06/02/26

Causalidade

 A terra plana as fruteiras justapostas limoeiros, Canjaranas, alamandas, pinhas, coqueiros.

O amarelo das flores de alamanda,

O cheiro doce da catanduva.

O canto do sabiá,

Do galo de campina, do juriti, do sanhaço.

O papa-sebo correndo no terreiro.

A areia branca,

As flores brancas da cajarana.

O Martim-pescador que voa grasnando.

A casaca de couro canta longe...

O cheiro de faveleira.

A luz dourada nas folhas de coqueiro.

Amizade e um lugar

 Onde estou?

No sítio de Pedro e Dulce no Capim PE.

Como cheguei aqui por meio da amizade.


Os anos se passaram e a nossa amizade só aumenta.


Estamos numa pequena chácara onde se cultiva manga, coco, limão e umbu.

ADeus professor de música

 Ontem, foi velado o corpo do primeiro e único professor de música que conheci em Serrinha dos Pintos. Viveu a maior parte da vida nas Chechas. Tinha uma família grande que conheci desde que fui para a escola na Serrinha Grande. Chico de Laurentino músico que ganhou a vida ensinando gerações a tocar um violão.

Resumo

 Acabei de ler o médico de homens e almas. Aproveitei uma promoção na livraria e aproveitei as férias e estou muito satisfeito.

Conheci o título desta obra quando estava na graduação em ciências Biológicas,  minha única graduação. Na época morava na universidade UFRN, na residência Universitária. Um palco de alegria e angústia e isso não é a essência da vida? Eu vindo do interior e desbravando a cidade grande, descolando uma nova realidade em minha vida... Sentimento compartilhado por todos os colegas que ali moravam. Novos mas cheios de ganas, e de responsabilidade.  Dividimos um beliche com um colega e um quarto com seis colegas e uma residência com 96 colegas... Um colega que adorava ler literatura espírita. Era o maior em estatura de nossos colegas, o mais divertido e querido. Era professor de educação física, era meu colega de quarto no apartamento 14. Vindo de Carnaúba dos Dantas, e se chamava Gilson Dantas. Desfrutava então de sua vitalidade, suas falas, suas piadas, das conversas na mesa do restaurante Universitário. Todas as noites ele chegava, tomava banho e tinha um tempo para a leitura. Um dos livros marcantes que leu foi o médico de homens e de almas. Ali acendeu o interesse pelo livro, mas o volume das páginas me faziam declinar da empreitada. Bem suponho que isso se deu lá entre 2002 e 04. Os anos passaram. Então outro carnaubense meu compadre e amigo, turismólogo e agora médico me falou novamente do livro. Então ao passar na livraria fui levado a comprar e nos mediados de fins de dezembro de 25 comecei a ler e não parei até o final. Estou encontrando. A leitura foi extremamente fluida, só lembrando que retomar a frequentar a igreja, as leituras da Bíblia ajudaram muito para a fluidez da leitura. Ficou muito... Parei para registrar esse pensamento...

Reflexão ao lado do amor

 Aqui deitado com os pés e as mãos geladas. Vinícius dorme tranquilo ao meu lado. Então, pensando no tempo, esperando pelas chuvas me veio a memória como um turbilhão que tudo tira do lugar. A mente matemática ou memórias numerais que nós faz pensar no tempo. A primeira grande provação em minha vida e porque não nossa dos meus irmãos foi a seca do ano de 1993. Aquele bendito ano que só caiu uma chuva e que meu avô José Neves dormiu na eternidade. Foi um ano tão cruel que mudou nossas vidas para sempre. Nós vimos todas as nossas melhores fruteiras morrem de sede. Foram os cajueiros, as goiabeiras, bananeiras, mangueiras... Papai vendeu os poucos bichos e foi embora para São Paulo em busca de recurso só quem restou foi a caatinga cinzenta e espinhenta. O sol ardeu de janeiro a dezembro. Ficamos ociosos, esperando nossa ração do café, almoço e janta. A globo cadenciava nossa vida, nossa escola, nossos professores, nossos vizinhos todos no mesmo barco. A gente tentava ri para vencer as adversidades. Naquele tempo tive certeza de que alí nunca teria uma estabilidade e o tempo cadenciaria nossas vidas, provaram os fortes e quantos de nós não foram morar longe e quantos nunca voltaram. As chuvas, não a água era e é nosso maior recurso. Vi nosso sítio se tornar uma área Cerqueira, nosso irmão mais velho nos ajudou junto com papai. A gente, depois deixaria nossa terra natal. E bom, alguns de nossos cinco  irmãos, decidiram não voltar mais. Uma voltou para cuidar até o fim dos dias de nossos pais e alí ficou. Eu como moro perto sempre volto. A casa agora é enorme, nosso cenário de alegrias e de dores está ali. Agora flerta com mais um ano seco.

Passamos 21 aguardando as chuvas e nada. Agora tive que partir e deixei nossa casa com o coração de beija-flor. Do alto dos 46, após permear e buscar entender ciência e filosofia encontro paz na fé coisa que meus pais e avós encontraram. A caatinga e a seca devoraram nosso sítio e andando na caatinga encontrei as marcas do passado o buracos das palmas que papai plantou, troncos ou marcas destes que os cajueiro deixaram. Apelar para Deus...

Ainda dorme Vinícius e eu aprecio o momento com essas duras memórias atemporais.

Viajando

 As paredes alvas,

O encontro das linhas, 

A profundidade,

O vazio,

Os objetos.


A atemporalidade...


O presente e o passado,


O interno e o externo.



A manhã, a tarde e a noite.


O quente e o frio.


A luz e as sombras.


O silêncio e o barulho...


A fome e a satisfação.


Um momento numa mente.

Plantar e semear

 Plantamos um umbuzeiro ao lado do terreiro.

Trouxemos de João Pessoa, mas veio de Campina Grande.

Plantamos a noite um dia antes de viajar.

No dia de reis 6.1.26.

Plantei com Vinícius.

Ontem semeei Timbaúba, cumaru, mucunã e angico...

E assim foi um maravilhoso dia.

Matemática

 Hoje cai na abstração e pensei na sublimidade da matemática que nos permite pensar no tempo

Quando estou na minha casa

 A flor do maracujá 

A grande e bela flor do maracujá.

Coroada flor,

Lilás flor,

Perfumada flor.

Aquele maracujá,

Cresceu sem parar.

Seus ramos se irradiaram sobre os arbustos...

Floresceu na caatinga cinza...

E perfumou meu olhar,

Embelezou meu cheirar...

Existe e me impressiona...

Foi e sou o que vejo, sinto e penso.

Quando estou na minha casa

 O vento venta agitado e soa um canto no telhado.

A vontade é de ouvir os primeiros pingos da chuva pingando no telhado,

O cheiro da chuva e a alegria da mudança...

Essas coisas

Quando estou na minha casa

 Poder sentir este lugar,

E reviver suas sensações 

É algo divino,

Íntimo e particular.


Após tanto tempo 

A sentir saber o 

Quanto o conheço,

Mais que qualquer coisa na vida.


Aqui conheço melhor,

As manhãs, meios dias e noites...


Aqui sinto-me em casa e em paz...


Aqui tenho certeza 

Da eternidade do espaço,

Aqui tenho a certeza da sutileza da vida.


Pois a vida me ensinou.


Aqui habito o lugar 

E o lugar habita em mim.


Este céu em todas as suas faces.


As plantas e seus acidentes.


Não preciso definir nada, apenas sentir.


Esse sentimento que me preenche,


Essa consciência cósmica.


Quem haverá de sentir um dia?


Na minha terra natal.

Mémória

 Amanhã fará 32 anos que vovô José de Neves faleceu.

05-02-26

Número

 Hoje o dia foi perfeito. Um domingo como a muito tempo não havia vivido.

Chegamos aqui em Serrinha do canto no dia 17.12.25, e desde então aguardamos ansiosamente pela água das chuvas. Vivemos muito e gostamos desta forma de viver. O mato seco, as aroeiras, angicos e juremas; as serras, as curvas da estrada, o calor cáustico, a sede dos vegetais, as mangas... A lua crescente e cheia...

As luzes do Natal o fim de ano. A visita aos parceiros distantes... A esperança de mudança que vem. O aniversário de Vinícius...

Os textos...

O livro de Lucas...

A bíblia, Borges, os cachorrinhos schaquira e Sherlock...

O loro Creo...

Salmo 91 o dia 19...

Um sentido... Uma razão... Frutos da abstração, o número seis.

O número cinco.

O número quatro.

O número três.

O número dois

E a unidade...

O dia em seus extremos foi nublado.

A vegetação pálida como se estivesse molhada. Logo tudo vai mudar.

Estamos no ápice do verão, fim da sequidão...

Tudo mudará em pouco tempo.

É preciso Deus para não morrer de angústia...

A fé na bondade nos salvará de todos os males...

Fiz fotos hoje e amanhã tudo poderá ser o inverso.

Coisas humanas.

Quando estou na minha casa

 A tarde cai suave, clara e fresca. O vento soprou pela manhã do poente e agora sopra do norte. O sol já está pleno no poente. O céu tem um azul claro e lívido. O cajueiro, catolés e palmas conservam o verde na paisagem. Na barra da calçada espadas de são Jorge embelezam a vista e duas vincas adornam com suas flores flores pentâmeras alvas e rosas ... Tudo isso disposto num sutil e suave sossego onde se pode viajar no tempo...

O espaço é eterno.

Quando estou na minha casa

 A manhã nasceu nublada e fria. Na paisagem, ao nascente, podia-se ver no alto da serra as nuvens frouxas fluindo pela paisagem. O vento frio cortava a vegetação cinérea refrigerando e cantando a paz... Onde estava minha mente? Meu corpo e meus sentidos viviam aquele momento, mas a minha mente de certo vagava no tempo... A gente se pega pensando coisas pequenas a maior parte do tempo. Acho que minha mente vagava por aí. Vivo... Feliz pela manhã. Este momento do dia que me faz sentir bem. Parece que a satisfação ou a intensidade das emoções é maior no início de um momento.

E então chega no agora em que tento tecer algo linear que me permita reviver este momento um dia qualquer.

O sol abriu o vento sopra...

E o devir deveio e devem... Ad infinito.

Amor materno

 Em meiados de 1977 numa manhã ensolarada no sítio de fora em Martins algo ia acontecer. Algo muito grande.

A casa estava uma bagunça, as roupas sujas dos meninos precisavam serem lavadas. A jovem Esterlina que tinha até então seis filhos. Um destes era mulher Cledina e fora com o Caçulinha Umagir lavar roupa na cacimba de Joel. A jovem Esterlina grávida iria arrumar as coisas e iria mais tarde ajudar a cledina na lavagem de roupa. Umagi o Caçulinha foi com cledina. Saíram de casa em direção a cacimba, o cheiro de manga madura e das flores de jaqueiras incensavam o lugar.  Os angicos cresciam entre as cercas, no sítio de seu avô José a sombra das árvores era constante o que fazia do lugar mais fresco. Um grande genipapo fica entre a casa e o cacimbão. 

Umagi com três anos brincava com uma tampa de um galão de tinta. Fazia de conta que era uma direção. E numa dessas carreiras caiu no cacimbão. Não sabia nadar. Cledna quando percebeu então começou a gritar. Esterlina ao ouvir o grito saiu correndo e mesmo grávida pulou no cacimbão desprovida de todos os medos. Umagi disse que viu a água querendo engoli-lo, sua mãe tentava obstinadamente salva-lo e só conseguiu puxando pelos cabelos. Aquilo foi uma imensa aflição.

Quando estou na minha casa

 A lua enluarada

Num céu limpo,

Num céu azul, 

A lua palito-prateada.


Uma corona amarela,

As estrelas parecendo,

A noite anoitecendo.


O vento ventando 

Em ventania...

A doce sinfonia,

A saudade,

O silêncio imediato.


O momento.

Quando estou na minha casa

 A noite cai agradavelmente fresca. No nascente a lua vai se erguendo no céu. É uma lua cheia, pálido-prateada com uma corona amarela. Está aí atrás do poste. O vento sopra fazendo as mangas dançarem na mangueira...

Aguardamos a chuva...

Quando estou na minha casa

 A noite cai agradavelmente fresca. No nascente a lua vai se erguendo no céu. É uma lua cheia, pálido-prateada com uma corona amarela. Está aí atrás do poste. O vento sopra fazendo as mangas dançarem na mangueira...

Aguardamos a chuva...

Quando estou na minha casa

 Ontem na aceroleira que estava florida e enramada cantou um galo-de-campina.

Cantou por um bom tempo. Cheguei a pensar que era um bicho de gaiola.

Veio sábias se alimentar de uma banda de mamão.

Foi muito harmônico o último dia de 2025

Quando estou na minha casa

Enquanto varria o quintal, coisa que amava fazer para agradar a mamãe, foi atraído pelo canto do galo de campina. Pleno corrochiando com seu peito alvo e cabeça rubra ali a acerola pude contemplar ali do lado um sabia de laranjeira comia um mamão alaranjada.

Então, parei e sentei e me puz a pensar no tempo... Vasculhei minha memória, minha vasta memória, intuitiva memória.

E se passou o pensamento, e esvoaçou-se tudo...

Quando estou na minha casa

 A tarde quente me fez sentir vontade de comer uma manga congelada.

Após comer fui lavar às mãos e a boca. Ali na pia lembrei do dia que banhei o meu pai.

Me senti tão útil naquele dia. Poder ajudar aquele que fez tudo por mim.

Joguei o caroço no terreiro sob o pé de acerola. Ali a aceroleira está se cobrindo de folhas e flores.

Então uma bobó veio comer as sobras do caroço de manga. Aquele calor, aquela luz intensa me fez entender a eternidade de cada momento.

Aqui e agora.

Quando estou na minha casa

 A tarde quente me fez sentir vontade de comer uma manga congelada.

Após comer fui lavar às mãos e a boca. Ali na pia lembrei do dia que banhei o meu pai.

Me senti tão útil naquele dia. Poder ajudar aquele que fez tudo por mim.

Joguei o caroço no terreiro sob o pé de acerola. Ali a aceroleira está se cobrindo de folhas e flores.

Então uma bobó veio comer as sobras do caroço de manga. Aquele calor, aquela luz intensa me fez entender a eternidade de cada momento.

Aqui e agora.

Quando estou na minha casa

 Sai cedo para caminhar, tudo cinza, asfalto e vegetação salvo as juremas e os Juazeiros resistentes mostrando a beleza do verde esperança. Os angicos e as aroeiras imponentes expondo seu tronco e seus ramos nus sempre oferecendo um pouso, uma pausa de algum vôo.

No Juazeiro vi pousar um jovem carcará então pude contemplar duas magestades sertanejas. Caminhei sem parar até que algo me fez parar e contemplar. Aquilo me fez parar, mirar e contemplar. Seus ramos melados, de folhas lobadas bem espalhadas, toda florada. Tantos ramos, tantas folhas e 25 flores. Belas flores coroadas pelas arapuás visitadas...

Eram 25 flores perfumadas... Parei para contemplar, senti o perfume das flores de cheiro lilás... Senti uma profunda paz...

E tudo se foi.

Eterno momento aconteceu...

Essas coisas aí.

Quando estou em minha casa

 A saudade está aqui é a ausência da presença de quem sempre esteve presente. Ora é branda, ora é intensa. Aqui se intensifica no vazio deixado neste espaço e neste tempo. Nenhuma palavra ouço mais, sobraram apenas memórias que é a matéria do sentimento.

Mamãe e papai, vovó Sinhá...

O sentimento é afeto, é relação...

Saudades. Saudades. Saudades.

Francisco, Francisca...

Amanheço e entardeço e anoiteço.

Eternamente sou quem sou.

Canta vem-vem na Pinheira, canta rixinó na casa velha, canta sabiá na aroeira, canta cabeça-vermelho no cajueiro, canta...

Neste canto conto meu sentimento.

Sou... No imediato sou.

No imediato afirmo sou. 

Pinhas secas na Pinheira, ciriguelas na cirigueleira verdes, vermelhas.

A mata broiando.

O sino do vento de rocha de metal.

As vincas rosas e brancas...

São as marcas do tempo.

São as marcas do hoje, do agora do devir.

O céu eternamente azul, nuvens brancas de esperança.

Uma espiral em movimento...

Concluído este momento.

Memórias

A noite chegava lentamente. Na cozinha mamãe preparava a janta.

Na calçada da frente conversava com o papai. 

O calor ia cessando e o vento chegando. Logo papai se recolhia 

Quando estou em minha casa

 A cinza mata, o sol alto, a claridade e o calor intenso, a poeira. Um Juazeiro, um Jucá, uma aroeira, um angico e um mandacaru.

Olho e ouço  o meu entorno.

O que sinto? o que me incomoda e o que me faz sentir este momento.

Sinto calor, sinto um vazio, sinto algo que vai crescendo em mim. Alegria, felicidade, paz e algo humano que quero desvincular de mim, o incomodo.

Quero entrar em harmonia com o meio sendo angico, aroeira, Juazeiro, mandacaru e Jucá.

Olho a paisagem ao longe, olho a paisagem ao meu lado.

O que é tudo isso?

Ouço o vento ventando na mata.

Ouço um sabiá, um cabeça-vermelho, um bem-te-vi...

Me apresso em me proteger da estrada, um carro a passar, um olhar ou vários olhares... Que passa de repelente... Sou ignorado. Sou percebido.

O relógio conta o tempo, o sol conta o tempo como balão a subir o céu.

A mata adormecida.

Respiro fundo.

Sinto um vazio em mim. Vejo o vazio da estrada, da mata.

O espaço é infinito e o tempo é eterno.


O que é tudo isto?

Vida sendo vivida.


Existência e ser.


Um pensamento e mais nada.

Essas coisas aí.

Quando estou em casa

 Fim de 2025. Este ano foi muito seco. As chuvas foram poucas. Em outubro 17, quando estivermos aqui já estava muito seco. Nossa sorte é o açude do porção. Os dias são secos e muito quente. A vegetação está cinza apenas os Juazeiro, feijão-brabo e mandacaru estão verdes. Os angicos, aroeiras e cajaraneiras parecem árvores de cambito. As aves cantam animadas.

Estou cuidando das plantas que a mamãe deixou um jasmim-de-laranjeira, uma açucena e as espadas de são Jorge.

O terreiro está poeirento e avermelhado.

As vincas florescem e me sinto feliz com tudo isto.

Vivendo

 Sinto meu peito em paz. Fizemos uma viagem romeira a Canindé para apresentar São Francisco a minha esposa e ao meu filho. A viagem foi perfeita, apesar de cansativa. Fomos a Fortaleza e bom só deu para ver quão magestosa é aquela cidade. Fiquei muito feliz em passear com eles na praia de Iracema. Estou muito grato. A manhã despertou muito agradável. Fui com meu filho ao Porção onde ele conheceu meu primo França. A tarde vai caindo agradável. Ouço uma rádio grega enquanto leio Lucas um médico de homens e almas.

E assim o ano se fecha. Com muita gratidão por tudo vivido.

Férias a espera de chuva

 Que deliciosa manhã desperta agora. O friozinho nublado. As aves e o cino de vento quebrando o silêncio.

A paz e o coração agradecido do bom ano de 25 que chega ao fim.

A esperança de dias melhores. No peito a esperança de um peito mais calmo e paciente e que os nossos corações abrandem e tenham mais fé.

Amém

Em casa

 A experiência revela que a vida é uma dádiva. A nossa mente cria, imagina e por meio da razão nos anestesia para a realidade das coisas. Fim de ano e aqui estou no mesmo lugar que nasci, cresci e vivi grande parte de minha vida com os meus pais. Agora que eles partiram há um imenso vazio. A realidade se revela inócua e sem cor, sem fantasia ou ilusão. De tudo cultivo a fé no senhor. Sou um ser de sentimentos...

O céu azul empalidecido de nuvens, o vento frouxo escorrendo pelos ramos das árvores nuas. Tempo e fluxo... Infinito e eterno.

Tudo é como tem que ser. Nada mais. Ser é um grande milagre.

A espera de chuva

 E nublado ficou meu coração, pois é o quinto ano sem meu pai e o quarto sem a minha mãe. A saudade é infinita, todavia meu pai celestial não me desamparou, pois me deu um filho e meu amor por ele certamente é eterno e infinito.

Das coisas que se aprende vivendo. Nada é absoluto.

Um amanhecer

 O céu azul com nuvens de algodão.

O cinza da vegetação, o verde das cirigueleiras, cajueiros e uma pintombeira. 

O som do vento nos ramos difusos.

O canto do sanhaçu e do vem-vem.

O som doce do metal do filtro do vento.

E as memórias que afloram das impressões, sensações.

O que é tudo isso?

Parte de mim, vivo que percebe,

Parte de mim atemporal.

A mente atemporal 

Guiada pelos universais.

Um sabiá corrochiou.

Meu peito estremeceu de alegria uma memória azul de mamãe.

Essas coisas, como diz meu filho.

Saracura

 A saracura cantou hoje cedinho.

A última vez que a ouvi cantar aqui em casa de papai.

 Essa última vez marcou Antônio de Doquinha estava aqui conosco.

Papai ouviu, mamãe ouviu, Antônio ouviu e eu ouvi.

Éramos espectadores ou a saracura era uma espectadora.

Três potes... Três potes... Três potes...

A saracura está adivinhando chuva.

Tá tudo tão seco.

Essa chuva

 A chuva veio no verão intenso.

Foi uma chuva providencial.

O céu azul e o calor caustico,

Estava insuportável.


As nuvens anunciaram pela manhã,

E a tardinha a chuva caiu.


A natureza, o solo, as árvores,

Agradeceram essa chuva.

Lembrança imediata

 Em Julho de 2001 fui pela primeira vez em casa de papai onde não o encontraria jamais. Nossa casa fica no Rio Grande do Norte, Serrinha dos Pintos. Foi uma sensação profundamente dolorida. Todavia duas coisas novas eram apresentadas a casa e a minha mãe. Foi a coisa mais valiosa do mundo para mim, meu filho Vinícius e nosso carro, fetonte. Apesar da dor da ausência de papai, minha mãe De Assis ficou muito feliz e orgulhosa. Ela me deu um terço e colocamos no carro. Ele era fraco e quebrou, guardei comigo as contas e a cruz e deixei ali, ao lado da minha escrivaria. Vi mamãe muito feliz, intensamente feliz com a vida, feliz pelas minhas conquistas, pelas nossas conquistas. Só o amor explica nossa devoção por nossos filhos.

04/02/26

Infantil V

Estas semana Sassá teve início a seu terceiro ano de vida no estudantil. Agora está no Infantil V. Está na escola Carl Rogers. Estava muito ansioso e não via a hora de começar. Uma nova sala, uma nova professora, novos coleguinhas... a preparação dos material e rever os amigos... a soma disto deixaram-no ainda mais ansioso. As aulas tiverm início no dia dois de fevereiro de 2026. Fomos deixar na escola eu e a mamãe. Já compramos a farda nova e já saiu da sala de assuntos financeiros vestidinho. Tiramos fotos no painel... Bom a sala será a primeira logo na entrada, não mais aquela em frente ao banheiro do infantil III. A professora será Aldenir e não mais Jamile. Está muito contente. Que meu bom Deus abençoe o meu menino nessa nova jornada. Que venha a leitura.  

Somos juremas

 Na vasta paisagem cinza,

Juremas pretas crescem,

Suas folhas ora dorme ora trabalha,

Ramos finos, vinhos e armados.

Bruta a jurema resiste a seca,

Resiste ao sol,

Resiste ao calor,

Resiste a boca do bicho...

Trabalha sem parar sempre a crescer.

Tosca a jurema farpada,

Um dia trabalha na beleza,

Numa manhã após preparada,

Amanhece perfumada e ornamentada,

Suas flores roubam a cor prateada da lua...

Sua essência se mostra em plenitude,

A maior parte do tempo é bruta,

O tempo e o lugar assim a tornaram,

Mas resiste a tudo e mostra que ali também há beleza, perfume e luz.

Somos juremas?

A vida

 A vida que se segue,

Segue sem parar,

No peito cordial a pulsar,

Bate bate sem parar.


A vida de fora,

Moída nos pensamentos,

Nas comparações,

Na existência em si e para si.


A  gente se cansa da vida,

A gente parece esgotado,

Desta lida repetida,

Desta lida eterna...


Nossas lutas,

Nossas labutas,

Nossas ideias...


Tudo num só corpo,

Tudo num só ser,

E num momento deixa de ser.

23/12/25

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infância por viver. Tem os primos Davi e Nicolas. Aqui tem o meu afeto.

Um dia de paz

 Olho através da paisagem árida onde falta verde e sobra cinza. Olho como quem contempla o universo inteiro. Em cada parte está o todo. Não é sobre a paisagem, mas sobre nós mesmos.

Na paisagem vejo elementos que parecem mortos, mas não estão mortos, apenas dormem.

Um cajueiro antigo, as Pinheiras, as palmas que meu pai tanto cultivou, o sítio que amou e cuidou. Essa terra que ele plantou e trabalhamos juntos.

O tempo consumiu e nos consome. Ah. O tempo... Ei ê. A vida esse fabuloso mistério essa doce ilusão. A vida é devir. Pensar sobre isso pra que. Pensar é está doente dos olhos. 

Abro os olhos e a luz do sol mostra tudo numa plena nitidez. Abro os olhos e já não penso. As aves ah as aves. Balança-rabo, cebinho de olhos melados, fim-fim, rixinó.  Cada um nos seus afazeres do dia. A esperança de algo melhor...

Um casaca-de-couro corrochia longe. Lembro do Pica-pau enorme que vi na mata, lembro que nunca tinha visto antes, lembro do sabiá cantando na aroeira com o peito estufado e asinhas abertas...

Vejo o vem-vem na pinheira parece estar plantando sementes de phoradendron ou caçar insetos. Sei lá. Lembro de vó Chiquinha... Mamãe.


E o vazio se preenche de esperança.

Fluxo do tempo

 Após uma longa seca, ontem à tarde, 22 de dezembro 25, finalmente caiu uma chuvinha. O tempo esfriou e a noite nasceu nublada. À noite, antes de dormir, trovejou muito. Dormi a noite inteira. Agora que acordei e fiz minhas rezas, estou a contemplar o mundo com os ouvidos e com a pele. Ouço tudo que acontece lá fora os veículos a passarem na estrada, e todos os pássaros a cantarem, sanhaços, cabeça-vermelhos, rixinó... O tic-tac do relógio, o zunido do ventilador. Sinto o frescor da manhã nova que chegou e vai me dando tempo e graça de vida. É quase a última semana de mais um ano.

Estou muito grato com o ano que vivi.

Meu filho está forte e feliz, já está quase lendo.

Tudo em minha vida é uma benção.

A existência é um fenômeno.

Ser é existir.

Existir é intuitivo, é imediato...

Rio a fluir

 A noite de hoje caiu totalmente diferente de ontem.  Fresca, nublada e suave. O chão enxombrado, as folhas molhadas, o aroma de chuva...

E a sensação que sinto é de esperança e aconchego e paz.

Chuva chegando

 No ápice da seca, numa tarde de dezembro, depois do dia nascer nublado, uma neblina começou a se precipitar. O som dos primeiros pingos no telhado, o cheiro da água molhando a terra a sensação de frescor na pele.

A gente sente a intensidade da vida, a esperança, a plenitude e a felicidade da existência.

Vinícius feliz dentro dos cinco anos perdendo a ingenuidade do não saber ler.

Essas coisas plenas.

Férias

 No sertão potiguar onde nasci, todo fim de ano vou passar. Esvaziar a mente e descansar. Hoje subimos a serra num sítio, jacas fomos comprar e ali nos pomos a conversar.

As jaqueiras centenárias pela seca maltratadas e as Pitombeiras a nos escutar. Seu Cleiton cujos olhos são os ouvidos a narrar os acontecimentos recentes. Todo cuidado com sua esposa que o alzheimer a infantilizou. Conversámos muito e depois saímos Vinícius e eu para o sítio pegamos o carro e pagamos as jacas, três duas duras e uma mole.

Nos despedimos e o acontecimento terminou.

Devir

 A manhã foi tão ligeira,

Caminhei na estrada tentando esvaziar a mente.

A mata seca e intrincada, a forma das árvores,

A aroeira inerme e oblonga, o Juazeiro verde e armado, com flores diminutas, a Jurema castigada cortada e ressuscitada tão ramificada, as cajaraneiras plantadas e idosas...

Os angicos de troncos ornamentados espalhados na mata.

Na beira da estrada encontro a trindade  na materialidade de três pequenas rochas, sagrada família.

Olhar aqui e aculá a contemplar a unidade e a pluralidade...

O som do metal na proteção de uma curva fechada.

O som em minha alma e na natureza o vento sendo riscado no garrancho da mata.

A luz fria do sol que vai aquecendo o dia...

O ir e vir...

A manga na sobra da mangueira, doce  amarelo. 

O céu azul.

A promessa de chuva.

A fé.

A estrela alva da vinca.

O café com leite.

A saudade.

E o desfecho da manha aqui e agora.

Existência e ser

 O tempo tem me revelado o que é a vida.

O tempo tem me ensinado a viver

Entre percepção e razão,

Entre a realidade e a fé.

O tempo é o combustível da minha existência.

Vida por vir.

A vida vivida é matéria do meu saber.

Sentimento... 

Ser...

Existir.

Entardecer a fluir

 A luz da tarde quebrando e caindo para o poente.

O silencioso calor do dia que termina 

Parece afagar nossos corpos.

O tic-tac do relógio marca 15 para as 15 horas.

A conversa distante dos vizinhos, o som do vento chegando.

A janela rangendo o sanhaçu, o filtro do vento.

A existência em esplendor.

Meio acordado e meio dormindo entre a percepção e a razão.

Eis o ser.

Eis a existência.

Um carro passa veloz e barulhento na estrada.

Um sentido e um sentimento transcende a minha existência.

Silêncio sinto a plenitude da vida.

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois cresceu.

Nossa casa foi baixa.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

Vinca

 Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.

Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.

O cuidado enche o espírito de força e energia para perpetuar a existência.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh