25/04/25

Quebra do silêncio

O silêncio matinal da mata

É quebrado pelo gavião

Que chama atenção,

Seu chama como bico falcado,


De longe me encanta,

Chama, chama gavião.

Que queres dizer?

A mata que ti criou,

A mata que te protegeu,

Sabe que falas.

Sabe quem és.

É um asa de telha maravilhoso.


24/04/25

Contemplativo

 Quando cheguei na UFPB hoje de manhã escrevi.

A mata silenciosa amanheceu pensativa.

Percebi que o mesmo estado se perpetuou durante o dia inteiro.

Agora a tarde a mata continua pensativa.

Talvez o silêncio seja meu.

Talvez este estado contemplativo tenha preenchido o meu ser.

Só sei que me sinto cansado.

Se como dizia Spinosa a alma é uma ideia de corpo.

Estou com o corpo exaurido.

Por isso contemplativo ou vegetando.

Falta ideia para por no papel.

Falta inspiração.

Falta glicose para pensar.

Quando se contempla não se pode sobrar tempo para pensar.

Dia do índio de Sassá

 No dia do índio. Este ano de 2025 Sassá ganhou uma zarabatana.

Ele foi para a escola com a mamãe. Lá estava tendo uma feirinha e a mamãe comprou este objeto de caça.

Simples, mas muito ornamentada.

Ele assistiu a apresentação de danças da tribo Kariri-xocó. Até se arriscou a dançar.

Na volta para casa, tinha uma surpresa um sexto com chocolate de páscoa.

Estava radiante. Me deu um biz.

A mamãe estava doente, então cuidei dele até dormir.

Desenhamos uma página do do livro onde estavam lá:

Uma zarabatana, uma onça, um tatu, uma arara, um beija-flor, uma giboia, um jacaré, um sapo lavando o pé, uma apis, uma borboleta...

Depois quis dormir com o desenho, mas ai disse que ia amassar.

Então deitou, mamou e dormiu.

23/04/25

Descansa

 É difícil de pensar quando se está cansado.

Descansa!

Descansa para reestabelecer tuas energias.

Descansa para que tua alma possa novamente

Se inspirar.


Fui a UFPB Campus de Areia.

Pude compartilhar da companhia dos alunos e da professora Eliete Zarete

E de meu querido amigo Pedro Gadelha.

Vi inúmeras plantas, paisagens e meios.

Tanta coisa que encheu minha mente de informação.

Agora descansa.

22/04/25

Água

 Viçosa floresce a erva!

Flores amarelas,

Alvas, azuis, lilás, roxas...

A policromia enfeita o tapete verde

Que cresceu das cinzas,

Das sementes e frutos rotos,

Que alimenta a abelhas e insetos diversos,

Num período tão efêmero...

A água equaciona a existência

Das cinzas ao verde

Do verde ao dourado,

Do dourado ao pó...

A biologia é a reação da água com a natureza viva.

Alma do tempo

 Somos a alma de nosso tempo.

Cada coisa que vivemos conduzimos em nossas almas.

Estas vão se desgastando no tempo como as coisas.

Os objetos são eternos, as coisas não.

Somos a alma de nosso corpo

Que assim como as coisas são finitas.

Da energia de viver,

E no viver,

Se desgasta,

Envelhece e morre.

Mas nossa alma se renova

Quando reproduzimos,

Em nossos filhos e netos e bisnetos...

Retalho

 O sol desperta a manhã. A paisagem verde vai perdendo o tom azulado se tornando amarelado.

O som do sino, do bem-ti-vi, dos sanhaçus marcaram a páscoa.

Chegamos cá em casa quarta feira 17.4.25.

E ficamos de boa, fomos a matinha, fomos ao curral e ao chiqueiro.

Sexta feira jejuamos.

Desenhamos muito.

Passeamos.

O tempo foi ótimo, visto que voou.

Sanhaçu

 A tarde caia. Fui a janela olhar o quintal.

Na Larangeira laranjas verdes igualando o tamanho de limões cresciam ao gosto do tempo.

Parei tudo, pois vi uma beleza sem igual.

Um sanhaçu cinzento 

Pousado no ramo seco, calmamente se banhava de sol.

Com seu bico se limpava. Aquele verde ou azul cinzento tão lindo com bico forte e penas pequenas sozinho cuidando de si.

E permaneceu ali por mais tempo que minha paciência tolerou.

De certo estava mais tranquilo que eu.

Contemplei seu ser aí.

E o seu ser assim.

Ou meu ser assim?

Pascoa 2025

 A tarde cai. A tarde sempre caiu, cai e cairá. Agora algo mudou em mim.

A tarde caia e era sinônimo de alegria. Esperava por algo. Não sei o que e sei. Esperava uma mudança que mudasse meu humor. Esperava sempre por algo. O tempo foi passando e tudo foi mudando fora e dentro de mim. Continuei esperando a mudança o tempo cair. Aí a mudança veio drástica quando percebi que podia realizar os meus sonhos. Descobri que custava tempo de vida.

Nossos sonhos custam caro.

Custam o tempo de convivermos.

A tarde caiu, levou também o tempo dos que mais amava.

Agora.

Nasceu o maior amor de minha vida, meu filho.

Não quero que a tarde passe, como é impossível, então que se arraste.

Só sentado aqui onde muito sentei com papai e com mamãe.

Já não os ouço, não os vejo, mas sua presença existe.

Na paisagem na amarílis, no Jasmim de laranjeira, no cumarú, no araçá, no catolé, na espada de são Jorge e no espaço, no calor e luz do sol que vai esfriando com o tempo e vão se apagando as memórias.

Meu Deus!

É sexta feira santa.

Quantas vezes celebrarmos em Cristo.

E continuamos em Cristo.

Vivos.

Agora divido essa memória para sempre como dizia mamãe.

Na casa de Chiquito

 Era uma tarde de quinta feira santa 17.04.25. o céu azul, os raios dourados iluminaram o alto do Sampaio, na base do alto no terreiro da casa de Francisco uma catingueira grande toda bageada explicava seus frutos secos dispersando suas sementes.

A quebrada vermelha estava coberta de milho pendoado, fava e Bananeiras. Uma bananeira sapo com um cacho cheio me chamou atenção.

Chegamos em frente a casa que foi do meu bisavô Chiquito, do meu avô Chico e de tia Nina.

Entrei na casa e pude ver através das paredes e da minha memória a profundidade da minha existência. Tanta coisa vivida ali em minha infância. As primeiras impressões de está distante de casa.

Peguei a cadeira e pus na calçada e fiquei contemplando a frente muito bem cuidada. Os dois pés de salsa de flor rosa, os araçás, o milho e feijão, subindo a lombada, a pitombeira, os cajueiros, as aroeiras, lá no fundo os mororos.

Lucia de Chico estava ali sentada, depois chegou Franci e Chico, e a conversa entrou a noite.

Ouvi histórias e distrinchei a genealógia da família.

Enquanto Vinícius brincava com Pedro, Lavínia, Laís e Sofia. Corriam gritando feliz. A felicidade foi plena quando lhes demos uma caixa de chocolate essas crianças saltaram de felicidade.

E a tarde caiu e a noite subiu.

15/04/25

Coelho novo

 Sassá faz as lições de casa.

Chegou da escola, viemos caminhando.

Aparentemente nada nos afetou muito.

As memórias são laxas.

Chegamos em casa, aguamos as plantas do jardim.

Subimos e em casa! foi fazer uma atividade de páscoa.

Uma pergunta inquietou a mamãe.

Como nascem os coelhos.

A mamãe imprimiu imagens de coelho.

Sassá as pintou.

Colou na lição, mas ficou em aberto "como nascem os coelhos"? 

Como caracterizar um coelho é fácil tem orelhas grandes, pelo macio, pernas longas, dentes incisivos grandes.

O que comem os coelhos? verduras, legumes, frutas, folhas e capins.

Como nascem os coelhos.

Da mamãe uai.

14/04/25

Parei e não estacionei

 Olhei para o mundo para fugir de mim.

Imerso no sujeito!

Vi azul!

Despertei!

Vi cores, vi formas, vi profundidade, vi proximidade.

Parei de ver e ouvi os pássaros cantando.

Um gavião no ninho!

Parei de ouvir e senti o cheiro,

Nenhum cheiro específico.

Parei de cheirar e senti as pegadas,

A aspereza da parede.

Foquei em cada coisa.

Excluí cada sensação!

Ficando atento a seguinte.

Dei atenção ao que merecia!

A realidade.

Porque nossa mente é cheia de representação.

Passível de ilusão.

Visita a bica

 Sassá foi ao zoológico novamente. Desta vez pode ir a sessão dos rapinantes.

Viu as cohujas orelhudas cleo, fique e gloria; nem deu muita atenção aos gaviões caramujeiro e caboclo, a atenção foi especial para o recinto do carijó.

Eduardo, o zookeeper, passou para limpar a água e as aves ficaram todas agitadas, mas o carijó não.

Ele estava deitado, parecia está choco. 

Eduardo se aproximou e retirou o gavião carijó fêmea que estava chocando um ovo lindo!

Um ovo alvo com manchas marrons numa harmonia que enchia os olhos.

Ficamos ali contemplando por um bom tempo.

Depois passamos pelos asa de telha, pelos urubus e pelos carcarás.

Fomos ver as águias pé de Serra Ana e Ricardo.

Ficamos ali contemplando a beleza deles...

Depois, observamos as flores de palmeira imperial no chão, repleta de abelhas diminutas.

Depois Sassá foi dirijir os tratores.

11/04/25

Despertar da fumaça

 Acordei cedo como de costume. Deitei na rede e comecei minhas orações. Então, ouvi o som de um caminhão passando  na rua. O som de um carro grande e pesado a julgar pelo rangido da carroceria. O som persistiu, pois o motorista estava estacionando. Fui conferir e nada vi. Entretanto, rapidamente senti o cheiro do diesel e exposto na fumaça! Eureca! Minha mente repentinamente despertou e acessando memórias muito primeiras. E não é um passado que se repete não é um passado encerrado. Pois bem aqui estão  minhas memórias.

Minha mente voltou no tempo. Num tempo muito saudoso, por já ser perdido. Sim quando na casa onde morei toda a infância a estrada era de barro. Então a gente sentia o cheiro do diesel misturado com o pó da estrada. No entanto de madrugada a poeira era fria. Naquela época, chegar a cidade maior, Pau dos Ferros era um sacrifício então tinha um ônibus que fazia a linha. Era o ônibus de Ci de Damião. Todas as manhãs as cinco horas, na estrada lá vinha o ônibus gemendo, levantando o pó e deixando a trajetória de pó, fumaça e o cheiro do diesel. A gente aprendeu a saber quando, ficando atento ao barulho do motor com seu timbre e pela forma peculiar do motorista dirigir. 

Entretanto, nesta cena havia outro caminhão, ai sim, um mercedes 1113, vermelho de Nego de Zé de Lindolfo. O caminhão 1113 vermelho, desejo de todo menino, passava carregado de Caixão de frutas, tiradas na serra, nas terras de Zé de Euzébio. Lá vinha o carro cheio de sobreviventes de jornada dupla sendo agricultor na semana e feirante no sábado. Coisa muito peculiar de Serrinha. Lá ia tio Michico o amante do som, amava cantoria e passarim, seu Duca, saudoso seu Duca com uma voz gostosa tremida e peculiar, Zé Bianca, saudoso Zé Bianca, Júlio Souza, Tio Dico, também memorista e artesão e agricultor e pedreiro, Juca...

E por ai se vai.

Esses heróis cada um com uma família maior que outra, trabalhavam incessantemente.

Às sextas-feiras desciam atrepados nos caixões de frutas em busca de um dinheiro a mais.

E eram felizes, pela amizade, pelo valor em comum cultivados.

Quando o 1113 passava a poeira cobria e o cheiro de Diesel e a poeira e a fumaça tomava conta de nossas imaginação. Quem não queria dirigir um focinho de porca vermelho.

Aquele circulo estrelado na venta, aqueles lindos faróis redondos concebidos o modelo na Alemanha, produzidos no ABCpaulista, Servindo ao povo humilde da Serrinha Grande.

Então despertei e pensei em compartilhar essa memória com voces. 

Até 15

 Quando acordo!

Sassá dorme. Então dou um cheiro bem gostoso em seu cabelo.

Quinze segundos! de plenitude! Quinze segundos de paz.

Antes de sair para trabalhar se dorme bem.

Dou outro cheiro.

É tanto amor que meu parece que vai explodir.

1, 2, 3, 4, 5... 15, parece infinito.

É eterno.

Conte até 15.

10/04/25

Oco, moco, toco

 A eternidade

Ausência de tempo,

Nem passado,

Nem presente,

Nem futuro.

Tudo é fugaz.

Tudo que tem início tem fim.

Tudo que existe para existir

Necessita de um corpo.

É e não é.

Que dualismo.

Que monismo.

Ler! Sassá

 Ontem, senti que o sabiá Sassá está quase decifrando as palavras.

Senti que ele logo estará lendo.

Senti pela primeira vez que ele abocanhou uma palavra.

Nós após o banho dele, fomos para cama.

Eu pensava sobre tartarugas.

Não me lembro o contexto!

Sim, lembrei.

Com caixa de creme dental fiz um bico doce.

E com uma caixa de uma pomada fiz algo parecido com um réptil que saiu mais parecido a um quelônio.

Veio a minha mente tracajá, mas não era.

Então peguei nossa coleção 199 animais.

Pedi para ele procurar tartarugas lá.

Ele achou.

Lá abaixo de um bicho, ele leu - L - A - G - A - R - T - O.

E pronunciou.

Me animei.

Mas ficou naquela leu a imagem ou a palavra.

Pedi para ele ler, mas leu mesmo foi a imagem.

Só um trisco para entender a junção das palavras formando as sílabas e a junção das sílabas formando as palavras.

Fiquei tão feliz.

A mamãe trouxe outro livro melhor.

Mas Sassá é esperto leu a figura e não a palavra.

Pedi para ele ler Ilha. Já que não conhece.

Ele leu.

Prometi um presente na sexta.




Quê?

 Somos donos de nossas histórias. 

Somos produtos de nossa história.

Somos nossa história.

Uma afirmação de ser cotidiana.

O passado está encerrado em nós.

Somos o que decidimos ser se tivermos sorte.

A estreiteza pela qual as coisas podem se tornar fato ou não.

Seria a ideia a grande nutridora do ser?

Onde beber dessa história.


09/04/25

Sassá filosofa

 Ontem Sassá me fez pensar.

No carro voltando da escola, na nossa conversa ele disse quando você voltar a crescer e ficar jovem.

Engoli a seco e não falei que não ficaria mais jovem.

Cai num choque de realidade.

O que me resta é a velhice.

Tenho que aproveitar o máximo de tempo.

A noite exausto deitado, enquanto Sassá queria brincar.

E minhas energias se iam.

Deu tempo dele fazer a lição.

Elogiei-o.

Montessouri falou que depois dos seis vai toda a magia vontade de desvendar o mundo.

Foi o que li a pouco.

Tenho tentado construir o meu próprio castelo quanto a vida, entretanto não é fácil.

Sassá é minha maior bateria.

08/04/25

Tormenta em alto mar

 Às vezes parece que temos algo em nossas mãos.

Às vezes temos certeza que não.

Não há nada.

Tudo é produto de nossa mente.

Tudo é produto de nosso modo de pensar.

Tudo é produto de nossos condicionamentos.

Como dominar uma tormenta no mar?

Tártaro em sassá

Sassá foi ao dentista.
A doutora falou que ele tinha tártaro.
Lembrou bem ele tártaro rima com tartaruga.
Que tem em comum algo duro.
Outra vez foi trilha e trêm.
Me faz pensar que sempre segue a mesma linha e tem vários componentes.

Vô, mamãe e eu

 Vô José, dorme num jazigo desde 01 de janeiro de 1993. Mas é eterno em minha mente.

E sempre posso reviver sua memória num som, num canto.

O canto do gavião carijó.

Os gaviões apresentam uma linguagem particular.

Quando estão cantando para atrair uma fêmea voam algo e em círculo.

Quando, junto com mamãe ouvi o carijó cantando mamãe

Se arremetia a sua infância, evocava uma lembrança

Que colhera na presença de vô.

De certo, mamãe ainda era menina.

Ela ouvira vovô proferir que canto do gavião era sinal de chuva.

Tempos depois, comigo num desses dias ensolarado, de inverno preguiçoso,

Ela ouvira o canto e se arremeteu a vô.

Não só uma, mas várias vezes.

E isso ficou na minha mente.

De onde vô aprendeu isso?

Sei que sempre penso nele.

Como hoje de manhã sem sol.


07/04/25

Sassá no zoo

 Sassá vai ao zoológico!

Ele ama bichos como ele.

Te encantam os peixes! Pensei.

Nem vimos as aves de rapina.

Nos interessou a relação de amizade de Eduardo com a anta Amara.

Ela é silvestre, nova, menos de um ano.

E já trata Eduardo como se fossem amigos.

Nos maiores dengos.

Eli limpou o coxo de água.

Amara petiscou folhas de mangueira. Fiquei surpreso.

Achamos que Eduardo tem que ser médico veterinário.

Depois conhecemos Letícia a professora mirim, Laura a relações publicas e Laura a tímida.

Sassá amou conhecê-las, pois pode por seus conhecimentos de biologia em prática.

Enquanto isso Bia a mãe de Sassá interagia com Laura relações e ouvia o professor de pedagogia explicando as coisas para as mães das meninas.

Vimos dois cágados de barbicha, tilápias, piabas, e tambaquis.

Foi maravilhoso.

Né sassá.

04/04/25

A utilidade do bico

Sassá o sabiá

Sabe caçar minhocas.

Com suas pernas a pular,

Com o bico a cavar.

Sassá com sua barriga vermelha 

E costas castanhas

Engana quem quiser lhe devorar.

Sassá usa o bico para caçar,

Usa o bico para carregar as minhocas,

Como o bico se alimenta,

Com o bico a cantar.

Eh! Sassá.

Canta, canta o inverno a chamar.

Logo mais a se aninhar.

Canta, caça e ama,

É de sua natureza a felicidade.

Cubo mágico

 Cubo mágico

Seis faces, seis cores.

Vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e branco.

Cada cor tem nove quadrados.

Quantas combinações são possíveis?

A resposta é 

43 252 003 274 489 860 000.

Meu deus.

Será que um dia conseguirei conseguirei desvendar os passos como combinar tudo em usar os vieses da internet?

Só consigo revelar uma face plena até agora.

E você?

Sassá e a noite

 O sabiá Sassá não está com sono.

Luz acesa!

Vamos desenhar.

Desenha.

Quero pipoca doce.

Feito pipoca doce com leite em pó.

Tai um suquinho de manga.

Coma e tome todinho.

Sassá quer brincar.

O sono não chega.

Sassá vai tomar seu banho, faz cocozão.

Liga o chuveiro e vamos brincar.

Sassá!

Tomou banho.

Vamos brincar.

E apago na noite enquanto

A mãe de Sassá fica com ele até a noite adentro.

03/04/25

O sabia sassá quer sabedoria

 Sassá o sabiá que interrogava!

Por que sabiá sabe cantar?

Por que sabiá precisa se casar?

Por que tem diferentes cores de papos de sabiás?

Por que o sabiá come minhoca?

Por que sabiá come pimenta e não lacrimeja?

Perguntava Sassá a sua mãe Bia.

Achava que Bia era sábia.

Bia olhava para Sassá com tantos porquês e suspirava.

As vezes respondia,

E quando não sabia ignorava.

E quando sabia era profundo seu explicar.

Sasá não estava nem ai.

Porque estava na fase dos porquês.

Bia não entendia muito disso pois era a primeira cria.

Foram dois ovinhos, mas um não chocou.

Então nasceu Sassá.

Bia está entendendo melhor essa fase conversando com as mães da escola de Sassá.

02/04/25

Amanhecendo na ignorância

Acordei com o despertador,

Escura a madrugada

Pintada de raios alaranjados da rua

Posso ver através da janela.

Sete luzes!

Que importa.

Armo a minha rede para pensar.

Pensar nas orações que selecionei aprender.

Me perco as vezes. 

Como de costume.

Me perco em minha imaginação.

São tantos os sentidos que preciso me orientar pelos pontos cardeais.

Quantas tardes me perdi com um livro na mão.

Hoje sei que estava me construindo.

Sem sentido e sem direção o que aparentemente da no mesmo.

Me perdia.

Agora!

A oração é justamente para colocar uma ancora.

Parar e ver qual é o melhor sentido.

O pai nosso aprendi com a mamãe, a ave maria com o todo.

Mamãe me ensinou Salve rainha e não aprendi.

Estou aprendendo.

Na verdade, sou de uma família de franciscanos. 

Os pais de papai eram Francisco e Francisca.

Papai era Francisco e mamãe Francisca.

Papai tinha o mesmo nome de vovó sem tirar ou colocar uma letra.

Mamãe se chamava Francisca porque nasceu no dia de São Francisco 10 de outubro de 1950.

Meu avó era José, Minha avó Era Severina nome de etimologia significa severa como ela realmente era.

Como cheguei até aqui mesmo.

Na madrugada.

Aprendi a rezar ou orar e descobri o valor da oração apesar de está estampado em todos os lugares.

Após a oração, vem o salmo, provérbio e a leitura de um capítulo da bíblia. Estou no livro Gênese.

Descobrindo a beleza deste universo e o tamanho de minha ignorância.


01/04/25

Gaspazinho

 Entre as espadas de são jorge, estava deitado um gato!

Um gato alvo como uma garça, como goma.

Parei para lhe contemplar.

O seu susto foi medonho.

Suas pupilas dilataram.

Ficaram grandes e escuras como uma jabuticaba.

O que espreitava de que se escondia?

Seu pelo alvo, parecia macio, mesmo sendo gato de universidade.

Seus olhos eram verde e azul.

Pensei em levá-lo pra casa.

Até pensei.

Seu nome será agora gaspazinho.

Identidade

 A senhora ruiva ia pela rua!

Falava alto em bom tom.

Falava de uma cachaça.

Falava com orgulho para as amigas.

Cachaça de Pirpirituba!

Então aquela senhora tem um lugar.

Pensei é o mesmo de Maciel.

Então disse: Pirpirituba!

Ela falou que sim!

Conhece seu Maciel?

Disse que não.

Falou que lá tem a cachoeira do Roncador!

A senhora ruiva se chama

Josefa Santos!

Tá certo professor ela falou!

Tem que ir lá conhecer.

31/03/25

Dona lavandeira

 No passeio por ai

Vi coisas para falar,

Vi coisas interessantes,

Umas merecem e vou citar,

Numa pequena aroeira,

Vi um ninho e sua dona,

Era uma lavadeira!

Lavadeira isso mesmo.

As lavadeiras aninham nas beiras dágua,

De certo lavadeiras de roupa

E não lavadores,

A denominaram assim.

A lavadeira,

Vestida sempre de branco,

Usa uma linda mascara preta.

Para ela é tudo no preto e no branco.

Um encanto.

Ver tudo no escuro!

E mesmo assim se veste de branco.

Brincar com lavadeira,

É brincar com uma mãe.

Se afugentada,

Defende a cria com a vida.

Defenda a cria com a vida.

Fui olhar de perto seu ninho,

E ela partiu para me bicar,

Fez um barulho danado,

Feito uma mãe 

Defendendo sua cria.

Rimos do meu susto.

Vinicius que estava no meu braço

Viu a furia de uma mãe.

E a mamãe riu de nós.

Foi hilário,

Ver tudo isso enquanto o sol caia no poente,

Enquanto seus raios dourados,

Embelezavam a nossa vista.

A visita a aroeira,

A dona lavandeira.

Lavandeira

 A valentia de uma mãe.

A lavandeira ave singela,

Fez um ninho na aroeira.

Vestida de branco e mascara negra,

Canta, canta animada.

Nos galhos da aroeira,

Se sente a graciada,

Fez um ninho para amar,

Fez um ninho para se dividir.

Arrumou uma namorada,

E ofertou aquele ninho!

Então vieram os ovos,

E a lavandeira pepi,

Ficou muito feliz com a paternidade,

Encontrou do fundo da alma

Coragem de um leão.

Ao me aproximar de seu ninho,

Que arrepio

Ela bradou e me atacou,

Com seu bico aguçado,

Impôs  medo a minha mente!

Afugentado não me aproximei.

Lavadeira lavadeira...

Vive por ai sem nada temer.

Gente á boa para você.

Por que está sempre mascarada?

Por que sempre veste branco?

Por que faz um ninho suntuoso!

Sois a princesa de negro?

kkkk.

28/03/25

O moinho amigo.

 À tarde, após o almoço. Mamãe ia ao silo, pegava milho e colocava numa panela com água. O milho ficava de molho, ai colocava no fogão e dava um fogo para amolecer o milho. Lá para as três da tarde, escorria a água, colocava na bacia e era a hora da atividade. A hora de visitar o moinho. Em casa ou na casa dos vizinhos. Lembro de moer no moinho de Dudé de Zé Baliza e de Ciça de Amaro Lopes. Eu ia com a mamãe ou com uma das meninas. Um quebrava o milho que é a primeira moída e o outro colocava o milho ou a massa, no geral se moia o milho e a massa, se fosse para fazer o cucuz se moia mais. Moinho mimoso. O nosso de casa era uma carroça de bruto e duro. Noe geral moinhos mais velhos são mais leves. Daí usar o dos vizinhos. Mas também sair de casa seria motivo de atualizar as conversas. Mamãe gostava de conversar. O moinho de Dudé ficava num quarto dando vistas para um joazeiro e o barro vermelho. O de Ciça ficava na cozinha. Então vinha o calor e o suor, mas ninguém reclamava. Então mamãe conversava e fazia as colocava o milho. Quantas tardes não fizemos isso juntos. Depois que terminava se limpava. O fato é que sempre, lá em casa, fomos ouvintes. Mamãe falava e ninguém se intrometia. Acho que era resquício do patriarcado. Força de Sinhá e José Neves meu avó. E ai o moinho tinha uma função terapêutica de falar da gente, dos nossos sentimentos e emoções. A gente aprende a ser com os nossos pais, mas precisamos dividirmos as coisas juntos e o moinho além de moer, gerava informação, gerava engajamento, amizade ou do contrário também. 

Tudo porque hoje peguei o pilão para pilar meus cravos e lembrei de nossas relações com o objeto e o moinho foi muito  mais presente em minha infância.

27/03/25

A rosa

A roseira do nosso jardim está coberta de flores.
Rosas vermelhas
Chega enche a vista e o peito.
Até esquecemos que rosas são armadas,
Assim como os gatos.
Em plena floração imperiosa a rosa
toma toda atenção.
São 26 flores cada uma mais bela que a outra.
Mas no nosso jardim tem muitas outras plantas.
Uma colônia, outras rosas, um sapatinho de anjo, uma campanula, uma renda portuguesa, um oxalis, uma espada de são jorge, uma lança de são jorge e um cacto.
Tinham abacaxis.
A rosa está ali. No auge. Bom bando.
Enfeitada com pétalas vermelhas,
Arrumada arbustivamente.
Nem liga para o sol...
A gente é como a rosa quando estamos bem, somos mais resistentes as adversidades que nos aparece.

26/03/25

Confiança

 Ontem, após muitas aulas de prática Vinícius criou confiança e coragem e nadou sozinho.

Foi apenas dois metro, mas foi um grande salto para sua mente.

Logo estará nadando.

Ontem, na lição de casa aprendeu o que é o número dois 2.

Repetiu inúmeras vezes.

Estes fatos me arremeteram a minha infância ao contentamento de aprender.

Como foi aprender a nadar.

Faz muito tempo que aprendi a nadar. Ainda era criança, mas trago vivo essa lembrança.

"Era uma manhã como todas as outras. Tinha ido com a mamãe ao açude de Juvenal de Mariana para ela lavar umas roupas. O açude estava com pouca água e portanto raso. A água era barrenta. Depois que mamãe terminou de lavar a roupa me estimulou a nadar. Então batendo os braços consegui atravessar o açude e senti que minhas pernas não tocavam o chão. Foi uma maravilhosa sensação de segurança. Alí, descobrira que já sabia nadar. Depois foi só aperfeiçoar com muita prática ganhei confiança e descobri que sabia nadar. Fui pra casa tão feliz, e fiquei tão feliz naquela dia".

Como foi aprender a contar.

Lembro de um episódio que a professora Livani minha alfabeditazadora lá na primeira serie pediu para

escrever até 20 e eu escrevi até 120. Foi  1,2,3... 10... 19 120.

Memória sintética.


Desperto pela lua

 A madrugada estava linda,

Acordei com vontade de dormir,

Mas despertei quando vi pela janela

A linda lua crescente!

Tão grande!

Nunca tinha visto a lua crescente tão grande.

O céu limpo e escuro

Dava palco a lua

Que parecia maior.

Sempre que vejo a lua num céu escuro,

Rememoro os tempos primeiros.

Olhar para o céu noturno é contemplar a eternidade.

A gente parece ao contemplar a infinitude do universo,

Olhar para nossa finitude.

Chega a estremecer a espinha,

Nos fazendo arrepiar.

Algo muito irracional.

Fiquei ali, deitado na rede

E por meia hora a lua ficou a minha vista!

Ela me encantou.

Depois sumiu no teto da janela.

Foi assim.

Foi assim... 

25/03/25

Filho uma definição do amor

 A beleza de amar!

Amar é se doar.


As capivaras

 Ainda sobre Recife, antes que as coisas sejam deletadas.

Vimos as capivaras perto do açude relaxadas tomando um banho de sol.

À sombra de um pé de mamão passamos um bom tempo a contemplá-las.

A mamãe aproveitou para sentar e aproveitar a sombra da grande gameleira.

Nós ficamos mirando!

E o que vinha a nossa mente?

A minha vinha a contemplação daquele lugar mais lindo do mundo.

A paz das capivaras,

As ervas aquáticas...

A pedra do calçamento quente pertinho da sombra da gameleira.

As folhas das plantas brilhavam um verde viridescente.

Vinícius o que pensaria?

Nem imagino.

Apontava as coisas para ampliar a percepção.

Olha o anum preto.

Olha no lago uma tartaruga da amazonia.

E aquele curto momento foi maravilhoso.

Capivaras são animais, mamíferos.

Mamíferos tem pelos e mamas.

E um cérebro muito mais complexo com cuidado parental.

E outras coisas mais.

...


A palavra capivara vem do tupi-guarani kapii' gwara, que significa "comedor de capim".

24/03/25

Guaruba

 Sábado passado, 22 de março, fomos ao parque dois irmãos em Recife.

Vimos vários animais e entre os mais lindos estão as aves.

As lindas araras.

Ararajuba, Arara-vermelha, arara azul e arara boliviana.

Arajajuba de nome científico Guaruba guarouba.

Gua-do tupi tem sempre uma relação com a cor amarela a cor do bicho.

Me impressionaram pelo amarelo ouro.

A arara vermelha me impressionaram pelo vermelho sangue.

A arara azul por suas penas azul celeste.

E a arara boliviana pelo glaucociano da garganta.

Foi maravilhoso ouvir essa beleza gritante.



Pota o hipopótamo

 Fomos, sábado passado a Recife. Fazer?

Visitar o zoológico.

Qual é o maior bicho de lá?

Pota o hipopótamo que Vinícius chamava de "paquiderme".

Foi surpreendente porque vimos o tratador Will cuidar da higiene bucal de Pota.

Antes, desse fato, passamos no recinto duas vezes e paquiderme estava submerso, mergulhado.

Ficamos até meio desvanecidos.

Já estávamos contente, por ter visto as capivaras. Mas a atração era paquiderme.

Então, caminhamos até o recinto do chimpanzé e dos felinos quando ouvimos paquiderme gritar.

Vinicius voltou correndo, avistou, mas a luz no espelho que separa o recinto estava atrapalhando.

Bom satisfeitos.

Dai quando fomos mais a frente Vinicius percebeu o povo no recinto de paquiderme e voltou correndo.

Eita que bacana! pensamos. Olharam, olharam...

Até que a mamãe percebeu o tratador Will com uma caixa de comida.

Ela disse vai alimentar paquiderme, vamos esperar. 

E foi melhor.

Vimos a docilidade de paquiderme que abriu a boca para Will higienizar a boca.

Até falei para o Vinicius que Paquiderme não dava trabalho.

Will passou um remédio na boca de Paquiderme, escovou os dentes, mexeu na língua enorme de paquiderme.

Paquiderme só de boca aberta, de olhos fechados nos ignorando por completo.

Então Will deu grandes cubos de gerimum para Paquiderme.

Ele comeu.

E Will abriu a fala para perguntamos sobre ele.

-Qual é o nome dele perguntei "Pota" respondeu. Agora paquiderme pota.

-Qual seu nome? Will

-Quantos anos ele tem? 14 anos

-Qual o peso dele? entre 2 a 3 toneladas

...

Saímos tão feliz.

Vinicius amou.

Pota...

A gente já tinha visto "pota" inúmeras vezes, pois essa era a nossa quarta vez no parque Dois irmãos.

Acabamos descobrindo mais coisas sobre esse animal maravilhoso.

Depois fomos almoçar e brincar no parque.


21/03/25

Acoita-cavalo perfumado

 Vestido de noite vi o acoita cavalo.

Com ramos pêndulos

De flores ornado!

Tão lindo e perfumado.

Sim estava perfumado,

Com cheirinho alvo

Cheiro alvo como suas flores.

Nesse mês de março foram muitas as surpresas.

Essa foi uma delas.

Volições

 Na infância sobrava ociosidade e espaço.

Tudo que existia dependia das estações que para nos era a chuva e a seca.

Na seca que tinha para olhar? Tudo era reduzido, a comida e a água, tanto nossa como dos animais.

Desapareciam os animais invertebrados como insetos, imbuas e vertebrados que por vezes apareciam como os preás.

E sempre tínhamos a esperança de tudo melhorar no inverno seguinte.

A gente precisava acreditar no futuro por questão de sobrevivência.

No inverno o chão estava molhado e dava para fazer curral.

Tinham as flores para olhar e dissecar, frutos para brincar e comer.

Tinham ainda imbuas, formigas, borboletas, mariposas, serpentes apareciam.

A gente tinha matéria de sobra para viver.

A gente aprendeu a acreditar no futuro, mas o futuro guardava tragédias que a gente depois pela razão iria descobrir.

Na infância tudo era interessante por sermos totalmente ignorantes.

Tudo que existia ia ganhando nome...

E esses nomes depois ganharam símbolos sem as representações pictóricas.

A, E, I, O e U.

Cara! o que é isso?

Porque não aprendemos a desenhar?

A ler os desenhos.

Foi profundamente influenciado por um livro de animais da sexta série de capa verde e com animais.

Foi ali que pus os meus pés na sistemática e na biologia.

E o que me atraiu foram os desenhos

As representações.

Lembro que queria muito desenhar coqueiro.

Tínhamos uma aula e era na sexta-feira, e não tínhamos caderno de desenho.

Uma ou outra vez.

O desejo nos alimenta.

Queria desenhar.

E não decifrar as vogais e o alfabeto seco.

Queria imaginar nos desenhos e não aqueles textos abaixo dos desenhos.

Como vim parar aqui?

Me questiono.

Da infância até aqui foi um longo caminho.

E ele continua até o fim.


Cheio de nada

 A minha infância foi um vazio de conceitos. 

Minha infância estava cheia de realidade.

Eu olhava para as coisas, via as coisas, sentia as coisas com as mãos, com os olhos, com os ouvidos com o gosto.

As coisas eram o que eram não conceitos.

Desde que descobri os conceitos.

Tudo perdeu a realidade. Muita coisa passou a ser ilusão.

Prestei atenção nos movimentos.

Ah!

Essas coisas encheram tanto a minha mente que não sei como me desapegar.

20/03/25

Cacaia a sapucaia

 Fiquei pensando na percepção que tive da sapucaia cacaia.

Os ramos laxos e pêndulos com folhas meio encaracoladas.

Seria algo para tristeza ou seria timidez?

Ah! cacaia.

Sapucaia.

Sapucaia a árvore imponente e copa em cabeleira.

Uma copa encaracolada.

Uma cabeleira encaracolada,

Vez por outra um fruto se cria,

Vez por outra se vinga.

Após uma cândida florada,

Um florada perfumada e abençoada.

Se deita no chão.

E tu que por cima passas,

Nem se quer pensas.

De onde veio essa flor?

Nem sequer pega na mão 

A afaga com um cheiro.

Por que me ignora pergunta cacaia?

Por que não me vês,

Por que não me sentes?

Estou aqui humanidade...

Todos os dias assisto você chegar e partir,

Gerações e gerações a se formar,

Nas ciências humanas.

Estou aqui.

Tão imponente, meu tronco fendido,

Mas não me vês não me conheces.

Sou a sapucaia cacaia.

Estou no estacionamento, na central de aulas daqui

Da ufpb...

Eu estava aqui quando me tiraram da mata,

Colocaram essas pedras para os carros dormirem.

Ninguém me vê.

Sou eu.

Cacaia a sapucaia.

19/03/25

A sapucaia triste?

 No campus I da UPPB temos o privilégio de termos nove remanescentes e árvores nativas por todo o campus. Hoje percebi uma coisa interessante ou não, mas vamos lá vi as árvores de sapucaia. Duas delas avisto todos os dias. Elas são muito peculiares pois seus troncos enormes são profundamente estriados e suas folhas simples tem margem serreada, os ramos são laxos e as folhas um pouco encaracolada.


Pensei.

A sapucaia cacaia.

A sapucaia cacaia!

Estás triste sapucaia,

Seus ramos pêndulos de folhas meio curvadas,

Parecem triste,

Parecem triste.

Seu tronco imponente e estriado,

Está sempre acinzentado,

Será saudade de viver no meio da floresta?

Será saudade de está dentro de casa?

Feito um cão que não pode entrar em casa,

Nos estacionamento ai está plantada,

Nem um filho a avistar.

Nenhum filho a zelar.

Sapucaia

Sapucaia,

Seus frutos são lenhosos,

São chamados de pixídios,

Parecem um jarro de barro,

Parecem um jarro emborcado!

Porque da tristeza sapucaia?

Ou está a sorrir de quem te olha,

Rindo da ignorância alheia.

Será!

A gente fica a te avistar.

Muita gente a perguntar

Essa árvore quem será?

Aos poucos quem te conhece,

Vai partindo

E tu que eras conhecidas,

Como a gente é um desconhecido na multidão.

Sorria!

Não apenas quando florida!

Te preparas para amar,

Fica enfeitada e perfumada de flores,

Mas agora!

Te acho triste.

Isso passa.

A cigarra narra

 A cigarra narra saiu a voar quando a noite caiu. Voou, vou e seguiu uma luz. Entrou pela janela. E começou a voar desordenada batendo nas coisas. Dentro do quarto o pai e o filho brincavam de dragões. E suas atividades foram paradas. Ao perceberem narra que voava pra lá e pra cá. O papai ficou aguardando narra pousar ou cair. Pensou ele será só questão de tempo. Narra por ser maior que outros insetos como mariposas noturnas com grande destreza de voo, voava desorientada. Até que pousou! Depois voltou a voar. Atentos pai e filhos continuavam a observar até que ela pousou na porta do banheiro. O filho a encontrou. O pai pegou um pote de vidro e a capturou. Ela ficou ali segura no pote frio e transparente de vidro. Até o outro dia o menino pegou folhas e colocou no pote para narra comer, mas ela não comeu. No dia seguinte. Ele a contemplou inúmeras vezes. Ele aprendeu o que é um bicho cigarra narra. Então quando ele foi para a escola sua mãe a libertou.

18/03/25

O sabiá e o jucá

 O sabiá sassá foi visitar o seu amigo o jucá cacá.

Cacá tinha sido amigo de Sassá desde que este era filhote,

A mãe e o pai de Sassá construíram um ninho nos ramos de cacá que os acolheu com uma morada, uma ótima sombra e lindas flores amarelas.

No meio do vôo viu a aroeira aurora,

Que o convidou para pousar,

- Olá sassá vamos prosear.

- Que me conta dos ares lá de cima?

Canta para mim.

O sassá que gostava de conversar

Pousou e começou a conversar.

Contou tudo que havia sabido de vários lugares do cariri.

Quando deu por elas já era quase noite.

Então a aurora o convidou para ficar a noite.

Ali ele cantou uma ave maria e dormiu.

Só foi lá para cacá no outro dia.

Pavão misterioso

 Mês passado, fevereiro 2025, havia concluído a aula quando foi surpreendido por um presente maravilhoso. Ana, de Piloezinho me presenteou com um cordel "Pavão misterioso". Conhece?

Então quando cheguei na minha sala comecei a ler e não consegui parar de ler.

Li a história inteira. Fiquei encantado. Achei maravilhoso.

A historia de dois irmãos, uma fortuna, uma mulher, um sutão... Foi primeiro levado a pensar no texto da Iliada na figura de Helena. Depois não mais me vem a mente as histórias de as mil e uma noite.

Certamente, Borges teria ficado encantado ao ler o texto Pavão misterioso.

O título é perfeito já que o pavão é uma ave que em muitas culturas representa beleza, imortalidade, paz, amor, prosperidade, e renascimento. E realmente podemos abstrair tudo isso.

A parte o signo.

A narrativa é excelente!

Despertei para coisas que não entendia, mas que me encantava como o painel presente no Hemocentro em João Pessoa. 

Nesse mesmo período ao ir doar sangue parei para ver esse lindo painel e lá estava uma moça em seu claustro e um pavão.

O aeroplano.

Fez mais sentido.

Quando tive uma visita ainda no mesmo mês de um amigo natalense e então fomos a estação ciência no grande painel lá exposto também estava o pavão...

De certo, essa história faz parte do inconsciente coletivo dos pessoenses.

Certamente sem a arte não teríamos um espirito como este entre nós.

Tudo isso, pela percepção de Ana que gosto de verso e viola.

Recomendo a leitura do cordel "Pavão misterioso" de José Camelo de Melo. 

17/03/25

Bom conselho

 O tempo foge de quem quer esticá-lo.

Fuja do tempo 

Fuja do tempo 

E ele te seguirá como tua sombra.

O tempo é tudo que temos.

Viva mais, deseje menos.

Vida para que entender?

 Quanto me quedo sozinho?

O silêncio é externo porque a minha mente é puro movimento.

Ontem chego a uma conclusão óbvia.

A vida é desconhecida de todos nós.

Vivemos tentando agarrá-la, entendê-la para poder aproveitar.

Mas nada conseguimos.

Nem nossos bisavós, avós, pais...

Simplesmente vivemos sem tentar entendê-la.


Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh