O fim de semana foi pleno,
Minha esposa e meu filho,
Pertinho de mim.
O que poderia ser mais pleno.
Fomos ao aquário,
Fomos a missa.
Dormimos juntos.
Cada dia com Deus é melhor.
O fim de semana foi pleno,
Minha esposa e meu filho,
Pertinho de mim.
O que poderia ser mais pleno.
Fomos ao aquário,
Fomos a missa.
Dormimos juntos.
Cada dia com Deus é melhor.
A semana passou rápido.
Inebriado em minhas ideias
Nem percebi a ausência de texto.
Tanta coisa para gerenciar.
Mas aqui estamos.
Aqui estamos,
Um minuto para dialogar com o futuro.
Uma semente de pensamento.
Onde estou evolutivamente.
Vivendo o agora e isso é é tudo.
Um pitiguari cantou aqui do lado,
Na mata do campus I, UFPB.
Fui tomado de uma nostalgia...
Lembrei da casa de mamãe.
Lembrei da paisagem.
Eu lembrei de um tempo que não tenho mais.
Lembrei de coisas passadas...
Ecoou o canto do piguiguari.
Agora vai lembrança.
Plasma-se neste texto.
Agora posso voltar ao que estava fazendo.
Ontem, no campus I da UFPB, percebi que as espadas de são Jorge estavam floridas.
Uma planta ornamental muito cultivada especialmente por está associada a proteção contra energias negativas.
Um bom arquétipo.
Suas flores são docemente aromatizadas.
Depois me esqueci.
Associado a isto, sempre penso em fazer um mapa de floração das espécies daqui,
Mas as ideias são voláteis e sempre se dissipam no ar.
Não por acaso hoje, percebi a mesma coisa.
Então vim aqui registrar.
As quartas-feiras tenho aula neste período,
Pela manhã. Hoje não teve em decorrência da Semana de Biologia.
A janela de minha sala na UFPB estava aberta,
Então um casal de patativas veio me visitar.
Primeiro o susto... superstição.
Então a razão e a reflexão.
Já aconteceu de abelhas entrarem na minha sala.
Isso mesmo.
O que atraiu estes amáveis pássaros foi o odor.
Comprei um aromatizante cítrico.
Desvendado o mistério.
Ou querendo aceitar essa hipótese descartei as demais.
Voltei a trabalhar.
Dia nublado,
Amanheceu neblinando.
Acendi uma vela para trazer a luz do sol a minha casa.
Acendi uma vela para papai e mamãe e alumiar na minha mente nossas memórias.
Peço, a Deus, clareza na vida para não cair em buracos enquanto caminho na noite.
É agosto aos poucos vai partindo.
Olhando através do tempo,
Passado os dias vividos.
Sabemos como tudo aconteceu quanto a partida de papai e mamãe.
Há um vazio em meu peito que conta apenas com memórias...
Saudades do carinho de meus pais.
De seus cuidados,
De seus agrados...
É preciso ser forte e ter um motivo para seguir...
A gente fica pensativo em dias de menos luz.
É agosto,
Fim de agosto.
Já dá para sentir que o verão vem quente.
As aves estão mais animadas.
Chegando na UFPB hoje,
Percebi no alto de uma amescla um gavião de rabo curto.
Seu papo alvo, e calda curta estriada revelou quem ele era.
Foi breve, mas consegui gravar essas características.
Ah. Tinha uma ave pequena que estava investindo para que ele fosse embora.
No geral as sabiás são muito territorialista e berra até que os predadores vão embora.
Não posso não deixar de notar aqui.
É sobre ave. Sobre sabiá.
Este mês estava em Serrinha na casa de Teófilo no barro Vermelho.
Estávamos conversando eu, meu irmão Begue, tio Dedé e Teof e Vinicius estava lá perto.
Então começou um barulho de um sabiá no cajueiro da cozinha.
E um piado diferente.
A sabiá esbaforida... Bom corri para ver.
Fiquei encantado era um Caburé...
Que estava caçando algo.
Quando me viu ele voou.
A sabiá acalmou.
O fato é que vi e conheci uma nova face do caburé...
De sabiás conheço mais por sua proximidade.
Estive na casa de minha tia Nina.
A casa estava grande sem ela.
Casa que foi de minha vô Chiquinha,
Casa que foi de minha Chiquita.
Chico seu filho mais velho me contou como foi sua passagem.
Agora é fato.
Ela partiu com Jesus.
Ontem fez um mês de muita falta.
Hoje estou registrando porque não quero esquecer
Da minha família...
Associada a casa,
Associada ao lugar.
Serrinha dos Pintos,
Sítio Sampaio.
Somos o lugar que vivemos,
Somos o que comemos,
Somos o que valorizamos.
E minha tia, era carne de minha carne.
O silêncio da manhã,
A mata calada,
Nem um sopro de vento.
O calor iminente.
As aves corrochiando.
Eu com meu eu,
Ruminando meus pensamentos...
Em que poderá dá.
Aqui na universidade a natureza é mais nítida.
Hoje ao chegar ao campus e estacionar o carro senti que estava em vários lugares.
O frio me fez lembrar a Europa, Berlim.
O canto do Pitiguarí e muitos outros pássaros me fez lembrar Serrinha minha terra amada.
Para dissipar os pensamentos, fui caminhando devagar,
Cumprimentei os colegas,
Respirei fundo, sentindo o cheiro da mata.
Depois vieram outras impressões, seguidas de percepções.
E assim, estou aprendendo a delinear meus pensamentos.
Pensamentos geram sentimentos.
Impressões, geram percepções que geram sentimentos, e por sua vez pensamentos.
É preciso está fisicamente bem para ter um bom controle de si.
Bem alimentado, bem dormido, e em paz.
Espaço x tempo...
As coisas materiais se dão no espaço.
As coisas concretas se dão no espaço.
As ideias se dão no tempo, não são dotadas de materialidade.
As ideias precisam serem gestadas, e esta gestação se dá no tempo.
É preciso tempo para pensar e vir a luz o saber o conhecer.
Conhecimento é a relação do sujeito com o objeto.
Esta relação se dar no espaço e no tempo...
Conhecimento pode ser imediato se dar no espaço
Conhecimento pode ser mediato, se dá no tempo....
Agosto,
Agosto está muito instável no clima,
Chove, faz sol ou calor.
O que requer certos cuidados ao sair de casa.
É bem comum a presença das viroses.
É assim mesmo,
Fim de época de chuvas.
Prenúncio do mudança.
Quanto ao tempo,
A coisa está boa,
Tenho percebido que o tempo está voando ultimamente.
Cai a tarde,
Após uma longa madrugada,
Que vontade de dormir.
Está bom aqui.
Mas ah.
Um prazerzinho seria bom.
Ter uma direção,
Um sentido para seguir
E seguir.
As vezes, encontramos limites,
Entretanto sobrepor esses limites,
Pode ser árduo,
Cansativo,
Mas se não tentar,
Não se saberá como é do lado oposto.
De que lados nos estamos?
Chove maciamente.
Aqui estou olhando para o passado.
Lembrando.
Este dia!
Dia que vovó Nasceu.
Dia que fui embora de Serrinha dos Pintos.
Aqui estou pronto para mais um dia.
Pronto para ter o melhor dia de minha vida.
Por vezes me sobrecarrego,
E acabo acumulando coisas por fazer,
As vezes me perco neste embricamento,
Afogado,
Tento respirar,
Mas bem, perco o desejo de concluir.
Preciso ser objetivo.
Preciso delimitar o perímetro a ser seguido.
Não é fácil,
Mas tentar não custa.
Viver é isso tomar decisão e seguir em frente.
Sempre que perceber,
Pode voltar atrás.
Hoje, especialmente hoje,
Nada aconteceu de magnífico.
Simplesmente está acontecendo...
Momentos se sucedem.
Aqui,
Mas logo a se movimentar.
A nossa alma é sensível,
Algumas coisas tocam-na profundamente,
Uma comida, um cheiro,
Uma paisagem,
Um abraço,
Uma pintura,
Um carinho,
A nossa alma
É a alma do amor,
Pois só no amor
A alma é plena,
Só o amor é capaz de alimentar a alma,
Amor é doação,
Amor é doação,
Amor é sentir que a outra alma é mais importante que a sua alma.
Só ama quem é capaz de querer que a outra alma seja plena.
A alma.
O espírito.
O que é isso?
Será a consciência.
Será o ego.
🪷
Sinto que algo sensível em mim quer me dizer algo.
Não estou conseguindo captar a mensagem,
Não estou com ferramentas para entender.
Entretanto estou sensível.
Como uma intuição de que algo vai acontecer.
As vezes a gente até acredita em presságio.
Será isso.
Manhã cedinho ao me arrumar para sair para o trabalho. Por acaso ao entrar no quarto de hospedes algo me fez lembrar dos dois últimos anos. Como era grande o nosso apartamento. Eu, a mamãe do Vinícius e o Vinícius. Éramos eu e ela. O Vinícius dormia em sua inconsciência total. Eu me divertia criando universos indo de lá pra cá nos quartos. Cantando, voando, usando malas de carrinho, usando carrinho, mirando pela janela o mundo pandêmico lá fora. As coisas eram tão mais simples e pareciam tão complicadas. Era atenção exclusiva. No silêncio tínhamos apenas os risos de Vinicius. A gente sempre falava com a vovó. A gente ia se virando. Muito felizes com cada momento. Foram surgindo novos movimentos, novos balbucios... vieram as palavras, as ações. Meu Deus... Nunca vivemos a vidão tão intensamente no presente. Tanta coisa vivida. Agora exaustos. Temos um novo membro na cada com vontades, com fala e com ação... Como é grande o nosso amor por esse presente de Deus... Nosso companheiro de viagem, de campo, de mata, de bica, de shops. De vida.
Fiquei emocionado.
Foi bom e é bom.
Te amo Quinquinho.
Na manhã tenho minha maior potência de vida.
Reafirmo a cada manhã o meu amor pela vida.
Embora, estejamos ou devemos preparados para a partida.
Tenho olhado muito para uma foto.
Nela estão meus pais e meus sobrinhos.
A luz é linda.
Estão todos sérios.
Só uma mostra um riso.
Porque?
Quem sabe.
Era tarde.
Ano 2017 que por horas vai se distanciando do presente.
Esse movimento incessante.
Olho e penso. Tudo é tão passageiro.
Foi real.
A realidade é um fio.
Um fio do devir.
Como a linha do horizonte que separa o céu do mar.
Assim separa o presente do passado e do futuro.
O espaço está ai.
O tempo se foi.
A casa limpa para receber os filhos.
A condição de saúde de mamãe.
Bom. Agora, faz seis anos desta foto.
E continuo pensando na vida.
Sob outra ótica.
Diferente de 2011.
Diferente do amanhã.
Nem sei porque escrever.
Para materializar o que estou sentindo.
Tenho olhado muito para essa foto.
Tenho certezas que nunca tive.
Nem talvez nunca terei.
Porque meu pensamento muda o tempo inteiro.
Talvez tentado me ver.
Eu que estava do lado oposto da câmera.
Talvez soubesse que essa imagem serviria para a posteridade.
Tenho certeza que sim.
Senão haveria riso.
Há dias venho me encarando no espelho.
Os quarenta, a partida de meus pais,
A chegada de meu filho.
Tantas sensações,
Tantos sentimentos,
Quanta dor e quanta alegria.
Sabe tenho percebido nessas encaradas,
O quanto tenho envelhecido.
Minha face erodida, mais ossuda,
Mais pelancuda.
Vejo! Que algumas marcas não tem como mudar.
A gente só pode aceitar.
Aceitei a calvície,
Aceitei as pálpebras caídas...
Aceitei a dor da partida de meus pais,
Aceitei a chegada de meu filho.
Aceitei...
Mas a vida é dura. Pense.
Dias a gente acorda e pensa.
Vou conseguir.
Aceitei a cristo e sua filosofia univérsica do amor,
No meu cotidiano.
Olho-me no espelho.
Encaro-me.
Fecho os olhos.
Respiro e inspiro.
Parece que vivi séculos.
Tudo isso só faz sentido se me aceitar como sou.
Um humano, um mortal que envelhece e que morre,
Mas antes que aprende com a experiência
E que aprende com a reflexão,
E que aprende com o amor.
Minha face erodida,
Meu corpo secando.
Então me encaro ao espelho.
E penso, apesar de tudo.
A vida vale a pena ser vivida.
Manhã de sol e céu azul,
Ainda dá para sentir o frio da noite.
A mata calma.
Os pássaros cantando,
Patativas, roxinois e roulinhas.
Tirites, sanhaçus...
Os papagaios voam aos montes.
Que delícia.
Opa! um sabiá.
Encher os pulmões de ar e o odor da natureza,
Da mata enxombrada.
Chove!
Chove intermitentemente,
Desde a madrugada de hoje,
Sexta-feira,
Sete de julho de dois mil e vinte e três.
Acordei por volta das quatro horas da manhã e e chovia,
Agora oito horas e continua chovendo.
E chovendo forte.
Trouxe até uma vela,
Porque preciso da luz do sol.
A vela tem o pavio de algodão e a cera de carnaúba.
Gordura e fibra vegetal que alimentam o fogo.
A chuva chovendo é tão harmônico.
Desde ontem chove.
Ouvir a chuva me faz sentir bem.
Tenho bons sentimentos pela chuva.
Sou de nascença de um lugar que a chuva é restrita a meses,
Onde pode chover muito ou pouco.
Bem,
Como chuva é água e água é vida.
Ali a chuva era sempre bem vinda
A qualquer horário.
A gente se reunia na cozinha para ver e ouvir a chuva.
Tudo era muito natural.
A gente não tinha nenhuma tecnologia
Além do fogo e do amor.
A lenha queimando silenciosa,
Alumiando a cozinha e cozendo o xerém.
Papai e mamãe com suas memórias sendo expressas em palavras.
A gente feliz e ao mesmo tempo receosos com o trovão e os relâmpagos.
A chuva as vezes extravasava a valeta na frente,
Papai ia concertar, senão ia acabar o terreiro de mamãe.
A chuva passava e a gente feliz,
Comia xerém com leite, ou xerém com toucinho.
É as vezes me perco quando pretendo escrever algo, mas não queria perder o fio do pensamento.
Como sou feliz.
Antes de trabalhar porque não agradecer!
Obrigado por tudo,
Pela vida,
Pelo ser,
Pela mente,
Pela consciência,
Pelo mundo.
Tenho feito um esforço imenso.
Mas atoa.
Entender a vida é isso.
Um nada.
Movimentos peristálticos.
Movimentos.
Sai o sol,
Some o sol.
Vento frio no lombo,
No lombo de Pessoense
Acostumado ao calor,
Ao céu azul.
Os passarinhos não reclamam.
Também vive emplumados
E não precisam tomar banho.
Frio,
Sombras da noite,
Aurora.
A corruíra canta.
Aos poucos a manhã chega,
Enchendo o mundo de luz e cores.
Os pássaros que cantam agora,
Sendo os grilos silenciados pela luz.
Terminaram seu turno.
Assim como os morcegos.
Vamos começar o nosso.
Que julho seja pleno.
Minha casa meu eterno lar. Aqui aprendi a andar, a falar, a brincar.
Aqui onde passei metade da minha vida com a mamãe e o papai.
Sob esse teto, entre essas paredes.
Ouvi a chuva chovendo e me enchendo de alegria.
Ouvi sanhaços, periquito e papacebo cantar.
Através dessas janelas contemplei tanta coisa.
Na nossa cozinha que nós alimentarmos tantas vezes e rimos e brincamos.
Aqui vivemos,
Aqui escolhermos o lugar para viver.
Agora é tão silenciosa e vazia.
Coisas de Deus... Coisas da vida. Onde tudo isso se passou bem.
19.06.23 S.Pintos
Algo etéreo aqui
A luz se dissolvendo nas sombras.
O silêncio das aves.
O canto dos grilos.
A natureza estática como
Um espelho.
A palma imersa na rama.
As folhas do coqueiro cristalina.
O céu nublado,
O vento frio chegando
E impressionando.
Algo espiritual querendo falar através de mim.
O ocaso.
Intuição.
Algo eterno em mim querendo se expressar.
Pingos de chuva.
Aquela presença viva de mamãe.
Aquela presença viva de mamãe.
O que é a realidade.
O que é o abstrato.
A ausência está aí.
Na ausência.
A realidade de tudo é o agora.
A realidade de tudo é o agora.
A realidade de tudo é o aqui.
Só agora.
Nestas palavras,
Nestes signos.
Tudo é eterno dentro de uma memória.
Tudo veio a ser e deixou de ser.
Aqui e agora.
O cheiro da chuva de junho.
22.06.2023 S.Pintos
É madrugada,
Estamos em Serrinha
Na casa de mamãe e de papai.
São 4:20h.
Faz frio, estou tão pleno
Sob o meu cobertor.
No quarto onde dormia na infância, o do meio.
Mamãe dormia no da esquerda e Rosângela e Begue no da direita.
O meu era dividido com Li.
Tudo é silêncio e sombras da madrugada.
Os grilos cantam.
Sinto vontade de registrar.
Assim concluo.
A chuva é intermitente nesta sexta-feira,
Último dia de junho, de 2023.
Desde a madrugada que estou acordado que ouço a chuva.
Já são quase sete horas da matina,
A minha mente feliz,
Ao pensar cadenciado pela chuva.
Pela chuva.
Memórias,
Só o que tenho são memórias.
E memórias tratam do passado.
E memórias podem ser acessadas ou não.
Memórias que podem despertar a qualquer momento.
Que podem sumir a qualquer momento.
Após uma semana maravilhosa,
Na minha terra natal com minha esposa e meu filho aqui estamos de volta a realidade.
Trago no peito e na mente muitas paisagens, odores, formas e cores conhecidas e por isso amadas.
Trago muitas respirações profundas,
Suspiros, pautados no agora, curtido na memória.
Mamãe, papai, Mazildo.
A ausência, e o lugar inalterado,
A natureza real do que é,
Que se repete como um espelho,
Não, como um caleidoscópio de cores, aromas e formas.
Capazes de despertar as mais profundas memórias,
Capazes de gerar as melhores memórias.
E a certeza sempre intensa de que a vida vale a pena de ser vivida.
Vinícius e o desconhecido do mato que por mim sozinho percebido,
Fica encantado com o que eu mostro o que eu percebi.
Tão maravilhoso, com tenra idade, mas com um amor a natureza pleno.
Com um amor a serrinha.
Com um amor inexplicável ao vazio,
Ao silêncio quebrado pelo creo do loro, ou pelo latido de Shaquira e Cherloque.
No afinco de realizar tarefas simples, como carregar um pau de lenha, ajudar a arrumar os cocos.
Olha analiticamente uma larva, uma libélula,
Cultivar uma fazenda de escaravelhos,
Guardar lápis... como chama os gravetos.
Cheirar e olhar flores de jitirana, ou jurema.
Olhar as vacas comendo, os porcos cochilando,
O jumento rinchando.
O passado na memória,
O presente no agir.
A mamãe, pronta para acolher.
O papai perdido no pensar.
E assim vamos tecendo nossa vida no agora,
Sobre muita saudade,
Vamos vivendo.
Assim.
Conclui a leitura de um excelente livro.
A procura de Spinosa de Antônio Damásio.
Baixei e irei ler o Erro de Descartes.
Será se pescarei algo?
Bem já me renderam excelentes sementes de pensamento no livro lido.
Hoje, terça-feira, o sol está impressionantemente brilhando.
O céu está azul nem parece que ontem choveu o dia inteiro.
Assim é.
Assim é.
Há alguns dias, ouço Mozart.
Na verdade meses, desde 2022.
Por que Mozart?
Porque é alegre, talvez.
Porque continuo ouvindo os mesmos álbuns.
Porque o ouvia antes de ir a casa de minha mãe, passar as férias com ela, desde então já vinha ouvindo.
Então minha mãe dormiu na eternidade.
Ao continuar ouvindo Mozart,
Quis sentir a presença viva de minha mãe.
De Assis, Francisca.
Continuando ouvindo Mozart,
Outra e outra e outra vez.
É como se quisesse deixar algo aberto e ligando meu espirito ao de mamãe.
Quem vai entender,
Mas não é para entender.
Quiçá para ler.
É simplesmente uma tentativa de conectar meu consciente ao meu inconsciente.
Meu racional ao racional.
Às vezes, nem escuto e nem ouço.
Às vezes minha percepção filtra como o barulho de uma ventilador ou de um ar ou do carro.
A gente nem percebe, mas está lá.
Então por vezes, me pergunto.
Como seria ver a música?
Qual seria o sabor da música?
Como seria a música cristalizada?
Ouvi dizer que a arquitetura é música solidificada.
Mas será?
Fernanda, a aroeira que mora do lado de minha sala,
Não reclama de nada.
Bom, as vezes asa aves vem importuná-la mas ela finge nada acontecer.
Já vieram o pitiguari, os sanhaçus, as patativas, os pirites.
Bom, fernanda gosta de Mozart até vejo seus ramos dançando.
Bem, aqui está um pensamento materializado e mamãe viva e eterna.
Graças a Mozart.
Ontem, domingo, choveu tanto.
Ficar em casa dá até um enfado.
O frio úmido,
A ausência da presença solar.
Quero dizer que bom,
Parece que prefiro o sol.
Mas as companhias de Dayane e Vinícius
Deixam as coisas ensolaradas.
Hoje, segunda-feira...
A chuva continua,
Mas estou na universidade.
Que está molhada,
Vazia e fria.
É o mês de junho em todo seu esplendor
Chuvoso.
O tempo não existe.
O que existe são memórias.
As memórias são recortes da realidade.
A realidade está pautada na duração.
Algumas coisas tem duração curta como um movimento,
Outras tem duração longa como a matéria.
Então tudo tende a eternidade.
Ou a existência é um filete da eternidade.
As memórias podem ser pessoais ou coletivas.
Agora de manhã,
Nesta linda manhã de sábado,
Tive uma memória gostosa e intensa,
Até pareceu um sonho.
Lembrei dos sábados que dava aula
A turmas de licenciatura.
Era deveras intenso.
Era deveras bom.
Foram poucas turmas,
Mas excelentes turmas.
O Campus I vazio.
A mata silenciosa.
A passarada feliz a cantar.
Eu aqui...
Após a aula, almoçava no shop sul
E passava a tarde limpando a casa.
Como as coisas mudam.
Chove!
Chi...chi...
Fernanda esta contente,
Seus ramos estão longos e finos.
Faz um frio que dá até dó de beber água.
Chove...
Chove manhã adentro.
A chuva chove incessantemente desde a madrugada,
Aliás o sol nem apareceu.
O tempo está escuro e frio.
Gostoso para tomar um chá quentinho.
O mês é junho,
O dia é sexta-feira,
Dia nove de junho.
Um dia após o feriado de Corpus Christi,
Quando fomos a missa a catedral Nossa senhora das Neves.
Estou na universidade para por em ordem o curso que irei ministrar.
É isso.
Veio a minha mente uma imagem.
Uma memória gostosa.
Eu vi uma parede caiada de branco.
Uma parede do oitão.
A luz era branda.
Ali, havia alguns pés de capim seda.
Coisas do mundo que apregoa a nossa mente.
O lugar com certeza é Serrinha.
O ano desconhecido, acho que nem existe.
O que sei que existiu foi a minha relação com o meio.
O que ficou foi a vida,
Ou melhor a descoberta da vida,
Ou melhor que a vida não é uma matéria com faces e formas.
Tive a curiosidade de Alice e ir ali.
Só que vi o desconhecido e o conhecido.
O passado do passado,
Mas estava no presente.
Aqui estou...
Fora deste lugar, mas neste lugar.
Assim se descobre a presença espiritual de Deus.
Aquela tarde estava ardendo de calor,
Oh, tarde quente meu senhor,
Então vi um juazeiro,
Para sua sombra fui primeiro,
Parece que o mundo mudou,
Senti o vento frio,
Foi aquela harmonia,
Meu corpo sentiu alegria...
O sol tremendo na caatinga,
Enquanto me refrigerava
Na sombra do joazeiro.
Tenho pensado no micro e no macro,
Tenho pensado no pensar,
Tenho pensado no refletir,
Tenho pensado no fracionar,
Tenho pensado nas sensações, percepções, representações.
Tenho ouvido muitos seres desencarnados,
Tenho lido.
Sabe esse fluxo continua,
Esse fluxo do saber,
Do conhecer...
E a semente de tudo está no pensar.
Ontem, domingo, fomos a praia.
A maré estava baixa, de forma que pudemos aproveitar melhor o mar e a praia.
Catamos conchinhas e rochinhas.
Fizemos uma piscina gostosa.
O sol não estava o tempo todo a vista,
O estado meio nublado fez a gente
Até se esquecer da manhã.
Tomamos um belo banho de chuveiro
Com sabor de ferro no chuveiro
Do tubarão bar.
Assim, foi uma manhã feliz.
05.06.2023
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...