Em setembro,
Na minha terra natal,
A mata fica despida,
O vento sopra do nordeste,
Em setembro,
Lá em Serrinha,
Podemos ouvir
Quando a difusora anuncia,
Um chamado para a festa,
Festa da padroeira,
Festa de Nossa senhora da Salete...
Posso ouvir,
Mesmo morando em outro lugar.
Em setembro,
Nosso sítio cheira a flor de cajueiro,
As mangueiras também floram...
A esperança de boa safra já me faz sentir feliz.
Em setembro,
A gente espera pelo outubro,
Pelo dia das crianças,
Pelo dia de são Francisco,
Pelo aniversário de mamãe...
Que continuará eternamente sendo minha mãe,
E aniversariando no dia dez do dez...
Em setembro,
É tão quente e radiante,
Longe canta o joão de barro,
A casaca de couro...
O vento sopra entre os garranchos cinzas da caatinga...
É tão lindo ver a aroeira florida,
Imperosa aroeira,
De onde o sabiá costuma cantar.
A carnaúba suas folhas ao vento saculeja,
O angico se cobre de flores...
Estamos em setembro na grande estação do verão.
É tão bom,
É tão bonito...
E outubro segue o mesmo rítmo,
E em novembro,
Celebramos nossa união com a eternidade,
Vamos visitar nossos finados,
E vemos a missa do cemitério,
Onde o sol se põe ali,
Rodeado ao norte por chapada...
Logo chega dezembro,
E a gente percebe...
O que é importante,
O que é belo,
O que é finito,
O que é a vida.