16/03/20

9. Aprender

A tarde fui ao campo.
O campo sempre reserva surpresas.
E com uma câmera na mão não tem como ser diferente.
Fiz fotos de flores de mamão.
Depois fotografei uma miloma que para minha alegria estava em flor e fruto.
Aí fui fotografar uma Timnadenia.
Acabei fotografando uma aristolochia,
Uma myrcia.
Ganhei o dia.
Literalmente!
A gente expande o universo
E o campo se mostra tão grande.
E a gente acaba sempre aprendendo.

8. Caos

A manhã nublada tounou a tarde agradável.
Até fui fotografar,  
Vi uma abelha verde metálico, mas não consegui fotografar.
Dispareci, desse mundo que só fala de corona vírus.
Então, trabalhei com Salicaceae.
E foi isso.

15/03/20

7. Nietzsche

Ler Nietzsche é algo excelente.
Tantos pensamentos e idéias compartilha
Conosco.
A gente fica a pensar por dias.
E de imaginar que viveu entre os anos 1844 e 1900 é algo surpreende.
Meus avós que nasceram após 1900, eram tão conservadores.
É uma pena pois poderiam terem sido outras pessoas.
Incrível é saber que ainda hoje tem pessoas que nunca o leu.
Enfim, assim construimos quem desejamos ser.
Com ou sem Nietzsche.

6. Fim de texto

Hoje terminei de ler o primeiro livro de Eduardo Galeano.
Um dos melhores que li.
Textos curtos e geniais.
Já sabia de sua genialidade,
Mas não tinha contemplado sua obra.
Então, comprei em dezembro para ler
Lá em casa na minha rede.
Mas achei tão bom que fui degustado aos poucos.
Então, pesquisei no Youtube,
Sobre o autor e descobri tantas frases geniais por ele escrita e lida.
De forma que o fim de semana foi sensacional.

Insônia

No silêncio da noite,
Nossos pensamentos  são altos.
As vezes nos incomoda e não nos deixa dormir.
Nos viramos de um lado para o outro.
E quando percebemos adormecemos.

5. Alma-de-gato

Era domingo, havia ido visitar vô Sinhá e vô José.
Eles já eram idosos.
Vovó criava galinhas.
Dai, meu primo chegou dizendo que tinha visto um furão. Furões comem ovos e pintos.
Saímos a sua procura, mas não encontramos nada.
Daí, vi pela primeira vez uma alma de gato.
Era uma ave longa e laranja.
Não voava, plantava e saltava de um ramo para o outro.
Era quase meio dia.
Hoje sei que se chama Piaya cayana.
Naquele tempo tinham corridas de fórmula 1 e Sena era a sensação.

14/03/20

05. Ritimos

No sitio tudo é silêncio de gente,
Quando não alguém conversa alto,
Meu tio que se foi era conversador
Que dava gosto e de longe já se sabia que
Estava nos visitando.
Então, nesse silêncio a gente passa a identificar os padrões ou timbre das coisas.
Distinguimos os diversos timbres.
É assim nos orientamos.
Passamos a conhecer as aves pelos sons.
Na madrugada canta o galo de campina e o bem ti vi.
Quando é manhã canta o sabiá, a rolinha.
As 9h cantam casaca de couro, o lourinho, o papacu.
A tarde quem canta é João de barro, a tardinha a nambu.
A noite o bacurau e a mãe da lua e a coruja.
Essa bicharada toda nos faz sentir bem.

4. Rotina

Na rotina prevemos o que vai acontecer,
Sentimos os cheiros e os gostos, ouvimos os sons.
Vemos as coisas acontecerem.
Na rotina, somos estáveis.
Somos acostumados a tudo dar certo,
Desenvolvemos hábitos,
Mas aí.
É triste quando uma rotina é quebrada abruptamente.
Uma doença, um acidente ou a morte.
Não dá para viver seguro o tempo todo.
Com a rotina a gente envelhece sem perceber
E qualquer dia a rotina nos mata.

3. Manhã

Deitado nesta manhã de sábado,
Ouço o chiado da neblina neblinando.
Ouço também um roxinó catando
E os passos de Dayane dos quartos para a sala e a cozinha.
Faz um tempo fresco.
Ontem, fomos ao cinema e vimos o homem invisível.
Hoje vou ler ou mexer nos meus arquivos
E vai passando os dias com seus significados.
Talvez Nietzsche me ajude a organizar as ideias.
Mas deixa pra lá,
Vou curtir a manhã que passa.

13/03/20

2. Tarde

A tarde nublada e úmida estava tão agradável
Quando voltava pra casa pela avenida do contorno.
Pedalando devagar pude perceber as grandes cajazeiras jovens crescendo.
As anacardiaceas de flores brilhosas vão crescendo e me vendo passar todas as tardes.
Hoje é mais uma sexta, mais um dia.

12/03/20

Prazeroso

Após um dia de chuva
À noite nasceu enluarada.
A chuva refrigerou o dia
E noite veio tão gostosa.
Os carros e cães estão distantes
Chega dar para ouvir
Os grilos cantarem,
Após uma janta bem servida
Logo sonharei alguns sonhos.
É mesmo gratificante a noite
Após um prazeroso dia.

1. Fusão

Madrugada úmida,
Manhã chuvosa,
As ruas calçadas com pedras irregulares,
Paralelepípedos de gnaise ou xisto!
As passadas são desalinhadas, ásperas.
E o pensamento no mundo ideal,
O que dificulta as funções do corpo.
Deixe está.
A caminhada segue como a aurora no céu.
A lua envolta em nuvens,
O calor sob a luz amarela é desagradável,
Mais desagradável é a gripe quando vem.
Nem imaginamos que esses são nossos elementos,
Que essa é a nossa totalidade,
Uma singularidade impressionante,
Dependente de nossos humores para nos fazer bem.

11/03/20

Cotidiano

 O dia passou rápido,
Eram tantas coisas para se fazer,
Desde o amanhecer até agora,
Vi a lua de madrugada, na sombra do oiti cantar um bem-ti-vi,
Vi a aurora e senti sua brisa,
Senti o gosto do café da manhã,
E fiz o que achei que estava certo.
Caiu a manhã entre aula
E a tarde entre aula,
Sequer sobrou tempo para pensar,
Mas aqui estou com Nietzsche na mão,
Gaia ciência.
Tô aqui tentando relaxar,
Amanhã tem tudo novamente.

10/03/20

Intimidade

A intimidade que temos com coisas
É criada com a proximidade,
Com o tempo que passamos com estas.
A intimidade que mais me encanta
É aquela que faz sentir bem
Como quando faço uma boa leitura,
Uma boa música,
Uma boa alimentação,
É assim que vai se tornando quem somos.

09/03/20

Coisas simples

Rotinas vem e vão.
Já tive várias rotinas.
Entre todas a que mais me agradava era ir a escola.
Sério. Sempre gostei de aprender.
Queria aprender sobre tudo.
Entender, fazer, realizar e ser.
Ir e vir,
Acordar e levantar e fazer,
Fazer as coisas acontecerem,
Fazer as coisas para sobreviver,
Ganhar o pão,
Nem sei como tudo aconteceu até aqui.
Talvez por causa do cuidado.
As coisas sempre foram o que teriam de ser,
Coisas naturais e simples.
A vida.

Levar

Que levo da vida se partir agora?
Nada!
Absolutamente, nada.
Será se há alguma semelhança com um computador que ao tirar o plugue da tomada tudo se tudo se acaba?
Não encontro respostas só mais dúvidas.
Mas o que fazemos tem consequências na vida do outro.
Agora ouço Chopin e é uma noite plenilúnea.
Se Chopin não tivesse composto essa bela música, na certa estaria acontecendo outra coisa neste ambiente.
Estou escrevendo no leptop que alguém fez...
O que posso fazer para melhorar a vida do próximo?
Certamente ninguém pensa nisso ao fazer as coisas, simplesmente fazem.
Buscam entender o universo circunspecto.
Levo minhas memórias, meu entender, meu saber...
Coisas boas.

Reminiscências plenilúneas

A noite está enluarada,
Noites assim são cheias de memórias
De um passado distante.
Agora, percebi que vou passando pela vida.
A cada lua cheia um mês a mais vivido.
Plenilúneas noites vividas
Em Serrinha dos Pintos, Natal, São Paulo, Campinas, Brasília e aqui onde me encontro
A quase sete anos.
São tantos lugares e fatos.
Tenho um carinho especial pelos anos que morei em Natal.
A lua cheia aparecendo no parque das Dunas,
Após a janta no RU.
A idade jovem e nem imaginava que era.
Tamar, Anderson, Gilsão e Erivaldo no 14 da Campus I foram grandes companheiro e me deram maravilhosas companhias.
Hoje, agora vejo que tudo passa e muito rápido.

Vovó

Ontem, à noite, domingo, oito de março, 2020, antes de dormir, pensei tanto em vó Sinhá.
Que forte que são minhas memórias dela.
Mês passado fez 13 anos de sua partida, no entanto suas memórias minhas são tão vivas.
Então, estava pensando nela.
Onde estará sua essência, sua alma, suas memórias?
Então, achei, bem deve está comigo aqui e agora.
É sempre bom pensar em pessoas amadas.
Vovó era como inverno, vinha todos os anos no verão
Passar um tempo com a gente, já que a serra era mais fria que o sertão.
Então tinha oportunidade de contemplá-la.
Conversávamos ou ouvia ela conversando com mamãe, papai ou as meninas.
O tempo passou rápido, mas foi maravilhoso.
Era maravilhosa sua voz, seu corpo idoso, cabelos gris,
Vestidinhos de renda.
Só quem tem vó entende.

08/03/20

Graças

Os pluviômetros registraram a grande chuva que caiu em Serrinha do Canto.
Foram 170 mm de água. Um marco impressionante para nossa região.
Os córregos e açudes estão todas cheios.
Graças a Deus.
Nem precisamos recorrer a São José no próximo 19 de março.
A lavora tá viçosa.
Roberto até comprou um bacorim.
Sherlock nosso amado cão está alvo como coco.
E o lorinho tá tão esperto.
Que tempo especial.

Galeano, E.

Alguns escritores nos faz sentir vontade de escrever. Borges por exemplo.
Eduardo Galeano, poeta uruguaio,
Só conhecia de nome, mas em dezembro do ano passado, 2019, adquirir o livro dos abraços.
Nunca tinha degustado algo tão bom.
Estou lendo aos poucos para não terminar logo.
Talvez releia tudo novamente.
Textos curtos e deliciosos.
As vezes me surpreende quando fala de nós brasileiros.
Sensação já sentida nos textos de Borges.
E assim passamos a amar mais a literatura latina.

07/03/20

Ideias e construção

Existe um mistério por trás das coisas?
Há quem afirme que sim e quem diga que não.
Não sei se sim ou se não,
Mas adoramos a atmosfera por trás dos mistérios.
O tempo e os acontecimentos de cada um.
As descobertas particulares, únicas e intransferíveis.
Particularmente, adoro descobrir coisas
Como fiquei feliz quando descobri as regras de acentuação ortográfica,
Ou quando colocar virgula numa frase.
Acho que sou adepto das regras,
Quando leio o oposto na filosofia.
Sei lá, mas certa vez lá em casa tinha uma coleção velha de inglês,
Lembro que fiquei muito feliz em decorar aquelas frases,
As coisas pareciam fazer sentido.
As coisas criadas são fáceis de serem compreendidas.
Lembro que fiquei feliz ao ler um romance,
Foi a professora Marta que nos pediu uma atividade.
Lembro que li "O cortiço" de Aluízio Azevedo.
Um escritor do romantismo que nasceu no Maranhão.
Como os escritores são fabulosos por criarem ou transcreverem a realidade.
Adoro a ideia de memorizar, coisa permitida pela ordem.
Cheguei a memorizar a tabela periódica por família e peso atômico.
Eu pensei que podia qualquer coisa ao ler um livro de filosofia.
Como essa empreitada tem tomado minha vida.
Já flertava com esses autores ou filósofos desde que entrei na UFRN no ano 2000.
Tentei ler Kant, Hegel... não consegui.
Quando tive um surto, em 2006, consegui ler Santo Agostinho, adorei.
Naquele ano Li Borges em espanhol, mas foi apenas um delírio,
Não ficou uma palavra do texto apenas o nome do autor.
Falando de coisas, bem quem mais me orientou sobre tal tema foi Fernando Pessoa,
Mas no sentido de desconstruir tudo.
Certo dia, quando estava na faculdade e flertava com a botânica,
Descobri um princípio de ordem na morfologia,
Acho que descobri a botânica. Eureka!
Eu, estava na lateral da reitoria e percebi que Heliotropium tinha inflorescência escorpioide.
A espécie que hoje tá no gênero Euploca polyphylla, me fez perceber que esse tipo de inflorescência era comum a família Boraginaceae.
Temos aqui um início a uma grande jornada,
A jornada de um botânico.
Foi Iracema Loiola minha mentora.
Olhando e buscando um sentido no mundo,
Só, distante de pais e irmãos.
Descobri a importância da amizade.
O sol quente,
O solo arenoso,
As noites mau dormidas,
Os banheiros despudorados,
A comida do RU,
O telefone fixo, com ligações de fins de semana.
A algaroba e a carolina,
O orelhão,
Os livros,
A biologia,
A sujeira,
A roupa a ser lavada nos sábados.
A complexidade da vida,
A responsabilidade,
Os acertos e erros.
Quarenta anos,
As gripes, dores de barriga,
As luas cheias,
Os olhares de esperança.
As peculiaridades da vida,
Por assim dizer vividas.

05/03/20

Adversidades

Aqui faz muito calor,
É João Pessoa é muito quente,
E ao meio dia o sol racha no céu,
Quando não cai o maior toró,
Chuva paca.
E assim a gente aprende a viver nos lugares.
Com as adversidades físicas.

Pássaro

Às vezes queria ser uma ave,
Um pássaro,
Poder voar,
Poder cantar,
Poder comer,
Ter pluma brilhosas,
Não pensar,
Só ser.

Oração

Cada dia que vem que nos traga energia,
Paciência com as coisas,
Paciência com nós mesmos.
Que aceitemos as coisas como são,
E busque melhorar o que não está bem.
Que aprendamos a pensar,
Solucionar nossos problemas,
Para nos manter vivos.
Amém.

29/02/20

Santificado

Os ramos armados e intrincados, duros.
Quando cai a chuva desabrocha em flores,
Flores que preenchem espigas,
Flores alvas, prateadas e perfumadas,
Flores efêmeras,
No juremal um momento pleno,
Dá significado a todo o longo tempo de sequidão,
De chão duro em torrão.
Um momento que tudo compensa,
Efêmera existência.

Sentido

Os tortos ramos armados e escuros
De fundo um cinza cor de nuvem,
Saltita um passarinho caçando insetos,
Em busca de preencher
O que penso faltar,
Vou clicando,
E nada sobrenatural encontro,
Pois o real é o real,
Intrincada, armada,
Simples como é,
Essa minha realidade,
Que me dar sentido.

Fotografia

A fotografia me permitiu ver além do que vejo.
Quando faço um registro, consigo rever uma cena, uma estrutura, uma paisagem.
E quando nada me preenche, quando me angustio e não sei o que pensar,
Saio com uma câmara na mão para ver o mundo
E vou fotografando até me esquecer de tudo.
Então volto pra casa e posso me suportar mais um pouco.
E assim, passam os dias, os meses e os anos.
Certas coisas podem ser percebidas com nitidez,
Mas nem tudo.

Amanhã

É certo que nem sempre estareis aqui.
Hoje pode ser o último dia.
Ontem é passado.
O que te angustia agora não é eterno.
Calma, são memórias aflorando.
Se nada parece fazer sentido,
Esta sensação passará.
A beleza virá.
Como a semente que germinará,
A planta crescerá.
Amanhã quem sabe.

Vai passar

Paciência com o corpo e com a vida.
Se nada te alegra ou te espanta.
Se faz calor demais,
Se a mente está vazia,
Se rejeitas qualquer coisa,
Se a comida não tem sabor,
Se tudo desagradas,
Se até as imagens te gera desconforto.
Tudo é passageiro.
Quantos dias bons não viveu,
Vai passar,
Vai passar.

26/02/20

Antecipação

Antes de uma apresentação a gente fica apreensivo,
Até que passemos a primeira marcha,
Então, já sabemos como será o andamento do resto.

Virose

Após uma virose a gente se sente fraco,
Sem ânimo, sem perspectiva,
Nem mesmo boas notícias nos anima,
Nem dinheiro,
Nem sorvete,
Esperança é o que resta.

22/02/20

Incomodo

À noite tive febre e dor de garganta e calar frio.
Como foi longa e a impressão que ficou é que estou me sentindo internamente.
Não consegui me concentrar.
Queria o calor para me curar,
Mas uma infecção não passa instantaneamente,
Levantei-me e tomei o café com tapioca dos sábados.
Ouvi uma entrevista de Borges,
Estou ouvindo Copin,
Porém não queria fazer nada,
Incomoda-me um molar,
Incomoda-me a existência,
O calor...
Tudo vai passar. 

21/02/20

Euforia

A suavidade de uma manhã pós chuva,
A luz cristalina refletindo nas folhas molhadas,
O solo molhado, o cheiro das folhas e fungos,
O canto do rochinol, do sanhaçu,
Um bom livro,
Uma música agradável.

20/02/20

Coisas naturais

Um dos melhores Campus em questão de ambientes que conheço é o da UFPB.
Com 11 fragmentos de mata o contato com a natureza é inevitável.
Uma mata com composição de floresta atlântica com arvores de 30 metros.
As árvores com maior porte são a munguba e o pterocarpus, no entanto, a espécie com maior abundância é o pau-pombo uma espécie que produz frutos muito apreciados pelos pássaros. 
No geral, as espécies arbóreas no campos apresenta uma densidade baixa, sendo portanto raras na área como a peroba, a maçaranduba e a sapucaia. A mata é muito rica em cipós e quase não apresenta epífitas.
Na maior parte essas árvores prestam um serviço essencial para o embelezamento do campos, pois além de refrigerar o microclima local, fazem sombra que permite caminhar com mair conforto pelos ambientes e são fonte de moradia e alimento para aves principalmente passareniformes e mamíferos como o bicho-preguiça. De maneira que quando atentos ao chegarmos no campos podemos ouvir o canto de inúmeras aves tanto em dias de sol quanto em dias de chuva ou nublados.
Hoje como está nublado, quando fui amarrar minha bicicleta pude ouvir o canto sonoro de três sabiá.
Acho que não há pássaro mais brasileiro que o sabiá que canta de sul a norte, nas matas exuberantes da amazônia, nas matas riquíssimas da floresta atlântica, mas matas retorcidas do cerrado e nas matas secas da caatinga, de forma que do gaúcho, ao caipira, ao matuto, ao litorâneo, ao amazônino, todos reconhecem o canto do sabiá.
E nós matutos amamos essa beleza poética natural que a floresta em pé promove.
E a gente fica feliz e orgulhoso com esse presente de Deus.
Nós do Campus valorizamos muito isso, as coisas naturais.

17/02/20

Onde existi

O chão de solo seco coberto de garranchos e folhas secas.
Marmeleiros incensados, mimosas armadas,
Aroeira esgalhada,
Catolés brilhantes,
Nesse chão que deita o fruto,
Nasce também morre,
Nesse chão que furei meu pé,
Plantei a semente que me alimentou,
Semente de milho, feijão, jerimum, melancia.
E por acaso a biologia ajudou com pinheiras,
Cajueiros, goiabeiras, cirigueleiras.
Está tudo concentrado aqui,
Minha vida inteira, minha existência,
Minha percepção,
As belezas que conheço brotaram aqui,
Cantos de aves, beleza e doçura da fruta,
Perfume da flor,
E tantas coisas mais,
Quando deixar de existir,
Quero que saibam que aqui fui feliz,
Aqui vivi,
Nessa baixa de Serrinha do Canto.

15/02/20

Inconcluso

No nordeste brasileiro podemos encontrar inúmeros lugares embora com características físicas iguais, àquele sertões povoou e povoam muitas histórias. Sou Rubens Queiroz de um destes lugares onde a maior parte do tempo o solo está seco, as rochas estão a amostra e a vegetação está nua. A paisagem é cinzenta e garranchenta. Na maior parte do tempo a água é um recurso escasso. Foi economizando que aprendemos a sobreviver nesse mundo peculiar. Tem dias que é tão quente que não temos vontade de sair de casa. Um banho de cuia, uma rede e um prato de comida são os melhores confortos. Ali as manhãs são seguidas de canto de aves e as tardes de maravilhosos crepúsculos. Já não temos mais o costume de contemplar o céu e conversar. Nossos hábitos noturnos foram substituídos pela televisão. Essa tecnologia mudou muito a forma de entender o mundo.

14/02/20

Consciência ecobotanicobiológica

A vida nos encanta com suas formas, suas cores e movimentos.
Também nos encanta o suporte para a vida os objetos, as rochas e as paisagens.
Particularmente sou encantado com as rochas, mais do que as paisagens.
Embora seja botânico e ame as plantas.
Acho que tudo isso tão poético...
De uma certa forma a biologia é poética,
Acho que no geral, coisas para além do universo da experiência é tão inerte.
Se não fosse a práxis, acho que nada de referencial bibliográfico teria valor.
Afinal quem ler as coisas botânicas que a ciência produz com prazer?
Tenho medidas, tenho formas, distribuição e filogenia!
Que me interessa isto?
Acho que me interessa mais um quadro de girassóis de Gogh.
Acho que interessa mais a poesia musicada sobre o sertão e suas plantas escrita e cantada por Gonzaga.
Acho que interessa mais quais flores florescem no jardim.
Sim, interessa-me ver uma semente germinada,
Ver uma erva, arbusto ou árvore florida,
Acho que me interessa os odores...
Coisas que vejo e conheço por ser botânico.
Não interessa o que publico, coisas que só entendo e nem sei porque entendo.
A beleza está na realidade real,
E não na realidade objetiva que construo.
Quando escolhi a Biologia talvez não tenha escolhido a biologia,
A práxis me ensinou a amar a biologia,
Quando descobri que os matos que cresciam na roça de papai eram biologia,
E botânica e zoologia com os bichos, particularmente os insetos,
As interações ecológicas.
Agora tudo isso me alimenta,
Sou feliz com isso,
Enquanto me fizer satisfeito.

Memórias

A certeza que nada volta atrás,
O tempo é o presente,
Seguimos sempre em frente,
Hoje pode, assim como o agora pode ser o fim,
Não devemos gerar expectativa,
Visto que as coisas são como são
E não entendemos isso.
São muitos os porquês,
Só a experiência nos explicará,
O tempo é curto para picuinhas,
É preciso aprender a valorizar o que realmente importa,
Pois tudo é passageiro,
Aqui tudo é ilusão.

13/02/20

Viagem

A estrada não estava poeirenta, mas sim lamacenta.
A lama vermelha, água marrom,
E a vegetação verde florindo,
As águas de janeiro escorrendo,
As pessoas felizes...
Idosos, homens e crianças felizes.
A mudança esta sempre acontecendo no mundo,
Uns partindo e outros chegando,
Alguns no meio do caminho,
Nos encontramos em algum ponto,
Estamos sempre seguindo em frente,
Tentando entender o incompreensível.
E a vida segue assim,
Indo para o Boqueirão da Onça.

12/02/20

Guardado na alma

Na Bahia tudo tem.
São tantas belezas e riquezas naturais.
Tem todo tipo de vegetação,
Flores de todas as cores,
Formações as mais diversas,
Conheci o Brejo Brásida,
Um lugar perdido no município de Sento Sé,
Fica no boqueirão da Onça,
Tem gente simples, humilde e educada,
Que cria bode para viver,
Tem roças de doces bananas,
E coco a valer,
Recentemente, janeiro de 2020, este ano estive lá,
Foi tão rápido, mas deu para rever e conversar com os amigos,
Mariluce, Leleco, Seu Chilico, Evilázio, Guinho...
Vi os quintais produtivos
E pude tomar banho na fonte termal à tarde inteira,
A água sempre morna toda a tarde,
Até o só sumir entre as gameleiras gigantes,
No alto de um coqueiro
Cantava uma graúna,
Era um canto tão belo,
Era um canto de bom dia,
Um canto de despedida do dia e do sol,
Tudo ficou guardado na minha alma,
A paz, a conversa boa, a paisagem e a água quente da fonte.

10/02/20

Metafísica

O tempo,
A matéria,
A mente,
Energia.
Que magia estarmos vivos,
Consumindo para sobreviver,
Enquanto puder e der,
Assusta isso não?

09/02/20

Consumir

Música, poesia, contos, romances e quantos gêneros mais precisamos para entender e nos humanizarmos neste mundo materialista.
Até quando continuaremos trabalhando a matéria para saciarmos nossos desejos. Bem melhor diria para saciar o desejo dos muito poucos que dominam o mundo?
Enquanto alguns não tem o que comer outros tão perdulários voando em jatos particulares.
Como nos livrar dessa indústria que chega até nós através dos celulares, televisores e sabe lá que mais outros tipos de mídia.
Nos identificamos tanto com o desejo de consumir, de ter conforto, de poder que vamos acumulando vestimentas, carros, casas, prédios... Como queremos mudar nosso padrão sempre querendo mais.
Com tantas coisas a serem consumidas, realmente consumimos o que temos ou o que almejamos ter?
Creio que não! parece que tudo é uma absurda ilusão.
Sento-me numa cadeira e ao abrir um livro posso consumir uma poesia, contos e romances e até me deliciar com uma boa música.
O resto é só lixo com prazo de validade.

06/02/20

Vetor

Atravessamos esta jornada chamada vida e muitas vezes não aprendemos nada.
Continuamente vamos cometendo os mesmos erros.
Ontem, hoje e amanhã talvez.
Estamos conscientes disto?
Estamos conscientes de que hoje pode ser nosso fim?
Não aprendemos com as filosofias, mas com a experiências que cada um tem.
As filosofias até nos dão um sentido, mas aprender mesmo só na práxis.
Algum dia, se tivermos sorte, aprenderemos.
Até lá vamos tateando isso que conhecemos como existência.

19/01/20

Férias

Hoje se encerra minhas férias em Serrinha com meus pais.
Foram maravilhosas teve tanta coisa boa,
Day, Mamãe,  papai, Li, Meire, Pedro,  Laura, Gil, Sherlock,
Boris, Romeu,  belinha e todas aves.
Tiveram as manhãs farta de café e lanches,
Os almoços saborosos,
As sestas da tarde,
As caminhadas até a ladeira das vertentes,
As jantar e depois as novelas,
E as noites tranquilas,
Tiveram três chuvas uma noite de ano e mais duas nos dias 3 jane ironia,
Tiveram os livros lidos, A ideologia alemã, Pedro gerem isso I e II, gostar de ler,
Os chakras, antes de morrer,  Uma introdução  aos vedas, poder da mente, gramschi.
As palestras ouvidas sobre marx de José Paulo Neto, Alison Macaro, Sergio de Lessa,  Arlene Clemeche, Rui Braga,
Palestra sobre Sartre por Pedro Bartolim,
O que é filosofia com Cirne Lima,
Tiveram também saídas para fotografar,  passear com  sherlock,
Os textos escritos
E a liberdade  do celular,
Balanço com saldo positivo.
Obrigado Brama. 

18/01/20

Presente

A vegetação caatinga
Enramada,
O sol,
A luz,
Um parque de água,
Um dia distinto,
De risos,
De gritos,
De alegria,
De emoção,
Nossos reunidos,
Pará fechar as férias,
O momento,
Para ficar para a história,
Para contar para quem virá
Nossas geração futura.

17/01/20

É isso

Enfim, 
O mês rapidamente se passa,
E uma rotina maravilhosa chega ao fim,
Acordar e ler e levantar para tomar o café, 
Sair para passear com o cachorro sherlock, 
Pensar em tudo e em nada,
Tomar um banho 
E comer jaca ou Manga,
Deitar na rede e ler,
Depois almoçar, 
Deitar na rede e sair pra caminhar,
Depois ver novela, 
E deitar e dormir em paz,
Sempre pressa pelo amanhã. 
Foi maravilhosa tais férias 

16/01/20

Passageiro

Tudo muda incessantemente,
As coisas,
As paisagens,
As pessoas,
Muda num movimento chamado envelhecimento,
As vezes se quer se percebe
E quando a consciência chega a vida passou,
Essa existência imperceptível,
Nossos sentidos,
Vontade,
 Desejo,
Paixão.
Em meio à tudo isso,
Nós existindo!
Cá, onde cresci estou.
Pensando,  lendo, sendo,
Amanhã nada serei,
Um vento passageiro.

Existência

Hoje, aqui estou!
Amanhã, já não sei,
Chegará o momento que esses versos continuarão sendo,
Eu  não,
Deixarei de existir,
Perderei este corpo,
Essa matéria.
Agora que lê,
Conversas com  minha mente,
Meu corpo já se foi,
Quem fui eu?
Agora não mais uma incógnita.
Amei ler, principalmente contos de Borges,
Poemas de Pessoa,
Música de Mozart,
Pintura de Gogh,
Filosofia de Platão,  Marx, Sartre e Deleuse .
Meu gosto pelo simples como cantora das aves,
Conhecer os minerais,
A geografia e geomorfologia.
A botânica é minha substância
E com  ela experimento ensinar a ensinar,
Tudo é passa tempo,
Nessa breve existencia chamada vida.

15/01/20

Canto

Amanheceu,
Há um aroma de parece ter chovido,
Um bando de lorinhos cantando
Feito uma rede de pisca-pisca,
Foi rápido, mas bonito de se ver
Essa expressão ou manifestação,
Os pacuns cantam de um lado,
A fogo-pagou de outro.

14/01/20

Passagem

Após as chuvas,
A mata toda enramou,
As catingueiras mais verdinhas,
Os angicos de folhas miudinhas,
As aroeiras árvores copadas,
A erva ainda em porte de babuge.
Tudo verde esperança,
Mas o céu limpo azul celeste voltou a governar,
As rolinhas a cantar,
Toda a natureza a aguardar a chuva,
E o chão feito uma luva.
Lá se vai mais um janeiro. 

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh