Na minha casa descobri o mundo,
Papai e mamãe e meus irmãos
Auxiliaram-me nesta empreitada,
Cuidaram de mim.
Na nossa casa simples não tinha riquezas,
Mas não faltava amor, carinho e amizade.
Minha mãe tão natural.
Meu pai tão sentimental.
Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis
Comprado no Canindé
E eu mirava com misticismo, medo e admiração,
A moldura barroca.
Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.
Por que eu não estava lá?
Já me questionava?
Eu me balançava na rede olhando através da janela,
Sentindo a emoção do ir e vir
Subir e descer,
Eu olhava para o infinito do céu...
Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.
O meu mundo era minha família,
A poesia era bruta e não soava ainda...
Eu vivia,
Contemplando minha existência,
Vivendo minhas primeiras experiências...
O mundo se revelava infinito....
A finitude estava em mim
E parece que eu sentia isso,
E descobri a finitude me deixava triste...
Era natural que se descobrisse,
A razão apontava,
A emoção indicava...
Mas algo em mim
Queria a eternidade...
Todo ser quer se conservar eternamente.
A minha casa é a mesma.
Os cômodos, as paredes são o mesmo...
O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,
Cada dia tem uma história
Que guardamos em nossas memórias.
A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram
Quem me fizeram quem sou...
Sou como os meus pais em carne, osso e alma,
Mas com direito a liberdade e a individualidade....
Sou o fui,
Sou o que sou,
No começo tinha meus pais,
Agora tenho a casa,
E as experiências,
E os ensinamentos...
Tenho o que sou.
Sou o que aprendi
E nada mais.