14/03/11

Consciente

Quando acordo e sei quem sou,
as vezes é tarde,
coisas que podia imaginar,
mas nunca imaginei,
nem sei,
quando acordo e sei quem sou,
não sei se estou sonhando,
não sei se sou,
soa o vento
sempre a mesma melodia,
as vezes me vejo sonhando,
e acho que sou,
mas as vezes penso que acordo
e não sou,
não sei.
Quando tiver consciência
de quem sou,
ai quem sabe serei,
sempre eu,
ou nunca serei
nada.

No blue

Olho para o céu azul
e o vejo tão distante,
fico olhando tal qual
quem encara o espelho,
e busca olhar neste olhar,
encontrar algo que possa me decifrar,
e tento ao mirar o céu
tocar no azul, deixar lá o que me deixa blue,
e ao encarar o céu, tento me ver,
sentir a quão sublime é a vida,
penso numa poesia,
talvez seja vazia,
olho para dentro de mim,
e o distante que vejo,
é um abismo tão profundo,
nada encontro,
me encontro,
pleno de minha consciência,
pleno em meu ser,
sinto vontade de rir,
como é bom existir,
apesar dos dramas da vida,
o céu é sempre azul,
as nuvens e as estações
são quem fazem moda,
o vendo que tudo muda,
mas o céu é sempre azul,
vou tentar não ser mais blue,
vou tentar ser sempre azul.

Cores e formas

As cores e formas que vejo,
me enchem de desejo,
e num leve lampejo,
nada mais vejo,
se fecho meus olhos,
sinto os cheiros,
ouço e sinto a brisa chegar,
as cores acendem em minha mente,
a imaginação,
mostram-me as formas,
desvendam o mundo,
faz surgir em mim ideias,
as cores e as formas,
me dizem tantas coisas,
as leituras, as reflexões,
vejo por um terceiro olho,
o que memorizo das cores,
das formas,
o olho da criação.

Consciência

Consciência
não é ciência,
mas está a par, ciente de si,
da própria vida, dos valores,
buscas e interesses.
A consciência requer uma experiência,
paciência e até ser atingida.
Algumas pessoas passam pela vida
sem ter consciência de si.
Essa busca muitas vezes
pode durar por toda a vida.

Erva mate

Sou nordestino e não nego isso pra ninguém, mas depois que vim para o sudeste, São Paulo, não deixei de ser, nem nunca deixarei, mudei sim meus hábitos, apesar de carrego no peito o orgulho de minha história, meu sotaque, minha essência. Dentre as muitas coisas que aprendi a gostar foi de chá. Adoro tomar chá principalmente de for de erva mate, sem açúcar. Bem a um certo tempo em uma viagem que fiz ao Mato Grosso com sulmatogrossenses, que são viciados em mate gelado que tomei e aprovei que tem um nome o tereré, confesso que não conhecia já havia visto na novela Pantanal os pantaneiros tomando algo numa cuia feita de chifre algo que desconhecia, nunca vi nenhum adulto de Serrinha falar sobre a tal bebida, eles bebiam o tereré que para quem não sabe é erva mate com água gelada. Os sulmatogrossenses falam que tereré não é chá, é tereré, os gaúchos dizem que é chimarão paraguaio. De forma que naquela viagem aprendi a beber a tal erva e em viagens ao Mato Grosso do Sul selou meu novo hábito. Sinto que é prazeroso sentar e tomar um tereré, ouvindo o rádio e pensando na vida. Relaxa a alma. Certa vez quando fui a Dois vizinhos comprei quatro caixas, acho que a dona do estabelecimento achou que era doido, expliquei que morava longe e onde morava não tinha a erva, a mulher sorriu. Bem como não tomo café, aprendi a beber mate gelado. Tenho um professor que gosta de me insultar, pois toda vez que chega na sala onde estou e ver minha cuia, olha com um olhar de peru e fala, esse povo do nordeste tomando chimarrão. Só rio soslaio. Ponho a água na cuia de mate e tomo. Assim segue todo dia.

13/03/11

Rua no domingo

A rua vazia dizia,
que era domingo,
que era fim de semana,
nada passava,
nada vivia,
na rua vazia,
nem cachorro passava,
alguns tinha,
mas naquele dia,
nenhum latia,
a noite veio,
e tapou tudo
de escuro.

A aranha

O dia nasceu e a aranha já estava lá no banheiro, tinha tecido uma bela teia, talvez tenha agarrado alguma presa na noite anterior, não sei, mas seu dia não seria mais o mesmo. Acordei cedo, abri a janela e vi que precisava varrer o quarto, então fui ao saguão da cozinha e pequei a vassoura, varri o quarto e fui varrer o banheiro. Ela estava lá no canto, atrás da porta, então quando fui varrer a sujeira a teia veio junto e ela saiu andando atordoada. Não percebi mais sua presença.
Agora a noite quanto fui tomar um banho vi que ela estava afogada na água. Aquela aranha apareceu no meu banheiro ou seria que eu estava na sua teia, não sei, não a matei, mas seu corpinho estava em sua teia. Sei pouco sobre as aranhas, creio que não saiba nada sobre mim, nem travamos um dialogo, nada sabíamos um sobre o outro, nos ignorávamos e agora eu sou e ela não, deverá está no paraíso das aranhas agora e seu corpo sobra. Lembro de ver seu corpo andando, parecia ter molas nas pernas, tremia para andar. Parece que conhecia ela de outros tempos. Quando era pequeno, lá em casa, nã tinha eletricidade, nem chuveiro, tomávamos banho de bacia e no banheiro tinha um grande tanque cheio de água para o banho e sobre o tanque aranhas da mesma espécie faziam suas teias. Gostava de mexer com elas e vê-las andando. Elas pareciam não se incomodar, pois por mais que mexesse com elas, sempre estavam lá. Importunei-as tantas vezes. Mas não matava uma sequer, achava o ato de tirar a vida muito brutal. Então o tempo passou, muito tempo e hoje apareceu uma linda magrela aranha, tão logo apareceu, desapareceu. Acho que somos assim.

Sou

Quando o sol nasce, parece que nasço junto. Levanto e começo o meu dia. Às vezes tenho alegria ou não simplesmente acordo para mais um dia. Não sei o que acontecerá neste dia, mas na melhor das hipóteses nunca acredito que vai ser um bom dia, uma oportunidade de viver mais, então penso quem sabe amanhã poderá ser melhor, o pessimismo me persegue. E assim saio de casa dando minhas primeiras pedaladas, muitas vezes minha bicicleta range, quando não está chovendo é o melhor dos transportes, seguindo para o mundo, desconhecendo o que vai acontecer, muitas vezes me surpreendo com a beleza do aurora, sei lá, mas se acho algo valioso tenho uma sensação de felicidade. Se sou cumprimentado ou simplesmente cumprimento alguém e sou correspondido sinto que o dia vai ser bom. Muitas vezes me satisfaz ver uma flor em antese, um inseto mudar de quitina, uma vez fiquei feliz de ver uma cigarra em exsuvia, ou mesmo quando acho fungos numa fruta ou num pão a sensação poder ver numa lupa aqueles micélios é muito boa, gosto também de passar de bicicleta sobre tampas de bueiros, adoro ouvir aquele som abafado. Bem mas na maioria das vezes estou ouvindo rádio, uma das minhas grandes paixões, ouvindo o jornal, que por sinal só traz más notícias. Geralmente tem notícias frescas de casas de abusos praticados por políticos, homicídios e até catástrofes. Estes fatos foram banalizados, o pior é que elegemos pessoas para nos fazerem de idiotas, fico indignado só de pensar, mas enfim, tento fazer do meu dia melhor mais positivo, leio os jornais, algumas colunas favoritas, tento fazer o meu trabalho que tem me dado muita preocupação, desfruto da alegria de ter bons amigos que realmente acredito serem bons amigos, almoçamos juntos. A tarde muitas vezes são fagueiras e quando volto para casa tento vou ler. Tento manter uma certa disciplina que é muito difícil pois sou muito disperso. E assim são meus dias aqui em Campinas.

12/03/11

Tarde

A tarde a chuva passou,
o solo secou,
as briofitas lindas estão
cheias de esporófitos,
os fungos surgem,
e a tarde linda, limpa
seca suas ruas,
as pessoas ficam
excitadas, saem de suas casas,
pra passear, caminhar ou sei lá,
a tarde linda é
brindada com a beleza,
da natureza calada.

Manhã

Hoje amanheceu, nublado, chovendo,
a luz invadiu as frestas da janela,
e verde a acacia rutilavam suas
folhas molhadas.
Fiquei quieto ouvindo o chuva,
suando das telhas, das calçadas,
pingos indefinidos, mas harmoniosos,
e choveu, choveu muito,
toda a manhã foi fresca,
umida, molhada,
fiquei quieto,
não quis me levantar,
nem queria acordar,
mas o hábito o fez.

Abri a janela,
deixei a brisa entrar,
deixei a chuva cantar,
essa manhã foi plena,
só minha, vivi-a intensamente.

Sabedoria

Quero beber da fonte da sabedoria,
e neste dia, poder ensinar o caminho,
a todos meus vizinhos, e ao mundo inteirinho,
já sei que ela existe, faz parte da natureza,
é a explicação para a natureza,
é a beleza, a compreensão, a razão e a fé,
as vezes acordo e penso se ela realmente
pode ser bebida, acredito que sim,
mas saciado o desejo isso jamais,
bebemos e sempre sentimos sede,
mas onde fica fica essa fonte,
está no tempo? está nos livros,
está na mente de pessoas vividas?
Nestas vezes que acordo e penso
sobre ela sinto-me miúdo,
penso no mundo, e depois
olho para o meu mundo,
me vejo fora do mundo,
mas como se existo,
estou neste mundo, tomo consciência
do que sou.
Quero beber desta fonte,
para que possa eternizar os meus dias,
para poder fazer poesias,
acredito no que falou Epicuro,
a felicidade está no conhecimento,
que leva a fonte dela,
da sabedoria que é vadia,
plena e está em todo lugar,
nas formas, nas paisagens,
nos sons, nas cores, nas texturas,
onde há homem pode ela se expressar,
será apenas humana ou divina?

Quem sabe? Quero tragá-la, bebê-la!
Mas onde está a sua?
A minha já encontrei, só me restará
o tempo de vida para consumi-la.


11/03/11

Sentimento natural

A música acalma a alma,
encanta totalmente a mente,
prende e atem a atenção,
quer olhando o céu ou o chão.
A música desperta tudo quanto há de beleza,
a mim falta a destreza,
resta ouvir, contemplar
e deixar a música libertar a alma,
e fazê-la viajar.
Não sei o que dizem as músicas,
Apenas ouça,
Contemple e se emocione.



Olho para o céu estrelado,
vejo o brilho a anos irradiado,
vejo o silêncio escuro da noite,
e as estrelas a brilhar,
feito fogueiras a flamejar,
quão vasto é o céu,
infinito parece o espaço,
e o tempo perdido
entre rotações terrestres.
Olho para o céu,
um céu sem véu,
escuro, estrelado,
olho e tento me encontrar,
tal qual o céu minha mente,
nada consigo decifrar,
nada consigo imaginar
e fico assim a contemplar,
a beleza divina,
neste momento converso com Deus,
ouço o canto das estrelas,
ouso o vento sussurrar,
meu peito a pulsar,
os ares trazem o sono
então mergulho nos meus sonhos.
boa noite

Apenas memórias

Muitas coisas já não existem além de lembranças na mente.
Pode ser que algo se encontre em outras mentes,
Mentes daqueles os parceiros de caminhadas
E  seguiram suas próprias estradas.

 Como num sonho encontrar algumas memórias, 
Que despertam a toda hora e me faz pensar,
Pensar no que perdi,
As vezes me faz querer reviver algo que não vivi.

 Algumas canções fazem minha mente despertar doces memórias,
E me faz viajar para a infância,
Para minha primeira casa, 
Meus irmão muito jovens,

Meus pais ainda tinham cabelos brancos e muita esperança.
Tinha a gente para criar, educar...
Tempo em que as estações passavam sem deixar marca, 
Parece que o tempo não passava, 

Queria tanto ter quinze anos,
E agora o dobro já se passou. 

Saudoso!

Viajo no tempo e aos poucos relaxo
Desperto!
E volto lentamente a vida normal.

Blue

O céu azul, todo blue,
o sol a brilhar,
nuvens claras,
numa sexta feira blue,
aqui tudo azul,
mas no Japão estará?

lá o mundo está
ao avesso, o mar
invadiu a terra,
chamas, lamas,
é um dia blue,
tão distante,
tão próxima,
aqui o sol brilha,
o céu está azul,
lá o dia está blue.

10/03/11

Percepção versus razão - estética

Onde está a beleza?
Está numa flor,
numa obra de arte,
num por do sol,
numa noite de lua,
numa noite estrelada,
num horizonte do mar,
está numa canção,
no riso feliz,
na estética,
na simetria,
na química, física, matemática, quiçá na biologia,
nas curvas humanas,
na sabedoria.
O que é a beleza?
é uma flor
é uma obra de arte,
é um por do sol,
é uma noite de lua,
é uma noite estrelada,
é um horizonte do mar,
é uma canção,
é riso feliz,
é a estética,
é a simetria,
é a química, a física, a matemática, quiçá a biologia,
são as curvas humanas,
é a sabedoria.
E o que é o belo?
Cabe a cada um julgar o que é belo para mim esses predicados são formas de beleza e talvez a beleza seja algo subjetivo, mas seja muito além, talvez seja cultural.
Nem todas as flores são belas, algumas são esteticamente assimétrica, mas teleologicamente atingem seus objetivos quando é fecundada e produz frutos e sementes.
Para entender certas obras de artes é necessário fazer uma leitura da mesmas, sem esta o que é arte para uns é algo indiferente para os outros.
Nem todos por do sol é igual, existem os mais perfeitos, mas por motivos peculiares são tristes, frios desprovidos de interesses. O mesmo acontecendo com as noites plenilúneas e estreladas.
Muitas pessoas já se perderam no horizonte do mar, muitas vidas por lá ficaram.
Nem toda canção nos faz feliz, nos traz tristeza, pra mim muitas canções me angustiam.
As vezes sorrimos porque chorar vai mostrar nossas fraquezas.
Todas as coisas quando humanizadas ganham um sentido, o belo talvez tenha sido humanizado ao extremo e quem sabe um dia não o banalizemos.

Chuva reminiscentes

Uma semana que não parou de chover,
os fungos voltaram a reaparecer,
com seus corpos de frutificação,
anunciam a estação do verão,
alta umidade, calor, chuva,
neblina todo fim de tarde,
e as águas escorrem rua abaixo,
lavando telhados e calçadas,
 é chuva de verão,
lá no sertão chuva é coisa divina,
quando chove tudo agradece,
os sapos cantam, as plantas agradecem,
logo estas florescem,
o solo molhado, formigas e cupins criam asas,
e voam pra copular, e alimentar os passarinhos,
ou para povoar um novo lugar,
quando era fim de tarde que chovia
sentia aquela alegria,
tomava um café, e depois logo vinha o jantar,
a lenha lascada guardada, alimentava
o velho fogão a lenha que aquecia a cozinha,
e logo que caia a noite,
a natureza recolhida,
fazia aquele frio gostoso,
a chuva se recatava,
e nos todos felizes estávamos
por mais um dia, mais uma chuva
cheios de esperança da chegada de dias melhores.

Espatodeas de janeiro

No mês de janeiro
é verão, caem as chuvas,
floram as Murraias com suas
folhas verdes e suas flores alvas,
floram as espatódeas com suas flores encarnadas,
e no fim da tarde, quando cai a chuva,
as vias e as estradas ficam todas molhadas,
caem as flores de espatódeas pelo chão,
molhados o chão,
o chão vermelho das flores campanuladas
flores próximas ao pé de limão,
vermelhas parecem incendiar o chão,
e por ali caminhar com é gostoso,
passar sobre as flores macias
de espátodeas que caem
por ocasião,
após a chuva,
o cheiro umido,
o viço do brio sobre os troncos,
o sol escondido, chovido,
o cheiro das murais, são poucas flores nesta estação,
logo acaba o verão,
e as quaresmeiras sempre floridas,
sempre roxas.

Hábito

Tomar o chá, terere e o que sinto? Sinto o líquido gelado amargo que refresca minha minha mente, macula meu calor, meus dissabores. Sinto um breve alívio. Meu corpo me sente bem. Ao sugar o terere, ao sentir o leve sabor amargo e gelado, minha mente brevemente se atem a sentir o sabor, se desvencilha, se desprende dos pensamentos e neste momento, neste brevíssimo momento sou pleno em mim mesmo, me sinto conformado. Não seria isso um vício? Em que isso diferencia de tragar um cigarro, um xara, um gozo numa relação sexual? Será que todo mundo não tem um vício, não seria esse momento que sentimos plena fortemente humanos? Será que todos não temos nossos vícios. E somos tão peculiares que temos fontes diferentes de preenchimento nossos desejos? Dai o conheça a ti mesmo.

Extra

Contemplo o mundo fora de mim,
a natureza cheia de beleza,
me vejo fora da natureza,
me vejo no meu mundo subjetivo assim,

o sol a brilhar, o céu azul,
as nuvens brancas,
as plantas verdes,
fungos, flores,
tijolos, prédios
e construções,

Todo o mundo fora de mim
e minha vida assim,
intenso brilha o sol,
espatodeas vermelhas,
verdes flores,

o mundo fora de mim,
o mundo caos do mundo,
e no meu mundo,
extrapolo pra sugar o mundo
além de mim,
é assim meu mundo,
é assim o mundo.

Matéria

Sei que a matéria fica,
sim ela fica, e nos
passageiros que somos
quantas vezes nos iludimos,
somos frutos de nosso tempo
e nosso tempo tem vencimento,
e a natureza selvagem continua
a rua é renovada, e o meu novo
é antigo, e o meu abrigo com o tempo
perde a tinta, cria mofo,
a nossa pele ganha rugas,
os cabelos tingem de branco,
ontem na catedral da Sé
tiramos fotos,
vi a magestade daquele templo
e a eternidade das pedras de sua fundação,
olhei para sua frente e vi
as palmeiras reais que parecem
estarem no fim da vida,
percebi a beleza das tipuanas
cobertas de microgramas,
as tipuanas adultas parecem que logo partirão,
quantas pessoas não as veem,
o que elas já não viram,
e logo essas plantas partirão,
e quantos de nos partiremos,
a praça pode ganhar uma nova cara,
mas a catedral vai está sempre lá,
então pensando como somos passageiros,
tal qual um formigueiro,
as vidas não fazem a mínima diferença
a catedral, no futuro o que restará?
o tempo e a matéria.

Algo em mim sorri

Algo sorri em mim,
apesar de sentir
e ver no próprio corpo
as marcas do tempo,
sinto que nem sempre
me sinto plenamente descansado,
vejo as marcas na pele e a falta
de pelos em minha cabeça,
quando vejo o calendário,
me acho centenário,
mesmo assim
algo sorri em mim,
é um riso tímido,
mas doce, um riso que diz
quanto já vivi,
quanto superei,
e esse riso vai se tornando
gargalhada quando tomo conta
o quanto sou ignorante e o quanto tenho para aprender,
ai vem uma intensa sede de ler, aprender e viver,
ah, viver quanto mais melhor
assim será um riso pleno,
um riso de contentamento,
que transforma em mim
o emocional em racional.
Há dias acordo e vem a minha mente,
a luz clara, da terra molhada,
e a babugem nascendo,
as plantas rebrotando,
o mundo claro, limpado
pela chuva,
que lava a poeira,
nesse momento sinto saudades,
do tempo que era
oculto, mas era,
então meu riso fica tímido,
penso o quanto caminhei,
e onde cheguei, e meu riso cala,
já não vejo as terras abrejadas,
não vejo a mata floridas,
intensamente odoriferas,
a terrinha de meu pai,
vejo que tudo se vai,
a vida,
e faço da minha realidade vivida,
breve poesia,
e enche meu peito de alegria,
e algo dentro de mim sorri,
esse riso peculiar,
que me faz viajar,
voltar para o meu mundo,
imagino um dia
poder voltar,
e encontrar a casinha
do meio da terra de papai
erguida, varrida,
limpinha, com um panela de feijão e torcinho,
e arroz, e eu na minha infância,
meus pais, irmãos,
queria sonhar e nunca mais acordar,
sabe lá,
Não sabia que a vida era complicada,
que a vida sempre segue pra frente,
e algo em mim sorri,
me leva além daqui,
e para onde irei,
bem não sei,
mas sempre levarei,
meu mundo internamente,
dentro de mim.
Algo em mim sorri.

09/03/11

Carnaval

No carnaval houve quebra pau?
houve muita dança, fui uma festança,
houve muito calor,
desejo e forte amor,
foi muito intensa a cor,
muita pele nua na rua,
morenas, claras, brancas,
de diversas faces,
mascaras, afinal
quem é quem no carnaval?
Toca uma marchinha
aquela bandinha,
e segue as pessoas jogando farinha,
eita que festa é o carnaval
que festa carnal,
avante baco, dionizo,
embreaga
esse povo, essa gente,
que vive muitas vezes
na ilusão das cores,
das danças
da vida,
é carnaval e ainda tem todo o ano,
pra sofrer
então vamos viver o carnaval.

Pensar o pensar

As vezes tento não pensar em nada, mas não consigo, de qualquer forma estou sempre pensando. Olho para o céu vejo escuro estrelado, a luz difusa, vez por outra uma brisa é soprada do pente. Então penso no meu pensar, penso no meu existir e nada me inspira não consigo pensar em algo cosmológico sim tudo permanece caótico em minha mente, tento ordenar minhas ideias, canalizar as informações que trazem meus sentidos, vez por outra vejo o brilho de minha mente, mas tão logo se apaga, penso em sistemática, filosofia, história e me enfado. Não consigo não pensar em nada, estou sempre pensando, sou um ser pensante.

08/03/11

Ser

Oras sinto-me pleno oras sinto-me vazio.
A plenitude se encontra na consciência do saber.
O vazio se encontra na consciência da existência da morte.
Há dias que acordo pleno como o sol,
e há dias que o frio da chuva e do nublado
negam minha existência.

07/03/11

Feriado

A chuva já cai a mais de uma semana,
não é chuvona, é chuvinha fininha,
neblina, mas o tempo mudou, agora
refrescou, deixou as árvores mais verdes,
as briófitas e pteridóficas mais viçosas,
até os basidiomicetos e ascomicetos
apareceram, o sol sumiu, acho que
saiu de férias.
A noite se vai,
o carnaval se vai,
só sobrará o resto do ano.

Carnaval

O que se pode esperar de um carnaval? Diversão, folia, pula-pula, bebedeira, sexo e drogas, mas todo mundo gosta disso? Não nem todo mundo é adepto da euforia do carnaval, algumas pessoas usam apenas o feriado para viajar, relaxar e descansar. Nunca fui uma pessoa que gostasse de carnaval, bem na infância ficava apavorado com medo dos pagangus pessoas que se mascaravam e saiam para amedrontar e bater nas pessoas, os pagangus eram muito comuns na cidade vizinha da minha cidade, nunca fui adepto e durante este período lembro feliz que fazíamos mascaras com meus amigos pra sair pelas ruas, nada de assustador só mágico para nos crianças. Mais tarde quando me tornei adolescente passei a ignorar completamente os movimentos, certo carnaval, eu e meus amigos juntos fizemos um carnaval no mato ou melhor saímos para acampar, aquele foi um dos melhores carnavais que vivi. Quando vaio a adolescência então entrei para a igreja e fui participar de um grupo de jovem o "Me chamaste" a partir de então meus carnavais eram todos religiosos, sempre tinha retiro espiritual, eu adorava ficar louvando ao senhor, mas quando passei no vestibular e fui embora de minha cidade, quando comecei a cursar Biologia deixei de ir aos retiros, certa vez quando voltei para casa e então fui para o primeiro carnaval profano em Alexandria, foi então que tomei cervejas, não usei outro tipo de droga além do álcool, mas aquele não foi um bom carnaval, e em seguida ainda fui umas três ou quatro vezes, mas sem magia. Depois que vim para o sudeste o carnaval para mim não significa mais nada. É uma festa distante onde posso parar um pouco minhas atividades, está com meus irmãos, descansar. Carnaval uma festa que para mim nunca existiu ou me animou. Todavia há gente que não vive sem, e assim são as pessoas todas diferentes.

04/03/11

Epistemologia

Epistemologia Excelente

Estação

A neblina cai por toda a tarde,
pingos, mais pingos formam
gotas que se junta nos
pecíolos e ráquis nus do Phyllanthus.

e os pingos caem
contando o tempo,
contando os segundos da tarde,
a chuva e a tarde caem
frescas, mudando
totalmente o ambiente,

do sol e calor,
veio a chuva e tudo apagou,
a tarde que ardia,
agora se encontra fia,
tarde de sexta feira,
sentado a uma cadeira,

vejo a chuva cair,
e a tarde a partir.

03/03/11

Pálida tarde.

O silêncio da tarde,
o silêncio do frio
me causa arrepio,
é quando a saudade arde,

distante das estrelas,
sinto meu peito puslar,
vejo a vida passar,
tudo isso numa tarde
fria e chuvosa,
numa tarde sem sol,

numa tarde em que me sinto só,
sinto meus pais distantes,
meus irmão longe,
e eu simplesmente me sinto isolado,

nem a beleza da vida me encanta,
sinto uma forte emoção,
sinto vontade de chorar,

mas não adianta
a vida é efêmera,
sabe disso a rosa,
que murcha no fim de um dia,

sabe disso quem
conta a vida em meses,
em dias,

a vida sabe ver a beleza
e o sabor da vida,
em poder respirar,
cheirar, ver
pessoas que conseguem criar
o próprio mundo,
e que trás parte deste mundo
subjetivo para embelezar a vida,
contribuindo com música,
poesia, pintura, ciência e suor,

quando paro para pensar,
numa tarde fria,
de céu branco,
uma planta nua,
que anuncia o outono,

provavelmente tardes virão,
e passarão como
numa melodia de Bach.

limpo

O sopro do vento,
ao longo do tempo,
o som do riacho,
água a baixo,
água transparente,
a areia lavada,
o calor, a textura,
do mundo, natural,
no período de chuva,
sol, luz e paz,
o sopro do vento,
o som do riacho,
agua abaixo,
radiante
o sol sorri.

Abandonado

Vive na rua,
quase nua,
a criança
sem esperança,
sem pais, parentes,
crianças com fome,
com medo,
muito cedo,
perde a infância,
desconhece o amor,
sabe o que é dor,
criança de rua,
seria tua,
e só sua
a dor,
porque lhes falta amor,
curtas palavras,
ingênuas palavras,
um palavrão,
reflete o que percebes,
crianças de ruas
sempre quase nuas,
animais marginais,
banalizados,
desumanizados,
nas ruas,
nuas.

02/03/11

Viagens

Já fiz diversas viagens onde conheci diversas paisagens, pessoas e costumes. Percebi que em cada paisagem havia uma organização, uma beleza, um complexo composto por uma diversidade de plantas, de cores, de animais, além das riquezas minerais. Os rios com águas cristalinas, as rochas graníticas imponentes com seus minerais longa e profundamente formados, os solos fundos ou rasos e horizontes de tirarem o fôlego dava-me vontade de voar, sentia uma certa liberdade ao sentir a brisa na face e o horizonte tão grande quanto o de um mar. Gosto sempre de registrar os ambientes por onde passo e dentro deste contexto as paisagens favoritas são os crepúsculos, onde o sol se punha diante de rios, palmeiras ou simplesmente no horizonte, com seu alo dourado, brindava o fim de mais um dia cansativo, mas rico em imagens e paz. Nestas viagens tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, conheci muitas e uma das mais especiais foi a Laura de riso fácil, olhar termo e solícito, sulmatogrossense de corpo e alma, junto a ela seu cunhado uma pessoa sensacional Sandro um historiador filósofo, cheio de leituras, me apresentou ao Fantástico Deleuse. Conversamos muito, achei uma pessoa sensacional e com um senso de humor maravilhoso. Conheci ainda o Leandro de Nova Xavantina uma pessoa super inteligente, mas tímido que dói na alma, de família muito humilde, mas que está vencendo na vida, estava no último ano de mestrado. Conheci também a Beatriz Marinon uma professora espetacular, extremamente comunicativa, com uma enorme habilidade de resolver coisas complicadas. Nestas viagens aprendi a beber terere, a comer melhor, a ver o outro de uma maneira mais humana, a me comunicar e ser entendido com as pessoas, a incerteza do acaso, a docilidade das pessoas simples do interior e a frieza das pessoas das cidades grandes, conheci os mais variados sotaques, as mais variadas piadas, os modos de sorrir e as diversas formas de ser.
Visto tudo isso até parece que conheci vários paises, mas na verdade conheci apenas um país, e quase me restringi a uma região, mas foi o suficiente para viver fortes emoções que ficarão marcadas por toda a minha vida, quantos quilometros eu andei? não medi. Quanto gastei? Nem sei, mas valeu a pena cada metro viajado. Quantas coisas aprendi, senti e vivi, palavras não seria suficientes para expressar, mas são importantes para se ter uma moção do que pode um ser munido da vontade de viver.

Sol

Esse sol que me alumia,
esse sol que trás o dia,
é o mesmo sol que certo dia,
brilhou para meus antepassados,
que agora estão deitados,
já não podem ser levantados,
esse sol que ao mundo
de energia alimentou
que alimenta,
que parece eterno,
tanto já inspirou,
Ra, Apolo
dentre muitas civilizações
que o agradeceram
e agradecem pela existência,
esse sol que me alumia,
esse sol que vai
e que volta,
nem vai e nem volta,
é o sol
coroado de brilho
de luz,
o sol que gerações
puderam e viram
as luzes e as cores,
é o sol
que parte a noite
e volta pela manhã
é o deus
que nos sustenta.

Chuvas

A chuva
caiu pela manhã,
pela tarde,
pela noite,
a chuva caiu
a manhã partiu,
a tarde partiu,
e a chuva caiu
durante todo o dia,
pinto,
pingo,
a chuva intermitente,
caiu todo o dia de quarta,
e mesmo assim
fez calor,
a tarde partiu,
e sumiu,
são as chuvas
de março.

01/03/11

Rosa

Seria a rosa a mais bela das flores,
seria por sua cor, a cor do amor,
a rosa e seu doce odor,
é deveras divina encantadora de amores.

A rosa vermelha,
a rosa amarela,
são todas belas,

As flores invejam-na
e rubra rosa,
canta uma melodia,
espalha magia,

e encanta aos homens,
hipnotiza-0s

estes a endeusam,
seleciona-a, cultiva-a,
és deveras endeusada
a rosa, deveras mais suave,
mais agradável,
mais humanizada
a rosa está presente
na vida humana,
a tempos,

a rosa pode não ser
a mais bela das flores,
mas deveras é a mais amada.

A carta

Certa tarde fui caminhar no parque das dunas, o sol brilhava forte, fazia calor, caminhar no parque entre e sob as árvores, num dos dias perfeitos. Pisando sobre as folhas só para ouvir o chiar das folhas secas. Então de longe percebi sobre a mesa um livro. Olhei para os lados para ver se não tinha ninguém, um possível dono, mas não vi ninguém, fui me aproximando da mesa curioso, já que adoro livros. Sobre o que trataria aquele livro? Quem seria o autor? e fui me aproximando, então quando estava quase na mesa, olhei novamente para os lados pra ver se alguém se aproximava. Não tinha ninguém, aquele livro alí abandonado ou poderia dizer perdido. Timidamente me aproximei e vi aquele livro azul com flores pintados como numa aquarela, seriam rosas, com título "As primaveras" de Casimiro de Abreu, olhei e pensei será um romance? Então abri e comecei a folhear e vi que eram poesias. Sorri por dentro e pensei acabei de ganhar um livro, então voltei para a contra capa para ver se não tinha um nome, endereço, telefone e nada, então vi que no centro tinha algo, pois sentia entumescido no centro, abri então para ver o que era. Era uma carta uma carta de amor, datada de agosto de 2003, escrita em grafite, nela estava escrito.
"Meu amor o tempo passa e não me esqueço, o dia em que lestes para mim o poema, MEUS OITO ANOS, foi tão forte, tão mágico que cheguei a me imaginar na carne do Casimiro, então desde aquele dia puz-me a decorar cada palavra, frase " A que saudade que tenho de minha infância querida.", naquele dia de chuva, nós dois passamos o dia enlaçados, eramos namorados, nos amavamos, logo depois abriu o livro e recitou aquele poema, enquanto ouvia no fundo a música da Cássia Eller, me arrepio só de pensar, mas nossas vidas tomaram caminhos diferentes, voce partiu foi para longe, em busca de algo que te preenchia e deixou em mim o vazio, escuro e frio, hoje ando pelo parque, chorando, soluçando e recitando nosso poema, ah meu amor onde quer que voce esteja, saiba que te amo.
Foi muito forte ler tais palavras, então comecei a folhear o livro e vi ali grafado todas as letras daquele poema, a quem pertenceria tal carta? Quem seria? Seria homem ou mulher? algo ou baixo? Claro ou escuro? Isso não importava, mas sim os sentimentos impressos naquele papel,
estava ali derramada uma alma, estava ali quarada em palavras a alma que tanto amava alguém.
Caminhei pelo parque para ver se via alguém, mas nada encontrei. Então segui caminhando até a portaria, o sol brilhava intensamente, as aves cantavam, o vento soprava vindo do mar e o verde das árvores reluzia intensamente. Fui até a portaria, perguntei se o guarda avistara o alguém com um livro na mão, mas ele tinha chegado para o segundo turno e fazia pouco tempo que pegara no turno. Tomei o livro e o entreguei para o guarda caso o dono resolvesse reaver. Segui para casa feliz ao saber que na alegria ou na dor, onde há o amor, o sentimento humano há esperança no ser homem.

Botrytis cinerea

Morangos frescos com o calor
criaram bolor,
Botrytis cinerea,
como neve o morango,
nevou,
depois as hifas,
cinereas em divisão,
conidiósporos
criou,
o morango mofou,
secou,
e os as hifas
enegreceram,
a matéria acabou.

28/02/11

Amor e Vida de Uma Mulher

Apesar de tudo de mal que o homem é capaz de fazer, apesar de sua finitude, os sentimentos humanos são capazes de construir coisas maravilhosas.

De Schumam

Amor e Vida de Uma Mulher


Seit ich ihn gesehen

Seit ich ihn gesehen,
Glaub ich blind zu sein;
Wo ich hin nur blicke,
Seh ich ihn allein;
Wie im wachen Traume
Schwebt sein Bild mir vor,
Taucht aus tiefstem Dunkel,
Heller nur empor.

Sonst ist licht- und farblos
Alles um mich her,
Nach der Schwestern Spiele
Nicht begehr ich mehr,
Möchte lieber weinen
Still im Kämmerlein;
Seit ich ihn gesehen,
Glaub ich blind zu sein.

Desde que o vi

Desde que o vi,
Penso que ceguei.
Para onde olho,
Só o vejo a ele.
Como num transe,
Surge-me a sua imagem,
Emergindo da escuridão,
Mais brilhante que nunca.

Tudo é escuro e sem cor
À minha volta.
Os jogos das minhas irmãs
Já não me interessam;
Prefiro chorar
Em silêncio no meu quarto.
Desde que o vi,
Penso que ceguei.

Desespero

Era sábado, acordei muito cedo, quase não havia conseguido dormi, pois estava muito ansioso, perdi tempo na noite anterior lendo, e quando acabei de fazer a mala já era quase meia noite, tomei um banho e fui deitar, demorei a dormir, naquela madrugada que tão depressa chegou, acordei antes do celular despertar, fui a cozinha, tomei um café reforçado. Fui ao banheiro tomei banho e quando já estava pronto acordei meu colega que iria me levar ao aeroporto, tão depressa levantou tiramos o carro e fomos para o aeroporto, ele ainda bocejava, trocamos poucas conversas, conversamos sobre concursos sobre a vida. A noite estava estrelada, limpa, as luzes amarelas dos postes clareavam as ruas. Bem seguimos conversando quando vi estávamos numa praça de pedágio, então meu colega perguntou se estava perto de Viracopos, a mulher respondeu que tínhamos passado a quatro quilômentos atrás, então pegamos o próximo contorno logo voltamos e então chegamos ao aeroporto que ao chegar fui logo pegando uma fila na azul, um baiano simpático, acho que passageiro de primeira viagem puxou uma conversa, mas logo teve que buscar outro guichê, então fui fazer o checkin na máquina, não consegui então pedi para a atendente que o fez tão prontamente, então fui e entrei para a sala de espera onde sentei e fiquei lendo um livro, comi uma batata com um suco, e meia hora depois ouvi a voz que dizia para enbarcar, tirei meu RG e o cartão, a mulher conferiu então segui para o avião ainda estava escuro, entrei no avião que me pareceu aconchegante, sentar-me-ia na poutrona 17 A, janela do jeito que gosto, me surpreendeu o fato de ter uma tv, muito bacana, mas o cara que estava do meu lado parece que não tinha dormido, sério que só. Então a mulher entregou fones de ouvido e o avião partiu para a pista de voo, mas passamos quase meia hora esperando o avião engrenar, algo estava errado, nem imaginava o drama que me esperava, então o avião decolou, e a viagem foi tranquila, no alto saquei minha câmera, ah se eu soubesse não teria feito, e fotografei depois guardei a câmara, mas a maldita carteira caiu e não percebi, a viagem foi tranquila, sem trepidações, a comissária serviu suco e algo que não me lembro, chegamos na hora exata, 7:30, desci do avião, começará já meu drama, peguei a bagagem, e fui ao banheiro, em seguida fui para o ponto de ônibus que estava sendo lavado, e então chegaram dois homens, perguntando se ali tinha ônibus para a rodoviária e o atendente disse que sim, então chegou um casal com gêmeas, desprovidas de beleza, perguntaram ao cobrador, então começou o drama, procurei na bolsa minha carteira e pra meu desespero não a encontrei, não vi mais o chão sobre os meus pés, voltei para o aeroporto sentei num banco e retirei todas minhas coisas, minha carteira, ah não, isso não está acontecendo, meu corpo gelou e começou a suar, minha carteira! o que vai ser de mim agora, voltei fui a loja e pedi para verificar se no avião não estaria minha carteira, mas o desgraçado da loja simplesmente passou um rádio e a mulher que estava no avião disse que não havia encontrado nada, também com 120 reais será se a mulher diria que tinha achado, pensei, então me desesperei, liguei para Ana minha namorada desesperado, pensei na prova que ia fazer, no ônibus que saia para Dois Vizinhos as 10h, então me desesperei fui novamente na Azul, só que dessa vez fui ao lugar do check in, onde desesperado contei minha situação o rapaz não se deu ao trabalho de pedir para alguém ir a cadeira onde estava sentado conferir, simplesmente disse que o avião tinha partido. Sem dinheiro, conhecido, documento estava na roça, entrei em desespero, senti fome e não tinha como comer, então liguei novamente para Ana, que ligou para várias pessoas e uma destas foi a Ju uma amiga nossa que tinha um tio em Curitiba, a negociação demorou cerca de quatro horas de desespero, enquanto isso fui ao guichê da Azul, ver se achava uma solução, então lembrei que podia movimentar a conta do Banco do Brasil pela net, fui falar com alguém de lá que tivesse conta do mesmo banco, minha ideia era fazer a transferência para a pessoa que tivesse conta e assim a pessoa sacasse e passasse o dinheiro, mas ninguém tinha, me desesperei quando tudo parecia perdido, chorei. Bem quando consegui falar com o tio da Ju ele falou que poderia me emprestar, foi simpático, então tinha que ir a rodoviaria seria lá que ele me passaria a grana, então como ir até lá, sentei num banco fora do aeroporto onde sentou uma galega e com sua mãe dela, falei do meu caso, ela teve compaixão me deu quatro reais, foi assim que consegui ir para a rodoviária, então recebi o dinheiro, as 13 h, comprei a passagem e esperei até as 22:30 para pegar o ônibus e fui a cidade. Estava tão cansado que logo dormir. No domingo a tarde minha irmão ligou dizendo que minha carteira tinha sido encontrada em Fortaleza, descansado, passei aquele domingo lendo e ouvindo música. Aliviado do dia passado.

Música

Ainda temos muito a aprender,
ainda nos resta viver,
aprender com a natureza,
aprender com a beleza,
por quanto temos que ceder,

a curiosidade,
desfazer da vaidade,
o tempo alinear,
a ciência, a razão,

temos que misturar
tudo e ser emoção,
bradar forte como o trovão,
sentir pulsar forte o coração,

homem que é razão,
a arte ensina,
a cultura empilha,
mas se não houver o homem,
toda a obra a ser usada,
toda a cultura

é lixo,
não se der ao luxo,
de viver com a razão,
sinta a emoção,
porque há muito que viver,
há muito a aprender.

Continuo

Quem disse que não há mágica?
de certa forma um maestro
não seria um mágico da natureza?
Com a batuta que mais parece
uma vara de condão,
a graça das mãos,
ordena e os músicos,
fazem seus instrumentos
soarem, oboe, flautas,
contrabaixo, violinos, violocelos,
bumba, triângulo,
suam graciosamente na
tarde que a chuva umedece,
o som suave,
a emoção,
os sentidos,
a singela vida,
a sinfonia,
a magia,
quanta harmonia.
E a mágica daquele
que gerencia
com a batuta,
as letras da música,
a tarde eterna.

Sinfonia

Sinfonia

A serpente entra e com o olhar faz todos os animais calar,
olha fixo, cada um dos animais como vítimas,
inspira e expira e anuncia, Hoje iremos tocar,
uma peça de Bethoveen, e uma adágio,
é preciso silêncio, e começa a suar,
a harmonia, mas a chuva não cala,
assim como os bichos,
carros de supermercado passam,
então viajo no tempo,
sim quantos milhões de anos
não chove na terra,
quantos milhões de anos
não banham as árvores,
volto e olho a expresão e a destreza da
serpente,
que parece dançar,
acaba a peça e
a serpente anuncia um baião,
não vai ter o adágio,
Vai ter um baião,
de quem? Só conheço Vila Lobos!
Não sei,
toque o baião, lindo brasileiro,
a serpente parece dançar,
findo o baião,
toca Sibelius,
Música pra ser tocada no silêncio polar,
que sem muita graça
toca,
e fim a serpente anuncia última peça,
como assim só três peças,
e acaba a serpente sai ondulando,
e a chuva não cala,
raios aparecem,
trovões bradam
é tarde e o céu
escuro,
o dia escuro,
dia de chuva,
e sinfonia.

Blue

A tristeza, como todos os sentimentos humanos, compõem parte de nossas vidas, está sempre presente entre nós, algumas vezes com maior ou menor intensidade. Na verdade nunca nos acostumamos e nunca nos acostumaremos, é uma condição humana. Sobreviveremos, renovaremos sempre, mas a sombra da tristeza sempre vai está presente. Cremos quando sentimos uma grande dor, uma perda, que ali é o fim da vida, mas não o é. O tempo como o vento molda dunas, apaga os rastos e aos poucos faz-nos seguir em frente. Nunca estaremos completos plenos, nutrimos sempre uma saudade por quem parte, sim essa doce sensação de ter vivido, compartilhado, nos faz muitas vezes perceber quão efêmera é a vida, faz-nos abrir os olhos para o viver, mesmo na ausência, pois está na nossas mentes presente o sentimento de ausência. As pessoas partem, as coisas não dão certo, de certa forma temos a liberdade de escolha, mas decidir por algo significa renunciar algo, isso gera angústia e isso gera tristeza, nunca estaremos plenos, ou então busquemos apagar de nossas mentes todas as lembranças. A tristeza está presente na nossas mentes, está presente em nosso ser, só o tempo pode amenizar, mas sempre há uma angústia em viver por saber que somos mortais, por isso realizamos algo, por isso vivemos mesmo na tristeza.

Moacyr Scliar


Ontem faleceu um grande escritor Moacyr Scliar gaúcho, escreveu vários livros, em entrevistas sempre bem humorado contava sua trajetória, suas paixões pelas histórias pelos seus pais, porque escolheu medicina como profissão. Esse gaúcho de origem humilde, mas que nem por isso deixou de atingir o panteão sentou na cadeira de número 31 da academia brasileira de letras. Tomei contato com o autor no programa sempreumbompapo, onde fiquei encantado a primeira vista. Não tive a oportunidade de ler seus livros ainda, mas certamente está na lista de prioridade. O Brasil perde um dos grandes escritores. Soube que ele muitas vezes era convidado e ia as escolas dar palestras incentivando a leitura. Esse brasileiro é um guerreiro e um herói no nosso mundo, será imortalizado. Vai em paz Scliar.


“A literatura não pode mudar o mundo, mas a minha geração achava que sim. Da mesma forma como acreditava a geração de Jorge Amado, Graciliano Ramos e Raquel de Queiroz. Em todo caso, se a literatura mudar pessoas, isso já é suficiente. E ela muda.”

“A morte de Ivan Ilitch, do Tolstoi, é uma verdadeira lição de vida, e a prova de que alguns livros de ficção podem ensinar mais do que qualquer manual de medicina.”

27/02/11

Angustia

Quanto a noite
teu corpo não quer descansar,
quando não consegues dormir,
o que fazer?
Não tem como fugir,
o homem angustiado,
sente o medo da morte,
acredita na sorte,
na imortalidade
que a juventude o faz
beber, o faz alucinar,
mas a noite
escura não oferece
conforto,
nada oferece conforto,
a solidão,
a ilusão,
viver sem esperança
caminha,
respira,
olha o horizonte
isso vai passar.

Longa angustia

O dia clareou,
só que hoje
não vi o sol nascer,
quando acordei
já tinha partido.
perdi o ônibus hoje,
fiz porque quis,
acordei a luz
que entrava
janela adentro
clareava parcialmente
o quarto abafado,
acordei com sono,
visto que perdi-o antes
de dormir,
a noite foi tão
longa, as coisas
sem graça,
não despertavam nenhum interesse,
e só sentia o sabor
da solidão.

Solidão

A solidão me consome,
me trás uma certa fome,
uma ansiedade. 
A solidão durante o dia
e durante a noite,
a solidão torna as
coisas mais tristes e vazia.

Na solidão 
as noites são mais escuras
e sem estrelas ou lua,
os dias silenciosos
sem criança;

A solidão consome
qualquer homem,
faz nos mergulhamos
no interior, sentir
dor sem enfermidade,
sentir um vazio frio,
sem arrepio,
sim quando falta força,
é como se mergulhasse num
poço.
A solidão sufoca,
nos tira o chão,
fecha os olhos e dorme.

Chuva da tarde

Na tarde de sol veio o trovão e anunciou a chuva, as nuvens como lesmas se arrastavam no céu azul, devagar e sempre chegaram e se derramaram por todo o resto da tarde numa neblina suave, esfriando todo o calor, desfazendo a imagem de dia claro se revelando tarde de verão.

Momento sem sono

A noite está quente,
não consigo dormir
com essa noite escura
e silenciosa.
 Senão fosse as cantigas dos grilos,
a noite seria mais
agradável.
Perdi o sono,
Sem sono
a noite parece longa,
eterna.
O tempo se estende,
 se arrasta,
O canto do grilo não me encanta,
até o som das bandinhas de carnaval
já se calaram,
um ou outro carro passa,
já passa da meia a noite,
esse silêncio,
este escuro sem sentido,
falta sono,
quero ficar bem,
dormir bem, mas
não vêm o sono.

26/02/11

Respira

Quando o sol frouxo no céu
Vai caindo no poente,
sopra uma brisa quente,
O céu de azul intenso véu

e o refrescar a alma,
o corpo pede calma,
infla o peito, respira,
sente o aroma do mundo,
que não tem nenhum fundo,

Sente algo profundo
o doce aroma da vida,
O doce aroma das flores,
Suas formas e cores...

Então te atraem a atenção,
quando a vida parece
última,
eterna seja a música,
a poesia, para que
possas refrigerares
o espírito,
o corpo envelhece,
a matéria quer renovar,
nessa vida breve,
finita
que nos resta senão viver,
sofrer,
crer e amar,
quando a brisa
depois do meio dia soprar,
quando de barriga cheia
estiver,
respira,
olha as flores,
sente o aroma
da vida
e agradece,
pois pode ser o último momento!

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh