03/06/26

Retrato

 Na terra seca das Vertentes 

Profundamente dorme a vegetação  

É o período seco do verão,

Ali sopra o vento contente.


As tardes tão encarnadas,

As manhãs todas douradas,

De dia o sol arde intensamente,

Canta a cigarra alegremente.


Na manta cinzenta maiado o gado,

Rumina, respira e calorosamente.

Relaxando, sentindo o mundo.


Ali naquela pequena matinha 

Se ver catingueira e marmeleiro,

Destiorados e desfolhados,

Vê-se ainda bem ali, junto aquele lajedo

O Xique-Xique e o facheiro,

Carregando o verde esperança 

Armados da base ao alto.

Ali, bem no mufumbo ouvi um trinado.

O mais lindo corrochiado.

Imediatamente fiquei encantado.

Era o canto de um golinho.

E trouxe para sempre aprisionado em minha mente,

Faz parte de minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Seu bico amarelinho,

Seu papinho bem alvinho,

Com uma gola escurinha,

Costas bem cinzentinha.

Senti a beleza...

Em tudo, nas vertentes,

Na mata e nas plantas,

E no golinho cantando lindamente.

Retrato

 Na terra seca das Vertentes  Profundamente dorme a vegetação   É o período seco do verão, Ali sopra o vento contente. As tardes tão encarna...

Gogh

Gogh