Noite longa mal dormida,
O canto dos grilos,
O tic-tac do relógio,
A luz acesa,
Algo não me deixa relaxar,
Algo me faz acordar
Ou nem dormir,
Coisas assim,
Não é caso de insônia.
Que será?
Noite longa mal dormida,
O canto dos grilos,
O tic-tac do relógio,
A luz acesa,
Algo não me deixa relaxar,
Algo me faz acordar
Ou nem dormir,
Coisas assim,
Não é caso de insônia.
Que será?
Os pintos piam no chiqueiro,
O cachorro alvo dorme na areia branca,
Um papa-lagarta corrocheia na pinheira,
No sítio canta um fim-fim,
Um picapuzinho anão,
Cheiro de umidade gostoso,
O que é tudo isso?
A manhã surge tão animada com o canto das aves. Vocalizam os papa-cebos, sanhaçus, cancões, anuns, tirrites.
Aqui estou na área em sentava em companhia de papai para tomar um chá e sentir a vida.
A vida tem uma atmosfera que as vezes nos faz pensar demais.
Estou aqui sentado e sentindo o beijo da manhã.
A tarde cai no sítio
Como as chuvas que partiram do ano.
Na pinheira canta o fim-fim,
Uma sabia cisca no monturo,
Sábado veio em casa uma alma de gato,
Chamou, chamou,
Até ficou a vista com seu corpo rufo
E seu olho vermelho,
A coisa mais maravilhosa,
O milho já secou,
As pinhas racham nos pés,
O período de chuvas se foi,
Até o papa-cebo já está cantando.
Segunda-feira,
Serrinha do Canto,
Coisas assim.
Que experiência ácida,
A saudade de uma pessoa amada,
Essa partida sem volta do ser amado.
Parece que a vida perde todo o sentido.
As relações viram gaz,
Se desfazem...
Que momento díficil.
Assim é.
A ausência fria,
A inação,
Tudo que sobrou foram memórias.
Tudo acontece tão rápido,
E o vazio que fica na gente,
Que vazio,
Tudo segue,
Mas que vazio.
Aqui estou, faz meses que papai se foi.
Nosso sofrimento foi muito dolorido,
Ainda sofremos, mas aceitando a realidade.
Tudo mudou muito em mim.
Externamente pouco mudou,
As coisas continuam as mesmas.
Agora ficou a grande questão,
O corpo se degrada, mas e espírito?
Metafísico!
Difícil!
É fácil ver papai e lembrar dele.
Da generosidade e o amor pelos filhos,
Pelos animais e plantas.
O cuidado com o sítio.
A proteção e a fé.
A gente aprende observando
E essas coisas aprendi com ele.
Que aprendeu com o pai dele.
Cada um constrói sua história.
Papai nos deu sua história.
Seu legado somos nós.
Dia,
Aqui estou em Serrinha dos Pintos.
Experimentando a ausência de papai.
Deitado na rede ouço os pássaros a cantarem.
São vem-vem, papa-cebos, sanhaçus,
E galinhas.
Tudo continua do mesmo jeito,
Sem as coisas por papai feitas.
As pinhas estão ficando todas rachadas
E com brocas.
Já o verão chegará.
Que vazio esse novo tempo.
A manhã fria,
O piado dos pássaros,
Julho.
Sol brilhando no céu azul.
Frio!
Amanhã viajaremos.
Tempos verbais,
Verbos astrais.
Através de minha mente
Vejo as cores,
Vejo o tempo.
Sinto o mundo.
Mozart sua obra magnífica me impressiona,
Tempos vindos e idos.
Tudo num pensamento,
Numa cadeira,
Numa ação inerte.
Tenho saboreado meus dias,
Manhãs, tardes e noites...
Cada um destes segmentos de tempos.
Minha mente a todo tempo matutando,
Ordenando e organizando minha maneira de pensar.
Ai vem as tragédias e perturbam minha alma.
Na velocidade que vivemos não dá para saborear muito as coisas.
E perceber as pequenas coisas da vida.
Como o piado das aves,
O aparecer das estrelas,
Uma música,
Um pensamento mais elaborado.
Nada...
Só essa fome de saber o que acontece agora ou daqui a pouco.
A internet tem nos aprisionado em nos mesmos.
Andamos ansiosos demais.
Por nada.
A manhã silenciosa e fria vai partindo lentamente.
Nas três ruas canta uma cambacica.
Som de carros seguindo pelas três ruas.
Bem-ti-vis vocalizam difusamente.
Algo para ouvir e pensar?
Ou no nada pensar.
Tenho pensado em papai,
Sua partida me deixou muito abalado.
Numa manhã fria de domingo,
Quando tudo entrou em silêncio.
Que paz.
Vinícius está sendo amamentado.
A paz dura pouco.
O vento frio sopra através da janela.
A tarde quase caiu por inteiro,
O relógio indica que são 16:30 h.
Ouço pio de pássaros, como estamos próximo a um remanescente de mata atlântica
Os pássaros se fazem muito presentes.
Os jornais e revistas só comunicam política atualmente.
Por acaso descobri o nome de uma composição de Mozart que adoro
Piano Concerto No. 27 in B flat, K. 595.Para uma vida tão curta,
É preciso saber o que importa,
É preciso ter um norte para seguir,
Não dá para viver por viver.
Há de se dar um sentido.
O silêncio da manhã,
Após uma noite chuvosa,
Tudo recomeça,
Temos a oportunidade de começar de novo.
A manhã é uma dádiva que temos
Todos os dias,
É a base da esperança.
Manhã entre as manhãs.
Aqui estamos para mais um dia.
Amém.
Um outro dia,
Um outro mês...
Que bom.
Junho passou sem festas.
Agora que chega agosto,
Chega chuvoso,
Chega com muito vento soprando.
Gostoso, pois chega até a dar vontade de sentar e pensar.
Ouvir a chuva,
Ver as sombras e as luzes da noite fria.
Ler alguma coisa.
Ouvir alguma coisa...
Mozart.
O tempo passou,
Como era esperado,
O filho chegou inesperado,
A vida está boa,
Papai partiu,
Alguma coisa há de ficar desta vida.
A vida se revela orgânica
E nunca se negou,
Alguma coisa há de ficar,
Alguma coisa...
Alguma lição hei de levar.
A noite caiu silenciosamente nublada
A penumbra está mais escura e úmida,
Neblinando assim a noite foi chegando.
Depois de um dia de trabalho,
Assim caiu a noite escura.
Apaguei as luzes e fiquei com a janela aberta
ouvindo a chuva chovendo por um bom tempo.
Deitado no sofá e pensando
Nas curvas que a vida dá.
A lembrança de papai é constante,
Já não é a dor do medo de perdê-lo,
É a dor de tê-lo perdido,
É diferente, muito mais dolorido,
Penso numa desculpa,
E no porquê ter acontecido.
Dói demais.
Dói demais.
Ao mesmo tempo tem Dayane e Vinícius
Que me fazem companhia e amenizam a dor.
Assim os dias vão se passando.
Há seis meses nossa vida se tornou maior,
Numa noite de quinta-feira de céu plenilúneo,
Aconteceu algo espetacular,
Nasceu meu filho Vinícius,
Quanto o vi fui tomando de carinho e amor,
Suas necessidades se sobrepuseram a minha,
Ele dormia plenamente enquanto passavamos noites
Quase em claro esperando que nada acontecesse com ele,
Esperando sua hora de mamar,
Foi um grande estresse,
Aos poucos ele foi abrindo os olhinhos,
Aos poucos foi aprendendo a sorrir,
Hoje sorrir a maior parte do tempo,
Riso lindo banguelo,
Gosta de sorrir para o papai,
Talvez saiba que é a coisa que o papai mais ama no mundo.
Seis meses, parece uma eternidade, parece que ele sempre esteve em nossas vidas,
Nem imagino uma vida como eu,
Só percebo uma vida como nós...
Se acorda chorando, nós o acalentamos,
Se acordas sorrindo, nos explodimos de amor.
E tem sido assim,
Muitos cuidados,
Cuidado no estarmos juntos,
Nos banhos,
Na hora de teté,
Na hora de naná...
A vida é cheia de surpresas maravilhosas,
E essa foi a mais maravilhosa,
Sem sombra de dúvidas.
O que são as coisas?
Singularidades ou totalidades?
O que nos constitui de importante?
Pensar é uma dádiva ou um carma.
A noite caiu escura.
Fria e estrelada,
Mais tarde a lua nascerá,
Lua minguante,
Após o dia
Por trás do dia
Há uma poesia,
Alegria ou coisa do gênero,
Algo foi desvelado,
Algo acabado.
Em busca de uma categoria.
A tarde cai fria como a tempos não percebia,
O vento frouxo de junho atravessa a janela gelado.
A tarde cai nublada.
Até as aves se calam.
Silêncio!
Som de vento.
Som de vento.
É o vento pela janela.
É o vento e o tempo.
O lugar sólido pouco muda,
Paisagem petrificada.
Vida dura,
Vida no cruzamento
Entre o espaço e o tempo.
Amanheceu silenciosamente,
O sol nublado, quarando as nuvens,
Pardais piam,
Um galo canta,
Um cão late.
Deito no sofá,
Ouço o mundo,
Em busca de consciência,
Tentando atingir uma conexão com o inconsciente.
Amanheceu simplesmente.
Domingo é assim com missa!
Com descanso!
A tarde cai,
No meu inconsciente há uma dúvida.
O que é ser e não ser?
Talvez entenda melhor se a pergunta for o que é vida e morte?
Simplesmente somos,
Momentos depois deixamos de ser.
Do ser surge o não ser...
O corpo é enterrado.
Será o corpo descartado?
Ou será a alma descartada?
A sombra da noite essas dúvidas se fazem mais afloradas.
Essa dúvida ainda vai me matar.
Que tarde ensolarada e fresca,
Sol ao pino,
Vento frouxo,
Assobiando nas janelas,
Levantando areia,
Agitando folhas de palmeira,
Que tempo é esse?
Tempo exterior,
Tempo interior...
Desconheço uma conexão.
O tempo a passar,
Tarde atrás de tarde,
Alegria e tristeza.
O que é a vida?
Vento soprando frouxo,
Vento do litoral,
Aves piando na tarde ventosa.
Assim se faz o dia de sexta-feira
Nos Bancários de João Pessoa.
A lua está cheia,
A noite está nublada,
Neblina e passa!
Escura noite silenciosa de São João.
Hoje mamãe me falou que Evaldo morreu.
Evaldo era um moço deficiente,
Por natureza tímido,
Calado, quando era novo ele conversava mais.
Usava bigode e chapéu de palha,
Tinha uma cadeira três rodas,
Devia ter seus 50 anos.
Mais um de serrinha do canto dorme na eternidade.
Pessoa de minha infância,
Teve pólio.
Como outros.
O que é a morte?
O que é a vida?
Algo muito estranho de se definir.
Hoje sou,
Amanhã posso deixar de ser.
Doido demais.
A noite esta escura,
Bonita demais para pensar nessas coisas.
À tarde cai fria,
Vento soprando frouxo sem sentido,
Um pacum voando verde no céu nublado,
Dia de São João,
Sentado olhando o tempo passar,
Pensando no que pensar,
Decidindo o nada.
Cães ladrando longe,
Vinícius vocalizando.
Eu aqui tentando alguma conexão.
Hoje noite de são João!
Cadê o fogo da fogueira?
Cadê o dançar da labareda?
O laranja lambendo as sombras das noites frias de junho,
Cadê o milho para assar,
Cadê papai para acender a fogueira...
A eternidade levou.
Viva viva viva!!!
A manhã desponta silenciosa,
O mundo isolado,
Hoje, noite de pré São João
Já foi motivo de festa,
Hoje muito do mundo perdeu o brilho,
Em espiral as coisas vão se dando,
E a gente sendo forçado a aceitar,
Que o tempo passou
Tanta coisa aconteceu
E continua a acontecer,
Num loop.
A manhã se deu com luz,
Pardais e calma.
A lua este espelho do tempo.
A noite está plenilúnio,
As sombras da noite são suavemente clareadas,
Memórias afloram na alma,
De tempos passados,
Tempos em que estávamos juntos
E agora só sou eu e a lua.
Está vivo as vezes nos dá uma sensação de vazio,
De incompletude...
Olhando a lua a gente se sente saudoso,
Porque algumas coisas são impossíveis no tempo.
Ver a lua é ver a lua, sentir a lua, sentir a vida...
E a vida é plena de tudo,
Nosso subjetivismo, nossos medos...
Ou seja é preciso abdicar de tudo
Para ser pleno...
A lua esse espelho do tempo e da alma.
Janelas abertas,
Silêncio!
Na rua carros passam,
O guarda da rua voltou a aparecer...
Ou não percebi a sua presença ou mudou de lugar.
A noite sempre ficava ali na frente do prédio da nossa frente...
Marrom versos verde.
Pela manhã não vimos mais as gêmeas passeando com os avós?
Aconteceu algo?
A vizinha da casa do lado se mudou.
É assim.
A gente vai percebendo o nosso entorno.
Algumas coisas são imperceptíveis para os avexados.
Ontem uma rolinha caldo de feijão pousou no fio.
Quem me mostrou foi o Vinícius.
Mais três dias e será o São João.
Um estouro aqui,
Outro ali,
Um cachorro late e outro responde,
Grilos para todos os lados,
Atrás de casa tem uma mata.
Mata atlântica, linda de morrer,
Já vimos até o bicho preguiça,
Quem deu fé foi Vinícius.
É assim.
Intenso dia passou
Com erros e acertos,
Com perturbação,
Passou e tudo deu certo.
Com paciência a gente consegue chegar lá.
Atingir nossa meta
E para isso,
Segue-se mais um dia.
Viva!
Amanhã farei!
Agora que é tarde,
Agora que a tarde cai
E natureza descansa e se cala,
Agora quero só contemplar a vida.
A vida que é a única coisa que tenho de verdade,
E que pode ser tirada a cada instante.
A vida que pode mudar de rumo com o sopro de uma vida,
E muitas vezes muda num gozo.
Sentidos se desvelam
E o que intuímos
O que captamos?
Quase nada.
O Oxalis floriu na sacada.
Então, melhor ouvir Chopin...
Porque tudo na vida é uma incógnita.
O silêncio oco do mundo,
Uma voz ecoa vindo de longe.
Um bem-ti-vi cantou na mata.
Hoje senti saudades do canto do sabiá.
Delicio o silêncio e o canto do sabiá.
Saudade do verde das matas da caatinga.
Em casa com menino pequeno
O silêncio é uma dádiva.
O céu e suas várias faces,
Faces atmosféricas,
Distintas formas e cores,
Aurora, manhã, tarde e noite,
Noite estrelada ou enluarada!
É tão bela a terra,
É tão boa a vida,
É tão enigmático viver,
Ao mesmo tempo surpreendente.
Imponente.
Tudo é um aprender.
A sua ausência se faz presente,
Nenhum telefonema,
Cadê seu alô!
Sinto saudades de sua voz,
Saudades de seu carinho,
Saudades de te ver caminhando,
Com seu corpo idoso arrastando as havaianas,
Sua camisa aberta,
Seu boné,
Seus risos tímidos,
Suas histórias conhecidas,
Suas mãos calejadas,
Do seu jeito de ser.
Todos os dias vividos ao teu lado foram suaves,
A sua presença paterna me fazia sentir protegido.
Obrigado por tudo,
Pelo nome emprestado,
Pela educação dada,
Pelo apoio,
Pela casa,
Pelo carinho,
Eu não seria quem sou certamente sem tudo que me ensinastes,
Nossa família não existiria sem ti,
Obrigado por me ensinar cada coisa que me ajudou
A sobreviver neste mundo.
São seis meses, mas parece uma eternidade,
Agora que está na eternidade,
Enquanto viver terei o senhor como uma referência de vida,
De admiração,
É difícil aceitar sua partida,
Mas agora existe apenas em nossos corações.
Meu coração ainda está dolorido,
Acho que essa dor nunca vai passar,
Apenas irá diminuir a intensidade,
Seis meses sem ti...
Eis o melhor momento para refletir,
Quanto valorizo a vida e as pequenas coisas,
Dizer que foram maravilhosos os momentos
Mais simples como assistir programas de Sílvio Santos,
Ouvir Nelson Gonçalves,
Ri do simples...
Assim é papai.
Meus livros me aguardam na estante.
A rua está me aguardando para caminhar.
Meus audiobooks e esperam para serem ouvidos.
As músicas me aguardam para serem ouvidas.
Espere.
O bebê começou a chorar.
Tenho que ver o que ele quer.
Que lindo riso para o papai.
Tudo a seu tempo.
A tarde vai caindo.
Sexta-feira, de junho,
Imagina que João Pessoa não pode ficar mais fresca
Que já temos sensação de frio.
Pois é, então bom fim de semana.
A tarde vai caindo,
Neste mês agradável de são João.
Mês de fartura e alegria,
Mês que se celebra a vida,
Mês que vira poesia
Em tiras e bandeirolas,
Paraibanas,
A rainha da borborema se enfeita
E se prepara para receber o povo do Brasil com alegria.
Infelizmente este ano se repetirá
O que ocorreu no ano Passado.
Pandemia...
Pandemia...
Quando tudo poderia ter voltado ao normal,
Quando não se comprou vacina,
Quando se reclamou de estagnação na televisão,
Se marginalizou a tomada de decisão.
Enquanto amargamos em casa
A tomada errada de um papolvo
Gerência do Brasil.
Cai tarde.
Cai tarde,
Que o geno
O cida...
Não cai.
Gosto de aprender.
Gosto de entender.
Algumas coisas são mais curiosas que outras.
Mecanismos mecânicos por exemplo.
Como funcionam as máquinas?
Como funciona um cérebro?
Suave a sonata n° 2 de Mozart.
Gostosa como sentir a tarde caindo
E tudo está em paz,
E nos sentimos bem.
Às vezes, um bom referencial nos enche de esperança
Nos enche de alegria e paz...
Passageiros pois tudo é passageiro.
Entender a realidade é um desejo
Inteligível.
Sinta.
Uma rolinha marrom canta no fio.
Seu canto é doce e suave.
Enquanto canta encanta com o canto,
Encanta quanto beleza de sua forma e cor.
Canta na manhã que aos poucos vai se indo,
Vai passando.
Em minha mente memórias afloram
São despertas com essa frágil ave
Que apensar dos predadores
Resiste e sobrevive.
Assim na natureza.
Nunca mais sai para caminhar,
Do quarto vejo o mundo pelos ouvidos,
Canta alegre um bem-ti-vi agora.
Gorjeiam os pardais,
Sopra a brisa da manhã.
Céu azul,
Sol brilhando,
O volume de isla negra sobre a mesa.
As coisas desarrumadas,
O bebê dormindo,
O quadro de papai,
Nessa atmosfera vou tecendo meus pensamentos.
Vou me encontrando e me perdendo,
Nesse universo louco,
Muitos com pouco
E poucos com muito...
Pensamentos orbitando no senhor,
No saber, no ler, no aprender.
Pensamentos orbitando na saudade, no dever, no ser...
Assim é.
A catingueira floresceu amarela,
O mangangá veio visitar,
A sombra da cajaraneira,
Sentia-se o aroma amarelo da catingueira,
À sombra da cajaraneira se pensava na vida.
Na mente a consciência se criava,
A ciência dessa passagem que é a vida.
Diferente do que se inventa nas telas.
A vida real e efêmera é bela
Sob a sombra da cajaraneira.
Ali se matutou muito sobre o futuro,
Sobre o passado.
Ali estava o presente.
Ali se viu o chão molhado,
A lavoura crescendo,
O tempo e as estações passando,
Mas no rosto havia tristeza pelo que se perdeu,
O tempo...
O tempo não se perde.
O tempo se vive.
Havia graça e magia em tudo na vida...
No cheiro rosa das flores de serrador,
No agrado do jumento ao saborear o milho após o trabalho,
Na alegria dos cães ao acordar,
No grasnar do louro ao roer a bolacha.
Havia grandiosidade nas coisas pequenas,
Generosidade divina numa vida longa de muitos alcances.
A tristeza de certo era largar tudo isso.
É preciso um grande passo para ocupar um outro espaço.
No final,
Acabou a consciência
Que se difundiu no criador,
E passou a fazer parte da totalidade que é Deus.
Olhava para o horizonte.
Que pensava?
Ali estava e lock reconheceu e correu para sua companhia.
Cheguei e o ouvi e conversamos.
Aquele horizonte verde e lindo.
Efêmero como tudo...
Pensei tanto nesse momento
E não cheguei a conclusão alguma.
Ladram os cães ruas a mais,
A gente sente paz,
A gente sente paz,
E o tempo passa
Sem que percebamos,
Carregamos na nossa lógica
A esperança de que tudo será melhor
Um dia.
Um pitiguari canta ali,
Aqui canta um sanhaçu,
Na sombra da pinheira,
Doce e alvo fruto,
Friozinho e fresquinho,
O azul do céu,
O verde das folhas,
Um saci canta lá,
Um rouxinol canta cá.
Figuras oriunda daqui,
Que em palavras levo praí,
Pro mundo sem fundo.
O amanhã incerto,
A vida incerta,
Tudo em fim está aberta.
Flores foram ceifadas,
Flores amarelas, brancas, rosas,
Flores belas e perfumadas...
Vida plena, impar,
Vida...
Aqui estou neste momento breve,
Efêmero de existência,
Tudo se transforma a longo ou curto prazo,
Tudo aqui é passageiro,
Exceto signos,
Exceto aquilo que se transmite
Como a bela ária de Bach que ouço.
Efêmero.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...