09/03/13

A barata angustida

Solitária na lixeira pensa a barata:
_ Quem sou eu? O que faço tem sentido para a minha vida?
Enquanto se alimenta do lixo a barata continua a pensar.
Sou uma barata, sou rica, vivo no meu mundo falto de alimento. Nunca me falta comida. Sou linda e maravilhosa, sei voar. Seria capaz de viver a uma gerra nuclear.
Tudo que faço é viver e ai está o sentido da vida. Viver.
A barata vivia sozinha, mas não sentia solidão...
Certo dia, enquanto chovia a lixeira virou jogando a barata para fora.
A lixeira foi arrastada para o rio.
A barata desamparada, logo buscou um abrigo até a chuva parar.
A barata se sentiu desamparada.
Quando parou a chuva, a barata saiu em busca de uma outra lixeira.
Não demorou muito encontrou uma lixeira.
Conseguiu entrar e uma surpresa ao entrar na lata haviam mais baratas. Estavam numa algazarra.
Sem graça a barata falou um oi.
As outras baratas a ignoraram e riram da barata.
Pela primeira a barata se sentiu ridícula, mas como não tinha para onde ir ficou ali mesmo.
Comeu do lixo e ficou só observado.
As outras baratas olhavam para ela com desprezo.
Até tentou conversar, mas não obteve atenção.
A barata se sentiu mal, feia e ridícula, mas precisava ficar ali ou achava que precisava.
Achou que poderia ser amiga das outras baratas.
Mas sempre era rejeitada.
As outras baratas se acostumaram com a barata, mas como ela sempre vivera sozinha, não sabia
como se portar, falava alto e o que pensava... Isto não era permitido...
Poxa barata por que não mandou elas se fuderem?
Mas não a barata ficou ali, aguentou até chegar o dia de ir embora.
Ficou ali para ver até onde suportava.
A vida nunca fora tão ingrata para a barata. Ela sentiu nojo de si, de tudo que pensava de quem era.
Então numa manhã de sol foi embora.
Encontrou uma lata de lixo sem baratas e foi viver sozinha.
Mas nunca mais foi feliz, pois ecoava em sua mente
as risadas e a recusa das outras baratas.
Então numa manhã de sol se atirou na calçada
e foi pisada pelo primeiro humano que passou.
Suicidou-se de tanta angustia.

08/03/13

Dupla face

É tarde da noite. Saio da rodoviária do plano em direção a W3 Norte. Meu corpo está cansado. Vem a mente reflexões. Olho através da janela e nada percebo. Ninguém senta ao meu lado. Acho que tenho cara de mal mesmo, como alguns conhecidos dizem. Enfim, penso na vida, penso nas coisas que falo, penso no que sou. As ruas estão escuras e vazias... A certa altura da W3 vejo mulheres nas áreas escuras do setor comercial. Mulheres usando roupas curtas e sob a luz das áreas escondendo a face. Mulheres que vendem o corpo por necessidade. Há quem diga, mulher de vida fácil. Não sei por que falam isto. Uma pessoa que sai de casa a noite e se subordina a fazer sexo com qualquer pessoa por dinheiro, seja uma pessoa de vida fácil. Quem são elas? De onde elas veem? Por que se prostituem?
Junta todas estas questões em minha mente e ai não sei mais distinguir minhas ideias.
Vou dormir num caos...
E a noite segue, hoje a noite algo foi revelado, coisa nunca tinha visto.
As pessoas, as ruas e a cidade revela ter diversas faces. Conhece-las as vezes nos choca,
mas ao mesmo tempo nos ensina.


07/03/13

O espelho

O que vejo quando olho no espelho?
Muitas vezes não vejo nada.
Muitas vezes uso o espelho, 
mas não me vejo ali...
Todavia tem dias que me vejo no espelho
vejo as marcas do tempo,
sulcos na pele,
sulcos na pele,
sulcos na pele,
barba feita ou crescida,
olho nos meus olhos
e nada vejo, perco até o timo,
as vezes me pergunto: Quem sou eu?
Não vejo os anos passarem,
parece que cruzei a infância e adolescência
sem perceber...
O espelho me faz cair em si,
por isso me vejo ou desprezo
minha imagem no espelho...
Será que é porque sempre estou olhando o amanhã?

06/03/13

Faróis... Só Jesus salva?

Há pessoas que sabem ver, perceber e viver no mundo. Creio que estas pessoas são faróis que guiam as pessoas por um caminho mais suave diante das dificuldades da vida. Certamente não sou uma destas pessoas, mas percebo pessoas que foram ou são assim.
Para mim, Borges que foi um bom escritor é um farol da literatura. Lineu um farol para a Taxonomia. Gandhi um farol para a Índia e para o mundo. Mozart um farol para a música.
Acho que estas assertivas são indiscutíveis. São clássicos que devemos conhecer, mas quem seria o nosso farol real vivo? Até conhecer alguns professores, não sei se teria um. Os ídolos da televisão ou cinema só divertem, mas o que me ensinam?
Além de meus pais, minhas mestres e orientadoras, Iracema Loiola e Ana Tozzi, ajudaram-me a me tornar quem sou, apararam muito minhas arestas. Diria que aprendi muito com os meus amigos
aprendi a viver melhor...
São tantos os amigos que estão demasiadamente distante...
Precisamos nos reconstruir e recriar tudo para não sermos esquecidos.
Com o tempo vamos perdendo a cor e nos tornamos invisíveis...
Queremos sempre tanto ter cor e não cair no esquecimento.
Os faróis podem serem visto a distância.
E se quisermos ser faróis o que faremos?
Há quem creia que estamos aqui para cumprir uma missão,
há os que creem que só viemos aqui por acaso e devemos viver.
Pois eu digo é sempre bom ter um farol, mesmo que seja tão popular como Jesus.
Pois o mais simples dos homens fala: -"Só Jesus salva".
Ah, Jesus é um dos maiores faróis.
Como pude esquecer o farol da religião.
Aquele que sempre esteve comigo e espero que continue,
pois é a memória mais viva de onde vim e o que eu sou...
Borges, creio que foi ele quem disse que a oração é herança que levamos para sempre
de nossos entes queridos.
Ele que sabia tanto falou isso... sábio farol...

Após a chuva

À tarde choveu. Após a chuva o mundo parece mais vazio. As pessoas não saem para caminhar ou curtir a tarde.
E foi isso que percebi na tarde de hoje.
Sai para caminhar com um guarda-chuva. Andava a passos lentos tentando perceber o mundo a minha volta. Olhava para as plantas, as pedras, os carros e para o céu procurando algum avião. Nada mais belo que aviões no ar. E fui caminhando enquanto a tarde caia.
O sol ressurgiu entre as nuvens e deu o último suspiro de luz.
Logo a noite foi caindo.
Enquanto voltava pra casa sentia o cheiro do mato molhado, o cheiro das Ipomoea alba, da palha do capim.
Senti tão só, mas muito feliz.
A passarela molhada, a noite chegando
e eu pensando na beleza da vida.
Coisas tão simples podem nos fazer tão felizes.
Coisas como caminhar numa tarde após a chuva.

05/03/13

Questões banais?

Hoje ao me deitar lembrei dos moradores de rua. Próximo a EMBRAPA há um grupo de moradores de rua composto por quatro pessoas. Montaram uma cabana sob os grandes eucaliptos.
Então penso o que fazem durante o dia? Onde depositam suas fezes? Como conseguem comida?
Como é viver sem tomar banho ou ter roupas limpas? 
Vejo sempre que há uma senhora, idosa, que aparenta ser mais velha que realmente é. Ela fica sentada, as vezes tem uma mais jovem. Já ouvi elas falando sobre não se meter com a vida dos outros. Ali mora também um senhor de barba, outro dia, um domingo, o vi mexendo no lixo de nosso prédio.
O vi sentado com olhar perdido a fumar um cigarro. Pensei: Que será que pensa?
Não sei, mas podia ser eu, podia ser um irmão, um amigo ou qualquer pessoa...
Este é apenas um retrato, um pequeno retrato,  pois as cidades estão cheias de pessoas na mesma situação ou pior, pessoas viciadas.
Gente que vive sua miséria calada.
Gente como eu, humana de carne e osso e pensamentos.
E o que fazemos para mudar?
Como dormimos sossegados?
Como queremos os melhores objetos e nos esquecemos das reais necessidades humanas.
Temos até medo de olhar no olho daquelas pessoas, parece que aquela realidade não nos afeta,
já é tão banal.
Eles falam, se organizam, mas não tem um norte.
Vivem perdidos, angustiados?
Sabe-se lá!
Nem sei o que fazer, nem por onde começar.

Passagem

O céu azul, o sol brilhando
E a manhã segue bela.
As aves buscam as matas
e cantam timidamente.
Hoje não há brisa
Apenas a luz do sol.
E muita gente com suas perspectivas.

04/03/13

Dissolver a alma

Segunda-feira
Quão longa é a tarde deste dia
Dia de luta então tarde cai. 
É uma das lindas tardes que já vi. 
A brisa sopra frouxa e fresca.
Os eucaliptos faz sombra nas calçadas.
Saio para caminhar e vejo o lago Paranoá
Que está tão calmo. 
Suas águas mais parecem um grande espelho.
O céu estava tão azul com umas
Nuvens perdidas.
Os aviões se perdem em tamanha imensidão do céu.
Aves voam de volta para seus pombeiros,
Voam um voo rápido e ágil.
É tão imensa a tarde
E tudo que ela alumia.
É tão pequeno meu ser,
São tão pequenos meus sonhos
Que se dissolvem nesta tarde tão bela.

02/03/13

Chove chuva

A noite caiu bem devagar e quente.
A chuva veio cantar em minha janela.
Chove chuva,
Chove chuva...
Chove chuva,

Vem e desperta em mim
memórias de alegria,
Vem chuva e me trás
Os sonhos que preciso sonhar,
E quando acordar
Que eu me sinta mais forte.

Estou feliz, com sua companhia chuva,
Estou feliz com a música de Dvorak,

Com os meus livros,
Com o meu autor favorito Borges...

Chove chuva,
Que a noite é bela
e não vai acabar de uma hora para outra,
Servirei-me de um chá,
E a noite sumirá no amanhecer.

Profunda noite

A noite já é profunda.
Quando é noite profunda 
E o movimento para,
As pessoas sozinhas
Em suas casas,
Consomem sua solidão
ou desfrutam da companhia
De quem ama...
Uns esperam,
Outros vivem
E a vida passa.

01/03/13

Ócio da noite

É noite.
Tudo em silêncio, exceto o ar condicionado do shopping vizinho.
O escuro da noite é quebrado pelas luzes frias da rua que ilumina com um verde escuro
a grama do jardim.
Através da janela nada de interessante para ver.
A quitinete vazia e silenciosa. Abro o computador, ponho pra tocar algo.
Faz calor, ligo o ventilador... e tento fazer coisas relacionada ao meu trabalho ou a estudo, mas não consigo. Não me concentro em nada. Parece que há algo me revelando que neste momento estou só.
Vou a estante olho meus livros, objetos e imagens... o ócio me consome.
Posso fazer mil coisas como ler, ver um filme ou fazer o que deveria fazer, mas me recuso
a fazer qualquer coisa. Pego o telefone e ligo, a conversa não me agada então desconverso e desligo.
E o dilema e a angústia me consome porque não faço o que devo fazer.
E a noite passa.

Paixão as palavras

Os livros por que lhes amo tanto?
O lugar onde cresci era o meu universo e tudo era tão imenso e havia tantos momentos de ociosidade o tempo se alongava tarde a fora. A noite via novela e o Jornal Nacional.
Quando a tarde caia, em minha casa, só restava dormir, sair para o mato ou não fazer nada. 
Então ficava ali na frente da casa na área olhando homens passarem a cavalo de jegue subindo e descendo com cargas de capim ou lenha. Uns apressados outros lentos, cada um a seu ritmo, gente passando com gado.
Então descobri as palavras e os livros que explicavam gramática, matemática, ciências entre tantas coisas. Descobri os livros não didáticos. Todos os nossos livros eram velhos e perfumados pelo tempo... Descobri um maravilhoso de Mahatma Gandhi, achei maravilhoso. Lia e relia as máximas que mais gostava. Li outro de Bruce Lee...
Lembro do primeiro romance que li o Cortiço de Aluízio Azevedo. Achei muito bom...
Aos poucos a leitura foi sendo inserida em minha vida, fui ocupando o ócio com textos, gostava de textos curtos... Depois vieram os romances. Praticamente lia tudo que caia em minhas mãos.
Aos poucos as coisas começaram a fazer sentido. Comecei então a me orientar por um universo paralelo ao que meus pais e os meus amigos diziam...
No início a leitura era apenas para matar o tempo, mas depois passou a ser o meu norte. Fui encontrando nos livros o alimento necessário ao meu bem estar. Aquelas histórias, instruções, questionamentos. Achava o máximo falar sobre os autores, sobre obras... Eu queria ser famoso como os escritores.
E foi assim que me tornei quem sou um eterno amante das palavras e dos livros

Coisinhas boas

Hoje a manhã amanheceu suave,
Nublada e leve.
Uma brisa fresca corre pelas ruas,
Faz balançar os ramos das árvores,
Os bambus parecem dançar.
As folhas esvoaçam
O cheiro do tempo,
das folhas e flores...
O tempo corre
E a vida segue...

28/02/13

Crianças egoístas

Ver criança brincar é uma graça. Vou sempre aos fins de tarde a academia de idosos do PIE. Lá fico curtindo a tarde, fazendo exercícios físico e observando as pessoas, os pais e as crianças, às vezes até cachorros. É muito engraçado ver como as crianças se comportam. Na verdade não sei se é engraçado. Porque na verdade as crianças são egoístas... Sim são... Hoje tinha um bando delas seis, nem vi os pais delas. Tinham entre cinco e sete anos. Três meninas eram as mais novas, uma loira e duas morenas... A loirinha era a bola da vez. Era ela quem escolhia a amiguinha. Então ela escolheu a mais serelepe de cabelos cacheados para ser sua amiguinha. A outra ficou excluída. Tadinha... A escolhida como amiguinha da loirinha ficou bulinando falando que ela não era amiga das duas... Para se proteger foi muito bonitinho a excluída tapou os ouvidos e saiu dali, no entanto ficava sempre rodeando... Que dó...
A escolhida tagarela falava alto para chamar atenção... que chata.
Tinha uma maior e dois meninos...
A maior era cortejada por Nicolas e Artur... Ela queria Nicolas o maior para brincar junto. Artur foi excluído... mas ele era mais forte e maior e sempre se sobre saia... e ficava perto da menina.
Até que apareceu uma menina magra e perguntou que serie Nicolas estudava, mas acho que só tava chamando a atenção de Artur... então os dois Artur e a menina de pernas finas foram brincar no balanço...
E as duas meninas continuaram excluindo a menininha.
Fui embora...
Crianças egoístas.

27/02/13

Essencial

Não te aborreças um só minuto a vida é curta demais para coisas pequenas. Ame a vida, seja pragmático ou seja teórico. Colha flores e enfeite sua casa, elas perfumam e embelezam tudo.
Gaste seu tempo com um pouco de arte, música e risos. Não sabemos o que nos reserva o amanhã.
Saia para caminhar, olhe para o mundo, para a aurora, para o dia ou para o fim da tarde.
Ame a lua ela te iluminará pela eternidade.
Muitas coisas não nos são reveladas sobre nós, melhor assim. Nos envolvemos tão fácil naquilo que nos diz respeito e nos enganamos, nos aborrecemos com coisas simples por puro capricho.
A vida passa como a brisa passa, como o dia passa. Depois que a vida passa nada fica.
Só uma ou outra lembrança que logo será apagada pelo tempo.
Pensar nisto faz bem.

26/02/13

Partiu

A vida é assim, um dia chega ao fim.
Passamos a maior de nosso tempo
numa busca, nem sabemos que procuramos,
mas continuamos nessa jornada.
Vivemos dias difíceis,
dias do ócio, dias de alegria,
dias de vitórias... Vivemos...
Mas um dia a vida chega ao fim.
Algo acontece conosco,
o tempo cai, o corpo aos poucos
segue a lei da entropia
e a vida se vai...
Se vai sem nos dar tempo para refletir.
Não que joguemos tudo para o alto,
mas busquemos mais a felicidade,
talvez seja isso que buscamos.
E quando a morte vem,
nada, absolutamente nada nos deixa levar.
Em um instante nossa alma
deixa nosso corpo...
E nada mais faz sentido.
Hoje, mais um partiu,
uma pessoa que conheci por toda
a minha existência.
É um parente, mais um que partiu...
Ontem dormiu bem,
e hoje seu corpo é só um corpo...
Deita e dorme a eternidade
Chico de Leão.

25/02/13

Decisões


Quando se vive só,
Sentimos viva nossa solidão.
Os átrios vazios da casa,
O telefone mudo...
O único barulho que ouvimos
é o motor da geladeira...
E a noite cai
e o dia vem,

A vida passa,
Não sabemos porque
escolhemos está só,
Talvez foi a vida que escolheu.

E vamos ficando cheios de manias.

A solidão nos impõe manias,
Meditações profundas
chegamos a beira da loucura.

Certas escolhas como a de viver
só, as vezes é o eco da loucura
nos dominando,

Num próximo dia quem sabe
não dominaremos nossas
decisões.

Chuva

A tarde quente se desfez
Quando uma nuvem
Desfiou uma suave chuva...

A dias que não chovia,
A poeira já sobia,
Então nesta tarde
que agradável,
ver a chuva chover.

A tarde ficou mais curta,
mais amena...

Ao vento

Hoje a tarde se revelou mais linda, mesmo estando nublado.
A finitude da vida povoa minhas ideias. Infelizmente penso muito nisto.
Enquanto caminhava recordava a casa de meus avós,
suas imagens, as visitas que lhes fazia. Tudo ali era simples e rústico.
Sem conforto algum... Corpos cansados da luta que é a vida.
Roupas velhas do cotidiano, com cheiro peculiar de seus corpos.
Cansaço e um horizonte próximo.
Vô José levantava, tomava café e sentava na frente da casa. 
Vô Sinhá ainda se mexia, fazia café, comida, mas a limpeza
da casa era feita por Nana ou Lera... Lentamente meus avós
materno foram cedendo suas atividades. A casa foi ficando
escura, mais vazia...
Estas ondas chegam a casa de meus pais
e na minha nem começou... Não tenho filhos ainda...
Mas já sou cheio de manias.
Pequenas coisas na minha tarde se tornaram grande,
ouvi que a vida é como um sonho
quanto mais a queremos, mais ela se vai...
Vejo minha vida com profundidade,
alguns que riam comigo
já dormem...
As vezes nossas esperanças parecem tão tênues.
Por que há pessoas que creem ser imortais?
Vitae breve...
E a tarde nublada foi muito excelente...

24/02/13

Domingo e a busca

No domingo sempre acordamos indispostos, pelo menos pessoas normais. Saímos da cama mais tarde... Tomamos um café menos frugal e reservamos o ócio para nós mesmos. A inércia nos domina. Há quem goste de cozinhar, sair para pescar, bater uma bolinha, tomar uma cerveja, ou fazer um churrasco. Domingo é o nosso dia. Domingo é dia de missa, de culto a Deus, há aqueles do contrário que fazem o culto a Dionísio.
Bom, mas tem aqueles que trabalham nos domingos, ou tentam fazer para recuperar o tempo perdido ou para ganhar tempo...
Quanto a mim, já renunciei tantas vezes os domingos e continuo a renunciar... Estudar, corrigir artigo ou escrever um projeto.
Quem dera que o corpo entendesse tudo isso, pena que viva uma inércia. 
As formigas não tem essas coisas trabalham diariamente. Serão as formigas felizes?
Acho que sim, acho que a palavra felicidade é uma palavra que nos trás a reflexão sobre o seu significado... Felicidade; Eu sou feliz? E ai lá se foi nossa felicidade.
As formigas certamente são mais felizes que nós. Pensar nos leva ao ócio...
As abelhas também trabalham nos domingos, os cupins...
Somos mamíferos como vacas que levam o tempo a comer...
Ah, já entendi, há os homens bois que levam o tempo a comer. Opâ, homem boi não é uma boa frase, visto a conotação boi, "xifres"; talvez homens rezes fique melhor.
Há os homens leões, que saem a caça... Há os homens... bem é melhor deixar pra lá.
Que texto machista. E as mulheres...
Bom isto fica para outro domingo.

23/02/13

Tempo para si


É necessário um tempo para si, mesmo que seja um breve momento de contemplação e reflexão.
Contemplar uma paisagem, um jardim, uma flor, uma pintura ou alto que nos traga admiração. Em seguida refletir sobre a beleza, a ordem ou desordem, a combinação de formas e cores ou a arte. Contemplar e refletir é parte de nossas naturezas. No entanto o que fazemos quando o mundo contemporâneo em que vivemos nos arrebata, nos rouba atenção, nos tira o tempo e nos sufoca com tantas informações? Temos a internet e tempos a televisão canais que aparentemente nos revela o mundo. Temos que trabalhar para adquirir conforto, sucesso e tudo que a contemporaneidade nos alicia.
Somos seres que vive para o obter, para o poder consumir, nos sentimos felizes em poder comprar, em poder ir e vir, em poder conhecer de imediato... Coisas que o dinheiro pode comprar. Uma linda casa, equipamentos sofisticados, livros, roupas, sapatos... Imediatamente tempos a sensação de que estamos completos até percebemos que tem algo com mais função ou mais belo...
Na minha infância o desejo de ter, de consumir era o mesmo, queria todos os brinquedos, todos doces e roupas, queria ser o centro das atenções... Não nego isso, tinha em mim todos os desejos que as crianças de hoje tem... Se já existisse Macdonald em Serrinha, claro que eu queria Mac lances feliz...
O fato é que meus pais não tinham como dar o que almejava. Não era não e pronto.
Nosso sítio, era o maior universo que podia ter... Tinham árvores, no inverno ervas, animais e o ócio...
Que fazer com tardes longas, noites escuras? Fins de semana? Ocupava o meu tempo brincando de criar coisas, dissecar flores, girinos, caçar pássaros... A vida era longa. Sair para o mato, sentir o cheiro do mato, sentir a terra quente ou úmida... ou não fazer nada. Chegar para onde estavam os adultos conversar e ouvir as conversas. Ficava feliz em conhecer pessoas desconhecidas com outras histórias...
E a tarde contemplar o belo por do sol ou ouvir a chuva e nela banhar-se.
Mas a vida sempre segue, e apesar de bom, queremos mais. Desejamos poder ajudar nossos queridos com algo, poder presenteá-los e vê-los felizes.
Então imergimos nesta aventura que promete progresso e melhores dias e esquecemos de viver cada dia.
Não que almeje viver o que vivia, mas sei que mesmo naquela vida de privações havia algo de bom
e resgatar por meio de minhas reflexões aquelas coisas boas poderá me fazer bem e completo.
Hoje não nos dominamos, usamos remédios, fazemos terapias... Porque o mundo está muito desregrado, não sabemos dizer não a certas coisas. Um pai não sabe dizer não ao filho nem que seja para o seu bem... Não sabemos dizer não aos nossos desejos.
- Não, hoje não vou a loja.
- Não, hoje não vou a livraria.
- Hoje vou ao parque!
- Hoje não vou entrar no facebook!
- Meu Deus estou sem internet, como vou viver...
- Com o vou saber o que acontece com meus amigos, o que estarão fazendo?

Acho que tínhamos mais tempo para nossos amigos ou para nós mesmos.

Você tem tempo?

22/02/13

Mudar

Somos o que somos, mas podemos mudar.
Podemos mudar nossos pontos de vista,
nossas ideias sobre as coisas, nossa maneira
de agir. Mudar não significa ser fraco,
ao contrário significa abri-se para uma nova
perspectiva de vida.
Mudanças muitas vezes são necessárias
para um melhor convívio no mundo.
Aceitar a madeira do outro agir
é ser superior... Poucas coisas podes
fazer para mudar o outro,
se queres  mudar o outro por que não
tentas mudar a se mesmo...

21/02/13

Memórias de Barão Geraldo

As memórias
Minhas memórias,
Tudo poderia ter sido melhor ou pior...
É certo que as coisas que vivo despertam em mim memórias adormecidas.
Agora mesmo vendo uma aula sobre Urticaceae, lembrei da rua José Martins em Barão Geraldo.
Logo que passamos o colégio objetivo em direção a fazenda, depois que cruza um riacho tem um pé de Boehmeria caudata e mais adiante tem um lugar onde as pessoas costumam por lixo e tem muitas Urera bacifera, sob ciprestes e uma grande Paineira ali é mais fresco. Era por ali que toda tarde passava de bicicleta, ou certas vezes passava pra Unicamp quando dormia na Kit da Ana...
E de que me servem estas memórias...
As vezes acho que são memórias de louco...
Sempre passava ali, classificando as plantas em ordens do APGIII...
Rosales, Malvales, Lamiales, Sapindales, Poales, Caryophylales, Fabales, Malpighiales,
Cucurbitales, Commelinales, Gentianales, Zingiberales, Asterales, Ericales, Dipsacales, Apiales...
Para que? Para que?
Boa tarde seu Antônio...Igrejinha, por do sol...
Malpighiales... que deliciosa Acerola...
O velho do caldo de cana sobre a Paineira... Acho que não vai com a minha cara...
O bar da esquina com música piegas...
Sexta-feira tem pastel do japonês simpático...
Magnoliales, Apiales...
Chego em casa, guardo a bicicleta, lancho e vou para o mundo de sofia... 

Bruma

Sentando na manhã,
o sol nascendo,
espero a bruma,
que vem e acaricia
as flores, e leva embora
folhas soltas.

Leve passa a bruma,
enquanto durmo
e quando acordo,
nem percebi sua passagem,

Bruma suave da manhã,
refrigera minha alma,
traz me a calma,
Que a vida é passageira.

20/02/13

Cinzas da noite

A cinza da noite apaga as cores do dia,
O sol já partiu. Na natureza tudo é silêncio...
Suave uma brisa desfia do nascente,
Noite! eterna noite...
Meus olhos se fecham e tudo é noite...
Assim é a morte? eterna noite,
Eterno sono profundo...
Hoje dormem pessoas que quando nasci
viviam, pessoa que tinha a lua como luz,
e palavras como conforto e melodia...

Quando a noite cai tudo está tão próximo,
Tudo é tão finito, sem luz, só lua e estrelas.

Quando temos flores, mariposas voam
sob suas asas suaves em busca de néctar,
mas em noites profundas de calor,
até a natureza se dobra diante da noite...

A noite passada, quase não dormi,
só para entender a noite
e sua face oculta, mas nada encontrei...

Noite metade da eternidade

A noite eterna solitária,
Quando cai a tardinha,
A natureza se recolhe,
As aves se aninham,
Os animais descansam.

A noite eterna solitária,
Sempre calma marca
O fim de mais um dia,
Algumas vezes fecha um ciclo,
outras é um dose desabrochar
um beijo de adolescente.

A noite quando cai enluarada,
toda a natureza pára
e observa a majestade
eterna da noite e da lua...

Os anos caem,
A juventude cai,
mas a noite é eterna,
nós morremos com os nossos corpos,
mas a natureza se recria
noite após noite...

A noite é eterna solitária
por ser eterna...
Por ver gerações contemplarem
e desaparecerem,
como vemos as flores
e nem percebemos
quão quimera são elas...

A noite nos faz dormir,
quiçá eternamente.

19/02/13

Vírus

Meu corpo quente feito chama
Me faz suar. Sinto calor, sinto dor,
Parece que minha alma quer
desencarnar.
Este vírus que me incomoda,
Sei que não me mata,
mas tira todas as minhas vontades.

Sinto um forte calor,
não consigo dormir,
minha garganta e meu nariz
estão incomodados,
minha garganta coça.

Vírus bendito,
viestes não sei de onde,
nem foi como me acometeu,
agora só me resta
paciência e descanso,
logo estarei bom,
logo tu passarás...

18/02/13

A mariposa

Na noite escura, oculta voa a mariposa busca luz ou flores para se encantar, para se saciar.
Voa, voa com suas leves asas, que batem sem parar. Leves asas que levam
noite adentro ao teu destino. A mariposa que suave voa, já foi pupa encantada,
que sofreu uma grande metamorfose, que se enterrou no solo e certa noite
como uma flor desabrocha, mariposeou.
Saiu de seu casulo bateu assas e voou, toda a noite.
Saiu beijando as flores e seguiu a luz de minha casa.
Lembro que acordei ouvindo o som do bater de suas asas...
Se debatia no escuro, não creio que via.
Acendi a luz e vi aquela linda mariposa
de escamas escuras, dorso veludo,
olhos brilhantes... Ela voou até a luz,
com suas asas leves voava, mas parecia flutuar no ar.
Tomei-a na mão, senti o veludo de de suas pernas,
suas asas descamarem em minhas mãos.
Segurei-a com uma mão, abri a janela.
Como eram belas suas antenas e veludosa sua textura.
Abri a mão e ela voou para o infinito de minha visão,
num instante sumiu na escuridão...
De onde veio e para onde foi aquele ser mágico?
Sabe-se lá...
E o que veio buscar em meu quarto escuro?
Nem chovia...
A noite mais uma vez mostrou-me um pouco de seus mistérios,
o voar da mariposa.

Mulher

Adorada e doce flor,
Sedes tu mulher,
Sedes tu como a terra,
Fecunda e terma,
O mais agraciado
De todos os seres,
Em teu seio é gerado a vida.
Em teu seio fecundo
Foi que fomos gerados,
E em teus braços fomos criados,
Dia e noite nos destes
Tua atenção e o teu carinho,
E é nos teus braços
Que encontramos conforto,
E é no teu seio
Que sentimos amor.
Mulher sedes flor,
Sedes tudo que precisamos,
Sem ti, nada somos,
Senão um ponto final
De nossa existência. 

Clima

O tempo está uma loucura. Depois de muita chuva, agora faz um calor em Brasília que tira todas as energias, triste de nós se não fosse o Lago Paranoá com seu espelho de água. Desde cedo faz calor até muito tarde... Espero que as chuvas voltem logo.

17/02/13

Solidão e eternidade

E o dia se vai, e a noite se vai...
Resta o silêncio, resta a solidão.
Há lugares que são solitários,
Sinta o sertão com sua imensidão.
As vezes a vida é assim
um desertão,
Quando alguém parte,
deixa saudades e solidão...

15/02/13

O cair da tarde

No fim da tarde ventava,
As águas do lago agitadas
Ondulando, ondulando, ondulando.

O sol foi caindo devagar,
E as águas ondulando,
E uma nuvem em brasa ardendo
E a tarde se desfez majestosa,
E a tarde se desfez augusta.

Os biguás nadavam
E mergulhavam e voavam
Pareciam dançar no lago...

A lua apareceu pálida
e a noite se fez...

Até parece que as chuvas
Partiram, se foram,

Fez tanta luz, 
tanto calor,
Céu limpo e azul,
vento soprando
e o espelho do lago ondulando...




Lago Paranoá, Brasilia.

13/02/13

Tarde de calor

Caiu a tarde quente, nem uma chuva mais apareceu, está tudo secando.
Falta disposição pra fazer qualquer coisa, que preguiça...
É tarde de quarta-feira de cinza, só o que resta do carnaval.
Calor, indisposição e mais nada.

12/02/13

O Sertão em metamorfose

O campo dourado de grama madura vasta paisagem.
O vento sopra suave, ondula e leva o cheiro maduro da grama
para longe, para além do horizonte.

Riachos secando e aves voando para longe,
o sertão abandonando.

Os pássaros cantam felizes,
e a vida segue suave até um próximo inverno,
agora só restará o verão, solidão e cinzas.

e a incerteza e dúvidas, ano que vem haverá chuvas?

O sertão é um mar de solidão.
Céu azul, nu, vazio de nuvens,
de noites escuras e estreladas,
de lua cor de leite...

Que ocupa o campo de grama?
Cinza, poeira e o vazio.
Mais nada. 

11/02/13

Tempos idos


O sol já foi mais belo no amanhecer. Hoje, a vida me ensinou muitas coisas que descoloriram e tiraram o doce de meus sonhos. Descobri a realidade e as outras faces das coisas. São poucas coisas que me despertam interesses. Isto é envelhecer?
Não sei, mas ao mesmo tempo que estou distante de meus entes queridos, criei uma carapaça ou uma forma de mimetisar a vida.
E as pessoas partem, e os mistérios das pessoas são revelados e as coisas perdem a complexidade e seus segredos, só me restam os livros, as músicas e as lembranças alheias que me servem para contar uma história a me convencer de minha história.
O sol já nasceu mais belo...
No carnavais, me assombravam os papangus de Martins. Hoje sei que eram pessoas fantasiadas,
como as datas perderam a graça. Com a partida dos amigos de meus pais, meus avós... Cresci
e as coisas tornaram-se reais.
Já não é doce a bala, continuam perfumadas as flores, sei como se chama as fulanas e ciclanas...
A aurora já foi mais bonita, mais prazerosas feito fins de semana com bolo de ovo.
Hoje, não restam mais nada dos tempos idos, apenas lembranças.
Mais nada.

10/02/13

Outros carnavais

O tempo passa tão depressa
que nossas perspectivas
se apagam junto com nossos sonhos.
É como se fossemos dunas
movidas pelo vento e pelo tempo.
Carnaval, em outros tempos
seguia para onde houvesse folia,
mas hoje, curto mesmo o feriado...
E o tempo passa tão depressa
e leva toda a graça,
toda a juventude,
Toda nossa coragem
e o que fica,
senão a experiência, 
mais nada...

09/02/13

Aflito

O dia está muito bonito,
não sei porque me sinto aflito.
O sol brilha no céu,
nuvens somem e aparecem
mostrando o azul celeste.
Aves já relaxam o calor do meio dia.
Ainda assim me sinto aflito.
Uma amiga me falava que era frescura,
essas minhas aflições,
mas é uma sensação
de aperto no coração.
Nem o dia bonito,
nem os trabalhos a fazer,
nem os livros para ler,
me tira esta sensação...
Vai passar, antes que me consuma,
vai passar, logo a vida apruma.

08/02/13

Pela manhã.

Caminhando pela manhã depois de uma noite de descanso com a mente relaxada, posso sentir o pulsar de minha vida. Sinto o aroma fresco das ervas, das flores, dos frutos maduros, posso sentir o frescor da brisa da manhã. Eu vejo as cores revelando as formas das coisas. Eu sinto o pulsar de minha vida. Caminhando pela manhã, percebo quão bela é a vida. Pela manhã as abelhas visitam as flores, pessoas iniciam suas atividades e assim segue o dia...

07/02/13

Mesma manhã

Suave cai a manhã e com ela uma brisa corre acariciando as folhas e flores.
Sinto a manhã e a brisa que despertam em boas memórias da infância.
Na infância mal acordava e já tinha que sair andando no frio da manhã
sobre um jegue em busca do córrego em busca d'água e era lindo
ver os primeiros raios do sol desfiando no nascente e dourando o mundo,
se derramando e dando cores ao mundo. O barro poeirento e frio,
o cheiro de estrume seco. O desespero das ancoretas que fazavam
gotas. O acelerar do jegue. A escola logo em seguida. O encontro
com os meninos e os deveres da professora Lenita...
Hoje não mais aquela rotina, menos sonhos, mais realidade,
mas a manhã continua a mesma.  

06/02/13

Quaresmeira

As quaresmeiras estão tão lindas floridas,
flores rosa e lilás.
Plantas pequenas, árvores enormes,
flores rosa e lilás.
São tão belas e delicadas suas flores,
pétalas, estames...
Enfeitas o mundo, oh quaresmeira...

05/02/13

Caminhar

Caminho calmo, como quem vive e gosta de viver.
Minha trajetória é longa e meu itinerário desconhecido.
Sigo sempre em frente desde o amanhecer ao anoitecer
e as vezes sigo noite adentro. 
Às vezes, perco a paciência, mas a vida se encarrega de me trazer a calma.
Nessa longa caminhada, muitos companheiros seguiram
juntos, mas todos tomaram seus rumos.
E enquanto caminho sempre faço amizade
para não me sentir tão sozinho...
Quantos não chegaram ao seu itinerários,
vô José e vô Chico, vó Sinhá e vó Chica
e alguns amigos camaradas chegaram tão cedo.
A caminhada continua. O tempo tira nossas forças,
mas nos trás experiências...
As vezes penso nisto, não sei por que se só me resta caminhar...
Acho que aprendi com meus medos, melhor esquecer
e caminhar...
São muitos os faróis por onde quero passar
e seguir caminhando até chegar lá. 

Suave manhã

A manhã segue fresca, suave. Sentado, olhando através da janela vejo brisa suave acariciando as folhas de bambus. O solo vermelho úmido fresco abriga folhas secas de bambus e ervas.
Segue manhã sem nada. O mundo que se arrume, eu tenho que fazer minhas coisas, embora roube um pouco de meu tempo para observar a manhã e lembrar de manhãs suaves.

04/02/13

Noite

Noite

Noite escura estrelada.
Calma caiu a noite
escura como um breu.
Toda a profundidade do mundo
ficou tão próxima...
Estrelas no céu
e o que me certa
a noite apagou.
A luz se dissolveu
no escuro da noite.
Mariposas andam
seguindo odores,
morcegos seguindo,
e os gatos com seus
olhos fosforescentes.
Noite, noite, noite.
Em ti tantos encantos.
Luz bruxuleante de lamparina,
amarelo querosene.
Noite e mitos
mais nada.

Palmeiras


Copas pequenas crescem aos céus
feito estrelas verdes ou varas
de condão, caule retinho,
cresce sozinho lá para o céu.

Plantas simpáticas,
de flores amarelas,
são todas belas,

Palmeiras ou coqueiros
assim são chamadas
com folhas usadas
no artesanato
e em tantas coisas...

Palmeiras enfeitam as paisagens,
crescem tão belas.

Coqueiros, pupunhas,
catolés...
São todas tão belas
e brasileiras...

Flor amarela


Anemopaegma de flor amarela,
perfumada e muito bela.

Essa planta crescia
bem ali no meu quintal,

as flores amarelas,
as folhas verde escuro,

Quem diria,
que seria uma Anemopegma,
aquelas flores amarelas,

03/02/13

O tempo apaga

Silencioso o tempo desbota tudo que existe. Tudo oxida, tudo passa, tudo se acaba. Toda a matéria viva.
Algumas coisas reagem ao tempo, veja a lua, veja o céu e veja o horizonte. Estes parecem ser eternos como o tempo.
Nós somos ínfimos interpretes destes universais.
Hoje somos jovens, amanhã adultos e depois idosos e depois dormiremos e assim a natureza segue ocultando tudo.
Quando volto a casa onde morei que já não é a mesma de muito tempo atrás. Sinto a falta de minhas energias e os meus sonhos, muitas coisas ganharam sentido e realidade e outras perderam sentido e ingenuidade... Nada do que me fazia feliz faz mais, brinquedos e doces... Hoje são marcas do passado.
As flores ganharam nomes e perderam seus mistérios.
O tempo nos leva para o universo de onde viemos o nada. Há quem descreia disso, mas respeito
e respeito a mim mesmo.
Com a vida tudo se fez e ganhou sentido e quando a vida partir
o que restará?
Só o silêncio do tempo, só o céu e a lua e o horizonte.

Na infância guinés e galos cantando e aves e poeira e chuva... Tanta coisa era bela e simples.
Coisas que o tempo e a distância apagaram. Pessoas que dormem e que viraram simples personagem de uma história que a muitos nem chegou a existir.

Mas o tempo vai apagar a tudo que damos sentido só vai restar a vida, o céu, a lua e o horizonte.

02/02/13

Lentamente

Sábado, fim de tarde.
As ruas, os estacionamentos
tudo está tão vazio.
O sol brilha no céu,
seus raios aos poucos
tornam-se tênues
e a tarde vai partindo.
Lentamente,
bem lentamente...

Ecos do passado

Hoje apenas o vento ecoa onde pessoas falavam felizes ou tristes, as matas apagaram os terreiros, chiqueiros e currais, o tempo fez em ruínas as casas, casas de farinha e engenhos; onde havia baixas de cana a seca transformou em árido lugar. O vento que sopra do norte agita os ramos secos das árvores, a velha grande cajaraneira comprova que ali vivia gente. Homens gastando suas forças nas roças, no trato com o mato, em suas roças de milho, feijão, gerimum, melancia, e mandioca. Sob a cajaraneira dormiam cães, galinhas e porcos, quando não se fazia um chiqueiro. Aquelas cajaraneiras fartas de frutos amarelos, acridoces. Nos arredores daquele lugar havia uma faxina que protegia as galinhas das galinhas das raposas e gaviões. Havia ali no baixo cana-caiana e um engenho de onde saiam doces rapaduras, mel e alfinim. Havia casas grandes de farinha de tijolos enormes, coxos e prensas de madeira de onde se extraia a goma e a farinha...
Hoje o que resta? Apenas ruínas e poucas memórias aos poucos as memórias se apagam ou adormecem  na grande passagem da vida.
Já não existem chamas de lamparinas, nem lenha, nem noite de breu...
Hoje a natureza apagou tudo.
Mas ainda carrego na memória a época em que as noites escuras eram iluminadas pela lua e pela lamparina. Época em que as flores mais belas eram as dos jardins.
Carrego na lembrança a alegria do cair das primeiras chuvas, plantar a roça no barro umido, ver a babugem crescendo, córregos escoando a água que sobrava do solo, as sabiás cantando do alto das aroeiras, a planta da mandioca.
Hoje árido torrão de terra que arde o calor do dia... As chuvas e o inverno voltarão, sempre se foram e voltaram como fazia a fauna... Amanhã quando voltarem chuvas será tudo diferente, não haverá mais força física, nem disposição para trabalhar, nem precisão. Nos mudamos, nos perdemos no mundo em busca de outras memórias...
Amanhã não restará nem memórias, ninguém sabe contar as histórias, todos se alienam frente a televisões, desvalorizam os pequenos valores...
Os tempos são outros, a geração é outra...
Que bom que restam estas miseras memórias que logo se apagarão no tempo.
Sem eco, sem tempo, sem nada, nem um romance será, nada mais.  

01/02/13

Ruínas do tempo

Naquela casa  antiga não havia luz elétrica. As noites eram escuras. Apenas uma lamparina se acendia na sala, a cozinha, os quartos e o banheiro ficavam no escuro. Os sapos a noite saiam de seus buracos e vinham para o esgoto do banheiro ou para o banheiro para se refrescar e respirar melhor com suas peles rugosas.
Um lamparina velha com um pavio de algodão e querosene a queimar uma chama amarela e a soltar uma fumaça escura que se acabava no escuro da sala.
Os homens a contar causo e os meninos a correr ou se entretiam ouvindo as histórias.
Naquela casa antiga, metade taipa e metade alvenaria, com caibros de marmeleiros velhos e linhas de aroeira e telhas sem capricho no fazer abrigou meu avó José e minha avó Sinhá.

Quantos segredos não lhes foram confessados? Quantas coisas ali não foram vividas que o tempo ocultou e consumiu as pessoas e as coisas.

Hoje aquela casa é uma ruína. Aquela casa sempre foi rústica do começo ao fim...
Nela todos se sentiam aconchegados, homens e bichos...

Parece tão antiga, mas é tão jovens se comparado as rochas, e as terras que ali existem desde muito tempo...

O tempo consumiu tudo que parecia tão longo, mas foi curto...

Tempo...

Vô José não sabia que aroeira era Miracrodum urundeuva e isso é tecnologia?

A casa se foi, meu avó se foi...

E a casa e as lembranças e as saudades... tudo isso está em minhas memórias
e tudo isso foi já não é... e o mundo continua.

Meni

A lua é tão bela quando cheia
que revela os mistérios da noite.

Lua cheia que inunda
os vales com luz
espelhada do sol...

Lua singela,
noite bela,

Cantos de aves,
Cantos de grilos,
soa o vento,
canta a chuva...

Noite de lua
sem rua,

sem chuva.

O gado rumina,
sob a noite enluarada,
o cheiro frio das coisas.

Madrugada e dia,

Foi-se a lua,

É dia.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh