03/10/13

Apelo

Borges, Nietzsche e Pessoa venham me tirar da solidão,
Dai-me com suas lindas palavras um pouco de ilusão.
O amanhã é incerto e pra mim já chegou,
Vejo as coisas sem graça nem alegria,
Ah, Neruda e Drummond me enbriem com suas poesias.
Amanhã será outro dia.
O amanhã não nos pertence,
Nada nos pertence, os lugares, as coisas, as pessoas...
São todos passageiros e seguimos o mesmo fluxo
Em direção ao nada.
Por que e para que querer tanto...
Buda já dizia e Schopenhauer reverberava
Que apego é sofrimento.
E como viver neste mundo incerto,
Cheio de homem esperto?
Sabe lá. Sabe lá.

Andar perdido

Quando anda perdido,
Caminha sem saber para onde,
Vai e volta.
Quem anda perdido,
Certamente está buscando se encontrar.
E aprende a ir e vir,
Aprende a se virar,
Aprende a ser.
Não se sabe quando se anda perdido,
As vezes quando estamos perdidos,
Estamos mais apto para viver,
Mas viver a solidão,
É está eternamente perdido.

02/10/13

Efêmera

O sol que anima a vida
Também queima e arde
A pele e a alma,
Pode tirar a calma!
Vida passagueira,
Como um pessegueiro
Cuja frutificação
É tão efêmera.
Tantas coisas assim o são.

Cada momento

A noite escura
De céu estrelado,
Grilos cantando,
Cachorros dormindo,
Música clássica,
Um chá de gengibre
E a cama e o sono
Que mais pode querer
Um homem simples.
Viver cada momento.

29/09/13

Novo lar

Estranha a noite!
Não me adaptei ao novo lar,
Minha morada é tão boa.
Abro a porta da sacada
Sobra fresca a brisa,
Ouço grilos cantarem,
Quando deito na cama,
Vejo as estrelas brilharem
E as nuvens passarem,
Quando ainda é madrugada
O sol já nasceu!
E aos poucos me acostumo,
Aos poucos volto a calma
E a paz num novo lar.

24/09/13

Tudo Passa

Às vezes perco a paciência,
Quando aguardo e não acontece.
Aguardo o dia todo e nada,
Mas é preciso esperança,
É preciso paciência
Porque tudo passa...
Tudo passa!

23/09/13

Correr da lua

Noite de lua minguante,
Na rua nem um passante,
A lua no horizonte,
Oras se esconde,
Oras aparece,
Parece que acende...
Lua que tudo viu,
Lua que tudo viu,
De maio a abril,
É noite de setembro,
Primavera toda bela.
Noite se vai,
Tempo se vai,
Vida se vai.

21/09/13

Litoral

Oras chove,
Ora o sol abre.
A brisa que vem do mar
Assovia no telhado,
E chove e para de chover,
E venta, venta...
Que friozinho bom.
Que tempo agradável,
Um papa-capim canta
E canta...
E a manhã vai passando.


20/09/13

Saudades...

Só se tem saudades quando se tem memórias.
Quanto vemos fotos antigas revivemos,
Ficamos saudosos.
O tempo passa e nem percebemos.
Não percebemos as árvores do bosque crescer,
As rugas e os cabelos brancos surgirem.
Tudo passa tão depressa e parece se arrastar.
Aprendemos vivendo...
Vamos transformando o mundo.
Saudades... saudades... saudades...

18/09/13

Adaptar

Sol, calor e suor.
O verde das árvores,
As cores das flores,
A brisa do mar,
A gente andando na praça,
Caixas de som...
Aos poucos me acostumo a tudo isso.

11/09/13

Noite

Noite que refrigera minha alma,
Maravilhosa que me traz a calma.
Noite que vem e que vai.
Enluarada ou estrelada.
 

09/09/13

Adeus Brasilia

É hora da partida,
Hoje aqui amanhã
Outra vida,
Adeus flores do cerrado,
Planura do planalto,
Lago Paranoá,
Céu intenso de Brasília,
Tardes maravilhosas,
Parque Olhos D'água,
Leila, Dani, Ismael, Djalma, Stefani, Rosas,
Estufa de Arachis,
Amigos do Herbário CEN...
Adeus Brasília...
Distrito Federal.

30/08/13

Inquietude da alma

Profunda noite, silenciosa,
Escura e suave.
Que há no mundo fora de mim?
Há matéria, energia e vida.
Há tanta coisa por conhecer,
Há tanta coisa que preciso designorar.
Noite profunda que diz o teu silêncio ensurdecedor?
Que expressa o meu ser além de minha consciência?
É tarde e imerso na noite profunda,
Perdi o meu sono
E busco nas palavras
A expressão da inquietude de minha alma.

29/08/13

Sentido

O silêncio do sol nesta manhã de agosto,
A amplidão do Cerrado onde imegem
O raios do sol no inverno
O canto distante das aves.
Nada parece acontecer.
O som de uma ambulância,
A fala do vizinho
São coisas sem sentido,
Mas que constroem o sentido
aqui e agora.

28/08/13

Força

Há tantas coisas que nos faz cansar e desanimar.
A correria do dia-dia, a terrível batalha de aperfeiçoar e ser o melhor.
O tempo que não ajuda, pessoas estressadas.
Mas tudo passa, o tempo passa.
Sólida poesia brota dos momentos incógnitos da vida.
Algo nos faz feliz ao menos por breve instantes na vida.

27/08/13

Passageira glória

Suave a noite caiu.
Rubra e azul sob a tarde
O sol se foi.
São tantas coisas lindas
Que não percebemos,
Tentando se sobressair,
Que adianta a glória
Se desconhece a aurora e o segundo crepúsculo.
Nada.

Aguardando a primavera

O sol deita sua luz sobre os vales e montanhas e planícies.
As aves cantam intermitentes, parecem agradecer pela vida.
Pássaros de diversas qualidades com os mais variados cantos.
Encantam com seus cantos a manhã.
Só as árvores florescem, flores perfumadas e coloridas.
As ervas dormem em sementes.
A poeira vermelha tinge tudo que lhes cerca.
E o tempo passa, e a primavera vem,
Que venha com toda sua beleza e força.

Noite

A tarde cai tão bela,
e sobre a tarde a noite.
Emana grandeza e silêncio.
Um passo para o fim.

23/08/13

Viver amar a vida

E se enxugam as poesias.
Viver apressado não é interessante.
O interessante é viver livre
Para olhar as estrelas a noite
Para ver as flores durante o dia.
Para contemplar as coisas boas da vida,
O doce do pudim, ouvir Mozart,
Ver Gogh, ler Borges...
Temos que viver
Já que a vida não cessa instante algum
E quando cessa! A morte abarca.

21/08/13

Luar

É noite de lua cheia,
O céu azul estrelado,
O espelho da lua no cerrado.
O brilho da lua flameja
Nas águas do Paranoá.
Cansado, deito e durmo,
Não penso em nada.
Verão no Cerrado.
Não é inverno,
Mas sim calor,
Sol e beleza nas extremidades do dia.
Mais nada.

20/08/13

Agosto

A tarde estava tão bela
Havia crepúsculo no poente e no nascente.
Enquanto o sol partia
A lua aparecia...
Quantas cores maravilhosas.
Depois da tarde belíssima
Veio a noite sensacional.
E mais um dia de agosto se foi.

19/08/13

Sensações evanescentes

Tudo a todo momento está se fazendo e desfazendo.
Alguns semtem mais que outros a evanescência da vida.
E como uma fornalha consome madeira,
Vamos consumindo os momentos vividos,
Consumindo nossas saudades,
Porque o que foi, não volta mais, apenas dá espaço
Ao novo, mas queremos o novo e de maneira alguma
Desapegar do velho. Isto nos faz sofrer.
Nem todos temos a mesma sensação,
Mas como somos seres efervescentes de sentimentos,
Um dia nos deparamos com esta  mesma sensação,
Várias coisas podem desencadear.
Mas isso não faz parte deste texto,
Apenas as sensações avanescentes.

15/08/13

Graças

Graças, dou ao tempo passado e a ação realizada.
Mais um dia se passou e todas as etapas foram realizadas
Ou pelo menos houve um esforço nesta direção.
Vi a luz do sol nascer, saciei minha fome e minha cede.
O dia transcorreu em paz.
Este dia parte outro dia virá.
Graças, dou pela vitalidade, pela energia.
Porque sei que tudo passa para todos a todo momento.
Que assim seja.

O silêncio interior

O silêncio habita em nosso ser e nem percebemos.
Conversamos a sós, pensamos e até podemos ouvir nossa voz.
Mas passamos o dia ouvindo nossa voz  interior.
Passamos o tempo todo ouvindo esta voz nos orientando.
Dei conta de que o silêncio habita meu ser.
Abri um livro e li em voz alta
Para espantar o silêncio
E dissipar essa sensação.
E dormi sem a sensação de ser tomado pelo silêncio.

14/08/13

Saudades

Há tanta beleza para ser vista
E ser descoberta.
Há tanta coisa boa na vida.
Hoje, à tarde, cantava alto o sabiá.
As maritacas sumiram.
Bem cedo, ainda madrugada
Canta o sabiá.
Lembrei de como era bom acordar nessa época
Em Barão onde o sabiá cantava em minha janela.
Tinha, ali, um pequeno jardim,
E o silêncio e noites inteiras,
De alegria.

13/08/13

Profunda noite

É noite profunda.
O céu estrelado,
O frio da noite nos envolve,
E nos faz sentir medo do nada.
A noite profunda
Muitas vezes é o nada.
Ausência de movimento,
Ausência de tanta coisa.
Grilos cantam,
Maquinas refrigeradoras
Trabalham.
E a noite cai
Para se derramar na manhã.

Dança das folhas

É verão,
O sol brilha
E é tão belo.
Dançam as folhas ao vento
Quando se desprendem
Dos galhos,
Saracoteam, flutuam
E tingem o chão
E lhes dão chiado.
Nuas as árvores florescem
E depois se vestem,
Aproveitam o verão.

O cerrado e eu

O Cerrado no verão é tão belo,
Com seu céu limpo e azul,
Com suas plantas nuas floridas,
Com a algazarra das aves na matina,
Com o calor, o barro solto,
Numa frenética espera pela chuva.
O Cerrado encanta,
A cada estação, embora reduzido,
O cerrado ainda é cerrado.

12/08/13

O mundo e a palavra

Amplo é o mundo,
Densa é a palavra que o determina.
Tudo que vejo se não consigo verbalizar
Não tenho como expressar.
A palavra, organiza o mundo.
Cada língua tem seu trato
e densidade de sua palavra.

11/08/13

Cerrado Dourado

É agosto,
O Cerrado aparentemente tudo está seco.
A poeira vermelha se desprende do chão 
e tinge o mundo de vermelho.
O céu está tão azul,
O horizonte cinza,
E agora temos a florada dos dourados ipês amarelos,
Belo, belo, belo,
Embora efêmero,
Douram o cerrado,
Embelezam o mundo,
Flor a flor se abre,
Flor a flor se desprende,
Logo serão apenas, frutos,
e mais logo em seguida sementes aladas,
E mais em seguida se germinar, plantas,
Nunca mais verei esta floração,
Cada ano é uma nova estação,
Linda florada de ipê,
Doce Cerrado,
É tão belo dourado.

Os Sinos de Ouro Preto

Dobram os sinos,
Rua afora, ladeira acima,
Ladeira abaixo, soam seus timbres peculiares.
Quem é daqui, reconhece de onde vem
E em qual igreja dobra,
Dobram e encantam a cidade.
Que anunciarão os sinos?
Quantas vezes dobraram os sinos?
Gerações foram despertas
E adormecidas...
Linda Ouro Preto,
Cheia de tradições,
De jovens alegres,
De repúblicas vivas,
De turistas curiosos.
Quando dobram os sinos,
Viajo na concha do tempo,
Que só existe em pensamento,
Cantam as várias aves,
Enquanto a cidade é silêncio
E som de sinos.

08/08/13

Tempo reflexão

O tempo passa
e deixa marca na pele
e deixa marca na alma.
O tempo passa
Sem que percebamos.
Ontem, hoje, e amanhã
são infinitos...
Tudo passa.

Escorrer

Enquanto caminho, penso na vida.
Nem sempre penso, as vezes tenho uma ideia me dominando,
Consumindo minha alma.
Ontem enquanto caminhava via a aspereza do chão
de concreto corroído pela água.
A água que mesmo amorfa e líquida transforma as coisas
Ou são as coisa que se transformam.
A aspereza daquele chão empoeirado
me levou a esquecer a bendita ideia e pensar numa coisa mais simples e forte.
A água que escorre, mole, plástica, suave e vai se entregar ao mar,
ou sabe á o que, mas escorre sempre, por força da gravidade.

07/08/13

Noites

Noite, noite, noite...
Três formas diferentes de ver a noite.
Noite pós fim de tarde,
Noite profunda meia noite,
Noite aurora,
Finda a noite.
Logo mais tudo é dia.
Ou nunca mais veremos a noite
ou o dia.

05/08/13

Que tem as flores

Quantas flores dispersas nos campos
Nas montanhas, nos jardins e praças.
Quantas flores encantam os homens?
Já perdi a conta, já nem sei quantas
São as combinações.
Flores são só flores.
O perfume das flores,
A cor das flores...

04/08/13

Sensação

Como o domingo é longo à sombra da solidão.
O frio da ausência humana,
Uma palavra mesmo que seja baixinha.
Um pouquinho de atenção.
Mais nada.

03/08/13

Niilismo

Ontem a noite, sexta-feira,
Perdi o sono.
Folheei o buda que estava sobre a mesa.
Tanta coisa bela, mas inacessível a um humano, demasiado humano.
Peguei o caderno e escrevi duas páginas,
Na tentativa de não morrer naquele momento,
Minha triste existência.
A solidão é triste.
A vida é tão curta para sentirmos tristeza.
Tenho certeza que nenhuma frase que escrevi interessa
Ao mais papolvo ser.
Fiz um chá, tomei-o.
Até que o sono chegasse,
Li quase duas páginas de Pessoa.
Questões preenchiam minha mente.
Minha existência tem um significado?
Respondam-me Sartre, Borges, Nietzsche.
Por um breve instante nada faz sentido,
Mas quando olho sobre a cama vejo
Livros de Gogh, e volto a mim,
Algo pode fazer sentido amanhã.
Apago a luz, deito e durmo.

Povoar

Após o meio dia,
a sol pino, ocorre o primeiro ocaso.
Nem as aves contam,
nada acontece,
feito serpentes,
pessoas se esticam deitadas,
dormem
ou despretenciosas vão ao shoping
se mostrar? encontrar alguém?
Lá na caatinga, a cigarra canta,
o calango corre sobre as folhas secas.
Enquanto o Cerrado é tomado por soja....

Tanta coisa fútil povoando o mundo.

Motivos

Os sábados são tão maravilhosos
quando esperamos algo.
Envelhecer tira o brilho deste dia,
cadê aquele motivo que fazia
o coração sorrir, pulsar alegre?
e agora depois de tanta coisa vivida
o que é possível de esperar?
Deus salve Borges e Guimarães Rosa,
estrelas de minha manhã.

A mesma coisa

Às vezes viver é ser triste.
Quando lutamos por algo
e cremos tanto que ali está
o motivo para existir.
Atravessamos a existência
que é tão vazia.
Porque nunca queremos
a mesma coisa.

Climax

Já é tarde, embora a tarde pouco avançada depois do meio dia. O sol brilha em sua maior intensidade.
A natureza toda está recolhida. O silêncio só é quebrado pelo chiado de folhas que se quebram a cada passada. No horizonte podemos ver o tremer do vapor. Tudo está tão vazio. Meu peito vazio, o mundo vazio. Calor! Viver este momento belo, mas de peito vazio é tão difícil. Saudades? Deveres, sigo caminhando como a tarde vai partindo.

28/07/13

Redelinear

É estranho descobrir que no mundo há maneiras de se perceber algo distinta da nossa. São poucas estas situações em que somos tomados por essa sensação, principalmente quando não gostamos de viajar de sair da rotina. Há determinadas memórias adormecidas que são despertadas por meio de uma música, um texto, uma propaganda. Estas memórias são compartilhadas por um determinado grupo que pode ser pequeno como o núcleo familiar, o ambiente escolar, a cultura de uma cidade ou até mesmo amplo como os programas transmitidos pela rede globo. Um bom exemplo são as coisas que aconteceram na década de noventa, certamente é compartilhada pelas pessoas, como eu, com faixa etária entre os 30 e 40 anos. Enfim quando saímos do nosso universo, nossa cidade ou cidade ou país, estranhamos que o outro conheça tais coisas, mas conhecem de outra maneira, a partir de outra perspectiva. Estava viajando de Genebra para Viena, de ônibus, durante toda a noite, quando acordei, ainda muito cedo percebi que na rádio tocava a música "Crazy for you" de Madona. Como assim, pensei, está música toca aqui, percebia meu pequeno conhecimento de mundo. Naquele momento senti o êxtase tomar todo o meu ser. Estava muito feliz por está conhecendo o velho mundo e ao mesmo tempo aquela música me trazia lembranças de minha vida em Serrinha dos Pintos, pois ouvira muito aquela música tocada na difusora de Alexandria.Aquele música estava viva em minha mente e decerto não tinha ou tinha um significado muito diferente do que existia em mim. Naquele instante estava muito distante do passado e minha origem, mas aquela música era um elo entre o passado e o presente. Mais uma vez aquela música ganhava sentido em minha vida de uma outra maneira, poderia até me levar a esquecer o passado mais distante. Imagine que para aqueles passageiros que estavam preocupados em dormir, aquela música não significava nada. Talvez para suas realidades aquela viagem seria semelhante a minha ao ir de Campinas para Ribeirão Preto.  Eu estava viajado sem saber por onde ir, mas sabendo para onde eu ia. Então o dia nasceu e eu conheci Wiena. E agora que ouvi a música revivi, relembrei e mais uma vez redesenhei pude redelinear minha memória e perceber quanto o mundo é amplo e nossa vida pode ser sensacional.

26/07/13

Quero-quero

O quero-quero caminhando no campo,
Gritando quero-quero, quero-quero.
Voa, da rasante e grita.
Pela manhã, à tarde
Ou a noite estarão sempre lá
Em qualquer lugar.

24/07/13

Dominar

Sentimentos quem os domina?
Somos uma bomba de sentimentos,
Oras estamos felizes ora tristes.
Oras amamos a solidão oras a odiamos.
Estamos contentes pela manhã,  pela tarde rabugentos
E a noite felizes.
Enquanto tudo isto acontece.
Nossas válvulas de escape são comer, beber, fumar e fu - amar
Bem se  nada disto nos alivia a tensão da vida,
Somos dominados pela gula, pela luxúria...
Ou viramos carolos de qualquer religião.
Quem não controla seus atos?
Nesse mundo cheio de competição,
E desejo.
Sentimentos quem os domina?
Enquanto isso resta-nos olhar o aurora,
o segundo crepúsculo...
Conversarmos com os nossos sonhos,
Dominarmos nossos instintos.
Sabe lá.
Contemplar a lua e as estrelas e a companhia de quem nos ama.

23/07/13

Noite imperial

A tarde caiu suave e leve.
Logo veio a brisa fria.
A água do lago paranoá
Está tão transparente
Que vemos os peixes nadar.
Ou pele de sapo tem
As capivaras nadando
Nesse gelo da noite.
E calmamente apareceu venus,
A noite e de brinde
A maguestosa lua

Alvorecer

A luz fria da manhã
Atravessa a janela
E junto a ela o canto
Suave das aves
E a brisa me revelam
As formas, as cores, os sons
E a tenuidade da vida.
Eis que inicia o dia.
Que delícia iniciar o dia
E poder identificar o som do sabiá,
Som da maritaca,
Som dos sanhaçus.
As cores das plantas verdes e vivas,
Secas e mortas, cinzas...
O sofrimento da grama,
O esplendor das plameiras.
As vezes encontrar o sentido
Para viver mais um dia
Está nas coisas pequenas,
No entanto sublimes.

22/07/13

Doce manhã fria

A manhã foi tão fria,
Embora sol brilhava num doce céu azul.
Os eucaliptos pareciam animados,
a bailar junto à brisa.
À sombra da sala,
Que frio! Como é agradável
Saborear um chá.
No banheiro um grilo cantava,
Cri, cri, cri...
Percebi ao acordar
Que os sabiás voltaram
A cantar.
Cantava alegre
Um feliz sabiá.
E a manhã se passou,
Fria e bela.




19/07/13

Agora é hora passada

A lua prateada alumia
a noite em Rio Paranaíba.
O silêncio das estrelas
É quebrado pelo canto dos galos.
Já é dia nas horas passadas
Agora doce madrugada.
Quanto tempo
que não ouvia o galo cantar.
Quanto tempo
não via a lua alumiando a noite
Agora é hora de dormir.

17/07/13

Em qualquer lugar

A noite caiu
Nem vi o tempo passar.
Palavras pensadas e pensadas.
A noite chegou,
sem que visse os horizontes.
Tudo e nada
É só uma questão de percepção.
O dia passou!
Aqui estou,
Perdido na noite
em qualquer lugar.

16/07/13

Palavra

Como os elos de uma corrente,
As palavras unidas formam uma oração, uma frase.
E o que o texto senão o tricotar com as palavras,
como num tecido em que fios são cruzados,
assim são os textos pinçados com palavras.
As palavras são tão ricas,
pois carregam em si o significado das coisas.
As palavras descoisificam  nossa língua.
Com a palavra certa não se diz, essa coisa que esta na suas mãos,
Se diz esta flor, esta rosa, este livro.
Verbalizam o indizível,
Encurta as explicações,
Pois são signos,
conceitos.
Palavras são o que são.
A palavra é uma luz que acende
na mente de cada um
a todo instante,
ampliando a compreensão do mundo.
Como ficou mais fácil entender o Sertão depois de Guimarães Rosa.
Como  é mais fácil entender nossos sentimentos
verbalizados pelos poetas...
Drummond e Pessoa, falam o que sentimos.
Que palavra Gogh daria a suas pinturas
e Mozart e Bach a suas sinfonias?
Que palavras uso para denominar minha vida?
Não sei! Certas vezes só sinto,
e me expressar é uma forma
de dispersar meus sentimentos.
As palavras servem para entender o mundo
e para minha compreensão de mim mesmo.  

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh