18/05/11

Oculto

A manhã vem vindo. O sol logo despontará no nascente, mas ainda está escuro. O que me aguarda este dia?
Nada me conta. A manhã chega silenciosa e fria. Estou preparado para viajar, mas o desenrolar do dia é quem vai dizer o que vai acontecer comigo. A cada instante que se desvenda o mistério da vida é algo totalmente desconhecido. Se tudo sair como penso vou viajar, ver o mundo claro, mas eis que a tudo e a todos é oculto o que vai acontecer.

17/05/11

Viva e deixe eu viver

"Viva e deixe eu viver" foi uma frase que sempre vi escrita na parede da casa de João de Licor, um vizinho nosso lá de serrinha. Essa era a frase emblemática daquele senhor. Sua mulher era evangélica e ele se dizia também ser evangélica, participava dos cultos que havia em sua casa. É realmente uma frase muito forte. Ele era uma pessoa muito prestativa. Só tinha um problema. Não tinha piedade de gatos, quantas vezes não matou gatinhos novos. Nesse ponto de vista cria como Descartes que os animais eram autômatos. Mas como assim, "Viva e deixe eu viver". Quanta demagogia, por acaso os gatos não mereciam viver? 

Aprender a conversar

Vivi toda minha infância numa casa simples no sítio, que ficava numa comunidade muito pequena, pertencente a uma cidade também pequena. Nos primeiros anos de minha vida, não tínhamos eletricidade em nossa comunidade. Então as noites eram escuras, clareadas por luz de lamparina, lâmpada a gás e pela lua quando estava cheia. Não tínhamos televisão, mas tínhamos um rádio alimentado por carregos, onde tínhamos notícias do mundo, das cidades vizinhas. Acho que ninguém ouvia o programa a voz do Brasil ali. Vivíamos quase em total isolamento. O fato é que para passar o tempo, tínhamos que fazer alguma coisa. Senão a vida ali não passaria. Então, saíamos para o mato pra caçar pássaros, maribundo e preá. Não tinha muita coisa pra fazer. Realmente era um tédio. Eu era um garoto tímido. Lá em casa, só podíamos ouvir a conversa, não tinha nada que se intrometer em conversa de gente grande. E eu cresci neste ritmo, só ouvindo as conversas. Sem nunca reportar uma conversa. Mamãe era assim, se chegasse com conversa das casas dos outros apanhava. Já imaginou, não poder reportar, conversar nada. Então cresci só ouvindo as pessoas conversar. Acho isso muito engraçado porque imagina quando vou para casa, eu converso bastante com meu pai, mas se tem alguém de fora, meu pai e eu, fico calado, não sei o que falar. Veja só que engraçado. O mesmo acontece comigo quando estou com meu irmão mais velho. Eu descobri que não aprendi a conversar, a expor o que penso e isso me fez uma pessoa calada. Quando fui para Natal não sabia conversar, mas não tinha ninguém pra conversar por mim, aprendi a falar o que viesse a mente. Que louco, eu aprendi a falar muita besteira, a não levar as coisas a sério. O que foi muito ruim para mim, pois com o tempo percebi minha dificuldade para me comunicar. Eu tive que me inventar, não foi fácil me relacionar com as pessoas. Só o tempo foi me ensinando. Bem uma vez um um vizinho e amigo nosso falou que quem fala menos erra menos, acho que ele tem razão, mas é tão difícil ficar calado quando se acha que tem algo para fazer, mas na verdade não se tem nada para falar. E foi como um cego que quer conhecer o mundo, que sai tateando, ouvindo e sentindo o mundo para conseguir  compreender o mundo. Assim estou fazendo com a linguagem. Primeiro já sei ouvir e agora estou aprendendo como conduzir uma conversa. Percebo que é preciso muita calma, paciência e reflexão para conduzir uma boa conversa.

Lua, luna, lune, moon, Mond...

Que generosa a lua em maio,
quanta beleza a cada noite.
Hoje, nasceu tão cheia,
estava tão prateada.
Fazia tanto frio,
mesmo assim a lua nasceu,
Nua.
Vinha na rua,
parei para ver ela, a lua,
parei para contempla-la.
É porque a lua. A lua meus queridos,
é uma chave inestimável.
E mais para mim que nasceu no campo.
É uma chave inestimável
que abre as portas de minha memória.
Sabe, não sei por que, mas quando era pequeno
eu acreditava que a lua nos seguia,
achava que ela era tão companheira como um cão,
pois para onde agente ia, ela nos seguia.
iluminando nossos passos do escuro da noite.
É lembro que a luz da lua brincávamos de cai no poço,
uma brincadeira de adolescente do interior, bem interiorano.
Brincadeira que permitia dar uma volta no terreiro e um beijo.
A lua era muito romântica e indiscreta, pois sempre vigiava para
ver se não fazíamos nada além de um beijo e uma volta.
Sob a luz da lua brincávamos de tantas coisas.
A cresci sempre junto da lua,
ela me é tão familiar quanto qualquer coisa.
Afinal é a lua plena.
Moon, luna, lua, lune, Mond...
Simplesmente lua maravilhosa, mãe, protetora da noite.

Riacho

A água do riacho corre para baixo
faz curvas, cai nos poços e segue
sempre em direção ao lugar mais baixo,
as vezes o riacho se cansa e as águas
nem chegam a chegar,
simplesmente evaporam,
mas a intenção é correr
sempre para baixo der
onde for dar, segue o riacho,
água abaixo.

Quarto

No quarto escuro dos fundos da casa havia uma janela. Que não dava para ver nada, pois bem a frente desta havia um muro. Na janela havia uma grade para evitar a entrada de ladrões. Daquela janela que dava para ver o mar, o sol nascer, pescadores passarem com os sextos de carregar peixe dias cheios, dias vazios. Já não pode mais ver o mar. Bem naquele quarto havia uma senhora que morava ali desde a infância. A janela era elegante feita de madeira de lei e vidros trazidos da França. E todas as manhãs assim que o sol nascia no mar a senhora abria a janela e então a brisa do mar ocupava aquele átrio. O cheiro do mar trazido pela brisa da manhã fazia aquele lugar pulsar e expulsar o bafo do átrio de toda a noite. Então a senhora sentava numa cadeira de balanço com uma xícara de cheiroso café e ficava mirando as ondas chegarem do alto mar. Mas certo dia a senhora não acordou, a janela não abriu, não se sabe o que aconteceu. Só sabe-se que no fim daquele dia, uma caixa grande saiu daquela casa e seguida de muitas pessoas. Desde então o quarto nunca mais foi aberto as manhãs. Construiu-se um grande muro e pôs-se uma grade na janela. O quarto então permaneceu escuro, durante as manhãs o sol enviava sua luz iluminar aquele lugar, o vento não mais ali entrou, nem o mar pode mais mirar o a senhora que ali morava. 

Castelhano

Subi as escadas, a luz atravessava a janela intensamente, então contornei e caminhei em direção ao laboratório de anatomia, repentinamente uma linda menina vinha saindo do laboratório de citotaxonomia. Era uma ninha, filha de dois professores da universidade de Cordoba. Não me segurei, não podia deixar de fazer uma piada. Então mirei a menininha, e os pais e soltei uma frase.
 - Essa menina é muito inteligente.
 E continuei. - Deste tamanho e já sabe falar espanhol.
Felipe meu amigo que estava com eles, complementou.
- E desde pequena.
Então todos riram muito.
Creio que a menina não entendeu nada, pois seguiu com um olhar de anjo indiferente a toda situação.
Talvez tenha pensado que fosse um palhaço ou não pensou nada, pois talvez nunca tenha vivido tal situação.
Então eu sai rindo por dentro. Os pais dela e todos que os seguiam riram também.
Voltei ao trabalho, após um bom tereré e uma piada.
Fui ao trabalho rindo por dentro.
Que doce momento.

Maio

Não sei por que, mas sempre ouvi as pessoas falarem que maio é o mês das mães. Talvez, porque tenha um dia que se comemora o dia das mães, mas seria esse o motivo? Bem, pelo que sei, lá de onde eu vim. Maio é o mês das floradas. E na minha cidade natal, durante todo o mês celebra-se novenas, onde as pessoas se reúnem na igreja, para celebrar a bomdade e a existência de Maria, mãe de Jesus. É uma coisa linda. Na celebração lê-se o evangelho, faz-se oferendas a Maria, a igreja é enfeitada, cantam uma canção chamada ladainha.  É muito bom pois todas as pessoas se reúnem e no final solta-se fogos para a Santa. Bem, conheci, quando aqui em São Paulo cheguei, umas flores chamadas flores de maio, nome que faz jus, pois essas plantas ficam floridas apenas neste mês. Suas flores são lindas com tons variando de branco, rosa e vermelhas. Geralmente é um mês frio em que nos sentimos só e é na figura da mais que achamos aconchego. Nos aproximamos mais de nossas mães.

Manhã fria

Que manhã fria!
E o sol brilha tão intenso.
Que lindo o gramado verde nas nossas praças.
As espatódeas com suas flores vermelhas,
as quaresmeiras com suas flores roxas
e as palmeiras com suas folhas a acenar
para o vento.
O catavento do Aulos gira feliz.
Os carros enchem as avenidas de movimento.
Pessoas caminham agasalhadas,
nessa manhã fria de outono,
as pessoas não param.
Só a natureza se contempla,
por está tão fria, tão colorida,
tão gostosa.
Essa manhã fria.

16/05/11

Esperar

Esperar.

Por que não paramos de esperar?
Esperamos crescer, passar no vestibular, terminar a faculdade, arrumar um emprego.
Esperamos na fila pra comprar pão, pra tomar uma condução.
Esperamos chover pra tomar chocolate quente.
Esperamos que faça sol para irmos a praia.
Esperamos que surja dinheiro no fim do mês pra comprar aquele celular, tênis ou sei lá ir ao cinema.
Esperamos ficar bom quando estamos doentes.
Esperamos na fila, sentados, de pé, deitado.
Por que estamos sempre esperando?
Cresci, passei no vestibular, terminei a faculdade e ainda espero o emprego. E dai isso me fez feliz, sim, mas não do jeito que esperava.
Espero todos os dias nas filas do RU, do caixa, do ônibus, pela carona, mas por que não aprendi a ser paciente ainda?
Quando menos espero a chuva aparece, então tenho que esperar a chuva parar.
Espero ir a praia caminhar sobre o horizonte.
Espero acabar com esse desejo de querer ter um celular e tudo que acho que me faça feliz.
A felicidade é um estado de espírito e esperar não vai me trazer felicidade.
Viva o agora, se estiver numa fila conte quantos tem a sua frente, observe suas roupas, o que falam 
e seja paciente, pois esperar cansa e envelhece.
Seja feliz.

Lua

Plena nasceu a lua, nem esperou a noite chegar, nem esperou as seis horas,
nasceu cheia, linda no horizonte. Calma foi seguindo para o meio do céu.
Foi seguindo sobre a rua, sobre as praças, as cidades,
lua democrática esbanja sua beleza por toda a terra,
lua sedutora lua, como tornas a noite mais bela,
como me faz para todo mundo te olhar, te admirar,
sendo tão simples? Quem sabe, o tempo talvez,
ou o vento, ou sei lá as rochas, o mar...
Não sei, e sei que és plena lua...

Bom dia

Quando o dia nasce a luz invade meu quarto e me acorda. Quando desperto, minha mente está tão leve e descansada que me sinto pleno e feliz. Então levanto e começo o meu dia. Primeiro provo de sabor de alguma
fruta ou comida de massa. Depois tomo um banho para lavar o corpo da noite se sono é como se renovasse, rejuvenescesse. São todas coisas tão simples, tão bestas podes até pensar, mas são essenciais para ter um bom dia. Quando cuidamos de nosso corpo, ele agradece e responde nos dando calma, paciência e felicidade. Está tudo dentro da tua mente, para mim funciona assim, todavia, cada pessoa tem uma maneira de construir o próprio dia. Descubra o seu.

15/05/11

Família

Gosto de está em família, mesmo que não fale nada, mas gosto sentir que estão ao meu lado, saber que estão bem. Gosto de comer a comida fresca, rodeado de meus sobrinhos reclamando que não querem comer,
gosto de ouvir minhas irmã forçando a barra para eles comerem. Gosto de ficar só no quarto ouvindo-os falar na sala. Gosto de minha família porque sou parte dela sou um tijolo. Pois sei que ali, mesmo que na desordem sou amado. Porque sei que ali sou unidade, amor e paz.

Domingo

Hoje, domingo de maio, a manhã nasceu tão bela, mesmo nublada. Fazia um frio gostoso e eu ali debaixo do cobertor bem aconchegado. Acordei cheio de preguiça e fiquei pensando na vida, então abri os olhos e olhei atentamente para os objetos do quarto ainda quase escuro. Então abri a janela, peguei meus livros, escolhi o de Bandeira. Comecei então a viajar em suas poesias. Inspirei sua poesia dele e comecei a viajar em suas ideias, a voltar no tempo, em suas memórias. Em seguida fui a padaria, comprei pães frescos com frios e quando voltei deliciei de um maravilhoso café. Fui a casa de meu irmão e passei o resto da manhã dando atenção a meu sobrinho. Lemos um livro sobre o coelho Felício em seguida vimos ao filme Chuva de amburger. Tive um dia tão suave quanto a manhã que passou.

14/05/11

Sentimentos

Muitas vezes me sinto alegre como uma ave a cantar,
as vezes fico calado e fechado como uma tartarura,
as vezes me perco em meus pensamentos.
Na maior parte das vezes me sinto só, somos
seres solitários é a nossa cina.
Amamos a saudades porque nos apegamos as coisas,
as pessoas, aos sentimentos e as memórias,
mas que podemos fazers se faz parte de nós esses
sentimentos, se constituem nossa essência,
Não sabemos o que sentimos até que pensamos
no que sentimos. Então porque não esquecer
esses sentimentos?
Ora se não podemos ver, nem tocar, por que mesmo assim
cremos. Sabemos que estes sentimentos
não exitem além de nós.
Por isso se vejo o quarto ou a casa vazia,
se percebo que estou só, me sinto triste,
mas não creio que seja de um todo ruim.
Ora, acredito que é um momento para a reflexão.
Posso pensar por exemplo, quem eu sou?
Qual o meu propósito?
Já tentei explicar tantas vezes essas ideias,
mas elas sempre necessitam de um complemento,
por que não se pode definir.
Só podemos sentir
e como o sentimento é subjetivo,
cada pessoa constroi sua definição.
Crendo nisso sigamos então nossas vidas.

São Paulo

Há algo na cidade de São Paulo que me encanta. Não sei bem o que é, mas sei que me sinto muito bem quando estou aqui, ainda mais se está nos meses frios entre maio e agosto. Pode ser a rádio fm cultura que toca música clássica no rádio de meu celular, ou as ruas curtas, ou ainda o caos. Realmente não sei. Mais sabe quando voce se sente feliz por esta ali naquele lugar, mesmo que o céu seja poluido ou que as fachadas dos prédios estejam pichados, mesmo assim me sinto muito bem. Eu aprendi a gostar daqui, de fato quando aqui cheguei pouco gostei, mas depois fui aprendendo os modos, os costumes, fui pegando o traquejo e fui ficando e acabei seduzido. Talvez porque tenha muita gente, gosto de massa de povo. Só sei que me sinto feliz quando tudo vai bem e quando venho aqui a São Paulo.

13/05/11

Noite

Quando o sol se põe no horizonte
e a noite cai devagar, As luzes
frias das ruas tentam imitar o sol,
mas ai, a noite é bem maior,
A noite sabe como ocupar
todo o mundo com o escuro.
Então, sinto o frio
cair junto e percebo
a natureza mestra
tudo calar.
Cala as aves e os animais.
Toda a natureza
se recolhe. Sinto o meu corpo
se recolher também escurece
e como a noite vazia
preenche todo espaço
vaio com o escuro e o silêncio,
silencio e calo em mim,
como a noite,
calada.

Meu mundo

Meu mundo.

Quantas vezes não me perco no mundo.
Fico observando as coisas, os seres, os movimentos tudo que me espanta.
Acabo me perdendo no universo que me rodeia,
perdido como formiga do cordão,
como ave do bando.
Eu me perco tentando encontrar um mundo só meu
onde possa me comunicar com qualquer coisa.
Acredita que estou ficando esperto ou leso.
Sei lá, mas de uns tempos para cá,
dei para me perder no mundo
a ver tudo tão grande.
Será?

Universo

Quando sinto a brisa na minha pele,

Sopra suave pela janela,

Eu lembro da brisa do poente.

Lá onde eu morava, sempre que a brisa

Soprava do poente era certeza

Que a tarde choveria.

E as vezes quando estava sentado

Passando o tempo no terreiro

Da cozinha e sentia a brisa,

Já sabia que a tarde, podia tardar,

Mas sempre chovia.

Percebia sempre que era de manhã,

Sempre que era inverno,

Então quando sinto

A brisa soprar através da janela

Minha memória

Como uma flor desabrocha

E revive o momento,

Neste instante sou pleno

E feliz.

Céu

O céu da manhã está tão azul.

Cirros brancos tornam o azul mais claro.

Suave e leve uma borboleta passou voando,

Vinha de algum lugar,

Nem posso imaginar de onde,

Sei que passou leve voando e planando,

Como golfinho nadando saltando e mergulhando

No fundo do oceano, a bela borboleta,

Mergulhava e saltava pra fora da terra,

Mergulhava no céu pleno azul,

Um voo horas errante,

Não sei que sentido seguia,

Talvez nada seguisse,

Voava sem compromisso,

Voava por voar, talvez para

Exercitar suas asas,

Ou estava a espreitar alguma flor.

Aproveitava o céu azul

E cheio de cirros.

Aproveitava sua breve jornada,

A linda borboleta.

12/05/11

Doçura

Nem todas as pessoas tiveram a oportunidade de colher uma fruta do pé e degustá-la ali mesmo. Há pessoas que não conhecem o doce das frutas, tão pouco desfrutaram de um pomar. Quando amanhecia o dia, cedinho, acordava e corria para a goiabeira e alí mesmo comia várias goiabas. Comia primeiro as cascas e deixava para comer as sementes depois por serem mais doce. E assim era com os cajús, com as seriguelas, cajaranas, pinhas. Gostava de sentir o doce da fruta fria pela noite, se desmanchar em minha boca e agradar meu paladar. Era muito gostoso sentir o cheiro das goiabas maduras, esmagar as goiabas do chão e ver as larvas nadarem sobre o mel. Era gostoso sentir o mel do caju escorrer braço e abaixo e logo se transformar em nódoa. Era gostoso, os banhos que mamãe me dava antes de almoçar, esfregava com força pra tirar a nódoa dos braços e da barriga.
Como gostava de está no sítio, em casa, correr pra lá e pra cá com os cachorros; por milho para as galinhas esganiçadas; correr montado no lombo do jegue, ou nos cavalos feito de folhas de coqueiro, com cabrestos de cordão.
Era muito bom poder imaginar poder tudo, e ali eu podia, meu pai não era de brigar.
Mexia na sua caixa de ferramenta, andava de bicicleta.
Derrubava cocos, tomava água e depois mascava o miolo, chupava o sumo e cuspia o bagaço pras galinhas, pro cachorro.
Tudo ali era possível, correr de lá pra cá, cheirar as flores, tocar nas malicas e ver elas se fecharem.
Ver cobras e aranhas. Caçar prear com dogue, ou por acaso ao ir buscar o gado matar um teiu, ou ainda ver o nosso dogue acuá, timbu, ou raposa.
E depois de tudo isso, de tantos sabores, tantas coisas ricas e dormir com a certeza de acordar e fazer tudo de novo e novamente, sem tempo ou porteira pra nada.
Como era bom poder acordar e ir correndo a goiabeira, ou aos cajueiros,
ou melancieiras ou mamoeiros...
Que infância mais rica, não sei se poderei ao meu filho dar.
Se poderia dar a ele o prazer de tirar da planta e comer o doce fruto,
direto da terra, Deus é que sabe onde vamos parar.
Gosto do canto do sabiar, do fruto doce no pé.


Coçadinha

Um casal de rolinhas pousou num galho da malva do campo. Ambas muito contente e ágeis a limpar suas penas. Nunca vi um casal tão contente, por isso me pareceu tão belo. Sem cerimônia, sem pudor de quem por ali passava, a elas não interessava. Se coçavam sem parar, com seus bicos tão agis quanto agulha na mão da alfaiate. Sacudiam suas assas, todas as penas do corpo numa pomponice maluca. Numa habilidade e numa agilidade incrível tão logo se acharam saciadas das coçadas, abriram asas e voara, sei lá pra onde.

Bob Marley

Mais que nunca me sinto vivo. As músicas são verdadeiras chaves que conseguem abrir as nossas memórias. Hoje faz 30 anos que morreu o rei do reggue Bob Marley. Ao ouvir a primeira música que tocou no documentário, meu corpo arrepiou todo. Doces memórias vieram a minha mente. Memórias da época de graduação, das praias de Natal, dos meus amigos. Então respirei fundo. Lembrei do meu grande amigo Robério e Edilson, companheiros de festas e conversas. Então senti o cheiro das praias, o ritmo das músicas de Bob estão incrustadas nos giros de meu cérebro, em minha tempo. E ao ouvir uma música, pude ver a minha trajetória de vida que anda oculta. Quem sou em senão esse humilde potiguar que respira e vive a vida, mas sente saudades das pessoas de seu estado, de seu sotaques, de suas expressões e de seus amigos. Amém, Bob, amigos, minha terra natal.

11/05/11

Silêncio da seca

Quando o riacho do sertão míngua suas águas, as plantas ou morrem de sede ou adormecem e as aves migram dando adeus a mais uma estação de chuva. Eis o que sobra nos campos, nas serras, nos baíxios é o silêncio.
As paisagens ganham a um tom de cinza e se encantam. Toda a natureza repousa. Tudo ali cala.
Resta apenas o silêncio.

Para suportar algo é necessário o silêncio. Tem que fazer silêncio para suportar a falta de água, a excessiva luminosidade e o intenso calor.

Nada ali tem vigor, nada trabalha tudo está encantado no silêncio.

Vez por outra sopra o vento um ar quente feito boca de fornalha, mas logo a natureza o cala.

Os animais também silenciam e se encantam.

Nos campos vazios pedras soltas pelo chão e garranchos enfeitam os ambientes.

Os grandes serrotes de granitos ficam nus, muitas vezes ecoam o som do vento nos garranhos das árvores. muitas vezes nestes serrotes pode-se ver cardeiros candelabriformes e macambira são o que resta de tom verde, ambos armados da base ao ápice com afiados espinhos.

Pode-se ver ali ainda cipós de mucunã e pinhãos e umburanas perdendo suas finas cascas.

Tudo ali é silêncio nada fala, nada ecoa até que caia a chuva e a molesta da seca parta.

Pegadas na areia

Na areia da praia depositei meus passos,
do cumprimento de cada passo,
nem longo, nem curto.
Não tinha pressa, não tinha
nenhuma intenção de eternizar
minhas pegadas,
simplesmente depositei
na areia fria, doei um pouco
de calor, mas logo a
água levou meus passos
para o fundo do mar,
não liguei, nem cuidei,
pois quando depositava
meus passos olhava
para o espaço,
para o horizonte,
para o vago mundo,
para a linha tão reta,
mas que se quebrava
na praia.
Enquanto depositava
meus passos ouvia
as ondas cantar
e sentia a textura da areia
a marcar as marcas do meus
pés.
Depositei tantas pegadas,
mas todas foram apagadas,
pelas ondas, pelo mar,
senti minha mente leve,
além do horizonte,
senti minha alma tão calma
então descobri
que para relaxar,
para esquecer do mundo
a melhor coisa que tinha
a se fazer era depositar
pegadas na praia,
doa-las para o mar.

hostória

Tenho uma história que por sinal é longa. As vezes parece que a perdi, mas não é bem assim, as vezes encontro doces evidências dela, numa música, no cheiro de uma comida

Conjunção

Hoje, quarta feira 11 de maio, antes do sol nascer. Quando sai na rua, minha querida Felizberto Brolezze, montei na minha bicicleta, e dei as primeiras pedaladas. Por acaso olhei para o céu bem do lado do nascente. Fui atraído por aqueles três pontos brilhantes, dois menores nos lados e um grande no meio. Que seria aquilo? mantive firme meu olhar para confirmar que não eram luzes de um avião, eis que para minha surpresa não era, mas pareciam luzes de avião. Fiquei encantado e pedalando e olhando para o céu. Cuidadosamente para não bater em nada que estava a minha frente. E a proporção que seguia as luzes iam sendo apagadas pela luz do sol que chegava. Quando cheguei no laboratório os pontos eram pequenos, só identificava porque tinha percebido antes. Então com minha curiosidade fui ao pai Google e achei uma resposta, aqueles três pontos, eram os planetas em vênus, mercúrio e Júpiter em conjunção. Fantástico!

10/05/11

No silêncio da noite escura,
quando cai o frio da ausência
do sol, de gente, me sinto só.
Estou tão imerso em mim
que não sei o que pensar,
o que fazer, nem sei quem sou,
me sinto frágil feito
uma bolha de sabão ao ar,
que está em tempo
de explodir e sumir,
virar gotículas de água.

Quando chega a noite,
quando tudo cala,
quando ouço minha alma
ecoar com o brilho das estrelas,
me sinto só, sinto frio
e sinto um vazio,

então vou buscar na memória,
ideias, coisas belas e singelas
como flores, palmeiras,
beija-flores,
borboletas

e então a solidão passa
e volto a paz.

Pé de umbu

Nos arredores de minha casa, nas terras dos vizinhos, haviam pés de umbus. Essas fruteiras dão uma frutinha pequena, besta como pitomba, porém mais carnuda. Quando se come um não quer parar de comer. Então fica que nem galinha catando milho no terreiro, em busca dos umbus sobre o umbuzeiros. Um dos pés de umbu favoritos era o que ficava na terra de Elita de Joãozinho. Ficava atrás de uma grande casa velha abandonada, usada pelo dono pra colocar forragem seca e objetos da lida como caçoar, campinadeira. O problema dessas casas velhas é que é um criadouro de vespas, localmente conhecidas como caboquinha pela cor. Então lá ia eu no fim da manhã depois da luta de casa, passando por entre as cercas roubar umbu, não é bem esse termo, dava tanto umbu que o dono não ligava que fosse lá, só tinha que ter o cuidado de jogar os caroços e as cascas longo da sombra do umbuzeiro. Eu fazia a festa já que no umbuzeiro havia uma galha que servia de balanço. Só restava deliciar do mel do umbu e se balançar. As escondidas do dono para dar mais emoção. As vezes na volta comia coquinhos. Bem na extrema da terra e da de Josimar tem um grande coqueiro que dava coco como cacimba de areia. Tinha sempre cocos secos lá. De maneira que minha dieta era naquele tempo era a base de frutas, amêndoas e comida de casa. Era sempre bom ir ao pé de umbu. Doces recordações dos pés de umbu.

Folha

Folhas se espalham pelo chão,
as folhas que caem seca das árvores,
são levadas ao vento
para longe de sua mãe,
e duram menos de uma estação.

É tempo de sumir.
Quanto vive uma folha?
sabe lá, talvez as árvores.
Em muitos lugares só por uma estação,
em outros por toda a vida da planta.

A vida é incerta como
a certeza de onde
cairá uma folha,
quanto durará
sua existência.

Acacias

Minha casa, quando morei em Natal, era uma casa coletiva. Era um prédio pequeno com 16 apartamentos, duas pequenas cozinhas, dois banheiros coletivos, com diversos boxes sem portas, e as privadas com portas discretas, o mictório era algo de mais rudimentar. Muitas vezes aquele ambiente azedo de moradores, se assemelhava a prisão. Talvez não chegue a tanto porque entravamos e saíamos a hora que queríamos. As portas estavam sempre abertas. Uma casa masculina pintada de rosa com detalhes brancos, soava meio hilário. As janelas dos apartamentos do térreo tinham grades. E nós residentes éramos a coisa mais rica que havia ali, rica culturalmente, porque na realidade éramos quase franciscanos. Em meio a esse ambiente haviam árvores no pátio, mal cuidadas, mas elas permaneciam lá como nós residentes. Bem na entrada havia uma fila de coqueiros, ao cruzar o portão podíamos contemplar uma grande e velha algaroba fazendo sombra para o orelhão e para as Polycias, bem do lado das janelas do apartamento quatro havia uma palmeira de venus e bem em frente ao dois uma pinheirinha, mais a dentro havia uma grande Anadenanthera, seguida de velha acacias. bem depois da lavanderia havia uma goiabeira. E atrás da lavanderia havia uma acacia e um cajueiro onde os mano fumavam seu beque, vulgarmente conhecido como mirante, maconhódromo para os mais conservadores. Era da ala dos conservadores. Na casa a nossa frente nos fundos havia uma grande casuarina, uma acacia e uma graviola e bem na entrada da casa havia uma grande acacia e mais na frente uma jovem mangueira e uma goiabeira. Sim meus caros amigos era sob as árvores que escornavamos nossos corpos depois de um farto almoço, mais parecíamos gigantes, as vezes falando coisas sérias, mas na maioria das vezes falando sobre nossos desejos. Falavamos sobre mulheres e tudo que devíamos fazer para ter as mulheres. Bem haviam alguns que fugiam a regra, mas eram minoria, eu me incluía nesse grupo. Para cada pessoa havia um determinado assunto. Enfim caros amigos.
Quando estava em dificuldades nos estudos, financeiras, desesperanças, quando me encontrava só. Eu olhava para os cachos das flores de acácia como quem olha para a imagem de um santo ou de Cristo. Sim na hora que ia tomar o banho, no banheiro de cima podia ver os cachos amarelos, sempre floridos ou com frutos, muitas vezes acompanhados de formigas. E mirava em cada flor, nos pequenos frutos, respirava e tirava dali mais forças para seguir. Ou muitas vezes quando chegava no pátio sem esperança, sem forças, simplesmente sentava e ficava catando as sementes vermelhas das anadenanthera e contava e recontava. Atirava, depois buscava ou as vezes pegava os pecíolos das folhas e ficava quebrando, montando algo. Sim, aquelas plantas me confortaram muito nos momentos de tristeza. Foi sob a sombra do algaroba que fui muito feliz quando recebi maravilhosos telefonemas ou fui muito triste quando recebi a notícia da morte de meu tio. As vezes na sala de estudo ficava mirando os galhos da algaroba tentando descifrar o que contava seus espinhos. Quanta memória não se fez e se desfez naquelas árvores. Quantas!
A minhas amigas meus sinceros sentimentos de saudades.

Palmeiras (coqueiros)

Como são lindas e simpáticas as palmeiras.
Quase sempre estão acenando
para as nuvens, para o céu,
para a lua ou para as estrelas.

As vezes não percebemos,
mas elas também acenam para nós.

Algumas como as carnaubeiras chegam
de tão animadas cantam com suas folhas,
também cantam os catolés com suas quengas.

As vezes elas dançam com o vento.
Quase sempre podemos encontrá-las
em praças desde as mais requintadas
até simples, em doces jardins,
na natureza, ao longo das veredas mineiros,
nos baíxios nordestinos, nas matas,
campos, cerrados, nas praias até nas ilhas.
Estão em quase todo lugares onde haja água.

De maneira que elas
me conquistaram
através de sua beleza e simpatia.

Nem imaginam como me roubam
a atenção.

Confesso sou apaixonado pela beleza
de suas lindas folhas,
suas copas, suas grandes ou pequenas
inflorescências e por seus frutos.

As palmeiras suavizam a paisagem,
enfeitam os ambientes,
tornando-o mais harmonioso.

Em alguns lugares
parecem enormes obeliscos vivos,
em outros parecem gamíneas.

No entanto seja qual a forma
a veja acho-os adoráveis,
lindas, indescritíveis
emocionantes.

Elas estão sempre lá,
acenando, sorrindo
ou dançando ou simplesmente
enfeitando o mundo
e a vida.


Sol

O sol esplendoroso é uma carruagem mágica que desvenda as belezas da terra. Por isso todos os dias ainda muito cedo, antes de chegar, ele envia Aurora para anunciar a sua aparição. Então esta tinge de vermelho as nuvens, as plantas e todo o mundo. É neste momento que vemos o azul e o vermelho juntos no céu. É neste período que vemos cores que não percebemos em nenhum outro horário. Então imperioso a sorrir, desponta no horizonte do nascente com uma coroa dourada o magnânimo o sol e revela ao mundo as cores e as formas. E desperta todos seres com vida. As flores desabrocham e aves cantam com alegria. E a terra ganha movimentos é como se uma máquina fosse ligada. O vento sopra suave. Sim na manhã tudo é tão lindo graças a chegada do sol. Graças a percepção de que a ver.

09/05/11

Rio

Quando as águas de um rio tomam o leito,
simplesmente elas se deitam e descem,
vão escorrendo sobre o leito do rio,
intermitentemente descem,
nunca para, podem até por um certo
tempo ser aprisionada,
mas logo retorna sua jornada,
desce, cruza os vales,
se desfaz sobre as pedras e se recompõe
no pequeno lago e segue viagem,
rumo ao mar,
descem as águas,
atingem as planícies e perde suas forças,
mas continua a seguir,
doces as águas, abrigam animais
e plantas.
E seguem para o mar,
como bois para o cercado,
como aves a migrar,
a noite ou de dia
seguem sempre em frente,
então se deitam sobre o mar.
E perdem a essência de rio,
o movimento, a doçura para
se tornar mar, para ser
um céu na terra.

Vacinas

Lembro que quando era criança, as vezes, precisava ir a rua tomar vacina. Então Mamãe e Eliene arrebanhavam-nos e nos levavam juntos para o posto que ficava na Serrinha Grande, assim chamavam a nossa cidade que não era município ainda. Mãe banhava a mim e a Li, trocava nossas roupas e punha nossas roupinhas melhores. Nós íamos a pé mesmo, não ligávamos a distância já que estávamos todos juntos, chegava a ser quase uma festa. Nos crianças íamos conversando que nem papagaio, mexíamos com quem conhecíamos. Ficávamos muito contentes, pois certamente ganharíamos balinhas. Nossa adorava doce. Além do mais era para nosso bem, tomar vacina evitava paralisia infantil dentre outras doenças. No posto encontrávamos várias crianças, víamos algumas chorando, as vezes chorávamos, outras não. Nossas mães nossa agradavam dizendo que quando nos saíssemos ganharíamos picolé.
As gotinhas amargavam um pouco mas não causava dor. Era tão rápido que mal chegávamos já retornávamos. E voltávamos por aquela estrada de terra branca adocicada com o cheiro ácido dos cajus.
Chegávamos em casa felizes, verdadeiros homenszinhos sem medo de vacina.
Ainda bem pois essas vacinas me protegeram sobre muitas doenças.

Busca

Quando desperta em minha alma,
certa calma ao ver o dia se por,
sinto feito o sol nascer,
a paz como tingida pela aurora,
invadir minhas veias,
minhas carnes, minha mente,
sinto intenso o oxigênio
regar minhas células,
e alimentar minha alma,
com a calma que me traz harmonia.

Pois cada dia é uma prova
que tempos que passar,
pois diante de tanta correria,
muitas vezes perdemos a paciência
e essa busca pela calma,
muitas vezes nos cansa,
parece algo distante de nós.

Mais para encontrar harmonia,
é necessário contemplar a vida,
deliciando-se das pequenas coisas,
do cheiro das flores, de suas cores,
do trabalho da formiga,
do nascer e se por do sol,
do brilho das estrelas,
da silenciosa noite,
e achar paz interior,
e finalmente desfrutar de harmonia,
encontrando finalmente a felicidade
de cada dia.

Borboletas

As borboletas são tão belas,
tão leves e coloridas.
As borboletas oras estão a voar,
oras ficam paradas.
Pousam e ficam suas asas abertas,
e as escamas das suas asas brilham.
Outras vezes ficam abrindo e fechando
suas asas que são tão grandes
para seus corpos.
As borboletas tem dois pares de asas,
seis patas e duas antenas,
uma cabeça, e um abdomem,
e uma longa probócide
por onde suga o mel das flores.
As borboletas são grandes amigos
das flores.
As borboletas bebem o mel das flores,
mas paga com seu trabalho
levando polém de uma flor para
outra.
É uma troca muito justa.
As borboletas e as flores
são tão belas.
As flores se enfeitam todas para
as borboletas e as borboletas
se enfeitam toda para a flor,
e voa de jardim em jardim,
de flor em flor.
As borboletas respeitam as flores,
assim como as flores respeitam as borboletas.
A natureza as criou e as ensinou
a harmonia.
E por isso são as borboletas
tão belas, elegantes,
suaves, destemidas,
voam a qualquer hora que haja luz,
não teme a morte,
simplesmente são o que são.
Borboletas.

Fiqueira de Nossa senhora Conceição

Num lindo sábado ensolarado, fui visitar pela primeira vez o morro da Urca. Surpreendeu-me encontrar bem na base daquele morro, logo depois de passar o portão em direção ao topo, uma pequena gruta feita de pedra quebradas com a imagem de nossa senhora da Conceição. Uma imagem símbolo de fé de todo o Brasil. Ali estava uma gruta toda enfeitada, cheia de jarros com flores singelas todas belas. Aquela imagem sobre uma nuvem erguida sobre quatro anjos. O que estranhei foi o manto ter cor azul e vermelho. Parei para contemplar. No momento havia quatro mulheres, discutindo sobre quem seria aquela santa. Então uma foi até a placa e viu que era nossa senhora da Conceição. Discutiam a cor do manto, mas logo chegaram a conclusão que seria a imagem de nossa Senhora. Bem a frente haviam dois jovens de joelhos em profunda oração.
Olhei para o manto, para as estrelas no manto, para a coroa. Percebi então para minha surpresa que aquela gruta se posicionava sob uma enorme fiqueira. Episódio que me fez lembrar do budismo já que Buda atingiu a iluminação sobre uma fiqueira. E ali sob o verde da paisagem, o belo dia claro e colorido, bem naquela gruta havia paz. Vi no rosto das pessoas uma certa iluminação. Olhares de agradecimento, de saudades, de fé. Sim sobre uma fiqueira dia após dia centenas de pessoas depositam sua fé e estão em pleno momento consigo mesmo. Olhei as flores duas orquídias foi o que consegui identificar. Percebi num belo jarro antigo. Então fui embora, ruminando a ideia da figueira, de nossa senhora da Conceição e de Buda. Coincidências da vida. Tudo aconteceu num lindo sábado de maio de 2011.

08/05/11

Viagem

Acordei cedo, o sol brilhava intenso, o dia estava muito claro. Ao sair de casa pude então ver o mar, os morros com lindas bromélias. Vi as casas, os prédios, os monumentos e as pessoas cariocas. Tudo tão colorido, tão verde, azul, vermelho, branco e preto. Vi carros indo e carros voltando no sentido oposto. Fiquei ali sentado no banco do carro, calado contemplando cada instante como se fosse o último, e aliás eram, pois estava indo embora do Rio de Janeiro. Tem lugares que antes de partir deixa saudades pela beleza, tem outros lugares que deixam saudades pela história que construímos e levamos dentro de nós. E foi com essa ideia que entrei no ônibus. Eu olhava através da janela a cidade, com tudo que a constituí. Vi que rio é poluído, tem lixo nas ruas, que as paredes e os muros são pichados. Mesmo assim o Rio é lindo por obra da natureza. E o ônibus foi se afastando da cidade maravilhosa, e fui entrando num labirinto de morros nus, fui subindo através das curva, subi até muito alto de onde podia ver um mar de morros. Ah, deu uma sensação de vazio no peito. Comprei uma revista de Foucault na rodoviária, então pairava em minha mente uma dúvida, se lia ou contemplava a natureza, de maneira que fui fazendo os dois. Então vi tantas paisagens, pensei tanta coisa que me senti cansado. Quando cheguei em casa, senti um vazio. A casa estava fria sem ninguém. Então meu dia acabou claro, com um lindo crepúsculo. Mas me senti só, passou depois que passei a roupa. Boa noite.

Tristeza

Às vezes, quando passamos o dia sem falar com ninguém, sentimos um forte aperto no peito. Sentimo-nos sós. É uma sensação horrível. Ainda mais quando viajamos o dia todo e vimos tantas coisas e temos tanto para contar e não temos ninguém para nos ouvir. Neste instante nos sentimos fracos. Talvez nos acostumemos, mas não sei se será bom para nós. A solidão e o silêncio são bons companheiros, trazem momentos de reflexão, mas quando são momentos impostos, acabam sendo sentimentos de sofrimento. Mas temos que ser fortes e sublimes. Façamos algo para nos distrair e esquecer. Essas coisas a gente consegue esquecer com trabalho. A vida é mais interessante que as ideias ruins. Esqueçamos e nos sintamos bem.

07/05/11

Rio de Janeiro

Hoje conheci o morro da Urca e o Pão de Açuca, um dos lugares mais lindos que já conheci na vida. Fui muito maravilhoso, pena a Ana não estava aqui comigo. Lá do morro da Urca liguei para o meu pai que conhece muito bem o Rio.
Sem palavras o Rio é a cidade mais linda do mundo.

06/05/11

Rio de Janeiro

Que quente é o Rio, será que aqui faz frio?
Não sei, mas que aqui a natureza foi gerenosa,
ah, nisso ela foi primorosa, tudo de belo aqui ficou.
Sol, céu e mar azul, mata verde canescente,
muito calor e uma enorme praia.
Belos jardins, museus!
Caminhar aqui é quase impossível,
pois tem tanta coisa direntes,
tantos detalhes interessantes,
nas casas, nas ruas, nas pessoas.
O grande problema é o calor,
ou não, pra mim é,
também não sou carioca,
mas que tem muita coisa bela aqui!
Ah isso tem.

05/05/11

Folhas pelo chão

Folhas secas pelo chão.

Quanto vive uma folha?

As folhas perdem sua cor,

perdem seu vigor,

perdem seu ramo

e se espalham pelo chão.

Algumas folhas são levadas ao vento.

As folhas sempre se vão.

As folhas se debruçam pelo chão

e tingem de marrom todo o chão.

Folhas secas pelo chão,

espalhadas, forram todo o chão.

E caminhar sobre as folhas,

bem devagar e ouvir o chiar,

do deslocar, ouvir o som das próprias pegadas

espalhadas pelo chão,

As folhas não deixam de ser folhas,

mesmo que não façam fotossíntese,

mesmo que não sejam verdes,

mesmo que não seja árvores.

As folhas são simplesmente folhas,

são o que são porque foram

E não deixam de ser por não ser o que eram,

ao contrário são o que são folhas.

Tem em si essência

que lhes contam o que foram,

o que é e que será.

Agora estão espalhadas pelo chão,

folhas de bauhinia, lixeira,

folhas que já não são viva,

mas continuam sendo

cheirosas, mesmo que secas,

estão em transformação,

o logo serão o que foram,

solo, matéria orgânica, pó.

Sabe lá quem sabe não retorna

a fazer parte de outras folhas?

Sabe lá.

Silêncio

O silêncio foge de mim. Não consigo esta em pleno com o silêncio. No meu peito há um coração que não para de bater, sinto o pulsar intermitente em minhas veias. Minha mente calar. Vivo em eterno monólogo. As vezes para me livrar do som de minha mente, como uma fruta, olho para o céu, para os jardins e tento simplesmente sentir o momento sentir que algo é silencioso além de mim. Olho para o verde das plantas, as cores das flores, inspiro os odores do mundo. E respiro e inspiro. Sinto então a harmonia que há no mundo onde há caos e sinto dentro de mim um cosmo. Mas não consigo entrar em harmonia com o silêncio. Admiro muito suas qualidades, suas virtudes sua beleza, mas não sei ser como as árvores silenciosas. Não, realmente, não sei ser como as árvores imparciais. Algo dentro de mim expulsa o silêncio e não sabe calar.
Na busca de aprisionar o silêncio estou aprendendo a me calar e quem sabe tenha algo dele dentro de mim.

Manhã

A manhã nasceu limpa e fria.
Estava tão fria que uma cinza
gelada cobria Barão,
Todas as pessoas usavam blusas.
Acordei no horário, mas
estava atrasado,
e segui desbravando
as ruas frias de Barão,
Nessa manhã fria,
sem uma nuvem,
numa manhã
lima e fria

04/05/11

Danaus plexippus

Ah, se pudéssemos ser feito borboleta!

Descompromissada uma borboleta voava,
quase não batia suas asas,
parecia tão leve, suave,
acho que estava flutuando
sobre ou ar, ou estaria planando?

Não tinha pressa a bela borboleta,
voava e quando via uma flor,
logo pousava sobre as pétalas macias,
da flor, contemplava a cor,
sentia a textura, e então
desdobrava sua tromba e se deliciava
do doce néctar, mas será que borboletas
sentem o doce?
Não sei só sei que ela
desfrutava da doçura da flor,
do doce odor,

E saia visitando todos os jardins,
todas as flores,
distribuindo elegância e beleza,
aquela borboleta sábia
era livre pra voar para onde quisesse,
sem se preocupar com o dia da amanhã,
se alimentava do que dava a natureza,

Aquela borboleta me encantou,
ela que tinha a cor alaranjada,
com nervuras negras
e pintas brancas nas bordas.

Ela que voava sem compromisso,
aos sabor do vento, ao sabor da luz do sol,
pouco a contemplei e
já tive que pedalar para não me atrasar,
e a borboleta se foi
e a borboleta ganhou uma morada,
bem na minha mente,
bem no meu peito.


Ah, se pudéssemos ser feito borboleta!

Estrela da noite encantada

Tão belo é céu estrelado.
Ainda lembro dos doces momentos quando
morava em casa, bom no início da noite,
quando via aparecerem as estrelas no céu
como estrelas desabrochando no campo,
e o céu aos poucos tornando-se atroprurpúreo
e por fim em pleno escuro.
Sentado a velha cadeira de balanço
pra lá e pra cá, mirava o céu,
as estrelas, logo sentia a brisa escura
chegar, sentia meus pés gelar e ouvia
mamãe a chamar, entra pra cá,
mas resistia só por mais um instante,
ficava a mirar as estrelas,
as vezes a lua, e naquela estrada nua,
nada passava,
as estrelas é que cantavam,
os grilos respondiam,
saudades, da calçada,
da noite estrelada,
coisa mais rara,
que pude viver e amar.

O meu tereré

Quando chega a tarde faz um calor muito forte aqui no laboratório. Bem depois do almoço, hora em que o sol vai descendo para o poente e começa a entrar através da janela, aumentando a temperatura da sala.
Então para passar o mal está do corpo e pra despertar um pouco preparo um terere.
Terere é uma bebida feita com a imersão de erva mate em água gelada. Bebida apreciada por pessoas que moram nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Então há todo um ritual.
Primeiro pego a caixa com mate, depois coloco a erva na caneca que já está com a bomba.
Em seguida vou a cozinha onde encho minha garrafa de água gelada.
Volto, sento na minha cadeira e ponho a água dentro da caneca cheia de erva.
Aguardo um instante até que a erva fique misturada a água. Então saboreio o terere. Então penso na vida, viajo e quando percebo estou relaxado.
Logo volto ao trabalho e esqueço os incômodos do ambiente.

Maio

O clima mudou bem no início de maio. As manhã estão sendo muito frias e limpas. Desde quando o sol desponta no nascente, precedido por um belo aurora, até o fim do dia o céu permanece claro e azul. Os paisagens estão mais claras e coloridas que as vezes sinto vontade de passar o dia caminhando, olhando as praças, os jardins, o ir e vir das pessoas. Mas não posso me dar ao luxo, então cento em frente ao meu computador e fico viajando através das sítios. Vez por outra, através de minha janela, dou uma olhada para o céu, para o jardim. Os dias estão cada vez mais belos. Já percebi que várias plantas estão se cobrindo de folhas folhas novas. Logo me adaptarei ao frio que parece chegar. Sabe gosto de sentir as mudanças das estações. Mudanças exigem de nós adaptações. As vezes parece difíceis, as vezes fáceis, mas é preciso ter muita paciência. É preciso imitar a natureza que com paciência suporta as adversidades e logo se recupera. Sinto que maio é um mês de transformações, adaptações e de muitas belezas. Por isso, acordo cedo e simplesmente aproveito todo o dia com todas suas belezas.

03/05/11

Saudades

Agora pronto!
Acho que vivo sentindo saudades.
Acho que por ter noção que o tempo é curto e único.
Sinto saudades dos momentos passados, dos risos cúmplices.
Saudades da flor que se fechou, do som do riacho,
das águas e frio do inverno.
Da história do livro que acabo de ler.
Sinto saudades dos amigos que foram para longe,
saudades da minha inocência.
Agora sem pranto!
Acho que saudades me faz bem, pois ela me ensina
a valorizar a vida.
Vivo com saudades das boas coisas.

Antônio Pereira

 O poeta da saudade Semana passada ouvi o compositor Santana declamando um dos mais lindos versos sobre saudade. Ele falou de Antônio Pereir...

Gogh

Gogh