01/02/15

Resposta da natureza

A tardinha se foi
E a noite veio suave,
Leve como a brisa que passa,
No céu a lua se acende,
E aos poucos se alumia,
Feito manga de lâmpada de bojão...

Fevereiro chegou,
A noite chegou,
Ah, divina seja a música
De Villa Lobos,

Vejo os anos passarem por mim,
Vou perseguindo a felicidade,
Vou me conhecendo cotidianamente...

Mais um ano chegou,
E o primeiro mês se foi...
Não sei se sou novo ou velho.

Que posso fazer senão viver;
Viver cada dia como o último.
Posso tanto e nada,
Tenho que seguir minha estrada,
E mais nada.

Experiência

Quantos dias ainda virão?
Passados os anos,
Acumulam-se as memórias,
As tristezas e alegrias,
Vitórias e derrotas,
E nos definimos como seres,
Amadurecemos e envelhecemos,
O doce perde o encanto,
Os brinquedos a magia,
O corpo a resiliência,
Com os anos  nos vem as experiências,
O doce da vida além dos sentidos,
Além de qualquer coisa,
A autoaceitação,
A humanidade,
E por fim o fim carnal,
Espero que a morte seja apenas um portal.

30/01/15

Noite de sexta

A noite silenciosa,
A solidão forçada,
Grilos ciciando,
Redes sociais,
Uma grande conexão...
Uma grande solidão,
Pausa para uma reflexão....


Você e um Deus...
Numa sexta-feira,
Bom ainda bem que logo se segue o sábado.

Memórias,
Boas recordações,
E então o sono bate,
E a vida continua.

29/01/15

Singelo sabiá

Hoje cedo da manhã choveu,
Foi uma chuva suave
Daquelas que aos poucos vai
Molhando o mundo,
Feito lágrimas que alivia a alma...

E de um céu fechado o sol apareceu,
Enquanto a água escorria e lavava a rua...

E aos poucos foi se enxugando...
E em minha caminhada matinal,
Encontrei um sabiá cantando.

Em seu canto havia uma alegria,
Em seu canto havia uma melodia,
Quanta beleza num ser tão singelo,
Que deixou o meu dia mais belo.

Doces recordações me tomaram,
De tempos anteriores,
Que muitas vezes era acordado pelo sabiá.

Acho que quando partir
E se puder voltar,
Ei de querer ser um singelo sabiá.

28/01/15

Parte agora

Às vezes queremos esquecer de tudo.
Esquecer tudo que nos atormenta,
Nossos medos, nossos anseios,
O tempo que rouba nossa vida,
O gosto amargo da vida.

Mas é impossível tudo isso,
É impossível dormir e acordar livre
De todos os pensamentos,
Para o bem ou para o mal.

A vida segue seu curso,
Sem curvas...

Às vezes uma garrafa de vinho nos faz bem,
Mesmo que instantaneamente,
Podemos parcialmente esquecer de tudo,
Mas viver tudo é tornar-se forte,
Os problemas são vivos como os dias,
Que anoitecem, mas sempre voltam
E temos que ser guerreiros,
Enquanto vivos lutamos com afinco,
E encontramos a beleza da vida,
Nas coisas mais simples
Como o crepúsculo que parte agora.

27/01/15

O riso

A tarde cai e se vai,
A tarde parte bela com a arte,
E mais uma vez fresca a noite chega,
E as vezes sinto um misto de  esperança e alegria...
Ir e voltar,
Quais são os motivos para viver?
As vezes a gente encontra nas coisas mais simples
Como caminhar sem pensar,
Contemplar o crepúsculo matinal ou vespertino,
E o mais sublimes de todos um riso,
O riso tem uma força muito potente,
Nada é mais potente que um riso real...
E quando encontramos aquele riso...
A vida se justifica,
Tudo fica pleno,
Então viver mais
Pode ser a gloria dessa busca,
Tarde após tarde,
Pode-se esperar...
O riso há de justificar a vida.
Ou essa poesia.

26/01/15

Tardes

Fecho os olhos e posso sentir a tarde.
Aquele fim de tarde preso em minha alma.
Ah que linda tarde calma...
Tardes que passava o tempo a contemplar.

Tardes de Serrinha,
Tardes de Natal,
Tardes de São Paulo,
Tardes de Campinas,
Tardes de Brasília

E as tardes que vejo vivas.

Tu tens sua tarde.

Confesso que ah,
Sinto falta da paz da tarde.

Ah, serão estas minhas últimas tardes?

Quem sabe...

Sei que as tardes nos escapam
Vão sem parar,
Só restam memórias,
Existência
E um fim.

Sede forte Coração

Aceitar que meu mundo ruiu quando você partiu
Não foi nada fácil. Parece que parte de mim morreu.
Tive que imitar uma semente e me desidratar completamente,
E em lágrimas meu peito expulsou você de mim.

Os dias sombrios povoaram meu coração.
Eu sentia alegria só de está em sua companhia.

O mundo era perfeito como teu riso enchia meu peito
De alegria, de poesia.

Cheguei a questionar por que apareceu em minha vida.

Foram pesados os dias.

Mas aos poucos a calma foi chegando,
Meu peito foi ficando brando...

Continuei minha vida na presença daquilo que me faz bem
E jamais me abandonará...

Leituras de Borges, sinfonias de Mozart, telas de Gogh...

Aprendi como é bom dar um bom dia...

Aprendi como dói a solidão,

Aprendi como faz sofrer uma paixão...

Aprendi a valorizar mais as coisas

A me valorizar...

Vou rir mais, ler mais poesia,
Vou imitar em algo Manuel de Barros,
E levar menos sério a vida.

Quem sabe num próximo amor
Não acerto.

E então... Sede forte coração...

25/01/15

Quando esqueço

Quando esqueço por um momento
Que a vida é maravilhosa
E me perco em minha realidade
E carrego a tristeza do mundo...
Quando me esqueço de tudo.
Sou feliz.

Saudoso sertão

Ah, como é saudoso o sertão.
Como é saudoso o sertão,
Sertão de chão desnudado,
Sertão de mata rala e espinhenta,
Sertão preenchido por solidão...

E a brisa que passa arrasta poeira,
E a brisa que passa desnuda cada planta,
E apenas as garras se sustentam,
Árvores garranchentas.

Sertão de caminhos polidos por caminhadas,
De canelas secas que vão e voltam.

E quando cai a chuva,
Perfumada floração.

Saudoso sertão.

Conhecer seu ser

A noite canta o bacurau a presença da chuva.
E a noite esfria e um cheiro de mato invade nosso
Peito e enche nossa vida de memórias.
Cheiro de marmeleiro...
Ah, lembranças atiçadas,
Que me faz tão bem,


A noite que me afaga,
Noite que me apaga.

Ah! não tem como reviver nada,

Tudo passa,
Tudo passa,

E no caminho da vida não se pode olhar para trás jamais.

Aprende a viver,
Conhece os teus limites,
Conhece o que te faz feliz...

Pois é o que se fez,

É possível mudar?

Ouço o canto do bacurau sempre com alegria,
Sempre igual no mesmo tom,
Sempre a noite,

Ah, ai encontra minha magia.

Dúvidas

Olhar o mar e viajar
Através do horizonte,
Sentir a areia afagar os pés,
Sentir o sol te dourar,
Ouvir o quebrar das ondas na areia,
A brisa que afaga a face,
Ah, como é bela a praia.
E como viver sem amar o mar?
E como viver sem amar o ser?
Se amanhã talvez já não há.

Solidão

S o l  i d ã o

O silêncio da casa,
O vazio de uma presença querida,

Um peito machucado,

Quanto ócio há na solidão?

Há quem saiba lidar,

Há quem não saiba,

Voraz ansiedade,

Sem piedade nos consome,

Mas tudo passa,

Até mesmo o mais impacientes dos momentos.

Desculpas

E o que eu sou?
Sou o meu passado,
Sou o meu presente,
O qual me faço ausente,
Por falta de coragem,
Por malandragem,
Uma hora tem que crescer,
Só se tem dia após aurora nascer.

Permanência

Ontem,
Hoje e
Amanhã.
Não continua a mesma a terra de minha infância?
O mesmo sol,
O mesmo céu,
O mesmo calor,
As mesmas chuvas,
Os mesmos ciclos?

E não são as mesmas populações
Dos tempos de meus avós,
As mesmas ervas,
Os mesmos arbustos
E as mesmas árvores.

E não nos imergimos em nosso cotidiano,
Em problemas bestas na crença de indissolúvel?

Não continuamos nós crianças?
Crianças adultas,
Que não sabem como tratar do ócio,
Do tempo que se esvai?
Ontem meu pai,
Hoje sou eu,
Amanhã meu filho,
Sabe lá.

23/01/15

Enquanto envelheço

A noite Borges soturno fechado em sua biblioteca encontrava nos livros o alimento para sua solidão.
Entre um livro e outro, entre as páginas e as frases, reflexões. Borges se perdia no labirinto de seus pensamentos. Pensava, pensava e pensava. Um monge em profunda reflexão.
Refletia sobre poesia, romances, filosofia e religião. Em sua solidão era mestre em escrever.
Sentia uma necessidade profunda de se expressar. Borges de certo não conversou com Pessoa, talvez nem tenha conhecido sua obra. Sabe-se lá. Mas duas almas tão distintas teriam em sua timidez gastado tempo com conversas oníricas. Pessoa mais velho que Borges, mas contemporâneo achou seu aconchego na bebida e Borges na solidão.
A solidão que todo o mundo hoje afaga.
Eu que já vivi no ócio fugia da solidão no universo das leituras... E me perdi, encontrei na busca do amor fugir da solidão, mas ai... o amor como toda relação cobra um preço.
Então, ouço Chopin...
E vejo o dia passar e vejo a tarde passar.
Não se consola quem não quer ser consolado.
Sofre quem quer sentir a dor...
Pessoa me ensinou a fugir da imaginação e viver o presente o agora.
Dizia puxa pelos sentidos...
Então eu mergulho nas leituras de Borges, admiro Gandhi e Jesus Cristo.
Eu amadureço enquanto envelheço.

21/01/15

Desconhecida razão

Desvendar o mundo subjetivo.
Uma flor colorida, rosa vermelha? É perfumada?
A cada olhar há um sentido.
A cada sentir uma expressão
De dor ou de alegria ou de tristeza...
Cada ser é impar, cada um com suas impressões.
E será se sei o que é melhor para mim?
Não tenho, não devo ter dúvidas,
Tenho que fazer da minha vida uma obra de arte
Já dizia o gênio de largo bigode.
E como devemos fazê-lo.
Pobre do solitário Borges
Que tanto buscou um amor
E só a longa idade o presenteou.
Corações acesos, sedentos por amores...
Quem descobrirá a felicidade no amor?
Quem sobreviverá a essa dor.

Ah, o amor! o desejo!
Não o amor não provoca dor...
Pretextos bestas para a vida,
Bobagens que passa...
E o que sobrará em nós.
Só sofrimento.
Creio que não só ilusão.

O que aprendemos?

Os dias que passam são passado.
Antiontem e ontem são passado
Como meio século ou um século.
O passado é uma roupa que não se veste mais
Já dizia o Belchior.
É preciso erguer a cabeça e seguir em frente.
O velho quintana já dizia que é preciso
Cuidar do jardim para que as borboletas venham visitá-lo.
E o que aprendemos com tudo isso?
Fica algo ou nada?

Indefinido

Como são belas as plantas floridas,
Flores doces e perfumadas,
Tanta coisa passada,
Tanta coisa vivida,
Música e poesia.
Descoberta dentro da vida,
Dos dias, dos anos...
E ai segue-se a vida.

