Com meu pai a trabalhar limpando a baixa de arroz. Senti que podia ir mais. Senti a infância partida. Senti a felicidade de uma nova fase passar a existir. Meu coração já desejava. Então minha meta era limpar até acabar. A baixa era tão pequena, mas o trabalho era duro. E na companhia de meu pai me sentia seguro e feliz. Nem precisava pensar na vida, bastava limpar a baixa. Ver o vento soprando a folha do arroz me animava, ver as nuvens broiando no céu me animava, ver o sol quente me desanimava. Mas Deixava tudo nas mãos de Deus. E a felicidade enchia meu coração só de ver o inverno bom e papai com saúde.
18/11/25
Despertar
Na madrugada desperto vi
Uma estrela se passou,
Veio a lua corada e sorriu
E foi crescendo no céu.
Em meio aos pensamentos,
A lua me despertou.
Sorria para mim.
Desperto só contemplei a lua.
Depois nos pensamentos adormeci.
17/11/25
Médica de era uma vez
Compramos o livro para Sassá a médica Era uma vez. A história de uma jovem que sai ajudando os personagens que ficaram com enfermidades no conto. Tem o pé da cinderela machucado, as farpas no bumbum e a boca queimada de cachinhos dourados, o lobo queimado dos três porquinhos, a dor de cabeça de Rapunzel... Sassá adorou, li com ele e depois ele leu as imagens e comentou com a mãe dele. Ontem, fomos para a missa e ele adormeceu de tão cansado. Depois quis ir comer um cachorro quente o favorito, segundo ele.
E era madrugada
Na madrugada o sabiá cantou.
Foi um canto intenso de amor.
Um canto de encanto,
Aquele canto que encanta a vida.
Havia energia, paixão e vontade de viver,
Vontade de amar naquela expressão.
Quem viveu entenderá,
Quem não viveu poderá entender.
Quando descobrir a força da vida
Querendo se eternizar.
E era madrugada.
14/11/25
Leitura
Sassá minha paz. Ontem li um livro para ele. Quando o mar encontra o céu. Um livro com imagens belíssimas. Estamos empolgados porque daqui a pouco Sassá começará a ler. E ai ele vai ser mais livre. Quando começar acessar os conceitos nas palavras. Sempre que leio aproveito as imagens para me posicionar no mundo da percepção da realidade. Essas coisas ai.
Manga
A tarde me fez sair de casa,
Sentir o frescor da chuva chovida,
Na paisagem seguindo um caminho
E me deparei com aquela mangueira.
Que vive lá nas três ruas.
Uma mangueira de mangas espadas.
Pendulas as mangas me levaram lembrar,
E lembrar é recordar e quando recordo
Transponho o espaço e o tempo...
Voltei a minha adolescência, fui ao sítio de Fora,
Onde vovó viva tinha um sítio de manga.
Era tanta manga que pegava de carga no jumento café com leite de orelha cortada.
Ia com minha irmã, até vovó e ela mandava a gente cata manga no sítio.
Chegava no sítio era tanta manga burro, manga espada.
A gente enchia a vista e depois enchia o bucho.
Felizes com os caixões cheios de manga,
Mas encontrar uma manga espada no pé,
Fazia da gente guloso.
Felizes a gente chegava em casa...
E havia fartura por um ou dois dias.
Amar verbo intransitivo.
Sério! Vi ontem, mas o texto nasceu agora.
Amém.
13/11/25
Parcimônia, vazio.
Senti a necessidade do vazio.
Ausência de tempo.
Melhor sair sem pensar no tempo que passa.
Melhor deixar a mente vazia
E não pensar em nada só caminhar.
Só ser.
Daqui a pouco parto desta para outra
Ou melhor perco a existência.
Volto para o vazio.
Volto para o nada.
Não tenho memória alguma dos anos que antecedem minha infância.
Porque tudo era vazio.
Agora tudo é uma breve consciência.
Uma suposta realidade que não passa de uma ilusão.
Bom, então preciso do vazio...
Preciso esvaziar a mente
Que deseja ideias...
Tudo com parcimonia.
Brasil unidade
Sassá ontem ganhou um quebra-cabeça do mapa do Brasil. Após o almoço nos montamos. Curioso que ele se interessou. E ai, a noite ele pegou de novo e foi montar e obviamente eu fui ajudando, sem ajudar. Ele ficou muito feliz ao montar o mapa do Brasil. Aprendeu o nome de alguns estados Brasileiros. É um objeto tão maravilhoso e educativo que nem começamos a explorar suas propriedades. Entender e conhecer o Brasil como um pais uma unidade constituída de estados e que estes estados são organizados em regiões e o que está presente em cada estado, por exemplo a língua portuguesa e a influência dos imigrantes, as novas palavras aportuguesadas, as palavras tupis... E assim. Sentiu-se muito feliz pelo novo objeto de aprendizagem ou de estudo. Já conhece a bandeira do Brasil como um símbolo e isso ensinamos olhando para o prédio do altiplano onde tem uma bandeira hasteada ora da Paraíba ora do Brasil... No atacadão também tem... Dai sempre que ver, percebe e enriquece a informação.
Essas coisas.
Imagem do Sertão
Uma serra para olhar,
Através da janela,
A cajaraneira,
O juremal...
A cinza do verão...
Isso é imagem do sertão.
Isso é intercurso de estação.
Empoeirado está o chão,
O marmeleiro nu perfuma ao ser tocado,
O facheiro se mostra armado,
Xique-xique é candelabro...
Isso é imagem do sertão.
Galinha a cacarejar
Quanto quer por vai ao ninho,
Poe e sai a gritar,
O menino o ovo vai buscar,
Pra comer batido com farinha e açúcar...
Isso é imagem do sertão.
Eu o matuto matutino,
Da enxada ao enchadeco,
Da foice a roçadeira,
Fiz de tudo pra estudar,
E da lida me livrar
Isso é imagem do sertão.
Hoje distante em outra lida fico a pensar,
Como é calmo meu Sertão...
E a gente sabe melhor como é a vida.
12/11/25
Ser pai
Cai a tarde!
Os anos se passam e mudam meu olhar.
Lá se vai a tarde e tudo que quero é o agora.
O passado só memória.
Doce memória.
Algo que não volta jamais.
Mamãe, papai, vovôs e vovós...
Agora meu filho.
Agora um raio de felicidade.
Forte amor.
Depois ficarei fraco e partirei...
Mas esse sentimento é de quem é pai...
Brilho nos olhos
Vamos fazer o aniversário de cinco anos de Sassá. A mamãe se encarregou da organização. Há alguns dias Sassá desenhou os bichos para o convite. A mamãe fez o convite imprimiu e bom preparou os envelopes. Ontem Sassá escreveu o nome dos meninos nos envelopes. Então, ao levá-lo para a escola nós fizemos a entrega aos seus coleguinhas. Foi uma festa. Sassá se sentiu muito feliz em distribuir para todos os coleguinhas um convite. Dai foi para a escola e na escola não sei como foi. Foi isso, maravilhoso ver um riso com brilho nos olhos dele.
O que plantar?
O tempo se torna cada dia mais precioso.
O tempo vale ouro.
Tempo pra pensar o que me edifica.
Tempo precioso para se cultivar.
Cultivar bons hábitos,
Cultivar boas ideias,
Cultivar conhecimento.
A cada dia que se passa menos tempo
E por isso tenho que aprender o que é mais importante,
Aprender a eternizar o que me faz melhor
E deletar o que me faz pior.
Essas coisas.
11/11/25
Limiar
O limiar
Quem se doa?
Entre o dia e a noite é a noite que cede ou é o dia que doa?
Aurora quem existe e aparece...
Entre o mar e a praia como podemos delimitar?
Qual é o limiar? Ora o mar cresce ora a praia cresce e quem é que se doa.
A maré aí está.
No amor quem é dia? Quem é noite? Quem é mar quem é praia?
Na linha do horizonte quem delimita o oceano e quem delimita o céu?
A matéria ora ocupa espaço e ora desaparece! Onde está o limiar?
Momento
A mata silenciosa,
Cadê o vento?
Cigarras em sinfonia,
Contentes com o tempo.
O sol brilha intensamente,
As folhas caem enquanto folhas jovens são tecidas pelas árvores.
Troncos expostos cinzentos.
Pássaros a cantar.
É o momento
Espaço e tempo
Os encontros e desencontros se dão no espaço e no tempo é claro que é necessário que haja uma relação e para que esta ocorra uma conexão.
Apuleu
O peixe de Sassá apuleu morreu. Que fazer para não ver Sassá sofrer. Bom dissemos que ele havia ido ao médico e que voltaria logo. Ontem fui a mangabeira numa lojinha muito boa e comprei o apuleu II, mas Sassá não precisa saber, ele não precisa sofrer. Quando chegou da escolha, temeroso foi ver e fez um monte de questões. Não sei se ficou convencido. E foi assim que aconteceu.
10/11/25
Sassá e Rocha
Sassá vai ao Zoo com seu amigo Rocha. Foi a maior festa. Após o evento na escolinha de natação.
Convidamos Rochinha, filho do nosso compadre para ir a Bica conosco. Eles fizeram a festa. Gritavam, riam, iam e vinham, brincavam, falavam com os animais. Vimos todos os recintos, andamos na mata. Eles amaram os obstáculos.
Trocaram ideias e aprenderam muito.
Foi extremamente rico a experiência.
07/11/25
Hora de ir ao mercado
Esqueci o cabo do computador em casa. Voltei para pegar o cabo numa bicicleta de um amigo. Encontrei Sassá pedalando nas três ruas. Ele ficou muito eufórico quando me viu. Então pedalamos um pouco até casa. Dai chegando em casa. Peguei ele no braço e subi as escadas. Já em casa, encontrei o cabo e ai como ele estava com muita fome foi explorar a geladeira. Ao ver que a geladeira estava sem muita comida. Ele de geladeira aberta olhou e falou pra mim. Papai olhe, está na hora de ir ao mercado. Na hora nem me toquei só depois já no trabalho. Dai ri até. Quanta coisa linda na ingenuidade de uma criança.
Fim e início
O fim é um fechamento.
Todo fim é também um início.
Assim que tem um fim, aparentemente tem um vazio,
Esse vazio é o fim...
Fim da vida, inicio da eternidade.
Fim da eternidade, início da vida...
Fim do sentido e início do sentido.
Fim dos versos e início da reflexão
06/11/25
Beijo invisível
Ontem ganhei um melocactus e o levei para casa e a história aqui está no meio. Então vamos lá.. Na segunda feira ao agoar o jardim encontrei um mandacaru pequeno. Coloquei num envelope e levei para o apartamento onde pretendia levar para plantar na UFPB, mas Sassá viu e gostou e perguntou se poderia plantar e bom não sei dizer não para ele com frequência. Perguntei qual seria o nome e ele disse chico bento, porque estavam lendo uma estória do chico bento. Observou que os espinhos eram moles e não furavam. Colocou lá na sacada do lado do angico. Então, ontem quando cheguei com o outro cacto coroa de frade perguntei qual era o nome e ele falou zé lelé. Dai ele perguntou e os espinhos são frágeis, disse que não. Dai ele levou para a sacaca e perguntou de novo se os espinhos eram moles. Dai eu disse teste. Testou? Bom disse dê um beijo ai. Ele deu um beijo de longe e disse dei um beijo invisível. Dai Ri. Abracei ele e disse que o amava.
Livro DNA do Sertão
Recebi ontem o exemplar do livro de meu contemporâneo e amigo de Moraria estudantil da UFRN Lino sapo. Adorei o título e a arte da capa. São 156 páginas repleta de rimas e memórias e de sabedoria popular e subjetiva. Folheando as páginas, atento aos títulos de olhos nas rimas podemos perceber quão alinhado está o poeta com a sonoridade, com as ideias com a essência do sertão. Deveras no DNA encontramos a essência da vida em código biológico a ser expresso em forma sob a vontade maior que é a preservação da vida. Este livro retrata memória compartilhada por todos os nordestinos e possibilita por via dos versos, das palavras que conheçamos o sertão nordestino na sua essência. Amigos e amigas vemos os sertões aparecerem e desaparecerem. Nesse movimento natural ação e reação... Um sertão velho desaparece para dar cara a outro sertão... Já sinto o ar da saudade... Já me sinto passado e passando quando já se foram meus avós e pais... Que poderemos salvar e esquecer do sertão? Sem dúvidas que desapareça a fome, pobreza e miséria e que permaneça a cultura, a arte e os versos dos poetas do povo da gente... Doces feito alfininho, gostosos como arroz de leite com carne de sol. Dessas coisas que a gente enche o bucho e sempre voltamos a ter vontade de comer novamente.
05/11/25
Monólogo
Agora, tarde de domingo, dois de novembro aqui estou. Deitado na rede a ouvir uma conversa de Borges.
Tenho participado tantas vezes destas conversas com este autor. Algo em suas ideias me encantam e me fazem querer ouvir mais uma vez, mais de uma vez.
Um descanso, um intervalo e um momento de reflexão.
A redescoberta dos momentos via reflexão... Nesse tempo que engole a humanidade. Borges reflete a eternidade.
Finados
Hoje, não estarei aí para acender uma vela.
Não estarei aí para render homenagem.
Para encontrar as pessoas e compartilhar com elas meus sentimentos.
Ver o sol se despedir sob a benção do padre.
Hoje, por forças externas, estou aqui.
Cada dia nos despedimos um pouco desta existência.
Hoje, podemos refletir essa realidade que está sempre se atualizando.
Dois de novembro dia da eternidade.
Numérica
A unidade é divina,
A dualidade eterna,
O três é a completude,
O quarto é a moldura,
O cinco são os sentidos,
O seis é a terceira dimensão.
O sete é uma semana perfeita.
O oito é moldura dupla.
Nove é terceira ao quadrado.
O resto tu inventas.
Árvore e o que?
Os terminos de uma árvore mudam, às são gemas, as vezes flores e as vezes frutos.
Pouco importa isso.
As vezes a gente pensa por pensar.
Mas que pensemos bons pensamentos.
Mais nada...
De fato esse pensamento acima está vazio.
Mas lembrei de uma frase que a primeira vez que ouvi ainda morava em serrinha do canto ou seja a mais de 25 anos atrás.
É o seguinte.
Num dos sermões do Pe. Walter Colini proferiu esta linda ideia.
"Se não houve frutos, mas valeu a beleza das flores;
Se não houve flores, mas valeu a sombra das folhas,
Se não houve folhas, mas valeu a intenção da semente".
Agora melhorou.
Coisas corriquiras
Adoro o silêncio desta sala, a vista para a mata, para a aroeira e o jutaí.
A manhã nublada e a aves em sua alegria a cantar.
Na correria dos nossos compromissos esquecemos das coisas mais simples e importantes da vida.
Essas coisas
Ontem ganhamos um melocactus, coroa de frade e Sassá resolveu chamá-lo de Zé lelé o amigo de chico bento. Ontem, ainda saiu da escola cheio de energia imitando um leão. Ele ama os cabelos longos. Diz que leão sem juba é leoa. Estamos nos organizando para a festa de aniversário dele. Fará cinco anos e como seu aniversário é no dia 30 de dezembro, antecipamos para que ele tenha pelo menos um aniversário com seus coleguinhas da escola. Enfim. Essas coisas como ele costuma dizer.
04/11/25
Chico bento
Ontem Sassá leu inúmeras histórias da turma da Monika.
Também desenhou.
Também brincou.
A tarde quando voltamos da escola aguamos as plantas.
Engraçado que ele só agoa as plantas são mato.
Percebeu que o quebra pedra estava de folhas fechadas.
Dai expliquei que a noite a folha não faz fotossíntese, apenas respira.
Bom depois ele encontrou meu mandacaru novinho.
Pediu para plantar e eu deixei.
Perguntei qual seria seu nome e ele respondeu. Chico Bento.
Ele plantou chicobento do lado do anjico Zédoalive.
Silêncio
Silêncio!
Seis horas da manhã.
A mata silenciosa, embora já tenham cantados as cigarras.
Sol sob nuvens.
Pia o sabiá sabe lá que quer falar.
O departamento dorme com seus professores.
Rivete e Felipe não chegaram.
Enquanto isso a vea espera por comida.
Nem vi Nildo.
Sei que ele está aqui já aguou seu jardim.
Ontem o encontrei angustiado, pois levaram nosso cacho de banana.
Um barulho.
É Nindo.
03/11/25
Parabéns papai
Sábado foi um dia especial. Completei 46 anos. Sassá se pulou da cama, disse que era o aniversário do papai. Depois voltou para cama e disse que estava cansado. Fui lá e beijei ele e abracei com muito amor. Dai ele levantou e foi trabalhar na confecção de meu cartão de aniversário. Fez três cartões lindos. Depois fomos desenhar os dinos para o convite do aniversário dele que iremos fazer para os amiguinhos dele. E ficamos juntos a manhã inteira. Desenhando e brincando. Só saímos para almoçar. Fomos ao mangai... O mais esperado para ele era a sobremesa. Coloquei um bocado satisfatório. À tardinha, fomos a lagoa assistir a decoração de natal. Encontramos os padrinhos dele e ele pode se divertir até cansar. Quando deitou na cama nem mamou, já dormiu.
Obrigado.
Fiz 46 anos,
Estou mais velho, mas não me sinto assim.
Ser e sentir são a mesma coisa?
Sinto-me feliz por tudo.
Só tenho a agradecer.
31/10/25
A porta
Na sala nove, do DSE, aos dias 29 de outubro foi trocada a porta. Uma porta frágil de plástico por uma porta de jatobá.
Quanto tempo durará.
Tigres verdes
Ontem, Sassá entrou em seu mundo fantástico. Ele descreveu um ser que dizia ser um tigre, mas parecia mais um dinossauro ou coisa do tipo. Descreveu as patas com três garras enormes. Os dentes feito iguais aos de tigre dente de sabre. Depois fomos desenhar. Lembrei de um conto maravilhoso de Borges "Tigres azuis". Depois de pensado foi e desenhamos tigres eu fiz um tigre verde. Depois fomos tomar banho.
30/10/25
Desperto
A Siriri cantou animada são três da madrugada.
Aí lembrei de uma época que vivia com os meus pais.
Acordava cedo pra pegar água. Ia de jumento pela estrada. Devagar podia reparar a vida.
Via os cajueiros, os postes, as casas.
Nos cajueiros ou nos fios cantava a siriri. E eu querendo dormir como agora.
Acordado
A madrugada silenciosa me faz companhia.
Ouço o ronco de um motor distante. Quem será?
Ouço o estalo da cerca elétrica...
O vento soprando nas plantas.
Ouço o canto dos grilos.
E confundo tudo com o barulho na minha mente.
Mamãe, papai e Vinícius.
A sombra da noite me afaga.
Mais nada.
E uma Teixeira se vai
Ontem, 29 de outubro de 2025, faleceu a esposa de nosso tio Raimundo das Neves Teixeira. Ela se chamava Tereza Fernandes de Lima. Das memórias que tenho de infância são tão poucas, quase nenhuma. Nosso tio foi embora para Natal. Foi estudar e quase nunca visitava a terra. Só algumas vezes quando vovó era vivo ele vinha sempre, lembro das últimas vezes que veio a Martins enquanto criança. Temos até umas fotos. Acho que foi em 1992. no ano seguinte Vovô morreu e se foi. Só restou um retrato de sua formatura na parede. Ficamos isolados. Esquecidos. Quem esquece é esquecido. Mas sempre havia aquela áurea de admiração. A gente sente quando conversa entre os primos. Tem também um que de decepção.
Tive a oportunidade de conviver com eles quando fui para a faculdade. Ia lá as vezes. E pude conviver um pouco. Mas a relação era um pouco assimétrica, e eu não entendia bem. As conversas com ela eram mutio poucas. Se não tem conversa não se gera empatia ou antipatia.
Ela passava seus dias a trabalhar. Trabalhou muito para dar as coisas ao único filho. Não sei. Minha mãe até se aproximava deles. Mas as relações eram complexas. Ele era o segundo irmão mais velho. O único mais instruído...
Não sei o que dizer...
Descanse em paz.
Leitura
A mamãe de Sassá assinou um serviço de acesso as leituras da turma da Mônica.
Sassá está muito feliz. Eles leram tantas historinhas ontem que nem vi eles dormirem.
Só sei que acordei e estava a luz acesa e Sassá entre nós. Dormiam profundamente.
Acho interessante ver ele olhando a revista como se lesse mesmo, as letras e não as figuras.
Oiticica e sua sombra
Num sertão qualquer do nordeste,
Na beira de um riacho, mora uma oiticica.
Ali se encontra areia e sombra a qualquer hora.
O verde escuro e cheiro das folhas, das flores e dos frutos é sempre constante.
Seu grande tronco que cresceu com toda força, agora só enlanguesce.
Sustentando sua copa, suas folhas, flores e frutos.
Ali, quantas coisas aconteceram, das idas e vindas do roçado, da rua, do açudo,
Um pouso para refresca-se em sua sombra.
Os frutos colhidos para serem vendidos.
O cochilo tirado certo dia.
Quantos ai passaram, quantos não já se foram.
E ela continua ai, imponente, até que alguém não queira!
Até lá, cresce oiticica.
29/10/25
Raia
A primeira vez que vi uma pipa ainda era criança. Fiquei encantado. Aconteceu lá em Serrinha do Canto, lugar onde nasci. E não chamavam pipa lá não era raia. O dono era Chico de Amaro Lopes e de Cícera.
Ele tinha um pai artesão que sabia fazer tudo, ao menos tudo que nós crianças mais almejávamos. E uma das traquitanas era a raia. Naquele lugar maravilhoso onde não tinha lugar aberto, exceto a estrada. E foi lá que vi Chico Amaro, correndo fazer uma coisa com um rabo, segurado por uma linha voar. As coisas, além das aves e morcegos podiam voar. Sim, lá nós já conhecíamos aviões, ou melhor o avião do americano pastor Pedro que vez por outra sobrevoava o município de Martins. Então, para ter uma pipa era preciso papel, palito de coqueiro, linha e sacola. No entanto, nunca consegui fazer uma pipa voar. Aprendi o que era uma raia, conheci esse objeto ainda pequeno. E isso parece banal, mas para a época não era. Não tínhamos televisão ainda. É de achar que é mentira, todavia é verdade.
Rabo do bolo
Ontem, Sassá foi ao mercado. Selecionou um bolo, morangos e um rabo do bolo. Perguntou se podia comprar um rabo de um bolo. Na verdade ele queria a calda para colocar no bolo. Então nos compramos. Fomos para casa. Arrumamos as compras, jantamos e ele ficou no pé da mãe pedindo pela calda do bolo. Dizemos que Sassá é o provador, desde pequeno quando chega do mercado, chega com uma fome de leão. Quer comer de tudo. É assim mesmo. A gente é feliz por tudo, pelos alimentos, pelo momento pelas nossas rizadas, pela nossa vida em família.
Uma chave
Existe uma chave que permite abrir a porta da mente.
Qual é a chave?
Um estímulo, uma sensação?
Neste universo classificado e que me encontro, há uma direção a seguir.
28/10/25
Feriado
Ontem, sai com Sassá para caminhar. Fomos às três ruas. Antes pegamos a rua do sapoti. Ele recordou que vimos uma caranguejeira num tronco de uma castanhola. Fomos por ali, por que gosto de surpresas e na borda de uma mata sempre tem uma surpresa biológica. Bom podemos ver flores rosas de jasmim no fim da rua. Falamos do que víamos. Quase sempre as conversas tem uma tendência a se repetirem. Sentimos o perfume, isso mesmo ele falou! Flor perfumada... me referia ao nim. Gostei do termo... Perfumada.
Pegamos as três ruas e fomos caminhando, conversando sobre os enfeites de natal. Ao passar pela pitombeira, falei que ela ia florescer.
Paramos para ver o tronco com ramos jovens de uma castanhola e vimos inúmeros membracídeos.
Pegamos, brincamos, expliquei várias coisas. Quando saímos um foi na minha blusa. Chamei ele de companheiro. Sassá gostou. Fomos até a rotatoria final, lá no cacau e voltamos...
Depois fomos fazer exercícios na academia, ver os gnomos. E casa.
Desenhamos muito.
Aproveitamos a manhã de feriado.
Intensidade
A tarde ardia como todas as tardes.
Não estava no conforto do meu quarto.
Não estava no conforto do dia de semana.
Era sábado, fui rever um amigo pela última vez, ou melhor seu corpo.
Sua mulher, soluçando, sofria a maior dor da vida.
A perda de seu amor. Uma fatalidade, tirou a vida de seu amor.
O espaço era o maior, as coroas as mais belas.
Seu pai, falou palavras firmes, se apegou a Deus tentando não transparecer a dor.
Falou palavras de consolo, tentando se consolar e manter a calma.
Nossos peitos doíam.
Saímos em combio guiados pelas polícias de trânsito.
Saímos pela Maximiniano Figueredo, depois a avenida que dava no Boa Setensa.
Um helicóptero fazia a cobertura.
Com os corpos anestesiados, nem sentíamos quão quente estava a tarde.
No boa setensa a capitã falou palavras de conforto.
Seguimos pela rua principal, dobramos a esquerda, Depois do túmulo do Padre Zé a direita.
Descemos até o jazigo onde iria descansar na eternidade nosso amigo.
Seu corpo e uma placa com uma palavra bíblica e as datas de nascimento e morte.
É somente isto que somos reduzidos.
O tempo se encarrega de acabar com todas as memórias,
Nós nos vamos, nossos filhos também.
Então podemos entender que este momento foi só um momento entre tantos de nossas vidas.
Com maior ou menor intensidade para que o sofre.
Em Vão
Não sei dizer o que sinto, mas sei que sinto algo. Talvez a saudade é um sentimento que pode ser, mas acho que vai além.
Às vezes, pego-me pensando como ficou vazia a nossa casa sem papai e mamãe. Eles eram a essência dali. E só assim posso imaginar essa mesma sensação na casa de vovó e vovô Chico e Chica que viveram na casa que conheci quando criança, para mim, dos meus avós, mas para papai era a casa os avós dele, meu bisavós. Impossível a mim de conceber algo assim... O espaço que foi criado, ocupado teve uma duração e depois e substituído... Espaço vivido por anos e os anos levam tudo. A essência está no ser e no existir.
A casa de meus pais para Vinícius é a casa da tia lí. A casa dos meus avós é a casa de Franci.
Ai, fico sem prumo.
Esse sentimento não é exclusivo meu, mas sinto como se fosse.
Por isso, tentar explicar. Em vão.
27/10/25
Em um momento
Onde estou, carrego meu ser. Sou o que sou. Sou o que me cerca. Sou o que me ensinaram ser.
Sou o que aprendi a valorizar...
Após vamos lá.
Em pé, na beira da estrada, para para contemplar o vale e as serras.
Tudo que vejo é o que conheço.
A cinza da mata.
A cinza da mata.
A cinza das rochas.
A cinza das serras.
No fundo no vale o verde do campim elefante que vive enquanto viver o homem.
Baixa de Janoca,
Baixa de João de Janoca,
Baixa de Douglas...
Do pé do alto, havia uma casinha de taipa.
Nela morava Maria do Carmo casada com João Lúcio e mais um monte de filhos.
Tinha um pé de pinheira e ciriguela que mirava para a baixa...
Mas a frente uma rocha e um pé de angico.
Foi tudo que restou...
Na verdade... o tempo tudo apagou.
O sacrifício para sobreviver a pouca água e a pouca comida.
Ali ia. E costumava contemplar a baixa que em meio ao total cinza era a única esperança verde.
Nossa esperança no sertão é pelas chuvas.
Sinal de fartura.
Quando caem as chuvas é tão gostoso.
A gente parece renovar a vontade de viver assim como as plantas.
As plantas e as sementes despertam de seu sono.
A água faz o mundo cheirar a chuva.
Um professor que conheci desmistificou o cheiro da chuva e disse que era o cheiro de esporos de fungos.
Eita que tem fungo por todo lugar, pois pra mim a chuva só tem esse cheiro em qualquer lugar do mundo.
Então, sinto o vento soprar, ouço o vento cantar ou seriam as árvores cantando?
Assim, volto ao eu... saio da memória.
Caminho pelas estrada vendo o desprezo das pessoas pelo meio em que vive.
Lixo de garrafas de água, de cerveja, carcaças de animais.
Essa poluição não seria uma forma de violência visual?
E assim, segue.
Na Bica
Sábado, fomos a BICA.
Temos ido frequentemente a Bica aos sábados. Sempre encontramos novos elementos.
Bem neste sábado passado, e as novidades foram a nova anta que nós passamos a chamar de Amaro. Como já havia uma fêmea que chamamos de Amora, pois a bichinha só tem uma orelha. Agora recordei que papai teve um jumento que já adquiriu este já era velho e só tinha uma orelha completa. Não dávamos nomes aos bichos, exceto a careta uma vaca que já veio com o nome. Enfim. Na bica vimos o novo componente. Então quando saímos do recinto da anta fomos ao recinto dos peixes. Já lá, a mamãe foi abrir a bolsa para tirar uma bolacha para Sassá e quando ela abriu a bolsa sobre nossas cabeças nos galhos de um ingá estava Janjão o macaco fujão. Ao ver a mamãe abrir a bolsa ele gritou avisando. Então desceu para o chã quando viu que eu tinha o pacote de bolacha nas mãos. Dei-lhe duas bolachas, mas ele queria mais, então ficou de pé de mãos aberta como quem disse me dê mais... Como não quis dá ele gritou. Foi para a beira da água, molhou a bolacha para comer. E nós ficamos ali lhes olhando e rindo. Depois ele subiu no ingá e sumiu. E nós seguimos nosso passeio.
24/10/25
Te amo
Paz oissoe
Um ferreirinho relógio acerta as horas.
O sanhaçu afia a tesoura.
Um rixinó canta nos arbustos sob a mata.
Um bentivizinho deu ar da graça.
E a paz reina aqui
23/10/25
Mel
Amo o mel,
O mel tem um cheiro e um gosto que está relacionado a florada.
Ainda pequeno a coisa mais doce que provei não foi o sorvete, mas o mel.
As vezes, nossa vizinha nos dava um pouco.
Deve ser por isso que era tão gostoso.
Depois pude comer mel sempre que quisesse, mas agora não posso por conter muita glicose.
E outras coisas mais.
Antônio Pereira
O poeta da saudade Semana passada ouvi o compositor Santana declamando um dos mais lindos versos sobre saudade. Ele falou de Antônio Pereir...
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As cinzas As cinzas da fogueira de são joão, abrigam calor e brasas, cinzas das chamas que alegram a noite passada. cinzas de uma fogueira f...
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Grande Bach. Suas composições nos aproximam do criador. São tão intensas como o mar ou um céu estrelado. Não tem como não se sentir pequeno...
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Campinas, Barão Geraldo. Hoje quando voltava do Bandeco vinha eu perdido em meus pensamentos, meu olhar vagando nas paisagens. Quando num in...
Gogh