Vi um gavião na antena,
Fui até o quarto,
Pela janela do quarto,
Vi que o gavião continuava lá,
Lá na antena.
Parado,
Imóvel,
Plumado.
Contemplaria o despertar do dia?
Vigiava os pombos,
Estaria com calor,
Nesse verão né.
Estava em evidência,
No ponto mais alto,
Afugentado os pombos que ali moram...
Depois bateu asas e voou
Nem percebi,
Não fiquei vigiando ele.
Não fiquei contemplando a manhã.
Há hora pra tudo.
Por acaso a visão,
Por a caso a percepção,
Por acaso a causalidade,
Juntas me permitiram ver o momento e o tempo...
Num gavião.