19/01/15

Por um triz

E assim parte mais uma noite de minha vida.
E assim parte mais um momento do meu ser.
E assim compreendo a trama e a teia que é viver.
A vida e seus problemas de dor, de amor,
De saúde, de felicidade de tristeza...
Pulverizado com essas coisas vou vivendo,
Vou seguindo bem adiante e sofrendo
E descobrir que até mesmo na dor podemos ser feliz,
Saber que tudo passa por um triz.
Ser consciente... tudo passa.


Sabe lá

Ah!
Quanta coisa há no mundo
Que me pode fazer feliz.
Um riso,
Um abraço,
Um afago...
Tudo que queria ouvir
Não é real,
E me apego ao sonho,
E a dor continua a sangrar,
Sei que tudo vai passar
E quando tudo passa
O que fica?
Sabe lá,
Sabe lá.

Dia melhor

A noite silenciosa e escura me afaga,
A brisa acaricia, me beija e refrigera o calor.
Nos jarros domem as plantas verdes de flores coloridas,
No céu rutilam estrelas...
Onde andará minha paz que vagueia pelo mundo.
Largou-me a deus dará.
Ainda bem que amanhã é outro dia.
Os carros passam e quebram o silêncio,
E o meu peito desassossegado pernoite triste
A espera de um dia melhor... 

Esperança

Esperança!
Huberto Holden,
Gandhi,
Jesus Cristo,
São Francisco,
Santo Expedito,
Olhemos pelos grandes vencedores
Das dores do espírito,
Alivia aqueles que sofrem neste instante,
E aqueles desenganados dai esperança.

Vencerá

Às vezes há situações que nos tira toda a paz e bate um desespero que nos sentimos incapaz de mudar o curso da vida. Só nos resta aguardar por um milagre, apelar por forças do além, mas ai como dói.
Como podemos mudar? Ou melhor qual a melhor forma de aceitar?
Parece que nada faz sentido, mas haveremos de encontrar amealhado a esperança.
Haveremos de suportar a dor.
Haverá de vencer o amor.

15/01/15

Sentir esperança

Viver,
Sentir a dor do amor,
Sentir a dor da perca,
Sentir que tudo ta por um fio,
Sentir que tudo ruiu!
A esperança há de tudo reconstruir,
A esperança há de existir.
Hoje, amanhã e sempre.

12/01/15

Amo o que não tenho

Amo o que  não tenho.

Suspeito que tudo que nos é dado é emprestado,
Logo de alguma forma nos é tomado.

Tudo é incerto nesta existência.

Algo que vem fácil
Dissolve-se fácil.

Amo o que não tenho.

Tudo que me é impossível
como caminhar na lua,
Ou caminhar descalço sobre as águas.

Sou feliz se estou bem em qualquer lugar,
Sou infeliz se estou mal em qualquer lugar.

Quem dera entendesse Cristo ou Buda,
Mas só ouvimos nosso coração.

Somos pura emoção.

A rosa

Uma rosa desabrocha na roseira,
Uma perfumada rosa vermelha,
No ápice longos e frágeis ramos,
Ramos aculeados e de folhas rigas,
Desabrochou uma roseira perfumada.

Daquele ramo cortado,
No esterco de bois,
Regada a roseira surgiu,
Quantas rosas belas mais virão,
Quem não parará para olhar a rosa.

11/01/15

Absorvido

Se há algo que nos incomoda
Este algo é o silêncio.
É quando se está presente,
Mas se faz oculto,
É quando as palavas não se articulam na mente.

O silêncio entre duas pessoas presentes.

Resigna-se a falar ou ficar a observar,

Quando se vive distante,
Distante se fica do presente.

Observar,
Observar,

Nenhuma palavra vertida,
Nenhuma frase intrometida.

É preciso ter habilidade com a palavra falada,
É preciso ter paciência com a gente mesmo,

Senão a loucura nos toma conta.

Junto

O sol que passa,
A lua que nasça
A noite que se aprofunda
Sem silêncio,
Um gemido de dor,
A dor do amor,
Sofre quem ver quem se ama sofrer,
Sofre quem não sabe o que fazer,
Apela para orações,
Aperta os corações,
Mais um dia,
Um riso cultivado,
Um riso abençoado,

Há quem não durma por opção,
E aqueles por sofrimento,
Viver muitas vezes é se calejar pela dor,
Ah, sofre-se junto por amor.

Paciência

Paciência,
A vida é assim mesmo devagar,
Carregada como poeira ao vento,
Levada mundo a dentro pelo tempo,

Seixos no caminho,
Floresta seca de espinho,
Solo seco com carrapicho,

Na vida não é preciso muito capricho,

A gente vai sendo levado
A deriva como folha ao vento,
Mas quem nos rege é o tempo,

São tantas vertentes
Que nem percebemos,
Mas ai,
Um dia percebamos
Enquanto é tempo,
A vida é breve,
E nós passageiros de algum trem
Mineiro,
Sabe lá.

10/01/15

É preciso

É preciso aprender,
É preciso aprender a perder,
É preciso aprender a sofrer,
É preciso aprender a entender,
É preciso aprender a esperar,
É preciso aprender que as batalhas
Para se obter a vitória são hercúleas
E nem sempre se vence,
É preciso aprender que para vencer
Muitas vezes se leva muito tempo,
É preciso aprender que vencer ou perder andam juntos.
É preciso aprender a viver com o pior,
Que o melhor é sempre tão passageiro.
É preciso aprender a respeitar a vida,
Porque a morte é certa,
E os dias voam de nós.
É preciso...
Então entenda que é preciso.

Só assim

A vida necessita de um motivo para ter significado e é exatamente o que venho constatando ao longo dos meus dias vividos. É com alegria ou tristeza que percebo minha humanidade. Perceber que somos humanos demasiadamente humanos. A proporção que os anos escorrem de nossas mãos podemos perceber a perda ou o tingimento dos cabelos, as limitações físicas, dores na coluna e nas articulações, disfunções hormonais. A dor de uma certa forma torna-se nossa companheira pode variar de pessoa para pessoa. É com tristeza que vemos as pessoas mais próximas sofrerem de dores.
Borges já dizia que nos tornamos prisioneiros de nossos corpos. Quando não são levados para sempre.
A vida é para fortes.
A dor é para poucos.
Tudo faz parte da vida.
Só vivendo para saber.

21/12/14

Adeus Tio Jussier

O tempo passa,
Sempre passou,
Sempre passará,
Mas para alguns o tempo se desgasta.

O tempo para, depois de um início,
Depois de tanto passar,
O tempo para.
Hoje o tempo parou,
Para meu tio que viajou,
Viajou para o passado,
Estacionou sua viagem,
Decerto vó José e vô Sinhá
O esperam sua chegada na eternidade,
A gente continua aqui vendo o tempo passar,
Amanhã restará só a lembrança.

Meu tio que partiu,
Que vi envelhecer,
Vi a doença que o consumiu
Longos anos a fio.

Homem paciente que viveu de ilusão,
O chão de seixos ferrugíneos,
Não mais suportará seu peso,
Nem as bignoniaceas perfumarão seu caminho.
Adeus Tio Jussier.

19/12/14

Tenho tudo que quero?

A noite se aprofunda,
Como um navio se distancia no mar.
Tudo é horizonte distante,
Estrelas, praias, mares e oceanos.

Quem sou eu nesse universo
Ultra diverso?
Nada!

Tenho tudo que quero?

Tenho à noite,
Uma sacada para espiar
E sentir a brisa passar,
Uma grande caneca de chá,
Minhas rosas do deserto,
As lindas palmeiras Dypsis madagascarensis,
E todo o céu para observar,
Livros para ler,
E a solidão para pensar.

Tem tanta coisa para me entreter
Não sei se quero.
Não sei se sei está só?

A solidão às vezes me amedronta,
Mas muitas vezes me dar força.

E assim continuo segundo minha vida.

18/12/14

Constante

A noite,
O silêncio,
O clima quente,
Nenhuma brisa,
Nenhuma expectativa,
Luzes da noite de Natal.
O passado,
O presente,
Amanhã o que acontecerá?

Sabe lá,
Sabe lá...

Tudo isso vai passar,
Absolutamente tudo,
Se concluirá,
Noites virão e passarão

14/12/14

O ser e o nada

As paredes brancas,
Os poucos móveis,
A janela.

Deito-me ou vou a janela,
Olho para o mundo,
Olho através do meu ser.

Conhecer e ser conhecido.

Ser quem sou,
Antes de tudo requer
Saber o que eu sou
E quem eu sou
E o que posso ser.

Eu sou o que me fiz.
Eu sou a situação,
O devir,
O ser e o nada.

Sou a soma do que vivi,
A soma do que vi.

Eu vivi o querer ser o que sou.
E sou o que sou, mas querendo
Cada dia mais tornar ser o que sou.

E foi sempre olhando para o horizonte
Que visualizei ser quem eu sou.

A minha casa paterna tem a cozinha voltada para o poente,
E era de sua calçada que mentalizava meus pedidos,
Eu tinha fé,
No escuro do ocaso,
Depositava meus sonhos e meus anseios,
Olhando através dos ramos das Anonas,

Quando sai de casa perdi essa referência,
Eu materializei meus sonhos,
Mas faltou algo,
Olhar para um horizonte,
Eu andei perdido
Por tanto tempo,
Crendo está certo.

Perdi o hábito de olhar para o céu,
Perdi de olhar para meus queridos
Através das estrelas,
Encontrei no materialismo
A felicidade passageira,

Mas sinto falta
Do poente de minha casa,
Das frestas nas telhas,

Creio que muita coisa não se pode comprar,
Não se pode cultivar.

Aprendi uma nova forma de gostar,
Tenho a paciência e tenho que aprender a tolerar...

De minha casa tenho um novo poente,

Sei que tudo passará

E só restará o nada.

13/12/14

Tudo se vai

A tarde que passa,
A noite que passa,
A manhã que passa,
O dia que passa...
Absolutamente o tempo passa.
E quando percebemos este fato?
Nós simplesmente não percebemos
E se percebemos ignoramos,
Não aceitamos.

Nós não aceitamos nossa vida efêmera,
Cremos num eterno retorno
E vemos o tempo se estirar até que chegue o nosso dia de ser algo e não nada.

Mas esse tempo,
Mas esse dia nunca chega
Porque ele não existe.

Somos tão idealistas e não percebemos
Na realidade da vida,
No agora,
Neste instante que passa
E tudo se vai,
Tudo se vai.

Alguma coisa fica,
Alguma coisa fica.

Dezembro

Dezembro chegou.
O céu está tão cinza.
As noites mais enfeitadas,
São árvores e luzes coloridas,
É a brisa do verão,
A comida farta,
Momento de reflexão,
Que aconteceu de bom
E o que poderá acontecer ano que vem.

Dezembro chegou,
Quantos dezembros já passaram,
E quantos deles passarão?

Há aqueles que amam,
Há aqueles que odeiam...

A parte isso dezembro sempre passará,
Nossas memórias subjetivas
Dirão quanta esperança empenharão...

Que passe o dezembro,
Que venham outros...

Vejo que sempre nos distanciamos de tudo que amamos,
Mas como amamos muito,
Muitos outros dezembro virão.

Ordem em casa

A ordem na casa.
Cada coisa no seu devido lugar,
Livros na estante,
Cadeiras sob a mesa,
Travesseiros sobre a cama,
Plantas floridas em seus jarros.

A casa toda ordenada,
Mas onde me inserir  na casa?
Sou a desordem na ordem de minha casa.
Quanto mais ordem mais fria e vazia é a casa.

Como desfrutar de minha casa estando ela ordenada?

Esteja onde estiver, na cozinha, quarto ou sala
A casa, esse doce lar,
É uma verdadeira entropia.

As vezes fujo de casa,
Pois minha casa é solitária,
Vou para a desordem da areia da praia,
Andar entre ruas fatigadas de sujo...

Às vezes saio só para ter que voltar para casa...

A desordem da casa é a nossa desordem expressa.

Gosto de minha casa, minha rua, minha cidade,
Gosto de tudo que me envolve,
Amanhã sabe lá onde estarei
Ou se serei...

Minha casa,
Meu ser.

12/12/14

Efêmera flor de jasmim

Uma flor perfumada de jasmim,
Roubei-a de um muro duro.
Era uma flor branca e perfumada,
Ficava ali abeira da estrada,
No canto da rua, sobre o muro,
Fatigados os ramos do jasmim
Floriam flores brancas
Flores perfumadas,
Doces flores perfumadas,
Flores brancas de jasmim,
Duas flores desbotadas,
Já não são claras,
E nem perfumadas,
Como foi no dia que roubei-as para mim.
É preciso cuidar bem de jasmim,
Ter um jasmineiro inteiro,
Porque flores são tão efêmeras,
As flores nocturnas de jasmim.

Enquanto a noite passa

A noite estrelada,
A brisa fresca que cruza a janela,
O céu escuro pingado de estrelas.
O silêncio dentro de casa.
Só a luz acesa me faz companhia.
Só a luz clareia as capas dos livros.
Não quero fazer nada,
Pensar em nada,
Quero desfrutar do ócio.
Quero silêncio,
Quero ouvir o intimo do meu ser.
O coração a bater.
A ociosidade é provocadora.
Não me deixa quieto.
Vou a janela e curto a brisa.
Enquanto a noite passa.

11/12/14

Na vida passageiro

Há tanta coisa oculta a ser revelada,
Tantas palavras e frases lindas
A serem a serem expressadas, sentidas e vividas.
Nessa vida toda a ser vivida.

Quase sempre me surpreende as descobertas que tenho
vivendo, coisas sutis como uma palavra e seu significado,
Um sorriso primeiro, um riso constante... alegria e a amizade.

A amizade de graça,
Os restaurantes na cidade, novos lugares,
Novas pessoas, novas histórias,
Tanta coisa, tantos mistérios revelados
Que me fazem amar a vida.

Descobri o valor da família,
Da casa paterna,
Da cidade natal,
Das nossas amizades colhidas a peso de ouro,
Que só continuam a crescer com o tempo,
Descobrir a importância de nosso esforço e empenho em nosso trabalho,

Descobrir valor da coisas mais simples como o cheiro da chuva,
A cor das folhas jovens nas árvores,
O doce das furtas maduras no pé,
Ver uma semente germinada,
Plantas floridas visitadas por abelhas, borboleta e beija-flores,
A brisa fresca de qualquer lugar,
O trabalho das formigas...

Aprender a ver as coisas em seus universos,
Lesmas nos jardins,
Poemas nos livros,
Uma panela cheia de comida a ser servida,
Um olhar apimentado e apaixonado,

Um novo poeta, um novo poema,
Uma nova sinfonia,
O compromisso descompromissado por prazer, ler, ouvir, provar e gostar...

Tanta coisa boa me acompanha,
A família, o contato com a terra molhada,
O deitar da semente na cova, 
E acompanhar e cuidar das plantas
E colher os frutos,
E colher os frutos...
Quanta alegria me trás a chuva,
O cheiro do óleos de mameleiro...
Minha vida de sertanejo,
Minha vida de homem
Na vida passageiro.

10/12/14

A solidez da alma

A rua de rochas duras, fatigadas e sujas está sempre vazia.
Quando cruzo o portão, sinto uma proximidade do chão,
Sinto a solidez angulada das rochas cortadas e unidas pela argamassa
Nessa rua estagnada.
Às vezes molhadas da chuva, as vezes cinzentas do sol.
Estas rochas que antecedem minha existência nesta rua.
E que persistirá minha existência.
Mas minha existência quimérica
É uma existência livre onde posso ir e vir e não ficar fatigado.

A minha rua que não é minha,
É uma rua com muros cansados,
Sem cor, com lodo escuro da época da chuva,
O que salva são as plantas,
Uma Senna, um jambeiro, um jasmim...
Cicas atrás dos muros,
E pessoas ocultas,
Quantas pessoas ocultas nessa vizinhança vazia.

Eu

Eu
Às vezes não quero ser quem sou.
Queria ter uma concha para poder me ocultar em mim mesmo.
Queria ser uma rosa entre as rosas do jardim.
Uma estrela numa noite estrelada.

Às vezes enquanto caminho queria ser um paralelepípedo do calçamento,
Um grão de areia da praia.

E quando caio em mim que paradoxo,
Pois sou tudo isso para o outro.

Aquele ou aquela que cruza por mim e não me ver.

Na verdade sou oculto para o mundo.
E cotidianamente vou tomando consciência disto,
Embora meu ego muitas vezes seja mais inflado que a realidade que me cerca.

Eu

Tento ser aquilo que como,
Aquilo que ouço,
Aquilo que uso,
Aquilo que me impressiona.

Mas muitas vezes não sei quem sou.
Quero me conhecer e só vivendo descobrirei.
Viver é descobrir aquilo que somos, é tomar consciência da consciência
É  conhecer a se mesmo.

E conhecer a se mesmo muitas vezes,
E conhecer nossas fraquezas e nossos medos.

Eu quero viver todos os dias que me forem dados
Sendo sempre eu mesmo.

08/12/14

Tudo novo

A noite de natal se aproxima e com ela o ano novo e com ambos novas esperanças.
Ruas vazias, luzes coloridas a piscar.
O ano correu,
A lua cheia apareceu tantas vezes,
Fazia tempo que não a acompanhava.
A vida vai seguindo,
Sem tom.

Evolução

Onde começa ou termina algo?
Algo pode ser tudo, inclusive nada.
A matéria e suas propriedades,
Aquilo que nos constitui,
Que um dia se dilui e se dissolve.
O que podemos compreender do todo?
Como podemos expressar?
Algo se inicia quando percebo,
E continua a crescer em mim,
Enquanto percebo tomo consciência
Desse algo que se faz ou se desfaz para mim.
Não entendo nem 10% do que vejo,
Do que sinto, do que é.
Minha tênue existência não é suficiente,
Então vamos viver o que nos é permitido,
E toda a evolução será produto da humanidade
E mais nada.

03/12/14

Cores do sem fim

O mundo,
A luz dourada da manhã,
Que desponta com a aurora,
E se desfaz em luz transparente,
O verde viridescente das flores,
Amarelo, azul e vermelho das flores,
A luz do sol que inunda nosso mundo
De cores e de energia.

Após o dia cai a treva noturna,
A existência que me antecede,
A razão que me constrói
E degenera com minha morte.



02/12/14

Consumir

Um chá pra acalmar,
Uma noite frouxa,
Após um dia inteiro,
Um dia que começa
Com uma oração,
Uma leitura,
Um pedaço de bolo,
E se desenrola entre uma conversa,
E o trabalho,
Entre uma aula e outra,
Entre o almoço,
E a tarde que passa
E a noite que chega,
Passam os dias,
As semanas,
E esperamos ansiosos por nosso capital,
Consumimos ansiosos
Nossas contas,
Sem percebermos que estamos consumindo
Nossas vidas.

Cartola

Cartola um gênio da música.
Viveu na cidade maravilhosa,
Entre pessoas de boa conversa,
Gente agradável pulverizada de alegria,
E felicidade intensa.
Tuas lindas canções,
Que horas se estaria inspirado?
Qual o local favorito para escrever?

Vá entender o gênio e a genialidade.
Suas obras nos cativam,
Nos conquistam pela beleza,
Pela melodia e pela singeleza.



01/12/14

Esperança

A noite profunda,
O grilo cantando,
O corpo cansado.

O sono e a brisa chegando,
Tomando conta da alma,
A vida passando,
A esperança de tudo
Está melhorando.


Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh