As noites setembrinas são lindas
Céu limpo e estrelado.
Canta na madrugada o sanhaçu de coqueiro.
Canta a patativa e o siriri.
Dias claros e iluminados.
Voam a grasnar
A ararinha Jandaia e a Maracanã.
Conta canta sem parar as ondas do mar na praia.
As noites setembrinas são lindas
Céu limpo e estrelado.
Canta na madrugada o sanhaçu de coqueiro.
Canta a patativa e o siriri.
Dias claros e iluminados.
Voam a grasnar
A ararinha Jandaia e a Maracanã.
Conta canta sem parar as ondas do mar na praia.
Quando estava acabando o almoço, coloquei o feijão no prato. Percebi que tudo mudara. Antes o feijão era comido primeiro. Algo me fez recordar meu pai, Chico. Porque sempre que acabava de comer preparava a comida do cachorro. Ele colocava feijão com farinha misturava e sempre provava, mesmo já saciado. Provava e gostava, parecia convencer a seu inconsciente aqui comemos a mesma coisa. E para tornar mais agradável colocava óleo. Papai era um Francisco de coração.
Então terminei de comer e pensei.
A gente é feliz se achar que valeria a pena viver tudo novamente. Tive a sensação de que papai viveria tudo isso e com amor.
A minha sensação foi de estado de graça e plenitude eterna.
Graças por ter dado o melhor de mim para ser um bom filho. Graças por tentar ser o melhor pai.
Obrigado.
Ontem, brincamos de carrinhos.
No chão da sala os carrinhos praticamente voam.
Aprendemos muito sobre acidentes e sua relação com a velocidade.
Sassá adora pisar fundo, mesmo reclamando para não ir com tanta velocidade.
Depois, do banho, fomos para a cama, mas Sassá pegou a bola e foi jogar.
Jogou bastante, e o melhor com direito a narração.
Eu narrei e ele narrou melhor que eu.
Depois fomos brincar com os carrinhos em meio as montanhas ou cobertas.
Ai eu apaguei e a mamãe continuou.
Sim.
Ele veio me mostrar todo orgulhoso os lindos desenhos que fez de manhã.
Sassá foi a Bica.
Desta vez nem foi ao serpentário ou ver os patos.
Apesar disto se divertiu muito.
O que agarrou a atenção dele foi malu.
Malu é a onça pintada.
Ele amou vê-la mesmo que por um breve instante.
As coisas são assim.
Eternas e instantâneas
A foto de meu amigo, sua irmã e sua tia me fez pensar essa frase.
Somos apenas pontes, passagens para que a vida siga existindo.
Fomos a Bica no sábado.
Percebi a mudança da estação.
O céu azul e o sol tinindo.
O cheiro das flores das estercúlias,
Folhas amarelando, amarelas e secas pelo chão.
Os gansos grasnando alto.
Amara a anta a sombra da mangueira.
A paca Luiza resolveu aparecer.
Um novo membro apareceu no recinto das aves, um papagaio de cabeça amarela que chamamos de Cláudio.
Minha conexão foi com a natureza
Com o fim do inverno e a chegada do verão.
Vimos Coré o jacaré de coroa na boca de lobo do riacho - livre -
Os jacarés de coroa e os cagados, parecem ter as chaves para entrar e sair dos recintos.
Vimos um cágado de mega cabeça no riacho ao lado do pulapula.
Fizemos a trilha, onde meu menino se desequilibrou e sujou o pé.
Mudança de estação.
Ontem, fomos assistir como foi o desenvolvimento do projeto maker na escola de Sassá.
Todos os coleguinhas se sentaram e ficaram atentamente ouvindo a professora expor os diferentes momentos do projeto.
Na sequência nós os pais fomos para a sala de aula deles.
Assistimos a exposição da história contada da corujinha Edivânia.
Uma coruginha que queria ser entregadora de cartas.
Após a exposição os alunos receberam uma folha e foram estimulados a escrever uma carta com letra cursiva.
Pensei! Com quatro anos os meninos já conhecem as letras e os números. Tem inúmeros recursos audiovisuais.
Entrei na escola com seis anos. O recurso era um quadro, um caderno, um lápis e uma borracha.
Adorei um dia que uma professora levou um livro e leu sobre a história de um rei.
Não tive livros infantis.
Os recursos eram muito escassos para os pobres da década de 80.
Continuam sendo escassos para quem não tem recursos, mas está muito melhor.
Sassá escreveu uma cartinha com o nome do primo e duas frases:
Te amo e estou com saudades.
Depois desenhou um sofreu.
A mãe dele se emocionou.
Sorri!
Compreendo a importância destes momentos na infância das crianças.
Cada dia é impar.
Estimular a imaginação de seu filho pode dar asas que o permitirá voar para longe.
Algo estimulou minha imaginação e voei.
Mas aqui quero falar sobre Sassá
Os salmos de Davi,
Provérbios de Salomão.
Gênesis e Êxodo!
Venho lendo estes livros!
Na verdade, muita coisa fica suspensa ao ler estes livros.
Que de início foi transmitido nas celebrações.
Ao que se sabe Jesus falava hebraico e aramaico.
São as línguas escolhidas para Deus se comunicar com o homem.
Achei interessante no gênesis a facilidade com que José aprendeu a falar a língua dos egípcios.
Ele, quando reencontra os seus irmãos entende eles, mas eles não o compreendem.
O "egípcio" seria algo como o espanhol é para o português?
Moisés falava egípcio, mas quem na verdade era sua primeira voz era Arão seu irmão...
Por ter dificuldade de falar, ele passou a pensar e escreveu muita coisa?
O que é tudo isso?
Sassá é minha vida.
É divertido ouvir suas conversas.
Vou ter isso, ou aquilo ou aquilo quando crescer.
Tudo vai se resolver quando ele crescer.
Fico ouvindo suas ideias.
Fico contemplando ele.
Adoro sua companhia.
Aprendo muito com ele.
As vezes, me perturbo pensando...
Então, Sassá veio e preencheu muito minha vida.
Adoro os momentos com ele.
Ontem antes de entrar na escola.
Parei o carro e ficamos conversando.
Ouvia ele falar sobre seus argumentos...
De como vai ser quando for grande.
Fui surpreendido com o argumento de Sassá. Ontem ele argumentou que eu só falava bobagem.
Posicionando melhor o assunto.
Ao sairmos da escola dele, passamos em frente ao cachorro-quente que ele adora.
Sempre após a missa levamos ele para comer lá.
Então, segunda-feira eu brinquei com ele, dizendo que quem come cachorro quente todos os dias virava cachorro.
Falei que o cachorro-quente tem uma proteína cachorrina que se comida todos os dias transforma a pessoa em cachorro.
Disse que só se podia comer cachorro quente uma vez por semana que ai a proteína cachorrina saia do corpo pela urina e fezes.
E interessantemente ele havia lembrado e perguntado a mãe se isso era verdade.
E ela explicou que não.
Então ele, chegou a conclusão que eu só falo besteira.
Quis dizer que eu não falo a verdade.
Ri e fiquei pensativo.
Integração social
Vi o desfile de sete de setembro.
Estava lindo!
Olhei para todo o desfile, mas primeiro olhei para o meu filho que desfilava.
Por um tempo foi o que dei mais atenção.
Depois o deixei ir e fui olhar para a beleza dos desfiles.
Vi, pessoas orgulhosas marchando.
Usando suas fantasias.
Vi cada um dos participantes felizes.
Vi os pelotões das escolas em diferentes linhas.
Ali estava o espírito da cidade.
Os jovens crianças, adolescentes e adultos.
Ali estavam desfilando.
Nos os adultos observando, pensando.
A gente divagava olhando, através da experiência, para o passado.
E comparando.
Os jovens por sua vez olhando para o futuro.
Um choque de ideias.
Um limiar que separa o presente do passado.
Vi na verdade uma certa indiferença de alguns grupos.
O lugar cresceu?
Enfim, voltando a ideia.
Saímos de uma escola que estudei por ultimo em serrinha
E passamos por aquela que estudei primeiro na ruinha.
Percebi que o pau-brasil ainda estava lá.
A escola é a mesma nem cresceu nem diminuiu.
Mas os professores, mas os alunos...
Eu vi a integração social na magia...
No peito dos nossos filhos.
Que deixaremos para os nossos filhos?
Como engenho a todo vapor em setembro...
O caldo quente da cana sendo trabalhado,
E cristalizado em doces rapaduras para alegrar
nossas almas.
Assim estão as patativas a cantar.
Cantam ao despertar do sol,
Cantam ao meio dia,
Cantam ao cair do dia.
Há quem ame rapadura,
Há quem desconheça a rapadura.
Há quem ame o canto da patativa
Há quem desconheça.
Mas quem veio do sertão,
Quem viveu sem tecnologia.
Sabe apreciar
Em agosto a mata floresceu imponentemente, de manhã e a tarde!
Os grandes Tachigali densiflora explodindo em flores,
Amarelo ouro, amarelo ouro...
A mata dourada...
Na mesma florada as Ocotea glomerata,
Tímidas também a florir...
Veio-me a impressão da beleza desta estação...
Que chove e faz sol constantemente.
Sassá desenha seres alados.
Uma das atividades que Sassá mais vem fazendo é desenhar.
Escolhe um tema de bichos e desenha.
Desenhou animais alados.
Esquilo, serpente, peixe, morcego.
O que é tudo isso?
Não sei. Imaginação, criação.
Mistura de traços e cores.
Representação.
A noite quis desenhar juntos.
Trabalhamos em caranguejos.
Para onde vai a imaginação de meu garotinho.
Depois fomos para cama e ele foi fazer acrobacia de coisas perigosas.
Girando e fazendo cambalhotas e bundacanacha.
Ouvi disser, meus ouvidos estão ouvindo os aplausos...
Caju florindo,
Cigarras cantando,
O sol tinindo.
Sanhaçus alegrem,
Um canto de afiar,
O calor gostoso de setembro.
A felicidade do vigor humano.
Eternizado nas memórias.
Sassá na exposição agropecuária ficou encantado.
Andando nas baias quase desmantelava meu pesncoço
Com ele apontando, olhe este, olhe aquele,
E aquele, e aquele, e este...
Foi um passeio maravilhoso.
Vimos gado de várias raças...
Girolando, Sindi, Nelore, Guzerate...
Vimos pôneis.
Saímos de lá muito contente e Sassá faminto.
Meu peito está dividido!
Saudades de mamãe e de papai.
A presença de meu filho.
O limite entre ambos
É inefavelmente o tempo...
Só na imaginação poderemos sentarmos juntos...
Ser e existir...
O ser é eterno.
O existir é só um espaço de tempo.
Vi algo muito interessante,
E adoraria contar,
Meus amigos eu vi
Dois sabiás a dançar,
Enquanto dançava chirliava,
Um canto de sabiá!
Um era o macho e a outra fêmea,
Um fofo e um esgui.
Dança pra cá,
Dança pra lá,
Tão bela aquela coreografia,
Não deu pra parar de olhar.
Foi um tempão.
Sobe no galo,
Voa pro chão,
Ora no cajueiro,
Ora na cirigueleira,
Uma dança transcendental,
Até apareceu outro sabiá,
Mas nem se meteu,
Olhou e foi embora...
E a dança foi quase meia hora.
Como dança o sabiá,
E nem sabia que sabia
Dançar um sabiá.
A mata a despertar,
Verdes folhas acendendo,
Com a gloriosa luz solar,
De repente nem ouço,
Mas aconteceu acolá,
Um vôo rápido e suave
Se acaba num pousar.
O que vem lá?
Um corpinho de sibite
Bico afilado e curvado,
O papo amarelo limão,
As costas cinzas,
E uma sobrancelha branca...
Adivinhe lá...
Uma patativa
Começou a cantar
Cantou para se alegrar,
Feito ventilador,
Girando da esquerda para a direita...
Por que cantar?
Animada canta muito e sem parar.
E de repente o silêncio.
A mata calada de novo.
Nem vi!
Mas sei que estava lá,
Mas sei que deixou de está
E agora o canto está longe!
Será ela ou outra?
Sassá está esperto!
Estamos brincando com as palavras e as fomas.
Gostamos de brincar com rimas das palavras.
Pato rima com gato...
Lindo rima com findo...
Comprei um livro chamado quem comeu os bolinhos.
Já lemos várias vezes.
Ontem como estava disponível, peguei-o para ler, mas antes.
Exploramos as imagens na capa e contra-capa.
O que! um bolinho sapato.
O que! um bolinho sapo.
O que! um bolinho piranha!
O que! um bolinho gato.
E rimos, antes de ler nos divertimos com essa brincadeira.
Depois li, li outro...
E ai fomos brincar na cama.
No dia cinco de setembro de 2025,
Estava em Serrinha dos pintos e algo surpreendentemente aconteceu.
Eu nunca tinha visto.
Era uma sexta-feira.
Acordei e vi a maior cerração.
Sai para caminhar e tudo estava fechando de cerração.
A gente não conseguia ver a uma distância de 100 metros.
Foi surpreendente, e o mais surpreendente é que durou a manhã inteira.
Com respingo de chuva e cerração.
Foi um dia, mágico, incrível.
O dia todo foi fresco e nublado.
Passamos até o dia inteiro em casa.
Ontem, Sassá se ocupou de desenhar,
Fez lindos desenhos de animais selvagens.
Sassá ama animais.
Diz que vai ter todos quando crescer.
Desenhou um lince,
Um cão vermelho,
Um coala...
E uma paisagem associada ao bicho.
Um chão.
Uma árvore.
Admiro com amor sua gana de desenhar.
Uma música toca minha alma.
Ave maria!
Acende em minha mente
A saudade de minha eterna mãe.
Maezinha que me alimentou,
me amou...
Enquanto estivemos presentes,
Compartilhamos o maior sentimento.
O amor.
Mãe sinônimo de amor.
Eva, Maria, Francisca...
Três pedras catei na estrada,
Santíssima trindade eu representei,
Pai, filho e espírito santo.
Sagrada família evoquei,
Jesus, Maria e José.
E rezei três pai nossos
E três ave marias.
Era granito ou quartzo.
Olhando para o espírito,
A fria pedra se aqueceu com meu calor.
Rocha infinita.
Três uma representação de completude.
Início, meio e fim.
No alto da aroeira,
Uma ave a cantar!
Sozinha cantava,
Parecia contente!
Interessante pois essa ave vive em bando...
Parei e contemplei.
Mas me veio uma indagação.
Completa!
Por que cantar?
Pra que cantar?
Qual a vantagem!
Se estava sozinha...
Se o canto não é uma memória
ou um texto...
Seria uma ave poeta?
Talvez não, mas era uma ave completa.
A gente chama a chama de papa-arroz,
Outros de chopim,
Outros de vira bosta...
E o que tudo isso importa.
Aquela ave completa,
Era uma pontinha dos mistérios divinos.
Caminhando vi o espaço passar,
Vi pedras no chão,
Vi a vegetação sedenta,
Vi a imensidão do lugar...
Vi um angico gigante,
Nu, sem uma folha a avistar,
Totalmente armado com seus cones espinescentes,
Tamanho era sua majestade,
Parei para contemplar.
O sadio é belo por ser pleno.
Só ramos e tronco,
Eterno o angico
Que um dia foi semente,
Um dia foi frágil...
Não tem passado, presente ou futuro.
Ele é!
E isso é tudo.
Na caatinga cinza,
A manhã a despertar,
Nos arbustos aves a cantar,
Na caatinga cinza,
O vento a assoviar
Entre tantos garranchos,
E as aves a imitar,
Galo de campina,
Sabiá,
Tico-tico,
Roxinó...
Parei para contemplar,
Na beirada do lajedo,
Vive uma aroeira,
Que cresceu tanto,
Tanto que de longe é avistada.
E foi ali o lugar
Que escolheu o carcará
Ver a manhã desabrochar...
No vai e vem da estrada,
No querer ir e voltar,
As pessoas nem percebem o lugar.
Caminhando achei tão velo,
O falcão a contemplar.
A manhã desabrochar.
Setembro, mês que significa sete, mas é o mês nove.
Fui a minha terra natal,
Vi tudo tingido de dourado,
Vi tudo tingido de cinza...
Pedra branca, pó branco,
Pedra preta, pó branco.
E o vermelho num barranco...
Amarela poeira ao vento solto.
Do cinza árvores nuas,
Árvores plantando bananeira,
Para o sol, para o tempo.
Quem é esta?
Eram as aroeiras,
Floridas e chumbadas...
Suas flores ao vento,
Visitadas por abelhas,
E pelas aves felizes a cantar.
Aroeira...
Tu florida é tão sublime,
É tão bonita...
Sua copa aberta,
Sua altura esgalhada,
Convida as aves a cantar,
Ao raiar do dia,
Ao raiar da noite.
Uma fotografia o que contém?
Memórias. Memórias. Memórias.
Memórias objetivas.
Memórias subjetivas.
Uma imagem do que é real.
Uma imagem do que é temporal.
Uma imagem com memória particular.
Memória do momento.
O que é se cristaliza.
Enquanto incessante muda.
Ser assim,
Ser ai.
A 10 anos num texto escrevi...
Uma frase...
Uma fotografia com memória subjetiva...
Com memória de experiência,
Com memória de um momento...
Captado por um olhar,
Desperto por uma percepção,
Processada em uma mente,
Objeto de uma consciência...
Pura abstração,
Pura virtualização.
Uma tempestade tomou conta de minha mente na noite de domingo dia 8 de setembro. Adormeci e dormi até uma da madrugada. Até então relaxei, mas depois que acordei não consegui mais dormir. Estava na rede no local onde mamãe sempre dormia. Como era uma noite de lua cheia, uma réstia de luz branco pálido chegava ao sofá ao lado da rede. Despertei com tantas idéias. Ideias de eternizar aquele momento...
Foram tantas as emoções vividas em uma única tarde. Meu filho desfilando pela primeira vez. Coisa que nunca fiz, apesar de querer. Rever os velhos conhecidos, meus professores e colegas de estudo do ensino fundamental e essa linda juventude que desconheço. O ouro de Serrinha! Os filhos e netos de meus conhecidos. Tanta gente maravilhosas. Fantasiadas e cheias de orgulho no peito.
O corpo docente organizando os pelotões. As bandas dando energia e ritmo ao desfile. Faltou a corneta!
A percussão nos emociona.
Garotos e garotas vivendo um sonho que poderão realizar.
Fez lembrar até o lema da minha turma de ensino médio "O futuro é luz que se acende com o esforço de cada um". um lema positivista...
Fui caminhando e vendo alguns professores idosos assistindo sentado. Meus professores todos aposentados. Quer dizer, mais de 30 anos que deixei as escolas de Serrinha.
Fui seguindo! marchando para meu filho ver e fazer direito.
Vesti o espírito de pai e esqueci o ridículo, todavia tenho a empatia dos pais.
Então sob a luz cálida e dourada que fazia cair a tarde... Pensei no tempo, pois o espaço é o mesmo.
Só o tempo separa a vida da morte, meus pais que antes ficavam em casa hoje dormem na eternidade.
A tarde caiu terna e sonora.
Cumprimenta um e outro. Uma parada para conversar minhas ideias. Ora agrada e da atenção, mas o povo quer ver beleza e não ouvir ideias. Esse desfile só corre um ano.
Entender que se faz parte do passado. Gente tem ânsia de ver o diferente e belo. Os nossos filhos, netos marchando. Uma multiplicidade de cores, de movimentos e de som.
A gente ri orgulhoso.
Chegando na praça! Todos lindamente posicionados. Algo me chamou atenção.
A rua Eugênio costa forma bons cerimonialistas.
Antes ao lado da igreja Chiquinho de Raimundo mora apresentava os pelotões e a difusora da igreja gritava para todo mundo a beleza dos pelotões e de nossos filhos.
Hoje, Danielle de Neném quem é a mestre Cerimônia!
O povo de Serrinha se multiplicou tanto.
Para abrilhantar a festa a lua nasceu amarelo girassol.
Salve a pátria Brasil...
Voltei no tempo quando dona Livani e dona Lenita hasteavam a bandeira em frente a escolha.
E via os nossos pais e vizinhos tirarem o chapéu em respeito a pátria.
Saudoso sim.
Hoje tudo mudou e continuará mudando.
Enfim, não consegui mais dormir, as 3:30h o celular despertou e eu chamei minha mulher e meu filho e organizamos as coisas e voltamos para casa.
Com o tempo tudo isso parecerá apenas um sonho.
O que é sonho e realidade?
A gente decide?
Dei um mergulho no passado.
Fui rever o lugar onde cresci e vi que estava tudo mudado.
Não encontrei a abraço do papai,
Nem o beijo de mamãe.
A seca roendo a vegetação chega está cinzenta.
Mas a vida resiste e floresce nas aroeiras,
Nós cajueiros e mangueiras...
Torrada a terra poeirenta marca mais um ano de sequidão.
Mas a mim é só beleza.
A catingueira, o Juazeiro, o cumarú.
O cabeça vermelha, o cancão e o anum branco.
O sagui.
Emergi do mergulho.
Voltei feliz crendo que a vida não é um sonho.
Ontem ao sairmos da escola, fomos ao mercado.
Sassá pegou seu chocolate e seu rocambole.
Quando ele está interessado, toma de conta das coisas.
Sempre que levar suas coisas consigo no acento.
Meses do ano
1. Janeiro é o mês com um rio que separa o Rio Grande do Norte do Rio Grande do Sul.
2. Fevereiro é o mês onde são gerados os escorpioninos.
3. Março é o mês das águas.
4. Abril é o mês quatro embora seja o mês de abertura.
5. Maio é o mês das flores e da mais importante de todas sua mãe.
6. Junho é o mês de Campina Grande ser o centro do Brasil.
7. Julho é o mês das chuvas em João Pessoa. Economia de energia com o friozinho gostoso aqui.
8. Agosto é o mês que nos deixa maluco com o sol e a chuva disputando maior presença.
9. Setembro é o mês do sete, mas que se trata do mês nove.
10. Outubro é o mês do oito que segura a balança.
11. Novembro é o mês do nove que é representado pelo onze.
12. Dezembro é o mês do 10, mas é representado por 12.
Ontem, retornamos para casa em João Pessoa.
Sassá acordou cedinho, mesmo atordoado, dando conta de coletar suas coisas e colocar no carro.
Seus aviõeszinhos que ganhou.
Ficou desperto por um bom tempo, depois dormiu muito até chegar na tapiocaria em Angicos.
Então, como estava faminto comeu uma tapioca inteira de carne de sol e banana.
Depois seguimos viagem.
Sempre atento a viagem viemos conversando muito.
Em determinado momento se pôs a desenhar.
Um galo gigante que vimos em Assu, um casco de peba, um tucuxi, um papa-vento, um teiú, uma preguiça, um carcará...
Paramos para ir no banheiro no mato.
Encontre uma rocha oval.
Chamei-a de eggrock.
Gostamos da palavra.
Chegamos em casa e nem percebemos.
A semente do mussambé no baldo do açude deitou.
Quando a água secou ali germinou...
Cresceu molestada por percevejos,
Se vestiu de pelos glutinosos...
Bem lentamente sob o sol escaldante
Sob a noite enluarada, por vezes estrelada,
Crescia sem parar.
Seu corpo se dividia,
Suas células se reproduziam
O caule se ramificou,
Seus ramos armados e glutinosos,
Exalavam um cheiro de sertão.
Foi crescendo...
Crescendo...
Até que chegou o dia
Dia de floração...
Foi se desenvolvendo, se consgruindo,
Célula a célula,
Dai veio a inflorescência,
Dai veio o botão...
E numa tardizinha...
Como bicho que pare perante o sofrimento...
Uma flor desabrochou.
A primeira flor...
Flor de corola alva,
Quatro lindas pétalas unguiculadas,
Arrodeando o centro seis estames longos, finos e liláses suportavam as anteras.
No cento uma haste sustentava o singelo ovário
Com seus óvulos só esperando a fecundação...
A primeira flor foi abortada...
A segunda vez já não é surpresa...
Na inflorescência várias flores floriram...
Sempre a tardinha...
O cheiro se espalhou pela caatinga...
E para surpresa,
Naquela noite enluarada.
Uma visita aconteceu...
Um morcego veio e sem pousar,
Agradeceu e o néctar comeu...
Levou consigo o cheiro e um monte de polém, trouxe polém também.
E assim aconteceu.
Um amor no meio de sertão.
Caminhando contemplava o amanhecer,
De dourado a cinza a vegetação se tingia,
Meu peito pulsava de tanta alegria,
A cada passo mais coisas a se ver...
Na vastidão do nascente o sol de luz tudo preenchia,
A salsa na beira da estrada suas estrelas desabrochava,
Rosa vivo, verde vivo...
Rodeada de sequidão...
O sol estrela grande
Alumiava e aquecia e tudo tostava,
Mas a salsa resistente,
Nem assim se entristecia,
Sua estrela ao mundo sorria.
Mirando o juazeiro e a aroeira,
Cheirava o aroma das flores de mangueira.
Resistente, no setembro que cresce para dormir em outubro.
Sassá foi desfilar no sete de setembro.
Foi vestido de leão.
Estava todo empolgado, embora não conhecesse nenhum coleguinha.
Eu estava emocionado, afinal meu filho desfilou nas ruas de Serrinha e eu nunca.
Estava radiante como o sol ao fim da tarde.
Os raios dourados do sol tornaram a roupa de Sassá ainda mais bela e dourada.
A mãe foi feito um satélite.
Desfilou o tempo o todo.
Até a concentração na praça de evento.
No fim fomos brindados com uma lua gigante e amarela.
Uma lua meio eclipsada.
Assim definiu Sassá
Sassá adora desenhar.
A mãe abre o computador e coloca imagens para ele desenhar.
Ontem, quando cheguei em casa, ele estava todo orgulhoso, pois havia acabado o caderno de desenho e estava desenhando nas folhas.
Quis desenhar bichos da Austrália. Então desenhou casuar, canguru, diabo da tasmanina, raposa vuadora, ornitorinco...
Estava todo feliz.
Mostrou os desenhos todo fofo.
Então fui deixar ele na escola.
Conversamos sobre a minha manhã.
O silêncio do ser,
O existir refletido...
Manhã, tarde e noite,
Madrugada, aurora, crepúsculos...
Uma noite estrelada,
O mar...
E a pergunta fulcral
Quem sou eu?
O que sou eu?
Em que momento desperto para o meu ser?
O calor do afeto,
O frio da saudade...
A necessidade de Deus,
Que pode ser mais humano?
A razão.
Os pares de opostos
Bom ou mal,
Belo ou feio,
Justo e injusto...
Que horas desperto pra tudo isso.
É o começo do fim.
A inocência que é perdida ao despertar para a vida.
Ser um ser de relação.
Ser e existir...
Uma condição única a vida com razão.
A tarde nublada e ventilada cai suavemente.
No horizonte um navio passa lentamente.
As ondas vindo vindo vindo
Alegram a alma.
Penso nas Maracanãs que sempre ouço aqui.
Ouço uma patativa, um bem-te-vi.
Vinícius alegre fala sozinho.
Tem quatro anos.
Zildo o homem dos guarda sol se foi.
Descansa depois de mais um sábado.
Uma barreira feira pela maré aqui está.
Areia quente e seca
Anuncia o verão.
Quanta coisa boa.
30-08-25
Escrito em na praia de Cabo Branco, num lindo sábado.
Sassá acordou cedo!
Estava com muito frio, o ar estava gelado.
Então se levantou e foi me encontrar na cozinha.
Reclamou do frio. Levei-o ao banheiro para ele fazer xixi.
Depois voltou e começou a conversar.
Tanta coisa boa ele conversa.
Sobre bichos. Ele ama os bichos. Quer ter o mundo.
Risos.
Abraço, cheiro ele e peço a benção.
Enquanto tomava banho ele contava os seus planos.
Então após arrumado.
Ele me abraçou me beijou e disse que me amava.
E me fui.
Algo em mim tenta falar comigo.
Como se meu eu do passado quisesse dizer algo ao presente.
As tardes sublimes de minha juventude já sentiam esse oco metafísico.
Nem imaginava este mundo que agora vivo.
Mas algo naquelas tardes no corredor de nossa casinha, apontava para isso.
Algo eterno ficou em mim.
Conceitos éticos, religiosos, além do físico.
Sinto como se aquele eu estivesse olhando para mim.
E espreito, como se pudesse olhar para ele naquele tempo...
Uma tarde, nunca cadeira, li alguns conceitos que deixaram muito em mim.
Ideias... a imortalidade de Platão.
A não violência de Gandhi.
Só sinto.
Sábado fomos ao jardim botânico.
Fizemos a trilha pequena;
Engraçado que Sassá já reconheceu e perguntou porque vamos fazer a trilha pequena.
Queria ver bicho.
Vimos apenas dinoponera.
Ficou satisfeito.
Depois brincamos muito, fotografamos, vimos as abelhas.
Foi muito sossegado o fim de semana de Sassá.
Prestei atenção a minha conversa com Sassá ao deixá-lo na escola.
E o tem foi a gata mel.
No nosso prédio tem um jardim.
Ali muitas vezes os gatos fazem suas necessidades.
Tem uns três gatos, mas uma é mais amigável e presente.
Tem o pelo preto e vermelho amarelado, e olhos melados.
Por isso, a denominamos mel.
Ela está sempre presente.
Bom ela costuma se esconder atrás de uma espada são jorge.
Ontem, cheguei e fui aguar as plantas.
Então deu um banho em mel.
Então quando desci e entrei no carro, contei do banho em mel.
Ele ficou encabulado no fato de mel gostar de se esconder.
Por que mel se esconde papai?
Pra não ser vista.
Por que mel se esconde papai?
Pra não ser aborrecida.
Por que mel se esconde, ali na espada de são jorge?
Porque é mais fresco.
Por que mel se esconde, ali na espada de são jorge?
...
Com esses porquês quase fizemos o trajeto todo.
Na rua paralela a escolha, onde tem uma oficina, vi um fusca vermelho.
Gritei um fusca vermelho.
Como sempre disse!
Vamos desenhá-lo.
Concordei, pois não adianta discordar.
À tarde quando fui pegá-lo havia mais um fusca vermelho agora dois.
Quase parei para fotografar,
Acabei me esquecendo de comentar com ele.
A chuva chovendo,
Tem diferentes faces,
A face de cada é subjetiva, peculiar de cada sujeito,
Agora chove!
É maravilhoso ouvir a chuva chovendo.
Molhando a mata, o chão, o telhado...
Sinto paz,
Quando estou em segurança.
Para mim, que vim de onde chove pouco.
Chuva é sinônimo de benção.
Ontem, como sempre fui deixar Sassá na escola. Fomos conversando sobre como havia sido sua manhã. Falou que foi ao dentista, mas que foi rápido. Conversamos sobre o que eu havia feito. Enfim, fomos mais devagar. Sol quente do meio dia merece um ar ligado, janelas fechadas para não assanhar o cabelo de Sassá. Havia colocado sua blusa de frio, pois sua nova sala tem um ar agora. Cheguei, estacionei e como tinha pressa não estacionei como de costume. Foi mais apressado. Então quando chegou lá, dei um beijo e me despedi. Ele foi andando quando ganhou um abraço por trás de uma coleguinha. Foi engraçado, pois ele se sentiu desnorteado e feliz. Sem saber qual a direção. Depois sai correndo para a reunião.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...