Manhã tu que nascestes silenciosa,
Tu que nascestes molhada e úmida,
Nascestes silenciosa.
Pardais vocalizam no silêncio.
O escuro ainda faz sombra no quarto,
O céu esta chumboso,
Que delícia este momento.
Esta manhã silenciosa de quinta-feira.
Manhã tu que nascestes silenciosa,
Tu que nascestes molhada e úmida,
Nascestes silenciosa.
Pardais vocalizam no silêncio.
O escuro ainda faz sombra no quarto,
O céu esta chumboso,
Que delícia este momento.
Esta manhã silenciosa de quinta-feira.
Vivendo no automático,
As coisas não nos espantam.
Que coisa sem graça.
O tempo passa e parece que nada ocorre,
Nada de graça.
Coisas boas e ruins acontecem.
Tudo passa.
Ficam memórias,
Ficam as saudades.
Como dizia um hino
Nos cultos "tudo aqui é passageiro, tudo aqui é ilusão".
É só uma questão de tempo.
A eternidade ela existe?
Acordo e durmo antes e após Vinícius.
Ser pai é um ato de doação
Por isso que é o maior ato de amor.
A gente faz tudo de dia e fica feliz com
Coisas simples como um riso,
Um afago.
Hoje Vinícius me chamou.
Foi tão gostoso.
Amo tanto meu bebê e sua mãe.
Uma manhã ensolarada,
Fria da noite passada,
Cantada pela passarada,
Alegremente celebrada,
Amanhece em nossa vida,
Alegre feito poesia,
Contente despertamos,
E ficamos felizes,
Pelo instante em que somos.
A saudade bate
E entra e age e dói.
Lembranças vivas em nós.
Uma fotografia,
Uma poesia.
Um estado de ser,
Tudo a seu tempo,
Tempo de viver,
Tempo de descansar,
Tempo de amar.
Tempo.
Silêncio.
Do oco da caixa da mente
Algo há de sair.
Memórias vivas
Se vão
Como bola de sabão.
A noite,
O céu estrelado,
Estrelas brilhando,
O silêncio.
Pensamento,
Sentimento,
Saudade.
Saudade pela ausência de meu pai.
Dor de sua perda.
Onde estará sua alma?
Parte dele está comigo.
Está comigo aqui e agora.
Saudade que ecoa no meu peito,
Que inflama minha alma.
Saudade...
Nossas lágrimas que compartilhamos a cada partida.
Amor sublime.
Deus me dê aconchego,
Porque meu peito ainda está ferido,
Meu peito ainda dói.
Falta tempo para os pássaros.
Falta tempo para Mozart.
Falta tempo para a leitura.
Um ser apaixonado nem pensa.
O desejo pelo que não se tem.
O tempo se esmigalha.
Se esfarela feito pão seco.
Vejo as columbinas.
Bem ti vis ou gaviões.
Cadê as saíras?
Na ancia de acabar algo
Se descobre a falta de mais em espiral
Passamos a viver.
As folhas amarelas
Caíram no chão.
Me fez lembrar solidão.
Mudança.
Enfrentamento.
Falas amarelas que se desprenderam do ramo.
E tudo mudou.
Anoiteceu.
A noite está silenciosa e escura.
Mas a reflexão veio do silêncio.
Esse silêncio que se fez quando partiu.
Sua voz costumava quebrar o silêncio.
Alguma informação, uma piada pronta que conhecíamos a muito.
Quando não dormias e ficava te observando
E te admirando e vendo o que o tempo fez a nós.
Nossa conversa era por telepatia.
A presença já era suficiente.
Depois nos recolhiamos na noite e mais uma manhã vinha.
Acordava e ouvia suas atividades,
Varria o terreiro ou colocava lixo ou atendia um vendedor.
Que saudade de ti papai.
Que saudade de tu.
Onde estiver sua alma.
Que sinta o quanto te amo.
Por hora divido seu amor com meu filho Vinícius.
Estava pensando como dividia bem seu amor conosco seus filhos.
Saudades.
Como dói o silêncio.
Mas se assim Deus o quis.
Que Deus te abençoe.
Te amo papai por enquanto só posso beijar a cabeça de Vinícius e como beijo.
Lembro o quanto beijei a sua. Saiba que foi com todo amor de todo o meu ser.
Meu eterno pai, mestre e amado.
O dia passou tão rápido. Missa pela manhã na internet. Vinícius no colo. Café e brincar. Um pouco de trabalho. Vinícius e colo. Banho de Vinícius. Dança com Vinícius. Almoço, lavar a louça. Trabalho. Vinícius e seu passeio, suas fraudas trocadas. Segunda e terceiro banho. Forró do sono. Primeiro sono. Segundo e finalmente último sono.
Ufaa.
Maio é o mês das mães. Um belo mês com capa azul. Mês de nossa senhora. Maio é sinal de esperança, festa e alegria. Pré São João a mata toda verde e florida o vento venta. Parece que o mundo se modifica. As flores alvas dos Calumbis. Os borrachudos aparecem. Mas é tanta coisa boa. O amarelo das sennas e catingueiras, o alvo das juremas, rosa e azul das Jitiranas. Coisas assim me deixam feliz.
Quando há barulho, prestamos atenção no silêncio. Quando há bagunça, buscamos restabelecer a ordem. Após uma avalanche de coisas sempre se tem uma experiência. Como é bom ouvir o compositor favorito e prestar atenção aos detalhes das coisas e se sentir bem. Porque a vida é uma benção que descobrimos quando é tarde. Senti falta quando Ruben Alves se foi era tão maravilhosa e inteligente sua fala. Ainda vejo suas palestras. Lembrei por acaso dele no meio dos meus pensamentos. Tenho pensado tanto e nada ao mesmo tempo. Não se pensa em nada quando se pensa muito. Pensar é linear. Acho que pensar é organizar a casa e ou as ideias. Quando a gente organiza as ideias a noite, ruminando os acontecidos. Não consegui assimilar que papai se foi. Ai fico perdido nos pensamentos ou melhor no inacreditável. Assim é.
Tudo está acontecendo tão rápido.
Que nem vejo acontecer.
Tenho pensamentos bons, porém efêmeros.
Quando vejo a música acabou.
Vinícius está quieto, mas não dormiu.
Lembro de ver duas rolinhas se assanhando
Numa antena de tv onde tinha um bem-te-vi.
Pensei no fato de conhecemos o que se mostra e o que se dá. A natureza dos animais.
As plantas, partes das casas e o resto fica oculto.
Não foi bem isso.
Culpa já sabe de quem né.
A estante repleta de livros com suas capas, suas texturas e seus autores. Está ordenada por seções: filosofia, literatura, arte, religião, botânica, biografia, fotografia, Borges... Saudades de ler, de ter um tempo para a leitura. Essa semana fomos caminhar com o Vinícius três dias seguidos. Foi maravilhoso. Já viu né. O tempo é só do Vinícius, trabalho e redes. Redes sociais quem dera fosse uma rede. Cada coisa a seu tempo. Vontade tenho muito de ler, só que as prioridades são outras por hora.
A caatinga tomou cor,
De ramos brotou o verde foliar,
Do chão seco fez o úmido,
Nesta terra amada,
Por nós cuidada,
Vivemos maravilhosos dias,
Algo tão sublime,
Aqui fomos,
Somos passageiros por tudo aqui.
Atemporal é o amor.
A tarde caindo.
Tarde de domingo,
Luz dourada difusa,
Um gato dorme na biqueira,
A máquina de roupa sacoleja barulhenta.
Amanhã será segunda.
Em outros tempos teria aula,
Em outros tempos laboratório.
Mas tudo mudou.
Estamos no segundo ano de Pandemia.
Quando vai passar?
Deus dará.
Dias que a gente nem percebe passar.
Atividade a toda intensidade de manhã, à tarde e à noite. No fim do dia estamos exaustos. Sem ter como recarregar as energias ao contemplar a natureza.
Ouvir os pássaros no nascer e por do sol.
Ouvir uma música.
Ler um texto.
Contemplar o jardim.
Fazer algo prazeroso e se sentir bem.
Ver o mar e a vastidão do oceano.
Hoje, conversei com uma amiga mais que de costume. Confidenciou que precisa mudar.
A gente precisa refletir e repensar nossos hábitos sempre.
Precisamos buscar melhorar.
Em paz.
Acordei e despertei ouvindo aves e pássaros.
Pardais, sanhaçus, carcará e um galo.
O ronco da geladeira na casa vazia.
A luz semicerrada e a sombra dos Livros.
As três Ruas vista pela janela.
A consciência do Covid19.
Desperto para uma nova jornada.
Um dia novo se inicia.
Hoje é um novo dia. Com memórias muito angustiante e triste do pior evento que ocorreu em minha vida. Não tenho lembrança de algo mais doloroso e triste e angustiante. Como todos os seres humanos que teve a dor de perder seu pai sabe o que estou sentindo. As memórias são vivas e dilacerantes. Acender uma vela, rezar um pai nosso, lembrar dele de forma terma como quem sabe como foi termo viver ao seu lado. Como era bom ouvir sua voz, sentir sua presença, seus gestos simples, mas cheios de amor, de carinho e de paternidade. Todos sentimos a falta de quem amamos. Sinto a falta, pois não terei ele para me abençoar e abençoar meu filho. Tudo me faz lembrar meu herói, meu amigo, meu irmão de fé. Como irei olhar nossa matinha? nosso orozinho? Nossas aroeiras, nossos angicos e nossos catolés. Ficou um grande vazio. Triste vazio, substancial... Nossas paixões pela vida, pelas flores, pelas aves, por nossa terra! Agora dormes papai. Dormes que as flores enfeitam sua morada. Não ouvirei mais seu caminhar arrastado, não verei suas roupas desengonçadas, não terá quem vá comprar pão e carinhosamente me dava a sacola para escolher um e contava a estória de vô Sinhá. Agora só ouvirei Nelson Gonçalves sozinho. Nada sobre política, sobre a vida cotidiana... Nossa relação agora é puramente espiritual. Ocupas todo o meu ser, minha carne, meu coração, meu cérebro e minha alma, pois sou biologicamente 50% de você. Se estou escrevendo, se estou chorando é porque a saudade é grande como o meu amor é grande e como a vida é grande. No céu, firmamento de Deus, vejo estrelas brilhando e nele você vive paizinho. Sob este firmamento que é a terra vives. Bem aqui no meu peito. Hoje é um novo dia, ontem estivemos juntos, amanhã estaremos juntos. O tempo é relativo. Sua memória eterna está, enquanto eu viver. Te amo. Papai Chico.
A chuva chovendo,
As águas escorrendo,
Embalando os sonhos,
Sonhos tão jovens,
Sonhos tão puros,
Pura imaginação,
Puro coração...
Sem raiva, sem amor...
Puro.
Um suspiro real de alegria,
Ler uma poesia de Neruda,
Quanta satisfação,
É uma real distração,
Sinto os lugares,
Sinto as sensações.
Neruda...
Memorial da Isla Negra.
Debussi.
Agora o dia se foi
É noite escura.
O tempo passou e nem percebi.
A noite vai chegando enquanto a tarde cai.
Cães ladra,
Bem-ti-vi e saira cantam.
A realidade vai sendo descortinada.
Mais um dia passou,
Se foi como areia da concha da mão ao vento,
Como uma semente plumosa,
Como um balão de hélio.
Vai embora até perder de vista,
Até perder qualquer sensação.
Às vezes a vida é como um dia,
A consciência só chega no final.
É duro saber que tudo passa,
Tudo se desfia,
Tudo se apaga
E a gente que fica poderia aproveitar mais...
A gente realmente aprende com a experiência.
As experiências podem ter faces distintas,
Ora boas ora ruins.
A experiência nos faz refletir sobre a vida
E seus acontecimentos.
Porém o entendimento vai além da experiência.
E e a vida vai nos presenteando com seus ensinamentos.
O tempo é impecável e nos permite ir apreendendo o que vivemos.
A gente cansa de tudo e principalmente de pensar.
A gente só sente a vida.
Como é bom sentir a vida,
Nos sons,
No clima,
Nos odores,
Nas leituras que fazemos do mundo,
Das pinturas,
Das esculturas,
Dos livros,
Do capricho dos outros.
As coisas sempre acontecem,
Independente da gente,
A objetividade do mundo
Para além de nossa subjetividade.
Ali está o bebê dormindo.
Que se pode esperar,
Proteção, proteger,
Amor...
Acordei e não consegui dormir novamente.
Era madrugada escura, quente e silenciosa.
Estava em minha cama em casa onde minha mente girava perdida sem concentração, pensando em várias coisas ao mesmo tempo.
Vinícius acordou para mamar, encheu o bucho e dormiu.
E eu fiquei aqui vendo o tempo passar.
A manhã nasceu bela e eu o papai cansado
Como sono e tosse.
As vezes, acontece.
Ser pai.
Ser pai.
O não ser,
Eis o grande mistério que ninguém quer desvendar.
Todos temem, mas um dia conhecerão a verdade.
A verdade do não ser.
A ausência de corpo.
Não sentir,
Não ouvir,
Não ver,
Não cheirar.
Todo o corpo e toda matéria organizada se desorganiza,
E se reduz as suas propriedades primárias,
A átomos.
Átomos...
Átomos que são e não deixam de ser apenas se reorganizam.
A matéria continua intacta se transformando.
E o que é a vida energia?
O não ser é a ausência de energia?
Agora mesmo aprecio Mozart que deixou de ser em 1791.
Mas aqui está sua música sendo tocada,
Harmoniosamente me fazendo bem.
O que é isso?
Para onde vão as almas os geist das pessoas?
Para alguma teca divina?
Acordar e ouvir o mundo.
Sentir a vida pulsar em casa coisa.
Cada impressão sentida,
As cores, os sons, os odores...
As formas, as harmonias, as comidas.
Viver essa vida,
Neste mundo caótico,
É preciso algo que nos impulsione.
É preciso fé.
Traduzir tudo em nosso favor,
Nosso ser.
É tudo.
Os dias nascem e nem percebo.
Não percebo nem a luz.
Tudo que percebo são sutilezas
Coisas de bebê.
Vinícius se mexe e acordo.
Mexe-se dando pernadas,
Fazendo barulhinhos com a boca,
Virando-se de um lado para o outro.
Já sei...
Ele quer mamar.
Acordo a mamãe que o alimenta.
E com os olhos fechados volta a dormir,
De madrugada, às vezes troco a frauda.
É tudo mudou inclusive minha percepção.
Foi muito bom.
Está sendo maravilhoso.
Iremos nos encontrar,
Numa manhã pós chuva,
Manhã de inverno,
Com muitas flores de jitirana,
O milho pendoado,
O vento soprando fruxo,
Siriri cantando,
Iremos comer queijo,
E tapioca no café.
Terá um louro e sherlock.
Todos estarão em casa,
Mamãe berrando,
E todo mundo feliz.
Amem
Após dia de chuva,
Domingo passou
Molhado e úmido
Montei e colei um souvinir,
O dia foi muito longo e agora se vai.
Oitenta anos vividos.
Meu pai viveu por este tempo,
Viveu uma boa vida.
Oitenta anos são cerca de 29.600 dias.
E um câncer o consumiu em 120 dias.
Na equação da vida nada mal,
Mas na equação do coração
Nossa que saudade!
Faz quase quatro meses que se foi e a vida
Perdeu um pouco do brilho.
Mas a vida continua.
O mundo está aí.
Pandemia, isolamento e muita morte.
Melhor voltar no tempo,
No tempo do pensamento.
A realidade está dada, objetiva.
Foram anos bons nossos anos vividos juntos.
Tantos sorrisos,
Um calar, um falar...
O que dizer de uma realidade que sofre metamorfose o tempo inteiro
Que somos parte desta metamorfose,
Nada...
Melhor pensar na caatinga,
Nas estações,
Nas transformações.
E encerrar dizendo que papai
Vive em nós.
Só de lembrar como era rico em fruteiras o nosso sítio dá até uma tristeza.
Eram cajueiros, pinheiras e goiabeiras por todos os lados.
Do nada lendo Clarice Lispector me veio a memória uma pinheira que ficava à sobra de um grande cajueiro perto do barreiro feito para a confecção dos tijolos de nossa casa.
Aquele cajueiro que se juntava com dois outros formando uma agradável copa.
Tinha aquela pinheira e goiabeiras.
Tinha um capim tênue sob eles.
Aquela pinheira de pinhas suculentamente alvas. Quando tava na época era normal ir lá e encontrar pinhas madurinhas.
Então ficava atento as patativas e os sanhaçus.
Quantas vezes não enchi a barriga grande de menino.
Mais pra frente tinha a goiabeira que sempre ia com mamãe e subia pra tirar goiabas e me sentia grande.
Tudo se acabou.
Nossa terra tá aí.
Mas essas secas e falta de água foi matando tudo. Antes a gente mesmo replantava comia aqui e defecava ali. Tava feito a dispersão.
Agora temos muitos catolés.
As nossas lindas palmeiras.
Temos também pinheiras tudo em volta de casa.
Tomara o mato não cubra tudo.
Minhas areias amadas.
Gente a nossa vida muito está ligada a infância.
Não tenho mágoa dos trabalhos manhã cedo.
Era nossa forma de subexistência.
É a nossa história.
Foi nossa fonte de alimento de dinheiro para o básico.
A gente era feliz, pois desconhecia a necessidade.
Hoje a história é outra,
Mas aí que saudades daquela pinheira,
Que saudade.
Ali certa vez achei um ninho de nambu.
Fiquei tão feliz, pois aqueles ovos pareciam pérolas.
Alí fui tantas vezes.
Pensei na vida.
É sério.
O doce macio alvo de uma pinha
Enchendo o bucho,
Trazendo contentamento.
Depois sair em busca de goiaba.
A gente explorava o sítio,
A geladeira nem existia.
Lembro que Chico Neco foi quem inventou
A papai comprar uma geladeira.
Era uma clímax azul.
A gente pra ter as coisas vendia um bicho.
O dinheiro era curto.
Pobre de Begue foi embora tão novo.
Fui mais velho e chorei que só.
Não imaginava que seria assim.
A terra tá lá.
A pinheira só na lembrança.
A noite caiu chuvosa.
Escureceu e nem percebi.
Só percebi o riso de Vinícius,
O cheirinho bom de bebezinho.
Só cuidei dele.
Assim se passam os dias.
Com cuidado.
Olho pela janela o céu nublado. Faz calor.
Minha mente gira feito uma roleta russa.
São muitos os pensamentos e a concentração é mínima.
A roleta gira, gira e gira e não para.
Quando para o tempo exauriu.
Tudo está um caos em desordem.
O mal estar piora.
Calor,
Sono...
Por onde começar.
É muito mais fácil colocar o mundo externo em ordem.
Retratos,
Imagens,
Paisagens...
A brisa refrescou.
Para roleta.
A madrugada é silenciosa e fria,
Só se acorda numa urgência.
Vinícius acorda faminto,
Não fala, mas gira e faz um gemido.
Eu acordo e pego ele e acordo a mãe
Deu ele para ela amamentar.
Penso em papai.
Um cachorro late afobado não muito longe.
Chove suavemente.
Lembro da chuva em minha casa.
Os pingos na bica.
Quanto tempo já não faz que não contemplo este fenômeno.
Sinto repentinamente saudades de casa.
Esta prisão do vírus.
Chove lá fora.
Vou trocar Vinícius
Que a manhã está chegando.
Sexta-feira dia bom. Ótimo sem pandemia. Saudades dos encontros com os colegas, de ir para o trabalho. E voltar no fim da tarde. Todavia a mais de um ano estamos nesta. Sem almoçar com os amigos. Só casa e super mercado. Uma rotina longa. Não conseguimos distinguir os dias. Só sentimos cansaço.
Estou desaprendendo a ouvir os pássaros,
Estou aprendendo a amar um pequeno ser.
Estou desaprendendo a caminhar de madrugada,
Estou aprendendo a observar um pequeno ser,
Estou desaprendendo tanta coisa,
Estou aprendendo tanta coisa,
É uma revolução,
Sinto gratificante trocar uma fralda,
Pegar o termo bebê,
Quando vejo que sorrir,
Meu ser explode de alegria,
Sorriso banguelo
O mais perfeito,
Ingênuo,
Doce,
E puro.
Não desaprenderei de ouvir os pássaros,
Ensinarei como se ouve a natureza e a vida.
O vazio ao meu redor,
Uma infância silenciosa,
O mundo objetivo ai,
Mudo.
Meu mundo subjetivo.
Mudo.
Tudo estava ai dado.
Rochas, solos, plantas, flores, frutos.
Agricultura, pecuária, cozinhar e trabalhar.
A linguagem muda.
O que ouvia?
Não havia literatura, arte, ciência.
Era a vida crua,
A vida crua requer muito das pessoas,
Os estímulos o que nos envolve pode ser qualquer coisa,
Sortudo fui tive amor.
O lugar nu se mostrava,
Mas não tinha olhos para ver,
O lugar cozido se oferecia a uma refeição, mas a boca não era usada.
O início era o princípio mesmo,
Sabe um caderno, um lápis e uma borracha num saquinho de macarrão.
Todos éramos assim,
Isso...
Este reflexo da falta de recurso.
Este era o nosso retrato,
Essa era minha comunidade,
Minha realidade,
A vida crua,
A vida nua,
Mas a natureza diretamente nos ajudava,
E o trabalho nos fortificava,
Triste quem nem a natureza pode recorrer,
Triste quem vive a fome,
São as realidades deste mundo,
Com pessoas injustas,
Triste forma de ser,
Uns com mais outros com menos,
Sempre querendo,
Não foi fácil,
Porque ficamos com muitas marcas,
O importante é que deu certo,
Vem dando certo.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...