24/09/26

E não é assim

 Sinto que estou na caatinga,

Sinto que estou no sertão,

Estou naquele mato sob aquele céu,

Aquele céu de sol escaldante.

E tudo que quero é sombra,

E tudo que quero é água fresca...

Está sob aquele é importante,

Para valorizar a sombra e a água...

Mas sob o mesmo sol

Tem seres que não tem nem sombra e água fresca...

Mas consegue sobreviver,

Feito a juema,

Feito o marmeleiro,

Feito a aroeira...

Feito o juazeiro,

O juazeiro sabe comparilhar,

Sabe buscar água,

Sabe guardar água,

Sabe existir sob aquele sol...

Uns dão sombra, feito o juazeiro

Outros dão cheiro, feito marmeleiro

E outros espinhos e flores feiro a jurema...

Somos assim,

A natureza nos fez assim...

Mas podemos sermos melhores,

E sermos gratos por tudo,

Pela agudeza dos espinhos

Que nos ensinam a serem resilientes,

Sermos perfumados e oferecemos já que é tudo que temos,

E quando não até se doar seu corpo sua madeira...

E os espinhos nos protegem...

E não é assim.

E não é assim

 Sinto que estou na caatinga, Sinto que estou no sertão, Estou naquele mato sob aquele céu, Aquele céu de sol escaldante. E tudo que quero é...

Gogh

Gogh