Na terra seca das Vertentes
Profundamente dorme a vegetação
É o período seco do verão,
Ali sopra o vento contente.
As tardes tão encarnadas,
As manhãs todas douradas,
De dia o sol arde intensamente,
Canta a cigarra alegremente.
Na manta cinzenta maiado o gado,
Rumina, respira e calorosamente.
Relaxando, sentindo o mundo.
Ali naquela pequena matinha
Se ver catingueira e marmeleiro,
Destiorados e desfolhados,
Vê-se ainda bem ali, junto aquele lajedo
O Xique-Xique e o facheiro,
Carregando o verde esperança
Armados da base ao alto.
Ali, bem no mufumbo ouvi um trinado.
O mais lindo corrochiado.
Imediatamente fiquei encantado.
Era o canto de um golinho.
E trouxe para sempre aprisionado em minha mente,
Faz parte de minha alma.
Essa beleza sonora.
Aprendi de imediato o nome deste passarinho.
Seu ser,
Sua forma,
Suas cores,
Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.
Seu bico amarelinho,
Seu papinho bem alvinho,
Com uma gola escurinha,
Costas bem cinzentinha.
Senti a beleza...
Em tudo, nas vertentes,
Na mata e nas plantas,
E no golinho cantando lindamente.