21/03/20

20. Memórias da tarde

Na infância, não tinhamos água encanada em casa.
Nossa água era trazida em cargas d'água num jegue ou burro.
Geralmente, papai acordava e arrumava o jumento.
Às vezes, nas sextas-feiras, colocava água a tarde só para dormir até mais tarde nos sábados pela manhã.
Lembro daquele tempo, daquelas tardes, pois eram diferentes das manhãs friorentas.
Eram tardes quentes e com a luz se acabando. Então, ia ao riacho três vezes, lá em casa gastávamos três cargas d'água.
Eram tardes belas, de céu azul, poeira solta pelos caminhos da ladeira.
Na mata ouvia os pássaros como choca-barrada, encantos-de-ouro, abre-fechas.
E aos poucos a tarde ficava dourada até se apagar.
Não me esqueço de nosso jumento de orelha cortada e muito menos de nosso burrinho.
O burrinho é bom demais, forte e manso.
Não tinha maldade. As vezes, quando se soltava, corria a terra toda, mas aí parava dava a cabeça ao cabresto e tudo ficava bem.
As vezes, sonho com ele correndo no campo.
É muito bom ter essas memórias de um tempo de plenitude.


Lua

Voltei meu olhar para o céu noturno. Ontem estava nublado e não vi nada. Anteontem vi Vênus e Júpiter, Enquanto nasciam no poente. Hoje de m...

Gogh

Gogh