24/08/26

Borges

 Há 127 nascia Jorge Luiz de Azevedo Borges.

Conhecido como Borges. 

Um escritor consagrado pela literatura universal.

Sua literatura fantástica encanta a todas as classes de pessoas.

Descobri Borges no mestrado,

Me aproximei de Borges no doutorado,

No pós pude me aproximar melhor,

Comprei quase todos os seus livros.

Semanalmente ouço suas palestras. 

Aprendi muito com Borges,

Ouvi-lo é maravilhoso.

Lê-lo nem se fala.

Sentia vontade de escrever quando estava lendo.

Tantas minúcias naquele autor.

Sigo em sua companhia,

Por via de sua obra.


Música e mamãe

Domingo,

Agosto,

Ano 2025

 Na missa, ouvi uma canção que lembrou de mamãe. 

Mamãe cantava na missa,

Mamãe cantava em casa,

Sabe aquelas músicas das tocou na igreja há muito tempo.

Aí lembrei que ia a missa com a mamãe.

E marcou em mim.

Marcou...

Quatro décadas

 Em 1986 entrei para a escola, tinha seis anos. Em 1996, aos 16 anos, estava no segundo ano do ensino médio. Em 2006 estava no mestrado em ciências biológicas. Em 2016 era professor de Botânica na universidade federal da Paraíba. Em 2026, sou professor. E aí  se foram 40 anos de minha vida. Quanta coisa vívida.

Alfabeto

 Giz, quadro negro, carteira e cadeira, caderno de espiral, um lápis e uma borracha.

A, é, i, o, u.

Vogais e

A, b, c...

Fui a escola aprender,

Ler e escrever 

E o mundo 

Descobrir 

E o mundo 

Inventar.

Promeira escola

 No meu lugar tinha uma escola,

E só.

A escolinha era branca,

E nela tinha uma sala, dois banheiros, uma cozinha, uma dispensa, e a sala de aula,

Na sala 37 carteiras e um quadro,

O quadro negro era verde e estava virado para o sul,

As carteiras voltadas para o quadro,

Tinham cinco janelas voltadas para o nascente e a porta para o poente.

A mestra, minha primeira professora 

Foi Livani Raulino.

Foi ela que me ensinou a ler e escrever.

Foi ela minha aurora.

A zeladora e merendeira era Dudé de Zé Baliza.

Em frente a escola a estrada era de barro.

Não tinha eletricidade.

O meu primeiro ano foi à tarde.

No ano de 1986.

Hoje 2026... 

Lá se foram 40 anos.

Eu mudei 

E a escola morreu.


Saudade...

Consciência

 Meu primeiro mundo era vasto e surpreendente,

Mamãe e papai,

Meus manos e vizinhos,

Nosso sítio,

Nossas galinhas,

Nossa vaquinha,

Nosso cão e nosso gato,

Nosso sítio.

Tanta coisa pra explorar as formigas e formigueiros,

As vésperas e seus ninhos,

Os besouros,

Os sapos e girinos,

As plantas, suas flores e frutos...

Tudo para descobrir,

Tudo para nomear.

Minha mãe foi minha primeira educadora,

Meu pai foi o meu herói., 

Quando aprendi essas coisas,

tinha a seca com caju e manga 

E inverno com milho e feijão....

Assim floresceu minha consciência...

No aquário da Penha

O dia era sábado, 22,
O mês era agosto,
O ano 2026.
Sassá acordou e queria ficar em casa, curtir os livros que ganhou,
Mas era dia de limpeza,
A mamãe contratou uma diarista.
Então saímos só nós, Sassá e eu.
Fomos fazer umas fotos de plantas,
Na universidade, fotografamos um pau-de-formiga e uma kalanchoe fantasma.
No castelo branco, fizemos fotos chultezia, ele até coletou alguns exemplares.
Dai fomos abastecer no posto da Água Fria,
E fomos ao Aquário da Penha...
O dia estava muito ensolarado,
Ele estava de boa, ouvindo as músicas que está no carro desde que fizemos a primeira viagem em 2021.
Foi ótimo chegar ao Aquário...
Já conhece praticamente tudo.
Comprei os ingressos e ingressamos...
Vimos novos peixes, uma parede nova com cores de neon.
Vimos as moreias, murucutuca e caramuru...
Vimos as lagostas de cabo-verde e vermelha, 
Vimos os peixes oscar.
Num recinto vazio ele observou que havia três caranguejos eremitas e vibrou com isso.
Vimos a arraia treme-treme...
Vimos cavalos marinhos amarelos,
Vimos o peixe nemo, doroti...
Vimos dois lindos acarás disco...
Vimos os tubarões...
Vimos as serpentes, cascavel, jiboia, piton reticulada, salamanta, cobra-de-milho. 
Vimos os lagartos dragão barbudo e rabudo.
Fomos para o recintos das aves, vimos joão-gomes o papagaio de coleira.
Vimos as arararas, tucanos, pelicanos...
Vimos o pavão e as pavoas,
Vimos o peru calado e doente,
Vimos o jacareé e quelónios...
Foi muita emoção.
E voltamos pra casa...
E o dia se foi.

Aperreio

 Desesperada grita a sabiá,

Ouço com empatia,

Conheço e amo sabiás.

Que será?

Sabiá quando aflito grita sem parar.

Que será sabiá que tanto sabe cantar.

Grita no galho do cajueiro,

Levantei-me e fui olhar.

Que danado era que estava aperreando o sabiá.

Ah! Já sei,

Agora vi, 

É o zé lelé do seu caboré.

Caburé não brinca,

É um rapinante,

Dê sopa que ele ataca, mata e come.

Mas o sabiá bota pra danar,

Grita apelando,

Catei uma pedra e espantei o zé lelé,

Vai pra lá caboré.

A sabiá sossegou...

De agrado logo cantou.

Paixão desperta

 O calor no olhar,

A beleza encontrada,

O olhar no olhar,

O desejo a fervilhar,

Pele fervente,

Coração a palpitar...

Não é medo,

E é medo,

Uma conexão aconteceu,

Algo profundo se acendeu...

Que será?

Ser sertanejo

 O gado come o pasto,

Sol quente,

O pasto fica escasso,

O calor, a sombra, a água...

A poeira no oitão,

O pau do curral,

O cheiro do gato,

O calor do gado,

O leite quente na manhã fria,

O vento frio,

Nessa oscilação,

O tempo vai passando,

O tempo vai contando,

A vaca estrela,

O boi bumbar,

O queijo feito,

O radialista,

O rádio,

O verão ao pino...

A vaca caçando pasto,

A gente andando na caatinga,

Se sente bicho...

Se sente bem com os bichos.

A gente entende e se sente bicho...

O cão parceiro,

A casaca de couro,

A catingueira cinza,

O juazeiro...

Meu Deus,

Amo ser sertanejo,

Do início ao fim.

Foto, fotografia

 Uma cena,

Um lugar,

Um objeto,

A luz é essencial,

A objetiva,

A objetividade,

A subjetividade,

O ente,

O sujeito,

Espaço,

Tempo,

Causa e efeito.

Uma imagem plasmada,

Memorizada,

Um espelho com memória...

Uma foto.

21/08/26

Gigantossauro

  Sassá quis jogar bola. Então jogamos bola em nosso apartamento. Muitos chutes e muitos gols. Nem quis jogar futebol de tablado. Tudo bem. Nos divertimos muito. Ontem, estava focado em explicar que o Gigantossauro existiu. Então me pediu o livro  mostrou o Gigantossauro que habitou nas Savanas da América do Sul. Explicou várias coisas. Gosto quando ele se sente empolgado explicando as coisas. E ontem foi a vez do argumento a favor do Gigantossauro que em outro livro disse que não existia. Enfim fico o Sassá que provou por via de uma imagem e um texto. É isso.

Ah! Saudades

 O galo cantou no oitão.

Na panela ferve o feijão.

As galinhas cacarejam,

O vento sopra afagando o fogo,

Enquanto vovó remenda uma calça velha.

O tempo passa e a gente nem percebe

Que a realidade toda,

Tudo é um sorriso pro universo.

O galo cantou de novo,

O feijão mudou de cor,

Cozinhou,

O fogo consumiu a lenha.

O remendo ficou bom.

Minha vovozinha...

Saudades.

Paz fora de dentro de mim

 Cantou leve o sabiá,

Nesta manhã agostinha,

Senti paz.

A luz dourada fez o mundo tão belo.

Senti paz.

Havia uma harmonia entre mim, o céu e a mata.

Sai do carro a passos pequenos,

Rezei um pai nosso e a oração de são Francisco.

Nem sempre estamos bem com nossa mente.

Mas hoje, havia paz.

Fora e dentro de mim...

20/08/26

Gil gipson!

 Sassá quer lutar Gil gipson! O interessante que ele diz que sabe lutar. Que já sabia bem antes de existir na barriga da mãe. E dá socos e chutes. E quis lutar comigo. Eu ensinei como socar em caraté. É o que sei. E insistiu para eu lutar com ele. E lutamos. Depois se contentou. Jogou xadrez com o Oscar, jogamos futebol de dedo. E morreu de rir com a turma da Mônica! Eu dormi... Ele continou com a mãe. O interesante que ele fala Gilgipso... como se escreve. Eu nem sabia como escrever... o nome desta luta. 

Ser em condição

 Aqui na mata canta uma patativa,

Longe na estrada ronca uma moto,

Agradável e desagradável,

Perto e longe...

Tipos de sons,

Intensidades distintas,

Harmonias diversas...

Onde está a consciência nisto tudo?

Poesia

 É de manhã,

Sento na cadeira,

Abro o livro de bolso,

Livro de poesia,

Pessoa!

Quem é grande vira livro de bolso.

Vende feito água!

Pessoa, isso mesmo Fernando.

Recentemente, adquiri um livro de bolso.

O grande, o gigante Mário Quintana.

Pus na minha mesa!

Costumo colocar livros na minha mesa.

E Quintana!

É um universo da alma!

Um tratado da beleza espiritual humana...

Quintana do eles passarão e eu passarinho.

Rua dos cataventos.

Recentemente ganhei um livro Brevidade!

De poesia!

Poesia de uma poetisa.

Estou ampliando meu conceito de poesia.

Poesia se sente.

Poesia se consome!

Poesia se faz...

E fazer poesia precisa inspiração,

Seja de percepção,

Seja de razão!

Poesia com rimas e regras,

Poesia livre...

Poesia de síntese!

A gente encontra tudo isso no universo

Isto mesmo no universo de existência da poesia.

Universo humano,

Uni Verso!

Onde o espírito transforma o concreto no abstrato,

Onde o objetivo se transforma em subjetivo,

Onde há conhecimento,

Pois há sujeito e há objeto...

E há um terceiro que é o leitor...

Poesia um sol cujos raios são espelhados no universo...

Clareia todos os lugares do mundo,

Tudo revela...

A poesia é um retrato da realidade.

É isso.


19/08/26

Ziná

 Esse mês mais duas pessoas partiram de Serrinha do Canto Ci de Damião e Donina e Ziná de Severino Lopes. Hoje, recebi a notícia com tristeza. Ziná foi merendeira da Escola Isolada Serrinha do Canto. Era funcionária da prefeitura. Era quem fazia a merenda entre os anos 1980 e 1990. Foi casada com Antônio de Doquinha muito amigo de papai. Na minha infância convivi muito com a família de Ziná. Conheci toda sua gente, Seu pai, sua mãe, suas filhas. Descanse em paz.

Ci foi o primeiro motorista de ônibus que fazia a linha Martins - Pau dos Ferros.

Se foi também.

Um grito

 Em silêncio contemplo o mundo,

As formas que me dizem o que são,

As cores que qualificam as formas.

Eu olho pro dia,

Eu olho pra noite,

Eu ouço o dia,

Eu ouço a noite...

E me sinto cansado.

Cansado do dia dia.

Meu corpo, minha alma

Sentem cansados.

A fé me cura,

O descanso me recupera...

Sempre seguindo a seta do tempo...

Humano espero algo...

Humano.

Humanidade.



Flores de laranjeira

 Olhando fotografia de flores,

Flores de laranjeira,

Recordei aquele janeiro,

Aquele janeiro quente de 2019.

Senti todas as manhãs o cheiro doce das flores brancas de laranjeira.

A vida estava tão boa.

Mal sabia que alvorecia a pandemia.

A humanidade enfrentaria uma tragédia mundial.

Ainda bem que não sabia de nada.

Vivia cada alvorecer,

Cada primeiro crepúsculo

Como se fosse único.

Caminhava olhando a caatinga...

É tão bom não saber a luta que nos espera...

Aquelas flores alvas,

Coroadas de amarelo...

Marcava o fim de uma vida,

Minha primeira tragédia pessoal.

Aquela que a gente descobre e fica com medo...

A fé foi fundamental para está aqui,

Escrevendo estas linhas...

Que se perderão no tempo e no espaço...

Até que alguém encontre e se identifique...

É a vida.

A leitura muda

 Sassá amou o livro que comprei para ele.

Um livro que fala sobre onde os animais fazem coco.

A gente ri.

Ontem, antes de ir para a escola, rimos muito.

Ao ler o livro a gente comenta e se diverte.

Sassá ama livros.

A mamãe ler mais para ele que eu.

Ler quando ele está se alimentando.

Engraçado as formas de ler minha e dela são totalmente diferentes.

Ele ama ambas formas.

Sassá já conhece as palavras, já ler, mas prefere as imagens.

Eu era assim também.

A primeira vez que vi um livro tinha seis anos, foi na escola.

Aquelas imagens me encantaram...

Mudaram algo em mim.

Espero que o mesmo aconteça com meu amante de histórias...

Mudança de estação

 A noite a lua crescente,

E a estrela d´alva 

Crescem juntas no poente...

Parece que o tempo parou,

É como é,

É como foi,

Um espelho da eternidade?

O vento sopra fresquinho,

Agora de manhã,

Até está chovendo,

Agosto...

Início do fim

Fim do inverno,

Agosto do início,

Início do verão...

E deixo aqui,

Minha profunda admiração.

18/08/26

Gerânios

Haviam gerânios de enfeite em casa.

Eram feitos de plástico.

Descobri que eram gerânios 

Num livro de morfologia vegetal de Vidal.

Interessante que cheguei a ver Gerânio em São Paulo,

E vi gerânios nas janelas de Paris.

Nunca me imaginei em Paris,

Não imaginei que aquela imitação,

Seria a luz de conhecer

Gerânios...


Luz da alma

 Na minha casa descobri o mundo,

Papai e mamãe e meus irmãos 

Auxiliaram-me nesta empreitada,

Cuidaram de mim.

Na nossa casa simples não tinha riquezas,

Mas não faltava amor, carinho e amizade.

Minha mãe tão natural.

Meu pai tão sentimental.

Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis 

Comprado no Canindé 

E eu mirava com misticismo, medo e admiração,

A moldura barroca.

Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.

Por que eu não estava lá?

Já me questionava?

Eu me balançava na rede olhando através da janela,

Sentindo a emoção do ir e vir 

Subir e descer,

Eu olhava para o infinito do céu...

Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.

O meu mundo era minha família,

A poesia era bruta e não soava ainda...

Eu vivia,

Contemplando minha existência,

Vivendo minhas primeiras experiências...

O mundo se revelava infinito....

A finitude estava em mim 

E parece que eu sentia isso,

E descobri a finitude me deixava triste...

Era natural que se descobrisse,

A razão apontava,

A emoção indicava...

Mas algo em mim 

Queria a eternidade...

Todo ser quer se conservar eternamente.

A minha casa é a mesma.

Os cômodos, as paredes são o mesmo...

O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,

Cada dia tem uma história 

Que guardamos em nossas memórias.

A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram

Quem me fizeram quem sou...

Sou como os meus pais em carne, osso e alma,

Mas com direito a liberdade e a individualidade....

Sou o fui,

Sou o que sou,

No começo tinha meus pais,

Agora tenho a casa,

E as experiências,

E os ensinamentos...

Tenho o que sou.

Sou o que aprendi 

E nada mais.

Metafísica do joão-de-barro

 Quando a tarde caia no inverno,

Saia a caminhar,

Ouvia no fundo da mata,

Entre caminhos,

O joão-de~barro cantar.

Era tão bonito.

A mata verde,

Barro enxarcado,

O cheiro da flor branca do marmeleiro.

Algo além de mim cantava,

Se expressava,

Não como as plantas,

Mas algo vivo,

Marrom, a caminhar.

Eu tomava consciência da alteridade,

Era tão belo aquele canto,

A caminhar, forragear,

Pleno e eterno...

As vezes que me lembro,

Fico pleno.

Volto no tempo...

Se isso fosse possível!

Meu Deus!

Eu desperto uma memória...

Sabia onde estava,

Sabia qual era o tempo.

Só resta memória.

Oservador

 Uma chuvinha desfia nesta manhã agostiniana.

A luz clara do céu, anuncia a chegada do  sol,

Anuncia a chegada do dia.

O tempo está mudando,

Folhas colorindo,

Folhas caindo...

Sou um observador do tempo,

Sou um viajante do tempo...

Percebo um pouco dessa realidade,

Uma chuvinha que refresca,

Chuva do caju...

17/08/26

Suas vidas

 Ontem, saí para caminhar com Sassá e ele percebeu o quanto as ruas são sujas. E falou das pessoas mau educadas que jogam lixo na rua e estes vão parar nos bueiros. Achei interessante sua perspectivas. Está consciente de muita coisa. Verdade o que Montessouri dizia que aos sete anos temos um homem formado do ponto de vista de muitos valores. A escola tem uma função primordial nisto, pois a aprendizagem compartilhada pela professora, as experiências particulares dos alunos permitem uma aprendizagem muito mais efetiva. Sassá quando chega nas academias de praças já quer logo se exercitar. Temos que os preparar para quando tiverem suas vidas. Quando adultecerem.

Mudança

 O tempo muda,

O ano muda,

Após as chuvas,

Chega a estiagem,

A mata se desmata,

Folhas perdem as cores,

Se desprendem 

E se deitam no chão.


Sol intenso,

Purifica a vida,

Água seca,

Poeira e pico aparece,

A gente muda por dentro.


A gente é daqui,

Sabe que é assim,

A gente muda.


A gente passa olhar mais no infinito,

O céu mais azul,

As tardes mais iluminadas,

Noites estreladas;


A gente muda nossos ritmos,

Já não canta o sabiá,

A gente mira mais o poente,

A gente sente a vida,

Sente o corpo;


Quando o tempo muda,

Muda a mata,

E a gente muda.

A mudança é devir...

A mudança é acontecimento,

As vezes brusco, como a morte,

As vezes lento como viver...


Tudo muda

Angustia

 Acordei e ao passar do tempo senti uma angustia profunda.

Um desgosto ao saber que tudo está passando,

Que a vida está passando,

Que mundo de minha vida se passou...

Senti uma saudade profunda de papai e mamãe.

A manhã, após uma madrugada espetacular

De céu limpo, nítido e estrelado.

Despertou em mim essa angústia.

Fiz tudo como de hábito.

Desci, liguei o carro e sai lentamente como uma lesma.

A manhã nem havia chegado,

Desci, peguei o viaduto e em seguida a avenida do contorno.

Na rotatória, vi um homem, maltrapilho.

Que me fez desvencilhar da angústia,

E não estava nem ai para angústia alguma.

Com um saco seguia caminhando.

Também ele sofre, também pode se angustiar...

A vida certamente é mais dura.

A angustia é um sentimento.

Não sei se sentimento humano seria um pleonasmo.

A angustia.

Sai de lento...

Engolindo que estou envelhecendo,

É humano envelhecer...

Será se é possível ser feliz sabendo disso?

A gente vence a angustia algumas vezes...

E ela nos vence algumas vezes...

14/08/26

Bons hábitos

 Há algum tempo criei um bom hábito, suponho. Bem e esse hábito se passa nas sextas-feiras. Neste dia vou a feira. Dentro da universidade, aqui da UFPB. Hoje foi especial, para quem está contente, acho que todos os dias são especiais e quando a gente percebe, sente quão especial é. Então fui contemplando o corredor, no estacionamento vi frutos secos deitados no chão. Um fruto chamado de sâmara, com asas, plano e pode ser facilmente confundido com folhas. Todavia para quem é focado, tudo pode passar despercebido. Fiquei surpreso ao ver que o banco do brasil, onde sempre passo não estava com a porta giratória. As vezes, aborreço-me só de ter que tirar a chave do bolso e o celular para passar à porta, mas como estava livre até me senti melhor. Antes de chegar na feira, sempre tem um cheiro desagradável de fezes de gato, logo na escada. Subindo a escada o odor muda... A gente o cheiro da massa de mandioca sendo cozida no fogareiro, das bancas dos três SSS, Sandro, Solange e Suelen, a gente ver uma variedade de cores, dos produtos vendidos, a macaxeira alvinha descascada, o roxo das batatas doces, o verde das folhas, limas e limões, o amarelo das bananas e mamões... as flores coloridas de seu Zildo e seu Eduardo... E o cheiro do beiju e da tapioca me aliciando. Compro batatas a seu Eduardo, banana a seu Daniel, alface a seu Edson, rabo de galo a seu Zildo..., vejo o riso mais alegre do dia de seu Luizinho que vende carne de bode... Na volto compro tapiocas e beijou e tomo um café na barraca dos três SSS. O café sem açucar demora na boca... venho tomando café da feira até minha sala. Quando não está destraído com os pensamentos, as sensações parecem se prolongarem. Agora o café está desaparecendo em minha boca, mas ainda tenho o cheiro de beiju na sala, o roxo dos rabos de galo... Essas coisas, tenho as sextas. E isso me faz bem. Um bom hábito.

Desenvolvendo hábitos

 Ontem, Sassá e eu jogamos futebol, mas num tabuleiro com uma moeda. Até suou. Ele comemorava cada gol como um jogador faz em campo. Jogamos até os dedos ficarem doloridos. Jantamos e a mamãe o despistou lendo livros enquanto jantava. Está realmente interessado em futebol. Bom, vamos seguindo, tentado desenvolver bons hábitos. Vimos que os horários da escolinha aqui não é tão bom. Vamos pesquisar.

Descoberta do irracional, conhecimento

 A tanto tempo,

Tão distante do agora,

Numa estação de preservação,

Eu ouvia o canto do carão,

Ouvia aquele belo canto,

Que vinha de uma fazenda vizinha,

E não sabia que ave era aquela,

Percebia, ouvia, mas não distinguia,

Mais de vinte anos depois,

Que era o canto do carão...

As coisas as vezes se demoram a serem conhecidas.

Hegel

 Aqui e agora,

Onde?

Aonde?

Espaço e tempo,

O ser em sucessão,

O ser em posição,

Aqui e agora,

Não defini nada,

Não defini ninguém,

Racionalmente,

Aqui e agora...

13/08/26

Antinomias

 A existência precede a essência.

O ser ai e o ser assim,

O deveio e o devir...

Claro e escuro,

Luz e sombra,

Noite e dia...

Concreto e abstrato,

Sujeito e objeto...


Ser

 Ser

O que se sente,

O que se pensa.

Ser...

Algo que se constrói

na  individualidade,

Na atividade,

Na passividade,

Nas escolhas,

No devir.

A existência precedendo a essência.

Ser uma essência...

Um espirito...

O indefinido.

A gente não define,

A gente sente...

A gente sente...


Essa centelha que é a vida,

As sensações que mexem com a gente...

O início que desconhecemos,

O fim que desconhecemos,

O tempo gotejando...

O futebolista

 Sassá quer ir a escola de futebol.

Ontem, à noite jogamos bola no nosso apartamento.

Foi maravilhoso, ele o Sassá sempre fazendo os gols, correndo atrás da bola.

Ficou suado, ficou cansado. Depois de tanto jogar.

Dei banho e fomos para cama.

Dormiu como um anjo.

Sassá tem apenas 5 anos, mas parece que ele esteve comigo a vida toda.

Minha vida ganhou muito quando ele chegou.

Descobri o amor, descobri que a vida vale a pena e todo o esforço que fiz valeu a pena.

Vamos lá, Sassá quer jogar bola.

Dentro de si

 Acordo na madrugada,

O céu parado feito espelho d'água,

Um infinito vazio bordado de estrelas.

Vazio feito o meu peito.

Sinto que dentro de mim ali há um céu,

Onde acesso nos meus sonhos.

Dentro de mim é preciso amanhecer,

É preciso luz,

Agora, neste momento da madrugada,

Penso que quem se acorda tão cedo,

Quem é metafísico,

Sente o céu estrelado,

Sente o céu quarado,

Dentro de si.

12/08/26

A outra estação

 Céu azul da tarde,

Um plano infinito.

Atento vejo urubus a planar,

Voa deslisando sobre o vento...


A mata assanhada do vento,

Refresca com sua sombra,

A tarde que o sol faz arder...

Folhas em diferentes tons,

Vermelhas, amarelas e marrons,

O verde se dissolve aos poucos,

O vinho tinge as novas folhas,

Folhas jovens...

Formigas ativas...

Após almoçar,

A gente não sabe nem pensar,

Então contempla,

Contemple,

A mudança da estação.

.

O berço

 Ontem, cheguei em casa, na hora do almoço, Sassá estava triste porque o pirulito caiu. Então vi que a mamãe tinha removido o berço do lugar. Disse que iria desmontar e montar no outro quarto. Então ele começou a chorar. Não entendemos, achamos que era por causa do pirulito, mas não. Ele expressou que era por causa do bercinho dele. Senti um nó na garganta e meu peito doeu. Expliquei que ia apenas mudar de quarto, mas ele continuou chorando e entendendo a mudança das coisas e do tempo. Tive que desmontar o berço e a minha mente virou uma bagunça de tanta memória. Cinco anos com aquele bercinho. Enfim, fui deixar ele na escola. Na volta, à noite, nem percebeu. Achou foi bom a nova cama. Mas eu... Fui eu quem fiquei abalado. Nosso garotinho, que chegou em casa e ali foi seu ninho. Tá um menino com personalidade e tudo. Um menino com memórias, sentimentos e vontade. Meu companheiro e amigo. O berço é muito fraquinho, nem sei se vale a pena montar no outro quarto... Umas coisas se vão e novas coisas se veem.


Pensamentos

 A mente é uma caieira,

Os pensamentos são a lenha,

Pensar é o arder do fogo.

Os tijolos de uma caieiras são usados para erguer muros, paredes, caixa de água...

Os mesmos tijolos de  uma caieira são usados para fazer foça.

Tem que saber qual uso se fará dos pensamentos....

Estados

 Um galho seco descansa no chão,

A certo tempo havia só uma gema,

A certo tempo essa gema se desenvolveu,

A certo tempo do ramo surgiram folhas,

A certo tempo as folhas fizeram fotossíntese,

A certo tempo as folhas caíram,

A certo tempo o galho caiu

E agora dorme no chão...

Quanto tempo de duração.

Do ar para o chão.

Tudo tem início e fim,

No espaço e no tempo,

Sendo matéria em diferentes estados.

11/08/26

O melhor de mim

 Estou reunindo,

Estou juntando,

Estou estocando,

Memórias,

Frases,

Versos.

Já tenho um montão,

E não sei o que fazer 

Com tudo isso!

Dou de coração

A quem tiver paciência,

Um pouco da minha abstração,

Das minhas ideias,

Dos meus amores.

No fim como dente de leão,

O vento vai levar

Esse fruto meu,

Pode ser que encontre terra fértil,

Pode ser que encontre espinhos...

Se vai ser sufocado não sei.

Estou dando o melhor de mim.

Festa de Maya

 Ontem foi o aniversário de Maya.

Fomos a festinha a noite na pizzaria da família dela.

Sassá brincou muito. Levamos Pedro, amigo de Maya e de Sassá.

Foi uma festa no carro.

O tempo voou para os dois.

Versejar

 Num verso ancoro a vida,

Minhas percepções,

Minhas concepções...

Tudo tão limitado,

Mas doo para ti,

E faça deste verso

Um reflexo de reflexão.

A vida é tão maravilhosa.

Acredita.

Monotonia

 A roda gira,

Gira enquanto o tempo,

Enquanto o espaço,

Simultaneamente,

Se deslocam,

Qual é o sentido?

Direita ou esquerda,

Para frente ou para trás...

É necessário uma referência

Para não girar em círculo.

Penso, pensamento

 Penso que pensar me deixa penso. 

Tantos pensamentos,

Alegrias e tormentos.

Sou metafísico por natureza,

Por experiência ou por gosto?

Mais um pensamento pra me deixar mais penso.

10/08/26

Agosto

 Em agosto,

Vô José, meus irmãos Rosdemberg e Rosemeire nasceram,

Em agosto,

Nasceu também Jorge Luiz Borges, 

Em agosto,

Vô Chico faleceu,

Em agosto,

Mudei da casa paterna.

Em agosto,

Coisas aconteceram que me marcam ainda hoje.

Agora mesmo...

Hoje, 10 de agosto nasceu, em Caxias Aluízio Azevedo que escreveu o primeiro livro que li o Cortiço.

Agosto...

Agosto.

Compasso

 Olho pro tempo assustado,

Ontem foi minha infância,

Ali, onde cresci, nada mudou.

E tudo mudou.

O espaço é o mesmo, 

Mas as pessoas são outras,

Tantos novos,

Poucos velhos,

E a história delimitando tudo,

Olho pra minha alma, e encontro coisas de lá,

Coisas do ontem 

E vejo coisas de hoje,

Coisas de agora...

Experiências.

Experiências,

Experiências.

Poema

 Num poema se emoldura a realidade, 

Se expressa em metáfora 

O que se deseja expressar.

Num poema se doma o tempo.

Versos sensíveis,

Enquadrado em supra sensível,

Incondicionado em condicionado.


Um poema como uma cruz três coisas são representadas 

O tempo, o espaço e a matéria...

Um poema é a imagem da eternidade.

Agora perdido

 Um gavião gritou longe, 

Um pombo bateu as asas aqui perto.

Pardais gritavam nós varais,

E o silêncio intermitente da manhã...

Em meio a tudo isso rezava pedindo proteção divina.

Os males de minha mente 

Que precisam serem domados todos os dias.

Como literatura

 Ontem, em frente ao HU, da UFPB, vi um lindo chevrolet D60, branco, potente e cara de mal. Fiquei muito contente. D60 me arremete a Martins...

Gogh

Gogh