18/08/26

Luz da alma

 Na minha casa descobri o mundo,

Papai e mamãe e meus irmãos 

Auxiliaram-me nesta empreitada,

Cuidaram de mim.

Na nossa casa simples não tinha riquezas,

Mas não faltava amor, carinho e amizade.

Minha mãe tão natural.

Meu pai tão sentimental.

Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis 

Comprado no Canindé 

E eu mirava com misticismo, medo e admiração,

A moldura barroca.

Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.

Por que eu não estava lá?

Já me questionava?

Eu me balançava na rede olhando através da janela,

Sentindo a emoção do ir e vir 

Subir e descer,

Eu olhava para o infinito do céu...

Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.

O meu mundo era minha família,

A poesia era bruta e não soava ainda...

Eu vivia,

Contemplando minha existência,

Vivendo minhas primeiras experiências...

O mundo se revelava infinito....

A finitude estava em mim 

E parece que eu sentia isso,

E descobri a finitude me deixava triste...

Era natural que se descobrisse,

A razão apontava,

A emoção indicava...

Mas algo em mim 

Queria a eternidade...

Todo ser quer se conservar eternamente.

A minha casa é a mesma.

Os cômodos, as paredes são o mesmo...

O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,

Cada dia tem uma história 

Que guardamos em nossas memórias.

A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram

Quem me fizeram quem sou...

Sou como os meus pais em carne, osso e alma,

Mas com direito a liberdade e a individualidade....

Sou o fui,

Sou o que sou,

No começo tinha meus pais,

Agora tenho a casa,

E as experiências,

E os ensinamentos...

Tenho o que sou.

Sou o que aprendi 

E nada mais.

Gerânios

Haviam gerânios de enfeite em casa. Eram feitos de plástico. Descobri que eram gerânios  Num livro de morfologia vegetal de Vidal. Interessa...

Gogh

Gogh