Sinto que estou na caatinga,
Sinto que estou no sertão,
Estou naquele mato sob aquele céu,
Aquele céu de sol escaldante.
E tudo que quero é sombra,
E tudo que quero é água fresca...
Está sob aquele é importante,
Para valorizar a sombra e a água...
Mas sob o mesmo sol
Tem seres que não tem nem sombra e água fresca...
Mas consegue sobreviver,
Feito a juema,
Feito o marmeleiro,
Feito a aroeira...
Feito o juazeiro,
O juazeiro sabe comparilhar,
Sabe buscar água,
Sabe guardar água,
Sabe existir sob aquele sol...
Uns dão sombra, feito o juazeiro
Outros dão cheiro, feito marmeleiro
E outros espinhos e flores feiro a jurema...
Somos assim,
A natureza nos fez assim...
Mas podemos sermos melhores,
E sermos gratos por tudo,
Pela agudeza dos espinhos
Que nos ensinam a serem resilientes,
Sermos perfumados e oferecemos já que é tudo que temos,
E quando não até se doar seu corpo sua madeira...
E os espinhos nos protegem...
E não é assim.