme a noite inteira. Imagina que somos despertados pelo som da passarada, onde cantam sabiás, cardeais, sofréus, asa-brancas, ben-ti-vis, teteus e golinhas. No mesmo instante, pego minha câmera e saio em encontro das surpresas que a natureza quer me mostrar, enquanto minha mente monologa vou fotografando, compondo em meus planos com linhas simétricas, composições de cores, texturas, formas inertes e vivas e paisagens, de forma que o mundo parece se expandir diante de minha câmera. Assim, antes que sinta fome, estou de volta, tomo café e converso com meus amigos e interajo com as pessoas que trabalham e vivem pacientemente ali.
Em seguida, volto para a rede e fico matutando.
E assim o fim de semana simplesmente desaparece.
Quando voltamos para casa, parece que o fim de semana passou em um curto instante.
No fim de tarde de domingo cá estamos novamente em João Pessoa, mas tornamos a ter vontade de voltar lá. 

15/03/19

Ajuda

Está à toa e então, sair pra caminhar e ver o mundo.
Simplesmente, sair sem pensar em nada.
Caminhar e observar as formas, as cores, os movimentos, as pessoas...
Talvez seja entediante.
Mas provavelmente se sente tédio, este já tomou conta de ti.
Sentir-se cansado, indisposto e sem perspectiva.
Onde encontrar forças?
Essa dúvida assola muita gente.
Dias cinzas, manhãs ensolaradas quentes.
Como e onde encontrar um motivo ou um catalizador.
Acho que quando se sente assim é o momento de procurar uma ajuda.
Tem que olhar para frente e não olhar para trás.
As experiências são impares.
Deve buscar seguir em frente. Sempre.

12/03/19

Espiral

No silêncio encontramos paz.
Está sozinho e conectar-se consigo é divino.
É preciso, no entanto, se desligar de tudo, inclusive dos pensamentos.
Mas como se desligar dos pensamentos?
Não sei.
Os livros antigos de filosofia e religião ensinam isso e seus estudiosos em seus discursos destacam como forma de prática a meditação.
Os monges são os exemplos mais conhecidos que exercem essa arte milenar.
Os mantras, assim como as orações, se constituem como os principais canais.
Porém a meditação pode ser facilmente interrompida, pois através dos sentidos nossa conexão com o mundo se dá através dos sentidos de maneira tão intensa que não conseguimos desconectar do mesmo.
De forma que o silêncio reduz nossos estímulos externos.
Todavia, ainda temos nossos pensamentos que impedem de que consigamos meditar.
Os pensamentos talvez sejam tão intensos quanto os estímulos sensitivos.
Mais uma vez os mantas e as orações nos são extremamente úteis, pois os mesmos podem nos levar a concentração.
Como é possível a concentração?
Chegamos numa espiral.

06/03/19

Ida para casa

Quinta-feira, véspera de carnaval, saio de casa, à noite, e vou para a casa paterna. Pego um uber para a rodoviária e as 9:30h um ônibus para Souza onde chego as 5:20, logo na sequência entro numa van que imediatamente sai para Pau dos Ferros. Ainda está escuro e aos poucos vai clareando. Neste meio tempo sinto o frio da madrugada úmida e o cheiro do mato molhado. Enquanto os passageiros se organizam, ouço meio cansado as conversas das pessoas. Uma senhora conversa com maior enfase com o motorista, mas não entendo quase nada. Abro a janela e deixo o cheiro do mato trazido pelo vento frio. Abro a mochila para pegar o mp3, porém a bateria está arriada. Então fico prestando atenção nas conversas que são poucas porque a maior parte dos passageiros estão dormindo.
Aos poucos o dia clareia, antes que cheguemos em Uirauna. Então saímos da Paraíba entrando no Rio Grande do Norte, passamos por Major Sales, enquanto isso tento lembrar o nome da cidade de um antigo colega de residência Universitária, o Jairo, não consigo me lembrar, a lembrança chega quando entramos em José da Penha, e depois vem Marcelino Vieira é quando praticamente chegamos a Pau dos Ferros. Já fiz tantas vezes esse trajeto que acabei me acostumando, sei até os nomes dos motoristas, vão pra mais de cinco anos. Então o motorista me pergunta o itinerário e respondo como sempre a Visanet. Ele distribui os passageiros e sou o último a descer na Brisanet. Então caminho cansado até a casa de Maria que já estava acordada cuidando de Gabriel. Entro, e como sempre assistimos as notícias na globo. Ali fico a manhã inteira, primeiro tomo café e mais tarde suco de goiaba. Ao meio dia parto para casa. Como sempre, chego em casa e sou recebido por o cachorro Scherlock, papai e Li. Então a gente se abraça, almoço a comida já está fria. E a gente fica vendo televisão. Mamãe tinha ido para a diálise. E que bom que chegou bem e não reclamou de dor.
A tarde caiu tão depressa.   

Carnaval

Cheguei de casa. Acho que este foi o melhor carnaval de minha vida. Foram quatro dias muito intenso de muito amor e carinho. Dias estes que fiquei àtoa só curtindo papai, mamãe e li.
Como é bom tudo isso. Ver mamãe brigando com papai, com o cachorro Schelock e com o gato Boris. A gente vendo as novelas da globo ou o jogo do Silvio Santos que papai adora. Ir dormir e perceber que mamãe está velha e que geme durante a noite reclamando sempre de dores. Sinto-me tão incapaz. E quando acordamos, parece que nada aconteceu. Papai como sempre acordou de madrugada, fez o café e foi mexer em alguma coisa no sítio. Volta e tomamos o café agradando o louro com uma creem craker e scherlock com pão e o frango Davi com arroz.
Depois pego a câmera e saio a fotografar qualquer coisa, sei lá o que pode ser, abelhas talvez, flores, bichos, aves, paisagens...Saio andando e me perco em meus pensamentos. Meus pensamentos são tristes. Só de pensar que já foram felizes é motivo para tristeza. Saber o nome das plantas, perceber as relações já não me são suficientes. Tive algumas alegrias radiantes quando pensei na felicidade que pode me trazer as leituras. Até me empolguei e li um livro do Borges.
Então quando volto do mato, tomo um banho e vou me deitar na rede do meu quarto. Uso o celular para ver o face e o watzap... Desta vez fui salvo pelo Borges.
Então papai chega e senta na área. Não falamos nada, pois a companhia e a presença é tudo. Tem momentos que não precisamos falar nada. Mamãe cozinha enquanto Li limpa a casa. As vezes alguém aparece. Confesso que prefiro o silêncio.
Ai chega o almoço. Almoçamos na terça-feira e foi tão maravilhoso. Comemos calados, o louro que fez maior barulho e só calou quando dei um naco de carne para ele comer. Depois ficamos mimando Scherlock.
Que sublime!
Depois fui para minha rede. E a tarde caiu, enquanto a gente ficava ali em silêncio respeitando a tarde.
A noite todos os dias as muriçocas me importunaram.
Acordei de madrugada com os gemidos de mamãe. Tadinha.
Então papai me chamou, fez meu chá enquanto me arrumava.
Sai, então o motorista do transporte ligou e logo chegou.
Beijei mamãe na cama e abracei e beijei a testa de papai na porta.
E vim embora com o peito apertado.
É sempre assim.
E o carnaval foi perfeito.

05/03/19

Reminiscência

Bem, sabe, adoraria que aqueles de quem gosto muito pudessem perceber algumas coisas que adoro viver. Todavia, estas sensações estão associadas a estação de inverno aqui onde moram meus pais. Foi exatamente aqui que passei minha infância e adolescência. Para mim, a chuva é sinônimo de felicidade, de riqueza, de produção. Então, por exemplo, o ano de 2018, no caso ano passado, choveu muito e este ano vem chovendo bastante. Como é incrível sentir tantos odores que para mim são reminiscências fabulosas.
Sabe, sentir o aroma das flores de juremas, marmeleiros, cerradores. O cheiro da manhã ou o cheiro da noite.
Ouvir o canto da passarada na madrugada, cabeças-vermelhas, nambus, fura-barreiras, joões-de-barros, casacas-de-couros, sabiás...
Depois sair andando pelas matas ouvindo o zun-zun das abelhas colhendo polém.
O canto do guiné.
O cheiro da comida.
O banho de água fria.
Que delícia.

Leitura

Desde que desenvolvi o hábito de leitura o livro se tornou meu melhor amigo e companheiro.
Assim, busquei a todo momento ter ao meu lado aqueles que considerei e considero minhas melhores conversas.
Não leio tudo que tenho nas mãos, mas já o fiz. Acho que isto fazia sentido quando não tinha opções.
Lembro que lia história, geografia, biologia, mas nunca fui dado ao raciocínio lógico e com isso evitara exatas e talvez por isso tenha marginalizado a parte mais fascinante das ciências. Não sei e talvez nunca saberei.
Sei que não tenho uma explicação, porém me tornei um fascinado leitor de filosofia. Quanto a literatura acho que a maior parte dos livros são excessivamente longos, acho que por isso sou encantado com contistas como Borges. Assim, minhas leituras são muito centradas em filosofia e literatura.
Desde que surgiram as redes sociais meu tempo foi extremamente consumido nestas “relações” o que é uma lástima. Há também o fato de gostar muito de filmes e séries. Estas atividades me distanciam dos livros e desta maneira minhas leituras são tão poucas.
A metafísica me consome.
Ao longo dos anos modifiquei muito a maneira de perceber o mundo.
Lembro que quando morava com meus pais, dedicava-me a maior parte do meu tempo em leituras. Na verdade, almejava dominar todo aquele saber e aquelas ideias, porém como não compreendia plenamente o que lia em decorrência de minha ansiedade, de maneira a nunca consegui expressar o que lia. O que me fez isolado e cada vez mais calado.
E então, aconteceu de ir embora de casa. Sinceramente, estava maravilhado, pois finalmente poderia me dedicar com a finco as minhas leituras. Acontece que quando tive essa liberdade, enquanto estava na universidade, senti muita falta de casa, das minhas amizades e foi aí que descobri a solidão. De maneira que todo o meu tempo foi ocupado pelos estudos de biologia o que poderia ser uma maravilha, mas passou a ser chato, pois se tornou obrigação, minha maior responsabilidade. Talvez porque passei a me importar mais com notas que com a compreensão das coisas. A quem posso culpar? aos professores ou a minha incapacidade de compreender as coisas ou a minha falta de perspicácia?
Sentia mau por existir essa sensação de baixo rendimento de conhecimento.
Ajusta-se ao fato de não ter outras atividades além de estudar. De vez em quando ia ao cinema e sempre ia a igreja.
Surgiu a botânica em minha vida.
Minha vida sempre foi tão entrópica.
Mas sempre fui lendo não tanto quanto gostaria.
Veio o mestrado e as leituras se escassearam, até o dia que decidi ler filosofia.
E então li sempre mais.
Quando fui a morar em São Paulo descobri Nietzsche.
Depois no doutorado em Campinas desenvolvi o hábito de comprar livros e foi lá que descobri Borges. Bem eu já o conhecia, mas não tinha me encantado quanto aconteceu quando comprei um livro na Fenac do Shoping Dom Pedro.
Bem, descobri inúmeros autores que li sem muito entendimento.
Engraçado que passado tanto tempo, se vou reler alguns livros é como se nunca tivesse lido aquele autor.
Isso me assusta, porque eu adoraria ser um escritor, mas parece que não levo jeito.

Assim é como diz uma amiga.

obrigado

Faz tempo que não estive aqui num inverno tão maravilhoso.
Que delícia de percepção, revivi minha infância pelas memórias olfativas.
Odores inexplicáveis de flores.
O cheiro do mameleiro, do mufumbo, das juremas, do cajá,
Do aroma da terra... tudo numa explosão de reminiscências.
Minha infância e adolescência.
Muito obrigado meu Deus por tamanha felicidade
E por uma vida tão plena e feliz.

Percepção da madrugada

Acordo. 
É madrugada. 
Levanto, abro a porta e saio para contemplar aurora.
Neste momento o silêncio é ensurdecedor. 
A noite pálida se evanesce,
Olho o céu e sinto nítida uma paz infinita. 
Então, me veem a mente tio Aldo e vó Sinhá que já partiram a anos. 
Sinto-me bem, mas com saudade.
Volto à cama com o corpo aliviado do calor.
Então em instantes começam a cantar os pássaros 
Dos quais identifico galo-de-campina, sabiá, juriti, fura-barreira. 
Que coisa mais fabulosa. 
Longe cantam as nambus e relincha um jumento. 
Na minha infância certamente seriam vários relinchos.
Durante o momento que contempla, penso na  dinâmica atmosférica e no poder da chuva.
Aí se cristaliza meu  pensamento completo. 

02/03/19

Mais um pouco

Bom, aqui estou, na busca de escrever algo realmente interessante.
Meu interesse por escrita foi sempre algo egoísta e no sentido de ter algum leitor ou, no caso de ser alguém interessante.
Agora sei que não é possível. Depois de ler Borges, Pessoa e Veríssimo f., achei difícil ou impossível de chegar a tal objetivo.
Os anos se passaram, e então tive a companhia destes autores leituras e mais leituras. Talvez não tenha entendido uma linha de seus livros, mas os cultivei como quem cultiva uma muda doente.
De fato agora sei que nunca tentei escrever para os outros, mas para mim.
É carnaval e aqui estou na casa de meus pais.
Estou no quarto, deitado numa rede olhando para o telhado onde vejo caibros, ripas, linhas e telhas.
De nada há de interessante em ficar àtoa.
Ouvidos atentos, corpo cansado, bucho cheio.
E nada acontece.
Ouço as aves, até o zumbido de abelhas e moscas e do vento.
A internet é um saco com facebook e watzap.
Os livros desinteressantes.
Não o mundo não está chato.
Sou eu.
É minha ansiedade.
Nada parece prazeroso senão comer e fotografar.
As vezes nem comer.
Bom, neste carnaval não faço questão alguma em ver tv, pular ou beber.
Então, abro o  livro e leio mais um pouco até o fim do carnaval.

25/02/19

Passagem

A manhã caiu com esperança,
Depois de momentos ruins,
A esperança é o que nos resta.
O sol nasceu tímido,
As nuvens deram uma atmosfera de segurança,
Então a chuva caiu mansinha,
E o calor se fez presente,
Nada para animar,
Só esperando esse tempo passar.
E vai passar.

22/02/19

Retroagir

Ir e vir,
Caminhar por caminhos suaves
Ou por lugares pedregosos,
Ter sempre cuidado,
Nunca se sabe quando é possível se machucar.
Aprendemos que poucas coisas nos importam,
Mas essas coisas podem nos machucar,
Depois de machucado,
Não existe retorno.
É aguentar a dor.

18/02/19

Nada

O cheiro,
A textura,
A simetria,
O som,
De tudo que percebo,
Consciente ou inconscientemente,
Ajudam-me a entender meu mundo,
E essas combinações...
Ah,
As memórias de que servem?
Melhor seria não pensar em nada.

17/02/19

Sentido oculto

As manhãs de domingo com seus cafés,
As conversas entre adultos,
O céu essa eterna incógnita,
Os cantos e os quintais que não conseguia ocupar estando lá,
Os lugares vistos,
As pessoas que se revelavam e me permitiam conhecer o que queria que fosse conhecido,
As leituras lidas, palavras impalatáveis, frases, parágrafos,
O desejo de tudo saber, feito Fausto!
Esta construção inacabada que é ser,
E se perder sendo muito menos daquilo que se é.
Apelar para as memórias,
Essa vontade de saber,
Essa sinfonia inacabada,
Só sobram imagens desconexas numa memória,
E o eterno medo do fim.

15/02/19

Marcas

E o que levamos da vida?
Nada material,
Carregamos conosco apenas memórias boas ou ruins!
As vezes a vida nos premia com marcas.
As marcas são deveras doloridas,
Essas marcas as vezes podem não fechar
Se não tivermos uma história de superação,
Se desistirmos da vida,
Todavia não podemos e nem devemos.
A vida é maior que tudo.

13/02/19

Coisa mais boa

Ah! Que delícia que é ver e ouvir a chuva chovendo.
O som dos pingos pingando e a água escorrendo,
Chega a parecer que a vida é um sonho.
Essa sensação de que as plantas crescerão,
Que não vai faltar fartura, nem produção.
Ver a terra molhada escorrendo de água,
E ficar pensando só em coisas boas
Chega o coração fica grande e quente,
A gente se sente todo aquecido.
A vida até melhora.

12/02/19

Infância

As memórias de infância.
A estrada era de chão que era feito dum barro vermelho-arenoso.
Em frente nossa casa havia um cajueiro de frutos azedos.
O terreiro sempre teve o mesmo tamanho e era separado da estrada por uma valeta que sempre transbordava durante as chuvas.
A calçada era engendrada, áspera e irregular.
A casa tinha duas quedas d'água irregulares.
Que importam as formas.
O que foi! Foi.
Era ali que quando menino corria só de bermuda.
Não havia beleza na minha roupa, mas havia carinho e sempre usava-os limpinhos.
Mamãe se preocupava com minha limpeza e sempre me banhava.
Não havia poesia ou literatura,
Não havia um perfeito português,
Sequer ouvíamos grandes histórias.
As histórias eram contadas pelo rádio na difusora Am de Alexandria
ou na televisão preto e branco.
Confesso que não trocaria minha história por nenhuma história cheia de informações como são as de hoje.

11/02/19

Vetor

Que coisa difícil é entender o mundo.
Os ciclos da vida,
As estações,
Os meses,
As fases da lua
Essa soma do que vivemos,
Que nos permite aprender
E esquecer.
As coisas próximas e distantes,
O que tomamos consciência
E o que compartilhamos,
Experiência...
Experiência,
Que essa vida parece ser única...
Quem sabe.

07/02/19

De frente

A tarde caiu,
A vida passou,
O horizonte cada vez mais breve,
A vida breve,
No alto da idade,
Do alto da experiência,
A senilidade,
O fantasma da morte,
A prisão que é o corpo.
Reflexão...
As coisas prazerosas se foram,
Os amigos se foram,
Pouca coisa resta...
E como encarar tudo isso?

05/02/19

Nós

O tempo que passa,
Os anos e meses e semanas e dias,
Passam sem parar
E deixam as coisas, os eventos para trás
E assim vamos alinhavando a vida,
Construindo nossas histórias
De fracassos ou de glórias,
E não queremos ficar para trás,
Mas ficamos porque o tempo
É um rolo compressor
Que tudo esmaga e acaba,
Todavia a vida se reproduz
E continua carregando nossas coisas boas e ruins,
Nossa evolução ou involução.
E nós somos nós mesmos.

03/02/19

Experiências

Nossas experiências,
O tempo que compartilhamos
Vivendo juntos as coisas boas ou ruins
Nossas alegrias, frustrações, fraquezas, pontos fortes.
Tudo isso nos permitiu que nos conhecemos e fôssemos alguém.
Pelo menos uma pequena parte nossa é conhecida e constitui uma história.
De resto somos desconhecidos de nós mesmos.
É o viver nosso maior professor,
E é vivendo que construimos nossa história
E selecionamos nossos valores.
Amanhã, sabemos que não restará nada, apenas uma história. 

30/01/19

Bom viver

Vi a lua cheia nascer,
Que doce graça 
Se ver do Poço das Pedras
A lua cheia nascer, 
Após ter visto a lua nova do ano passado. 
Coisas simples que vivi
E comi e me fez feliz
Cheio de risos...
Galinha caipira, 
Manga, 
Água de catinga,
Chá de 9 cura,
Ovo com sal...
Tome história. 
Assim é bom viver.

28/01/19

Surpresa

Entardeceu e a noite acordou,
Quantas coisas num só dia,
O amanhecer, o acordar, o levantar,
Iniciar novas atividades além do café,
Das notícias, das expectativas...
Fazer, realizar e concluir algo,
Servir e ser bem servido,
O contentamento,
O almoço,
O banco,
Uma surpresa...
Entardecer...
A vida surpreende sempre.

27/01/19

Surpresa

Há desígnios?
Nossas impressões e saberes,
A real ordem das coisas e acontecimentos existe ou o acaso é soberano?
Uma semente que germina e nasce,
Uma flor que desabrocha,
Uma estrada andada,
Um poema escrito,
Uma chuva que tudo muda,
Coisas pequenas e coisas grandes,
O incerto nos surpreende,
E é bom ser surpreendido.

15/01/19

Oração

Quando nasci, fui bem cuidado,
Quando cresci, fui bem orientado,
Vivi sempre coberto de orações,
Graças por quem fui e sou,
Pelo que vivi,
Felicidade me define.
Obrigado por tudo que vivi,
Pelo que venho vivendo,
Por entender que tudo passa,
De fato não devemos imaginar o mal que pode nos acontecer,
Mas esta disposto a lutar sempre para mudar o que possa nos destruir.
Amém.

Riqueza

A casa,
O terreiro,
As plantas,
As galinhas,
O gato,
O cachorro,
O ir e vir,
As madrugadas,
Os amanheceres,
Os entardeceres,
Os anoiteceres,
Os cafés,
Os almoços,
Os jantares,
O papai e a mamãe
Me fazem tão feliz,
Então muito obrigado Bom Deus,
Por essa riqueza em minha vida.

Aprender

Com o tempo, nos encrustamos em nós mesmo,
E as mudanças são apenas físicas,
Mudam os cabelos, a pele e as formas,
Ficamos  presos a nossas maneiras de pensar,
Ignorantes por certo,
A experiência nos ensina,
Todavia a experiência é subjetiva,
Então o que aprendemos com o viver?

14/01/19

Despertar da poesia

A manhã despertou tão fresca,
Após a chuva que caiu à noite,
O verde volta a dominar à paisagem,
Enquanto o cinza desaparece,
Levando consigo o verão,
Deixando para trás o fim de uma estação,
A chegada das águas trás sempre alegria,
A aurora embrasada,
O cantar da passarada,
Os Cabeças vermelhos sucedem os galos,
E segue-se a sinfonia,
Rouxinol, sabiá, siririca...
As flores despontam nos ramos,
A terra molhada...
A babugem erguendo-se em erva, arbusto e árvore,
O coaxar dos sapos...
Quanta biologia,
Quanta poesia.

13/01/19

Férias

A manhã despertou ornada pelo canto das aves,
A nambu cantou enquanto caminhava,
O rouxinol enquanto saltitava,
O sabiá só cantou pousada num lugar alto,
A casaca de couro se arrepiou para cantar,
O sanhaçu todo azul canta parece se armar...
Nessa sinfonia se faz o dia
Aqui em casa...A manhã despertou ornada pelo canto das aves,
A nambu cantou enquanto caminhava,
O rouxinol enquanto saltitava,
O sabiá só cantou pousada num lugar alto,
A casaca de couro se arrepiou para cantar,
O sanhaçu todo azul canta parece se armar...
Nessa sinfonia se faz o dia
Aqui em casa...

11/01/19

Oculta beleza

As belezas, muitas vezes, encontram-se encantadas.
Hoje, acordei na madrugada,
Acho que nunca havia visto o céu tão estrelado,
Haviam milhões de estrela rutilando
Sobre a atmosfera atropurpúrea
em todo firmamento do céu via as constelações,
Pensei em tantas coisas
E não consegui conectar nada,
Então apenas contemplei,
Lembrei da laranjeira florida
Que linda analogia alvo e verde perfumada,
Envolvido pelo frio da madrugada.
Voltei para a cama
E fiquei matutando
Quanta beleza se encontra oculta.

08/01/19

Significado

Buscamos sempre por um significado,
Responder as nossas dúvidas talvez,
Algo que nos faça sentir bem.
Todavia, descobrimos que não existe significado,
As coisas são como são,
Nós que não aceitamos elas serem o que são.
Só o tempo nos ensina que mudar ou não mudar dá no mesmo,
Ter ou não conforto, bom senso, bens materiais...
Ai que colocamos nossa fé,
Porque só aprendemos com a experiência.
Os livros, a tecnologia, a ciência, a academia nos ensinam,
Mas só a prática que trás a perfeição...
E tudo isso é somente um caminho,
Assim como a religião...
O conhecimento é um fim,
Mas no fim o que importa é isolar a solidão,
Ter sempre um amigo, um amor, uma família
para atravessar o que se chama de vida.

07/01/19

religião

Entre tantas faces da vida,
A religião é muito importante,
Assim aprendi,
As flores frescas coletadas,
As cores suaves,
A reflexão,
O acaso,
O respeito ao devir,
De joelhos se reza a oração,
Unica herança trazida de geração em geração.
Jesus amado, o filho de Deus revelado,
Os santos, a devoção...
O bom e o mau.

Ser

Forjados no dia-dia
Com ou sem poesia,
Experimentando,
Acertando ou errando,
Sendo.
Neste espaço,
A cada passo,
É preciso amizade,
É preciso esperança,
Ser é tão simples só
E tão complexo em sociedade...

Acaso

Na fresta da calçada uma semente de vinca germinou,
E sua plântula logo cresceu e aos poucos de flores se encheu,
Flores alvas genuínas que aos ricos frutos formou,
E o tempo passou, a vinca envelheceu,
E suas sementes povoaram o quintal.

06/01/19

Árida poesia

Ah. Estas terras arenosas e áridas de solos rasos
Onde só cresce juremas e povoadas de calongos, grilos,
E pássaros pequenos...
Os angicos floridos.
Que recurso há aqui?
Pau e po e rocha e alma.
O vento e o tempo.
Terras velhas,
Quebradas cansadas,
A mente vazia...
A poesia breve como a existência!

Agradecer

Após vento, chuva e uma noite maravilhosa,
Aqui o dia nasceu encantado
Com o som do vento e dos pássaros,
No escuro do quarto sobra imaginação e agradecimento...

05/01/19

Noite de reis

Ontem, choveu pela primeira vez no ano,
Ano passado choveu muito, porém a estiagem em seus últimos meses foi intensa.
Hoje, agora amanhece num sábado nublado,
Há 26 anos meu avó José Neves sofrera um infarto que o levara a morte no dia seguinte que seria o dia de reis.
Hoje, será noite de reis, 5 de janeiro de 2019.
Como os anos se passam rápido
E quantas coisas acontecem,
Umas importantes outras indiferentes...
Fatos subjetivos não?
Fiz-me quem sou e todos se fizeram quem são...
O importante é ser.
Pois cada um é o que é por escolha.
Muitos creem em destino, por escolha ou ignorância?
Meu primo que esteve aqui, ontem, com uma fala firme afirmou que dirigir é um dom.
Em meu silencio sepulcral nem concordei ou discordei, de certo que pensou que havia concordado.
Agora, penso se meu silêncio é soberba ou sabedoria?
A chuva de ontem refrescou a noite,
Após a chuva chover sai para caminhar,
Os pássaros cantavam tão ativos,
O sol dourado partia lentamente,
Enquanto caminhava com uma câmera tentando fotografar algo belo...
Dai minha escolha do que é belo,
Uma seleção tão subjetiva,
Encantam-me as plantas ou partes delas como flores e nectários,
Ou ainda os pássaros com seus cantos,
Após muito silêncio,
Perdi a fala,
Prefiro as letras, os poucos amigos que me restam,
Leituras mais reflexivas e a comida.
Penso muito na grandeza, no reconhecimento,
mas...
A natureza me contempla com tudo isso.
Refiro-me as flores floridas,
Ao canto cantado dos pássaros,
Do amanhecer ao por do sol,
De poemas e poetas falando...
Que loucura não.
Que loucura!
Meu silêncio é tão sem graça que ninguém me pede uma opinião
E não quero dá-la, pois de nada serve.
Com a chuva de ontem, aqui ficou mais gostoso.
Como é bom está em casa novamente...
Em 1993, papai comprou uma carga de rapaduras,
Enquanto guardávamos Bi, desceu na moto para o sertão
Foi avisar que José Neves deixara de ser,
Eu meu amor pelo meu avó era o amor de mamãe,
Que corta o meu coração quando ela chora...
Envelhecemos juntos...
Hoje, É nossa 39 noite de Reis,
Estou feliz por amanhecer mais uma vez.


04/01/19

Chão do Sertão

Esta terra,
Este chão,
Com solos cansados,
De distinta coloração,
Alvos de areia,
Vermelhos, laranjas de argila,
Ornado de rochas, seixos de quartzo,
Essa terra quente e nua,
Que se desfaz pela escassez,
Que morre com a perca da microbiota,
Com a perca das raízes...
Esse mundo desconhecido
Que abriga e consome
Nossos corpos por gerações e gerações...
Tão curta nossa existência
E tão extrema nossa ação de degradar,
Nada vai sobrar...
Será...
Esta terra e este chão.

Vincas

Como são singelas as vincas com flores alvas e folhas verde-escuro com seus ramos tênues e longos Que crescem nas frestas das bases das calçadas.
E como são subarbustos resistentes a aridez.
Com um copo de água são tão gratas ao pipocarem de flores.
Que bela paisagem que me enchem os olhos e fazem pensar na vida.
A vide que segue pelo vetor do tempo
Num caminho só de ida.
Que seja bela enquanto dure.

03/01/19

Casa de casa

O natural me encanta tanto,
As flores do quintal,
As palmeiras de catolés,
As ciriguelas cor de pimenta,
As raquetes de palma,
As ervas de chanana e fedegoso,
As vincas alvas e rosas,
A resistente Crinum,
O canto das aves e pássaros,
Porque aqui é o meu canto
E aqui está a minha alma.

Alma feliz

A laranjeira floresceu
E está cheia de flores
Que são tão alvas quanto perfumadas,
Sob sua sobra doce o mundo fica mais incensado e agradável,
Constantemente visitadas
Suas flores são polinizadas por meliponias e apis,
Enquanto oportunistas aranhas se banqueteiam com abelhas,
As alvas flores simétricas e multiestaminadas
São actinomorfas e de pétalas crassas e oleosas,
Quantos terpenos são produzidos,
Quanta beleza numa só planta generosa
Que só carece de água para este lindo processo
Acontecer,
Deste árido chão flores singelas enfeitam e perfumam a laranjeira
E a minha alma se expande se felicidade.

Pássaros coloridos

Os pássaros marrons são tão franciscanos como o roxinol e a casaca de couro,
Os pássaros verdes são tão barulhentos como pacuns e loros,
Sabiás são cantores fabulosos de cores laranjas ou brancos,
O vem-vem é laranja e azul-marinho eles chamam visitas,
Periquitos amarelos e verdes fazem muito barulho nas ciriguelas,
Papa-arroz são azul marinho ou escuros como a noite?
Os tricolores cabeças vermelhos são vermelhos, alvos e cinzas...
Azuis-cinzentos são sanhaçus
E esse é meu despertador de manhã


02/01/19

Construir uma história

O que aprendemos com a vida?
Que envelhecemos,
Que sonhos são bons,
Que as pessoas morrem,
Que as coisas acontecem,
Que temos invernos bons,
Que os verões são sempre áridos,
Que pode cair dilúvios, mas sempre terá verões,
Que esperamos sempre pelo melhor,
Que o zinco dura anos,
Que árvores vivem séculos,
Que a barriga é um centro de energia,
Que o corpo entra em desequilíbrio
E que viver é construir uma história.

Singularidade

Os anos que se passaram
E imbricaram algo de maravilhoso que existia,
Uma marca deixada,
Uma perca,
A subjetividade,
A sensibilidade,
A dor,
As memórias,
Tudo que foi e fez ou fazia sentido,
Um vetor,
As leituras no corredor,
Toda esta totalidade,
Inexplicável na singularidade do indivíduo.

01/01/19

curso

As estações,
Os encontros e desencontros,
O tempo que passou e com ele possibilidades
Se desfizeram...
Nossas perspectivas,
Acertamos ou erramos?
É loucura matutar sobre essas coisas.
Os anos que se foram e aqueles que virão.
O conhecido e o desconhecido,
O mundo ao nosso redor
E nossa subjetividade
São apenas traços de nossa humanidade. 

Entendimento

O tempo, o espaço, o infinito, o eterno...
O presente e o passado,
Os hábitos,
Os momentos,
O agora.
As memórias,
A fé,
Flores alvas do jardim,
O desgaste da matéria,
O entendimento de tudo isso que pode efluir
Ou ficar adormecido na eternidade.

31/12/18

Último dia

Um dia como todos os demais,
Com manhã, tarde e noite.
Pela manhã, quando o sol nasceu, a brisa soprou,
As aves e pássaros cantaram,
A manhã foi nítida e transparente,
Pelos espaço do sítio
Percebi como é lindo este lugar,
Como são sólidas as árvores.
E a tarde caiu...
Fim de ano de 2018
31-12-2018

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh