É outubro!
Setembro mês passado, as sucupiras já estavam floridas.
Esse ano está com uma grande carga de flor.
Vi bichos comendo seus botões.
Foram cuicas (papagaios), jandaias.
Vi aves visitando suas flores, os beija-flores.
Tão roxinhas.
É outubro!
Setembro mês passado, as sucupiras já estavam floridas.
Esse ano está com uma grande carga de flor.
Vi bichos comendo seus botões.
Foram cuicas (papagaios), jandaias.
Vi aves visitando suas flores, os beija-flores.
Tão roxinhas.
Revisar!
Faz alguns meses que comecei a rever a coleção de Fabaceae do herbário JPB onde trabalho. É sempre nas quintas-feiras, à tarde de toda semana. É terapeútico desfrutar do silêncio, do cheiro da coleção e do frio do ar condicionado. Ver plantas, determinar o indeterminado. Faz muito bem. A gente tem muitas surpresas referentes as datas, os locais de coletas...
Aqui estou na letra Senna, Sesbania... Revendo sempre todos os meus conceitos de espécies.
Uma cigarra cantou lá fora!
Ela despertou em mim memória!
Uma memória gostosa.
As memórias são eternas,
Melhor dizendo atemporais.
Por isso algo de fora desperta algo dentro da gente.
Uma percepção!
Uma conexão!
Deveras muito vivida!
Agora pouco encontrada!
O Sol das onze horas. O calor o Calor...
O almoço pronto.
O grito de mamãe por Chico!
Quando há calor queremos relaxar!
Um banho é muito bom!
Deveras cigarras cantam no calor.
Mas voltando, a cigarra,
Voltando a memória,
Voltando ao ser.
Ouvi o suir... suir ou zuir... zuir...
E estava eu novamente em serrinha!
Seu para sentir o cheiro do caldo do feijão se misturando com a farinha.
Deu para ver o branco do toucinho...
O gosto gostoso do Feijão de corda!
Coisa que papai mais amava.
Ah, cigarra!
Obrigado por existir.
E me fazer vivo.
Ontem foi o dia do professor,
Ganhei de Vinicius e a mãe dele uma caneca com bombons!
Hoje ele ia comigo para a escola,
Então ele disse papai.
- Parabéns pelo dia do professor.
Fiquei tão feliz.
A chegada de Rita no céu.
Era madrugada, ouve-se o bater na porta do céu.
São Pedro abre a porta e pergunta.
Quem é?
A voz doce e arrastada fala é Rita!
Rita de onde?
Das Lages! Rita de Apolonha! Rita de Dico! - São Pedro!
Perdoe o momento! Mas quando chega a nossa hora,
Não temos por quem esperar.
Que é isso Rita! Teve uma vida longa,
Uma vida sofrida!
Criou uma familhona!
Com certeza entre!
-São Pedro trouxe essa coberta pro senhor.
Espero que goste.
Será que agora posso abraçar minhas filhas?
Queria ver logo minha família.
Então ao entrar no céu
Quem encontra é Nina! sua cunhada.
-Rita, em voz alta e sonora fala Nina!
Vem chegando agora!
Como foi a viagem.
Foi boa!
Menina, nem estávamos esperando!
Sua viagem foi mais ligeiro que a minha.
Então! Queria ver meu povo.
Seguindo em frente no céu.
Mais a frente encontra seu irmão Eliseu.
Grita! Meu irmão que saudade! Como foi demorada sua viagem.
E ele responde o importante é chegar!
Queria ver minha família.
Mas na frente vai encontrar.
Já nos falamos!
Mais na frente encontra
comadre Di Assis e compadre Chico.
E você Diassis!
Nem viu a viagem.
Estava dormindo Heim.
Que meninos bons os seus.
Ainda em julho foram me visitar.
Chicoooo! como você está!
Então quem vem chegando Francisca, Preta e Dico.
Sorri, de Feliz.
Choram de alegria todo mundo junto e feliz na eternidade
Uma névua se faz e acordo desse sonho tão maravilhoso.
Vou já mandar para meu povo ver.
Uma flor floresceu no jardim,
É outubro! Mês franciscano.
Mamãe ganhou o nome de Francisca,
Porque nasceu em outubro!
Tadinha se estivesse conosco faria 74 anos.
Saudades dessa flor que floresceu!
E da vida desapareceu.
Ficaram apenas as sementes.
Aqui vos escreve.
A vida não é para os fracos.
Sempre acreditei
nisso.
Mas o que são os fracos?
Diante das lutas que estes têm que lutar todos os dias.
As decepções, as dificuldades, as barreiras, os muros, as
portas fechadas.
Os nãos!
Que é ser fraco?
Fraco sem Fé.
Viemos de uma linhagem de fracos.
Somos fracos. Porque somos humanos, mas antes de mais nada,
somos resilientes e podemos aguentar só um pouco a mais.
Só um pouco a mais... ou me entregar ao que me faz bem, ao
que me faz bem.
Entretanto, isso significa uma coisa.
Ir de contra tudo que acredito.
Ir de contra tudo que valorizo.
Aquilo que é a minha essência.
Mais tarde, eu tomarei consciência de tudo que estou vendo
agora, mas não estou percebendo.
A vida não é para fracos...
Nas entrelinhas de tudo isso.
Coloco Jesus.
Quem foi Jesus e o que ele fez?
Venerado e amado por gerações?
Por que?
Mostrou que devemos levar as últimas consequência aquilo que
acreditamos.
Em que acreditamos.
Tenho consciência que sabes o que é certo e o errado.
Espero que sejas feliz.
A hora da partida!
Em casa, a vida é tão boa, mas tão boa que passa depressa.
Passa sem que se perceba.
As coisas vão acontecendo e a gente sempre na esperança de algo melhor.
A esperança da vida melhorar.
Vem o namoro, vem o casamento, vem o filho, vem a escola...
A gente envolvido na luta nem ver a vida passar entre o dia e a noite.
A gente nem ver a vida passar entre os que chegam e os que partem.
Só vemos o dia e a noite...
Nem acompanhamos direito as coisa.
Quando se ver o tempo passou.
Vá em paz Rita...
Diga a tio Dico que mando um abraço.
Vai encontrar com ele e com as meninas.
Se ver mamãe e papai diga que sinto muita falta deles.
Que uma nova vida surgiu quando virei pai.
Que um dia a gente se encontra na eternidade.
Planta de madeira mais perfumada,
Nos sertão não há como o marmeleiro,
A madeira fica velha até se esfarelar,
Mas toda vez que a gente quebrar,
O perfume dela vai exalar,
Madeira é alvo-amarelada,
Exala um cheiro ao ser rachada,
Um cheiro agradável e ligeiro,
Me refiro ao pé de marmeleiro,
Uma arbusto ou arvoreta,
Que cresce muito ligeiro,
No carrasco e no tabuleiro,
São suas folhas aveludadas,
Folhas cinzentas e perfumadas,
Da no mato por brincadeira,
Usada para fazer vara,
De faxina ou de anzol,
E quando seca para acender
Fogo do café,
A foqueira do sertão.
Essa planta é uma digitão do sertão.
À tarde caia lentamente enquanto o sol descia a escada do poente.
Na calçada da frente a sombra da casa marca quatro horas.
A calçada quente e levemente empoeirada do dia de forte mormaço.
Enquanto isso, sentado na calçada minha mente deu um mergulho no tempo.
Um gole de café para relaxar o calor, os músculos e a alma.
Depois de tomado o café até a alma sente frescor, enquanto na boca o gosto de café continua vivo,
O sangue quente a levar o café para a nossa alma.
No céu azul um avião parece uma formiga a andar no terreiro,
Chama atenção, de logo se ouve seu ronco longe e distante.
Os dourados raios do sol nos faz sentir mais vivos e felizes e saudosos.
Bom foi quando ouvi e percebi um casal vem-vem na pinheira cantando...
Minha alma foge do meu corpo e se encontra com mamãe
Dizem, esse canto parece Raimunda...
Quando ouvia dizia.
Quem vem? Vem-vem? É uma visita!
A realidade objetiva perdeu matéria naquele instante....
A eternidade existiu...
Tia Raimunda reviveu na fala de mamãe.
Mamãe reviveu na minha mente...
E fui eterno por um instante.
E escrevi esse texto para eternizar esse momento...
Nos ramos de minha árvore.
Ontem, em serrinha do canto.
Pairou tristeza.
Faleceu Zuleide de toto.
Uma pessoa muito querida!
Excelente doceira.
Serrinha do Canto fica em Serrinha dos Pintos - RN.
Aos poucos vai desaparecendo aquele lugar como minha referência
De infância...
Terra querida que se vai com aqueles que partem com estes.
Com estes memórias.
O inverno, que aqui corresponde ao período de chuva está indo e vai levando consigo as chuvas, o frio, os dias nublados.
Tempo contíguo,
Nos impressionamos com as coisas passageiras,
Nos apaixonamos e nos perdemos da busca por nosso ser.
A vida é uma tarde na praia,
Essa disputa entre a terra e o oceano,
Entre a praia e o mar,
A gente se põe a construir castelos de arreias,
A construir piscinas,
E esperar que as ondas não cheguem a destruir,
E a esperar que as ondas venham encher nossas piscinas...
A gente esquece de contemplar a linha do horizonte,
Esquece que logo será noite.
A gente passa a crer nas nossas brincadeiras.
E acaba a tarde sem saber o que é essencial.
Ontem foi o dia dos pais.
Curti muito o meu filho. Amo ser pai.
Entretanto refleti a falta que faz o meu pai.
Francisco Raimundo de Queiroz.
Foi um pai maravilhoso, presente, amigo e tudo que merece um bom pai ouvir.
Está na eternidade.
Então, saímos para almoçar.
Saímos para ir a igreja.
Agradeci muito.
Sou feliz por ser pai.
Pai de Vinícius...
Sou.
Ontem à tarde, Vinicius, eu e todos os pais dos coleguinhas de sua escola tivemos um momento muito especial. Foi um piquenique onde desfrutamos da companhia uns dos outros. Todas as criança estavam radiantes. Eu, estava deveras muito feliz. Tive o gostinho de ouvir papai me dando parabéns pela paternidade. Tenho certeza que estaria sendo um avó maravilhoso como foi, e um pai sem igual...
Deus levou papai, mas me deu Vinicius. Meu pai partiu e eu me tornei um pai.
Assim, vamos seguindo nossas vidas.
Em tardes e dias maravilhosos e realizados como pai e amigo.
Bem é tarde.
Me preparo para ler o texto "A imortalidade de Borges".
Ponho Chopin.
É obvio que minha concentração vai ser meio bacamarte.
E o que vem a minha mente me surpreende.
É uma imagem de Serrinha dos Pindos,
De Serrinha do Canto,
Do sítio de papai Chico de Chico Raimundo.
No meio da terra, sob grandes catingueiras,
O bamburral de bomba d'agua e carrapicho de agulha.
E nem inicio a leitura e já estou gostosamente perdido.
Será a música...
Será meu espírito?
E no fim?
A luta cotidiana,
A sobrevivência,
O amor...
Viver.
Ver.
Ser e existir.
No fim resta o ser.
O existir é encerrado numa urna.
Acordei de madrugada, vi as coisas espalhadas pelo chão. Eram coisas de Vinícius. E lembrei de Montessouri, depois dos sete anos as crianças ficam apáticas. Após os sete anos. A vida intensa da criança cessa. Não mais batman, não mais homem aranha. Eis um homem formado que entende aos comandos.
Meu peito doeu, meu peito ficou apertado. Tendo dedicado muito tempo aos meu filho. Sou muito grato por isso, mas por vezes a forma como levo a vida não me permite ir além. Minha forma de ser em silêncio, nas minhas orações, leituras, no meu modo de investir energia na mente. Terminei minhas leituras e orações, fiz o café. E o meu peito continuou apertado, por saber que já já toda a magia irá se dissipar. Seus risos, gestos fortes, tudo irá ser domando concentrado num homenzinho. Entendido! É o tempo passa. O tempo passa. E quando há doação há amor. Amor infinito. Amor infinito. Amo demais os abraços que recebo de meu filhinho. Abraço de amor. Sem fala, sem expressão, mas de sentimento.
Deus pleno e generoso. Como entender todo o seu propósito?
Meus pais partiram, mas o senhor me preencheu com meu filho e minha esposa...
De duas vidas se fizeram três...
Agora,
Sendo pai... Descubro o que é o amor... Não mais só.
O sol nem apareceu, ficou nublado... após arrumado.
Sai, mas com uma saudade, com uma vontade de ficar em casa.
Porque está com meu filho é a melhor coisa do mundo.
Cai nas asas da imaginação não tem preço...
Tudo aqui é questão de fé.
E o amor dar materialidade a tudo.
Vinicius está de férias da escola. Estou aproveitando para fazer uma atividade recorrente antes da escola.
Sair para caminhar e ver o mundo. Essa semana podemos ver máquinas e homens trabalhando na construção do asfalto das três ruas. Vimos patrol, rolos, asfalteira, caçamba e homens. Foi muito bom.
Percebi a atenção que ele deu aos equipamentos, os movimentos e aos homens trabalhando e a construção.
A gente se divertiu muito.
Por fim terminávamos o passeio na praça nova na casinha com escorregador.
Ele brincou com vários meninos.
As férias estão chegando ao fim, e já sinto saudades de dividir meu tempo com meu petit infant.
Viajamos para São Paulo.
Vinícius ficou encantado com a viagem.
Voou pela primeira vez de avião.
Viajei de avião pela primeira vez tinha 25 anos.
Imagine a minha emoção.
Agora imagine a emoção de Vinícius com 3,6 anos.
Foi maravilhoso.
Ele todo se achando no aeroporto, andando com as mãos nos bolsos.
Meu bebezinho,
Meu menino grande,
Como está crescendo.
Chegou em João Pessoa, chorando e querendo voltar.
Tanta coisa boa num fim de semana.
Bem, a vida vem me surpreendendo cada dia que vivo.
As surpresas já não são aquela coisa que nos impressiona...
Infelizmente parece que o mundo deixa de ser surpreendente com o tempo.
Se a gente permanecer na nossa zona de conforto.
Ontem foi noite de São João,
E a noite foi de frio e chuva,
Acendemos a fogueira
E a madeira queimou todinha,
Toda lenha virou cinza,
Veio pra cá Genildo de tio Dico
E a família,
Vinícius queimou bombinhas
E foi maravilhoso.
Nós Begue, Eu Rubens, Dayane e Vinicius
É tarde,
Choveu de madrugada,
De manhã neblinou,
Fizemos a fogueira sob nuvens, frio e chuvisco.
Fomos quebrar milho,
Depois de tomar o café,
Arrancamos macaxeira na roça,
Em casa descascamos,
Rocei as palmas,
Catei pinhas,
Comemos goiabas,
Depois sentamos para comer macaxeira,
Conversando,
Dividindo nosso tempo,
Almoçamos galinha caipira,
Aqui estou pensando na eternidade.
As casacas de couro cantam ali,
Com sua pena cor de jibão.
Ah, nesse momento papai vive
No canto eterno,
Na memória eterna.
Nesse dia ele e eu preparavamos uma fogueira,
Tinha bolo.
Sob o céu nublado cantam os piriquitos e pacuns,
Os vemvem cantam nas Pinheiras,
Eterno momento...
Agora.
Acordei de madrugada,
Que coisa bela pude ver,
A luz da lua cheia inundava o céu,
Vi quatro pontos no escuro da sala,
Mas apenas três eram reais,
Um era um reflexo no espelho.
Minha alma se encheu de felicidade.
Depois amanheceu e o céu ficou azul.
Por acaso, hoje, brincando com Vinícius ele com a sanfona e eu com o vialejo ou gaita.
Recordei de uma passagem de minha vida, quando ainda morava em Serrinha, era adolescente.
Na casa de tia Nina ou vovó, João de Lorival, meu primo havia presenteado um parente com um vialejo.
E contente o rapaz tocava alegrando o lugar. Senti dor daquele moço por não enxergar.
Nunca parei para pensar o mundo sem perceber a luz, as cores as formas. Nem consigo fazer isto,
já que tenho mais de metade de minha consciência associada a imagens.
Entretanto tenho inúmeras memórias associadas aos outros sentidos.
Outro dia, estava pensando em pessoas que conheci com deficiências, mas que superaram.
Se acostumaram ou não tinha uma consciência para além.
Aquele moço que vivia sem conhecer a luz.
Sentia o mundo só pelo som, pelo tato, pelo cheiro e pelo gosto.
Sua mente deveras desenvolvera uma consciência, distinta de quem é provido de todos os sentidos.
Ele tocava o vialejo com alegria, animado com a gaitada de João e de suas palavras agradáveis.
As palavras nos tocam, quando as conhecemos, quando tem um sentido...
Nas palavras ouvidas havia agrado.
Na maior parte do tempo, na sua vida, aquele jovem só escutava o silêncio.
Talvez o som dos pássaros, do fogo, da panela cozinhando,
O cheiro do café,
Da comida.
Quem sabe...
Quem eu sou?
Não sei ainda, mas nessa busca, aprendi algumas coisas.
Pelo menos já sei quem eu não sou.
A busca tem que ser paciente e despretensiosa,
Como quem não quer nada.
Tem que aproveitar o máximo possível de tudo.
Muitas emoções tentarão te dominar,
Alguns sentimentos tomarão conta de ti.
Seu ego falará mais alto nestes momentos.
Não vai ser fácil se desapegar do seu ego,
Não vai ser fácil se desapegar...
Não vai ser fácil entender que não tens nada, não és nada.
É respiração, pensamento, apego e desejo,
Que com o tempo vai se enfraquecendo,
Algumas vezes terão aqueles que te mostrarão um caminho,
Não será fácil.
Estes tiveram uma consciência expandida...
É uma longa jornada, se tiveres sorte.
É uma jornada.
O caminho é a totalidade de todas as coisas, dizia Lao.
Temos muito a apreender
Com a intuição e com a razão...
Entender que tudo é ilusão.
Desta terra, deste meu torrão,
Com braço forte e minha mão,
Do suor do meu trabalho
E da graça de Deus ao nos abençoar com a chuva,
Vou me renovando e ano a ano,
Envelhecendo,
Minha existência vou deixando.
Daqui nada tenho,
Cheguei sem nada
Sem nada partirei...
Vim aqui me fiz.
Tá quase na hora de partir.
Consciência!
Pensamento de pensamento,
Razão.
Representação.
Signo e significado.
Objeto e sujeito.
A informação que nasce na imaginação e permanece viva no outro.
Algo como a imortalidade.
Hegel fala de três figuras da consciência,
Sendo estas certeza sensível, percepção e entendimento.
A certeza sensível aponta como fonte de saber o objeto, ou "em si"
A percepção aponta a como fonte de saber o sujeito,
Ambas provém do universal condicionado aos sentidos,
Enquanto o entendimento, provém do universal incondicionado, do suprasensível...
A consciência que existe de maneira natural vai cada vez mais se ampliando,
Para bem ou para mau...
Sabe lá.
É algo por ai.
Um dia tomei consciência e algo acendeu em mim...
Consciência é sempre retardada...
Consciência é a apreensão de um sentido.
É preciso ter cuidado para não cair no infinito que é a totalidade.
Entre tantos jardins do mundo onde florescem plantas,
No nosso jardim nossa planta floresceu,
Entre tantas plantas belas encontradas nos jardins,
No nosso jardim tem cactáceas,
E uma espécie de cactácea,
Floresceu ontem,
Floresceu quatro lindas flores,
Foram flores grandes, alvas e perfumadas.
No almoço, percebemos que os botões estavam enormes e lindos,
E esperamos sua antese que é noturna,
A noite, cerca de oito horas,
As quatro em sincronia foram desabrochando lindamente,
A mamãe do Vinicius que viu e nos chamou.
Quatro flores,
Os quatro firmamentos,
Quatro cantos do mundo,
Quatro pontos cardeais,
Foi algo realmente sublime, para nós,
Flores florescem todos os dias e noites,
Mas eram exatamente quatro flores,
Com uma corola radiada enorme,
Com estames numerosos,
Com um estigma estrelado...
Ainda essa semana o sapatinho de anjo floriu,
Mas não tinha a mesma graça,
Sabe lá.
Talvez para o tesourinha algo maior foi o desabrochar do sapatinho,
Pois veio visitá-lo e tomar o mijo da flor...
Isso me fez lembrar quando nascia um bebe em nossa comunidade,
A gente ia visitar e tinha o mijo do menino.
Que eram licós preparados para as visitas.
Eu amava... era muito gostoso.
Essa mesma planta floresceu,
Na véspera que estávamos para descobrir
Que Vinícius ia chegar.
A mamãe já estava com ele na barriga.
Gerando...
Após três anos...
Vinicius feliz querendo uma flor.
Foi aguar as plantas.
Sei que o que busco não encontrarei.
O que busco é satisfação,
O que busco é prazer,
O que busco é felicidade.
O que busco está no devir,
Não está no deveio.
A consciência está sempre aquém do agora,
Por vezes do aqui.
A consciência está aonde?
Nunca estarei pleno.
São dois os sistemas de conhecimento um intuitivo e imediato,
Outro racional e mediato...
Onde alinharei os dois?
Se para ser, sou apenas memória,
Estou sempre no passado...
Estou sempre absorvido em algo...
Plenitude o que é a plenitude?
Espaço e tempo... causalidade...
Sucessão e extensão...
É tarde, pós-meio dia.
Um bem-ti-vi vocaliza seu som vazio.
Eterno momento.
Onde sou, estou...
A tarde cai,
Junho acontece,
Colorido de bandeiras,
Alegre de sanfona, zabumba e triangulo...
Sete cores,
Sete notas musicais...
Consciência dupla...
Tripla...
Consciência que nasce do milho,
No cheiro da canjica e da canela,
No doce açúcar da canjica...
No milho cozido a sal,
Na pamonha com queijo.
Na palha verde cozida de amarelo.
Meu Deus.
Tudo numa coisa só.
O vento frio de junho chegou,
Outra estação,
As árvores estão perdendo as folhas agora,
O céu azul,
A luz intensa,
As flores brancas do jasmim.
Parece tudo tão eterno.
Eis que um dia a gente toma consciência que tudo é passageiro.
Algumas continuam a ser o que são em seres novos...
Gerações que se sucedem.
Alucinados em nosso ego,
Cremos que tudo vai continuar sendo o que é...
Hoje mesmo, cedinho ouvi um sabiá cantando.
O que me fez lembrar de uma das últimas conversas que tive com mamãe.
Sentados em frente a nossa casa, já sem papai,
Enquanto ouvíamos um sabiá cantando na aroeira.
Ela disse que só lembrava de vovô José, do sítio de fora.
Da infância.
Muito poético de doce não.
Tia Chagas eu ser questionada sobre como mamãe era quando bebe,
Ela disse que era bem fofinha.
Tia Chagas tinha memórias de mamãe que nem mesmo mamãe tinha.
A semelhança física de mamãe com tia Chaga é assombrosa.
Conheci Chiquinho que lembrava de mamãe quando criança.
Quando me olho no espelho, vejo muito de mamãe em mim
E de vovó Sinhá também.
Como sei, porque eu as olhei de perto.
Eu as intui.
Papai e eu éramos de poucas conversas,
Mas amava está ao seu lado e isso me permitia perceber o seu ser.
Outro dia, meu irmão falou que papai foi com ele a Canindé pagar uma promessa,
Pois papai havia tido um problema na perna quando criança.
Que coisa.
Eu, notava que papai tinha um lado maior que outro...
O nosso corpo é o nosso ser.
Ser é conhecer.
O ser antecede o conhecer.
Fernando Pessoa sabia disso... quando disse eu podia viver tudo isso, sem ter nada disso.
Nesse momento.
Deverá está se passando na sua mente.
Como assim... o que ele está querendo dizer com tudo isso.
Nada. Aqui é um monólogo.
O vento frio de junho...
A noite dormida além do tempo esperado.
Aqui e agora,
A existência e o ser,
O corpo e a alma,
Matéria percipiente,
Percepção,
Cinco sentidos,
Cinco consciência,
E a sexta consciência, nascida da mente,
Via pensamento...
Todo pensamento é um ato de consciência.
E o que somos se não consciência.
Consciência é a apreensão de um sentido.
Consciência nasce na mente,
Nasce no pensar...
Nasce na vontade,
Entender a totalidade de tudo é impossível,
Entender a totalidade como uma categoria
É uma forma de aceitar os mundo, os entes, os objetos e o eu.
Já que tudo é consciência.
Já que a consciência é intuição mais razão,
É a soma do real com o imaginário,
É percepção e entendimento.
Consciência é a relação do sujeito com o objeto?
Está para além...
Ficar aqui,
Ficar aqui e agora,
Na luz,
Na intuição,
Longe da sombra,
Longe do pensar...
Fracionando a consciência ao concreto,
Ao real...
O abstrato pode esperar pela experiência segundo Kant.
A realidade, aqui e agora,
O conhecimento da realidade começa na experiência e nela se acaba.
Aqui e agora... Como professavam os orientais, o buda,
Como pregava como canal Allain de Watts e Helena Blavaski...
Sinto a presença de papai,
Sinto a presença de mamãe,
Em mim.
Um dia um amigo me falou que carregamos um pouco do outro que entramos em contato.
É verdade.
Isso é aprender...
Conhecer via espírito, via alma...
Tomar consciência de mundo.
Já que a consciência é uma ação retardada...
Aqui e agora.
Eu sou o meu universo.
Toda a minha vida está conectada ao meu corpo.
Todas as minhas experiências se deram em meu corpo e no meu tempo.
Sou o que pensei ser,
Sou o que acreditei,
Sou o que cultivei,
Sempre quis o melhor,
Mas não sei se bem julguei.
Tudo em mim ou em nós se dar no tempo e no espaço.
Não sou eu,
Sou o que vivi...
Quanta ilusão.
Sou o que aprendi a me condicionar.
E a vida é essa longa ou curta vida por
Consciência...
Impaciente quer tudo.
Ler, refletir, ouvir, escrever.
Olho um quadro de papai, uma foto de papai e mamãe e os meus sobrinhos.
Olho um guia de bolso de aves,
Mexo num cubo-mágico.
Quero tudo e não tenho nada.
Desligo o celular.
Agora o computador.
Até longo.
Agora mesmo não sei de onde me veio uma memória árida.
Das minhas caminhadas no final de 2018.
Um relógio de pulso.
A estrada árida,
A vegetação cinza.
O dia se tingindo de encarnado como brasa
Em fogueira de são joão no quebrar da barra,
Tornando-se cinza e por fim o escuro da noite.
Nem sabia eu que papai e mamãe anoiteciam.
Em menos de dois anos...
A quem interessa essa referência.
A ninguém.
Tudo é consciência.
É preciso saber disso aqui e agora.
Tudo é aqui e agora.
Consciência é a apreensão de um sentido.
Passamos a vida buscando consciência,
Externamente ou internamente.
Terça-feira, dia 05-06-24,
estava na livraria quando me dei conta.
O que busco nessas estantes, um livro para me preencher,
Um livro que dê sentido a minha vida.
Semana passada falando com um amigo meu Itamar Nobrega,
Quem me apresentou o rappa,
E ele me apresentou um cantor que não foi a primeira vista algo que me preenchesse.
Mas foi assim também com o rappa, minha consciência musical é tardia.
O que me dei conta foi disso.
Vivemos buscando um sentido.
Na livraria leitura, em Natal.
Compreendi que nada que eu comprasse ali me daria um sentido definitivo.
Só estou comprando dopamina.
Tenho buscado a muito tempo.
Mas encontrei a Jesus em meio a filosofia bruta, sim pois me refiro a Hegel...
Tudo é consciência e a minha consciência é tardia...
Tenho me apressado em encontrar minha consciência plena.
Nessa busca, incessante que consome nosso bem maior, nosso tempo de vida.
Perdi meus avós, tios e pais.
Agora só tenho meus irmãos, mulher, filho e amigos.
Que aos poucos vão sumindo, desaparecendo.
Quanto antes melhor.
Consciência.
A consciência é a apreensão de um sentido.
Todo pensamento é um ato de consciência.
Em, Eclesiastes 7, Salomão fala que é melhor ir a um velório que a uma festa.
Hum...
Ao saber do conhecimento direto ou intuitivo,
Guardo tempo mais para a flor que para o poema,
Para o por do sol que para a música,
Bom e a trinca...
A completude que se dá no três...
Paciência.
Tivemos a agradável visita de meu irmão Rosembergue esta semana.
Foi muito rápida, mas deu para fazermos várias coisas juntos.
Passeamos bastante.
Fomos na praia de Cabo Branco,
Na estação Ciência,
No Farol de Cabo Branco e no recando do paraíso,
No Santuário da Penha,
No Centro, no mosteiro de são Francisco,
Na peixada do Amor e por fim no por do sol do Jacaré.
No fim, "a imortalidade está na memória dos outros e na obra que deixamos". Borges
Foi o que Borges escreveu a exatamente 46 anos atrás.
É tão bom ler Borges. Seus textos fazem a gente sentir que escrever é fácil. Não fácil, mas belo.
A gente se encanta.
A gente se encanta com a habilidade de fazer o belo.
Uma voz de um criança a cantar,
Uma mão ao desenhar,
Um objeto ao ser confeccionado.
Uma equação sendo deduzida.
A gente ama entender,
A gente ama aprender.
A gente vive querendo preencher-nos de fora.
Quando precisamos enchermos de dentro.
Imortalidade...
Percepção... sentidos, externo.
Pensamento, entendimento... suprasensível, interno.
Hoje, o sol brilhou de manhã.
Um café muito especial, meu irmão mais velho está aqui com a gente.
Acordamos, formos comprar pão.
Tomamos café e fomos a praia, a estação ciência, ao santuário da Penha.
Nos divertimos bastante.
Rimos,
Brincamos,
Oramos.
Um dia deveras especial.
Fazia muito tempo que não tínhamos um amado conosco.
Fases,
É fácil saber que a gente vive em fases.
Como as plantas que são regidas pelas estações.
Somos regidos por algo a que estou chamando de fases...
Agora, algo bom toma conta de mim.
Não sei o que é mas estou aproveitando.
Tá Valendo.
Tá valendo.
Chico, faça um café!
Só vou fazer porque vou tomar.
Sentados na área esperando o tempo passar.
Entre um balanço e outro.
Entre uma conversa e outra.
Crego passava com o cachorro rajado e focinheira.
Sempre parava para conversar algo do cotidiano.
Pessoas comuns falam do cotidiano.
Aquele tempo era eterno.
Olhando as palmas, os cajueiros, as mangueiras...
Bocejando.
Sem nada esperar.
Vida boa é assim não se espera nada.
O vento sempre ausente,
A luz quente se esvaindo no calor termo junto desde a manhã.
As vezes, papai ia comprar pão...
Como é bom comer de bucho cheio.
Um pão doce!
Coisa doce tem a força de agradar a alma.
A gente e as nossas ilusões...
Ilusões de tempo.
É o combustível.
Ou a ilusão.
O combustível da vida são os nossos corpos, nossos músculos, nossos desejos...
Vamos nos consumindo, como o fogo consome a vela.
Como se faz linguiça se utiliza de várias partes de carne...
Assim vou enchendo esse texto com várias coisas...
Dando movimento,
Pra ver se rende algo.
Mas no geral não se rende nada.
Cada um tem o seu juízo e segue os seus valores.
O que nos diferencia são os nossos valores.
Vamos conduzindo nossas vidas.
Porque o caminho é a totalidade de todas as coisas.
Eu continuo por aqui...
Papai e mamãe estão em fotografia...
Eeternus.
Tudo é tão rápido.
E nem percebemos que o tempo está a passar.
Estamos alienados por nossos desejos.
Querendo sempre avançar...
Ora para conquistar,
Ora para se livrar.
E o medo nos angustia.
Nunca conseguimos está pleno no espaço e no tempo.
Ora estamos no espaço, mas não estamos no tempo.
Ora estamos no tempo, e não no espaço...
Meio a meio,
Meio termo.
Intuição e reflexão.
Imediato e mediato.
Chove sem parar,
Antes de amanhecer
A chuva começou a chover.
Céu nublado e prateado,
Aqui protegido, é gostoso ouvir a chuva chover.
Fernanda, a aroeira está bem.
E chove.
Amanheceu,
Manhã dominical de sol dourado radiante em um céu azul.
As ruas ecoam o seus barulhos matinais.
Nos quartos ressono, descanso.
Alguém como eu que não dorme tanto,
Se entretem ouvindo, vendo, sentindo e desejando.
Um café, fazer algo no silencioso momento.
Tic-tac soa um relógio.
Tac-tac voa um pombo.
Em nome do pai, do filho...
Bom dia 🌹
É sábado, meu dia favorito.
Acordei cedo, levantei a pouco,
Tomei o meu café.
Aí vim sentir a chuva.
Ver este espetáculo.
Sol e chuva,
Luz e sombra,
Quente e frio,
Seco e molhado.
O brilho multiplicado nos pingos aderidos aos fios.
A luz tremendo, correndo com a água escorrendo.
O verde viscoso, brilhante nas plantas da sacada.
O cheiro de chuva,
O frio da chuva,
O silêncio universal da chuva.
O pio do bem-te-vi recolhido,
O bemtivizinho,
A chuva choveu...
O céu azul ou,
Enevou.
Hoje é primeiro de junho de 2024....
Aqui é João Pessoa esse lugar magnífico.
Pronto
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...