31/03/14

Eternidade

Quanta coisa a aprender,
Quanta coisa a apreender,
Nesta vida,
Vida breve, vida efêmera.
Amanhã quem sabe como vai terminar.
O amanhã um dia virá
E passará e será eternidade.

30/03/14

Incerteza

Tudo que reúno entre mim e os meus dias
Tem  valor algum, livros, roupas e objetos,
Só me são uteis até onde sei usá-los,
Caso contrário são um peso ao meu ser.
Um peso que carrego ao sentir sua necessidade, deles.
Mudamos constantemente de ideias, de forma de pensar,
E muitas vezes esses objetos são apenas um fardo.

Temos que criar um sentido para nossa vida,
Seja como for, necessitamos ser fortes,
Visto que a vida é incerta.

Escupir do tempo

Quantas tardes não vi cai ao teu lado,
Tinha teu sono e teu afago,
Te via dormir feito um anjinho,
Tinha seus cabelos para cheirar,
Tinha você para cuidar,
E quando acordavas,
Era tu que cuidavas de mim,
E a tarde era tão maravilhosa,
Não sei por que, mas é tão ruim sem você.

As tardes quando caem sozinhas
São tão tristes...

Atemporais

Os dias e suas manhãs, tardes e noites;
As manhãs orvalhadas, ensolaradas ou chuvosas;
As tardes briosas, saudosas, esplendidas por seu fim;
As noites enluaradas, estreladas.

Os dias e suas revelações,
As flores coloridas e perfumadas;
As cores e as formas;
O desenrolar de uma vida,
No cotidiano,
A passagem das estações,
A limitações que surgem com o passar do tempo...

Mas a vida segue sempre em frente,
Sem tempo para reflexões,
Vivemos todos em tempos diferentes,
Apesar de compartilhamos o presente,
Somos seres atemporais.

25/03/14

Vida em frente

A noite pesa em minha alma,
Meus sentidos todos querem calma.
É hora de deitar e dormir,
É hora de descansar
E recarregar a energia,
Esquecer as coisas ruins do dia da dia
E está pronto para uma nova lida,
E assim segue sem porteiras nossa vida.

Desejo de uma paixão

Seus lindos dentes de marfim,
 sua pele doce como canela,
 seu olhar oh linda turmalina. 
Tu me tomas os sentidos, 
em tua beleza,
 encontro atração,
 quero segurar forte sua mão,
 quem sabe seus lábios que sabor terão? 
Quem sabe nos encontramos num verão
talvez esteja escrito em alguma estrela.
 Sabe lá. Sabe lá.

23/03/14

Cicatrizes

Na vida nunca se sai ileso, carrega-se sempre alguma cicatriz quer seja no corpo ou na alma.
As cicatrizes são provas materiais da existência e do passado vivido.
As cicatrizes presentes no corpo, cotidianamente, nos revela quão frágil é nosso corpo e quão é finito. Revelam ainda quanto necessitamos constantemente de cuidado consigo. Estas, as cicatrizes físicas, já não machucam mais no presente, estamos isentos da dor, já estão curadas. Para alguns é um símbolo de resistência e de força, enquanto para outros fonte de vergonha.
Quanto as cicatrizes presentes na alma. Estas sim são aquelas que apresentam um poder violento de aflorar a dor e que muitas vezes são incuráveis e machucam sempre que são percebidas.

Mas o que provoca uma cicatriz na alma?
As cicatrizes presentes nos corpos são físicas, factuais e fáceis de serem explicadas, mas àquelas presentes na alma são profundamente subjetivas e praticamente inexplicáveis por suas peculiaridades.
Estas cicatrizes da alma que dizemos que está presente na alma são provocadas por sentimentos, portanto por sua peculiaridade, praticamente inexplicável de serem explicadas. Cabe então a cada um procurar a causa de sua própria cicatriz. Uma vez que são os sentimentos que serão sua causa em cada indivíduo.
Estas depende muito de indivíduo para indivíduo.
Quem sabe não são estas cicatrizes a causa da infelicidade humana.
 Marx dizia que a vergonha é a ira interna. Então quem sabe se esta não seria uma das causas. O orgulho ferido, talvez seja outra causa.
Portanto é pertinente a cada um de nós refletirmos sobre nossas próprias cicatrizes.
As cicatrizes físicas muitas vezes podem ser apagadas através de tratamentos medicinais. No entanto as cicatrizes da alma, só podem serem tratadas através de si mesmo.
Conhecer a si mesmo pode ser um caminho, um método a se seguir, mas para isto é necessário está disposto a tentar curar e limpar a alma destas cicatrizes ou carregar por toda a vida estas marcas que te fazem sofrer.

22/03/14

nocturna

A noite revela minha fragilidade,
O medo da solidão.
Sem uma voz humana,
Eu ouço alguma música,
Eu olho o mundo através da janela,
E vejo as estrelas
E vejo a lua,
E percebo a distância
E percebo a solidão em meu ser.
As coisas estão ai e nem sempre percebemos,
Na maioria das vezes não percebemos,
Vivemos simplesmente.

A essência e a noite

É noite,
Uma noite profunda,
Uma linda noite enluarada,
Uma silenciosa noite de sábado,
Tão clara e distante está a lua.

Que noite profundamente bela,
Quão maravilhosa para dormir,
Mais maravilhosa é para apreciar,
A lua mais e mais bela,
A noite com sua essência.


20/03/14

Humano

O tempo,
O espaço,
Os objetos,
A existência,
As relações,
Os sentimentos,
Pode existir algo mais humano?

A beleza de uma flor,
A beleza de uma paisagem,
A elegância da inteligência,
O poder da tolerância e da temperança,
O poder destruidor do ódio e da ira.

A inveja...

A sensação de incapacidade,
O desespero...

Pode existir algo mais humano?

Quão sensual é o ser humano,
Quão criativo e destruidor,
Início e fim de seus pensamentos e extensões.
Tudo e nada.


19/03/14

Chuva

Ver a chuva chovendo,
Ouvir a chuva cantando,
Sentir o frio que traz a chuva,
Mas que deliciosa sensação.

Gosto de está próximo de quem me faz bem quando a chuva cai.
A chuva une, quando pode molhar,
A chuva evita diáspora,
Deixe a chuva parar.
Chuva,
Chuva.

18/03/14

A Deus

Sentir a vida,
Senti-se vivo,
Senti-se pleno.
Pleno dia,
Plena tarde,
Pleno momento.
Às vezes parece impossível,
Cada vez mais difícil,
Cada vez mais distante.
Deus meu, porque sentimos tantas coisas?
Tende piedade de nós que nos sentimos aflitos,
Temos medo de tudo, da solidão, do isolamento,
Da tristeza, de sua ausência.
Onde está o cerne da felicidade?
Dai-me um pouco dessa felicidade.
Ajuda-me a suportar este momento
Que vivo com fé.
Ontem já se foi,
Amanhã não veio.
Ajuda senhor a viver com sabedoria o agora.

17/03/14

O sentido

Uma flor,
Uma rua vazia,
A noite e o seu fluxo,
Cães a latir,
Ir e vir.
Quem vai?
Quem vem?
O que leva na ideia?
O que pensa?
Um transeunte, as vezes não é ninguém.
As pessoas só são alguém,
Quando se identificam,
Senão, não são.
Algumas coisas não fazem sentido nunca.

16/03/14

Após a chuva

Após a chuva,
As águas escoram sem pressa,
Após a chuva,
Brilha intenso o sol,
E tudo enxuga,
Vivas, viridescentes, crescem as ervas no jardim.
Sou tomado de alegria,
Como a ave que canta,
Como a esperança que surge do impossível,
E toda minha tristeza
E todas as minhas expectativas
Ganham um novo folego,
Neste momento sou feliz por existir,
Sou feliz por viver.
Após a chuva afirma-se em mim
A felicidade.
Acho que foi este momento
Que Deus escolheu para estarmos mais próximos.

Em minha mente

É noite,
Noite profunda,
Que hilário,
Não percebe um cheiro se quer,
Mas ouço e como ouço,
Os sons da noite:
Um ou dois quero-quero,
Grilos,
O vento,
Carros que passam.
Agora que é hora profunda,
Os sons me são agradáveis,
Posso me ouvir,
Grita minha consciência,
Aprende o que viver
É simples,
Vive o presente...
Apenas o presente.
E a noite cai profunda,
Muito profunda em minha mente.

Busca

Há algo que me falta.
Não sei explicar nem verbalizar,
Mas há algo que não me preenche
E por isso, noite afora sigo acordado.
Eu contemplo a noite porque sei que ela esconde
O que me falta.
A lua sutil todo mês tenta me mostrar
E alumia aquilo que me falta.
As vezes escolho os caminhos mais errados
Tentando encontrar aquilo que me falta.
Do seio do infinito surgi,
Como num instante divino o universo me criou
E num seio me gerou,
Depois me fiz quem sou.
E o que eu sou?
Essa coisa existente, mas essa coisa que me falta.
E não está em lugar nenhum,
Porque não é material...
Porque está em algum lugar que  não sei como evocar.
Quando parar de procurar,
Serei encontrado...
Temos que nos encontrar sempre
E essa busca é a vida.

A noite, corpo e reflexão

A noite,
A lua,
As estrelas,
O céu,

A sombra da noite,
Nas ruas e becos e interiores de casas.

O canto dos grilos,
O calor,
O sono...
Cadê o sono?

Um copo de água gelada.

Pensar.

É noite de sábado,
É madrugada de domingo.

O cheiro úmido da madrugada.

Penso sob a luz fria que alumia,
Sob a lua e sua magia,

Só neste recinto.
Que sabe da minha existência agora?

Como uma flor que já floriu,
Frutos será ou nada,
Mas o que importa?

O que realmente importa?
Não sei.
A busca talvez.
Não sei.
Essa pergunta existiu e existe e persiste.

Enquanto não viver as palavras,
Qual seu sentido?

Não sei,
Talvez a noite ao menos me consola.

15/03/14

Tarde de sábado.

É fim de tarde.
O céu está azul, mas no nascente
Nuvens começam a surgir e se impor.
O vento ventando pela janela,
As flores floridas vermelhas
São sacolejadas de leve.
De toda parte ouço sons, dos mais distintos estilos.
Um cheiro de carne assada.
Ah, lembrei que não usei minha fala hoje.
Simplesmente permaneci oculto.
Tomo conta que podemos ser mais ocultos do que somos.
Nesta tarde penso em muitas coisas,
Que ocorreram...
Algumas coisas me espantam
Outras se banalizaram...
E a tarde de sábado passa.

14/03/14

Sabiá a cantar

A chuva chovendo suave,
Parece feliz.
O sabiá canta
E canta feliz.
Cadê o sol?
A chuva chove
É sexta-feira...
Sob a coberta seria  melhor
Ouvir a chuva.
A chuva me faz feliz,
Sinto-me um sabiá a cantar.

13/03/14

Questões de um destemperado

A noite fresca,
Janelas aberta,
O cheiro vivo da chuva,
O silêncio.
Coisas inimagináveis.
O amanhã,
O ano que vem.
O ano que passou.
O tempo como um rio
Escorre sempre no mesmo sentido.
A noite meus pensamentos
Que se construíram
E sumirão na calada da noite.
E a felicidade onde está?

Stêfani

A cigarra cantando,
O ar condicionado roncando.
Paro, ouço, penso
E escolho Chopin para ouvir.
Certamente me trás boas lembranças.
Da chuva que caiu,
Do olhar e da voz de Stefani.
Que me ensinou a ouvir Chopin.
Não sei por que, mas sentia tristeza em Chopin,
E acho que Stefani cultivava a tristeza.
Tão linda, educada e inteligentíssima.
Stefani dividia o mesmo espaço comigo com alegria,
Não se importava se era ou não supersincero.

Agora a cigarra calou,
O ar acalmou
E Chopin continua aqui,
E Stêfani trabalha lá em Brasília...
Só resta ouvir Chopin.

Tudo passa muito rápido.
Se sabemos desta certeza.
Qual o motivo de nosso sofrimento?
Por que não aceitamos a realidade?

Agora, cada um para o seu lado,

Levo no coração o que aprendi
Com os ensinamentos meigos
Daqueles que gostam de mim
Acima de minhas arestas.

12/03/14

Mistérios

O silêncio da noite,
O som do chiado da palho do coqueiro,
Anunciando a presença do vento.
Lá fora o mundo,
Há tanta gente.
Gente dormindo,
Gente acordada se divertindo,
Gente trabalhando,
Roubando...
Gente que não verá o dia nascer.
Mistérios divinos,
Ocultos em tudo.


11/03/14

Cantar da cigarra

As cigarras quando cantam
Cantam para seu amor,
Mas ai para nós anunciam o calor,
Cantam de manhã,
Cantam  tarde,
E o sol, nossa esse arde,`
Cantem cigarras,
Cantem e vão embora
E levem o calor
E o seu amor.

10/03/14

A chuva chovendo

É de manhã,
Mas que calor,
O sol nem saiu,
O sol ninguém viu,
Nuvens escuras
Fazem a chuva cair,
E a chuva chovendo
É tão maravilhosa,
É tão generosa,
Cai e se doa a toda a vida,
Cai e se doa a eternidade.
A chuva chovendo é tão feliz,
A chuva chovendo.

07/03/14

Dúvidas

A noite em silêncio!
Ensurdecedor silêncio noturno.
Um apito,
A rua vazia preenchida pela luz amarela.
Nos quintais sombreados de escuro
Cantam grilos,
No céu rutilam estrelas.
E aqui dentro de mim o que me preenche?
Solidão, um coração e a razão...
Minha mente  não mente me traz lembranças...
Mas o meu vazio frio continua.
O silêncio de minha alma,
O cansaço de meu corpo,
O desânimo do existir.
Talvez quem sabe a angústia
Que talvez não seja só minha.
A noite logo se calará e passará.
Serei eu feliz com o existir?

Encontra-ti

Tudo aqui é passageiro,
A manhã, a tarde e a noite,
O dia, o mês e o ano.
Cultiva a vida a cada instante,
Nunca saberá qual é o último.
De Jesus a Gandhi...
De Platão a Habermas...
Há um fosso preenchido
Pelo nosso existir
Que faz sentido
Ou não.
Quem sabe.

Alegria que contagia

Quão feliz é a manhã!
O sol nem despertou,
Mas que intensa é a alegria dos animais,
Cantam intenso todas as aves,
As cigarras que fazem a madrugada pulsar.
Será que estão feliz por sexta-feria?
Será que cantam pelo calor?
Quem poderá saber.
Só sei que sua alegria
Me contagia.
Acordei e já estou feliz.

06/03/14

Noite de março

A noite,
O som do apito longe,
Grilos cantando,
Estrelas piscando.
Minha rosa do deserto de corola dobrada desabrochou
Uma linda flor vermelha maravilhosa,
Folhas deitadas pelo chão,
O eco do mundo.
Ouço Liszt.
Tudo parece tão perfeito...
Exceto pelo calor.
E a noite de março passa.

24/02/14

Definições

Talvez uma coisa boa esteja me acontecendo
Ou talvez não esteja acontecendo nada.
A brisa frouxa cruza a janela,
Noite de estrelas e nuvens frouxas.
Eu, minha existência e os meus hábitos.
Quem eu sou?
Definiria-me através de meus hábitos.
Mas parte de mim é essa matéria
Esse corpo a quem habito.
Esse corpo que se consome
E se deteriora dia a dia..
Tenho noção disso
E aos poucos o tempo e a realidade são reflexos num espelho dourado.
Por isso inicio o texto com um talvez,
Por isso falo da brisa,
Do céu e das nuvens... Nada meu.
As mesmas sensações voce que agora ler as possui,
Mas a sua maneira.
Sensações são tão subjetivas quanto emotivas.
A nossa existência é tão breve para não perceber as coisas simples do mundo.
Eu sou o que o mundo me fez,
Eu sou minha maneira de perceber e se expressar,
O suspiro que sempre segue futuro a dentro,
Passado afora e presente...

Breve chuva

Agora, breve manhã,
Chove.
A chuva chovendo é tão agradável.
As coisas são agradáveis quando estamos seguros.
Lá fora, nas ruas, nas estradas e construções
A chuva, talvez não agrade.
A mim, agrada tanto quanto agrada as plantas,
Ao seco sertão.
A falta de chuva me ensinou quanto podemos amar o que não temos.
Cai água, derrama-se nesse solo fértil
E faz germinar a semente,
E faz das folhas adubo,
E dá a condição para a flora florir.
Pingo a pinto o solo absorve,
E tudo vai ficar mais lindo após a chuva.

23/02/14

Impressões

Uma manhã nublada,
A brisa fresca,
O canto das aves,
As a flores rosas das plantas nos vasos floridas,
O branco das paredes,
As folhas verdes do coqueiro,
E toda paz do domingo
Inundam o meu ser.
Talvez quisesse está em outro lugar,
Em outro tempo,
Em outro momento,
Mas aqui estou,
Ontem estive em Brasília,
Anteontem em Campinas...
Agora aqui estou, agora sou.
Amanhã quem sabe.
Sabe, a gente sente um vazio no peito
Certas vezes e desconhecemos as causas.
Certas coisas não tem causas.
Com a vida é assim,
Simples e lógica
É ou não é.
Chopin, para mim, expressava tudo isso.
Mais nada.

21/02/14

A passagem do tempo

Os anos que passam me ensinam tanta coisa.
São tantas as experiências.
Os anos por passarem nos separam das fases da vida,
Os anos que passam apagam da memória coisas boas e coisas ruins.
Os anos passam e com essa sucessiva paisagem
Temos muitas vezes que mudar,
Todos se vão com o tempo.
O tempo está presente do desabrochar da flor
Ao amadurecer dos frutos,
Na semente, na árvore...
Em tudo.
O tempo é intuição.
Começo a desconfiar que não consigo domar o tempo,
Então só me resta domar a mim mesmo
E mesmo que não o faça o tempo se encarregará de tal proeza.

20/02/14

Consciência

O tempo,
O espaço,
O mundo,
A matéria,
A substância,
A matéria,
Os corpos,
As cores,
Os cheiros,
As formas,
A vida.
Nossa percepção de mundo,
Nossa cultura,
Nossos hábitos.
Quem somos nós mesmos?
Somos livres realmente?
Não dependemos do todo para existir?
A propósito consigo respirar com dinheiro?
Posso, devorar um boi numa refeição?
Eu consigo desfrutar e fazer tudo que eu quiser de uma só vez?
Como pessoas que prejudicam os outros por interesses consegue dormir?
Por acaso não crê que vai morrer?
Não imagino.
Alguns homens tem mais consciência de sua existência passageira que outros.

Canta sabiá

É de manhã,
Após a noite,
O sol clareia a floresta
E um sabiá contente está a cantar.
Canto belo o canto do sabiá,
Canto alegre, canto feliz.
O sol desponta sobre a floresta
E os raios dourados alumiam as floras da aroeira
Lindo Schinus terebinthifolius.
Canta sabiá,
Canta sabiá.

18/02/14

Acordar

Hoje, quando acordei,
Foi tão bom.
Senti a vida pulsando,
Senti uma alegria gritando,
Dentro de mim,
Igualmente ao canto das aves
Que cantavam
Como se estivessem felizes
Como se cantassem para o sol que nascia.
Hoje, quando acordei,
Percebi que o sol ainda ia nascer,
E me senti renovado como se tivesse renascido com o sol.
Senti a brisa da manhã invadir o meu corpo,
Senti aquela brisa que vindo mar, ou além do mar
Fazer parte de mim, mesmo que nem percebesse, mas hoje percebi.
E ao levantar e ao caminhar até a cozinha senti as minhas pernas,
E percebi quanto é bom poder de deslocar.
Enchi o copo com água.
Água pura, sem gosto, geladinha
E tomei todo o copo e senti e percebi que aquela água que estava na geladeira
Naquele instante me constituía.
Esqueci o mundo, não liguei o rádio e li uma máxima  de Epiteto...
Matutei por um certo instante.
Fui a janela e contemplei as minhas flores.
E tive um dia tão diferente.
E assim vivi.


17/02/14

Descoberta

Quando a chuva se vai,
Os pingos ecoam
E se derramam por um bom tempo,
E a brisa passa
Enquanto isto o solo ainda tem o espelho da água que caiu da chuva.
As folhas gotejam generosamente a água que poderia absorver,
Mas cabe a raiz beber a água da chuva,
A folha apenas respirar e purificar o mundo quando é dia.
Shodtakovich tornou a noite ainda mais harmoniosa,
Nem quero ir dormir, mas devo...
Minha natureza necessita recolher e reenergizar
para o novo dia,
Mais uma rocha a Sisifo.

Momento sublime

É noite!
A noite já está alta.
Faz muito calor,
Embora chova neste instante
Nem por isso a temperatura diminui,
Contudo a chuva chovendo é um espetáculo,
A minha rosa do deserto desabrochada, mesmo agora.
A noite vai passar,
A chuva vai parar,
E a rosa vai murchar,
Mas agora a noite, a chuva e a rosa
Tornam este momento completo, sublime.

16/02/14

À tarde!

A tarde cai serena e iluminada.
Esta tarde que é benção,
Mas que por ocasiões da vida
É o fim para outros...
Quantos viram o dia nascer,
Mas não verão a noite escurecer.

Sol que se desloca e se encanta no poente.
Este sol que vai minguando a cada instante que se vai totalmente, completamente.
Essa tarde, esse sol são iguais àquela tarde que Jesus entrou para a eternidade.
É a mesma luz e semelhante tarde que iluminou o mundo para Borges,
Esta tarde essa luz é a mesma luz que encantou Gogh.
É a mesma tarde que Beethoven teve a epifania que lhes permitiu concluir uma sinfonia.
Certamente é a semelhante a tarde que Eistein pensou e solucionou a teoria da relatividade.
O tempo é uma intuição interna,
O espaço uma intuição externa,
Visto isso, se todos somos humanos!
Se todos estamos vivos. Por que nos angustiamos nas tardes de domingo?
As vezes temos motivos e as vezes temos indisposição.
Essa luz desta tarde que tantas belezas ilumina
É a mesma luz que vigia as tragédias que amanhã
Serão notícias nos jornais.
Sol esse ser maior sob sua luz nada se oculta,
Que a todos compartilha sua luz, sua energia...
Eis o ser maior, eis o ser superior.
Vejamos o mundo não nos comparemos com os outros, mas com o melhor que podemos fazer.
Tenhamos cuidado com as ilusões do mundo.
Posto que podemos admirar o que está a nossa volta,
O sensível e a partir dai possamos entender tantas questões.
A luz do sol da tarde de domingo,
Que se sinta feliz por ver e por viver...
Porque uma tarde passada não volta jamais.

15/02/14

Generosidade

Na noite escura,
O céu é o firmamento das estrelas,
Da lua.
O céu é tão grande e magnífico que não cabe no meu olhar.
Meu olhar se perde 
Entre tantas estrelas belas,
Na profundidade escura da noite.
E a brisa que sinto que me afaga
Que faz as folhas das árvores cantarem para mim.
O universo é tão perfeito e generoso
Que compartilha comigo este momento de existência.

Aqui, sábado a noite

A noite de sábado é tão vazia e silenciosa.
As ruas estão tão vazias,
Cães latem longe.
No meu prédio,
Além de mim não há ninguém.
A brisa sopra suave,
O somo me envolve,
Vou dormir e fechar a minha noite.
O mundo lá fora é uma selva
Na qual não me aventuro a passear.

13/02/14

Predicados noturnos

A noite cai enluarada,
Silenciosa e ventilada.
E a chuva caiu!
E espalhou no mundo
O cheiro de molhado.
O grilos cantaram,
E a lua se escondeu atrás das nuvens.
E veio o calor e o vento.
E tudo passou.

10/02/14

Prazer da vida

A vida que é cheia de descobertas, nos revela que viver é conhecer. Descobrir é conhecer. Às vezes, somos tomados por um grande desespero que não entendemos e sua origem e portanto nos faz sofrer. Este desespero surge de nossa insegurança. Bom com a experiência aprendemos que o desespero passa e que sobrevivemos e que a vida continua... E é como nadar na praia sempre virão ondas sucessivas e aprendemos, então a gostar das ondas e a descobrir o prazer da vida nas pequenas coisas.

09/02/14

Chuva e a noite que caem

A noite calma que passa suave
Está tão gostosa,
Por hora desfia do céu uma fresca chuva
Chuva que se derrama por benção
Cai e mata a sede das ervas e árvores,
E permite que a natureza do amanhã
Seja distinta do que foi hoje.
A chuva que cai canda para minha alma,
Seu canto doce eco me faz feliz.
Pingo a pingo ecoa num doce som,
Ecoa num só tom
E a brisa molhada invade minha sala seca.
E o meu ser é todo cansaço
E a cama meu altar
Trará energia para um novo dia...
E a chuva cai, como a noite
Suave e lentamente.

08/02/14

Através da tarde

A tarde que passa
A tarde que passa ensolarada,
A brisa que passa pela janela aberta,
E me afaga,
A luz que da tarde que me revela as cores e as forma coisas,
E o que sinto agora é diferente do que sinto pela manhã ou pela noite.
Sensações que me fazem sentir pleno nesta hora.
Pensamentos que norteiam meu ser e minhas ideias
Pensamentos os quais conheço e por isso tenho que avalia-los sempre
Para não perder meu norte...
Consciência de mim,
Aquilo que também adormeceu em meu ser,
Após meu cochilo, parece adormecido em mim,
Nem parece que agora me constitui,
Parece o movimento que Sartre chama de consciência,
A consciência é nada,
Certos conhecimentos fazem parte de mim, mas que muitas vezes se fazem reticentes.
Agora, estou pleno...
Agora que ouço Bethoveen, o chiado das folhas de coqueiro e o canto da patativa e do sanhaçu...
Reconheço cada som a minha volta, as formas e as cores...
A parte isso, o que existe é um monólogo consciente do meu ser...
A tarde esse movimento que se desfaz para dar origem a noite,
É necessário nagar a se para da origem a si em plenitude sendo quem é.
Como a tarde, como a ignorância...
Como nada.

07/02/14

Breve

Sexta-feira, chego cedo na minha sala. Acordo bem cedo, assim posso desfrutar de coisas que adoro: o sol nascendo, o canto das aves, minhas leituras breves, assim como meus pensamentos breves, meu café, meu chá. Bom ai venho para a universidade e me divirto com as coisas simples, as pessoas caminhando na praça da Paz, pessoas indo comprar pão na padaria da esquina, as crianças entrando no carro para ir para a escola, sonolentas...
E chego a minha sala, sento, ligo o computador... Leio Loiola.
E ouço um sabiá cantando na aroeira em frente a minha sala
Aos poucos se inicia uma chuva...
Sinto uma paz... E penso bem que isso poderia durar uma eternidade,
Mas sei que o que é bom é bom porque é breve.
E a sexta segue com suas ações.

06/02/14

Voltar a si

A gente se perde no dia,
A gente tenta muito fazer o possível
O que parece impossível,
Nem sempre cumprimos nossas prioridades,
Procrastinamos...
E percebemos apavorados que o tempo passa
E quanto o tempo passa
E quantas vezes nos perdemos...
É preciso voltar a si...

05/02/14

Saudade

Às vezes nossos sentidos congelam com imagens,
Sons, cheiros de algo que fazia bem e não que existe mais,
Desapareceu e só existe a luz de nossas lembranças.
Sensações vivas do passado que nos faz  reviver...
Um beijo, um abraço, caminhar pelas ruas,
Olhando as casas, as árvores com suas flores,
A manhã que sempre se revelava linda com ou sem chuva...

E ter tudo aquilo está ali vivo em nossa memória mas que não existe mais.

Como dói a saudade.

Quando temos muitas saudades, certamente estamos cada vez mais experientes e não velhos.

É interessante como alguns lugares nos fazem tão bem...
Essa é a minha impressão que tenho de Campinas,
Quantas conquistas não consegui em terras tão distantes,
Amigos, uma namorada, uma boa morada... Uma segunda mãe.
Uma maior compreensão do mundo, amizade...
Todo o conjunto...

Certamente, tens algum lugar que te faz sentir assim...
Quando quero viver em Barão ouço Schumann,
Quando quero viver São Paulo ouço Holst...
Quando quero viver Brasília ouço Chopin,

Creio que selecionamos nossas memórias...
E quando quero viver Serrinha o que ouço?
Leandro e Leonardo.
De lá pra cá parece algo tão longe...

Ainda tenho lembranças de quando sai de casa
Com a cara e a coragem e magreza...
Meu Deus como a vida é louca.
Olhando aqui de cima, vejo que lá de baixo nunca pensei em chegar aqui...
Acho que sempre fui um perdido das ideias,
Talvez todos sejamos assim ou não...

Não sei,
Mas será que existe algo em mim que se expressa sem que perceba?
Vez por outra, mas diante da razão me pego místico...
O que explicaria esta saudade?
Vago... vago universo.

04/02/14

Adeus ao tempo

Adeus
Flor do campo que ontem floriu,
Céu azul de janeiro,
Férias de verão,
Meu ser e sua expressão...
Tudo parece melhorar amanhã,
Mas todo tempo é muito para quem espera.

Agora o sol brilha tão forte
Quem nem parece que hoje é irmão do ontem
E ontem chovia tanto...

03/02/14

Pensamento oco

A manhã, a chuva, as árvores molhadas,
O cheiro de madeira e folhas em decomposição,
O som da chuva, 
O lugar quentinho,
O som de piano, Chopin ou Schumann...
O vento que sopra suavemente flamejando
O ramos das árvores,
Tudo isto me soa tão saudoso,
Boas recordações profundamente subjetivas,
Sempre que se repete,
Simplesmente exito, simplesmente sou...
Perco-me no vazio de nada pensar,
Sou só sentidos.
Sei, entrementes, que não são coisas raras na natureza,
Mas que fazem toda diferença em minha breve vida,
Porque amo a chuva,
Porque amo a manhã,
Porque amo a vida,
Porque a vida é uma eterna e incessante construção,
Como o quebrar das ondas na praia,
Como a correnteza do rio,
Incessante é a vida...
Enquanto cai a chuva vago...
E para onde vão as perspectivas de quem morre?

Sei lá...enquanto chove, agora, escrevo algo, que sei lá quem vai escrever...
No caso você que ler agora, visto que a leitura é algo sempre feita no presente momento,
talvez nem tenha cruzado os primeiros versos...
Que sentido terá o que escrevo, para onde mira meus pensamentos,
E o espelho de minha memória o que me mostra...

Vejo a chuva caindo no barro vermelho,
Vejo pedras escuras soltas,
Sob o cajueiro um monte de caju,
Junto a meu pai a descastanhar o caju e a castanha melados de nódoa e água
E o meu pensamento oco como agora.

31/01/14

O mar

A água salgada,
A areia úmida
E lambida das ondas do mar,
A linha do horizonte tão planta,
A brisa a soprar,
As algas ancoradas na praia,
Uma ou outra caravela,
O céu e o continente dois oponentes,
Coqueiros a balançar,
Pra lá e pra cá...
Já não desconheço,
Mas pouca intimidade tenho com o mar.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh