Minha avó era uma pessoa de muita fé. Viveu 93 anos totalmente lúcida, adorava conversar com ela, apesar da idade tinha ideias claras, convicções e uma memória de elefante. Viveu com nós por um bom tempo. Às tardes depois de tirar um cochilo vinha ela andando quase se arrastando, sentava numa cadeira de balanço, bocejava, penteava o cabelo com a marrafa e ficava contemplando aquelas tardes claras e quentes. Adorava minha vô que se preocupava com o aprendizado dos familiares. Muito inteligente, relembrava que quando estudava só tirava 10, e era convidada a recitar versos na escola nos fins de ano. Lembrava com desgosto que o pai dela havia tirado ela da escola pra cuidar de um doente. Coitada e ainda dizia que estava aprendendo raiz cúbica. Ficava impressionada com a memória uma lembrança muito antiga. Conversavamos muito e as vezes ela rezava enquanto eu lia algo. Via seus lábios rezando. Enchia ela de beijos só pra ver ela toda feliz sorrindo aquele riso doce. Todos os dias quando acordava assistia pela televisão a missa da igreja de aparecida. Rezava, cantava e seguia todo o rito da missa como se estivesse presente. Ela sempre foi muito católica. Vivia feliz com aquela vida. Temia muito a morte como todo ser humano. Hoje lembrei o quanto ela gostava de ver a missa de Nossa senhora. Deus a tenha doce avó.
Amanhece
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...
-
As cinzas As cinzas da fogueira de são joão, abrigam calor e brasas, cinzas das chamas que alegram a noite passada. cinzas de uma fogueira f...
-
Grande Bach. Suas composições nos aproximam do criador. São tão intensas como o mar ou um céu estrelado. Não tem como não se sentir pequeno...
-
Campinas, Barão Geraldo. Hoje quando voltava do Bandeco vinha eu perdido em meus pensamentos, meu olhar vagando nas paisagens. Quando num in...
Gogh