Certo dia comentei com um primo meu a despeito de grandes árvores que ocorre em nossa cidade natal Martins.
Meu primo tem uma memória muito fina.
Então descreveu aquela paisagem por nós conhecidas.
As aroeiras de extremas.
As aroeiras de colchetes.
As grandes aroeiras.
Pode ver seus grandes troncos,
Ver seus ramos nus, chumbados de frutos no mês de novembro.
Pode sentir o aroma seco do esterco do gado que ali malhava aguardando que nosso avó ou nossos tios fossem abrir para poderem matar sua sede no sítio de dentro.
Esse lugar fica no Sítio Porção pequeno distrito de Martins.
Um lugar marcado por mata branca, e relevo acidentado,
Com um grande riacho que no inverno o ronco das águas podiam ser ouvido de longe.
Nesse lugar, se podia sentir de vez em quando o cheiro doce da florada do anjico,
O cheiro acridoce das cajaranas fermentando no chão... amarelas cor de gema.
Emocionei-me ao ouvir sua voz narrando essas coisas peculiares.
Meu primo falou, dali, de andar na casa de Micheque... mesma casa onde papai e mamãe costumava ir.
Casa onde tinha um engenho, uma baixa decana...
Meu primo falou uma coisa muito forte.
Falou do silêncio que o tempo fez imperar...
Onde havia vida, gritos e risos de meninos, rapazes e moça... Só existe a mata que tudo engoliu.
Senti esse silêncio que o tempo faz.
O tempo feito moinho vai desfazendo tudo, para nunca mais...
Não existe segunda vez com a mesma vida.
Só restavam memórias...
E o que são memórias sem materialidade?
Uma confusão na nossa mente onde não sabemos se foi realidade ou foi um sonho.
Essa confusão que há muitas vezes na nossa existência... onde tudo parece um sonho...
E o tempo... o tempo transforma tudo em sonho...
É...
Gostos das memórias primorosas de meu primo Francisco... da nossa família de Franciscos...
Essa mistura que se deu com os pais dele que se estendeu aos nossos pais.
Somos primos de Sangue!
Somos netos de José e Severina Neves,
Somos netos de Francisco e Francisca...
Carregamos nos genes esse parentesco,
Carregamos na alma...
O tempo teceu...
Temos muitas coisas em comum...
No mesmo espaço,
Mas em tempos diferentes.
As aroeiras são uma prova delas.
Estão lá,
Talvez sua existência dure mais de um século...
Mas ninguém poderá saber.
Aqueles que nasceram em seu tempo...
Dormem na eternidade.