20/05/11
Tarde
Por que escrever?
19/05/11
Flor de Jasmim
tirava sua vida
só para sorver seu odor.
Muitas vezes nem tinha a cheiro,
simplesmente tomava-a
pelo prazer de desfaze-la.
Tomava uma flor na mão,
para desmachá-la
numa brincadeira boba
de bem me quer e mal me quer.
Tomava uma flor na mão,
olhava-a profundamente,
cheirava-a com carinho,
contava suas peças
as sépalas, as pétalas,
os estames e guardava-a
entre papéis.
Guradava-a em minha mente,
numa doce memória.
Sempre fora assim,
não acreditava na alma das flores,
até que em um certo dia
que encontrei uma flor
num velho livro,
da biblioteca municipal.
Aquela flor perdera a cor,
estava amarela,
doara a folha do livro uma cor em forma de flor
amarela e o livro doara a flor
a forma plana.
Aquela flor marcava
uma página onde
estava impressa
um poema de amor.
Então tomado pela
flor, comecei a refletir
quem pusera aquela flor ali,
o que pensava, quem pusera
a flor ali? Sofria? seria homem ou mulher?
Era uma flor de jasmim,
sim, fora branca, e se tornara
era amarela.
o poema tratava do amor
doce e maravilhoso como o jasmim,
nele havia
diversas palavras jasmim.
Sim aquela flor
se impregnou em minha mente,
roubou minha alma, por aquele instante,
tirou-me a calma.
Sim causou-me angústia
as dúvidas sobre a flor,
naquele livro de folhas desgastadas,
e capa preta.
Estava entre tantos livros.
Quem pusera a flor ali,
quem seria? Seria jovem?
Seria idoso?
Estaria vivo.
Peguei o livro emprestado,
li e reli o poema.
Então devolvi o livro
adormeceu em minha mente
a memória daquela flor.
Na correria da vida,
parei de olhar para as flores
até certo dia
ver um grande pé de jasmim,
a numa grande casa,
era o maior jasmim
que já vi,
estava florido,
perfumado
de flores brancas.
Tomei uma flor do chão,
despetalei-a.
A casa estava fechada.
Então sempre que
por lá passava roubava uma
flor,
estava sempre fechada,
supunha que teria
sido da li,
a flor seca de jasmim.
Casa
Está frio, então me enrolo. Esquenta, desenrolo. Olho através da janela e vejo a lua como um espelho de reflexo pálido. Então o sol nasce devagar, parece está cansado.
Ana finalmente acorda, tomamos o café, arrumamos as cobertas e finalmente começo a trabalhar, na janela mágica. Faz um frio muito gostoso, nunca visto aqui em Ribeirão Preto.
A impressão que tenho é que o a cor verde do piso torna mais frio o ambiente. Esse quarto pequeno de paredes brancas, com uma cama, uma escrivaninha e uma cadeira e um armário, se não fosse tão organizado não seria tão confortável. Então permaneço sentado em frente ao computador. Em outros tempos seria um louco. Como pode alguém ficar o dia todo em frente a uma máquina? Confesso que muitas vezes fico impaciente. Então olho através da janela. Olho para a organização dos objetos, presto atenção nas coisas, nas formas. Então escrevo algo. Procuro sítios com entrevistas, informações de escritores. Acesso uma rádio espanhola e ouço música erudita. Escrevo e respondo emails. Enquanto isso no mundo lá fora, as aves cantam ou voam pelo céu; as árvores esperam pacientemente pela primavera, a brisa esfria mais o mundo. Melhor assim, merecemos o frio, afinal aqui é sempre tão quente. Volto novamente para o quarto. E então entro no meu mundo subjetivo e penso e viajo em minha mente onde encontro uma ideia que quer ser investigada, volto ao mundo. Digito no sítio google que me dar n informações em milésimos de segundo. Leio, reflito.
E quando estou concentrado sou obrigado a ir ao açouge comprar carne moída. Vou e volto, comprei uma melancia e ao provar que não é lá essas coisas. Sinto frio o dia todo. Então almoço...
Saímos para ir ao banco, voltamos volto para a janela mágica. Leio, completo os dados de uma tabela...
E chega então a noite...
E mais um dia vivido.
Açucena
Dia frio
Silêncio da manhã
Ainda está escuro, a sombra da noite não partiu.
A lua prateada brilha serena no céu, mas o tempo
é chegado. As horas anunciam a chegada do dia.
Aurora começa a acender suas brasas e logo
chegará o sol.
Todavia neste momento vivo o silêncio.
O meu corpo como o dia desperta
de uma noite de sono, neste momento tudo
é silêncio.
Um silêncio escuro e frio.
Dentro de casa nada se mexe,
nada se ver.
Através da janela o frio atravessa
frouxo trazendo de fora
o silêncio frio.
E minha mente desperta.
e começa a funcionar,
e encontra no silêncio paz.
Vivo um intenso silêncio.
Ouço o respirar das pessoas
em suas quentes camas.
Além disso tudo é silêncio.
Na cozinha as baratas se recatam
leves. Os ratos voltam para o escuro dos esgotos,
e os morcegos mordem suas
vítimas cautelosamente,
então no silêncio desperta o dia,
mais um dia, que pode ser o último
dia, o melhor dia,
mas o dia faz segredo
e em silêncio desperta a terra.
Gosto de sentir o silêncio da manhã,
de tocar no silêncio da manhã,
pois é frio, é belo,
é fantástico.
Quando era criança
e nas noites de São João
tinha um ritual de acender a fogueira,
papai se encarregava
de tudo e eu apenas ajudava.
Aquilo era como o nascer do dia
silencioso, o fogo precisava de
atenção para pegar, para acender
então ficávamos calados
até o fogo pegar,
acho as vezes que o fogo também curte
o silêncio para despertar.
Então a noite como o dia
começavam depois que se fazia
brasa, e chama,
e só através do silêncio despertava
a beleza da noite, do dia.
18/05/11
A casa de meus avós
Meus avós, pais de minha mãe, tinham duas casas uma na serra e outra no sertão. É da velha casinha do sertão que tenho as minhas primeiras lembranças deles, pois era nela que moravam até então. Aquela casa era pequena, velha, baixa e escura, com por ter poucas janelas. Era uma casa sem conforto, feita sem capricho; construída para abrigar trabalhadores durante o inverno, guardar a safra da chuva e do sol. Mamãe contou-me que meus avós foram morar lá depois que todos seus filhos deles se casaram. Como meu avó já estava ficando cansado e não podia mais trabalhar tanto como fazia quando era jovem, resolveram que seria melhor morar naquele lugar que se chamava Vertente, pois tinha ali terras mais planas e mais próxima de casa para cultivar. Exigindo menor esforço no trabalho. Assim foram morar nas naquela propriedade, naquela casa.
Eles viviam do trabalho, criavam gado, porcos, galinhas e perus. Meu avó cuidava da lida da roça, cultivava feijão, arroz, milho e algodão. Enquanto minha avó cuidava dos afazeres caseiros. O passa tempo naquele lugar era trabalhar. Ali, trabalhava-se de inverno a verão. No inverno cultivava-se feijão, arroz e milho, melancia e melão, e no verão se cultivava algodão e preparava as terras para plantar no inverno. Já o trato com o gado se estendia por todo o ano.
Naquele tempo as Vertentes era muito povoada. Até tinha uma escola funcionando. Tinham várias famílias que conviviam em paz.
Meu avó era uma pessoa muito, como diz lá no sertão, gaiata, brinachona, feliz. Gritava naquele sertão velho.
-Olha a erva rasteira.
E dava uma bela gaitada.
Já minha avó era séria e recatada. Não tenho muitas recordações de quando eles moravam lá.
Minha irmã do meio, mais velha que eu um ano, morava com eles. Meu avó a chamava carinhosamente de Lera.
Todavia o tempo foi passando e chegou o dia que meu avó não podia mais trabalhar. Então tomaram o caminho de volta para a serra, onde ficariam mais perto dos filhos, e da cidade no caso de doença.
Então, eles partiram de lá, na mesma época que as pessoas começavam a ir embora dali, em busca de melhores condições de vida.
Aquela vida pacata já não bastava para as pessoas que ali viviam.
A velha casa do sertão logo foi ocupada por um tio que viveu nela por muito tempo, ele recebeu de herança aquela velha casa com uma pequena quadra de terra, mas ele trocou aquela propriedade pela propriedade de meu irmão que fica na serra. Então mais uma vez a casa foi abandonada. Hoje a velha casa das Vertentes está abandonada.
Na última vez que fui a casa de meus pais resolvi ir visitar e rever a velha casa.
Fiquei muito triste de ver aquela casa que tanto pulsou, foi tão cheia de fartura, de gente e agora se encontra vazia com as portas fechadas e por vezes com algumas partes ruindo. Foi de cortar coração. Como deixar a velha casa desmoronar?
O que se pode fazer. Conservá-la de pé seria muito bom, mas falta capital. Então como corpo decadente a casa morre a cada dia. Chegará o dia que não mais existirá.
A casa também envelhecera e agora aos poucos como toda matéria desfaz-se as estruturas.
Minhas memórias daquela casa são muito vagas, eis que todos aqueles que tinham diversas memórias de lá, dormem eternamente.
Pessoas se encantam
Oculto
Nada me conta. A manhã chega silenciosa e fria. Estou preparado para viajar, mas o desenrolar do dia é quem vai dizer o que vai acontecer comigo. A cada instante que se desvenda o mistério da vida é algo totalmente desconhecido. Se tudo sair como penso vou viajar, ver o mundo claro, mas eis que a tudo e a todos é oculto o que vai acontecer.
17/05/11
Viva e deixe eu viver
Aprender a conversar
Lua, luna, lune, moon, Mond...
quanta beleza a cada noite.
Hoje, nasceu tão cheia,
estava tão prateada.
Fazia tanto frio,
mesmo assim a lua nasceu,
Nua.
Vinha na rua,
parei para ver ela, a lua,
parei para contempla-la.
É porque a lua. A lua meus queridos,
é uma chave inestimável.
E mais para mim que nasceu no campo.
É uma chave inestimável
que abre as portas de minha memória.
Sabe, não sei por que, mas quando era pequeno
eu acreditava que a lua nos seguia,
achava que ela era tão companheira como um cão,
pois para onde agente ia, ela nos seguia.
iluminando nossos passos do escuro da noite.
É lembro que a luz da lua brincávamos de cai no poço,
uma brincadeira de adolescente do interior, bem interiorano.
Brincadeira que permitia dar uma volta no terreiro e um beijo.
A lua era muito romântica e indiscreta, pois sempre vigiava para
ver se não fazíamos nada além de um beijo e uma volta.
Sob a luz da lua brincávamos de tantas coisas.
A cresci sempre junto da lua,
ela me é tão familiar quanto qualquer coisa.
Afinal é a lua plena.
Moon, luna, lua, lune, Mond...
Simplesmente lua maravilhosa, mãe, protetora da noite.
Riacho
faz curvas, cai nos poços e segue
sempre em direção ao lugar mais baixo,
as vezes o riacho se cansa e as águas
nem chegam a chegar,
simplesmente evaporam,
mas a intenção é correr
sempre para baixo der
onde for dar, segue o riacho,
água abaixo.
Quarto
Castelhano
- Essa menina é muito inteligente.
E continuei. - Deste tamanho e já sabe falar espanhol.
Felipe meu amigo que estava com eles, complementou.
- E desde pequena.
Então todos riram muito.
Creio que a menina não entendeu nada, pois seguiu com um olhar de anjo indiferente a toda situação.
Talvez tenha pensado que fosse um palhaço ou não pensou nada, pois talvez nunca tenha vivido tal situação.
Então eu sai rindo por dentro. Os pais dela e todos que os seguiam riram também.
Voltei ao trabalho, após um bom tereré e uma piada.
Fui ao trabalho rindo por dentro.
Que doce momento.
Maio
Manhã fria
E o sol brilha tão intenso.
Que lindo o gramado verde nas nossas praças.
As espatódeas com suas flores vermelhas,
as quaresmeiras com suas flores roxas
e as palmeiras com suas folhas a acenar
para o vento.
O catavento do Aulos gira feliz.
Os carros enchem as avenidas de movimento.
Pessoas caminham agasalhadas,
nessa manhã fria de outono,
as pessoas não param.
Só a natureza se contempla,
por está tão fria, tão colorida,
tão gostosa.
Essa manhã fria.
16/05/11
Esperar
Lua
nasceu cheia, linda no horizonte. Calma foi seguindo para o meio do céu.
Foi seguindo sobre a rua, sobre as praças, as cidades,
lua democrática esbanja sua beleza por toda a terra,
lua sedutora lua, como tornas a noite mais bela,
como me faz para todo mundo te olhar, te admirar,
sendo tão simples? Quem sabe, o tempo talvez,
ou o vento, ou sei lá as rochas, o mar...
Não sei, e sei que és plena lua...
Bom dia
fruta ou comida de massa. Depois tomo um banho para lavar o corpo da noite se sono é como se renovasse, rejuvenescesse. São todas coisas tão simples, tão bestas podes até pensar, mas são essenciais para ter um bom dia. Quando cuidamos de nosso corpo, ele agradece e responde nos dando calma, paciência e felicidade. Está tudo dentro da tua mente, para mim funciona assim, todavia, cada pessoa tem uma maneira de construir o próprio dia. Descubra o seu.
15/05/11
Família
gosto de ouvir minhas irmã forçando a barra para eles comerem. Gosto de ficar só no quarto ouvindo-os falar na sala. Gosto de minha família porque sou parte dela sou um tijolo. Pois sei que ali, mesmo que na desordem sou amado. Porque sei que ali sou unidade, amor e paz.
Domingo
14/05/11
Sentimentos
as vezes fico calado e fechado como uma tartarura,
as vezes me perco em meus pensamentos.
Na maior parte das vezes me sinto só, somos
seres solitários é a nossa cina.
Amamos a saudades porque nos apegamos as coisas,
as pessoas, aos sentimentos e as memórias,
mas que podemos fazers se faz parte de nós esses
sentimentos, se constituem nossa essência,
Não sabemos o que sentimos até que pensamos
no que sentimos. Então porque não esquecer
esses sentimentos?
Ora se não podemos ver, nem tocar, por que mesmo assim
cremos. Sabemos que estes sentimentos
não exitem além de nós.
Por isso se vejo o quarto ou a casa vazia,
se percebo que estou só, me sinto triste,
mas não creio que seja de um todo ruim.
Ora, acredito que é um momento para a reflexão.
Posso pensar por exemplo, quem eu sou?
Qual o meu propósito?
Já tentei explicar tantas vezes essas ideias,
mas elas sempre necessitam de um complemento,
por que não se pode definir.
Só podemos sentir
e como o sentimento é subjetivo,
cada pessoa constroi sua definição.
Crendo nisso sigamos então nossas vidas.
São Paulo
13/05/11
Noite
Meu mundo
Universo
Quando sinto a brisa na minha pele,
Sopra suave pela janela,
Eu lembro da brisa do poente.
Lá onde eu morava, sempre que a brisa
Soprava do poente era certeza
Que a tarde choveria.
E as vezes quando estava sentado
Passando o tempo no terreiro
Da cozinha e sentia a brisa,
Já sabia que a tarde, podia tardar,
Mas sempre chovia.
Percebia sempre que era de manhã,
Sempre que era inverno,
Então quando sinto
A brisa soprar através da janela
Minha memória
Como uma flor desabrocha
E revive o momento,
Neste instante sou pleno
E feliz.
Céu
O céu da manhã está tão azul.
Cirros brancos tornam o azul mais claro.
Suave e leve uma borboleta passou voando,
Vinha de algum lugar,
Nem posso imaginar de onde,
Sei que passou leve voando e planando,
Como golfinho nadando saltando e mergulhando
No fundo do oceano, a bela borboleta,
Mergulhava e saltava pra fora da terra,
Mergulhava no céu pleno azul,
Um voo horas errante,
Não sei que sentido seguia,
Talvez nada seguisse,
Voava sem compromisso,
Voava por voar, talvez para
Exercitar suas asas,
Ou estava a espreitar alguma flor.
Aproveitava o céu azul
E cheio de cirros.
Aproveitava sua breve jornada,
A linda borboleta.
12/05/11
Doçura
Coçadinha
Bob Marley
11/05/11
Silêncio da seca
Pegadas na areia
hostória
Conjunção
10/05/11
Só
Pé de umbu
Folha
Acacias
Palmeiras (coqueiros)
Sol
09/05/11
Rio
Vacinas
Busca
Borboletas
Fiqueira de Nossa senhora Conceição
08/05/11
Viagem
Tristeza
07/05/11
Rio de Janeiro
Amanhece
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...
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As cinzas As cinzas da fogueira de são joão, abrigam calor e brasas, cinzas das chamas que alegram a noite passada. cinzas de uma fogueira f...
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