Ontem na escola de Sassá houve a abertura dos jogos internos. Fomos com ele, pois ia desfilar. Estava todo feliz. Já saiu da escola avisando do evento. Sassá ama a escolinha, os amiguinhos. Chegamos cedo, a quadra ainda tinha os portões fechados, foi bom porque peguei uma vaga perto dali. Ai escolhemos o lugar e ele todo feliz com a amiguinha. Logo foi chegando um a um. Soltamos ele para correr na quadra numa alegria de bobo. Depois a professora levou eles para a entrada, onde se organizaram para o desfile dos infantís 2 até o 4. O desfile foi lindo. Saiu dali faminto. Compramos um cachorro quente e um bolo que ele comeu. Tomou banho e foi dormir.
07/10/25
Mel
A gata mel como chamamos, aurora como o pessoal da rua chama, desapareceu.
Nem sei como irei falar para Sassá. Ele gostava muito de vê-la em nosso jardim.
Ela se escondia atrás das espadas de são jorge, se deitava em cima do muro.
Sumiu. A gente chamava ela de aurora por causa do pélo melado.
Semelhança
É outubro, décimo mês do calendário.
O verão aqui é a época de ausência de chuva.
A mata está seca, só algumas espécies verdejam brilhantes.
Aqui em João Pessoa, mata atlântica. Compartilha algumas coisas com a serra de onde vim.
Agora mesmo uma cigarra me fez lembrar dessa similaridade.
O canto de uma cigarra de mata atlântica, desperta as memórias de minha infância.
Só isso.
06/10/25
Tempos idos
Medo!
Medo destes tempos idos,
Das coisas imbricadas e veladas,
E agora desveladas.
O tempo que tanto revela,
Ao revelar cobra a vida.
Mostrando que nossas percepções são nada.
Tudo imaginação.
Dá um aperto no peito.
Pega a gente de jeito,
Saber que tudo é criação...
Medo do que o tempo nos revela.
São tempos idos.
Domingo em paz
Sassá foi a lagoa, parque Solon de Lucena no domingo. Estava bem vazia. Ele procurava na borda da lagoa ver bichos, aves. Vimos socós e garças e nada de peixe. Ainda conhecemos o campeão de força e energia o Pequeno Antoni José que mesmo numa cadeira de rodas esbanja energia. Indo de lá pra cá, usando seus bracinhos. Depois contemplamos a obra de Miguel da pedra do reino. Comemos pipocas, contemplamos as árvores e palmeiras, coletamos plantas e voltamos para casa felizes. Ainda passamos nas três ruas onde ele andou de bicicleta, comeu bolo e fomos para casa, onde aguamos as plantas do jardim.
Um pouco
Fernanda, a aroeira continua a crescer, desde então nunca mais a podaram.
Desde que aquele que lhes deu o nome se foi.
Já não penso mais em Fernanda,
Mas ela está ali.
Então tem dias que ela vez e me mostra que tudo vai continuar bem.
Que tudo é fruto de nossas mentes.
O que podemos temer do amanhã?
Tudo vai continuar e nós, bem talvez deixemos um pouco de nós no coração das pessoas que respeitamos.
O simples
03/10/25
Folha seca
Outubro chegou trazendo chuva,
Estranha chuva nesta estação...
Deitadas e molhadas as folhas caídas no chão estão.
Contemplei com alegria,
O térreo marrom, cor de telha,
Cor de folha!
Veio a mente a canção folha seca...
Encontro
Fui a feira de orgânicos na UFPB ver os amigos, conversar e comprar. Vi seu Biu, seu José, Seu Edson e seu Zizo.
Ir a feira, como não gostar desse Bafafá.
Ouvir a bandinha tocar,
A cliente a questionar o preço das coisas,
O cheiro da tapioca sendo assada no caco.
Gente indo e voltando.
Mercadoria sendo entesourada....
Eis que encontro Lis, a poetisa, na volta para minha sala.
Quanta alegria, com saboroso gosto de poesia.
Lisbeth Lima de Oliveira,
Lima de Solânea, e Oliveira de Cajazeira.
Conversamos sobre tantas coisas,
Que nos perdemos no tempo.
Das coisas que pesquei.
Lisbeth, nobre amiga,
Que muito tem a me ensinar,
Antes ouvir a falar,
Quem fala doa,
Quem ouve recebe,
E foi aquela troca,
Aprendi a aprender,
Falando e me agradando
do Carinho de me escutar.
A certas horas vi que era todos ouvidos,
Foi a feira a escutar,
Ver, ouvir e cheirar,
Ao café saborear...
A goma que se aquecida,
Vira tapioca, estava o ambiente a perfumar...
De flores na mão senti a mercadoria pesar.
Lis ouvia...
Em suas orelhas dois ouvidos,
Um interno e outro externo,
Uma espiral coclear,
Uma concha espiralada,
Mostrava que ouvia e ensinava no ouvir.
Lima, lima, lima...
Oliveira, oliva...
O roxo do jacarandá enche sua vista de alegria.
A memória do cheiro do cabelo de sua vó...
Memórias são despertas,
Eternizadas.
Mais nada
Mediação
A alma de gato marrom vez por outra aparece. Não vejo, mas escuto.
A patativa de papinho amarelo só canta a dançar. E agora tá cantando no meio da mata.
O sanhaçu de coqueiro verde anima as praças pessoenses.
Agora!
Isso é tudo.
A planta de Sassá.
Uma das atividades para o dia da árvore, na escola de Sassá, incluía plantar uma árvore. Sassá plantou uma castanha de caju. Esta germinou, após germinar a professora de Sassá entregou para ele cuidar dela em casa. Ele se divertiu com o coleguinha Ravi que também plantou uma castanha. Antiontem, Ravi falou que o cajueiro dele estava nascendo. Eu me lembrei da planta de Sassá. Perguntei para ele onde estava e ele trouxe a mudinha. Está com os cotilédones verdes já, bem a vista, mas ainda parte encerrado na castanha. Então a noite, ele trouxe a planta para a mesa onde contemplamos aquele pequeno cajueiro. A mamãe falou que iria fazer um bonsai. Aguamos a mudinha. Sassá disse que ela precisa de muita luz e eu complementei e de água também. E foi isso.
Bach -area
Grande Bach.
Suas composições nos aproximam do criador.
São tão intensas como o mar ou um céu estrelado.
Não tem como não se sentir pequeno
E parar para contemplar...
Area é o mar, é o céu estrelado... profunda e reveladora da face divina.
02/10/25
Viajante do tempo
Sou um viajante do tempo.
Tudo teve início no meu nascimento.
O choro me despertou,
Inconsciente que estava continuei,
O que me guiava era a vontade de viver,
Desenvolvi apegos e gostos...
Descobri o eu.
Consciente me tornei,
Igual a todos que me cervavam,
As emoções e sentimentos
Me ensinaram a amar,
A sorri e chorar...
A minha vida parecia eterna,
Tudo era tão intenso.
Todavia a razão,
Foi matando a emoção,
A consciência dominando a inconsciência...
E comecei a perguntar quem sou!
Pensei, em cima de pensamento,
Alimentei sentimento...
O tempo afraca minhas forças,
Envelhece o meu corpo,
Me domina...
E me pergunto quem sou eu...
Tudo em vão.
No olhar da criança imaginação,
No olhar do adulto ilusão,
No olhar do idoso, sabedoria.
Sou forjado pelo tempo...
Quem fez quem me fez passou,
Quem me fez passou...
O lugar é o mesmo, atemporal.
O espírito eterno...
Vive trocando de corpo e fazendo crer na individualidade.
Tudo é nada,
E nada é tudo...
Sou só produto do acaso,
Do tempo...
Dios tuto natura.
Estória
Ontem, Sassá e eu conversamos, enquanto o deixava na escola. O assunto é sempre falando sobre como foi nossa manhã. Ele diz sempre que não lembra de nada. Depois ele perguntou se tinha serpentes naja no Brasil. Disse que não. Ele incutiu que, QUANDO CRESCER, vai criar serpentes. Sempre explico o problema dos venenos. Então, me perguntou se podia criar teiu. Disse que podia, mas que tinha o perigo de levar uma lapada do rabo do bicho. Ele perguntou porque o da bica era lerdo. Falei que são menos ativos. Na casa da tia li que fica no sertão tem muito calor por isso os teius são mais ativos. Contei de um episódio que aconteceu com o nosso cachorro de nome sherlock. Um dia, em 2018, após o almoço, ouvimos o latido de sherlock lá no curral. Fui ver o que era, afinal poderia ser uma cascavel. Graças a Deus não era. Sherlock estava acuando um teiu. Nem sherlock, nem o teiu avançava. Quando o teiu me percebeu, partiu para morder sherlock que recuou grunindo. Dai o teiu deu no pé.
Ele achou intressante a história. Então chegamos na escola e ele foi para a aula.
Busca
Busco a minha essência, mas nada encontro.
Se busca o que falta.
Minha essência seria uma definição?
Como se definir se mudamos constantemente,
Como muda a natureza das árvores
Que na mudança perde e faz novas folhas,
Entra em floração,
Produz frutos...
Como abarcar tudo isso?
Razão, percepção.
01/10/25
Ao meu pai
Estava mexendo nos meus arquivos de fotografia e encontrei essas fotos. Maravilhosas porque mostra papai sentado em frente ao lugar que amava. Meu pai, meu amigo. Que saudades! Às vezes quando vou a nossa casa sinto tanto a sua falta. A gente se abraçava duas vezes na chegada e na saída. Chegava e o senhor nos esperava para o almoço e nos acompanhava com aquela conversa boa. Papai às vezes estou almoçando e lembro de ti. Todos os momentos que almoçávamos juntos. Seu cuidado com os bichos, com as plantas. Nossas árvores no sítio, nossos catolés, nossa matinha, nossa casinha. Sinto falta das vincas que aguava, de suas passadas arrastadas, ao amanhecer no terreiro, a varrer a aguar as plantas, alimentando as galinhas...
Meu eterno pai. Cuido de nossas palmas e catolés, de nossa casa. Farei enquanto puder. E estou ensinando o meu filho a amar o nosso lugar. Você iria amar ele.Eternizei este momento, nesta foto. Nosso terreiro e nosso cachorro Negão e branquinha.
Como adoraria te abraçar de novo pela última vez. Mas um dia estaremos juntos... Na mesma essência. Te amo.
Amizade
Esta semana, duas situações ou lugares me fizeram lembrar do meu primo e amigo Mazildo.
Primeiro foi o lugar e o dia, estava no shopping mangabeira e era sexta-feira. Sempre neste lugar e neste dia enviava fotos do ambiente. Meu primo era tímido, tinha uma doença que nunca descobriu a causa. Meu primo vivia em casa. Quando pequenos a gente se divertia andando nos matos caçando, mas nem matava nada a gente gostava de ver o mundo silvestre. A gente foi crescendo e suas limitações físicas praticamente o impediram de anda. Seu deslocamento se limitava ao espaço interno da casa. Meu amigo, saia de casa para cortar o cabelo ou votar. Sua vida era acordar, tomar o café, limpar as gaiolas e ouvir rádio e ver televisão e por último usar o celular. Estava engordando demais e se cansava dentro de casa mesmo. Nunca reclamava. No dia mesmo que faleceu nos trocamos mensagens.
A segunda vez foi no sábado, estava no parque Arruda Câmara, lá encontrei seu Eduardo que cuida dos animais no parque. Estávamos conversando e eu prestava atenção no som das jandaias foi quando ouvi o periquito da caatinga, grasnou umas três vezes, daí, o bicho veio e pousou ao nosso lado. Aí lembrei e comentei que meu primo tinha um periquito que ele cuidava tão bem. Acordava o loro a noite, tirava o bicho do guarda roupa e dava comida para o bichinho.
E hoje na praia vendo as Maracanã voarem me lembrei novamente.
Sentimento
Ontem, Sassá saiu da escola tudo bem, viemos para casa conversando normalmente. Chegamos em casa, aguamos nosso jardim. Quando terminamos, entramos no prédio. Ele se mostrou cansado. Geralmente quando entramos no prédio, competimos para saber quem ganha ao chegar primeiro em cima. Ontem, ele estava de espírito abatido, pensei é o cansaço. Subiu sem ânimo. Falou, hoje não tem brincadeira. Estou cansado. Quando abri a porta e ele viu a mamãe foi um choro. Foi explicar o que aconteceu na escola. Aos prantos explicou que a professora havia escolhido um giz de cera de cada um para derreter. E que a coleção agora estava incompleta. Não adiantava eu explicar que iria comprar uma nova para ele. Chorou. Depois parrou, jantou e fomos brincar.
30/09/25
Paud'arco
O ipê na minha terra é paud'arco.
Aqui na cidade é ipê-roxo.
Na ciência é Handroanthus impetiginosus.
Para mim quando não existia ipê ou handroantus tudo era paudarco.
Naquele tempo, nem vinte anos tinha!
Independente do nome, suas flores sempre serão cor de rosa.
Quando funcionário da prefeitura de Serrinha dos Pintos, nas idas para o sítio vi uma coisa esplendorosa, um paud'arco rosa, na cinza caatinga. Hoje, revivi o momento ao voltar para casa e contemplar um ipê rosa em flor enfeitando o canteiro.
Pensei em escrever algo! aqui está.
No mormaço de setembro,
Treme a caatinga cinza,
Deitada na depressão plana está a caatinga
A vastidão da depressão se encerram em serrotes.
O canto quente da cigarra zunindo,
Estrada a cortar em banda a caatinga e a salpicar poeira no poeira no ar,
Arriba do chão a poeira e o vento leva para as margens
pousando em intrincados galhos,
Cobrindo carcaça de gado,
Feito cheiro de diesel do caminhão.
Nesta linda vastidão,
Paud'arcos a encantar,
Num rosa tutifrute chiclete...
Florindo ao caldo do dia.
Roubando a atenção.
Provando que o belo é universal.
Até o mais insensível, descansaria a vista em tamanha beleza.
Parei e me pus a contemplar.
A beleza agrada a alma.
Aquece o coração
E faz valer a pena o momento,
Fez esquecer o calor,
E por um momento fui eterno.
Amor
As relações se enovelam com os sentimentos, assim como nos enovelamos com aqueles que amamos. Mesmo espaço e tempo. Algo tão efêmero, mas eterno a intuição.
O amor
De tudo que passou, nada restou.
O lugar com suas particularidades.
Altos e baixos,
Um riacho separa distinta fase.
A sensação de cada momento.
Mamãe, eu e o caminho.
Dois pensamentos na mesma direção.
Deles um com razão,
outro apenas imaginação.
O que restou?
O amor.
O amor.
O amor.
Tempo, memória e ser
Sassá acordou, me procurou e me encontrou no banheiro.
Pedi a benção, o beijei e ele foi deitar no sofá.
Tossiu e ficou ali enquanto me arrumava.
Esperou que me preparasse e antes de sair recebeu um abraço, um beijo, um eu te amo.
Você é a coisa mais importante em minha vida.
Saio morrendo de saudades. Um cheiro de 15 segundos.
Tenho em minha alma.
A sua presença é sublime em mim.
Bate aquela saudade de papai.
Meio
Escrever envolve relação entre o pensamento e o meio?
Ao ouvir Erick Satier, algo em mim ver beleza na música. E por vezes, sinto vontade de me expressar.
Todavia, a atividade do corpo pode levar a mente a viajar.
Patativa do Assaré, disse que muitas de suas composições se davam na roça.
Cuidando da lavora com a enxada, e matutando.
Limpar requer um ritmo, e tem o som do ferro trabalhando a terra.
Que coisa mais sublime ser.
A mente limpando espelhando o movimento do trabalho.
Sol, luz, calor e ação.
E a mente a pensar, um pensamento cadenciado, refrigerando o meio.
Telhas imbricadas no tempo
Uma casinha foi desfeita.
Era pequena e caiada de branco.
Papai a usava para por palha de milho.
Mas ela chegou ao fim.
Em seu quintal havia pinheiras e cajueiros.
Hoje tudo foi comido por espinheiros.
No tronco do cajueiro papai colocou em círculos as telhas.
Foi a tanto tempo atrás.
Morreram os cajueiros.
Vieram as juremas...
E o circulo continua lá.
Sob o trabalho de meu pai.
Circulo franciscano,
De telhas feitas a mão.
Estilo que não volta mais.
Canto e cantar
Como a ave canta sem pensar,
Como a ave canta por cantar.
Canta no seu tempo.
Assim quero cantar.
Assim quero cantar.
Assim quero cantar.
Mas assim como a ave que não sabe que canta belo ou ruim.
Assim quero cantar.
E o meu canto é um copo de palavras,
Para que possas beber com os olhos.
Que possa, para de pensar o corriqueiro,
E assim voltar ao seio materno.
E por um momento entender que a vida passa.
E no nosso inconsciente,
Pode encontrar mais que deseja.
E isso é tudo.
Despertar ornitofaunico
O pequeno e franciscano rixinó,
Amanhece feliz em setembro.
Desperta-nos a cantar.
E canta sempre a dançar.
O sanhaçu de coqueiro afiando tesoura.
O bem-ti-vi ao longe.
E a patativa cantadeira...
29/09/25
Penha, primeiro passo no mar
Sábado pela manhã, fomos ao aquário da penha. Aos sábados o papai cuida do Sassá e para não ficar pesado saímos para passear. Fomos ao aquário. Estávamos de saída para a Bica, mas a mãe dele não ia. Ele falou, vamos ao aquário. Já tinha em mente só confirmei. Fomos devagarzinho ouvindo nossas músicas infantis em inglês. A mesma playlist a mais de quatro anos. O sol estava a todo vapor, o vento soprava forte e o céu azul anil. Descemos o Timbó, sentimos o cheiro do esterco do curral dali. Seguimos pelo altiplano. Vimos o absurdo do prédio da OAB, feito a menos de 300 m da falésia. E fomos... Estação ciência... Penha. Parei para fazer umas fotos na praia da penha. Vimos seu Chico guardando carro. Entramos, fiz fotos de maracujá, mandacaru da praia, com muito cuidado para não estrepar o pé nem tocar numa cansanção. Fomos pelo caminho até a praia. Fotografei o barco de São Benedito, lindo grande, branco com letras vermelhas. Fomos até a praia. Eu contei a Sassá que foi ali pela primeira vez que ele pisou no mar. Não fosse minha angustia de ter perdido meu pai tão recentemente, teria sido maravilhoso. E foi eu que estava mergulhado na dor. Sábado não. Estava feliz, mostrando para Sassá o lugar onde ele viu primeira vez o mar. Ele perguntou porque não iamos para lá. Respondi, por não ter onde se banhar para tirar o sal... Bom depois disse vamos ver o aquário e fomos. Cada peixe que ele via, sabia que já tínhamos visto, mas dizia... esse nunca vimos né papai e eu confirmava... Quis ir logo ver as aves, pedi paciencia e ele foi paciente. Fomos e vimos as aves, mas será outro conto.
Praia minha
Céu azul,
A luz amarela difusa na areia,
Quente areia múltipla.
Verde mar,
Ondas a cantar,
Vento a soar.
Na linha do horizonte desperta o leste,
Lá o céu vira mar,
Lá o mar vira céu.
Ao lado viçosa a verde salsa a verdejar,
Flores esreladas,
Flores rosadas,
O feijão rosada flor,
Atropuprúrea flor.
Sementes marrons perdidas na areia...
A sombra do coqueiro,
O grito da maracanã,
Asaldelta do caracará.
Maria farinha a cavar.
Sento na areia,
Como um grão de areia na vastidão da praia.
Como um grão de areia na vastidão do mar,
Vastidão do céu,
Vastidão do ser.
26/09/25
Alegria
Algodão
Sol a pino,
Terra branca, arenosa,
Quente terra.
Ervas secando,
O cuidado do homem,
Na terra limpa crescem a florescer o algodão,
Flores amarelas vão avermelhando com o caminhar do sol,
Verde metálica abelha na garganta da flor...
A água a secar,
O sol a cozinhar,
O fruto a trabalhar
A fibra,
A semente.
E o homem a cultivar
A beleza da planta,
O cheiro da fibra,
E depois a colher,
Para do trabalho sobreviver.
Tao
Achei que poderia domar a mente.
Agora sei que me enganei.
Sofri tentando domar o indomável.
Somente quando entendi que a mente
É energia, é ordem, é lógica.
A mente é uma autocriação.
Uma forma de ser condicionado a nossa história.
Deixa ir a mente.
Tudo feito,
Mostra quanto sacrifício.
Chica, hoje eu vou fazer a faxina,
dizia o meu avó a minha avó.
E eram felizes na simplicidade.
Essência
A unidade da essência versus a pluralidade da existência.
Energia pura, signo.
Energia fundida.
25/09/25
Início
Severino quer casar com Antônia,
Mas casar requer casa para morar,
Já escolheu o lugar,
Já falou com Cícero, José e Francisco.
Foi na mata tirar linha, vara, e cipó.
Foi o baldo ver a argila.
O verão já chegou.
Arrumou o jumento para trazer água.
Matou um bode e foi o dia da construção.
E a trabalhada foi grande, suor e cordialidade,
Desejo de amar, fez a casa de taipa...
Do vazio a casa tem sua utilidade,
Encomendou um pote a Girlente,
Encheu o pode de água.
A casa novinha é tão bonita como o amor do casal.
Moacir fez o casamento.
Uma rede pra dormir.
E a vida para viver.
Na casinha corada feito joão de barro.
E a vida a começar.
Lua
Cálido sol a manhã a despertar,
A lua crescente, ao amanhecer continua acesa.
Depois o sol apaga.
A gente guarda na memória singela beleza.
Essa paisagem eterna.
Me ponho a pensar no tempo.
Na eternidade, na beleza.
A lua será bela em qualquer lugar?
Texto e contexto
Ontem Sassá estava com a bateria carregada.
Pulava, ria, falava sem parar.
Nem imagino por onde começar.
Melhor falar de algo bom.
Após o jantar, chupamos um dindin e fomos brincar de carrinhos.
Tentando não acelerar muito.
Ah! comprei jiló para ele provar. Pegou um jiló, mordeu e saiu dizendo que tinha gostado.
Só que nem terminou de comer.
Influenciado pelo personagem do Contra da turma da Mônica, quis provar e não aprovou.
Até leu o nome do cascão na capa de um dos gibis.
Está quase lendo.
Entende como é está com Sassá.
Sempre as pressas.
Sem texto ou contexto.
24/09/25
Fim de uma era
Chagas chega ao céu,
Cumprimenta o pai, a mãe e seu irmão Epitácio.
Mais atrás estão Tião e Chico Raimundo. A panelinha da serrinha.
Querendo saber as novidades da Serrinha.
Chaga já avisa que está tudo mudado.
O nossa geração já está quase chegando ao fim.
Tem gente naquela serrinha que nem conheço.
Tem e com força.
Eu que cheguei ano passado e vivia na Serrinha já percebia isso falou Willa.
É o fim de uma Era.
Chaga de Horácio
Ontem, Serrinha, minha Serrinha perdeu um de seus grandes personagens.
Seu Chagas de Horácio, que por sinal era primo legítimo de meu pai.
Chagas de Horácio morava na rua Agostinho Freire, n° 36, esquina com a Cícero Caetano.
O interessante é notar a importância das referências. Por que estou pautando sobre isso? Pelo fato de poucos Serrinhenses que não moram na cidade sabem decorado o nome das ruas de desta cidade. As pessoas se referem a rua do correio ou da prefeitura, a rua do cemitério. E aqui Chagas virou um ponto importante, a rua da budega de Chaga de Horário. Se falar a rua Agostinho Freire a pessoa para para pensar, mas se falar a rua de Chaga de Horácio sai intuitivamente. Aquela mercearia que enchia os meus olhos de desejo com os baleiros. Ali, podia comprar tudo de comida. Ainda funciona com o nome Mercearia Serrinhense do Chaga.
Escrevo isso, pela importância que há na minha vida.
Serrinha tem todos os elementos que me ensinaram a pensar, meus anseios e desejos primeiro.
E ao escrever isso entro no tempo, por via das memórias, de minha infância ao entrar na budega cheia de sinestesia o cheiro da corda de agave, do fumo, da cachaça servida ao apreciado, da bolacha e do pão de Genilson; as cores dos baleiros, as cores dos brinquedos pendurados. Uma Budega sortida é sinal de prosperidade, mas antes de mais nada é sinal de inteligência de psicologia social, de matemática, de contabilidade e tudo mais. As budegas, caíram em desuso com a chegado dos hipermercados, e ali não foi diferente. Todavia Chagas parte e deixa a budega sortida, sob nova direção.
Falar de Chagas, no meu caso é falar das minhas décadas de existência, e das muitas vidas de Serrinha.
Ali, quantas conversas não se deram nos intervalos do dia, quando a freguesia estava trabalhando e quantas interações não se deram durante o horário de pico. Quer trocar uma ideia, cumprimentar um conhecido antigo, com certeza lá você vai encontrar.
Primos, parentes e amigos... não se encontraram ali, rapidamente não foram lá para comprar algo e saiu um riso, uma conversa, breve como uma conversa de watzap.
O estabelecimento é uma esquina, um ponto de encontro.
Então, paramos lá com a mamãe para comprar algo, com o papai, e sempre aquela conversa boa, e por fim passava lá e apesar dos anos, a gente era reconhecido como o filho de Chico Raimundo. Como amava ser chamado. Hoje o tempo dissolveu as velhas memórias.
Me acho desconhecido em minha mesma cidade.
A parte isso!
Chagas foi um grande homem. Um homem muito inteligente, sábio, um excelente pai, um excelente marido que proveu a sua família na sua simplicidade.
Quando penso em seu Chaga vem a mente um escorte, um chapéu de palha.
Dorme na eternidade! Dorme na eternidade.
Festa assustadora
Indo deixar Sassá conversamos como será sua festa de aniversário.
Estava empolgado e disse que queria uma festa de Jurassic parque.
Depois viajou na imaginação. Disse que queria uma festa assustadora,
Sob a luz de velas. A scare fest.
Ri, tentando apimentar a história.
Falando que nesta festa só estariam eu, a mamãe e ele.
Ai, ele falou na minha festa quando for maior de seis anos.
Rimos.
Ele gosta de argumentar.
Ficamos certo.
Passagem
23/09/25
Terra natal
Inspiração
A eternidade está em cada momento vivido intensamente.
Eternidade é a ausência de tempo.
Se pudesse esticar o tempo eu contrairia-o só para abraçar e beijar o meu pai e a minha mãe. Eternos São os dias de suas partidas... São uma parte dolorida de minha vida prevista e vivida...
Amigo
Esta semana, duas situações ou lugares me fizeram lembrar do meu primo e amigo Mazildo.
Primeiro foi o lugar e o dia, estava no shopping mangabeira e era sexta-feira. Sempre neste lugar e neste dia enviava fotos do ambiente. Meu primo era tímido, tinha uma doença que nunca descobriu a causa. Meu primo vivia em casa. Quando pequenos a gente se divertia andando nos matos caçando, mas nem matava nada a gente gostava de ver o mundo silvestre. A gente foi crescendo e suas limitações físicas praticamente o impediram de anda. Seu deslocamento se limitava ao espaço interno da casa. Meu amigo, saia de casa para cortar o cabelo ou votar. Sua vida era acordar, tomar o café, limpar as gaiolas e ouvir rádio e ver televisão e por último usar o celular. Estava engordando demais e se cansava dentro de casa mesmo. Nunca reclamava. No dia mesmo que faleceu nos trocamos mensagens.
A segunda vez foi no sábado, estava no parque Arruda Câmara, lá encontrei seu Eduardo que cuida dos animais no parque. Estavamos conversando e eu prestava atenção no som das jandaias foi quando ouvi o periquito da caatinga, grasnou umas três vezes, daí, o bicho veio e pousou ao nosso lado. Aí lembrei e comentei que meu primo tinha um periquito que ele cuidava tão bem. Acordava o loro a noite, tirava o bicho do guarda roupa e dava comida para o bichinho.
E hoje na praia vendo as Maracanã voarem me lembrei novamente.
Setembro
As noites setembrinas são lindas
Céu limpo e estrelado.
Canta na madrugada o sanhaçu de coqueiro.
Canta a patativa e o siriri.
Dias claros e iluminados.
Voam a grasnar
A ararinha Jandaia e a Maracanã.
Conta canta sem parar as ondas do mar na praia.
Suave lembrança
Quando estava acabando o almoço, coloquei o feijão no prato. Percebi que tudo mudara. Antes o feijão era comido primeiro. Algo me fez recordar meu pai, Chico. Porque sempre que acabava de comer preparava a comida do cachorro. Ele colocava feijão com farinha misturava e sempre provava, mesmo já saciado. Provava e gostava, parecia convencer a seu inconsciente aqui comemos a mesma coisa. E para tornar mais agradável colocava óleo. Papai era um Francisco de coração.
Então terminei de comer e pensei.
A gente é feliz se achar que valeria a pena viver tudo novamente. Tive a sensação de que papai viveria tudo isso e com amor.
A minha sensação foi de estado de graça e plenitude eterna.
Graças por ter dado o melhor de mim para ser um bom filho. Graças por tentar ser o melhor pai.
Obrigado.
Estímulos.
Ontem, brincamos de carrinhos.
No chão da sala os carrinhos praticamente voam.
Aprendemos muito sobre acidentes e sua relação com a velocidade.
Sassá adora pisar fundo, mesmo reclamando para não ir com tanta velocidade.
Depois, do banho, fomos para a cama, mas Sassá pegou a bola e foi jogar.
Jogou bastante, e o melhor com direito a narração.
Eu narrei e ele narrou melhor que eu.
Depois fomos brincar com os carrinhos em meio as montanhas ou cobertas.
Ai eu apaguei e a mamãe continuou.
Sim.
Ele veio me mostrar todo orgulhoso os lindos desenhos que fez de manhã.
22/09/25
Eterno
Sassá foi a Bica.
Desta vez nem foi ao serpentário ou ver os patos.
Apesar disto se divertiu muito.
O que agarrou a atenção dele foi malu.
Malu é a onça pintada.
Ele amou vê-la mesmo que por um breve instante.
As coisas são assim.
Eternas e instantâneas
Pontes
A foto de meu amigo, sua irmã e sua tia me fez pensar essa frase.
Somos apenas pontes, passagens para que a vida siga existindo.
19/09/25
Mudança de estação
Fomos a Bica no sábado.
Percebi a mudança da estação.
O céu azul e o sol tinindo.
O cheiro das flores das estercúlias,
Folhas amarelando, amarelas e secas pelo chão.
Os gansos grasnando alto.
Amara a anta a sombra da mangueira.
A paca Luiza resolveu aparecer.
Um novo membro apareceu no recinto das aves, um papagaio de cabeça amarela que chamamos de Cláudio.
Minha conexão foi com a natureza
Com o fim do inverno e a chegada do verão.
Vimos Coré o jacaré de coroa na boca de lobo do riacho - livre -
Os jacarés de coroa e os cagados, parecem ter as chaves para entrar e sair dos recintos.
Vimos um cágado de mega cabeça no riacho ao lado do pulapula.
Fizemos a trilha, onde meu menino se desequilibrou e sujou o pé.
Mudança de estação.
Projeto
Ontem, fomos assistir como foi o desenvolvimento do projeto maker na escola de Sassá.
Todos os coleguinhas se sentaram e ficaram atentamente ouvindo a professora expor os diferentes momentos do projeto.
Na sequência nós os pais fomos para a sala de aula deles.
Assistimos a exposição da história contada da corujinha Edivânia.
Uma coruginha que queria ser entregadora de cartas.
Após a exposição os alunos receberam uma folha e foram estimulados a escrever uma carta com letra cursiva.
Pensei! Com quatro anos os meninos já conhecem as letras e os números. Tem inúmeros recursos audiovisuais.
Entrei na escola com seis anos. O recurso era um quadro, um caderno, um lápis e uma borracha.
Adorei um dia que uma professora levou um livro e leu sobre a história de um rei.
Não tive livros infantis.
Os recursos eram muito escassos para os pobres da década de 80.
Continuam sendo escassos para quem não tem recursos, mas está muito melhor.
Sassá escreveu uma cartinha com o nome do primo e duas frases:
Te amo e estou com saudades.
Depois desenhou um sofreu.
A mãe dele se emocionou.
Sorri!
Compreendo a importância destes momentos na infância das crianças.
Cada dia é impar.
Estimular a imaginação de seu filho pode dar asas que o permitirá voar para longe.
Algo estimulou minha imaginação e voei.
Mas aqui quero falar sobre Sassá
18/09/25
O que é tudo isso?
Os salmos de Davi,
Provérbios de Salomão.
Gênesis e Êxodo!
Venho lendo estes livros!
Na verdade, muita coisa fica suspensa ao ler estes livros.
Que de início foi transmitido nas celebrações.
Ao que se sabe Jesus falava hebraico e aramaico.
São as línguas escolhidas para Deus se comunicar com o homem.
Achei interessante no gênesis a facilidade com que José aprendeu a falar a língua dos egípcios.
Ele, quando reencontra os seus irmãos entende eles, mas eles não o compreendem.
O "egípcio" seria algo como o espanhol é para o português?
Moisés falava egípcio, mas quem na verdade era sua primeira voz era Arão seu irmão...
Por ter dificuldade de falar, ele passou a pensar e escreveu muita coisa?
O que é tudo isso?
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