Uma cigarra pousou em fernanda a aroeira.
Setembro se foi e outubro chegou.
O sol está a todo vapor...
A cigarra cantou pertinho de mim.
Seu canto foi um encanto.
Seu canto despertou memórias de um lugar distante,
De um tempo distante...
Tempo de minha infância,
Tempo de minha adolescência...
Lembrei da casa paterna, do nosso sítio,
Do cheiro da flor do cajueiro,
Da poeira na estrada,
Do nosso burrinho,
Do trabalho de buscar água no açude,
Do trabalho de buscar as vacas no parieiro,
Do andar ondulado do gado,
Do calor, da moleza,
Das pedras pretas soltas no caminho,
Do agrado do gado bebendo água no açude...
Da chegada em casa,
De papai preparando o comer do gato e do cachorro,
Sempre provando do feijão com farinha...
E tudo isso não reflete minha nordestinidade.