26/06/23

Leitura prazerosa.

 Conclui a leitura de um excelente livro.

A procura de Spinosa de Antônio Damásio.

Baixei e irei ler o Erro de Descartes.

Será se pescarei algo?

Bem já me renderam excelentes sementes de pensamento no livro lido.


14/06/23

Tempo avulso

Memória, passado.
Vi num site que a criança pode lembrar de memórias de quando tinha 2,5 anos.
Vinícius agora que poderá se lembrar de algo no futuro.
E papai e mamãe?
Ah!
Meu peito.
Eu, um ser afetivo.
Pensei tanto no desaparecer.
Pensei no acabar.
Bom a memória é uma forma de ser.
Pensei na ausência infinita de meus pais.
Meu filho não terá memórias dele quando for adulto.
Poderá ter memórias minhas.
Se eu partir hoje. 
Terá.
Espero ficar com ele por longos anos.
Assim como não tenho memórias de meu bisavó.
Para que serve tudo isso?
Para nada.
Bom dia.

13/06/23

Dia inteiro.

 Hoje, terça-feira, o sol está impressionantemente brilhando.

O céu está azul nem parece que ontem choveu o dia inteiro.

Assim é.

Assim é.

12/06/23

Alegro

 Há alguns dias, ouço Mozart.

Na verdade meses, desde 2022.

Por que Mozart?

Porque é alegre, talvez.

Porque continuo ouvindo os mesmos álbuns.

Porque o ouvia antes de ir a casa de minha mãe, passar as férias com ela, desde então já vinha ouvindo.

Então minha mãe dormiu na eternidade.

Ao continuar ouvindo Mozart,

Quis sentir a presença viva de minha mãe.

De Assis, Francisca.

Continuando ouvindo Mozart,

Outra e outra e outra vez.

É como se quisesse deixar algo aberto e ligando meu espirito ao de mamãe.

Quem vai entender,

Mas não é para entender.

Quiçá para ler.

É simplesmente uma tentativa de conectar meu consciente ao meu inconsciente.

Meu racional ao racional.

Às vezes, nem escuto e nem ouço.

Às vezes minha percepção filtra como o barulho de uma ventilador ou de um ar ou do carro.

A gente nem percebe, mas está lá.

Então por vezes, me pergunto.

Como seria ver a música?

Qual seria o sabor da música?

Como seria a música cristalizada?

Ouvi dizer que a arquitetura é música solidificada.

Mas será?

Fernanda, a aroeira que mora do lado de minha sala,

Não reclama de nada.

Bom, as vezes asa aves vem importuná-la mas ela finge nada acontecer.

Já vieram o pitiguari, os sanhaçus, as patativas, os pirites.

Bom, fernanda gosta de Mozart até vejo seus ramos dançando.

Bem, aqui está um pensamento materializado e mamãe viva e eterna.

Graças a Mozart.


Chuva.?

 Ontem, domingo, choveu tanto.

Ficar em casa dá até um enfado.

O frio úmido,

A ausência da presença solar.

Quero dizer que bom,

Parece que prefiro o sol.

Mas as companhias de Dayane e Vinícius

Deixam as coisas ensolaradas.

Hoje, segunda-feira...

A chuva continua,

Mas estou na universidade.

Que está molhada,

Vazia e fria.

É o mês de junho em todo seu esplendor 

Chuvoso.

10/06/23

Tempo

O tempo não existe.

O que existe são memórias.

As memórias são recortes da realidade.

A realidade está pautada na duração.

Algumas coisas tem duração curta como um movimento,

Outras tem duração longa como a matéria.

Então tudo tende a eternidade.

Ou a existência é um filete da eternidade.

As memórias podem ser pessoais ou coletivas.


Memórias

 Agora de manhã,

Nesta linda manhã de sábado,

Tive uma memória gostosa e intensa,

Até pareceu um sonho.

Lembrei dos sábados que dava aula

A turmas de licenciatura.

Era deveras intenso.

Era deveras bom.

Foram poucas turmas,

Mas excelentes turmas.

O Campus I vazio.

A mata silenciosa.

A passarada feliz a cantar.

Eu aqui...

Após a aula, almoçava no shop sul

E passava a tarde limpando a casa.

Como as coisas mudam.


09/06/23

Mistura perfeita

 Um café,

Mozart e a chuva chovendo.

Nossa que mistura perfeita.


Chove

 Chove!

Chi...chi...

Fernanda esta contente,

Seus ramos estão longos e finos.

Faz um frio que dá até dó de beber água.

Chove...

Chove manhã adentro.

Caminho

 A chuva chove incessantemente desde a madrugada,

Aliás o sol nem apareceu.

O tempo está escuro e frio.

Gostoso para tomar um chá quentinho.

O mês é junho,

O dia é sexta-feira,

Dia nove de junho.

Um dia após o feriado de Corpus Christi,

Quando fomos a missa a catedral Nossa senhora das Neves.

Estou na universidade para por em ordem o curso que irei ministrar.

É isso.

07/06/23

Presença

 Veio a minha mente uma imagem.

Uma memória gostosa.

Eu vi uma parede caiada de branco.

Uma parede do oitão.

A luz era branda.

Ali, havia alguns pés de capim seda.

Coisas do mundo que apregoa a nossa mente.

O lugar com certeza é Serrinha.

O ano desconhecido, acho que nem existe.

O que sei que existiu foi a minha relação com o meio.

O que ficou foi a vida,

Ou melhor a descoberta da vida,

Ou melhor que a vida não é uma matéria com faces e formas.

Tive a curiosidade de Alice e ir ali.

Só que vi o desconhecido e o conhecido.

O passado do passado,

Mas estava no presente.

Aqui estou...

Fora deste lugar, mas neste lugar.

Assim se descobre a presença espiritual de Deus.


06/06/23

Árvore santa

 Aquela tarde estava ardendo de calor,

Oh, tarde quente meu senhor,

Então vi um juazeiro,

Para sua sombra fui primeiro,

Parece que o mundo mudou,

Senti o vento frio,

Foi aquela harmonia,

Meu corpo sentiu alegria...

O sol tremendo na caatinga,

Enquanto me refrigerava 

Na sombra do joazeiro.

O pensar

 Tenho pensado no micro e no macro,

Tenho pensado no pensar,

Tenho pensado no refletir,

Tenho pensado no fracionar,

Tenho pensado nas sensações, percepções, representações.

Tenho ouvido muitos seres desencarnados,

Tenho lido.

Sabe esse fluxo continua,

Esse fluxo do saber,

Do conhecer...

E a semente de tudo está no pensar.

05/06/23

Agradável

 Ontem, domingo, fomos a praia.

A maré estava baixa, de forma que pudemos aproveitar melhor o mar e a praia.

Catamos conchinhas e rochinhas.

Fizemos uma piscina gostosa.

O sol não estava o tempo todo a vista,

O estado meio nublado fez a gente

Até se esquecer da manhã.

Tomamos um belo banho de chuveiro 

Com sabor de ferro no chuveiro 

Do tubarão bar.

Assim, foi uma manhã feliz.

05.06.2023

31/05/23

Como nossas mães

 Hoje, 31 de maio, mês das mães que se encerra, fecha assim bonito.

Dia ensolarado,

Céu azul.

A mata viçosa com a água da chuva que choveu essa semana.

Quarta-feira é um dia bom.

E assim se encerra o mês de maio.

Tão harmonioso.

Tão belo como nossas mães.

Como nossas mães.

Vervilha em mim

 Ontem um casal de tetel cantou no ar do campus.

Rapidamente me arremeti a Serrinha do Canto,

Literalmente meu canto.

Memórias vivas em mim.

Papai, mamãe,

Dogue, o burro

E o nosso sítio.

30/05/23

Trabalhar

 Hoje o dia está azul,

Nem parece que choveu,

O sol está a pino,

A manhã bem arejada,

Nem parece,

Mas ontem tanto choveu,

O dia todo a respingar,

Agora...

Aqui me movimentando,

Matutando na vida.

É hora de parar e trabalhar.

29/05/23

Chovida

 A chuva chegou hoje,

Numa deliciosa manhã de segunda-feira,

Perceber a chuva chovendo,

Ouvi-la cantando com as árvores,

Sentir seu aroma,

Seu frio.

Até acendi uma vela para São Pedro.

Que está chegando.

Essa semana,

Maio se entrega a Junho.

Fernanda minha aroeira está chovida.

26/05/23

O momento

 Hoje, de madrugada, percebi que as aves andam silenciosas.

Um galo cantou,

Não mais de um.

De resto era escuro.

A aurora veio devagar,

O céu peneirado de estrelas me fez parar por um instante e contemplar uma estrela no nascente.

Olhar o céu é ver o passado.

Literalmente olhar para o passado.

Lembranças.

Lembranças.

Voltei, deitei na rede e fui orar.


25/05/23

Por Silvando Teixeira

"Rubens Teixeira - Quando cruzei com Rubens pela primeira vez, tive uma impressão algo singela sua: seu jeitão matuto, monossilábico, desconfiado causou-me compaixão: tive a visão lírico-fantasmagórica de que ele iria atear fogo numa coivara imaginária bem ali mesmo na minha frente e invocar os deuses todos da Caatinga, enquanto rodopiava nas labaredas, tão certo quanto os homens mais primitivos de nossa ancestralidade. Digo isso em tom jocoso, sem nenhum menosprezo por esse rapaz cujo sobrenome tem meu parentesco. Somos Teixeira, e talvez ele nem tenha se dado conta disso até hoje. O fato é que Rubens e eu tornamo-nos amigos. Nunca compartilhamos a mesma cela da República Universitária, mas quase amiúde cruzávamos pelos caminhos do Campus, frequentemente almoçávamos ou jantávamos juntos no restaurante universitário, de quando em vez tomávamos café na cozinha da Residência e púnhamos as fofocas em dia (entre parênteses, Rubens sempre gostou de amenidades do tipo coluna social), e, uma vez ou outra, fazíamos a trilha do Parque das Dunas. Ele muito mais interessado em colher garranchos e gravetos pras suas pesquisas científicas, eu apenas pela magia literária da mata e dos amigos. Mas nunca se nos deparamos com nenhum Saci Pererê ou Caipora, pra decepção minha.




Alguns anos se passaram, ele segue carreira acadêmica em São Paulo, mas foge do estereótipo dos que dizem que o homem é o meio. Digo melhor: Rubens continua com aquele sabor de mel de engenho, aquele terno escoamento de caboclo do interior, com o mesmo vulgar palavreado açucarado pela garapa do meio-dia, a mesma musicalidade de ponche de laranja adoçado pelo sacolejo da avó, e os mesmos trejeitos saltimbancos e maltrapilhos do sertanejo. É claro que ganhou um verniz na superfície que é mais fruto da academia e dos livros soltos que vem lendo do que mesmo do que chamam de civilização cosmopolita. O fato de viver debaixo de arranha-céus e sob cortinas de fumaça não o tornou nem um pouco provinciano. Digo provinciano, sim, porquanto provincianos são os outros: os que vão pro Sul do país e chegam bufando sotaques e maneirismos de fancaria. Vem-me à lembrança em slow motion aquele sujeito que me escreveu certa feita dizendo-se envergonhado do seu sotaque na Corte. O jeca se sentia discriminado. O homem é a mensagem.




Dia desses, num desses acasos geniais que só servem pra nos arrebatar do torpor mecânico da nossa vidinha glacial, autômata e suburbana, vou eu atravessando na bicicleta a ponte-tomara-que-caia da minha cidade, sete horas da manhã, pro trabalho, com quem me deparo?! Não quis acreditar, num átimo disse-me que aquele era uma cópia perfeita dum outro Rubens, por erro de cálculo divino de fabricação em série, um plural como o próprio antropônimo, quando ele veio, pra decepção de minha quase crença em Deus, veio em minha direção de braços abertos. Era Rubens, em frente e verso e prosa. Acho que trazia uma mala, ou um alforje, ou algo parecido, já posso imaginar – cheia de poções mágicas, tubos de ensaios, barbitúricos, pepitas, palhetas etc. etc. Duas décadas atrás, e ali dentro estariam algumas pedrinhas e uma baladeira para caçar rolinhas. Rubens está cada vez mais bruxo de laboratório. Em suas viagens, pesquisa plantas, ervas, alucinógenos, arbustos, subarbustos, leguminosas, raízes, folhas secas, chás, espinhos, carrapichos, o escambau. Uma arte pra feiticeiros. Acho que ainda vai fazer chover. Suas andanças lembram Charles Darwin. Há toda uma religiosidade em suas relações científicas com as plantas e a natureza de modo geral.




E talvez ele já tenha feito a grande descoberta: a de que sabe mais da natureza, de sua fauna e flora, do que de si mesmo. Afinal estamos condenados eternamente a sermos estranhos de nós mesmos, almocreves dos nossos rastros e caixeiros viajantes da própria réstia. Estrangeiros ou apátridas em seu próprio país. Só sabemos de nós o que os outros nos dizem aos bocados, das migalhas vãs que caem aos côvados de má-fama, quando nem os outros se compreendem a si, quando somente fazem nos confundir ainda mais. E é nessa enganação de nós mesmos que somos mais atores atabalhoados do que espectadores perspicazes de nossa própria imcompreensão. Eternos solitários imcompreendidos. Como no cenário do poeta, onde tudo é sozinho: o mar é só, a montanha é só, o poente é só, ainda mais sós é a lua e a estrada longínqua que caminha léguas infindas de seu próprio caminhar; e mesmo nós na companhia íntima de alguém sempre estaremos sozinhos, na solidão trêmula de um mais estranho que nós.




O fato é que matamos a saudade até alta noite, eu, ele e a companhia plástica e agradável de outro amigo de faculdade, Aníbal. O papo foi bom, ameno, corriqueiro, frouxo. A noite fria do Sertão aconchegava os nossos sons e risos. Curtos silêncios, quase despercebidos pela graça infantil da criança de Aníbal e as notícias que vinham sorrateiras e entrecortadas da tevê próxima. Quando olhares se cruzavam, talvez lá no fundo o medo de que seguíamos já não tão moços assim. Alegres e joviais, até quando? O certo é que éramos cúmplices das nossas próprias incertezas. Solitários os três ali, na multidão de vários ou de um só – sempre estranhos.




S de A.




Caicó, 13 de junho de 2009"

Em maio

 Chove e faz sol.

Chora e sorrir.

Essa é João Pessoa,

Essa é Filipeia,

É, foi, será...

Estou aqui apenas retratando o agora.

Estou aqui sendo.

Em um maio de 2023.

24/05/23

 Fragoso

Chuva da mata

 Hoje,

Ao chegar no Campus,

Percebi que a mata chovia,

Chovia com alegria?

A mata gotejando,

Cada árvore entoando o seu gotejar,

As plantas em gutação

A mata chovendo.

23/05/23

Vento Pulsando

 Amanheceu belo.

Céu azul,

Porém venta um vento frio.

Agradável.

Fernanda está ali fora dançando.

As maracanãs voam sobre a mata aos bandos.

Dá para ouvir as aves cantando,

Dá para sentir o vento pulsando.

18/05/23

Um pensamento

 Observar o mundo é tão bom.

Poder enxergar,

Poder despertar,

Poder perceber o mundo em minúcias,

Poder perceber o mundo em sua grandiosidade.

Contemplar o mar,

Contemplar o céu,

Ouvir a chuva em harmonia.

Como estamos preparados perante o mundo.

Perante o trágico.

O mundo.

O que é o mundo?

O que é o ser?


16/05/23

Ser

 Dias se passam, semanas, meses, anos.

A gente pensando o nosso entorno.

Pensando nossas relações.

A gente pensando o que nos afeta.

Que tal o silêncio.

Ouvir a consciência?

Que tal ouvir a natureza.

Minha ansiedade diz o que fazer.

Minha mente decide o que fazer.

Ser livre e minha vontade,

Do meu ego.

Ser.

É algo tão difícil.

Porém possível.

15/05/23

E o tempo

 Dia das mães sem a mamãe.

A gente passou em família.

Tive muita saudade que guardei para mim.

Expressei no facebook.

Falei com um ou com outro.

Assim foi.

Segundo ano sem mamãe no dia das mães.

10/05/23

Fernanda

A aroeira fernanda da minha janela, está  calma.

Foi podada, mas já está linda fazendo uma sombra maravilhosa.

Nossa como gosto de pensar vendo fernanda.

As vezes aparece uns pássaros para visitá-la

Sanhaçus, ferreiro-relogueiro, corroíra e sabiá.

Está calma.

Eita. Começou a neblinar.

Bom dia. fernanda.

09/05/23

Pensamento

 Fomos a cidade de Natal.

Vinicius adorou porque brincou com a Giovana,

Porque conheceu o bosque dos namorados.

Brincou tanto que à tarde apagou.

Nem ouviu um pio.

Enquanto isso visitamos um tio.

A noite logo caiu.

Encontrei com os amigos a noite.

Tantas memórias.

As coisas aconteceram e ainda estão se conectando em minha mente.

05/05/23

Adeus amiga

 Coincidentemente esta semana está sendo densa. Tensa.

Perdi duas grandes referências de minha infância.

Um primo e uma amiga.

Coincidentemente era da mesma comunidade.

Coincidentemente partiram na mesma semana.

Mazildo se foi no dia 1 e, ontem, 04 de maio de 2023

Partiu minha amiga Lourdes.

Lourdes ou Lurde de Mundinho como era conhecida.

Foi agente de saúde.

Tive a alegria e o prazer de trabalhar com ela entre os anos de 1998 e 2000,

Na secretaria de Saúde de Serrinha dos Pintos.

A secretária era Maria do Socorro, a enfermeira era Lívia Martins, Médico Dr. Francisco Martins, irmão de Lívia.

Eu fazia a estatística do mês da produtividade dos agentes.

Lurdes era um amor.

Não sei como conseguia trabalhar e criar uma família tão grande.

Lurdes era uma amiga da família.

Uma amiga nossa do Peito.


04/05/23

Educar

 Deus me deu um presente precioso demais.

Meu filho.

A coisa mais preciosa para mim.

Deus deu um filho para aqueles que o fizeram.

É preciso cuidar e respeitar a todos.

Todos são filhos preciosos.

Vamos educar.

03/05/23

Sanhaçu azul

 Venho percebendo o canto dos sanhaçus azuis,

É aqui em casa, nos Bancários, João Pessoa,

Sei que eles existem, mas em menor população que os sanhaçus-verdes,

Aqueles de coqueiro,

Pois bem.

Vieram cedo do lado.

Chupar manga espada.

E cantar.

Sanhaçu-azul me faz lembrar mamãe.

Coisa boa.

Coisa boa.

R. Queiroz

J.P. 03.05.23

Maracanãs

 Verde o juazeiro ocultava as  maracanãs que comiam seus frutos.

Percebi por acaso.

Um voo desleixado de uma linda ave.

Os meninos que estavam ali conversando,

Pareciam já saber da beleza que me espantou.

Continuaram conversando,

Como se já soubessem.

Fiquei maravilhado.

Rubens Queiroz.

UFPB 02.maio. 2023

25/04/23

Chuva de Abril

 Amanheceu nublado,

Muito nublado,

Escuro.

Cadê o sol?

Caiu uma chuva grande,

Deixou tudo alagado.

Aqui.

Só apreciei o som da chuva,

A água escorrendo.

Acendi uma vela

Para ver parte do sol

Amarelo.

Ouvi o trovão.

Agora a chuva calmamente se despede.

As Árvores estão sorridentes.

Felizes com o canto e a dança da chuva.

Chuva de abril.


24/04/23

Sem palavras

 Ontem, domingo.

Senti uma saudade imensa de minha mãe.

Pensando como ela agiria vendo Vinícius tão astucioso.

Mamãe,

Que saudade!

Que falta nos faz.

Está em Deus,

Está na paz.

21/04/23

 Com Vinícius a vida ficou muito agitada,

Cheia de vida e de alegria,

Mas para isso é preciso energia,

É preciso está pleno.

No silêncio da manhã.

Olhei através da janela,

Até parece que estava dormindo.

Numa mais tinha contemplado o exterior de nossa casa, só.

Lembranças.

Saudades não.

Saudades daquilo que nos falta.

Nada falta.

Tudo é como deve ser.

Achei ótimo tudo isso, mas só.


20/04/23

Poema do despertar

 É madrugada,

Acordei com a beleza 

Do cantar do cabeça vermelho

Estralando de alegria

Com o raiar do novo dia,

Oh, que sonora doce poesia

Serrinha dos Pintos 13.abr. 2023

Eternidade

 Já estou bem acordado

E pouco incomodado,

A noite que se acaba,

E o dia que logo vem,


Está escuro e tudo calado,

Só os grilos a grilar,


As sombras frias da noite, o rato no teto,

A vaca mugindo incomodada,

A ausência de luz 

Que não tarda a chegar,


Meu são Francisco de Assis,

Meu arcanjo Miguel,

Meu arcanjo Rafael,

Meu arcanjo Gabriel,


Ouçam minha oração,


Aqui nessa casa velha companheira,


Por papai levantada,

E muita vida nela morada,

Infância, adolescência e juventude,


Aqui velei papai e mamãe,


Aqui cresci a sonhar,

Aqui quis deixar de morar,


Pelas noites mau dormidas,

Noites longas e sofridas,

Como mamãe a gemer e a chorar e papai a se preocupar.


O que é a vida?


O que é a vida?


Minha casa querida,


Aqui tanta descobertas vivi 


O primeiro chiclete,

O primeiro livro,

A primeira televisão,


As primeiras paixões,


Tanta coisa esperei,

Casinha doce e bela

De todas cores já pintadas,

De rosa, azul, verde e amarela,


Minha casinha simples e bela,


Na frente quanto habitamos onde café doce nós tomamos,

Nas tardes a conversar,

A ver gente a passar,


E a noite ocupar suas salas e quartos,


Para na manhã ao levantar a cozinha ocupar,

E comer até encher

A barriga e a alma de maravilhosa satisfação.


A noite está acabando,

O galo até anunciou

Quando cedo cantou,


Quem não para é o grilo,

Que grila grila a grilar,

Que frequência mais agitadas

Cadenciando a noite inteira, da primeira a derradeira,


As aves estão cantando,

As aves estão cantando,

Cabeça vermelho e furra barreira...


Meu Deus que maravilha é essa a vida.


Que graça sempre hei de agradecer,

Jesus Cristo, amada Maria, são Francisco de Assis.


Nomes doces em minha boca, vivos em minha alma...


A noite está no fim


E o mistério vai a eternidade...


Só Deus pode me revelar


Por enquanto me deixe aqui,

Obrigado por minha família, meus pais, minhas irmãs e irmãos,

Sobrinhas e sobrinhos,

Minha mulher e meu filho.


A luz chegou tímida, mas meu corpo já desperta

Para Deus agora vou orar.

05/04/23

Tudo

 Não sabemos por que estamos aqui.

Não sabemos quem somos.

Estamos aqui,

Somos.

Isto é tudo.

31/03/23

Sexta-feira

 Ontem aqui, olhando para a árvore fernanda,

Chovia.

Acendi uma vela querendo a luz do sol.

Hoje, Hélios o sol brilha intensamente.

As aves estão numa felicidade.

Na chegada,

Encontrei os meninos:

Edson, Josenildo e Marcos.

Estavam poimando.

Uma fumaça de cigarro assanhava a luz da manhã.

Rimos juntos.

Edson ficou de trazer umas sementes de Tevertia.

Bom fui embora.

Encontrei seu Antônio e Seu Maciel.

A manhã é perfeita.

Ah!

Antes o estacionamento estaria cheio de gente varrendo,

Com a nova empresa.

Uh!

Não temos mais.

É isso.

16/03/23

Chuva

 Agora,

A chuva chove.

Agora sou chuva,

Agora a chuva canta,

É tão gostoso o canto da chuva,

Agora o céu é abraçado pela terra,

Agora, pingos se radicam no solo,

Solo que os abraça,

Solo que os absorve,

Agora o acalenta,

Até que a chuva o lave,

Até que a chuva o sirva,

Agora chove,

Mas não é qualquer chuva,

É uma chuva impar,

Como cada um de nós,

É uma chuva com tudo de chuva,

Mas com uma individualidade do aqui e agora.

Até que venha a surgir,

Até que venha surgir,

Já não é.

Porque a chuva é efêmera,

A chuva é movimento,

A chuva é natureza,

A chuva é gás,

A chuva é líquida,

A chuva é ar,

A chuva é água,

A chuva é esperança,

A chuva é desespero,

A chuva é sentimento,

A chuva é Chopin,

A chuva é Cervantes,

A chuva é Picasso,

A chuva é fertilidade,

A chuva é bondade,

A chuva é amor,

A chuva é divina,

Aqui e agora,

Espaço e tempo,

Ying e Yang,

A chuva.

Que contemplo,

Reflete o meu estado de ser.



02/03/23

Manhã

 Graças dou a Deus soberano,

Que tudo criou,

Que tudo me deu,

Uma família,

Um lar,

Um nome,

Uma esposa,

Um filho,

Irmãos e sobrinhos,

Me deu uma mente para filtrar 

Tudo que no mundo há,

A luz para tudo desvendar,

Som para apreciar o canto das aves,

Quando muito para ser feliz 

Ao ouvir músicos tocar,

Paciência para aceitar

As coisas que me acontece,

Todos os dias.

Deus Grandioso,

Muito obrigado,

Por tudo,

Aqui fora,

Na aroeira, Canta doce o sabiá, a rixinó e o sanhaçu.

Ouço alegremente Mozart,

O sol nem apareceu,

Só nuvens aqui agora há,

A chuva ora vem, ora vai,

Que milagre é tudo isso,

A vida,

A consciência,

O ser

E tudo que me deste,

Como nem tudo é eterno,

Algumas coisas se vão,

Deixando profunda saudade,

Mamãe, Papai, meus avós e tios...

Continuo aqui para dar continuidade,

Me proteja neste dia,

Me dê paz e alegria,

Me dê força para lutar,

Esperança para seguir,

E vitalidade para ser.

Só mais este dia.

Tarde caida

 A tarde caiu de novo.

Diferente de ontem,

Efêmera como agora.

Lembro do que senti de madrugada,

Porque acho que senti e não pensei.

A ideia de que tudo que enche minha mente

É um fenômeno

Que sou eu que escolhe o que vou usar ou descartar

Fim de tarde

 Despeço-me desta tarde,

Desta linda tarde

Que nasceu, se fez 

E agora se desfaz.

A luz que foi clara e intensa,

Dourada se dissolve

E esfria.

Lembro de papai e de mamãe.

Morro de saudades,

Que vontade de estar com eles.

Mas partiram numa tarde.

O dia se dissolve,

A flor murcha e perde seu vigor, dela um fruto se desenvolverá, e sementes amadurecerão.

Ouço o som amorfo dos carros na rua,

Sinto o frescor do vento.

Estou escrevendo isto

Pra provar que estou vivo.

Escrevo pois algo em mim se sente bem.

É segunda feira de carnaval.

E agora acabou.


JP. 20 de fevereiro de 2023

08/02/23

Sonho maternal

 Após 1,1 ano de ausência de mamãe,

A saudade é imensa.

Saudade de ouvir sua voz,

Ver suas alegrias,

Lutar junto com ela sua luta.

Saudade de seu cheiro,

Seu abraço,

Sua vitalidade.

A propósito,

Ela veio me visitar de madrugada em sonho.

No sonho estava no sítio de vovó Sinhá.

Estava tudo verde.

Um milho enorme, seco.

Quando saia do roçado,

Ela estava dentro do meu carro,

No banco da frente.

Ela me viu,

Olhou bem para mim

E sorriu.

Então acordei.

07/02/23

Seguir

 Enquanto me concentro,

Minha mente foge do meu ser.

Ouço aves e cigarras entoarem seus sons.

Percebo as folhas caindo,

E me perco na leitura.

E me perco no momento.

Porque estou vivo.

Pulsa em mim vontade...

E algumas vezes sou feliz,

E outras vezes por desalinhamento,

Fico perturbado,

Mas é algo passageiro.

A mente é como o sol

Solta raios para todo o lado,

E como fotografia,

Algumas vezes esses raios voltam,

Fenômenos que nos fazem dispersar,

Ao invés de concentrar.

Vivemos muito no transcendente.

É preciso se atentar aos sentidos,

Aqui e agora.

Espaço e tempo.

E assim cumprir o que nos propomos.

06/02/23

Transcender

 Estava lá na casa de mamãe,

Certo momento

Quando a manhã se vira tarde.

Ouvi cantar um bando de anum.

Sair correndo para ver.

Eram eles... 

A.

Tinham mesmo ali...

Sim!

Lindos.

Enormes

Com seu canto agudo

E olhos amarelos.

Com Vinícius nos braços

Lhes mostrava apontando.

Feliz sim.

As primeiras vezes as vezes nos emocionam.

Eles Cratophagas major,

Ali no meu quintal.

E era um grande bando.

A tarde caiu mais lindo.


B.

A chuva cai fininha,

Cai se derramando na terra seca.

Enquanto cai canta,

Parece rir.

A chuva cai fininha,

As folhas das árvores

Se refrescam,

Os troncos das árvores

Se refrescam,

Vai chovendo.

Chove chuva matinal,

Até a passarada silencia,

Para ouvir a chuva chovendo,

A chuva cantando.

As ervas agradecem

Seu frescor,

Seu conteúdo,

A chuva é água no chão,

É água do mar,

É água do céu

Que se derrama para

A vida continuar.

A tarde caiu mais lindo.

Viajar

 Entro no dia,

Desperto.

Uma oração faz bem,

Agradeço pela noite de sono,

Pelos sentidos,

Pela vida.

A luz que me desperta

É a luz que me alimenta,

O solo que piso 

É minha fonte de alimento.

Transcender ao que vejo 

E ao que desejo.

Agradeço por ouvir as aves cantarem.

Pelos dias vividos com

Meus amados,

E pelos dias com os meus vigiladores,

Sou o que sou

Porque fui amado e odiado.

Peço perdão aos que machuquei,

Mas assim se fez a minha realidade

E assim esta se desfez.

O ser aí 

Dasain.

Agora ouço o mundo.

Contemplo essa existência.

04.02.23 JP.

Sou.

Existir

 A tarde caiu,

A luz inclinada,

doura as formas,

O silêncio da tarde

Se plasma em meu ser.

Memórias afluem.

Penso que sou.

Sou o que penso.

Tudo vai passando.

J.P.  3-2-23

Antologia poética das férias

Serrinha dos Pintos - RN, 30/01/2023

Vai, vai a tarde se vi,

A lua nua no céu a se amostrar,

A noite já se aproxima,

Quente sensação,

Uma brisa faz refrescar,

O silêncio mudo da tarde

Que queda e morre,

A noite que cuida de logo enterrar

E dissipar o dia 

A gente perdida em nossas mentes,

Nossas paixões, 

Nossos medos 

Buscando um sentido

Desta pobre vida

Num celular.

Já não se contempla a natureza.

Dito isto vou ao Jardim

Regar minhas vincas.

Até que o desejo

Me puxe para a Net.

Que entorpecente este não.

Muito mais potente que qualquer químico ou fármaco.

Estamos doentes.

E mais um dia se passa 

Enquanto nós alienamos em nossos egos,

Nossos perfis,

Em nós mesmos...

Serrinha dos Pintos - RN, 26/01/2023

O canto das aves já calou.

Cantou o cabeça vermelho no cajueiro,

O rixinó a saltitar

O vem-vem e o sanhaçu na pinheira de doce alvo.


Cantou também os grilos as escondidas,


O dia despertou cedo.

O sol não para de pulsar.


Voou aqui o pacun,

Que não para de gasnar.


O friozinho silencioso 

Nos faz bem.


A gente acorda animado.


Vai mudar o lorinho de lugar.


Os gatos alimentar.


E scherloque o cãozinho acariciar.


Bom dia seu sabiá.

Serrinha dos Pintos - RN, 25/01/2023

Amanheceu chovendo,

Vinícius acordou e me fez levantar e ver a chuva chovendo.

Foi lindo, foi gostoso,

A chuva chovendo,

A luz aparecendo,

Os cachorros encolhidos

Encaracolados sobre si

Aquecendo-se,

As galinhas molhadas caçavam insetos e comida.

A calha derramava a água junta no telhado,

Vinícius fez cocô,

Limpei e ele foi mamar,

Adormeceu.

Fiz um leite quente

Para me aquecer,

Fiz chá.

Ouvi o salmo 119.

Agora a chuva parou.

Ali canta um sabiá

Que me faz viver a presença de mamãe.

Nas pinheiras cantando estão os sanhaçus.

Li poema 25 de tao te Ching em três traduções,

Acha que entendi?

Mas é como contemplar

A realidade,

Na maior parte das vezes

Percebemos o que conhecemos.

Agora vou continuar a escutar esse lugar,

Até parece ouvir uma sinfonia,

Não entendo nada,

Mas me faz um bem.

Serrinha dos Pintos - RN, 21/01/2023

Esse silêncio inquebrável,

Amanheceu e quem vai acordar?

Já canta o sabiá,

Já canta o vem-vem,

Já canta o fura barreira,

Já canta a rixinó,

Já canta o piriquito,

Já canta o sanhaçu...


Canta o grilo no capim.


Sopra um vento frio.


Brilha um sol dourado.


Mas o silêncio é eterno.


Papai não levantou,


Mamãe não levantou,


A terra está fresca.


Hoje é um novo dia.

Serrinha dos Pintos - RN, 19/01/2023

A tarde cai agradável,

Depois de uma manhã nublada onde ficamos a toa, Vinícius e eu.

Aguamos as vincas, catamos umas castanhas,

Fomos caminhar no mato, onde fizemos umas fotos de plantas,

Contemplamos os catolés.

Observamos o gado pastar.

Tomamos um banho na melhor ducha do mundo.

Após o almoço Vinícius dormiu.

Aqui estar esta tarde.

A quarto anos atrás

Mamãe e Papai estariam aqui comigo sentados

Olhando essa paisagem

Que sempre muda.

Nas palmas um par de coqueiro florescem.

Papai e eu que plantamos.

Tanta coisa aqui.

Tão vazio e tão cheio.

A tarde cai.

As vincas recebem as borboletas.

Eu só contemplo.

Serrinha dos Pintos - RN, 15/01/2023

Amanheceu

Mas o sol não apareceu,

O chão molhado,

O céu nublado, 

O vendo frio,

O cheiro de umidade,

O canto da passarada,

O sabiá na aroeira,

Casaca de couro na carnaubeira,

Pitiguari no angico,

Olhando no quintal

Os olhos se enchem de verde

Der árvores e arbustos esverdeados.

Mamãe e Papai no coração e na alma.

Serrinha dos Pintos - RN, 14/01/2023

"Dois é uma mera coincidência, porém três é uma configuração" Borges.

As borboletas visitam as vincas,

Os beija-flores o maracujás,

A tarde cai fresca,

Um cheiro doce incensa

A área.

O céu azul.

Memórias, memórias.



B.


Aqui e agora,

Tempo depois,

Sábado a tarde,

As coisas mudaram,

Vinícius chegou e mudou tudo.

Mamãe se foi.

Ela que ocupava a passarela a tarde,

Tarde sábado era uma 

Surpresa chegava bem ou mau.

Era a vida que vivia.

As vezes ia com ela e

Entendia a dinâmica da diálise.

A dinâmica da continuidade.

Tanto que a gente passa despercebido da vida.

A forma dos objetos,

Matéria das ideias,

Meu corpo,

Meu ser,

Até parece isolado.

Papai, mamãe, tio Dedé, Raimundo de Lulu, eu...

Crejo que passava com o cachorro rajado.

Aqui, algum dia no passado,

Esses momentos

Estão todos dissolvidos no tempo.


Serrinha dos Pintos - RN, 12/01/2023

Está escuro,

A noite quase caiu,

O silêncio preenche

A estrada, os sítios, 

O céu e tudo que se ouve,

No nascente o azul atropurpureo

Desaparece,

Um Nimbus vai crescendo,

Irritado de flashes,

A nambu canta longe,

Grilhos cantam no sítios,

Estrelas se acendem no céu.

Não se move uma palha,

O vento só chega às oito,

Papai não gostava desse frio logo chamava para entrar em casa.

Gosto de ficar aqui sentindo o mundo,

Pensando, pensando.

Bom está aqui.

Vinícius adora Sherlock.

Papai ia rir muito.

É noite.

Tchau.

Serrinha dos Pintos - RN, 11/01/2023

Canta o pitiguari,

Canta ativo a caçar,

Pula aqui,

Pula ali,

Pula acolá,

O sol das dez horas

Anuncia o fim das atividades,

Quente,

O dia está indo,

A manhã partindo.

As plantas murcharam,

A falta de chuva,

Mas o tempo está bom,

A sombra do cajueiro,

Que gostoso que o mundo está.

Serrinha dos Pintos - RN, 09/01/2023


O terreiro está cheio de mato,

Parece abandonado com capim ceda,

Por isso resolvi capina-lo.

Agora o sol arde queimando o capim limpo.

As vincas estão muito contentes crescendo na margem da calçada,

Flores rosas e alvas.

Espalhados os arbustos crescem assimtricamente,

Tão belo e vivo.

As borboletas vem visitar

As flores.

Sucessivamente vem e vão.

Suaves, leves de vôo irregular,

As vincas exalam um cheiro peculiar

Tão agradável, 

A alma de papai paira sobre as flores,

Nessa calçada que se revela todos os dias,

Ora fria, ora quente,

Ora manhã, hora tarde,

Ora noite.

Essa calçada confidente,

Que nós viu chegar,

Que nós viu partir,

No nos deu abrigo em comemoração,

Em dias de tristezas.

Aqui estou escrevendo,

Registrando.

Para não se perder no tempo.

Transformando em memória coletiva.

A parte subjeiva


Serrinha dos Pintos - RN, 08/01/2023

Tarde grise que passa,

O vento frouxo e suave,

Céu nublado,

O estalido dos beija-flores,

Besourinhos e tesourinhas 

Visitando o velho feijão-bravo.

O saci, o voo da mamangava,

O piado do pinto criado,

O chiado das folhas de catolé,

O voo rápido dos potinhos,

O verde das plantas,

As palmas grossas.

Que belo mundo 

Vazio.

Cheia está minha alma

De pensamentos desnecessários.

Tudo se resume no agora

Serrinha dos Pintos RN,  07/01/2023


Hoje acordei com o canto  dos pássaros.

Estava fresquinho.

Senti um vazio oco.

Então levantei e fui tomar um copo de água.

Tudo mudou.

Tudo eternamente muda.

O presente nega o passado.

O passado é memória.

Nossa mente nós seda.

Subjetivamos essa realidade que acreditamos.

A gente é o que a gente acredita e deseja.

Fui brincar com Vinícius.

E os dias vão passando.


Petrolina, 02-01-2023


A dias não escrevo, pois fui absorvido polo cotidiano.

Agora a tarde de paz.

Ouvi a patativa cantando.

Pardais vocalizando.

O céu nublado e o cheiro da sopa.

Despertei que é 2023.

Vinícius corre pelado, gritando feliz.

Tanta coisa mudou em minha vida. É como se tivesse passado por uma tempestade.

Algumas coisas fazem sentido outras nem tanto.

Lula presidente.

Tarde que parte.

Assim é.

Petrolina, 21-12-2022 

Ele partiu desse mundo. Vivemos tanto tempo juntos que pareceu mentira. Estavamos juntos a qualquer hora do dia ou da noite. Concordávamos com tudo. Eu era cópia dele e ele minha forma. Aprendi muito com ele e o mesmo sempre foi paciente comigo. Um dia algo foi diferente e a realidade foi cruel. Mas iria acontecer algum dia. Ele se foi. Fiquei com a dor de quem fica. Um ano  se fez. Um ano de saudades 😢. Hoje dois anos se fizeram. Esquecer! Sofrer menos. Não sei. Sei que um vazio se fez.

 A vida está cheia de vazios... Parece que quando buscamos um sentido, perdemos o sentido da vida. Meu burrinho, meu sítio... Mamãe... Deus meu Deus.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh