24/03/25

Guaruba

 Sábado passado, 22 de março, fomos ao parque dois irmãos em Recife.

Vimos vários animais e entre os mais lindos estão as aves.

As lindas araras.

Ararajuba, Arara-vermelha, arara azul e arara boliviana.

Arajajuba de nome científico Guaruba guarouba.

Gua-do tupi tem sempre uma relação com a cor amarela a cor do bicho.

Me impressionaram pelo amarelo ouro.

A arara vermelha me impressionaram pelo vermelho sangue.

A arara azul por suas penas azul celeste.

E a arara boliviana pelo glaucociano da garganta.

Foi maravilhoso ouvir essa beleza gritante.



Pota o hipopótamo

 Fomos, sábado passado a Recife. Fazer?

Visitar o zoológico.

Qual é o maior bicho de lá?

Pota o hipopótamo que Vinícius chamava de "paquiderme".

Foi surpreendente porque vimos o tratador Will cuidar da higiene bucal de Pota.

Antes, desse fato, passamos no recinto duas vezes e paquiderme estava submerso, mergulhado.

Ficamos até meio desvanecidos.

Já estávamos contente, por ter visto as capivaras. Mas a atração era paquiderme.

Então, caminhamos até o recinto do chimpanzé e dos felinos quando ouvimos paquiderme gritar.

Vinicius voltou correndo, avistou, mas a luz no espelho que separa o recinto estava atrapalhando.

Bom satisfeitos.

Dai quando fomos mais a frente Vinicius percebeu o povo no recinto de paquiderme e voltou correndo.

Eita que bacana! pensamos. Olharam, olharam...

Até que a mamãe percebeu o tratador Will com uma caixa de comida.

Ela disse vai alimentar paquiderme, vamos esperar. 

E foi melhor.

Vimos a docilidade de paquiderme que abriu a boca para Will higienizar a boca.

Até falei para o Vinicius que Paquiderme não dava trabalho.

Will passou um remédio na boca de Paquiderme, escovou os dentes, mexeu na língua enorme de paquiderme.

Paquiderme só de boca aberta, de olhos fechados nos ignorando por completo.

Então Will deu grandes cubos de gerimum para Paquiderme.

Ele comeu.

E Will abriu a fala para perguntamos sobre ele.

-Qual é o nome dele perguntei "Pota" respondeu. Agora paquiderme pota.

-Qual seu nome? Will

-Quantos anos ele tem? 14 anos

-Qual o peso dele? entre 2 a 3 toneladas

...

Saímos tão feliz.

Vinicius amou.

Pota...

A gente já tinha visto "pota" inúmeras vezes, pois essa era a nossa quarta vez no parque Dois irmãos.

Acabamos descobrindo mais coisas sobre esse animal maravilhoso.

Depois fomos almoçar e brincar no parque.


21/03/25

Acoita-cavalo perfumado

 Vestido de noite vi o acoita cavalo.

Com ramos pêndulos

De flores ornado!

Tão lindo e perfumado.

Sim estava perfumado,

Com cheirinho alvo

Cheiro alvo como suas flores.

Nesse mês de março foram muitas as surpresas.

Essa foi uma delas.

Volições

 Na infância sobrava ociosidade e espaço.

Tudo que existia dependia das estações que para nos era a chuva e a seca.

Na seca que tinha para olhar? Tudo era reduzido, a comida e a água, tanto nossa como dos animais.

Desapareciam os animais invertebrados como insetos, imbuas e vertebrados que por vezes apareciam como os preás.

E sempre tínhamos a esperança de tudo melhorar no inverno seguinte.

A gente precisava acreditar no futuro por questão de sobrevivência.

No inverno o chão estava molhado e dava para fazer curral.

Tinham as flores para olhar e dissecar, frutos para brincar e comer.

Tinham ainda imbuas, formigas, borboletas, mariposas, serpentes apareciam.

A gente tinha matéria de sobra para viver.

A gente aprendeu a acreditar no futuro, mas o futuro guardava tragédias que a gente depois pela razão iria descobrir.

Na infância tudo era interessante por sermos totalmente ignorantes.

Tudo que existia ia ganhando nome...

E esses nomes depois ganharam símbolos sem as representações pictóricas.

A, E, I, O e U.

Cara! o que é isso?

Porque não aprendemos a desenhar?

A ler os desenhos.

Foi profundamente influenciado por um livro de animais da sexta série de capa verde e com animais.

Foi ali que pus os meus pés na sistemática e na biologia.

E o que me atraiu foram os desenhos

As representações.

Lembro que queria muito desenhar coqueiro.

Tínhamos uma aula e era na sexta-feira, e não tínhamos caderno de desenho.

Uma ou outra vez.

O desejo nos alimenta.

Queria desenhar.

E não decifrar as vogais e o alfabeto seco.

Queria imaginar nos desenhos e não aqueles textos abaixo dos desenhos.

Como vim parar aqui?

Me questiono.

Da infância até aqui foi um longo caminho.

E ele continua até o fim.


Cheio de nada

 A minha infância foi um vazio de conceitos. 

Minha infância estava cheia de realidade.

Eu olhava para as coisas, via as coisas, sentia as coisas com as mãos, com os olhos, com os ouvidos com o gosto.

As coisas eram o que eram não conceitos.

Desde que descobri os conceitos.

Tudo perdeu a realidade. Muita coisa passou a ser ilusão.

Prestei atenção nos movimentos.

Ah!

Essas coisas encheram tanto a minha mente que não sei como me desapegar.

20/03/25

Cacaia a sapucaia

 Fiquei pensando na percepção que tive da sapucaia cacaia.

Os ramos laxos e pêndulos com folhas meio encaracoladas.

Seria algo para tristeza ou seria timidez?

Ah! cacaia.

Sapucaia.

Sapucaia a árvore imponente e copa em cabeleira.

Uma copa encaracolada.

Uma cabeleira encaracolada,

Vez por outra um fruto se cria,

Vez por outra se vinga.

Após uma cândida florada,

Um florada perfumada e abençoada.

Se deita no chão.

E tu que por cima passas,

Nem se quer pensas.

De onde veio essa flor?

Nem sequer pega na mão 

A afaga com um cheiro.

Por que me ignora pergunta cacaia?

Por que não me vês,

Por que não me sentes?

Estou aqui humanidade...

Todos os dias assisto você chegar e partir,

Gerações e gerações a se formar,

Nas ciências humanas.

Estou aqui.

Tão imponente, meu tronco fendido,

Mas não me vês não me conheces.

Sou a sapucaia cacaia.

Estou no estacionamento, na central de aulas daqui

Da ufpb...

Eu estava aqui quando me tiraram da mata,

Colocaram essas pedras para os carros dormirem.

Ninguém me vê.

Sou eu.

Cacaia a sapucaia.

19/03/25

A sapucaia triste?

 No campus I da UPPB temos o privilégio de termos nove remanescentes e árvores nativas por todo o campus. Hoje percebi uma coisa interessante ou não, mas vamos lá vi as árvores de sapucaia. Duas delas avisto todos os dias. Elas são muito peculiares pois seus troncos enormes são profundamente estriados e suas folhas simples tem margem serreada, os ramos são laxos e as folhas um pouco encaracolada.


Pensei.

A sapucaia cacaia.

A sapucaia cacaia!

Estás triste sapucaia,

Seus ramos pêndulos de folhas meio curvadas,

Parecem triste,

Parecem triste.

Seu tronco imponente e estriado,

Está sempre acinzentado,

Será saudade de viver no meio da floresta?

Será saudade de está dentro de casa?

Feito um cão que não pode entrar em casa,

Nos estacionamento ai está plantada,

Nem um filho a avistar.

Nenhum filho a zelar.

Sapucaia

Sapucaia,

Seus frutos são lenhosos,

São chamados de pixídios,

Parecem um jarro de barro,

Parecem um jarro emborcado!

Porque da tristeza sapucaia?

Ou está a sorrir de quem te olha,

Rindo da ignorância alheia.

Será!

A gente fica a te avistar.

Muita gente a perguntar

Essa árvore quem será?

Aos poucos quem te conhece,

Vai partindo

E tu que eras conhecidas,

Como a gente é um desconhecido na multidão.

Sorria!

Não apenas quando florida!

Te preparas para amar,

Fica enfeitada e perfumada de flores,

Mas agora!

Te acho triste.

Isso passa.

A cigarra narra

 A cigarra narra saiu a voar quando a noite caiu. Voou, vou e seguiu uma luz. Entrou pela janela. E começou a voar desordenada batendo nas coisas. Dentro do quarto o pai e o filho brincavam de dragões. E suas atividades foram paradas. Ao perceberem narra que voava pra lá e pra cá. O papai ficou aguardando narra pousar ou cair. Pensou ele será só questão de tempo. Narra por ser maior que outros insetos como mariposas noturnas com grande destreza de voo, voava desorientada. Até que pousou! Depois voltou a voar. Atentos pai e filhos continuavam a observar até que ela pousou na porta do banheiro. O filho a encontrou. O pai pegou um pote de vidro e a capturou. Ela ficou ali segura no pote frio e transparente de vidro. Até o outro dia o menino pegou folhas e colocou no pote para narra comer, mas ela não comeu. No dia seguinte. Ele a contemplou inúmeras vezes. Ele aprendeu o que é um bicho cigarra narra. Então quando ele foi para a escola sua mãe a libertou.

18/03/25

O sabiá e o jucá

 O sabiá sassá foi visitar o seu amigo o jucá cacá.

Cacá tinha sido amigo de Sassá desde que este era filhote,

A mãe e o pai de Sassá construíram um ninho nos ramos de cacá que os acolheu com uma morada, uma ótima sombra e lindas flores amarelas.

No meio do vôo viu a aroeira aurora,

Que o convidou para pousar,

- Olá sassá vamos prosear.

- Que me conta dos ares lá de cima?

Canta para mim.

O sassá que gostava de conversar

Pousou e começou a conversar.

Contou tudo que havia sabido de vários lugares do cariri.

Quando deu por elas já era quase noite.

Então a aurora o convidou para ficar a noite.

Ali ele cantou uma ave maria e dormiu.

Só foi lá para cacá no outro dia.

Pavão misterioso

 Mês passado, fevereiro 2025, havia concluído a aula quando foi surpreendido por um presente maravilhoso. Ana, de Piloezinho me presenteou com um cordel "Pavão misterioso". Conhece?

Então quando cheguei na minha sala comecei a ler e não consegui parar de ler.

Li a história inteira. Fiquei encantado. Achei maravilhoso.

A historia de dois irmãos, uma fortuna, uma mulher, um sutão... Foi primeiro levado a pensar no texto da Iliada na figura de Helena. Depois não mais me vem a mente as histórias de as mil e uma noite.

Certamente, Borges teria ficado encantado ao ler o texto Pavão misterioso.

O título é perfeito já que o pavão é uma ave que em muitas culturas representa beleza, imortalidade, paz, amor, prosperidade, e renascimento. E realmente podemos abstrair tudo isso.

A parte o signo.

A narrativa é excelente!

Despertei para coisas que não entendia, mas que me encantava como o painel presente no Hemocentro em João Pessoa. 

Nesse mesmo período ao ir doar sangue parei para ver esse lindo painel e lá estava uma moça em seu claustro e um pavão.

O aeroplano.

Fez mais sentido.

Quando tive uma visita ainda no mesmo mês de um amigo natalense e então fomos a estação ciência no grande painel lá exposto também estava o pavão...

De certo, essa história faz parte do inconsciente coletivo dos pessoenses.

Certamente sem a arte não teríamos um espirito como este entre nós.

Tudo isso, pela percepção de Ana que gosto de verso e viola.

Recomendo a leitura do cordel "Pavão misterioso" de José Camelo de Melo. 

17/03/25

Bom conselho

 O tempo foge de quem quer esticá-lo.

Fuja do tempo 

Fuja do tempo 

E ele te seguirá como tua sombra.

O tempo é tudo que temos.

Viva mais, deseje menos.

Vida para que entender?

 Quanto me quedo sozinho?

O silêncio é externo porque a minha mente é puro movimento.

Ontem chego a uma conclusão óbvia.

A vida é desconhecida de todos nós.

Vivemos tentando agarrá-la, entendê-la para poder aproveitar.

Mas nada conseguimos.

Nem nossos bisavós, avós, pais...

Simplesmente vivemos sem tentar entendê-la.


Fiquei quieto

 Fomos a missa ontem Vinícius, a mamãe e eu. Ontem foi um dia a moda Vinícius, ou seja muito intenso, mesmo ficando entocado como na história do tatu taruto tarantino. Nos criámos universos em nossas mentes e tudo fica grande. Bom! Brincamos demais, tomamos banho, almoçamos e a tarde fomos a missa. Vinicius não para na igreja. Pula, acena, brinca, sorri, lancha, entra em contato com os nossos amigos, fala... mas tanta atividade é sinal de fadiga. Então teve uma hora que não deu a mamãe deu mameco e ele dormiu profundamente, desde a homilia até a benção final. Dai acordou após a benção fui tomar água e ele foi comigo. Então ele solta uma pérola. Tá vendo papai como sou capaz de me comportar na igreja. Fiquei bem quietinho e a missa passou muito rápido. Morri de rir com essa deixa de Vinícius. Como dizia mamãe, fulano é parada. Vinícius é parada.

14/03/25

Os pássaros me disseram

 A patativa cantou,

O sanhaçu cantou,

O sabiá cantou...

Eles entenderam a alegria das plantas em floração.

Entenderam que precisam trabalhar.

Entenderam que precisam construir seus ninhos.

Entenderam que seu canto é seu atrativo.

Entenderam que sem canto sem companheira.

Entenderam que se trabalharem bem.

Seus ninhos, suas companheiras terão recurso.

Logo dividirão o trabalho.

Enquanto isso!

As flores desaparecem,

E os frutos delas crescem.

E os frutos amadurecerão.

Alimentando as patativas, os sanhaçus e os sabiás

Que terão mais energia para a grande jornada

Que é a reprodução.

Foi o que me disseram esses pássaros.

13/03/25

Primo do sabiá

 Em terras estrangeiras,

Ouvi um pássaro cantar,

Tinha o tom de um sabiá,

Parecia a ave de cá,


Perguntei que ave era,

Melro me responderam,

Quase escurecia,

A ave vestia de noite,


Amarelo canto feito o bico.


Melro

Sabia sabiá

O sabiá canta
Mas canta sem alegria.
O canto é contente,
Mas quando se olha para o sabiá
Não se percebe felicidade.
O sabiá canta porque sabe cantar.
Canta para enfeitar o amanhecer,
Canta para enfeitar o entardecer.
O sabiá combinou com o dia.
Cantei, canto e cantarei...
Sabiá nem sabia que ia cantar
Para eternizar um momento entre mim e mamãe,
Entre mamãe e o sítio que ela cresceu.
Estavas na aroeira,
E era tarde,
E era 2021.
Tantas manhãs e tardes tropicais,
Esperamos esse momento eterno.
Só para esse acontecimento.
Sabiá sempre que cantar
Mamãe estará desperta!
Sabia sabiá.

Surpresa botânica

 Ontem, fomos observar uma munguba comprometida aqui no campus I da ufpb.

E para minha surpresa vi duas plantas no estacionamento que nem imaginava.

Uma Libidibia leiostachya e um Chloroleucon.

Bacana preciso voltar lar para saber mais sobre estas plantas.

Nem eu sabia(á)

 Que belo é o canto do sabiá.

Tenho uma sensação de calma,

Tenho uma sensação de paz.

Canta pausado,

Parece pensar o seu canto.

Pousado no ramo.

Tem um olhar concentrado

Ou perdido.

Suas perninhas finas e fortes,

Seus pés engarfados

Sustenta esse corpo emplumado

Que canta a pensar,

Que pensa ao cantar...

11/03/25

Saudade

 Saudade não mata!

mas quase consegue,

Falta fôlego!

Aquela falta.

Aquele vazio.

Nunca deveras preenchido.

Saudade.

Para pensar

 O objetivo da inteligência é o trabalho das mãos. Montessouri

Ignorância musical

 Lembro do termo cantoria!

Lembro que o tio de papai apelidado por Michico gostava muito.

Lembro que Lorival marido de tia Raimunda também gostava muito e organizava cantoria na casa dele.

Eu nunca fui.

Não gostava. Não lembro de papai ouvir.

Lembro de longe o nome Eliseu Ventania.

Só vim conhecer a voz e a obra que tive acesso a pouco tempo acho que em 2022.

E venho me familiarizando com sua obra e sua voz.

Era martinense do pé da serra.

Cada vez vou descobrindo mais sobre o poeta e sobre o gênero.

Sei que ficou cego.

Que foi morava em Mossoró e que fazia um programa de rádio.

Gosto muito de suas canções.

Em especial "Folha seca".

Pra fechar. 

Cantoria para mim soava como algo velho. 

Algo ou um gosto de velho.

Hoje, estou descobrindo a minha ignorância sobre o gênero e o tamanho da minha ignorância quanto a nossa cultura.

10/03/25

A vida trágica

 Num interior pequeno uma menina nasceu com uma doença. Com poucos anos de idade perdeu a capacidade de andar e passando a depender de uma cadeira de rodas. Sua mãe extremamente cuidadora e protetora criou e cuidou com tanto carinho. Todos os dias a alimentava, a banhava e colocava sua filha para dormir. Além disto, trabalhava como costureira nos natais costumava fazer uma árvore de natal toda colorida. Esta mulher viveu com seu esposo que amava cuidar da gado. Conseguiram viver em harmonia por muito tempo. Tinha uma casa simples e móveis e uma máquina de costura. Ele tinha um cavalo, um burro, umas vaquinhas de onde tomavam leite. Um dia essa mãe faleceu e a vida continuou para a pobre menina e seu pai. Os anos os consomem estão velhos. A tragédia faz parte desta família e de todas as famílias. 

07/03/25

Caminhar

 Acordei quando tudo era sombras.

Sombras da madrugada.

Despertei e orei. As orações mais lindas.

Oração de São Francisco, Divino Pai Eterno, Sagrada Família, Espirito Santo, Salve rainha.

Li um Salmo, um provérbio e Genese 31.

Assim preparado. Alimentado a alma.

Fui alimentar o corpo preparando e tomando o café.

Depois veio o banho, a roupa e o dia de sexta começou.

Mais um dia com sua rotina.

Entre tantas rotinas.

06/03/25

O carnaval matuto

Fevereiro 2025.

Passei o carnaval no interior do Rio Grande do Norte. 

Lá onde abundam as matas verdes da caatinga. A terra pedregosa de barro vermelho cobertas de plantas de flores diminutas de euforbiáceas, gramíneas e anacardiáceas. Seria minha visão subjetiva daquele lugar? Quem sabe. Pensei muito sobre a simplicidade presentes nestes lugares. Sim lugares com regimes climáticos tão variáveis carecem de simplicidade. Reina no ambiente ervas e arbustos de ramos armados e intrincados, flores diminutas e bichos invertebrados multivariados. Acordava com a luz suave e o canto da passarada com destaque para o sabiá. Comia sempre algo que contendo leite. E assim os dias passavam em sua suave monotonia. E agradava o vento suave, o gosto do café, a presença de meu filho e minha esposa.   

Acaso

 Por acaso fui a Serra e tive a agradável surpresa de me encontrar com o professor de psicobiologia Cleanto Rego.  Conversamos muito, mas o tempo não foi suficiente para por o papo em dia. Meu amigo é um cientista brilhante da Serra do Martins, assim como seu irmão é biólogo formado no início dos anos 2000. Temos muitas coisas em comum. Mesma professora de biologia do ensino médio. Agora trabalhamos em cidades e instituições distintas, mas a amizade continua.

25/02/25

Bola de neve

 Ultimamente, venho sentindo a necessidade de pensa coisas que me faça sentir bem, uma necessidade de afirmar meu eu. Esse exercício é inerente ao ser humano. Causa-me estranheza saber disso, no entanto, mesmo assim não controlar o meu sentimento.  Aquilo que pensamos hoje, concordamos, afirmamos, parece perder o sentido no amanhã e parece ridículo quando olhamos através da memória, do tempo. Por que desses sentimentos. Fiz uma introdução que e não diz nada.

Mas é a forma como estou me sentindo.

Assim é.

Temos mundo interno ou abstrato ou subjetivo que adquirimos por meio de nossas experiências. Muitas coisas podem ser compartilhadas, mas os nossos sentimentos são impares.

Podemos mudar os nossos sentimentos ou pelo menos reduzir os sofrimentos por estes causados?

Acho que deve ser um exercício exaustivo de "conheça-te a ti mesmo".

Um exercício de só se encher até as bordas e nunca transbordar.

Um exercício de se sentir satisfeito com o que tem, pensamento dividido pelo grande Aristóteles?

Ou ainda mais sublime por via da individualidade como ensinou o Cristo?

Epicteto, Marco Aurélio, Sêneca.

Confúcio, Lao Tsé.

Buda.

Tantos sistemas que nos permite pensar a existência, os sentimentos... Enfim numa profunda imersão no ser existente.

A gente se perde... A gente se perde nos ismos.

A gente se perde nesse mar de informações que nos permite pensar e se expressar.

A gente quer se expressar e libertar a mente do peso da existência ou melhor do peso da Razão...

A razão que nos permite afirmar vais envelhecer, vais morrer.


E a gente ao notar isso na gente chega dar um frio na espinha.

Rugas, calvície... a percepção que o tempo passou e que você é o mais velho do espaço...

Tá mais experiente, mais desorientado.

Foi a livraria.

Estive na seção de filosofia, minha favorita.

Lembrei de um amigo da Costa Rica, na vez que estivemos numa livraria em Campinas quando disse que dava uma angustia saber que nunca poderíamos ler todos aqueles livros.

Deveras... Sentia isso.

Eu queria ser um daqueles escritores.

Eu queria ler e entender cada um deles. Descartes, Spinosa, Kant, Hegel, Schopenhauer.

Já me conformei. Sim Salomão está me ajudando muito. A bíblia foi para mim literatura prima.

Volto a esta.

Volto a esta.

Agora vou tentando comer e digerir um pouco de cada vez.

Estou aprendendo os conceitos em outras línguas como assim a lógica parece ser.

Lao.

Upanishades.

...

Nada faz sentido se não dermos um sentido.

Usemos nossos sentimentos para direcionarmos um sentido.

Nemastê

21/02/25

Exteriorizar

 Escrever algo é materializar o pensamento e expandir suas ideias e saberes.

Trazer à tona quem você é. Exteriorizar o espírito.

Cantar também em parte cumpre essa função,

Dançar, pintar...

São formas de exteriorização do espírito.

A palavra cumpre a função de materializar o pensamento.


19/02/25

Só um sentido

 Um sentido

Se temos cinco sentidos,

Por que buscamos uma ilusão.

Um sentido é uma ilusão.

A realidade é cheia de sentidos.

Para frente, para trás,

Para cima, para baixo,

Para a direita, para a esquerda...

Ver,

Ouvir,

Tocar,

Cheirar,

Degustar...

Tudo tudo tudo rumo a consciência,

Tudo girando numa mente,

Em busca de um vago sentido...

Nos apegamos a sentidos,

Nos apaixonamos pelo sentido,

Enquanto a realidade é complexa...

Porque apenas um sentido.

Um caminho

 O dia despertou neblinando,

Depois o sol apareceu e tudo aqueceu.

Assim despertei,

Fiz minhas orações,

Acalmei o coração.

Assim costumo fazer para me acalmar.

18/02/25

Ciclo

A tarde que rápido passa,
Parece tão igual,
Me sinto tão normal.

Tempos assim.

Acordo feliz,
A manhã que me faz feliz.

E vou descobrindo o meu dia
E vou descobrindo o meu dia,

As vezes me surpreendo,
As vezes me surpreendo.

As coisas novas são boas,
As coisas novas são ruins,

O novo novo,
O novo velho.

Tudo passando,
Tudo renovando.

E a vontade sempre se revendo.
Em desejos, em intenções,
Em descobertas...

05/02/25

Fevereiro chuva e flor

 Fevereiro passageiro,

Toda soma é quatro lua

Dia e noite a se fechar.


Sol, estrela, luz e calor


O verde da mata cinzenta,

Mata cansada, e enfadada,

Com a chuva que chegou,

Chão molhou,

Secura sumiu,

E tome calor!


Do verão que passou,

Só a folhagem no chão,

Agora, toda florada,

Agora toda florida,

Flores alvas e amarelas,

Floresce a guabiroba,

O pombeiro,

O pau-sangue,

O ipê e o jitai...

Nunca vi...

Nunca vi.


04/02/25

Guabiroba

 Guabiroba é uma árvore,

Com madeira muito bruta,

Seu tronco colunado e canelado,

Sua casca áspera, estriada e amarronzada,

Que termina em ramos laevigatos,

Bem marronzinhos e lisinhos,

Como folhas largo-obovais,

Opostamente dispostas...

Quando chega o verão,

Perde as folhas,

É caducifolia.

Depois se compõe,

Apresenta folhas e flores,

São alvinhas, perfumadinhas

Com doces odores

De doces odores,

Uma a uma caem as pétalas,

Uma a uma pinta o chão,

De um alvo nebuloso,

Ficam os pistilos,

Seca o estilete

Enquanto cresce o fruto escuro,

Atropurpúreo, bem docinho,

Uma baginha,

Para as aves se alimentar,

para as aves dispersar. 

03/02/25

A verdade vem no caminhar

 O tempo e o espaço 


Tudo flui sem cessar.


Ainda ontem, vivi

Ainda ontem, vivi


Vivi com o meu pai 

Vivi com a minha mãe,


Porém não vivo mais.


Ele partiu,

Ela partiu.


Em plena harmonia ele vivia.


Cuidava da roça,

Cuidava da casa,

Cuidava das amizades,

Cuidava da mamãe,

Cuidava de nós.

Cuidava de si.


Como era bom no nosso sítio passear,

Nele havia harmonia.

O cardeiro, a aroeira, o anjico e o mororó 

Ali crescia.

O catolé ali floria e frutificava.

A vinca e as graviolas ele aguava.


Como era bom ver o partido de palma,

As cercas aramadas.


...


A tarde na calçada se sentava.

Um café fazia e tomava.

 

E assim a vida passava.


Parte da minha vida assim vivi.


Agora disso tudo me despedi.


O pai agora sou,


Pai agora sou.


De papai tenho as memórias,

De papai tenho os conhecimentos.


Continuo sendo,

Seguindo até quando?


...


Só resta no fim

O tempo.

02-02-25

Cajaraneira

 Um pensamento me tomou a pouco tempo. 

Era uma memória, dessas que aparece e não dá em nada.

Bem, ultimamente tenho voltado no espaço e no tempo.

O espaço é Serrinha do Canto e o tempo é década de 80 e 90.

É um pensamento deveras particular.

Algo daquele tempo ainda está lá.

Sim, papai se foi, o espaço é o mesmo.

Mas há ali vários pés de cajarana.

Papai usava como estaca de cerca.

Lá vai encontrar vários indivíduos.

Dois na cerca da frente.

Na cerca ao norte quatro.

No interior cinco,

Na cerca do poente três

No total cerca de 15 árvores.

Sem contar do pé plantado na cerca de Miguel no parieiro.

É nada e é tudo.

31/01/25

Pensando o tempo

 A tarde cai morna,

Na calçada de minha casa me faz sentir esperança.

As árvores secas,

O chão torrado e empoeirado,

As vincas floridas

Com flores alvas e rosas, vincas de papai,

Um beija-flor estrala beijando as flores do sapatinho.

Tudo é esperança.

Nuvens bonitas no céu aquecendo o coração na esperança de chuva.

Longe cantam as aves, bem-te-vis.

O Juazeiro enramado e florido.

Um fim-fim.

A lufada de vento fresco.

O silêncio da minha casa, sem o café de papai, ou a presença terna de mamãe.

A vida que segue.

Os catoles continuam vivos e mais maduros.

Vivo o tempo em nós nos enche de esperança,

Porque é da nossa natureza crer em um momento melhor.

Eternidade é essa.

28-12-24

Encamtamento 29-12-24

 Nas cinzas do sertão,

O flamboyant florido,

Torna o dia encarnado,

Dia todo de aurora,

Dia todo crepuscular,

Encarnadas flores,

Feito o fogo da salsa,

A conversar com Abraão,

Um dia, uma semana de aurora,

Boã, boã,

Da casa de Tereza,

Da casa de Tica,

Da casa de Chica,

Um sonho plantando,

Um sonho cultivado,

Enfeitando a igrejinha de são Francisco,

Enchendo os olhos 

Dos amantes das cores,

Dos amantes da vida

Vida verde vegetal.

Boã boã...

Esse mês do ano derradeiro,

Logo se entrega a janeiro,

O calor cáustico,

A vontade de comer doce, o enfado da vida.

Aquele que não se entrega as vontades 

Do paladar,

Enche a alma de esperança,

Enche o peito de amor,

Troca um pouco de água por uma flor...

Jardins... Ah jardins em hortas e panelas,

Jardins de cores,

De visitas de beija-flores.

Que felicidade em tua longa aurora diurna.

Em suas casas amarelas, em suas casas confortáveis,

As senhorinhas transmitem sua sabedoria,

Ganhadas de suas avós no cultivo da paciência,

No cultivo de suas flores...

Os pereiros do morcego alvos e perfumados,

Me fizeram parar

E assim parei para contemplar os últimos dias de 2024

Boã, boã 

De Tereza, Tica e Chica... No Porção, no Pinhão, no morcego e nas vertentes.

Nessas bandas do oeste potiguar, Martins, Pilões e Serrinha.

Indignação

 Passeando neste sertão

Vendo na estrada a marca da gente,

As casas vazias e abandonadas,

O lixo e a sujeira 

Por gente ali deixada,

Desmatamentos,

Queimadas,

Barreiras rompidas,

Solo nu...

Que tristeza,

Que tristeza.

Salma a alma boa,

Aquela pessoa 

Que ali habita,

Resistente do ir e vir

Ah plantas ali cultivada,

Os terreiros limpinhos,

O olhar cansado,

Aposentado,

O sertão está morrendo,

O sertão está morrendo,

Abandonado.

O sertão morre em abstração,

Só restam memórias e afeto dos que ainda estão vivos, contando os dias de morte,

O sertão está morrendo,

Sertanejo se modernizou,

Para a cidade mudou.

Sem sertanejo raiz,

Tudo fica por um triz.

Sem afeto sem apego,

Por quem vamos esperar...

Só resta exploração,

O riacho perde sua gordura de areia,

Garganta funda,

Cavada por retroescavadeira,

E caçamba a carregar,

A mata queimada, 

Retirada e ocupada por usina solar,

O solo desnutrido daquela que a protegia a vegetação,

Parques de ilusão.

Todo mundo, tanta pressa, tanta pressão,

Está morrendo o sertão.

29-12-24

Pensado não vivido

 Sai para caminhar e vi o mundo tão imenso.

No meio da caatinga fui preenchido de felicidade.

As coisas simples que encontrei como seixos um, dois, três.

A arquitetura das arvores e arbusto,

Os círculos de tamas de garrafas, as linhas retas da estrada,

Os pássaros cantando, minha fé em Cristo.

A certa altura me perco no tempo,

A certa altura me perco no tempo.

A certa altura sou parte da natureza.

A certa altura sou consciente de minha consciência.

A certa altura estou consciente de minha razão...

Então uso as rochas de terço.

Meu Deus quanta beleza.

Então me conscientizo e estou feliz por entender que a manhã é uma parte do dia e que o todo é composto de partes.

Entendo, não recordo que o homem é o único ser capaz de abstração...

Como somos pequenos e caímos o tempo todo na cilada de nossa consciência...

Penso em tanta coisa,

Então então e me forço a não pensar em nada... E eis que o vazio me preenche.

São Francisco de Assis, padin Cícero, frei Damião... Essa fé que preenche nosso nordeste.

Feliz... Penso hoje é terça feira, independente de ser o último dia do ano... Os dias são tangíveis, semanas, meses e anos são puras abstrações.

Imediatamente me bate um desespero, então vejo meu filho... E aí sinto a melhor prova da existência... Como de tanto refletir, Descartes conclui 'penso, logo existo'...

Muita coisa junta numa única mente.

31.1.24

19/12/24

Pai te amo

 Pai,

São quatro longos anos sem ti.

Seguimos em frente como adultos,

De cabeça erguida, sem olhar para trás.

Tomamos nossas responsabilidades!

Estamos unidos como gostaria de ver.

Estamos cuidando uns dos outros.

Estamos cuidando de nossos irmãos,

De nossos sobrinhos e nossos filhos.

É muito difícil muitas vezes não ter o senhor para compartilhar as coisas.

As dores e as alegrias.

A vida não é fácil, mas sem ti é ainda mais difícil,

Mas somos pais e mais e precisamos dar continuidade,

Como fizeste quando papai Chico se foi!

Temos que dar amor e afago a nossos filhos, sobrinhos e irmãos.

Saudades papai de te encontrar na velha casinha.

Ainda bem que Li cuida dela com muito amor.

E não estou sem ter para onde ir no Natal.

Vou ouvir Nelson Gonçalves no Natal e lembrar todos os momentos juntos

Sim que nos comemoramos juntos.

Te amo papai.

Quatro é um número de fechamento de um ciclo...

Quatro pontos cardeiais,

Quatro elementos constituintes do universo,

Quatro elementos...

Pai.

Saudades para sempre!

Você foi o melhor pai do mundo....

Mas como queria dar aquele abraço tropo que a gente dava.

Agora posso abraçar Vinícius e ser pai.

Assim é o ciclo da vida.

Acendi uma vela para ti já viu.

Te amoooo.

13/12/24

Na fé

 Agora vejo o tempo com outro olhar, um olhar diferente daquele de antes.

Um olhar sereno e sem pressa.

Não me interessa mais tanto o amanhã,

Não me interessa o ontem.

O que me interessa é o hoje o agora.

Tenho em mim o passado, o presente e o futuro,

Menos passado, menos futuro e mais agora.

Olho o passado com carinho, com saudades, mas sem vontade de voltar,

Olho o futuro sem pressa, sem muito ânimo, pois sei que não posso esperar muita coisa.

Me interessa o agora o momento!

Me interessa a felicidade do meu irmão, do próximo... É sempre melhor que seja maior que a mim.

Só tenho gratidão.

O tempo tem me ensinado essas coisas,

Deus em Cristo tem me ajudado...

Palmeiras

 Palmeiras primeiras!

Amigas e vizinhas.

Amo te olhar!

Amo te contemplar!

A ti ensinei meu filho Vinícius a mirar.

A gente te comtemplava!

E eu o ensinei a acenar olhando para ti.

Eu olhava as folhas e dizia,

As folhas estão balançando!

Balançando!

E você aprendeu a gesticular.

Mamãe era viva e viu você acenar dizendo tchau,

Todavia a gente dizia balançando...

Palmeiras irmãs,

Palmeiras vizinhas!

Tenho memórias de tuas parentes,

Longe, muito longe!

No terminal de Barão Geraldo foi onde te apreendi...

Dypsis madascarensis...


Jasmim amigo

 Jasmim a quem contemplo de minha janela,

Tuas folhas em arranjo de coroa,

Tuas flores são buquês de noiva,

Flores tão alvinhas!

O vento sopra e faz suas flores a balançar,

Feito estrelas no céu a brilhar,

Flores alvas com garganta amarela,

Vez por outra se desprende uma flor

Voando tadinha, cai suavemente pelo vento levando,

Voando e girando em direção ao seu destino,

A rua seca ou molhada...

Jasmim forte amigo,

Está sempre comigo,

Sempre que preciso me sentir vivo,

Basta mirar pela ganela,

E lá tu estás como um amigo

Pronto para me consolar,

Pronto para me mostrar a realidade da vida.

Jasmim, aqui eternizo sua existência,

Dou ciência de nossa amizade.

Querida Plumeria pudica.

10/12/24

A vela

 Acendi uma vela para nossa senhora da Conceição.

No dia 08 de dezembro de 2024.

Uma vela como qualquer vela comum.

Branca, linear, cilíndrica e lisa, com base plana e ápice agudo.

O pavio um cordão de algodão,

A luz foi consumindo a cera e o pavio,

A luz foi alumiando o espaço,

A luz terna, amarela dançava com o vendo,

Mirando o que via uma vela,

E a minha alma via outra coisa,

Eu via através da vela,

O tempo,

As orações...

As orações de aflição de desejo.

Essa oração era de agradecimento.

Muito tenho a agradecer a Deus...

A Deus...

Bruxuleante a vela ia queimando,

Marcando o tempo seu curto espaço de tempo de existência.

É preciso ver através das coisas...

28/11/24

Jaca em família

 Eu sempre amei frutas.

Caju, goiaba, pinha, araçá, seriguela, pitomba, pitanga, umbu, cajarana, cajá, coco, coco catolé.

Essas tínhamos em casa.

Agora a jaca.

Jaca não dava, a nossa terra era seca demais.

Na nossa comunidade tinha e ainda tem o pé de jaca de Loló de Rejane de Dezu.

Jaca era objeto dos meus desejos.

Papai, tinha um tio que morava num sítio enorme de jaqueiras em Martins.

Às vezes, ele conseguia uma jaca.

Aquela coisa cheirosa, amarelinha e docinha.

Não sobrava dinheiro para comprar.

Bem no sítio de minha avó tinha, mas era tantos filhos e netos que ela tinha que não sobrava.

Isso gerou um guloso. Eu.

Que tinha como fruta favorita a jaca.

Para comer jaca tinha um ritual.

Geralmente se comia de manhã.

Era papai quem abria, usar os garfos nem pensar para não encher de visgo.

A gente quebrava uns pauzinhos e íamos comendo os bagos que eram contados.

Uma época papai pediu os bagaços de jaca para a vaca comer

E ele sempre trazia uma ou duas jacas nos caçoas velho.

Sim jaca boa só se fosse de cima da Serra de Martins.

Ele saia montado num burro e as vezes eu ia com ele na garupa do bicho.

Quanta coisa se passa na minha mente da infância.

Numa jaca.

Só afirma o maravilhoso pai que foi o meu

E a maravilhosa família que foi a minha.

Hoje, tenho as jacas que eu quiser,

Mas não tenho com quem comer,

Com quem repartir...

Abrir uma jaca... por mais que eu coma,

Sempre metade é perdida.


26/11/24

Despedida infinito e eterno

 A casa

A casa que morei

Onde mais vivi,

Papai quem a construiu,

Alí uma flor mamãe plantou,

Ali vivi os dias mais plenos de minha vida,

Minha infância querida,

Dali tive que parti,

Mas posso voltar de vez enquanto,

Papai que a fez,

Tantas vezes foi,

Tantas vezes voltou,

Chorou quando entendeu que a partida estava primeira.

Se despediu, porque sabia que a eternidade estava te chamando.

E foi e nunca mais voltou.

A casa está ali.

O lugar está ali.

O espaço nunca sai do lugar.

O tempo é a moeda que nos permite deslocar,

Enquanto tivermos corpo para consumir.

Porque um dia...

Como papai terei que me despedir.

E o espaço será infinito.

O tempo será eterno.

Viver

O meu ser é o meu viver.

O meu viver é aprender,

O meu viver é conhecer,

Ser consciente,

Da força do inconsciente.

Ser um ser e não um ente.

Meu corpo é a minha morada,

Onde estiver,

Enquanto viver.

25/11/24

Só a fé

 É certo que morreremos, mas quando vários conhecidos e queridos seus partem num curto tempo.

A gente fica acabrunhado!

A luta do corpo com uma doença que consome até o fim.

O câncer!

Que aparece todos os dias e que consome inúmeras pessoas.

Fui a uma clínica de radiologia!

O motivo era simples um raio x no dente no meu filho.

Todavia minha mente que tem a mania de pensar...

Não percebeu faces feliz. Apenas, pessoas apreensivas...

O imediato com que nossa vida pode mudar instantaneamente nos deixa assim mais apreensivo.

Seja câncer, seja acidente, seja o que for.

A morte é certa.

Como lidar com esse sentimento?

Só a fé e na fé e com a fé.

Porque tudo é consciência!

Tudo é consciência.

13/11/24

Bati-bravo Ouratea

 Aqui na universidade UFPB, campus I,

Bem do lado do Departamento de sistemática e ecologia tem uma linda árvore com ca de sete metros.

Estamos no mês de novembro e a cerca de quatro dias esta florescendo.

Sim, são lindos seus cachos de flores.

Suas flores são amarelas flavas com uma coroa de estames alaranjados.

Estas flores são intensamente perfumadas, sendo o odor adocicado. Gostoso!

Muito visitadas por uruçu e abelhas com quitina viridescentes.

Seu tronco era bifurcado, mas uma parte foi podada,

Suas folhas são coriáceas com margem cerreada,

Agora não tem como pegar as flores para fotografar.

Entretanto, tenho fotos de suas flores.

Acho que chamarei ela de Amélia nossa ex-professora de algas.

Amélia é japonesa, como Kikio que estudou essa família.

A família Ochnaceae.

O gênero é Ouratea.

A espécie é Ouratea cearensis,

Popularmente conhecida como Bati-bravo.

Pronto tá registrado

12/11/24

Divagações sonoras sabiescas.

 Os sanhaçus vivem aqui em fernanda,

Mas esse sabiá!

Acho que ele quer se aninhar.

Hoje, 12.11.24 ele se pós a cantar 

E cantar desde cedo!

Estou pleno de alegria...

Sabiá é meu elo espiritual intenso com mamãe.

Afinal, em serrinha numa das nossas últimas tardes juntos,

Um sabiá cantava na aroeira.

Ela disse:

-Só me lembra minha infância na casa de papai.

O canto do sabiá arremeteu uma memória boa.

E nós conversamos sobre esse sabiá.

Que esteve onde andei, mas em São Paulo, Campinas, Brasília e Serrinha,

Passagens rápidas, exceto nesta última.

Em Kew na inglaterra ouvi um melro...

Lembrou-me o sabiá.

Em Portugal Gonçalves Dias o saudoso,

Cantou "Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá".

Sabiá deveras é um arquétipo brasileiro.

Eh! Que beleza.

Beleza subjetiva

 Benza Deus!

Ouratea amarela de flor,

Mais perfumada que a canela,

A janela de minha sala está

Entupida de beleza sonora,

Sabiás, sanhaçus, cigarras...

Até o sol está intensamente alumiando fernanda.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh