22/01/14

Pressão

Às vezes somos tomados por um vazio que nos impede de pensar.
Este vazio seria refente ao cansaço mental ou a pressão que o mundo exerce sobre nós?
Este vazio, parece ser a ausência de capacidade de se concentrar em determinada coisa fugindo assim daquela ideia que nos consome. Seria então a pressão?
Diariamente, somos bombardeados pelos meios de comunicação que mostram pessoas vencedoras, pessoas lindas, pessoas alegres, pessoas felizes, pessoas com um ótimo emprego, pessoas que consomem as melhores roupas, que vão aos melhores salões, que são cultas e inteligentes...
Ou seja o padrão que nos espelhamos é um padrão que não condiz com a nossa realidade.
Então nos lançamos em direção a este ideal, em busca de todas as qualidades, em busca deste ubermam, de maneira que não conseguimos respeitar nossos limites. E somos consumidos por tal espirito do tempo, e nos tornamos vazios, cheios de pressão, cheios de medo.
E parece que não encontramos uma solução para isto, na religião, na medicina, na psiquiatria em lugar algum.
A busca pela felicidade que é a mensagem ai imbuída, um ideal utilitarista nos impede de vivermos,
de sermos e de nos afirmamos como seres capazes e capacitados a exercer nossas funções como seres humanos.
Haveremos de neste momentos, como dizia Pessoa, nos atermos aos nossos sentidos, sentir o mundo em si, pensar a vida em sim, nos percebemos como animais, como seres... E quem sabe assim, assumindo a prioridade do viver em si, não estejamos livres do cansaço mental. 

21/01/14

Alma, tempo e vida

A hora que se passa no relógio,
O sangue que segue entre artérias e veias,
A luz que acende o olhar,
A brisa soprada do mar,
A música decifrada das notas,
A intuição a guiar nossas ações...
Nosso ser nossa constituição,
Nossos impulsos e desejos e reflexos,
O eterno vir a ser,
O desejo de melhorar,
O tempo a nos consumir,
O sangue a nos alimentar,
Entre nossa hora primeira
E nossa hora última nosso movimento,
Nossa história, este eterno devir,
Que se precipita na morte,
Mas enquanto ela não chega,
Viva de maneira cada vez melhor,
Aceitando a hora,
O rios que correm em seu corpo
E que aquece sua alma...

Sonho pueril

Um menino sonhou,
E o seu sonho o alimentou,
Alimentou e nutriu seu espirito.
E seu espirito desabrochou,
E a vida seguiu como segue para todos,
E espectador de sua vida, aquele menino cresceu,
Muitas vezes como figurante de sua vida,
Só em seus sonhos era protagonista,
Por isso aquele menino nunca tomou posse de sua vida,
Mas fez de tudo para existir,
E não aprendeu a tomar as rédeas da vida,
Mas percebeu que sonhar era o norte que guiaria sua vida,
Teve fé, teve disciplina, no entanto certas coisas são independentes de seu ser...
Sonha querido menino, sonha que é noite profunda,
Dorme e sonha,
Só em sonho se é plenamente feliz.

Oculto, mas não silêncioso

Distantes,
Não posso mais sentir o teu olhar,
Nem ouvir a tua agradável voz,
Está tão distante e se distancia cada vez mais,
Para longe de mim, para longe de meu ser,
Não esperei que fosse assim,
Não achei que fosse tão ruim.
Hoje converso com a noite,
E a noite parece está sempre triste e só.
A partir de agora, vou escrever uma nova história,
Mas as conchas de tudo que voce deixou,
Levarei como tesouro que me destes,
Cada concha, e as pérolas que nos produzimos,
Tudo agora são memórias, doces memórias,
E me pergunto onde nos perdemos,
Porque sei onde nos encontramos,
E nosso encontro foi tão lindo,
Tão pueril e por isso houve um rompimento,
E agora sinto a noite, o silêncio da noite,
Porque talvez buscasse isso e quisesse isto,
A vida é pragmática,
Devemos então seguirmos em frente,
Partimos para uma nova história,
Escrevermos um novo livro,
Confesso que com o passar do tempo,
Os casos de paixão ou a promessa de amor passa a ser ilusão.
O ceticismo nos toma por razão...
E o que tenho são memórias e medo e a certeza
do meu fim.

Silêncio noturno

A noite silenciosa de luz,
O som intermitente de insetos, grilos
De frequência semelhante ao pulsar das estrelas.
O apito do guarda,
Vozes indecifráveis,
Latido dos cães,
O som distante do deslocar de carros,
Ouço a voz da noite,
Sinto a brisa da noite.
Como voce percebe a noite?
Noite de um dia de semana,
Voce que está na labuta
Ou que descansa,
E os grilos continuam cantando noite a dentro.
Sem que entenda significado algum,
O cansaço de meu corpo, quiçá de minha alma,
Só percebe o silêncio da luz e ausência lunar.

http://www.youtube.com/watch?v=ikBD3DcSGFM

20/01/14

Exemplos humanos

Borges meu querido Borges,
Jorge Luis Borges,
Sua vida, sua obra,
Contos, poemas, ensaios...
Tanta coisa o caracteriza,
Sua vida foi uma obra,
Sua vida uma batalha,
Enfrentou a cegueira com energia
E profunda sabedoria,
E sua vida continuou,
Foi ali, no escuro de seu corpo
Que o brilho veio a sua vida,
Sofreu, sofreu com o amor,
Com a dor da perda...
E no final da vida um câncer enfrentou,
Um câncer o consumiu,
Consumiu seu figado,
Consumiu sua vida,
Seus pensamentos, Sua obra,
Seu exemplo...
Encantam-me a força e a disposição com a qual enfrentou a vida.
Ao ler sua biografia,
Ao ler sua obra,
Tenho a sensação da universalidade humana,
Embora possa ser um ser de extrema brutalidade,
É capaz de universalizar-se em sua obra...
Que o diga aqueles que me fizeram enxergar além dos meus sentidos,
Gogh que ampliou minha maneira de perceber as cores,
Mozart ampliou minha maneira de ouvir a música,
Sócrates que me ensinou a questionar,
Nietzsche a me ater aos pequenos aforismos...
Borges me alegrou ao tentar escrever,
E tantas outras coisas me fizeram avistar a razão...
Kant com sua BOA Vontade,
Gilsão com suas leituras reflexivas e simples...
Aprendo tanto com a vida,
E com pessoas vivas e com pessoas imortalizadas por sua obra,
Francisco de Assis e sua obra,
Padre Antônio Vieira e seus Sermões,
Cristo e sua eterna coragem...
Tolstoi e Gandhi me ensinaram a força da não violência...
Só a maturidade e a experiência, a idade da razão Spinisiana
Nos faz entender a importância da tristeza e da felicidade.
E assim vou seguindo minha passagem pela terra,
Com amor no coração.

19/01/14

Definição subjetiva de mar

O horizonte distante,
No mar e no céu,
Ondas vindas de lugares distantes
Se acabando na areia,
O céu azul,
O mar salgado,
De águas que se vertem na praia
E vão e voltam
e se infiltram na areia...
O som do mar,
O frescor da brisa,
A textura da água e da areia,
Estou onde quero está?
Vejo o que quero ver?
Sinto o que quero sentir?
Ou sou um prisioneiro do meu corpo
E da distância...
Certamente algo que está distante me faria feliz,
Talvez esteja feliz com o mar,
Talvez o mar me faça pequeno e solitário,
Um grão de areia numa praia
Que vive, que sente e se exprime,
Não fala, apenas traça monólogos,
Se muito fala apenas
tira da carteira o dinheiro e paga o ônibus,
A água de coco,
E saboreia a água, a paisagem, o mundo colorido e vivo da praia.
Algas são derramadas na praia,
E a mente vaga entre tanta coisa a ser pensada,
Tanta coisa a ser vivida,
A vida pode está apenas começando,
Mas pode já ser tardia,
Ou está no fim,
A praia é tão larga,
Tem tanta água salgada no mar,
Que conseguirá entender o mar?
Quem conseguirá entender a vida...
Talvez numa poesia,
Se defina o mar.

Que constitui o tempo?

O que constitui o tempo?
O tempo seria uma medida que separa os fatos.
Desde o dia que comemorei com meus amigos
meu último aniversário, me distancio cada vez mais deles,
Me distancio cada vez mais do último dia que conversei com minha avó,
Me distancio cada vez mais do dia que nasci,
Me distancio cada vez mais da primeira vez que fui embora,
Me distancio cada vez mais das pessoas que hoje dormem na eternidade,
E ao mesmo tempo me aproximo cada vez mais do dia que pode ser o meu fim.
O tempo permite que me aproprie da razão,
Mas ao mesmo tempo me desaproprio de tudo que me ligou e liga a vida.
O tempo é a medida de nossas BOAS ou má vontades...
O tempo é o eco e é saudade...
O tempo me aproxima e me distancia...
O que constitui o tempo são as nossas memórias...
Mais nada.

17/01/14

Devir

Breve a vida passa,
Nossos sentimentos de apego e de desejo,
Nosso desprezo pelo vazio,
Nossos maiores inimigos, nossos medos
Tudo a acontecer,
Ser, vir a ser, ser,
O não ser...
Aquilo que nos constitui,
Aquilo que nos divide,
Aquilo que admiramos,
Suportar as coisas da vida.

O tempo passa
E quando passa nos separa,
Nos opõe a vida,
Mas enquanto vida tudo há...
Paixão, sensação, desejos, ação.
Tudo suporta e segue para o fim.

Existencialismo

Somos, enquanto vivos, ação,
Quando descobri isso,
Nem me lembro,
Nem refleti.
Somos ação,
Vir e devir,
Sujeitos e objetos,
Alteridade o que é?
Vivos, vivemos e tudo podemos,
Tudo podemos se planejamos,
Tudo podemos se projetamos,
Somos livres,
E o mundo acontece
Sob o suor e a convicção.

16/01/14

Onde estou?

O sol intenso da manhã
Que despenca para o meio dia,
O canto da cigarra sertaneja.
O mundo é só energia,
Pedras soltas no chão,
Ideias perdidas no azul do céu.
Existe o aqui e agora que pode ser em qualquer lugar.
Estou onde projeto está
Ou estou em qualquer lugar...
As sensações me levam a está onde estive
E são reconstruídas sempre.
Aqui, ali ou acolá.
O sentido está onde o coloco,
Está onde me atenho aos sentidos.
O sol intenso,
A vida singela,
O canto da patativa...
Seremos eternos saudosistas?

15/01/14

Através da janela

Sentado, olho para a janela
E bem, vejo através da janela,
As árvores a balançar,
Sei que a brisa está a soprar.
Perceber o mundo externo
É muito fácil, embora só vejamos o que queremos...
Mas perceber o mundo interno
É extremamente difícil,
Pois sempre nos comparamos por cima,
Sobrestimamos sempre...
Como compararmos, com os outros.
As vezes, paro e penso na vida,
Procuro ver o que me rodeia,
Nem sempre encontro um pensamento vigoroso,
Ao menos tento.
Tento me nortear através dos livros...
Talvez me perca mais que me encontre,
Talvez nunca consiga,
Mas persigo assim mesmo uma autonomia
Intelectual...
Talvez tudo seja em vão.
Pelo menos tenho a mania de ver as coisas
Mesmo que seja através da janela.

O canto da manhã

Rouxinol cedo cantou,
Cantou na minha janela,
Rouxinol anunciou,
Que aurora já viva,
Que o sol em breve viria,
Cantou, cantou, cantou,
E encheu meu coração de alegria,
E anunciou o novo dia,
E expressou a presença de Deus
Na beleza de seu canto.

14/01/14

Despedida

Partiu?
Partiu quando?
A que horas?
Para onde?
Estava feliz ou triste?
Chorou?
-Partiu sim,
-Partiu antes de você sair.
-Era cedo para a noite.
-Foi para onde sopra o vento.
-Estava vivo, nem percebi.
- Se chorou? Não sei.
-Só sei que partiu.

13/01/14

O mundo

O mundo que vejo é um mundo de substantivo,
É um mundo de coisas e de nomes.
Eu percebo o mundo e aprendi a nomear as coisas
Em categorias científicas, em categorias literárias,
Eu vivo o mundo e sinto o mundo e conheço as palavas,
Mas sou oculto no mundo,
Não sei trançar as palavras,
Sou quase mudo tudo em mim é alteridade,
Não sei relacionar as palavras,
O mundo que me comunico é extremamente subjetivo,
Morre comigo se morrer,
Não passará além-túmulo,
Embora tente lutar contra isso,
Sinto que o universo todo cala meu verso...
Quem sabe um dia, chegue a algum conhecimento
Categorizado por Spinoza
Ou serei sempre mudo das palavas...
Não seria minha intenção.
Vou continuar vendo o mundo
E quem sabe um dia expresse o mundo.

Heidgger

O que leva o pensar para esquecer do ser?

Dúvidas

Como ouvir o coração?
Como ouvir a alma?
Nossos corpos cheios de desejos,
Cheios de paixões.
Em nós há uma guerra interna
E travamos cada dia uma batalha,
Nem sempre vencemos,
Nem sempre perdemos,
Seguimos sempre em direção
Àquilo que melhor nos convém,
Mas o que nos fará bem?
Eis ai a vida,
Se somos condenados a liberdade,
Se a liberdade gera em nós angústia,
Viver é se angustiar,
Ou renegar os desejos.
Mas renegar os desejos
Não seria renegar a vida?

12/01/14

Aquilo que me toma

Quatro paredes brancas,
Janelas claras,
O vazio da sala,
Um corpo vivo sobre o chão,
A brisa que passa,
Na mente inquietação,
Apatia ao tédio,
Apatia a luz,
Apatia ao dia,
Solidão...
Tédio,
Tantas coisas parecem desprovidas de sentido,
O som desconexo das aves,
A luz quente do sol...
Tantas coisas criativas a serem pensadas
Ou apenas assimilada,
Mas absorvo o brando das paredes,
A luz quente do sol,
E o que sou e o que me faço?
Sou tédio,
Sou nada, quando me disponho
A não fazer nada,
Poderia ser pior,
Mas poderia ser melhor,
E o que me falta?
E o que me toma?
Desprezo.

Sol

O sol brilha intenso,
As folhas viridescentes
Brilham intensamente.

11/01/14

Angustia da existência

Noite escura,
Noite profunda,
Um pouco de doce à solidão,
Um pouco de doce a escuridão,
Dos olhos fechados,
Do peito apertado,
O cheiro das flores colhidas na noite anterior,
A ausência de sentido em tudo...
Ao menos as memórias,
Ao menos as ideias!
Nada, absolutamente nada faz sentido,
Talvez fizesse, se despencasse,
Mas tudo continua como
A noite segue.
Grilos, estrelas, escuridão
E a Desilusão,
E nada mais.

10/01/14

Compreender-se

E a tarde cai,
E o sono cai,
E a vida cai,
E o tempo passa,
E os desconfortos não de passar,
Desconforto do que se come,
Desconforto do que se consome,
Desconforto de existir...
É preciso educação,
É preciso reduzir o pão...
Silêncio,
E reflexão.

09/01/14

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir, nasceu em 1908.
Francisco Raimundo, nasceu em 1908, meu avó.
Ela em Paris.
Ele em Martins.
Ela filha de advogado.
Ele de agricultor.
Mesmo sendo mulher, ela foi educada e instruída, mundialmente conhecida.
Mesmo sendo homem, nenhuma liberdade
De educação tinha apenas seu instinto de justiça.
Ela leu milhares de livros,
Ele nem sabia ler.
Ele casou-se aos 22 anos e teve uma família enorme.
Ela teve um relacionamento aberto com Sartre...
E tudo isso aconteceu no mesmo século,
Em  lugares extremamente distintos.
Ela está em qualquer lugar que tenha mídia.
Meu avó que morreu dois anos depois em 1988,
Hoje nem nome na lápide têm,
Faz-se oculto até mesmo dentro da família...
Resta-lhes esta singela lembrança.

Sentir

A manhã vazia de sol oculto pelas nuvens,
Prédios vazios, o silêncio das palavras.
Cantam as aves lá fora,
Aqui dentro, soa Debussy.
E dentro de mim, há um universo,
Oras fluído, oras engessado,
Feito estalactite se desfazendo
E se fazendo...
Algo em mim quer ser expressado,
A palavra? A ação?
Algo indefinido grita...
Será a manhã ou a solidão?
Talvez nada...

A senhora e a menina

Elas moram no mesmo lugar,
Suas casas se encontram uma frente a frente.
A senhora vivida, experiente e já de idade,
Adora brincar com a menina, novinha e inexperiente.
O tempo não importa, pois ambas tem
A mesma idade que se conhecem.
E ambas se abraçam,
E ambas riem
E ambas são felizes
Com as pequenas coisas que vivem,
Com a graça do existir e viver o presente,
Excluindo o passado e o futuro.
Cheiros e afagos amigos,
Um dia ambas seguirão caminhos
Diferentes, mas são feliz neste momento
Em que estão juntas, amigas e felizes.

08/01/14

Manhã cantarolada

Que encantada manhã de janeiro,
O vazio de um enorme espaço
Completamente em silêncio de fala,
Apenas o maravilhoso cantar das aves
E o ronco do ar a refrigerar,
Saudosa manhã de janeiro,
Em janeiro tudo é tão fagueiro,
Será, apenas minha tal impressão?
Esta manhã seguirá até o fim,
Como as coisas seguem para o fim
E o tempo para o infinito,
Mas como é belo o canto do sabiá,
Do roxinó...

07/01/14

Além

A noite escura,
Estrelas brilham no céu,
Grilos cantam no jardim.
Grilos sempre cantam a noite.
O sol brilha e é dia.
E sinto a água fria refrescar meu corpo,
O doce verde da uva,
O açúcar vinho da uva,
E a noite segue,
E a vida segue,
Sem mim. 

Que resta?

O tempo ecoa,
O vento soa,
Quão profundo é o tempo,
Quão rasa é a memória,
Dura menos que uma geração,
Não vi meus bisavós dormir,
Pouco vi meus avós sorri,
E o tempo passou,
E o tempo lhes calou.
Ecoa o tempo,
E o que me resta são escritos,
Palavras, frases e histórias,
E por momento o tempo,
Habita minha mente,
E o tempo me inquieta,
Porque fora de mim,
O que é o tempo, além do subjetivo?
Agora o tempo me usa para se materializar,
Agora uso o tempo para cristalizar
Este momento.
Amanhã, quiçá desfaz a minha matéria,
mas estes versos, serão eternos
enquanto puderem ser lidos,
No mais, que resta?
Nada.

Tarde de janeiro

O ano passou 
E outro iniciou,
E como todo início
Tudo é tão incerto,
De certeza apenas uma há,
Tudo certamente passará.
E à tarde que cai devagar,
É encantada ao som de sabiás,
Sabiás cantam sem parar,
No interior da mata,
Marteladas na parede dura,
É preciso destruir para reconstruir.
Tudo início é muito incerto,
Há de passar,
Como a tarde que cai
sossegadamente ao canto de sabiás

06/01/14

Paciência

A noite,
A coceira na traqueia,
O incomodo nas narinas,
A dor de cabeça,
O calor,
Quanto incomodo,
Apego-me a certeza que tudo passa,
Enquanto isso,
Paciência.

05/01/14

Domingo primeiro

Primeira tarde de domingo de 2014,
Parece que o mundo parou,
Ruas vazias, só o vento ocupa o vazio das ruas,
Vento frio.
O céu azul, com tingimentos de vermelho,
Barulho algum ecoa,
Caminho vagando,
Olhando as coisas do mundo,
As pedras do calçamento,
Os muros com plantas floridas,
Olhando para ver se encontrava algo
encantador além da beleza
E a noite chegou,
E a tarde passou...
Nada demais ficou.

A última flor

Na janela descansa um jarro
Que abriga uma rosa do deserto,
Suas folhas verdes viridescentes
E vivas e a última flor desabrochada,
Aquela que fui o último botão,
Que existe e foi a última a existir,
Que não participou do vigor
Do último cacho.
Aquela linda flor,
É mais bela por ser a última,
Assim como foi a primeira.
Está no ramo bela,
Efêmera flor,
E logo se vai,
E logo se foi...
E nada ficou...
Da florzeira,
Que restou?
A força e o vigor,
Ser flor.

19/12/13

Metamorfose

A mata do Campos,
A estrada por terra,
A areia solta coberta de folhas úmidas,
O aroma dos fungos,
O céu nublado,
As mudas de plantas,
O canto do Sabiá,
Sabe-se lá...
A tarde fagueira,
E o tempo a escorrer
Em direção ao infinito.

Consciência de ser

A manhã nublada,
Meu ser nublado,
O frio vivo,
A saudade viva,
Saudades dos amigos,
Dos lugares do que fui,
A distância e o tempo hoje me separa
E me une ao que fui e ao que sou...
A oportunidade de me deparar
Com o novo e renovar,
Ser, ser... Existir.
Enquanto cai a chuva,
Enquanto as aves cantam.
A manhã duma quinta-feira se passa
E levo em minha mente um turbilhão de pensamentos,
Oras próximos, oras distantes...
Esse fluxo contínuo fluxo que me constitui,
Me faz e desfaz.
Oras é, oras não...
Consciência da vida.

18/12/13

Devir

Conhecer o desconhecido,
Viver o não vivido,
Viajar,
Sonhar,
Está aqui ou acolá,
Desvendar o mundo,
Ler um livro,
Ouvir uma música,
Ver o mundo,
Ser do mundo,
Se fazer do mundo,
Porque tudo passará
E um dia,
Estará preso ao corpo,
E um dia nem corpo mais habitará,
Será o nada,
E essas pobres palavras...

17/12/13

Tempo escorrendo

A lua cheia,
As nuvens frouxas,
O vento,
A noite,
As árvores balançando,
A janela aberta,
A luz florescente,
Os pisca-piscas,
Os himatantus,
As pessoas estudando ou descansando,
Tudo isso numa plena terça-feira,
No dia dezessete de dezembro,
Do ano de 2013,
Que logo será só um fato,
E nunca mais voltará no tempo.

16/12/13

Não, não, não...

Não,
Não,
Que me perdoe o sabiá que canta,
Mas não consigo ouvir,
Que me perdoe o sol que brilha e aos poucos
O poente o apaga, seus raios crisos,
Seus raios crisos,
Que me perdoe o meu corpo,
Que me perdoe as minhas pernas,
Que me perdoe o meu ser,
Porque a minha alma está em trapo
E não sei como me reconstruir,
Esse momento que toma conta de mim...
Onde está a minha calma, 
Onde está o meu domínio,
Neste instante um vazio,
Neste instante sou pequeno e incapaz,
Quem sabe após a noite,
Pois após a noite vem a energia,
Há de haver mais alegria,
Porque neste instante,
Nego minha existência,
Preciso sarar,
Preciso rezar, orar,
Sabe-se lá,
Verbalizar...
Não, não, não....
Tudo isso vai passar.

14/12/13

Sábado que passa

Sábado, 14 de dezembro de 2013...
Que dia beirando a perfeição,
Sol a todo vapor,
Vento frouxo,
Muito calor,
O coqueiro do quintal tem suas folhas agitadas,
A patativa pousa no cacho de flores
Feliz a cantar, beija as flores,
E colhe feio de fibra para seu ninho confeccionar
E canta, e canta, e canta...
Eita pássaro pequeno que canta e encanta o sábado.
Vou à janela e vejo o mundo
Esse mundo tão profundo,
Vejo as nuvens, vejo as árvores e não vejo ninguém,
Se conhecesse minha vizinha talvez fosse feliz.
Vejo que o sábado passa por um triz,
Vou a porta e olho o quintal da casa ao lado
Onde uma pimenteira se pintou de vermelho,
Olho para o vento e nada vejo,
Sinto apenas seu afago...
E fico aqui só, sozinho...
Vendo o sábado passar.

13/12/13

Centenário

A cem anos atrás nasceria aquela que geraria minha  mãe. Severina Maria da Conceição, popularmente conhecida como Sinhá. Em 13 de dezembro de 1913 na cidade de Martins, Rio Grande do Norte. Filha de João Gato, Papai João. Cresceu nas cercanias da Lagoa num sítio que hoje foi fragmentado e grande parte dele urbanizado. O sítio ainda têm plantas daquela época, jaqueiras, cajueiros, cajazeiras... O solo é argiloso e escuro. Pouco conheço daquele ambiente, apesar de ter morado metade de minha vida lá. Em um dos escritos, de minha avó, que encontrei, havia registros de datas e sentimentos. Ela escreveu a data que nasceu, a data que sua mãe e seu pai faleceram, além de expressar suas saudades.
Minha avó teve uma vida de privações. Teve 16 filhos, mas apenas 10 chegaram a idade adulta.
Após a morte de meu avó, minha avó se desapegou de tudo e foi morar com as filhas. Morou um tempo conosco, foi quando tive a oportunidade conversar tardes inteiras. Aprendi muito com ela. Contou-me muito sobre a história dela.
Adoraria dar um abraço nela hoje.
Fica a saudades

12/12/13

Tarde infinita

A tarde cai lentamente,
Posso ouvir do silêncio de minha sala
O canto do sabiá,
Uma patativa (cambacica) canta longe
Tão longe quanto a luz do sol
Que se vai,
Que se vai,
Como a vida se vai,
A tarde se vai,
A inocência se vai,
A juventude se vai,
E tudo passa
E a tarde continua
A existir para a eternidade finita de nossos olhos.

Viva a vida

O sol desponta no nascente
Leve, suave e a luz acende o mundo,
E a luz acende o dia,
E a luz revela o mundo belo...
E as aves cantam encantando o mundo,
E as flores desabrocham embelezando num ar profundo.
Cora Coralina que linda,
Drummond que doce...
Vida que mistério e graça.

10/12/13

O silêncio do calor

À noite escura e quente,
O calor parece por tudo em silêncio.
O incomodo que não permite dormir,
Do calor, do que penso, do que temo.
Temo ser mais forte,
E fugir daquilo que me poe medo...
Enfrentar o outro, alteridade...
Porque desconheço o outro,
Como oculto são os atos a sombra da noite...
Calor, silêncio...
Mais nada.

09/12/13

Memória...A noite e suas lembraças

A noite escura,
Cães a ladrar,
O vento sobre pela janela,
Estrelas piscam no céu,
Motos roncam ao longe.
Quero-quero canta longe,
Há um silêncio intermitente,
O guarda que passa assoviando,
O barulho do mar aqui não há...
Hoje o dia foi quente e intenso,
Amanhã, após a noite dormida
Quem sabe não será melhor,
A noite de amanhã e depois de amanhã...
Lembrei instantaneamente de Barão Geraldo,
De dia lembrei de Brasília,
Meu passado recente sempre me visita
Ainda mais a noite...
Já fui esquecido,
Não componho mais a paisagem
Como transeunte de Campinas,
De São Paulo ou Brasília,
Não estou mais tão só. Estou?
Saudades dos amigos, da Ana...
Tudo que me fez bem,
Como a noite,
Como agora,
Vou em boa hora.

08/12/13

Breve

Como é breve a vida,
Tão breve quanto a brisa que passa, à tarde,
Tão breve quanto a passagem da ave que voa só.
Não seria a vida um breve sonho?
Quanto tempo já vivemos?
Os anos passados foram tão curtos,

Com o passar dos anos vemos a brevidade da vida,
Devemos apreciar cada momento,
Pois, apredemos que passam rápido.

07/12/13

O sábado

A manhã de sábado,
O sol pleno,
O vento vindo do mar,
As folhas de coqueiro a balançar,
A cama e os livros enfeitando o quarto,
A leitura e o sono,
O pensar,
A casa por arrumar,
Borges, Debussy, Lao Tsé, Gandhi,
Amadeus, Shiva e Ganesh,
Força para levantar e fazer tudo acontecer...
E o sábado segue,
Ardente e vivo
Até o sol se por no fim da tarde.

06/12/13

Como a brisa da manhã

A luz do sol acende a manhã,
O canto das aves desperta o mundo.
A brisa sopra suave,
Janela a dentro e espanta o calor.
Manhã de sexta-feira,
Manhã cheia de alegria...
A vida passa e nem vemos passar
É tanta coisa por fazer,
Rir e viver...
E logo passa o fim de semana.

05/12/13

Quinta-feira

A tarde quando cai,
Cai bem devagar,
E se arrasta até as 15 horas.
Aves silenciosas,
Sol ao pino,
Que canseira fagueira.
Tarde de quinta-feira.

02/12/13

A sombra do amanhã

A noite não há flores,
Não há o canto das aves.
Há o silêncio,
Sapos cantam no molhado,
Grilos cantam enamorados.
E esse sangue que circula em minhas artérias,
E retorna veias coração a dentro.
Célula a célula alimentada.
A massa cinzenta em minha cabeça grande dura,
Essa massa parada, eletrizada,
A decodificar o mundo, a noite...
Sou um ser vivo,
Sedes um ser vivo.
Que respira ao ler,
Que pensa ao ler,
E só ler porque pensa...
A noite as flores são pardas,
Perfumadas por vezes.
O relógio soa mais alto,
As gotas da torneira,
O silêncio que nos atormentam.
O coração a bater,
A pulsar...
Agora tudo está se passando,
O amanhã passará,
E o que acontecerá,
é um segredo que nem podemos esperar.

Juntos

E a tarde vai caindo devagar,
Enquanto, lá fora canta o sabiá.
E aqui ouço Debussy...
Quanta coisa increada para crear,
Quanta coisa por fazer.
As coisas serão feitas,
A quem as fizer sentido,
Agora o que faz sentido
É o doce canto do sabiá
E o som de Debussy.
E a tarde vai quente,
Bem que poderia levar meu resfriado.
E a tarde cai,
Como sempre caiu,
No mês de dezembro...
Se vovô fosse viva faria 100 anos,
Daqui em 11 dias,
Mas descansa em paz
Junto ao meu avó...
Quantas tardes ao som do sabiá
Não terão ouvido juntos?
Sabe lá.

01/12/13

Ana ou Davi

A bela rosa,
Minha querida rosa,
Agora não está mais sozinha,
Em teu ventre é gerado um novo ser,
Que alegria,
Que maravilhosa poesia,
Ana ou Davi,
Seja bem vindo ao mundo,
Será e já motivo de muita alegria,
É docemente motivo dessa alegre poesia,
Será mais uma flor do cerrado,
Teu nascimento por todos nós será celebrado,
Será tão especial quanto a doce rosa,
Sua vida será uma prosa,
Com certeza irá contemplar
Nossas conversas de idosos,
Sei que dará significado a sua vida,
Bem vindo a vida,
Ana ou Davi.

Cheios de emoção

Não há sentimento mais humano que a emoção.
Emociona-se com qualquer coisa:
Com a beleza e o perfume da flor.
Com o diálogo das crianças no parque, nas ruas, na escola,
Como são sérias as crianças quando conversam.
Com a voz cansada dos avós,
Com o caminhar lento dos idosos,
Com a proteção feminina,
Com o miado de gato novo
Ou o grunido do cão novo chorando por sua mãe.
Ou o piado desesperado de pintos desgarrados no  início da chuva,
Coisas tão simples
Que enche nosso coração de alegria ou de tristeza
Somos seres cheios de emoção.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh