01/10/14

Outubro

Outubro chegou,
Agora, a margem que separa o ano
É tão curta,
Praticamente o ano se passou.
Que outubro seja equilibrado,
Que este mês nos encha de esperança e alegria,
Que seja intenso,
Cada dia,
Cada dia,
Que nos seja pleno como o mês passado.

30/09/14

Aprender a ver

As formas,
As palavras,
As cores,
A matéria...
A matéria apresenta formas e cores
Que são reveladas apenas através das palavras,
Nem sempre as formas são nomeadas,
Por isso precisamos nomear o mundo,
Nomear as coisas,
E tornar as coisas compreensíveis,

As relações podem serem pronunciadas,
Pronunciadas através das palavras,
Podem serem faladas...

O meu mundo ganhou cantos
Nas linhas e entrelinhas dos textos,
O meu mundo se expandiu quando
Aprendi a ler,
Na verdade aprendi a ver através dos signos,
Compreendi melhor o mundo
E tudo que me cerca.

Descobrir
As formas,
As palavras,
A matéria que me constitui
É mágico.

Manhã

De repente somos,
De repente acordamos,
Ficamos deitados aquecidos com o próprio calor,
Ouvindo o corruchiar dos pardais,
O canto de cambacicas,
E pensamos em toda a  vida,
E pensamos no que faremos,
A razão nos faz levantar,
Mas a preguiça, ai! Essa nos puxa, nos abraça, nos afaga!
A manhã desabrocha como uma flor,
Os crisos raios do sol,
Suavemente vai subindo,
Se revelando vivo, pleno e dominante,
Então, nos levantamos e tomamos um café,
E partimos para a vida,
Porque precisamos de tudo isso,
Amanhã é outro dia,
O que nos importa é o agora,
Bom dia, 

29/09/14

Outra estação

A primavera chegou nas regiões temperadas,
Porque aqui chegou foi o verão,
O sol já amanhece quente,
Janelas de vidro fervem luz do sol,
Nos jardins sem água a grama torra.
Nossas matas muda de folha,
No chão um tapete espesso de folhas
Amortecem e fazem soar nossas pegadas,
As flores da castanhola fedida é sentida de longe,
As gameleiras estão tão belas,
No fim da noite nuvens de morcegos voam
Orbitando as lindas árvores...
Agora até que enfim,
Temos noites estreladas,
Vento e poeira frouxa,
Temos uma lua cristalina,
Ah, não que a chuva seja ruim,
Mas depois de tanto inverno,
Que venha um caloroso verão.
Então vamos viver outra estação.

28/09/14

Noite de domingo

Depois da manhã ensolarada,
Depois da tarde preguiçosa,
Cai a noite de lua crescente,
Lua nua na noite escura,
Lua que aprece junto a belas estrelas,
E a vida vai passando,
Ouvi a voz de mamãe,
Que quase sempre tem um som de solidão,
Sinto com ela um pouco de tristeza,
Algo nos falta na vida,
Algo nos falta na vida,
Vejo o tempo passar,
Sem perceber vou vivendo minha vida,
Alegre ou triste,
Alegre ou triste,
Mas inventei um jeito peculiar para viver,
Diante da vida,
Sempre serei vazio se não aceitar a realidade.

27/09/14

Sábado sem Por do sol

O dia nasce ensolarado,
E seus raios aquecem
As plantas, as ruas e os cantos das camas
Daqueles que descansam da semana,
Mas logo que a manhã vai passando,
As nuvens e a chuva chegam
E se derramam durante a tarde,
E a chuva chove,
E a tarde entardece,
Quando a chuva da trégua,
Cantam alegre as aves,
Patativas, Bem-ti-vis, Sairicas,
E o cão late na esquina.
E a chuva continua chovendo,
Hoje não veremos o por do sol do sábado...
Mesmo aqui,
Que dia especial.

26/09/14

Belo natural vegetal

Ah,
Quem nunca andou no meio da mata,
Quem nunca sentiu o cheiro das folhas esmagadas,
Que nunca viu um ipe florido,
É triste viver ser perceber as belezas
Que a natureza nos mostra,
Viver sem nunca se deparar
Com uma árvore grandiosa,
Ou uma frama fresca,
Ou um jardim colorido,
Pobre do ser que só ver nas plantas  mato...
Bem, esta visão pode ser pequena,
Cada um aprenda e desfrute de sua
Experiência de vida.

25/09/14

Passageiro

Vão-se os velhos hábitos e novos se estabelecem. Sou sempre assim, sempre me apego a uma rotina.
As quintas-feiras sempre foram mornas, mas ótimas porque antecedem as sextas. Bom depois que cheguei em João Pessoa, passei um tempo só, um curto tempo sem amizades e o melhor dia passou a ser a quinta-feira, pois descobri um restaurante que as quintas serve baião de dois e carne de sol. Bom então todos os dias chegava lá, cumprimentava as meninas, almoçava e voltava para minha sala. Com o tempo aquelas pessoas ganharam nome e ganharam vida para mim e me conhecem como ninguém. A atendente, descobri que se chama Kênia, a cozinheira que fica no balcão se chama dona Linda, a que faz suco se chama Lu, tem a Lívia que faz fono e é sobrinha dona Marta quem eu gosto de aperrear. Bom assim não dá mais para almoçar só, tenho a companhia e o carinho dos funcionários e a quinta é certamente o dia mais interessante. Sei que isso tudo é passageiro, mas bom. Passageiro como foi o tempo que almoçava sempre com os amigos em Brasília na Embrapa, passageiro como foi os almoços no RU na Unicamp, passageiro como foi o tempo que almoçava com o povo na cozinha do Instituto de Botânica em São Paulo, passagueiro como o tempo de RU da UFRN, isso sem voltar a Serrinha dos Pintos. Assim percebo quanto a vida é passageira e como os anos caem sobre nossos corpos.
Bom esses dias tenho sentido a alegria da Primavera, as plantas floridas, parecem sorrir.

24/09/14

Entender a si

Nasci no meio do mato,
Aprendi a calar por não saber falar,
Aprendi a falar sem comunicar,
Falo coisas sem sentido,
Só pela beleza do som das palavras,
Ou falo por alvoroço,
No fundo e no exterior sou aquele matuto do sertão,
Que fala, fala e fala...
Mas apesar de tudo sou,
Algo me fez essa matéria viva,
Que vivo está,
E que ver a vida passar,
Que faz as coisas acontecerem,
Na timidez de um ser do mato,
Um bicho do mundo.

23/09/14

Cariri

A luz,
A luz que alumia cada forma,
A luz que acende o mundo,
E através da luz eu posso ver,
O vermelho da semente do mulungu,
O branco da areia lavada do riacho,
O cinza tingido nas plantas da caatinga,
O brilho dos feldspatos,
As garras da macambira,
As chamas da cansanção que queimam a pele do sertanejo,
A roseta do chique-chique,
E quando a noite cai,
E quando a brisa chega...
O céu tão limpo e estrelado,
O Cariri tão enamorado.

22/09/14

Divagar

Cai a noite,
O que me faz seguir vivendo?
Um suspiro de esperança,
Um texto de Borges,
A filosofia de Kant,
A busca em conhecer uma nova espécie botânica...
Queria tanto que as pessoas sentissem o que sinto,
Mas ai, cada um com seu cada um...
Nos imaginamos sempre tão especiais,
Mas somos tão solitários,
E frios e Vazios,
E inseguros.
Cai a noite, um chá ia bem,
Uma leiturazinha também,
Mas esse mundo online,
Mas esse mundo online,
Amanhã não tem nada,
Mas quinta tem Luiz Fernando,
Antes hoje tinha Eliane,
Falando nisso!
Boa noite.

Cantos e encantos

Em cada canto há um encanto,
Cada um de nós cria um encanto num canto,
E isso nos provoca um grande espanto,
Quantos cantos e encantos pode nos espantar,
O encanto no canto do sabiá,
O canto encantado do joão de barro,
Matuto que voa, mas que gosta de caminhar,
Encantado em canções de amor está...
Cada um de nós se encanta em algum canto,
É bom nem pensar como em que canto
Haveremos de se encantar.

Como sempre

Um rouxinol cantando,
A manhã que cresce,
As árvores perdendo as flores amarelas,
Nenhuma brisa,
O solo frouxo e seco.
Os musgos tostados nas pareces e muros,
O lodo que escureceu e virou tinta,
Este ser que sente...
Este ser que percebe,
Percebe que tudo já passou,
Anos após anos,
Gerações após gerações...
Coisas que se repetem e se repetirão,
Lágrimas de alegria,
Lágrimas de tristeza,
A flor que desabrocha
E se transforma em fruto,
E o fruto em semente,
E a semente em árvore...
Doí perceber essas coisas,
Doí perceber o tempo,
Saber que em pouco
Tudo é esquecimento.
Cada ser com sua história,
Cada flor por mais efêmera que seja,
Permite a eternidade da vida...
Tudo tão simples...
Canta o rouxinol,
Passa a manhã,
Como sempre aconteceu
E acontecerá.

21/09/14

Passagem

A manhã,
O vento,
As Nuvens,
Passam sem parar.
Uns passam devagar
E outros passam por passar,
O vento assovia
Move os ramos das árvores,
Rouba o aroma das flores,
A fumaça perfumada do incenso.
O canto das aves me impressiona,
A paisagem de minha janela,
Tudo me impressiona,
Mas aqui minha casa é vazia.
Passam as manhãs,
Passam os dias,
Fecha-se minha poesia.

20/09/14

Ad eternum

Estamos trilhando a vida,
Descobrindo a cada dia
Uma maneira melhor de viver,
Uma maneira melhor de ser,
Sabemos do que passamos,
Mas desconhecemos o que virá.
E assim vivemos experimentando a vida,
E assim assumimos  a vida,
E vivendo a vida vai se construindo,
E se reproduzindo dia a dia ad eternum...

19/09/14

Ocaso

A tarde que desaparece,
Morcegos voando cambaleante,
Voam pra lá e pra cá,
Nas castanholas
E nas gameleiras,
E o escuro que oculta
Tudo...
Tudo é;

A tarde que chega

A tarde que se desfaz,
A manhã que se desfez,
A madrugada que faz parte do passado...
O tempo que foi encerrado,
E agora a noite que se chega,
A noite que se faz,
A brisa que nos agracia,
Uma música
E as memórias...
Os anos dobram nossa pele
E tinge nossos cabelos,
Mas nos dar o sabor da experiência,
Nos agracia com as memórias,
Embora sejamos tomados pela saudade,
Mas a vida segue,
E aprendemos a lutar
E lutamos,
E vivemos,
E consumimos nossas vidas,
No dia a dia, nas manhãs, tardes e noites que se desfazem
Nos tornando quem somos.

Maravilhas da vida

A tarde caindo,
Sexta-feira,
Chegar em casa,
Ficar descalço,
Sentir a brisa
E ir até a sacada
E ficar contemplando o mundo,
Ah!
As palmeiras,
Paus-brasil,
Abacateiros
A mata,
A luz da tarde dourando
Dourando o mundo...
Neste instante, temos aquela sensação
De um convalescente que restabelece a saúde
E o mundo parece mais lindo,
Cada detalhe impar,
As cores crepusculares nas nuvens,
Castanholas renovando as folhas, parecendo grandes candelabros.
Os idosos caminhando,
Crianças correndo,
Algo em nós que une
E que nos separa ao mesmo tempo,
Tempos que vivemos,
Tempos que viveremos...
Tanta coisa maravilhosa na vida.

Verão a porta

A manhã desperta livre,
Ensolarada, enfeitada
Com a cantarolada das aves.
Hum! o chá quente,
O cheiro da manhã,
O sol crescendo,
O verão está ai...
Sol, sol, sol...
E as cigarras começam
A anunciar o calor,
E a gente vai empapar a pele de protetor,
E assim cai 2014...

15/09/14

Stefani uma flor

Tantas coisas são importantes em minha vida.
Faz mais de um ano que não sentamos juntos,
Faz mais de um ano que ouço Noctune sozinho,
Faz mais de um ano que não ouço sua voz,
Que não almoçamos juntos, que não vejo seu riso,
Faz mais de um ano que eu ti vi...
Não sei o quanto voce cresceu,
Sei que muito voce viveu.
E cresce em sabedoria.
Faz falta...
Se gosto de Chopin a culpa é toda sua.
Se gosto do silêncio,
Se gosto do Barulho da chuva
E da chuva...
Também tem culpa.
Curto foi o tempo que passou em minha vida,
Mas muito importante para o crescimento de minha alma
De todo o meu ser.
Plantou em mim doce semente de amor.

Aprender

Ontem vivi um amor,
Ontem senti uma dor,
Ontem não estava só,
Mas parti, parti e parti
E o que me resta?
Trabalhar, construir
E reconstruir a vida,
As coisas e a história,
O tempo voa minha patroa,
O tempo voa.
Ontem é a réstia do hoje,
Sem matéria,
Só um delírio,
Uma miragem...
É preciso aprender sempre.

Espiral do tempo

O tempo em espiral,
Girando sempre sobre o centro,
Girando num mesmo movimento,
Entre o dia e a noite,
Entre a alegria e a tristeza,
Girando, girando, girando,
Sem nenhum firmamento
E o ontem se confunde com o hoje,
E o agora com o já...
E eu me perco em pensamentos,
Progressivos pensamentos,
Vivos pensamentos
Que tentam se organizar,
Que fazem sentido a minha vida.
O tempo se elevando em espiral
Fito bases nitrogenadas,
Feito DNA e Cromossoma...
Perdidos na espiral,
Vemos tudo acontecer,
Vemos tudo desacontecer,
Manuel de Barros pensando,
Uma leitura de Borges,
As Bachianas de Villa Lobos,
A velhice que chega com as estações.
Enfim, o começo do fim.

14/09/14

Alma da tarde

Mais uma tarde se vai,
A tarde parte crepuscular
E fria.
Ouço o estouro de bombas,
Vejo o sol criso...
Tarde que parte...
Deixa sua arte
Impressa em minha alma,
Distante e calma.

13/09/14

Cores, formas e memórias

A tarde,
A tarde de que cai,
Nublada, fria e solitária.
Nas ruas vazias apenas
A brisa fria corre sem destino,
Corre livre brisa,
Corre livre brisa.
Então quebro o vazio da rua,
E passo a caminhar com a brisa,
Através da rua,
A passos contados,
Olho as pedras,
Olho a rua,
E de repente percebo
A beleza das castanholas com flores coloridas,
Castanholas nuas,
Castanholas como candelabros,
Com folhas jovens sendo lambidas pela brida,
Enquanto a tarde cai,
Enquanto a tarde cai,
Enquanto caio em mim,
Ah, as castanholas fecham mais um ciclo,
A tarde cumpriu sua sina,
Volto para casa
Cansado,
Mas volto ao ponto inicial,
Com cores, formas e memórias.

11/09/14

Incertezas

A vida,
Os olhares,
Os risos,
O bem viver,
Fazer o bem,
Não furar a fila,
Ser generoso,
Ser paciente,
Na vinda nem sempre
Precisamos de muitas coisas.
A vida pode ser muito breve.

07/09/14

Interrogações

A existência,
Não podemos tocar na existência,
Não podemos nos dá a existência,
Existimos...
Existimos por um breve tempo,
Somos por um breve momento,
Breve momento em que sentimos a vida em plenitude,
Breve momento de coisas simples...
Um jardim ornado de flores belas e perfumadas,
Uma música bela ouvida de distante,
O uivá do vento na janela,
O momento de compreensão,
Uma simples epifania...
Afinal o que nos afirma
E o que nos define como seres?
Nossa sensibilidade, nossa razão?
Nossa cultura?
E o que me norteia como ser?
Os sonhos?
A morte?
O trabalho?
Algo nos dá sentido a vida.

05/09/14

Que sinto

A noite,
Sombras frias e fresca,
O vento soprando,
Estrelas piscando,
Céu limpo,
Céu limpo,
Grilo grilando, cantando, cantando, cantando.
Sexta-feira,
Bebe, rir, come e fala...
Tantos desejos vividos,
Vidas,
Vidas iniciadas,
Vidas encerradas,
A noite,
O vazio dos átrios da casa
Preenchidos pelo vento,
Preenchidos pela sombra da noite,
E as nossas sensações diante disso,
Céu limpo,
Céu limpo,
Seu limpo,
Que sinto...

04/09/14

Xícara de chá

Uma xícara de chá,
Escoa pela boca suave e mornamente
O delicioso chá.
Aos poucos feito popoca,
Estoura um pensamento,
E outro e mais outro...

As vezes as coisas tornam-se tão
Complexas, que inibem o sono,
Mas na verdade tudo passa,
Poucas coisas valem a pena na vida
Como uma boa xícara de chá
Ou o riso frouxo dividido entre amigos.
É assim que a vida vale a pena.

03/09/14

Esquecimento

A vida,
Perguntei para um amigo se não temia a morte.
Exatamente pelo temor que tenho da morte.
Talvez não pela morte em si,
Mas pelo fato de morrer,
Significa para mim, cair no esquecimento,
Voltar para o infinito.
E meu amigo sensato falou que não temia a morte,
Pois viu a morte com os olhos.
Viu a morte matar o seu pai.
Que tragédia.
É engraçado a maneira como cada um se comporta
Diante das coisas da vida,
A morte é uma coisa da vida.
Morte,
Substantivo que habita sempre o meu ser,
Talvez por medo de ser esquecido,
Coisa que logo acontecerá.
Cairemos todos nós
Na sombra do esquecimento,
Sendo a morte a vertente que nos separará deste mundo.

02/09/14

Destino

Desenrola do carretel o fio da vida,
Desse enovelado aos poucos nos é revelado,
A teia e a trama da vida.
Como uma semente que germina e se faz árvore
Assim é a  minha vida,
Assim é a minha vida,
Fui semente e plântula
E agora sou árvore,
Sou tudo o que me fiz,
Sou tudo o que me diz,
Desde aurora
Até o segundo crepúsculo,
Sou...
Sou um sol,
Uma lua,
Estrelas,
Noite...
Sou um continuo ser,
Um ser em movimento
Movimento em tudo,
Na vida e no tempo,
Sou uma reação química
de vida contada,
Fui gerado no berço do amor,
E serei gerido pela dor,
Viver é conhecer,
E o nosso fim a Deus pertence,
Nascemos e morreremos todos sós,
Porque nossa peculiaridade é tudo.

Barão Geraldo - Asa norte - Bancários

A noite que se aprofunda nas horas,
Uma caneca de chá,
Palavras, reflexões...
O calor ou o frio,
Os planos para o futuro,
O presente imediado,
O presente próximo,
Aflição, medo...
Tudo que constitui a vida...
A noite aflita e mal dormida.

Dúvidas...

As sibipirunas perdendo as folhas,
A acácia florindo,
As paineiras florindo,
Chuvas torrenciais,
A luz branca no quarto,
Os livros e o desejo da leitura,
O cansaço de um dia,
Na luta que se desenrola em espiral,
De uma manhã povoada pelo sol vivo,
A banca de revista,
A grama orvalhada fresca,
A poeira vermelha,
As tipuanas com exsuvia,
As manhãs de quinta,
O povo vindo da festa,
E o dia começando
E o dia se encerrando,
E a vida passou,
Passando.

01/09/14

Memória viva

O espaço,
Espaços e lugares conhecidos,
Ambientes compartilhados,
Uma casa antiga,
Cheia de memórias,
Casa de paredes brancas e janelas azuis,
Com piso de cimento talhado em desenhos,
De portas e janelas antigas
Rachadas da luz e do tempo.
De telhas grossas e caibros roliços,
Linhas de carnaúbas,
Tornos de forquilhas de pereiros,
Uma casa grande e alta,
Muito maior que a sua,
Com pessoas muito experientes
E doces, nossos avós.
Poucas coisas nos restam
Além da memória,
Tudo que temos é emprestado,
Tudo que somos é passageiro,
Hoje senti minha avó paterna,
Ouvi minha avó paterna,
Que se encantou,
Desde a última vez que fui a casa dela e a vi,
Não voltei mais,
Seu corpo se encantou em minha memória,
Daquele ventre vivo, nasceu
Quem me gerou,
E no fio da vida
Ela para a eternidade voltou,
E eu!
Quem sou?
Memória, corpo,
Meio para o fim.

Segredos de uma manhã

A manhã chuvida,
Mais uma manhã em minha vida,
A chuva chovendo,
Chovendo e cantando,
Ouço os pingos se derramarem das nuvens,
Sobre as folhas cantam
E molham
E esfriam a manhã.
Que doce manhã chuvida,
Como é interessante a vida
Com seus mistérios,
Seus ocultos segredos.
Que são revelados
A todo instante.

30/08/14

O silêncio

Tenho familiaridade com as coisas,
As rochas, as estradas  e as plantas
E tudo que tem o seu próprio universo,
Não fala o que não sabe.
O silêncio é uma sabedoria
Que poucos sabem utilizá-la.

27/08/14

Canto da vida


23 de agosto de 2014
Sábado à tarde,
É tarde,
O sol já se decai no poente.
Sentado em frente de casa,
Estou no ócio,
Eu olho para o tempo,
Olho para mamãe e ouço,
As vozes do sertão,
O canto intermitente dos galos,
De muitas aves,
Vem-vem, peidos de veias,
Galos de campina, periquitos,
Cantam também as cigarras,
E o vento faz chiar as folhas dos catolés.
E na estrada passam pessoas

De riba para baixo, de baixo para riba.

26/08/14

Cedo da tarde

É cedo,
Cedo da tarde,
Esta hora em que o sol arde,
Os galos canta,
O periquito corruchia,
Um leve cochilo,
Entre o sonho e as memórias
Assim me percebo,
As ervas secam,
As árvores se despedem de suas folhas,
E a tarde que entardece,
Entardece, mas não envelhece,
Como envelhecemos,
É forte e vigorosa,
Enquanto isso enchemos de memórias,
E partimos para o fim,
Fim de tarde,
Fim da vida.

25/08/14

A vida é curta

Os dias que se passam,
Passam para a eternidade,
Para que a vaidade,
Os dias são apenas dias,
Os dias são longos para os jovens,
E curtos para os idosos,
Longos para os doentes,
E curto para os sadios...
Independente de qualquer coisa
A vida passa...
A vida passa,
E é curta demais para não escrever um poema,
É curta demais para não cultivar uma flor,
É curta demais para não cultivar um amor,
A vida é curta,
Por isso os grilos cantam,
Por isso as aves cantam,
Por isso os galam cantam na aurora,
As flores desabrocham com o desabrochar do sol,
E as estrelas com a noite,
E as chuvas encantam as ervas,
E os homens continuam sua caminhada,
Na esperança da eternidade
Porque a vida é curta.a

20/08/14

Coisas simples

Um rouxinol canta feliz na borda da mata.
O sol quara as gotas de orvalho da noite passada,
Ramos e folhas estáticos são acariciados pela luz solar.
Tudo passa devagar,
E embalados em nossas ideias,
Nem paramos para contemplar
Coisas simples.
Estamos perdidos em fazer
Algo, sabe lá pra quem ou pra que.
Então toma os sentidos
E vive um momento
Mesmo que breve,
Vive o mundo que o cerca. 

19/08/14

O giro dos sonhos

A noite cai,
O corpo cansa,
A alma viaja,
Sonhos,
Estrelas,
Cama e cansaço.
Tudo turvo,
Tudo curvo,
Nas órbitas dos olhos,
Giram os sonhos,
Giram os sonhos.

18/08/14

Tutano

Objetos, no espaço,
Os sentidos,
As formas,
As texturas,
Os aromas,
A delicadeza de perceber,
Uma flor,
Um gato,
Um ser.
A água que molha tudo,
Que faz germinar a semente.
A sutileza de tudo,
Muitas vezes ocultos.
É preciso ter calma para perceber,
É preciso calma para viver,
Porque quase sempre não percebemos nada,
Apenas o que nos interessa,
E tudo permanece oculto,
No curto tempo de uma vida.

17/08/14

Contas a pagar

Como bichos,
Vivem os homens encarcerados,
Em suas aconchegantes celas,
Olhando através de suas janelas eletrônicas,
Sonhando em ter mais, ganhar mais,
Se destacar mais e ser mais...
Trabalhando sem parar,
Sem saber quando nem por que parar.
Os homens estão cada dia mais loucos.
Uns acumulam tanto
E outros não tem nada.
É o paradoxo da contemporaneidade.
Omni vanitas.

15/08/14

Manhã amanhecendo

Manhã de agosto,
O vento venta soprando forte,
O galo canta atrasado,
Canta, canta...
Canta também o bem te vi.
Daqui posso ouvir,
O mundo a acontecer,
Cachorro a latir,
Carro a roncar,
A manhã a despertar.

14/08/14

Revelado

O tempo,
O espaço,
Os seres vivos,
O seres não vivos,
Tudo em meu entorno,
O que eu percebo
O que está oculto,
Tanta coisa oculta
A minha percepção
Que pode ser revelada,
Pela poesia,
Pela alegria,
Pela simplicidade,
No tempo e no espaço.

11/08/14

O olhar

Que lindo é ver a lua nascer,
Lua cheia,
Lua grande,
Lua prateada.
Grilos cantando,
Vento ventando,
Estrelas brilhando,
A noite caindo,
Cheia, plena...
Uma poesia sendo parida,
Uma poesia ganhando vida,
Em versos tímidos e lúdicos,
Cheios de nada,
Ocos...
Como o quengo do autor...
Mas ao menos mostra a beleza
Do singelo,
Todo o mundo é belo,
Dependendo do olhar.

03/08/14

Angústia

Tenho no peito
Qualquer coisa que me causa pavor,
Tenho no peito
Qualquer coisa que me causa dor,
A angústia angustia nossa alma
E nosso corpo,
Nos tira a razão
Nos tira a calma,
Como viver assim,
Temos que ter uma fé,
Temos que nos entregar ao divino
Que nos preenche,
Que nos anima,
A viver mais um dia,
E no dia seguinte
Tudo pode ser diferente.
Sem angústia ou dor.

01/08/14

Os mistérios da noite

O silêncio da noite,
Compacto nas janelas
De luz branca fria,
Pessoas sozinhas,
No celular no leptop.
Televisões desligadas,
O vento sopra na janela,
A música baixa,
O corpo cansado,
A vida vivida cotidianamente.

Existencialimo

A gente vive,
A gente vive tateando no mundo, nas coisas, nas relações, nas nossas percepções.
E assim vamos experimentando e vamos nos alimentando de nossas vidas.
Vamos alimentando nossas vidas ao mesmo tempo que consumimos nossos tempos.
A vida é um mistério, a alguns longa e a outros curta.
Alguns aprendem a viver cedo,
Outros vivem uma vida longa de desconhecimento...
A gente vive,
A gente vive,
A gente conhece gente, se relaciona com gente,
E sempre se surpreende com a gente e com o outro,
Muitas vezes nos desconhecemos,
Conhecer a si mesmo, eis algo sobrenatural,
Entender os próprios erros...
A gente constrói o que a gente é.
Existencialismo.

Ser o ser

Queria saber inventar, contar histórias,
Escrever contos, crônicas, ideias...
Quando quero, quero demais,
Contar contos como Veríssimo,
Contar histórias enigmáticas como Borges,
Coisas divertidas como Millor,
Mas não,
Não sei copiar,
E o que invento, não dá para pagar um café.
O gato gateia,
O sapo Sapeia,
E eu identifico plantas.

Felicidade

A noite,
A música,
O chá,
Os livros...
Pensamentos, ideias e memórias.

Quando a tarde cai doce,
Quando a noite chega alegre, suave,
Com coisas simples como ensinar...

O corpo entra em estado de êxtase,

Uma sexta-feira,
O quebrar da barra,
A leitura reflexiva,

Pedalar em busca da felicidade,
Parar, fotografar,
Contemplar a mata,
Ver as mulheres generosamente
Varrerem o campos,
Os corredores,

O café da manhã,
O riso dos amigos,
A comida gorda,

As conversas ricas e sabias,
Outras nem tanto,
A generosidade de Vera,

A manhã partindo,

O encontro na geografia,
Bartô e seus orientandos,
A irreverência de Mônica,

O almoço com pessoas inteligentes,
No Lando,
O ir e o voltar,
Doces conversas, com pessoas generosas e inteligentes,


A tarde vindo com os risos,
Das amigas e um lauto almoço,

E a tarde se passa,
Brindando-me com a companhia,
Das minhas estagiárias,
Manu, Rayana e Sâmara,
Que me ensinam a aprender,
Coisas simples,

O aconchego do lar,

A saudades da família,
E assim segue a vida.


Faz

O que faz sentido?
Algo ouvido,
Algo olhado,
Algo vivido?
O silêncio.
O sol dourado,
Ano passado,
Ano passado...

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh