O silêncio era seu companheiro.
Acordava e ia dormir nas sombras.
O mundo era sempre próximo e distante.
Nada enxergava.
Só sentia o mundo quando ouvia, quando cheirava.
Sentia o vento, o sol e a chuva.
Não sabia que era dia,
Não sabia que era noite
Só sabia quando Maria dizia.
Já quase não sentia sede nem fome.
Onde estava?
Sua vida era sua memória.
E o presente ou passado.
Assim era sua vida simplesmente.
Quando acordava e um copo de leite morno o esperava,
Umas bolachas.
Sem fome comia...
A vida se reduzia ao silêncio.
Levantava e sentia o cheiro do mundo de forma inconsciente.
Sentia o calor do verão e o frio do inverno.
Que imagens em sua mente aparecia?
O que era sua vida?
No quintal crescia um Jasmin-manga.
com flor de estrela ornamentada,
De cor de prata pintada.
Dona de um cheiro doce.
Foi ali que percebi pela primeira vez o pé de jasmim.
Não as flores.
Vi suas flores num defunto, pela primeira vez.
Por isso o condenei papa-defunto coitado do jasmim,
Dos corpos mortos com suas flores eram perfumadas e ornamentadas.
Estava sempre florido.
Seu cheiro por sempre está presente desaparecera de sua mente
E na minha de menino ficou sempre gravada.
Um dia tomei ciência, deste senhor,
Do meu amigo avô.
Deve ter sido no mesmo dia que tomei ciência do jasmim.
Fui tomado de compaixão,
Descobri uma forma de vida com uma triste deficiência,
Não poder ver luz, cor ou forma...
Mas Deus sabe o que faz que quem nasce cego não sabe o que é luz ou cor? Pensei.
Aquele que perde a luz, carrega isso como quem leva a cruz.
De perdido um mundo que não se encontra jamais.
E as coisas são só treva pra quem no peito não leva a fé pregada cruz.
Isso mesmo falo de Jesus...
Seu Antônio se foi da terra se despediu.
Mas nunca esqueci do que é a cegueira e o jasmim manga.