20/08/10

vida vida

Meus olhos tingidos de vermelho,
meu rosto pálido de olheiras,
minha pele seca.

Doí a garganta seca,
a cabeça pesa,
o sono que desejo dormir,
aguarda por algo.

Certas noites acordo preocupado,
certos dias me deixam tão insatisfeito
que tenho que driblar a realidade,
e me enveredar pela literatura para
suportar a vida.

Dói a garganta,
e o que fazer para confortar
o desconforto?

Doi minha coluna,
arqueada,
se me movo estalam os ossos.

se fecho os olhos sinto o incomodo
da cabeça que parece oca.

Entre uma frase e outra o desespero humano.

A noite silenciosa e vazia tem a lua como companheira.

ouço Bach,

sinto muito cansaço de tudo,

sinto saudades de casa paterna,
onde podia fugir da vida,
para o mato,
para o campo,
cheirar uma flor,
uma folha macerada.

A vida parecia perfeita,
e os sonhos grandes.

enfim
vou dormir,

quem me compreende mais que eu?

Talvez ninguém,
talvez aprenda com o outro a me conhecer,
quero como uma esponja me encher de vida.

som

A vida é uma linha tênue entre a existência orgânica e inorgânica.
Quão graças podemos fazer vivos, incontáveis, inimagináveis.
A nossa existência é uma dádiva do acaso.
Podemos fazer de nossa existência um pouco da eternidade.
Criando, pensando, imaginando e idealizando.
Fico maravilhado diante das belezas construídas pela mente humana,
porém fico triste diante das atrocidades que podem ser feita pela mesma raça.

Uma ameba pulsa pela sua vida breve.
Seres humanos se suicidam, se matam tem sede por matéria.
Estamos distantes da perfeição, muitos já morreram,
muitos morreram por um sonho, muitos passaram por cima desse sonho.

Estamos aqui a quanto tempo? não muito, mas será que permaneceremos aqui por muito tempo ainda?

A sexta, passa.

O sol se vai,
na tarde de sexta-feira,
e aos poucos vai se apagando
a cor de brasa do crepúsculo.

A noite vem,
nova e aos poucos esfria,
uma, duas, três e várias estrelas brilham.

O breu da noite é quebrado,
pela lua nova,
se faz sombra noturna,
das árvores no solo.
Enfim a noite passa,
o dia chega...
a vida passa,
tudo passa.

18/08/10

paciencia.

Começar e tentar fazer tudo certo é assim que funciona.
Uma coisa de casa vez.

falar

Cheguei ao Brasil, como e gostoso ouvir todo mundo falando a lingua que eu entendo!
Como é bom falar e ser comprendido!

15/08/10

Sábado em Buenos Aires

Buenos Aires,
Ontem sábado 14/08/2010. Foi um dia muito longo e cansativo, porém maravilhoso.
Acordei mais tarde as 8h, tomei o café, em seguida o banho. A previsão da radio mitre é que estava fazendo 3 graus com sensação térmica de 1 grau. O dia estava muito bonito, fazia sol, mas ventava bastante. Sai do hostel e fui para a estação do sub na rua 9 de julho na estação independência. Tomei o metro e em seguida cambiei uma estação para ir para a linha verde D, onde tomei o sub e desci na praça Plaza Itália que fica em frente ao zoológico. Onde gastei quase toda a tarde vendo os animais. O primeiro bicho que vi foi um roedor com patas de pato, o segundo os ursos, leões, elefantes, tigre, quanaco, cervo da índia, jacaré, jirafa, resus, araras, suricato, girafa, jegue, vaca, hipopótamo, babuíno, pavão. Em seguida fui almoçar. E ver algumas lojas. No fim da tarde fui ao Jardim Botânico, onde pude apreciar muitas maravilhosas estatuas. A noite fui com uns amigos comer uma pizza na rua Chile. O tempo voa.
Ate logo

11/08/10

Buenos 2

Estou em Buenos Aires por tres dias e a cidade me agrada muito.

Ontem a noite passei pela rua Florida, centro, vi muitas coisas belas, logas com muita coisas bonitas e o que mais me chamou atencao foi a quantidade de livrarias, acho que tem uma a cada 100 metros.
Ontem Visitei o herbario do INTA que fica em Moron muito longe daqui. La pude ver varias Tephrosias. Na volta fui direto para o hotel que a Jacira esta hospedada. Tive que vir de la para ca caminhando, entao peguei a rua paraguai, em seguida a rua Florida, onde entrei numas 10 livrarias. Parei para almocar em um shoop onde encontrei um casal uma brasileira e um espanhol. Segui em frente e cheghuei bem em casa.
Hoje fui para o congresso, exprus meu banner e passei o dia vendo palestras. Choveu a noite por isso cheguei mais tarde em casa.
Vou dormir.

09/08/10

Buenos Aires

Cheguei ontem, domingo 08 de agosto, em Buenos Aires vim direto para o hostel que è um lugar muito colorido, cheio de detalhes como frases nas paredes, pinturas nas portas. Estou intalado no quato nùmero 108 junto com um sulafricano e um alemao. Comunico-me em inglês. O quarto que estou tem quatro camas, tem intantes que fica muito quente, ma fora do hostel faz muito frio. Gostei das ràdios tudo em espanhol.
Uma coisa me surprendeu ontem, quando buscava o local do evento o gurda foi extremamente educado, bateu atè continência.
A cidade è muito bonita.

07/08/10

animo

Logo que me disponho a fazer algo me sinto bem, mas não o fiz ainda hoje, sendo assim um dia, vazio, frio e triste.
A casa parece grande e com seus átrios vazios tendo como presente só a mim que não tem ideia do que fazer para passar o tempo. Hoje é sábado o que é que há. Vou fazer algo, mas ânimo não me aparece.
Fico triste ao me sentir só e o que tenho pra fazer?
Muitas coisas podes achar, mas não tenho costume de ficar só nos sábados, sempre tenho a Ana com quem compartilhar uma conversa, um lanche e enfim não me sentir só. O costume nos faz sofrer quando algo falta.
Passarei então a pensar algo pra matar o tempo.

06/08/10

Ser feliz

Ir para longe das coisas que a ti são de costumes, quebre a rotina. Abandonar tudo que for velho e encarar o novo. Aceitar o desafio que a vida nos dá a cada dia, sobreviver e aprender, pois cada um dia que vivemos, pode ser o último. Aceitar essa realidade, muitas vezes, o fazes viver melhor, pois a partir desta poderemos conhecer e viver muitas coisas novas tais como lugares, pessoas, línguas, culturas, paisagens e hábitos tendo assim novas formas de viver e ver o mundo. É importante se isolar, desconstruir tudo que construiu e esvaziar a cabeça, quando tiver tudo absolutamente vazio será a hora de se reconstruir em novo ser, metamorfosea-se parte por parte. Aprendendo só com o mundo a amar e valorizar a vida. Aprender que muitas vezes o mais importante na vida é se manter vivo e aprender a ser feliz com o que se tem. Muitas vezes não percebemos o quantos somos sortudos, pois a vida é uma eterna competição, adequação e adaptação ao externo. Portanto paremos para perceber que temos um corpo e uma mente brilhante, mas que não aprendemos a dominar, não nos apropriamos para fazer uso destes. Passamos a vida reclamando. Se não mudarmos, não seremos feliz enquanto não aceitarmos nosso estado atual, de condição humana, e enquanto não passarmos por cima das dificuldades que vem a nossa frente. Não aprendemos a pensar, refletir, orar e viver. Aprendermos a crescer e para isso é tão simples só precisamos conhecermos a nós mesmos, aceitarmos nossas fraquezas, mas por cima de tudo sempre buscar dar a volta por cima e construir algo que nos faz feliz. Nascemos para a felicidade, porém aprender a ser feliz custa caro, pois requer muito tempo e desejo de viver. As fontes para isso são orações, convicções e paz.

05/08/10

Hoje


Hoje tive a felicidade tive a felicidade de acordar,
ver o sol nascer,
sentir a brisa fria,
ver as cores,
ver as flores.

hoje tive a felicidade de ver crianças brincar,
homens a trabalhar.

Hoje tive a felicidade de almoçar com os amigos,
conversar sorrir.
ver do dia passar,
a noite chegar.

Hoje tive oportunidade de ler, me informar.

Hoje tive oportunidade de viver.

04/08/10

Partida

Meu bem, tu vais, mas sejas como a lua,
que sempre volta,
com sua mesma face
e que essa face sempre me diga,
eu te amo.

como a lua nasce sempre grande e bela no horizonte,
que tu sempre desponte,
com um sorriso pra mim.

Podes ir, não vás tão longe,
do meu horizonte,
quando amanhecer,
lembre que estou no mesmo lugar,
sempre,
só,
eu e o mundo,
o mundo e eu.
você dormindo,
o mundo,
vasto, amplo,
tão meu e seu.

partiu

Partiu para o além,
partiu para longe,
não deixou alma,
não deixou cor,
partiu.

Amanhã quando o sol nascer,
já não mais,
um sorriso,
um gesto,

já não mais.

verá o sol.

flor

Uma flor,
quando a flor for fecundada,
perderá a cor,
o viço e o odor,
quando a flor for fecundada,
não será mais flor,
se tranformará em fruto,
quando a flor,
já não for mais flor,
será fruto.

Quando o fruto estiver maduro,
toma o rumo do tempo,
segue ao vento,
e encontrando o chão fecundo,
renasce, revive e
novamente,
nasce uma flor

03/08/10

razão

Onde eu me encontro?
Não sou onipresente, sou fisicamente real, portanto estou sempre no mesmo lagar e tempo. O máximo que pode acontecer é fugir de um lugar para o outro, mas só em meu pensamento.


Sinto na brisa do tempo,
na luz do sol,
no cheiro das coisas,
minha materialidade.

Consigo distinguir as coisas,
que me cercam,
que construo,
que imagino,
pela minha espiritualidade,

Sou matéria e espírito,
sou ser vivo,
e a vida pulsa em mim,
me segue por todos os dias
que me forem concebidos.

02/08/10

Livros

Livros sobre a escrivaninha,
livros empilhados,
livros coloridos, encapados.

Livros um tesouro inestimável.

Sentar, ler e refletir
sobre a vida,
o saber,
experiência,
e tudo que me faz melhor.

Reflexão


Todos os dias quando acordo. O primeiro pensamento que me vem a mente é aquele que indaga se estou fazendo a coisa certa ou se a vida está valendo a pena. No entanto nunca paro para refletir, simplesmente como um raio, clareia, mas logo escurece. Confesso que esses pensamentos me atormentam e incomodam muito, pois tenho medo que as coisas não saiam como eu planejo. Mas eu nunca planejo, as coisas acontecem para mim. Até quando? sinceramente não sei o quanto vai ocorrer tudo bem. E isso me assusta. Contar com o acaso é temeroso.
Acho que é hora para parar e pensar.
E só assim poderei avaliar se devo seguir em frente ou buscar um novo caminho.

01/08/10

Vida

A vida é uma linha tênue da existência em que podemos exercer ação.
É importante pensar o que buscamos na vida. Realmente muitas vezes não sabemos o que buscamos porque não sabemos pensar. Pensar é um verbo muito pleno, com vários significados dependendo do contexto. Porém pensar a vida é refletir a existência.

Morte

Eis aquele respirava, não respira mais.
Aquele que falava, calou.
Não mais sorri, expressa, perdeu sua autonomia,
Agora dorme um sono infinito.
perdeu sua alma,
o que resta é apenas um corpo frio,
que em pouco tempo se desintegrará.
A quantos não serviu,
respondeu, trabalho e construiu?
Quantas vezes acordou, pensou e sonhou.
Quanta coisa projetou.
Agora partiu.
Seu espírito desmaterializou.
A vida seguirá em frente,
mas este que vês partiu sem se despedir.

Só restarão lembranças,
boas.

Será docemente apagado pelo tempo,
partiu para o infinito de onde veio.

Planets

Ouvir Gustav Holst me lembra cultura fm SP, que me faz lembrar a cidade de São Paulo. Suas ruas, seu clima, sua dinâmica, suas estações e suas melhores coisas.
Ouvir sua obra me faz viajar no espaço, no tempo e deixa sonhando acordado.
Ouvi-lo é causa de grande paz.
Estou aprendendo a amar sobre qualquer coisa a música.
Cheia de beleza atemporal.

Passa


O tempo passa.
Somos caravelas no mar,
que seguindo sempre em frente,
empuxado pelo vento,
Não temos muitas escolhas,
não sabemos onde pararemos,
nem onde iremos.
Só seguimos o tempo.
Sabemos de onde viemos,
onde estamos, mas para onde iremos,
nem imaginamos,
o que irá acontecer,
contamos apenas com o acaso.
Na maioria das vezes nossas lembranças
são apagadas senão registramos,
como não temos muito o hábito de registrar,
vemos o tempo passar ocioso bem em nossa frente,
e ele passa...

29/07/10

Viagem pantanal do Araguaia

Uma viagem ao interior do Mato Grosso!
Uma deliciosa viagem ao Parque Estadual Novo Santo Antônio.
Um lugar lindo cortado pelo rio das Morte, um rio cheio de piranhas, peixes, jacarés e histórias.
Foram oito dias, destes quatro dentro de ônibus e nas rodoviárias.
Primeiro dia sai na quinta-feira dia 23 de julho da rodoviária de Campinas com destino a Barra do Garças quando cheguei no dia seguinte. Ao chegar em Barra tomei uma van para Nova Xavantina onde dormi e fiquei o dia de sábado. Domingo muito cedo tomei uma carona até meu destino final.
Nesse trajeto tinha muita poeira, desmatamento e gente humilde e bonita. Almoçamos em Ribeirão Cascalheira e chegamos a Novo Santo Antônio pelas três da tarde. Fomos ao parque lindo. Sem eletricidade a sede fica a menos de 300m do rio onde meus colegas pescaram algumas pinranhas. No dia seguinte finalmente fui coletar e para minha surpresa encontrei nos campos de murundus populações enormes de Tephrosia nitens. coletei muitas e tirei muitas fotos. Terça feira fui pra campo e decidi retornar.
Na mesma tarde voltei para a cidade onde fiquei num hotel simples, mas de janta tinha peixe frito e cozido comi bastante. Bem dormi muito pouco visto que o ônibus partia de lá as quatro da madrugada. Tomei o ônibus ainda escuro. Estrada ruim, muita poeira, mas muita gente simpática. Cheiguei em Ribeirão cascalheira as 9:20 e tive que aguardar até as quatro horas. Tomei dois banhos, no segundo casou-me espanto a maneira como a mãe brigava com o filho, mandando o filho ir tomar no... casou-me tristeza... ignorância. O tempo se arrastou, mas passou e as quatro tomei o onibus para Goiânia quando cheguei as cinco horas. Onde tive que esperar até as oito da manhã. Por fim cheguei a Campinas as 9:30 acabara minha aventura.

21/07/10

nitens

Vou para o Mato Grosso!
Coletar Tephrosia nitens.
vou viajar.
em busca de uma planta.

20/07/10

O almoço


O almoço

Moço por favor.
Trás uma coca, de garrafinha.

E voces o que vão querer?

Bem conversas paralelas na mesa.

Fiquei na ponta.

Não tem como sentar perto, pois é voce ficou longe.

Calado.

Vamos lá nos servir.

Nossa quanta comida que delícia.

Enquanto comemos vemos tv, ou falamos trivialidades.

A sobremesa é o melhor.

Pena enchi demais.

Acho que é a comida que ta muito salgada.

Mas ta uma delícia.


Parabéns professora.


Pode deixar que eu pago!

Magina.

Pegue!

Muito obrigado.

o café

Um café alimenta minha alma,
seu aroma, seu calor e sua cor.

Um café bem quente,
por favor, para meus amigos.

Pra mim pode ser um sorvete de café.

Nesse país tropical,
nesse país rural,

descendentes de café com leite,
português, negro e índio.

Um café arabe,
uma rede indigina,
um bom sarapaté.

e depois um bom café,
mais bem quente.

identidade

O que eu sou afinal?
Eu no transcorrer da minha vida venho buscando uma identidade. Não é que eu tenha perdido não tenho mesmo e tudo que sou, tudo que tenho não me pertence porque ainda não sou.
Busco sedento por uma idéia que ilumine a minha mente aquela idéia que encha minha vida de felicidade.
Já sai de casa faz um bom tempo. Conheci lugares, pessoas e culturas, mas pouco me identifiquei com tais coisas. Cada vez que vou para um novo lugar, me vejo mais próximo de onde eu sai, mais parecido com o que vivi.
Eu ando errante, sob o sol em busca de sombra, em busca de água pra matar minha sede e de comida pra matar minha fome. Necessidades que para mim refletem na necessidade do saber. Viver neste mundo cheio de conceitos, de informações, de seres humanos as vezes me cansa. Não estou querendo negar minha origem como ser, mas num mundo tão irracional, competitivo as vezes sinto que vou ser extinto.
Acho que talvez não encontre uma identidade, mas até lá. Quero ser maior que o mundo em minha volta.

19/07/10

Conselho!

Hoje comentei com Ana sobre minha capacidade parva de escrever e ela simplesmente falou que eu deveria escrever porque gosto e não porque os outros haverão de gostar.
Bem parei para pensar e conclui que ela está certa, devo escrever pra mim, pois quero compreender-me, conhecer a mim mesmo.
Suas palavras trouxeram alívio e felicidade para meu ser.
Sinto-me em paz e dormirei muito bem hoje.

18/07/10

Horizonte

Vejo no horizonte,
a resposta para minha vida,
tenho sede de seguir em frente,
tenho sede de descoberta,
descobertas cada vez mais distante,
quantas vezes me perco,
quantas vezes cruzo o mesmo lugar,
mesmo assim sigo em frente,
porque não sei o que irá acontecer,
não fico estático,
caminho para pensar,
nao penso em parar,
sigo em frente,
em busca do horizonte...

perder

Quantas vezes sinto que estou perdido em minhas atitudes, meu trabalho e na minha existência. Isso muitas vezes me incomodo, pois percebo a vida passar e parece esta passa por mim indiferente.

16/07/10

Passagem

Quando no fio do horizonte surge o sol,
sua luz acende o dia,
essa luz se espalha e ilumina todos os espaços e
a todos os seres.
Aos poucos essa energia pulsa e aquece a matéria.
E o sol caminha lentamente do nascente ao poente,
demarcando o nosso tempo, nossa vida.

15/07/10

Manhã

Sentado, viajando em meus pensamentos, olhava pela janela os ramos das árvores a dançar com o vento. O sol se escondia atrás das nuvens que levadas ao vento brincavam de esconder. A tênue luz do dia entrava em minha retina.

Que linda essa paisagem.
Como me faz viajar no tempo e no pensamento.

14/07/10

Amar a chuva

Há coisa mais gostosa que curtir a vida?
Hoje, quarta-feira, acordei cedo, tomei o café e depois o banho. Garoava, a rua estava molhada, as telhas soavam os pingos da chuva que escoavam pela biqueira abaixo. Peguei meu guardachuva e fui para a universidade. Estava mais escuro que os outros dias. Ouvia o rádio trocava de estações cbn, bandnews e Antena1. Fiquei feliz quando ouvi a voz do Barbeiro que estava de férias. Enquanto ouvia as notícias, além destas o som das gotas no guardachuva. Sentia o frio e umidade do ar. E choveu quase toda a manhã. Uma chuva leve gostosa. embora tenha molhado os meus pés foi uma manhã sossegada, tudo bem o dia foi maravilhoso. Pela manhã apareceu até uma professora conversamos um pouco e ela identificou uma planta pra mim.
As 11:20 foi almoçar. No RU saiu aquela moqueca de peixe, tinha até gelatina de limão. A tarde passou tão rápido. Quase não percebi. Fiz as coisas que costumo fazer, desde ouvir algo em inglês pra aguçar minha percepção auditiva, ver a namorada e até resolver uns problemas. E quando vim pra casa caiu aquela chuva maravilhosa, intensa e fria. Cheguei a molhar o pé, mas não fiquei irritado. Fiquei feliz, não é todo dia que se vive isso.
A chuva me traz boas recordações, apesar de ver as catástrofes que vem assolando determinadas regiões do país. Recordo-me das primeiras chuvas em minha terra, da alegria geral do povo, do surgimento das esperanças do pobre plantar e ter algo para colher. Chuva é vida.

13/07/10

Dormir

Ando tão cansado que não consigo pensar. Estou cansado de buscar encontrar algo oculto em minha mente. O tempo se tornou para mim algo hipervaloroso, pois o que busco exige tempo e muitas vezes me parece imediato. Tenho prazos que não me dão prazer. Tenho prazer em ler, mas o tempo é tão curto e meu corpo tão humano.
Preciso dormir.

vida

A essência da vida se encontra em na busca incessante do saber.

12/07/10

via

Caí na rua,
era seis horas da manhã,
não olhei para trás,
segui em frente de olho no aurora,
até o fim do dia,
até a próxima poesia.

06/07/10

Novo código florestal

Pensar que tivemos maior diversidade do mundo em nossos jardins e que essa mesma vem sendo devastada constantemente é uma lástima, ficamos indignados com tanto desmatamento e queimadas crimonosas, com intuito de renovar pasto, bem como destruição das áreas de restingas pela inspeculação imobiliária bem como diversas ações para destruir o meio ambiente. Para piorar essa situação, hoje foi aprovado uma reforma no código florestal. uhttp://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=359890

05/07/10

ao léu

Escrevo esperando um eco,
mas ele não vêm, não me responde,
até que um dia ouse vir,
vou escrever aletoriamente.

Forma


Forma
Quanto tempo tento,
descrever a forma,
mas que forma,
qualquer forma.

Forma é o estado acabado da matéria.
A matéria é composta de substâncias que lhes dar suas qualidades.

A forma do pensamento é indescritível.
quero dar forma a minhas idéias,
quero cristalizar meus pensamentos, um a um.
Como devo fazer? é preciso uma soma de diversas coisas e é claro se tiver recurso mais fácil ainda.

Mais quero fazer isso por mim.
Dar forma ao que penso, projetar o mundo como eu vejo, como eu vivo.
Desorganizado, desarmônico mundo como meu corpo percebe e como minha mente concebe.
um tabuleiro de xadrez de conhecimento um pouco disso, um pouco daquilo.

Como materializar minhas idéias?

Dando forma, como sabes fazendo uma limonada se só tendes limões.

02/07/10

Entardecer


O que é a tarde?

A tarde é espaço do dia entre o meio dia e o entardecer.

Eis o entardecer,

O sol segue para o poente,

e sua luz aos poucos horizontalmente entardece,

A natureza começa a se recolher,

O calor aos poucos se desfaz,


as flores coloridas se fecham e flores brancas se abrem,

já ouço o chocalho do gado no curral,

o céu ganha um tom crepuscular,

o céu limpo, seco e polido nos aproxima de nossa pequenez,

soma-se mais um dia em minha vida.

onde estiver levo sempre na mais uma lembrança

do entardecer,

às vezes me esqueço de viver, no entardecer.

Paro e penso será que o que vivo é o que almejava?

quantas tardes já vivi?

muitas tardes...

quantas tardes felizes?

muitas tardes.

quantas tardes tristes?

muitas tardes.

quantas vezes meu coração disparou?

Todas que a vida me deu, todas que eu as fiz.

Quantas coisas que imaginei no fim do dia que vivi e que valeu a pena.

Carrego no peito o sorriso dos meus amigos, um sorriso ornado do entardecer.

Agora me sinto entardecer para a vida, os hábitos e as vezes para mim mesmo.

é nas tardes que tento me aceitar e aceitar o outro.

Muita coisa minha mente apagou.

Quantas tardes belas já passei e nunca imaginei passar?

É tarde agora posso pensar.

As vezes quando paro e penso na tarde sinto paz, amor e esperança.

sei que estou só, porque sou assim, um solitário.

A tarde é assim com um ar de despedida,

Foram tantos adeuses, até mais quantas vezes, pessoas choraram na tarde?

quantas despedidas ainda irei passar?

o que isso importa,

após a tarde vem sempre a noite,

Algumas vezes vejo-me anoitecer...

e não vi a tarde passar.

Ser

Tenho pouco tempo, mas posso fazer muito se for eficiente.
Senta, respira fundo e pensa.
Pensa no que quiser na primeira imagem que vier a sua mente.
Eu vejo o saber, o conhecimento que para mim é algo inestimável e atemporal.
Com este tudo posso.
As vezes é preciso organização para a eficiência, mas as vezes não.
Não se sabe qual é a raiz de tudo isso, todo o sucesso.
São tantos os caminhos corretos e incorretos.
Que serve um conheça a ti mesmo.

01/07/10

metamorfose

Um novo passo se dar na vida quando se decide fazer algo que acreditamos. Não se sabe quando é a hora, pois qualquer momento pode ser instante de titulação. É necessário se desapegar de tudo conceitos, valores, medos e forma de ver e viver a vida.
Isso não é fácil, pois somos possessivos e pensamos sempre estarmos perdendo, ou que estamos sendo rejeitados. Busca um horizonte diferente interpreta o mundo de forma diversa. A cada manhã que passares, nova rotina criará e se adaptará. Observa a natureza, tão inconstante, adversa, mas tão sabia. Renova-se a cada dia. Aprendi com a natureza que cada dia apaga é um novo dia e que estes apagam as amarguras que assolam a vida. Se nada está dando certo, para, pensa, respira!!! e repensa, reconstrói e renasce.

29/06/10

Rua

Menino da rua,
de short e sandália,
corre pra lá e pra cá,
menino da rua,
onde tem uma árvore?
Não me digas que não conhece uma árvore!
a rua está vazia,
de gente,
de bicho,
de planta,
a rua está deserta,
sempre aberta,
para os raios da lua,
por que tu existe?

rua cariada.
pichada.

A morte das plantas

Seguindo em frente ao através das ruas podemos perceber que já não cultivam mais jardins, nem uma árvore sequer, mas estão se substituindo todas plantas por calçadas.
O que ganham com isso?
redução nas contas de água?
Parece que não, pois vemos muitos litros de água potável sendo utilizadas, aos jatos, como vassouras para limpar estas calçadas nuas. As ruas estão ficando cada vez mais nuas, quentes e feias. Talvez seja a falta de tempo para regar as plantas ou talvez quem sabe é uma tendência da arquitetura contemporânea, quem sabe?
Calçadas não sujam e dão acesso aos pedestres. As plantas por outro lado tem papel inverso. No entanto seus hábitos, suas folhas e flores embelezam as ruas, fazem sombra, além de retirar carbono da atmosfera e liberam oxigênio, porém parece que já não tem o devido valor. Alguns exemplos agradáveis é caminhar por um bairro arborizado de sibipirunas em um intenso dia de sol, com suas flores douradas ou talvez a sombra dos flamboiãs, com sua arquitetura linda. O que nota-se é um descaso por parte das pessoas, das autoridades públicas. Não faz mais que três anos que moro aqui em Barão Geraldo, distrito de Campinas e já pude presenciar a derrubada de diversas árvores e o pior várias destas foram derrubadas de dentro da unicamp. O que se pode pensar se uma instituição que deveria da exemplo plantando árvores está seguindo o caminho oposto. Causa em mim profunda tristeza ver uma árvore, um jardim morrer. A troco de que?
Vai saber.

28/06/10

A praça

Sentei-me na praça para ver os transeuntes passarem. Desliguei-me do mundo. Fiquei ali sentado, imóvel olhando cada pessoa que passava, suas expressões, suas roupas, seus passos. Não sei porque fiz isso, mas sei que não era por estar cansado. Talvez porque achei aquele lugar tão agradável e achei tão bonito a dinâmica daquelas pessoas, talvez resolvi ficar em estado de inércia. Olhei para o céu azul, para as ruas de luz tão limpa, ma de poeira frouxa. Vi alguns indigentes mexendo nas latas de lixo em busca de comida. Vi também alguns camelôs vendendo muamba. Vi policiais vigiando. De repente um vento frouxo cruza a rua e deu uma sensação agradável de bem está. Um senhor vende picolé. Chamo-o e peço-lhe um ele me vende e vai embora. Então permaneço ali, tomando meu picolé. Vendo os transeuntes passarem. Uns passam apressados, outros devagar, mas todos passam. Até mesmo eu e minha inércia, levantei-me e fui embora, mas a praça continuou lá. O que eu vi na praça? Um lugar excelente para descansar, ver o povo passar, estudar o outro, analisar as milhares de possibilidades que podem acontecer.
A Praça pode ser um lugar tranquilo, limpo, agradável de ali permancecer.
A praça pode ser um lugar agitado, sujo, desagradável de ali estar.
Repentinamente voce pode ser atingido por uma bala perdida.
Na praça voce pode encontrar o grande amor de sua vida, pode também conceber uma vida.
A praça é um lugar público onde podes desfrutar de um bom banco ou de uma bela paisagem de um jardim, de árvores ou de uma bela igreja, de uma fonte.
Quantas vezes estamos entre amigos numa praça?

Bem que poderia ter música nas praças.

Acho que nas praças dos centros a sintonia que pode se encontrar é aquela que cada um expressa para o outro em suas conversas alinhadas ou desalinhadas, informativas.

As praças hoje abrigam indigentes, trabalhadores, bustos e tudo de mais urbano e humano.

Parar para contemplar pode ser uma boa, pode ser arriscado,
mas a vida é assim estocástica.
isso é viver.

25/06/10

A Lua

Ontem,

A lua estava tão bela e tão cheia,
que me chamou atenção,
parei e a encarei,
ela mirava os meus olhos,
conheço esse olhar lunar,

a lua sorria para mim,
lembrou nossos momentos íntimos tão meus e tão meus
que me levou a viajar no tempo.

Eram quase seis horas,
como sempre fizera no passado,
sair do restaurante universitário bem alimentado,
caminhar com a lua,

no frio da noite, dos pensamentos, dos sonhos a matutar.

Caminhei lentamente, então encontrei um lugar e sentei,
parei para matutar, para namorar a lua.

parecia pálida, redonda e clara como sempre,
mas eu! já não sou o mesmo,
física e racionalmente estou mais velho, ranzinza, menos eu.

Parece que assim que tem que ser,
já não sei quem eu sou,
já sei tanta coisa, que nada sei.

Quanto tempo fazia que não namorava a lua...

Ela sempre esteve lá.

O bom que levo da lua é que ela está sempre comigo
e me oferece paz, conselhos e é a lua;
plenilúnea.

voltei a vida normal depois.

Tarde

A tarde chegou e nem a vi chegar,
pois chegou tão calma, clara e fria.

A tarde parecia vazia.

um ou outro carro passava,
uma ou outra pessoa via,
até entrar para meu quarto frio.
Até sentir o frio vazio dentro de mim.

Quanto dei por mim,
já era quase noite,
e nada fiz de minha tarde.

vi o sol claro,
senti o vento frio,

mas minha mente, não mente estava vazia.
perdida entre os pensamentos e os sentimentos.

sob a luz fria da fluorescente,
ouvindo classic music.

não consegui me achar,
não consegui me motivar,
pois tinha sono, sem cansaço,
tinha tudo e nada,
na tarde que veio e se foi,
e passou,

nada ganhei, mas também nada perdi.

nada vivi.

23/06/10

Reforma do Código Florestal


O Brasil é um dos maiores produtores de soja, café, cana de açúcar do mundo.
Portanto a pressão sobre o meio ambiente, em forma de desmatamento, para ampliar o plantio de monocultura e agropecuária é cada dia mais intensa.
Um dos projetos que está em tramite no congresso revisado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP).
Ontem 23/07 os professores titulares da Unicamp Carlos Joly e Tomas em uma mesa redonda organizada pelos alunos para esclarecer o tema. Teve duração de cerca de uma hora e meia. O professor Carlos Joly expôs um breve histórico do código florestal que foi aprovado em 1934, reformulado em 1965 e em 2001 foi aprovada uma nova medida provisória deste.
Em seguido o professor expôs seu tema mostrando várias idéias sobre o tema os possíveis pontos de vista.
A mesa redonda teve como faze final perguntas da platéia.
Bem foi o primeiro passo para uma caminhava.
Só o fato de dois cientistas da Unicamp disponibilizarem seu tempo para discutir sobre esse tema polêmico já nos chama atenção.
Agora precisamos nos organizar para tentar explanar, sedimentar e tentar expor esse esse tema para um número maior de pessoas então quem sabe não poderemos fazer algo.

22/06/10

futuro


O mundo é do mais forte!

Quase todos os dias ouço de alguém uma fórmula do sucesso. São artistas, empresários, funcionários do mais alto escalão que fizeram algo em suas vidas dar certo. Atingiram seus objetivos. Presto muita atenção para estes fatos, mas me vem a mente agora quantos não conseguiram conquistar seus objetivos. Por que?
Será que a fórmula do sucesso não funciona pra todo mundo?
Por não saber exatamente o que queremos é que vivemos toda a vida experimentando.
As vezes falta oportunidade, recurso, infraestrutura entre tantas outras coisas.

19/06/10

Saramago

As pessoas partem para o infinito.
A partida é sempre dolorosa, pois o espírito se antecipa ao corpo e nesse descompasso, já não o é mais, sobra a matéria, um corpo, mais um objeto, não mais corpo no sentido humano, só um corpo composto de carne e osso que em pouco tempo começará a se desfazer a fermentar em estado de putrefação. Toda aquela beleza que este abrigava acabou. O movimento vital cessou. O corpo não si encanta, mas sim se decompôe. O máximo que este ganha é uma cripta com uma foto em preto e branco. Está fadado ao esquecimento.
Fica a dor, a saudade, daquele que compartilhou da vida que partiu. As vezes essa dor é nosso eterno medo de nossos dias, o acaso que nos atormente, mas que seja assim se foi sempre assim então que se cumpra. Aprendemos com a dor a levantar a cabeça e seguir adiante, somos soldados aproximando-nos da linha de batalha. Ontem partiu um grande escritor, nunca o li, mas o conhecia através de um amigo que tanto o cultuava. Gostaria de conversar com ele dizer que sinto muito pela perda de um de seus autores preferidos.
O legado de Saramago ainda educará muitas gerações. Este eternizou-se entre nós, estará sempre presente entre nós através de suas obras, seu exemplo.
Descançe em paz.

“Provavelmente está feito de suspiros o silêncio que precede o silêncio do mundo.”
(In Cadernos de Lanzarote, Diário IV)

“Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? Esta pergunta, que cada dia me vem parecendo menos disparatada, fi-la eu muitas vezes em criança, mas só a fazia a mim próprio, não a pais nem professores porque adivinhava que eles sorririam da minha ingenuidade. (…) Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão.”

“Dizem-me que as entrevistas valeram a pena. Eu, como de costume, duvido, talvez porque já esteja cansado de me ouvir. O que para outros ainda lhes poderá parecer novidade, tornou-se para mim, com o decorrer do tempo, em caldo requentado. Ou pior, amarga-me a boca a certeza de que umas quantas coisas sensatas que tenha dito durante a vida não terão, no fim de contas, nenhuma importância. E porque haveriam de tê-la? Que significado terá o zumbido das abelhas no interior da colmeia? Serve-lhes para se comunicarem umas com as outras? Ou é um simples efeito da natureza, a mera consequência de estar vivo, sem prévia consciência nem intenção, como uma macieira dá maçãs sem ter que preocupar-se se alguém virá ou não comê-las? E nós? Falamos pela mesma razão que transpiramos? Apenas porque sim? O suor evapora-se, lava-se, desaparece, mais tarde ou mais cedo chegará às nuvens. E as palavras? Aonde vão? Quantas permanecem? Por quanto tempo? E, finalmente, para quê? São perguntas ociosas, bem o sei, próprias de quem cumpre 86 anos. Ou talvez não tão ociosas assim se penso que meu avô Jerónimo, nas suas últimas horas, se foi despedir das árvores que havia plantado, abraçando-as e chorando porque sabia que não voltaria a vê-las. A lição é boa. Abraço-me pois às palavras que escrevi, desejo-lhes longa vida e recomeço a escrita no ponto em que tinha parado. Não há outra resposta.”

“Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça.”

“O viajante está feliz. Nunca na vida teve tão pouca pressa. Senta-se na beira de um destes túmulos, afaga com as pontas dos dedos a superfície da água, tão fria e tão viva, e, por um momento, acredita que vai decifrar todos os segredos do mundo. É uma ilusão que o assalta de longe em longe, não lho levem a mal.”
(In Viagem a Portugal)

“Não me acuse o leitor de obscurantista. Tenho uma confiança danada no futuro e é para ele que as minhas mãos se estendem. Mas o passado está cheio de vozes que não se calam e ao lado de minha sombra há uma multidão infinita de quantos a justificam.”
(Os Portões que dão para onde?, in A Bagagem do Viajante)

“Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e encontrar-me, de repente, com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto desta árvore mais que das outras. Não, cada livro em que entrava, tomava-o como algo único.”
(El País Semanal, Madrid, 29 de Novembro de 1998)

“Todos os dicionários juntos não contêm nem metade dos termos de que precisaríamos para nos entendermos uns aos outros.”
(In O Homem Duplicado)


Catorze de Junho

Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos? O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo. Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.

(In Poesía Completa, Alfaguara, pp. 636-637)

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh