07/11/25

Hora de ir ao mercado

 Esqueci o cabo do computador em casa. Voltei para pegar o cabo numa bicicleta de um amigo. Encontrei Sassá pedalando nas três ruas. Ele ficou muito eufórico quando me viu. Então pedalamos um pouco até casa. Dai chegando em casa. Peguei ele no braço e subi as escadas. Já em casa, encontrei o cabo e ai como ele estava com muita fome foi explorar a geladeira. Ao ver que a geladeira estava sem muita comida. Ele de geladeira aberta olhou e falou pra mim. Papai olhe, está na hora de ir ao mercado. Na hora nem me toquei só depois já no trabalho. Dai ri até. Quanta coisa linda na ingenuidade de uma criança.

Fim e início

 O fim é um fechamento.

Todo fim é também um início.

Assim que tem um fim, aparentemente tem um vazio,

Esse vazio é o fim...

Fim da vida, inicio da eternidade.

Fim da eternidade, início da vida...

Fim do sentido e início do sentido.

Fim dos versos e início da reflexão

06/11/25

Beijo invisível

 Ontem ganhei um melocactus e o levei para casa e a história aqui está no meio. Então vamos lá.. Na segunda feira ao agoar o jardim encontrei um mandacaru pequeno. Coloquei num envelope e levei para o apartamento onde pretendia levar para plantar na UFPB, mas Sassá viu e gostou e perguntou se poderia plantar e bom não sei dizer não para ele com frequência. Perguntei qual seria o nome e ele disse chico bento, porque estavam lendo uma estória do chico bento. Observou que os espinhos eram moles e não furavam. Colocou lá na sacada do lado do angico. Então, ontem quando cheguei com o outro cacto coroa de frade perguntei qual era o nome e ele falou zé lelé. Dai ele perguntou e os espinhos são frágeis, disse que não. Dai ele levou para a sacaca e perguntou de novo se os espinhos eram moles. Dai eu disse teste. Testou? Bom disse dê um beijo ai. Ele deu um beijo de longe e disse dei um beijo invisível. Dai Ri. Abracei ele e disse que o amava.

Livro DNA do Sertão

 Recebi ontem o exemplar do livro de meu contemporâneo e amigo de Moraria estudantil da UFRN Lino sapo. Adorei o título e a arte da capa. São 156 páginas repleta de rimas e memórias e de sabedoria popular e subjetiva. Folheando as páginas, atento aos títulos de olhos nas rimas podemos perceber quão alinhado está o poeta com a sonoridade, com as ideias com a essência do sertão. Deveras no DNA encontramos a essência da vida em código biológico a ser expresso em forma sob a vontade maior que é a preservação da vida. Este livro retrata memória compartilhada por todos os nordestinos e possibilita por via dos versos, das palavras que conheçamos o sertão nordestino na sua essência. Amigos e amigas vemos os sertões aparecerem e desaparecerem. Nesse movimento natural ação e reação... Um sertão velho desaparece para dar cara a outro sertão... Já sinto o ar da saudade... Já me sinto passado e passando quando já se foram meus avós e pais... Que poderemos salvar e esquecer do sertão? Sem dúvidas que desapareça a fome, pobreza e miséria e que permaneça a cultura, a arte e os versos dos poetas do povo da gente... Doces feito alfininho, gostosos como arroz de leite com carne de sol. Dessas coisas que a gente enche o bucho e sempre voltamos a ter vontade de comer novamente.

05/11/25

Monólogo

 Agora, tarde de domingo, dois de novembro aqui estou. Deitado na rede a ouvir uma conversa de Borges.

Tenho participado tantas vezes destas conversas com este autor. Algo em suas ideias me encantam e me fazem querer ouvir mais uma vez, mais de uma vez.


Um descanso, um intervalo e um momento de reflexão.


A redescoberta dos momentos via reflexão... Nesse tempo que engole a humanidade. Borges reflete a eternidade.

Finados

 Hoje, não estarei aí para acender uma vela.

Não estarei aí para render homenagem.

Para encontrar as pessoas e compartilhar com elas meus sentimentos.

Ver o sol se despedir sob a benção do padre.


Hoje, por forças externas, estou aqui.


Cada dia nos despedimos um pouco desta existência.


Hoje, podemos refletir essa realidade que está sempre se atualizando.


Dois de novembro dia da eternidade.

Numérica

 A unidade é divina,

A dualidade eterna,

O três é a completude,

O quarto é a moldura,

O cinco são os sentidos,

O seis é a terceira dimensão.

O sete é uma semana perfeita.


O oito é moldura dupla.


Nove é terceira ao quadrado.


O resto tu inventas.

Árvore e o que?

 Os terminos de uma árvore mudam, às são gemas, as vezes flores e as vezes frutos.

Pouco importa isso.

As vezes a gente pensa por pensar.

Mas que pensemos bons pensamentos.

Mais nada...



De fato esse pensamento acima está vazio.

Mas lembrei de uma frase que a primeira vez que ouvi ainda morava em serrinha do canto ou seja a mais de 25 anos atrás.

É o seguinte.

Num dos sermões do Pe. Walter Colini proferiu esta linda ideia.


"Se não houve frutos, mas valeu a beleza das flores;

Se não houve flores, mas valeu a sombra das folhas,

Se não houve folhas, mas valeu a intenção da semente".

Agora melhorou.

Coisas corriquiras

 Adoro o silêncio desta sala, a vista para a mata, para a aroeira e o jutaí.

A manhã nublada e a aves em sua alegria a cantar.

Na correria dos nossos compromissos esquecemos das coisas mais simples e importantes da vida.

Essas coisas

 Ontem ganhamos um melocactus, coroa de frade e Sassá resolveu chamá-lo de Zé lelé o amigo de chico bento. Ontem, ainda saiu da escola cheio de energia imitando um leão. Ele ama os cabelos longos. Diz que leão sem juba é leoa. Estamos nos organizando para a festa de aniversário dele. Fará cinco anos e como seu aniversário é no dia 30 de dezembro, antecipamos para que ele tenha pelo menos um aniversário com seus coleguinhas da escola. Enfim. Essas coisas como ele costuma dizer.

04/11/25

Chico bento

 Ontem Sassá leu inúmeras histórias da turma da Monika.

Também desenhou.

Também brincou.

A tarde quando voltamos da escola aguamos as plantas.

Engraçado que ele só agoa as plantas são mato.

Percebeu que o quebra pedra estava de folhas fechadas.

Dai expliquei que a noite a folha não faz fotossíntese, apenas respira.

Bom depois ele encontrou meu mandacaru novinho.

Pediu para plantar e eu deixei.

Perguntei qual seria seu nome e ele respondeu. Chico Bento.

Ele plantou chicobento do lado do anjico Zédoalive.

Silêncio

 Silêncio!

Seis horas da manhã.

A mata silenciosa, embora já tenham cantados as cigarras.

Sol sob nuvens.

Pia o sabiá sabe lá que quer falar.

O departamento dorme com seus professores.

Rivete e Felipe não chegaram.

Enquanto isso a vea espera por comida.

Nem vi Nildo.

Sei que ele está aqui já aguou seu jardim.

Ontem o encontrei angustiado, pois levaram nosso cacho de banana.

Um barulho.

É Nindo.

03/11/25

Parabéns papai

 Sábado foi um dia especial. Completei 46 anos. Sassá se pulou da cama, disse que era o aniversário do papai. Depois voltou para cama e disse que estava cansado. Fui lá e beijei ele e abracei com muito amor. Dai ele levantou e foi trabalhar na confecção de meu cartão de aniversário. Fez três cartões lindos. Depois fomos desenhar os dinos para o convite do aniversário dele que iremos fazer para os amiguinhos dele. E ficamos juntos a manhã inteira. Desenhando e brincando. Só saímos para almoçar. Fomos ao mangai... O mais esperado para ele era a sobremesa. Coloquei um bocado satisfatório. À tardinha, fomos a lagoa assistir a decoração de natal. Encontramos os padrinhos dele e ele pode se divertir até cansar. Quando deitou na cama nem mamou, já dormiu.

Obrigado.

 Fiz 46 anos,

Estou mais velho, mas não me sinto assim.

Ser e sentir são a mesma coisa?

Sinto-me feliz por tudo.

Só tenho a agradecer.

31/10/25

A porta

 Na sala nove, do DSE, aos dias 29 de outubro foi trocada a porta. Uma porta frágil de plástico por uma porta de jatobá.

Quanto tempo durará.

Tigres verdes

 Ontem, Sassá entrou em seu mundo fantástico. Ele descreveu um ser que dizia ser um tigre, mas parecia mais um dinossauro ou coisa do tipo. Descreveu as patas com três garras enormes. Os dentes feito iguais aos de tigre dente de sabre. Depois fomos desenhar. Lembrei de um conto maravilhoso de Borges "Tigres azuis". Depois de pensado foi e desenhamos tigres eu fiz um tigre verde. Depois fomos tomar banho.

30/10/25

Desperto

 A Siriri cantou animada são três da madrugada.

Aí lembrei de uma época que vivia com os meus pais.

Acordava cedo pra pegar água. Ia de jumento pela estrada. Devagar podia reparar a vida.

Via os cajueiros, os postes, as casas.

Nos cajueiros ou nos fios cantava a siriri. E eu querendo dormir como agora.

Acordado

 A madrugada silenciosa me faz companhia.

Ouço o ronco de um motor distante. Quem será?

Ouço o estalo da cerca elétrica...

O vento soprando nas plantas.

Ouço o canto dos grilos.

E confundo tudo com o barulho na minha mente.

Mamãe, papai e Vinícius.

A sombra da noite me afaga.

Mais nada.

Pessoa

 Pensar é está doente dos olhos.

Pensamento é a capacidade de abstração.

E uma Teixeira se vai

 Ontem, 29 de outubro de 2025, faleceu a esposa de nosso tio Raimundo das Neves Teixeira. Ela se chamava Tereza Fernandes de Lima. Das memórias que tenho de infância são tão poucas, quase nenhuma. Nosso tio foi embora para Natal. Foi estudar e quase nunca visitava a terra. Só algumas vezes quando vovó era vivo ele vinha sempre, lembro das últimas vezes que veio a Martins enquanto criança. Temos até umas fotos. Acho que foi em 1992. no ano seguinte Vovô morreu e se foi. Só restou um retrato de sua formatura na parede. Ficamos isolados. Esquecidos. Quem esquece é esquecido. Mas sempre havia aquela áurea de admiração. A gente sente quando conversa entre os primos. Tem também um que de decepção.

Tive a oportunidade de conviver com eles quando fui para a faculdade. Ia lá as vezes. E pude conviver um pouco. Mas a relação era um pouco assimétrica, e eu não entendia bem. As conversas com ela eram mutio poucas. Se não tem conversa não se gera empatia ou antipatia. 

Ela passava seus dias a trabalhar. Trabalhou muito para dar as coisas ao único filho. Não sei. Minha mãe até se aproximava deles. Mas as relações eram complexas. Ele era o segundo irmão mais velho. O único mais instruído... 

Não sei o que dizer...

Descanse em paz.

Leitura

 A mamãe de Sassá assinou um serviço de acesso as leituras da turma da Mônica.

Sassá está muito feliz. Eles leram tantas historinhas ontem que nem vi eles dormirem.

Só sei que acordei e estava a luz acesa e Sassá entre nós. Dormiam profundamente.

Acho interessante ver ele olhando a revista como se lesse mesmo, as letras e não as figuras.

Oiticica e sua sombra

 Num sertão qualquer do nordeste,

Na beira de um riacho,  mora uma oiticica.

 Ali se encontra areia e sombra a qualquer hora.

O verde escuro e cheiro das folhas, das flores e dos frutos é sempre constante.

Seu grande tronco que cresceu com toda força, agora só enlanguesce.

Sustentando sua copa, suas folhas, flores e frutos.

Ali, quantas coisas aconteceram, das idas e vindas do roçado, da rua, do açudo,

Um pouso para refresca-se em sua sombra.

Os frutos colhidos para serem vendidos.

O cochilo tirado certo dia.

Quantos ai passaram, quantos não já se foram.

E ela continua ai, imponente, até que alguém não queira!

Até lá, cresce oiticica.

29/10/25

Raia

 A primeira vez que vi uma pipa ainda era criança. Fiquei encantado. Aconteceu lá em Serrinha do Canto, lugar onde nasci. E não chamavam pipa lá não era raia. O dono era Chico de Amaro Lopes e de Cícera. 

Ele tinha um pai artesão que sabia fazer tudo, ao menos tudo que nós crianças mais almejávamos. E uma das traquitanas era a raia. Naquele lugar maravilhoso onde não tinha lugar aberto, exceto a estrada. E foi lá que vi Chico Amaro, correndo fazer uma coisa com um rabo, segurado por uma linha voar. As coisas, além das aves e morcegos podiam voar. Sim, lá nós já conhecíamos aviões, ou melhor o avião do americano pastor Pedro que vez por outra sobrevoava o município de Martins. Então, para ter uma pipa era preciso papel, palito de coqueiro, linha e sacola. No entanto, nunca consegui fazer uma pipa voar. Aprendi o que era uma raia, conheci esse objeto ainda pequeno. E isso parece banal, mas para a época não era. Não tínhamos televisão ainda. É de achar que é mentira, todavia é verdade.

Rabo do bolo

 Ontem, Sassá foi ao mercado. Selecionou um bolo, morangos e um rabo do bolo. Perguntou se podia comprar um rabo de um bolo. Na verdade ele queria a calda para colocar no bolo. Então nos compramos. Fomos para casa. Arrumamos as compras, jantamos e ele ficou no pé da mãe pedindo pela calda do bolo. Dizemos que Sassá é o provador, desde pequeno quando chega do mercado, chega com uma fome de leão. Quer comer de tudo. É assim mesmo. A gente é feliz por tudo, pelos alimentos, pelo momento pelas nossas rizadas, pela nossa vida em família.

Uma chave

 Existe uma chave que permite abrir a porta da mente.

Qual é a chave?

Um estímulo, uma sensação?

Neste universo classificado e que me encontro, há uma direção a seguir.

28/10/25

Feriado

 Ontem, sai com Sassá para caminhar. Fomos às três ruas. Antes pegamos a rua do sapoti. Ele recordou que vimos uma caranguejeira num tronco de uma castanhola. Fomos por ali, por que gosto de surpresas e na borda de uma mata sempre tem uma surpresa biológica. Bom podemos ver flores rosas de jasmim no fim da rua. Falamos do que víamos. Quase sempre as conversas tem uma tendência a se repetirem. Sentimos o perfume, isso mesmo ele falou! Flor perfumada... me referia ao nim. Gostei do termo... Perfumada.

Pegamos as três ruas e fomos caminhando, conversando sobre os enfeites de natal. Ao passar pela pitombeira, falei que ela ia florescer.

Paramos para ver o tronco com ramos jovens de uma castanhola e vimos inúmeros membracídeos.

Pegamos, brincamos, expliquei várias coisas. Quando saímos um foi na minha blusa. Chamei ele de companheiro. Sassá gostou. Fomos até a rotatoria final, lá no cacau e voltamos...

Depois fomos fazer exercícios na academia, ver os gnomos. E casa.

Desenhamos muito.

Aproveitamos a manhã de feriado.

Intensidade

 A tarde ardia como todas as tardes.

Não estava no conforto do meu quarto.

Não estava no conforto do dia de semana.

Era sábado, fui rever um amigo pela última vez, ou melhor seu corpo.

Sua mulher, soluçando, sofria a maior dor da vida.

A perda de seu amor. Uma fatalidade, tirou a vida de seu amor.

O espaço era o maior, as coroas as mais belas.

Seu pai, falou palavras firmes, se apegou a Deus tentando não transparecer a dor.

Falou palavras de consolo, tentando se consolar e manter a calma.

Nossos peitos doíam.

Saímos em combio guiados pelas polícias de trânsito.

Saímos pela Maximiniano Figueredo, depois a avenida que dava no Boa Setensa.

Um helicóptero fazia a cobertura.

Com os corpos anestesiados, nem sentíamos quão quente estava a tarde.

No boa setensa a capitã falou palavras de conforto.

Seguimos pela rua principal, dobramos a esquerda, Depois do túmulo do Padre Zé a direita.

Descemos até o jazigo onde iria descansar na eternidade nosso amigo.

Seu corpo e uma placa com uma palavra bíblica e as datas de nascimento e morte.

É somente isto que somos reduzidos.

O tempo se encarrega de acabar com todas as memórias,

Nós nos vamos, nossos filhos também.

Então podemos entender que este momento foi só um momento entre tantos de nossas vidas.

Com maior ou menor intensidade para que o sofre.

Em Vão

 Não sei dizer o que sinto, mas sei que sinto algo. Talvez a saudade é um sentimento que pode ser, mas acho que vai além. 

Às vezes, pego-me pensando como ficou vazia a nossa casa sem papai e mamãe. Eles eram a essência dali. E só assim posso imaginar essa mesma sensação na casa de vovó e vovô Chico e Chica que viveram na casa que conheci quando criança, para mim, dos meus avós, mas para papai era a casa os avós dele, meu bisavós. Impossível a mim de conceber algo assim... O espaço que foi criado, ocupado teve uma duração e depois e substituído... Espaço vivido por anos e os anos levam tudo. A essência está no ser e no existir.

A casa de meus pais para Vinícius é a casa da tia lí. A casa dos meus avós é a casa de Franci.

Ai, fico sem prumo.

Esse sentimento não é exclusivo meu, mas sinto como se fosse.

Por isso, tentar explicar. Em vão.

27/10/25

Em um momento

 Onde estou, carrego meu ser. Sou o que sou. Sou o que me cerca. Sou o que me ensinaram ser.

Sou o que aprendi a valorizar...

Após vamos lá.


Em pé, na beira da estrada, para para contemplar o vale e as serras.

Tudo que vejo é o que conheço.

A cinza da mata.

A cinza da mata.

A cinza das rochas.

A cinza das serras.

No fundo no vale o verde do campim elefante que vive enquanto viver o homem.

Baixa de Janoca,

Baixa de João de Janoca,

Baixa de Douglas...


Do pé do alto, havia uma casinha de taipa.

Nela morava Maria do Carmo casada com João Lúcio e mais um monte de filhos.

Tinha um pé de pinheira e ciriguela que mirava para a baixa...

Mas a frente uma rocha e um pé de angico.

Foi tudo que restou...

Na verdade... o tempo tudo apagou.

O sacrifício para sobreviver a pouca água e a pouca comida.

Ali ia. E costumava contemplar a baixa que em meio ao total cinza era a única esperança verde.


Nossa esperança no sertão é pelas chuvas.

Sinal de fartura.

Quando caem as chuvas é tão gostoso.

A gente parece renovar a vontade de viver assim como as plantas.

As plantas e as sementes despertam de seu sono.


A água faz o mundo cheirar a chuva.


Um professor que conheci desmistificou o cheiro da chuva e disse que era o cheiro de esporos de fungos.

Eita que tem fungo por todo lugar, pois pra mim a chuva só tem esse cheiro em qualquer lugar do mundo.


Então, sinto o vento soprar, ouço o vento cantar ou seriam as árvores cantando?

Assim, volto ao eu... saio da memória.

Caminho pelas estrada vendo o desprezo das pessoas pelo meio em que vive.

Lixo de garrafas de água, de cerveja, carcaças de animais. 

Essa poluição não seria uma forma de violência visual?


E assim, segue.

Na Bica

 Sábado, fomos a BICA.

Temos ido frequentemente a Bica aos sábados.  Sempre encontramos novos elementos. 

Bem neste sábado passado, e as novidades foram a nova anta que nós passamos a chamar de Amaro. Como já havia uma fêmea que chamamos de Amora, pois a bichinha só tem uma orelha. Agora recordei que papai teve um jumento que já adquiriu este já era velho e só tinha uma orelha completa. Não dávamos nomes aos bichos, exceto a careta uma vaca que já veio com o nome. Enfim. Na bica vimos o novo componente. Então quando saímos do recinto da anta fomos ao recinto dos peixes. Já lá, a mamãe foi abrir a bolsa para tirar uma bolacha para Sassá e quando ela abriu a bolsa sobre nossas cabeças nos galhos de um ingá estava Janjão o macaco fujão. Ao ver a mamãe abrir a bolsa ele gritou avisando. Então desceu para o chã quando viu que eu tinha o pacote de bolacha nas mãos. Dei-lhe duas bolachas, mas ele queria mais, então ficou de pé de mãos aberta como quem disse me dê mais... Como não quis dá ele gritou. Foi para a beira da água, molhou a bolacha para comer. E nós ficamos ali lhes olhando e rindo. Depois ele subiu no ingá e sumiu. E nós seguimos nosso passeio.

24/10/25

Te amo

Levei Sassá ontem a minha sala. Ele disse que havia ido lá pela segunda vez. Perguntou sobre o meu Chefe e nem sei de onde ele tirou isso. Mostrei para ele os brinquedos dele que guardo aqui na minha sala. Os desenhos. Ele ficou meio tímido, mas achou muito interessante o fato de eu ter um ambiente de convívio que não é a minha casa. Levei-o no braço, pela pressa, mas como está pesado. Foi muito bom. É sempre bom está com Sassá. Amor sublime. Quando chegamos a UFPB ele me disse que me amava. E eu amei.
Também te amo.

Paz oissoe

 Um ferreirinho relógio acerta as horas.

O sanhaçu afia a tesoura.

Um rixinó canta nos arbustos sob a mata.

Um bentivizinho deu ar da graça.

E a paz reina aqui

23/10/25

Mel

 Amo o mel,

O mel tem um cheiro e um gosto que está relacionado a florada.

Ainda pequeno a coisa mais doce que provei não foi o sorvete, mas o mel.

As vezes, nossa vizinha nos dava um pouco.

Deve ser por isso que era tão gostoso.

Depois pude comer mel sempre que quisesse, mas agora não posso por conter muita glicose.

E outras coisas mais.



Viagem

 Sassá viajou para o interior. Ele ama viajar, ir para Serrinha dos Pintos. Viajamos na quinta. 16/10 e retornamos dia 21-10-25. Brincou com os primos Davi e Nikolas. Nós andamos nos matos, comemos coquinhos e cajus. Fomos a casa de tia Nina... Retornamos e já voltamos a rotina. 

Esperança

 A esperança é o que nos move.

Limites

As vezes percebo os limites do mundo ou seria os limites do eu?

Olhando para um céu estrelado,

Olhando para a linha do horizonte no mar,

No perfume de uma lonicera,

Ouvindo Hakan Hardemberg.

A corneta me emociona ou será o momento em que é tocada.

Não sei.

Mas ouvir um golinho cantando ou um ticotico do campo me faz sentir a humaninade,

De tão agradável foi ouvir pela primeira vez e seguem sendo...

22/10/25

Mistura

 Para gostar de ler.

Sempre gostei de contos, crônicas e coisas do gênero, curtos de se ler. Gostava daqueles bem curtinhos nos livros paradidáticos de português. No ensino médio eu adorava aulas vagas para ir ler na biblioteca. Queria escrever algo. Recentemente morreu um gigante o grande Luiz Fernando Veríssimo. Cheguei a ler seus textos deliciosos no estadão. Gostava de Fernando Sabino, Clarice Lispector... Faz tanto tempo que nem me lembro mais. Restam algumas memórias. Só sei que gostava. Estou lembrando dum monte de coisas que gostava como doce de mamãe, continuo amando, mas não posso comer. Mel de abelha também.

Gostava de ganhar brinquedo. Achar uma fruta madura no pé, fosse um caju, uma pinha ou uma goiaba. Eu me achava esperto por saber encontrá-la. 

Entre coisas de comer e coisas de ler... Gosto de ambas, dependendo da ocasião.

Gosto de agradar a planta sedenta com um pouco de água. É bom cultivar uma planta. 

Tenho a mania de catar sementes por ai pelas estradas.

Coletei sementes de Canavalia e Anadenanthera...

É cada reflexo uma memória... A biblioteca do Joaquim Inácio, a cozinha de mamãe...

Tudo lá na minha terra tem sombra em mim.

Até algum dia desses.


Amor de pai

 Papai plantava cajaraneiras. 

A cajaraneira não produz uma madeira boa e papai sabia disso, mas quando você usa uma madeira de cajaraneira está plantando uma nova árvore. Papai trabalhou muito para nos sustentar. Deu-nos o maior amor do mundo. Passando na estrada de um lugares que ele trabalhou, lá no parieiro, nas terras martinenses podemos ver uma cajaraneira crescendo na cerca. Eu sei quem plantou e me orgulho disso.

Foi papai quem plantou. Meu amor por papai é infinito. 

Da graça e com a graça

 Descortinada a vida!

Que me resta senão amar.

Amar meu filho, minha esposa...

Tudo o tempo dissolverá.

Tudo. Até lá vamos viver a graça que Deus nos dá a cada dia.

 Tudo seco!

A mata dormindo se tinge de cinza.

Do macro ao micro.

As aves contentes cantam sem se preocupar se houve ou não inverno.

Cantam contentes, o galo de campina, o sabiá, o rixinó.

E o carcará contemplar a paisagem que parece torrada.

O vento da manhã venta suave e fresco.

A gente se sente bem.

A gente se sente bem quando está bem. E nada nos incomoda.

Despertei para a sucessão dos dias...

O que foi, está condenado a sumir.

Mesmo que as memórias existam são apenas sombras de uma realidade que deixou de existir.

21/10/25

Tudo que resta

 Esses dias em Serrinha de meus pais saia pra caminhar antes do sol nascer. A paisagem árida tingida de cinza. Até parece que o tempo havia tingindo tudo ou desbotado as cores vivas. As casas de minha infância, Chico Neco, João de Licor, Chico de Joana e Arthur Barreto... Já não há mais o amarelo poeira nos ramos secos, as curvas de brita ora brilha ora não são tão rápidos quem por aí passa. 

Meu velho amigo João de Licor não olhas mais para o sertão... Resta a paisagem eterna paisagem. Segurando meu terço rezo as orações que aprendi com mamãe... Tudo agora é história. Caminho sem ter que chegar a lugar algum. Caminho pela fisiologia, caminho para pensar e tentar encontrar as memórias que estão aí. As casas de Benício Filho, as entradas das terras de Raimundo de Euzébio... O Joazeiro de Josimar, o alto do Barroso. Tudo é passado. Tudo é passado e em alguns anos este texto como tudo terá perdido o sentido, por falta de memória compartilhada.


Serrinha minha Serrinha.

Vi o último broque na terra de Raimundo de Euzébio ou de João de Janoca... Sim antes seriam tantos.

Agora busco um novo sentido.

Rezo.

E trago meu filho para cá pra não me sentir tão morto.

Papai, mamãe e nossos vizinhos se foram quase todos em alguns anos o tempo seifara nossa geração e esse texto pode ser o que restará e soará apenas como uma história e não a realidade que é.

Cintilante

 A manhã crescia no sertão. O vento soprava frio tingindo a vegetação de cinza.

Ouvi o canto do acauã.

O cheiro da cinza da mata queimada,

O chão queimado...

Na beira da mata varando o céu os galhos abertos ao céu...

Do alto de um galho cantava a acauã. Seu canto continuo e intermitente ia e era respondido da mata...

Parei e fiquei contemplando e me vieram memórias do Boqueirão, do meu pai. E enquanto vivia aquele momento rítmico.


Acauã acauã acauã.


O céu tão azul 

A mata tão cinzenta.


Eu mergulhado em meu ser,

No mundo,

No tudo e no nada.

Velho e novo

 Hoje, passei em frente a um broque queimado.

O cheiro da cinza da madeira queimada.

A nova roça de Chico de Beta.

Uma das últimas em nossa região,

O fechamento e o fim de um ciclo de existência.

Os anos vividos devorados em minutos...

Vi e ajudei tantas vezes papai a queimar, plantar e cultivar nossa terra.

Desperto de telhas memórias.

Versos secos

 A linda caatinga, 

A secura,

O solo seco empoeirado,

As rochas brilhando,

Os trocos cinzentos,

Os angicos de ramos espalhados no céu.

A aroeira exausta da carga,

O enxerco torturando as pinheiras,

O cinza tremendo na mata.

E nós sentindo tudo isso.

Empatia

A cachorra latiu e me lembrei algumas vezes, o cachorro latia e aí chegava Eliene com alguma novidade doce. Havia essa troca. Mamãe também as vezes agradava. A gente era criança e nem sabia dessa empatia que é ser pai

 O verão árido no sertão. A vegetação nua está cinza a adormecida estão as sementes, arbustos e árvores. O anjico armado, a aroeira inerme. Belas árvores. O carcará calado a contemplar a paisagem no Cimo das árvores, os cancões malhados a vocalizar.

A manhã fresca que logo acende com o sol. A tarde ardente e escaldante. As noites escuras e estreladas a resfriar o calor do dia...

Esse ir e vir que preenche o dia de luz e sombra...

E esses dias que preenchem nossas vidas.

Metafísica

 Como é maravilhoso este lugar. Sai lá fora. O céu tão limpo e estrelado. O piscar das estrelas, o canto dos grilos e dos morcegos. Minha mente ainda ouve o arrastado de chinelo de papai e o ronco de mamãe.

Este lugar é mágico.

Aqui meus irmãos e eu existimos protegidos pelos nossos pais. Aqui aprendemos a rezar. Aqui tivemos nossas emoções mais intensas. Aqui é nossa casa. E perceber que bom nossa casa não é lugar nenhum. Porque aqui está a casa, mas não estão os nossos pais... As coisas existem em matéria em espírito, todavia tudo se desfaz...

Chegamos até aqui,  mas uma hora temos que partir.

Tudo vai continuar como sempre foi. Tudo vai continuar como será. E a nossa existência por aqui foi só um dia e uma noite.

Nada mais.

Anos 90

 O silêncio, o tic tac do relógio. O som do motor da geladeira, o som dos tornos da rede.

Eu, a nossa casa, a casa que nos abrigou, que papai amou e mamãe viveu até o fim. Essa casa guarda a nossa pequena história. A foto minha com mamãe na minha formatura, a foto minha com papai em minha casa.

O dia 16 de outubro de 2020, último dia que vi meu pai. Os anos, Vinícius...

Tudo bem.


Ainda ouço o barulho da vinheta do jornal nacional.


Ainda sinto o gosto do açúcar do chá de laranja de Elita.


Pois o que é tudo isso?


Esse silêncio do canto de Serrinha do canto.


Silêncio da eternidade de um tempo e amigos que não voltam mais.


Tic tac

Sexta-feira - serrinha do canto 

Sertão

 É sertão porque está em meu coração.

Vejo o paraíso e o purgatório em suas estações.

O espírito

 Chegamos em casa. Tanta sequidão. O cachorro sherlock veio nos recepcionar feliz. As árvores todas tão sofridas. O coqueiro perdendo as folhas. Os catolés nus. A pinheira usurpada pelos encheiques. Os cajueiros sem uma fruta. O jasmim de laranjeira sofrido. Tudo tão estio. Meu Deus, olha por nós. Contigo tudo suportaremos, mas o tempo, tomará nossas vidas... Esse céu azul, essa terra poeirenta e quente, essa casa únicos como nós. Nosso espírito se move como a vida se move. Baixamos as coisas, trocamos as coisas e almoçamos, e nos sentimos felizes. Tudo é um devir...

17/10/25

Calor

 Ontem viajamos. Sassá nem reclama. Saímos antes das 5 horas. Chegamos na casa da tia Li ao meio dia.

E aqui ficamos juntos o tempo todo. Fomos ao mercado. E estamos aqui curtindo esse intenso calor.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh