22/10/25

Mistura

 Para gostar de ler.

Sempre gostei de contos, crônicas e coisas do gênero, curtos de se ler. Gostava daqueles bem curtinhos nos livros paradidáticos de português. No ensino médio eu adorava aulas vagas para ir ler na biblioteca. Queria escrever algo. Recentemente morreu um gigante o grande Luiz Fernando Veríssimo. Cheguei a ler seus textos deliciosos no estadão. Gostava de Fernando Sabino, Clarice Lispector... Faz tanto tempo que nem me lembro mais. Restam algumas memórias. Só sei que gostava. Estou lembrando dum monte de coisas que gostava como doce de mamãe, continuo amando, mas não posso comer. Mel de abelha também.

Gostava de ganhar brinquedo. Achar uma fruta madura no pé, fosse um caju, uma pinha ou uma goiaba. Eu me achava esperto por saber encontrá-la. 

Entre coisas de comer e coisas de ler... Gosto de ambas, dependendo da ocasião.

Gosto de agradar a planta sedenta com um pouco de água. É bom cultivar uma planta. 

Tenho a mania de catar sementes por ai pelas estradas.

Coletei sementes de Canavalia e Anadenanthera...

É cada reflexo uma memória... A biblioteca do Joaquim Inácio, a cozinha de mamãe...

Tudo lá na minha terra tem sombra em mim.

Até algum dia desses.


Amor de pai

 Papai plantava cajaraneiras. 

A cajaraneira não produz uma madeira boa e papai sabia disso, mas quando você usa uma madeira de cajaraneira está plantando uma nova árvore. Papai trabalhou muito para nos sustentar. Deu-nos o maior amor do mundo. Passando na estrada de um lugares que ele trabalhou, lá no parieiro, nas terras martinenses podemos ver uma cajaraneira crescendo na cerca. Eu sei quem plantou e me orgulho disso.

Foi papai quem plantou. Meu amor por papai é infinito. 

Da graça e com a graça

 Descortinada a vida!

Que me resta senão amar.

Amar meu filho, minha esposa...

Tudo o tempo dissolverá.

Tudo. Até lá vamos viver a graça que Deus nos dá a cada dia.

 Tudo seco!

A mata dormindo se tinge de cinza.

Do macro ao micro.

As aves contentes cantam sem se preocupar se houve ou não inverno.

Cantam contentes, o galo de campina, o sabiá, o rixinó.

E o carcará contemplar a paisagem que parece torrada.

O vento da manhã venta suave e fresco.

A gente se sente bem.

A gente se sente bem quando está bem. E nada nos incomoda.

Despertei para a sucessão dos dias...

O que foi, está condenado a sumir.

Mesmo que as memórias existam são apenas sombras de uma realidade que deixou de existir.

21/10/25

Tudo que resta

 Esses dias em Serrinha de meus pais saia pra caminhar antes do sol nascer. A paisagem árida tingida de cinza. Até parece que o tempo havia tingindo tudo ou desbotado as cores vivas. As casas de minha infância, Chico Neco, João de Licor, Chico de Joana e Arthur Barreto... Já não há mais o amarelo poeira nos ramos secos, as curvas de brita ora brilha ora não são tão rápidos quem por aí passa. 

Meu velho amigo João de Licor não olhas mais para o sertão... Resta a paisagem eterna paisagem. Segurando meu terço rezo as orações que aprendi com mamãe... Tudo agora é história. Caminho sem ter que chegar a lugar algum. Caminho pela fisiologia, caminho para pensar e tentar encontrar as memórias que estão aí. As casas de Benício Filho, as entradas das terras de Raimundo de Euzébio... O Joazeiro de Josimar, o alto do Barroso. Tudo é passado. Tudo é passado e em alguns anos este texto como tudo terá perdido o sentido, por falta de memória compartilhada.


Serrinha minha Serrinha.

Vi o último broque na terra de Raimundo de Euzébio ou de João de Janoca... Sim antes seriam tantos.

Agora busco um novo sentido.

Rezo.

E trago meu filho para cá pra não me sentir tão morto.

Papai, mamãe e nossos vizinhos se foram quase todos em alguns anos o tempo seifara nossa geração e esse texto pode ser o que restará e soará apenas como uma história e não a realidade que é.

Cintilante

 A manhã crescia no sertão. O vento soprava frio tingindo a vegetação de cinza.

Ouvi o canto do acauã.

O cheiro da cinza da mata queimada,

O chão queimado...

Na beira da mata varando o céu os galhos abertos ao céu...

Do alto de um galho cantava a acauã. Seu canto continuo e intermitente ia e era respondido da mata...

Parei e fiquei contemplando e me vieram memórias do Boqueirão, do meu pai. E enquanto vivia aquele momento rítmico.


Acauã acauã acauã.


O céu tão azul 

A mata tão cinzenta.


Eu mergulhado em meu ser,

No mundo,

No tudo e no nada.

Velho e novo

 Hoje, passei em frente a um broque queimado.

O cheiro da cinza da madeira queimada.

A nova roça de Chico de Beta.

Uma das últimas em nossa região,

O fechamento e o fim de um ciclo de existência.

Os anos vividos devorados em minutos...

Vi e ajudei tantas vezes papai a queimar, plantar e cultivar nossa terra.

Desperto de telhas memórias.

Versos secos

 A linda caatinga, 

A secura,

O solo seco empoeirado,

As rochas brilhando,

Os trocos cinzentos,

Os angicos de ramos espalhados no céu.

A aroeira exausta da carga,

O enxerco torturando as pinheiras,

O cinza tremendo na mata.

E nós sentindo tudo isso.

Empatia

A cachorra latiu e me lembrei algumas vezes, o cachorro latia e aí chegava Eliene com alguma novidade doce. Havia essa troca. Mamãe também as vezes agradava. A gente era criança e nem sabia dessa empatia que é ser pai

 O verão árido no sertão. A vegetação nua está cinza a adormecida estão as sementes, arbustos e árvores. O anjico armado, a aroeira inerme. Belas árvores. O carcará calado a contemplar a paisagem no Cimo das árvores, os cancões malhados a vocalizar.

A manhã fresca que logo acende com o sol. A tarde ardente e escaldante. As noites escuras e estreladas a resfriar o calor do dia...

Esse ir e vir que preenche o dia de luz e sombra...

E esses dias que preenchem nossas vidas.

Metafísica

 Como é maravilhoso este lugar. Sai lá fora. O céu tão limpo e estrelado. O piscar das estrelas, o canto dos grilos e dos morcegos. Minha mente ainda ouve o arrastado de chinelo de papai e o ronco de mamãe.

Este lugar é mágico.

Aqui meus irmãos e eu existimos protegidos pelos nossos pais. Aqui aprendemos a rezar. Aqui tivemos nossas emoções mais intensas. Aqui é nossa casa. E perceber que bom nossa casa não é lugar nenhum. Porque aqui está a casa, mas não estão os nossos pais... As coisas existem em matéria em espírito, todavia tudo se desfaz...

Chegamos até aqui,  mas uma hora temos que partir.

Tudo vai continuar como sempre foi. Tudo vai continuar como será. E a nossa existência por aqui foi só um dia e uma noite.

Nada mais.

Anos 90

 O silêncio, o tic tac do relógio. O som do motor da geladeira, o som dos tornos da rede.

Eu, a nossa casa, a casa que nos abrigou, que papai amou e mamãe viveu até o fim. Essa casa guarda a nossa pequena história. A foto minha com mamãe na minha formatura, a foto minha com papai em minha casa.

O dia 16 de outubro de 2020, último dia que vi meu pai. Os anos, Vinícius...

Tudo bem.


Ainda ouço o barulho da vinheta do jornal nacional.


Ainda sinto o gosto do açúcar do chá de laranja de Elita.


Pois o que é tudo isso?


Esse silêncio do canto de Serrinha do canto.


Silêncio da eternidade de um tempo e amigos que não voltam mais.


Tic tac

Sexta-feira - serrinha do canto 

Sertão

 É sertão porque está em meu coração.

Vejo o paraíso e o purgatório em suas estações.

O espírito

 Chegamos em casa. Tanta sequidão. O cachorro sherlock veio nos recepcionar feliz. As árvores todas tão sofridas. O coqueiro perdendo as folhas. Os catolés nus. A pinheira usurpada pelos encheiques. Os cajueiros sem uma fruta. O jasmim de laranjeira sofrido. Tudo tão estio. Meu Deus, olha por nós. Contigo tudo suportaremos, mas o tempo, tomará nossas vidas... Esse céu azul, essa terra poeirenta e quente, essa casa únicos como nós. Nosso espírito se move como a vida se move. Baixamos as coisas, trocamos as coisas e almoçamos, e nos sentimos felizes. Tudo é um devir...

17/10/25

Calor

 Ontem viajamos. Sassá nem reclama. Saímos antes das 5 horas. Chegamos na casa da tia Li ao meio dia.

E aqui ficamos juntos o tempo todo. Fomos ao mercado. E estamos aqui curtindo esse intenso calor.

15/10/25

Razão

Então ao perceber que tudo é passageiro.

Ao perceber que tudo está em mudança constante.

A saber que tudo é devir.

Como racionalizar essa informação?

Como intuir e transformar em sentimento este fato?

Há alguma possibilidade ou continuaremos sendo orgânicos ou naturais para a vida toda?



































 

Tapirira

 Outubro de 2025.

Ontem arriou uma grande árvore de copiúba aqui ao lado do departamento DBM e DSE, da UFPB.

Copiúba pertence a família do caju e da manga e do umbu e do cajá, Anacardiaceae.

Seu nome é Tapirira guianensis. Depois de vários anos produzindo flores e frutos seu ciclo chega ao fim.

Prestou muito serviço retendo carbono nas suas folhas, ramos, tronco e raízes.

Assim morre mais uma árvore e não teremos reposição.

Cotidiano

 Fui com Sassá ao mercado e ele me pediu para comprar kiwi. Perguntou se era caro e respondi que sim. Comprei só dois para ele provar. Pediu-me ainda um bolo de chocolate. Fizemos as compras e ele saiu satisfeito. Disse que só dava para comer em casa porque precisava descascar. Ele entendeu. Em casa, a mãe descascou e ele comeu. Até me ofereceu. Perguntou porque o kiwi era verde radiado. Respondi que era a forma de disposição das sementes. Depois fomos desenhar. Disse que queria desenhar animais do Japão. Desenhou um cervo, um panda e depois fui banhar ele e fomos para a cama.

Será

 Olhando para a mata, percebi a alma de gato que ao voar pousou na sucupira. Não estava muito claro, mas vi. Ela vocalizou e voou novamente. Vi e ouvi a alma de gato. Será o mesmo indivíduo que ouço sempre? 

Soneto do contentamento

 Deitei na cova a semente do feijão e da fava.

Terra nova e queimada,

Com trabalho preparada.

Cada semente uma esperança,


Da fartura e de sustento,

Meu pai trabalhava sem parar,

Para em nossa casa nada faltar.

Tirando da terra o sustento,


Disseminando seu ensinamento,

Que com fé e trabalho,

Não há de faltar provento,


E aos risos e graças cultivava

O que comia,

A gente vivia com alegria.

14/10/25

Orientações

 Um triângulo figura aguda,

Um quadrado figura isomorfa,

Um pentágono figura estelar.

Um hexágono figura tridimensional

Acima, abaixo, a direita, a esquerda, para frente e para trás.

Que é tudo isso?

Horta

 Em setembro a gente tinha uma horta com cebolinha e coentro e alface. Papai montava a horta que era feita de vara de marmeleiro e estacas de Jurema. Eu pegava água no alívio pra mamãe agoar as plantas. Subia aquele cheiro de coentro perante o sol brilhante. A água beijava o paú e se doava a cada planta.

Maria e minha mãe

 A noite, antes de dormir, mamãe me ensinou a rezar. Ela ia ao nosso quarto e rezava e eu repetia a oração. Foi assim que aprendi o pai nosso e a ave Maria. Não aprendi a salve rainha, mas sei que ela me ensinou. Depois de me cobrir de bençãos me envolvia numa coberta de algodão. Eu me sentia seguro e protegido. Então me beijava e ia para seu quarto ao lado.  Foi assim que Jesus Cristo acendeu em meu coração através de mamãe.

Comportado

 Sassá vai ganhar uma festa de aniversário de cinco anos. Merece! merece! merece!

O tema é dinossauros. Então ontem ele já começou a fazer os desenhos dos convites.

Passou a manhã desenhando. Quando cheguei em casa já tinha tomando banho, arrumado e almoçado, pronto para irmos para a escola. Dai, ainda tínhamos um tempo. Então nós fomos brincar no quarto. Fomos desenhar. Desenhamos um estegossauro.

Depois deixei ele na escola. Está todo feliz pois vai ter uma festinha com os amiguinhos da escola.

Mudando

 Com um misto de angústia penso.

Saudades daquilo que passou de bom.

Aquilo que me fez, meus avós e meus pais e nossa relação com o mundo.

Vejo agora que tudo era e se foi da forma que eu pensava, ou queria ou entendia.

Mas ai. Tudo muda constantemente.

A caatinga perde a folha, sofre com a estiagem,

Depois se renova com as chuvas e ganha mais um novo cenário.

E a gente muda a face da caatinga tadinha.

Assim é.

Só o que existe é o agora.

13/10/25

Viagem do ano

Levamos Sassá ao zoológico de Recife. Ao saímos não demos a direção e foi no Conde que ele descobriu para onde íamos. Fui conversando muito. Chegamos no Zoo e tivemos sorte, encontramos um lugar para estacionar perfeito. Saímos, olhamos os peixinhos para vender. Tinha um boneco do Estitche e um boneco do sonic para fazer fotografia que Sassá olhou, mas se escondendo entre minhas pernas. Tinha vontade de fazer uma fotografia com eles, mas faltava coragem, no carro de volta perguntou porque não tiramos. É uma pena. Bom entramos, e fomos visitar as coisas. Sassá se lembrava exatamente de quais bichos estavam nos devidos recintos. A giboia, a iguana, o jacaré, os quelônios. No recinto do papagaio moleiro ele procurou pela siriema que estava espojada no chão. Vimos mano o tucano e fomos observá-lo. No recinto de mano tinha um lindo mutum do nordeste com seu bico plano hemicircular vermelho. Olhamos bem muito o tucano, fomos ver as araras vermelhas, as jacutingas, os jacus, os mutuns de penacho... a harpia, e Sassá esperto procurando ver se não achava uma pena. Dai fomos na avestruz ivete... Paramos para lanchar e contemplar o parque. Dai ele quis ir para o circuito de brincadeiras, subiu num local de mostruario, andou sobre os pneus de caminhão coloridos, foi na ponte levadiça e brincou em todos os brinquedos. Fomos olhar o chafariz no açude, seguimos procurando ver as capivaras na borda do açude. Dai fomos ver o tambanduá bandeira, os macacos galego, macaco aranha, tamanduá de colete... E finalmente pota o hipopótamo que ele chamava de paquiderme. Foi divertido, pois descobrimos a profissão de pota que é pedreiro. Uma vez que pota reboca a parece com cocô. Rimos muito.
Depois fomos ver a anta chiquito. Paramos para fazer mais lanche. Chegamos num galpão, onde havia uma exposição de tubarões e raias. Sassá pegou em dois exemplares. Depois fomos no jardim sensorial onde tocamos instrumento de música de ferro e madeira.  Por fim voltamos para a ala das aves e vimos as corujas, gaviões. Sassá foi tomar um banho na bica para se refrescar. Feito isto comprei um doce para ele, saímos para almoçar, após o almoço, pegamos a estrada de volta. Sassá dormiu antes de sair de Recife e só acordou em sua casa em João Pessoa.  

Afastamento

 Uma estrada de barro,

A poeira sentada na mata,

O capim seco dourado,

A mata seca cinza.


Uma cruz...


O tempo designado.


As sensações, 

Calor, 

Frio,

Solidão,

Isolamento.


Um pensamento imediato.

E por fim o afastamento de tudo.

Som passado?

 O sol de outubro é ardente no Campus I.

Lá na mata, cantam umas cigarras um canto diferente.

Tenho lembranças de minha infância lá no município potiguar de Martins.

Na serra com mata fechada a mesma espécie ali cantava.

Relembro todas as vezes que ouço.

Memórias de adolescência, mamãe deveras teria ouvido, vovô e vovó e meus bisavos...

Antes achava esquisito.

Agora amo.

Porque me leva ao passado.

10/10/25

Minha eterna mãe 10-10-1950

 Se minha mãe estivesse viva, hoje faria 75 anos. E os anos continuarão caindo.  Foi-se com 71. Sinto muita saudade de ti. Como afirma um amigo meu que somos 50% da mãe e do pai, mas com certeza é muito mais que isso. Tive a grande felicidade de conviver com mamãe por 42 anos. Mãe veio ao mundo no início da década de 50, neste dia tão importante para nossa existência. Aprendi com mamãe a importância de comemorar o aniversário. Quando completei 40 anos ela disse! E já é isso tudo? Mãe tinha um temperamento peculiar e casou com papai que era o oposto dela, mas numa coisa eles combinavam no nome de Francisco e na generosidade. Mamãe era generosa, mamãe não fazia questão das coisas, mamãe adorava organização. Aprendi a ver o mundo por via de mamãe, foi minha primeira percepção. Mamãe era a caçula de meus avós. Quando ela nasceu vovó tinha 48 anos e vovô tinha 37 anos. Mamãe tinha nove irmãos e sobrinhos com idade quase igual a ela. Mamãe teve uma vida com uma história de constantes problemas no corpo, sempre fazia uso de remédios para dores. Eu sofria muito quando as vezes acordava com ela chorando de dor. Mamãe foi a melhor mãe do mundo. Queria ser filho dela se nascesse por 1001 vezes. Tivemos muitos momentos juntos a sós. Caminhando para Martins, Serrinha, para a casa dos meus avós, meus tios e amigos. Mamãe sempre quis me agradar. Lembro de um trator que me deu no dia das crianças comprei lá na venda de Caboco. Era um trator vermelho. Me deu dinheiro para comprar uma bolinha azul. Mamãe sempre me mimou. Quando completei 18 anos queria ir pra São Paulo, mas ela interveio e eu fiz o concurso da serrinha onde passei, e me mantive em Serrinha até ir morar em Natal. A gente se falava semanalmente, depois diariamente. Mamãe era minha voz narradora. Gostava de contar novidades, mas nunca me contava novidades ruins como falecimento. Vivemos dias bons e dias muito difíceis. Mamãe se adaptava muito bem as dificuldades. Viveu de maneira forte, nunca colocou suas vontades a frente, nos porque nós éramos sua prioridade e depois os seus netos. Sua felicidade era nos ver felizes. Não tem como descrever a minha mãe. Tudo que eu possa falar sobre ela é pouco. Mamãe foi a coisa mais sublime que me aconteceu, pois ela foi minha geradora, minha cuidadora, minha educadora, minha luz, minha sensibilidade, meus sentimentos de amor e carinho e nunca de ódio ou rancor. Todos os sentimentos bons que tenho, agradeço a minha mãe. Ela vive em mim. E o seu amor estou transmitindo ao meu filho. O amor é invisível, mas é a força mais potente que há no universo. Amor é coesão. Amor é sinônimo de ser mãe como mamãe foi. Celebro hoje esta data tão sublime em minha vida. Comemoramos juntos, lembro junto com meus irmãos e sempre dedicarei este dia a ti por toda a minha vida. Te amarei eternamente. De seu Rube.

No final o estresse se converteu em alegria.

 Ontem foi um dia muito especial. Fomos deixar Sassá e o seu foguete na escola. Estava lindo todo prateado com exceção do bico que era vermelho e as chamas do exaustor amarela e vermelha. Foi uma festa, mas para as mães ver o resultado sendo elogiado por todos. Por acaso tinha comprado um reloginho de astronauta. Sassá amou, não tirou do braço desde que eu coloquei, a cada segundo ele apertava o botão e perguntava a hora. Bem na escola foi aquela festa, as mães felizes com o resultado de seu árduo trabalho, mas compensador. O estresse se converteu em risos e muita alegria. A criançada em seus foguetes pareciam decolar mesmo. Um dos foguetes o pai era engenheiro elétrico e tinha lanterna e ventilador. Outro tinha botões, painéis sofisticados, emblemas da nasa, cds... Foi maravilhoso. A noite a festa continuou na festa de aniversário de uma amiguinha. Outubro já contou com três aniversários. Quantos librianos. No final o stresse virou alegria.

Lúcido

 Lúcido sol aquece a mata,

Folhas a brilhar,

Leves ao balançar,

Cantando e mostrando o vento...

 

No meio da mata,

Distraída está a patativa,

Canta, canta, canta em parar,

Canta muito a dançar.

 

Aqui no meu conforto,

Estou a contemplar,

E viajo nas asas da imaginação.

 

Viva o sol, a mata, a árvore, o vento e a patativa.

Viva. Viva. Viva.

09/10/25

Natureza

 Sol intenso de outubro, 

Enche tudo de luz,

Colore o céu de azul,

Tinge de verde as matas,

E faz a mata mudar de ramada.


As cigarras exaltadas com o calor,

Enchem todo o ambiente de canto...


A mata no campus é mais bonita

Do que se ver,

Porque ali a natureza é viva,

Aves e cigarras a cantar,


Árvores a enfeitar e perfumar cada canto...

Causa espanto 

Não se espantar com tanta natureza.

Mel

 Em nosso jardim morava uma gata. Apelidamos ela de mel pela cor do pélo. Já estávamos acostumado. Sassá gostava dela. Ela ora se escondia atrás das espadas de são jorge, ora está sobre o local de colocar o lixo. A vizinhassa que alimentava ela a chamava de aurora. E quinta-feira ela desapareceu. Não sei ainda como vou contar a Sassá esse fato. Será se vai voltar a aparecer? Espero que sim.

Ronronar

 Os gatos ronronam,

Ronronam sem parar.

É a força da lua,

É o calor dos dias?

O que será que está a despertar,

A vontade de procriar...

Gatos, ronronam...

Nas cálidas manhas,

Auroras matinais.

Que veio a provocar.

Mata e o seu tempo

 A mata encanta,

Ao sol despertar

Videscens as folhas,

O marrom cobre o solo,

E as aves cantam baixinho,

Parecem o vento acompanhar,

O canto suave das árvores...

Uns pássaros não se aguentam,

E explodem a cantar,

Sanhaçu coqueiro,

Patativa...

E a silenciosa harmonia impera na natureza,

Outubro chegou já.

08/10/25

O gato mago

 Véa é o nome que o pessoal do departamento colocou numa gata malhada de preto e vermelho.

Sempre a vejo aqui, ela mora aqui. Foi adotada pelos professores.

Bem, nunca tinha visto ela limpando a cara. Comportamento comum entre os gatos usar a língua e a pata para lavar o focinho.

Lá em casa, como em todas as casas do interior era comum criar gatos. Tivemos inúmeros gatos. Nos apegamos muito a eles, dando nome e um bom cuidado.

Bem, não estive presente neste momento, mas sei que aconteceu, pois mamãe sempre repetia.

Certo dia, mamãe estava com tia Raimunda, irmã de papai. Juntas viram um gato limpando o focinho.

Então minha tia falou que gatos ao limparem o focinho está adivinhando uma visita.

Disse a mamãe que era sinal de visita.

Então aquela primeira vez que mamãe viu esta predição foi proferida por tia Raimunda, irmã de meu pai.

Mas não teve a curiosidade de perguntar para tia quem havia ensinado para ela.

Nossa tia, morreu de câncer, quando eu tinha apenas quatro anos. De maneira que não me lembro de nada, mas era muito comum a gente ver o gato limpando o focinho e cada vez que a gente via e mamãe estava presente, havia a mística que iriamos receber visitas. Assim, mamãe endossava, finada Raimunda dizia que quando o gato limpa a cara é sinal que tem visita na casa. As vezes, havia visitas, as vezes não.

O fato é que esse conhecimento foi  transmitido, num espaço e num tempo e vem se disseminando essa ideia.

Por gostar de histórias escrevi e escrito está.

Aniversários

 Sassá foi ao aniversário de seu amigo, o segundo do mês. Sexta tem outro.

Se divertiu muito, brincado, socializando, se alimentando.

Comeu doces, brincou com os objetos.

Foi uma alegria só.

Primeira impressão

 Só existe uma primeira impressão,

A segunda impressão é percepção,

A terceira impressão é uma ilusão,

A quarta impressão reflexo da realidade.


Só existe uma impressão,

Existe inúmeras percepções,

Existem ilusões.

A realidade é o ponto inicial para o conhecimento.

A repetição a oportunidade de aprender

e entender a realidade.

Verso

 Os versos me encantam,

Versos rimados ou livres,

Versos percebidos,

Versos pensados.


Versos com rima,

Versos com estima,

Versos versados.

Verso uma face do universo.


Que se percebe ouvindo,

Que se percebe lendo,

Algo se exprimindo,


Algo com início,

Algo com meio,

Algo com fim.

07/10/25

A areira

 No cinza da catinga fechada,

Espinhos, garranchos a vista barrar.

Imperiosa a aroeira imersa ali está,


Seu tronco forte a sustentar,

Seus numerosos ramos ao céu apontar,


O termo e luminoso setembro,

Suas folhas lhes fez deixar,


Nua, de ramos cinzas inflorescências faz brotar,

Flores diminutas, a convidar, os bichos dela se alimentar...


Meliponias, aqui e aculá,

Na galha de lá um arapuá a morar.


Do alto vem bichos o mundo contemplar,


Venho sabiá, papa-arroz, sanhaçu...

Difícil não encontrar nessa magestosa árvore,


O calado carcará...


Agora, que amai contemplar,

Guardei no coração,


Essa imagem linda de contemplar...


Nestes versinhos...

As aroeiras vou eternizar.

Ao trabalho

 Entre uma atividade e outra,

Uma pausa, um pouso, um repouso.

Livros dispostos pelos lados,


Livros usados,

Livros intactos,


E a vontade de devorá-los...

Salvo o tempo,

Nada posso fazer senão desejar...


O tempo do pouso é curto,

Mas a vontade de abstração é imensa.


Eis ai o espaço,

Eis ai o tempo,


No abstrato, dispenso o espaço,

Jamais o tempo.


Como um carcará na aroeira,

A beira da estrada se apressa em voar,

Perante um olhar.


Preciso voltar a trabalhar.


E os anos passam

 No silêncio outubro desperta, de anos indos 2025. Para trás comemoravamos mais um ano de vida de minha amada mãe.

Este ano é o quarto sem sua fisicalidade.

Só sua essência se mantém em nossos corações.

Outubro, franciscano outubro,

Tinges o céu de azul, sopras o vento desenfreado,

Faz a rosa sedenta desabrochar no jardim e olhar e agradecer por tudo.

E entender oh outubro quão depressa tudo se faz e desfaz.

Outubro

 No silêncio outubro desperta, de anos indos 2025. Para trás comemorávamos mais um ano de vida de minha amada mãe.

Este ano é o quarto sem sua presença.

Só sua essência se mantém em nossos corações.

Outubro, franciscano outubro,

Tinges o céu de azul, sopras o vento desenfreado,

Faz a rosa sedenta desabrochar no jardim e olhar e agradecer por tudo.

E entender oh outubro quão depressa tudo se faz e desfaz.

Parque Solon de Lucena

 A lagoa 

O grande espelho da lagoa, embeleza a cidade de João Pessoa.

Rodeada de belas palmeiras. Gordas Macaúbas, altas palmeiras imperiais, tem também os jerivás e sabais. Num canto toma o céu as sertanejas carnaubeiras.

Fui lá passear, achei tão vazia,

Mas de uma beleza indomável, atemporal...

A marca do tempo e da glória, nos bambus, nos ficus, nos antigos oitis.

Aqui muito se refrescou o paraibano que em João Pessoa buscou uma solução para seu problema econômico, de saúde, de passeio.

Lagoa que recebe na rua que vem da rodoviária, paraibanos sertanejos, caririzeiros, brejeiros, seridornes, curimataueses e muito mais.

Aqui se busca a esperança.

Conheci Antoni José, numa tenra idade em cadeira de roda com tanta ganas de viver e se movimentar.

E me puz a pensar, no que já aconteceu. Nas vezes cegas que aqui pisei, morando em Natal.

Lembrando das tardes ensolaradas... Das tardes enfeitadas de natal.

E por por aí se vai...

Gerando memória em nós.

Nossa sala e papai e mamãe

 Domingo à noite, a televisão está ligada no SBT, ali na sala. Jantamos e saímos para nos sentarmos em frente a tv. Sílvio Santos anima o programa. O que esperamos da vida? Nada. Torcemos para que o participante ganhe no jogo. Os anos puseram cabelos brancos na cabeça de papai e em mamãe caiu-lhes a saúde. Mas a vida é essa simplicidade. E dias assim se repetiram pela eternidade de nossas vidas breves. Os acontecimentos enchiam as nossas vidas. E a responsabilidade de dar conta do amanhã.

Foi-se o papai, a mamãe e o Silvio Santos. O tempo deles se esgotou.

Hoje é domingo, agora é noite. E ainda tenho o reflexo destes momentos singulares em minha existência.

Depois papai deitava no quarto, mamãe também e eu também. A noite se fechava e um novo dia nascia.

Avós franciscanos

 Meu avô e minha avó paterna eram católicos. Vivi muito pouco com eles. Convivi mais com minha avó. Meu avô morreu em 1988 quando tinha nove anos e minha avó em 1995 quando já tinha 14 anos. As memórias que tenho de onde moravam no sítio Sampaio são como fotografias apenas. Lembro da voz de minha avó. Posso remontar sua imagem com a ajuda duma fotografia. Pouco resta desta face de minha vida. Papai trouxe muito deles, mas não conseguia determinar o que veio deles por não conviver com eles. Muito deles está difundido entre os filhos e netos. Como identificar?

O católicismo franciscano, a alma de Rosângela minha irmã. Não sei mais.

Oração

 Doce manhã que me desperta, sol luminoso que se acende, ave que canta, flor que desabrocha...

A toda essa grande graça obrigado meu senhor.

Evento do ano

 Ontem na escola de Sassá houve a abertura dos jogos internos. Fomos com ele, pois ia desfilar. Estava todo feliz. Já saiu da escola avisando do evento. Sassá ama a escolinha, os amiguinhos. Chegamos cedo, a quadra ainda tinha os portões fechados, foi bom porque peguei uma vaga perto dali. Ai escolhemos o lugar e ele todo feliz com a amiguinha. Logo foi chegando um a um. Soltamos ele para correr na quadra numa alegria de bobo. Depois a professora levou eles para a entrada, onde se organizaram para o desfile dos infantís 2 até o 4. O desfile foi lindo. Saiu dali faminto. Compramos um cachorro quente e um bolo que ele comeu. Tomou banho e foi dormir. 

Mel

 A gata mel como chamamos, aurora como o pessoal da rua chama, desapareceu. 

Nem sei como irei falar para Sassá. Ele gostava muito de vê-la em nosso jardim.

Ela se escondia atrás das espadas de são jorge, se deitava em cima do muro.

Sumiu. A gente chamava ela de aurora por causa do pélo melado.

Semelhança

 É outubro, décimo mês do calendário. 

O verão aqui é a época de ausência de chuva.

A mata está seca, só algumas espécies verdejam brilhantes.

Aqui em João Pessoa, mata atlântica. Compartilha algumas coisas com a serra de onde vim.

Agora mesmo uma cigarra me fez lembrar dessa similaridade.

O canto de uma cigarra de mata atlântica, desperta as memórias de minha infância.

Só isso.


06/10/25

Tempos idos

 Medo!

Medo destes tempos idos,

Das coisas imbricadas e veladas,

E agora desveladas.


O tempo que tanto revela,

Ao revelar cobra a vida.

Mostrando que nossas percepções são nada.


Tudo imaginação.


Dá um aperto no peito.

Pega a gente de jeito,

Saber que tudo é criação...


Medo do que o tempo nos revela.

São tempos idos.

Antônio Pereira

 O poeta da saudade Semana passada ouvi o compositor Santana declamando um dos mais lindos versos sobre saudade. Ele falou de Antônio Pereir...

Gogh

Gogh