Dei um mergulho no passado.
Sai andando na nossa terra Serrinha do Canto.
Fui visitar nosso sítio de areias brancas.
Vi os cajueiros em cima das ramas,
e cobertos de Jitirana,
De ramas pilosas e flores alvinhas.
Vi as pinheiras carregadas de pinhas
Cada uma enchendo uma mão, de vez e maduras.
Tão alvinha e docinha.
Nas pinheiras ativos os sanhaçus,
Setas azuis buscando o doce branco
Revelando as sementes pretas,
Visitei as goiabeiras,
As cajaraneiras com cajaranas
para todo lado, nos ramos dependurado,
no chão entapetado, de esferas amarelas,
E seu cheiro acre-doce, tão docinhas.
Passei na cajazeira.
Andei pelos caminhos caçando calango, os teiús
E não estava sozinho,
Vinha comigo os cachorros leão vermelho,
dogue branco e negão Pretão.
Observava os passarinhos cantando e saltitando
cabeça-vermelho, corró, joao-de-barro,
Casaca-de-couro e azulão.
Fui na casa de Elita de Palmira chupar umbu e cajarana
E acabei quebrando uns cocos-catolés...
Ali tinha tanta macaxeira, cultivada por Joãozinho de Licor.
Tinha ali uma casa velha e abandonada,
Tantas cenas ali se passou... No fim só era lugar de colocar forragem seca e ninho de abelha caboquinha
Com uma frase marcante...
"Viva e deixe eu viver".
Fui ao tanque de Chico Neco, onde vi o tanque de águas escuras
E nele martelilhos (girinos) a nadar .
Fui ao córrego de Zezinho de Luiz de águas claras com piaba e cará.
Fui ao açude de Juvenal onde aprendi a nadar
Tinha água barrenta à danar.
Fui a pitombeira de Bonifácio Raulino
Onde chupei doces pitombas.
Fui a condessa de Adelson Vieira só para admirar.
Fui casa de tio Jussieu ver o peru valente, a porta estava aberta
Acabara de chegar, um gato novo miou pedindo comida,
Senti o cheiro do óleo queimado do motor.
Fiquei com medo quando passei em frente a Zé de Julho com aquele cachorro quatro olhos.
Ouvi dali o som 3 em um de Jailton de dadá, vindo da capital paulista.
Passei na palhoça de Chicão onde vi Jailton de Artur partir e não voltar de São Paulo.
Desci passei na velha escola onde fui alfabetizado.
Achei interessante a casa de Antônio de Chiquinho com um xadrez na frente.
Até conversei com Evaldo.
Desci peguei um dindin em Zuleide, passei na cajaraneira de dona Munda,
Sentei um pouco lá em Diniz.
Passei em Irelda tão educada e doce, provei umas groselhas tão azedas que havia lá.
Ouvi a escopadeira de arroz funcionando
Não lembro se era Vava ou Mourão
Que estava lá.
Passei longe do jasmim de Eliza de Vicente de Joana.
Jasmim manga com cheiro de defunto.
Subi pela mata até o final de nossa terra.
Quando fui chegando ouvi o tirinete de tio Aldo conversando.
Mamãe concordando e papai escutando.
Nessa hora tio João ia passando.
Despertei e voltei cheio de saudades.
E entendi que a realidade é como se fosse o sonho
E o sonho como se fosse uma realidade.
Tudo é passageiro.
Essas coisas.