05/03/19

obrigado

Faz tempo que não estive aqui num inverno tão maravilhoso.
Que delícia de percepção, revivi minha infância pelas memórias olfativas.
Odores inexplicáveis de flores.
O cheiro do mameleiro, do mufumbo, das juremas, do cajá,
Do aroma da terra... tudo numa explosão de reminiscências.
Minha infância e adolescência.
Muito obrigado meu Deus por tamanha felicidade
E por uma vida tão plena e feliz.

Percepção da madrugada

Acordo. 
É madrugada. 
Levanto, abro a porta e saio para contemplar aurora.
Neste momento o silêncio é ensurdecedor. 
A noite pálida se evanesce,
Olho o céu e sinto nítida uma paz infinita. 
Então, me veem a mente tio Aldo e vó Sinhá que já partiram a anos. 
Sinto-me bem, mas com saudade.
Volto à cama com o corpo aliviado do calor.
Então em instantes começam a cantar os pássaros 
Dos quais identifico galo-de-campina, sabiá, juriti, fura-barreira. 
Que coisa mais fabulosa. 
Longe cantam as nambus e relincha um jumento. 
Na minha infância certamente seriam vários relinchos.
Durante o momento que contempla, penso na  dinâmica atmosférica e no poder da chuva.
Aí se cristaliza meu  pensamento completo. 

02/03/19

Mais um pouco

Bom, aqui estou, na busca de escrever algo realmente interessante.
Meu interesse por escrita foi sempre algo egoísta e no sentido de ter algum leitor ou, no caso de ser alguém interessante.
Agora sei que não é possível. Depois de ler Borges, Pessoa e Veríssimo f., achei difícil ou impossível de chegar a tal objetivo.
Os anos se passaram, e então tive a companhia destes autores leituras e mais leituras. Talvez não tenha entendido uma linha de seus livros, mas os cultivei como quem cultiva uma muda doente.
De fato agora sei que nunca tentei escrever para os outros, mas para mim.
É carnaval e aqui estou na casa de meus pais.
Estou no quarto, deitado numa rede olhando para o telhado onde vejo caibros, ripas, linhas e telhas.
De nada há de interessante em ficar àtoa.
Ouvidos atentos, corpo cansado, bucho cheio.
E nada acontece.
Ouço as aves, até o zumbido de abelhas e moscas e do vento.
A internet é um saco com facebook e watzap.
Os livros desinteressantes.
Não o mundo não está chato.
Sou eu.
É minha ansiedade.
Nada parece prazeroso senão comer e fotografar.
As vezes nem comer.
Bom, neste carnaval não faço questão alguma em ver tv, pular ou beber.
Então, abro o  livro e leio mais um pouco até o fim do carnaval.

25/02/19

Passagem

A manhã caiu com esperança,
Depois de momentos ruins,
A esperança é o que nos resta.
O sol nasceu tímido,
As nuvens deram uma atmosfera de segurança,
Então a chuva caiu mansinha,
E o calor se fez presente,
Nada para animar,
Só esperando esse tempo passar.
E vai passar.

22/02/19

Retroagir

Ir e vir,
Caminhar por caminhos suaves
Ou por lugares pedregosos,
Ter sempre cuidado,
Nunca se sabe quando é possível se machucar.
Aprendemos que poucas coisas nos importam,
Mas essas coisas podem nos machucar,
Depois de machucado,
Não existe retorno.
É aguentar a dor.

18/02/19

Nada

O cheiro,
A textura,
A simetria,
O som,
De tudo que percebo,
Consciente ou inconscientemente,
Ajudam-me a entender meu mundo,
E essas combinações...
Ah,
As memórias de que servem?
Melhor seria não pensar em nada.

17/02/19

Sentido oculto

As manhãs de domingo com seus cafés,
As conversas entre adultos,
O céu essa eterna incógnita,
Os cantos e os quintais que não conseguia ocupar estando lá,
Os lugares vistos,
As pessoas que se revelavam e me permitiam conhecer o que queria que fosse conhecido,
As leituras lidas, palavras impalatáveis, frases, parágrafos,
O desejo de tudo saber, feito Fausto!
Esta construção inacabada que é ser,
E se perder sendo muito menos daquilo que se é.
Apelar para as memórias,
Essa vontade de saber,
Essa sinfonia inacabada,
Só sobram imagens desconexas numa memória,
E o eterno medo do fim.

15/02/19

Marcas

E o que levamos da vida?
Nada material,
Carregamos conosco apenas memórias boas ou ruins!
As vezes a vida nos premia com marcas.
As marcas são deveras doloridas,
Essas marcas as vezes podem não fechar
Se não tivermos uma história de superação,
Se desistirmos da vida,
Todavia não podemos e nem devemos.
A vida é maior que tudo.

13/02/19

Coisa mais boa

Ah! Que delícia que é ver e ouvir a chuva chovendo.
O som dos pingos pingando e a água escorrendo,
Chega a parecer que a vida é um sonho.
Essa sensação de que as plantas crescerão,
Que não vai faltar fartura, nem produção.
Ver a terra molhada escorrendo de água,
E ficar pensando só em coisas boas
Chega o coração fica grande e quente,
A gente se sente todo aquecido.
A vida até melhora.

12/02/19

Infância

As memórias de infância.
A estrada era de chão que era feito dum barro vermelho-arenoso.
Em frente nossa casa havia um cajueiro de frutos azedos.
O terreiro sempre teve o mesmo tamanho e era separado da estrada por uma valeta que sempre transbordava durante as chuvas.
A calçada era engendrada, áspera e irregular.
A casa tinha duas quedas d'água irregulares.
Que importam as formas.
O que foi! Foi.
Era ali que quando menino corria só de bermuda.
Não havia beleza na minha roupa, mas havia carinho e sempre usava-os limpinhos.
Mamãe se preocupava com minha limpeza e sempre me banhava.
Não havia poesia ou literatura,
Não havia um perfeito português,
Sequer ouvíamos grandes histórias.
As histórias eram contadas pelo rádio na difusora Am de Alexandria
ou na televisão preto e branco.
Confesso que não trocaria minha história por nenhuma história cheia de informações como são as de hoje.

11/02/19

Vetor

Que coisa difícil é entender o mundo.
Os ciclos da vida,
As estações,
Os meses,
As fases da lua
Essa soma do que vivemos,
Que nos permite aprender
E esquecer.
As coisas próximas e distantes,
O que tomamos consciência
E o que compartilhamos,
Experiência...
Experiência,
Que essa vida parece ser única...
Quem sabe.

07/02/19

De frente

A tarde caiu,
A vida passou,
O horizonte cada vez mais breve,
A vida breve,
No alto da idade,
Do alto da experiência,
A senilidade,
O fantasma da morte,
A prisão que é o corpo.
Reflexão...
As coisas prazerosas se foram,
Os amigos se foram,
Pouca coisa resta...
E como encarar tudo isso?

05/02/19

Nós

O tempo que passa,
Os anos e meses e semanas e dias,
Passam sem parar
E deixam as coisas, os eventos para trás
E assim vamos alinhavando a vida,
Construindo nossas histórias
De fracassos ou de glórias,
E não queremos ficar para trás,
Mas ficamos porque o tempo
É um rolo compressor
Que tudo esmaga e acaba,
Todavia a vida se reproduz
E continua carregando nossas coisas boas e ruins,
Nossa evolução ou involução.
E nós somos nós mesmos.

03/02/19

Experiências

Nossas experiências,
O tempo que compartilhamos
Vivendo juntos as coisas boas ou ruins
Nossas alegrias, frustrações, fraquezas, pontos fortes.
Tudo isso nos permitiu que nos conhecemos e fôssemos alguém.
Pelo menos uma pequena parte nossa é conhecida e constitui uma história.
De resto somos desconhecidos de nós mesmos.
É o viver nosso maior professor,
E é vivendo que construimos nossa história
E selecionamos nossos valores.
Amanhã, sabemos que não restará nada, apenas uma história. 

30/01/19

Bom viver

Vi a lua cheia nascer,
Que doce graça 
Se ver do Poço das Pedras
A lua cheia nascer, 
Após ter visto a lua nova do ano passado. 
Coisas simples que vivi
E comi e me fez feliz
Cheio de risos...
Galinha caipira, 
Manga, 
Água de catinga,
Chá de 9 cura,
Ovo com sal...
Tome história. 
Assim é bom viver.

28/01/19

Surpresa

Entardeceu e a noite acordou,
Quantas coisas num só dia,
O amanhecer, o acordar, o levantar,
Iniciar novas atividades além do café,
Das notícias, das expectativas...
Fazer, realizar e concluir algo,
Servir e ser bem servido,
O contentamento,
O almoço,
O banco,
Uma surpresa...
Entardecer...
A vida surpreende sempre.

27/01/19

Surpresa

Há desígnios?
Nossas impressões e saberes,
A real ordem das coisas e acontecimentos existe ou o acaso é soberano?
Uma semente que germina e nasce,
Uma flor que desabrocha,
Uma estrada andada,
Um poema escrito,
Uma chuva que tudo muda,
Coisas pequenas e coisas grandes,
O incerto nos surpreende,
E é bom ser surpreendido.

15/01/19

Oração

Quando nasci, fui bem cuidado,
Quando cresci, fui bem orientado,
Vivi sempre coberto de orações,
Graças por quem fui e sou,
Pelo que vivi,
Felicidade me define.
Obrigado por tudo que vivi,
Pelo que venho vivendo,
Por entender que tudo passa,
De fato não devemos imaginar o mal que pode nos acontecer,
Mas esta disposto a lutar sempre para mudar o que possa nos destruir.
Amém.

Riqueza

A casa,
O terreiro,
As plantas,
As galinhas,
O gato,
O cachorro,
O ir e vir,
As madrugadas,
Os amanheceres,
Os entardeceres,
Os anoiteceres,
Os cafés,
Os almoços,
Os jantares,
O papai e a mamãe
Me fazem tão feliz,
Então muito obrigado Bom Deus,
Por essa riqueza em minha vida.

Aprender

Com o tempo, nos encrustamos em nós mesmo,
E as mudanças são apenas físicas,
Mudam os cabelos, a pele e as formas,
Ficamos  presos a nossas maneiras de pensar,
Ignorantes por certo,
A experiência nos ensina,
Todavia a experiência é subjetiva,
Então o que aprendemos com o viver?

14/01/19

Despertar da poesia

A manhã despertou tão fresca,
Após a chuva que caiu à noite,
O verde volta a dominar à paisagem,
Enquanto o cinza desaparece,
Levando consigo o verão,
Deixando para trás o fim de uma estação,
A chegada das águas trás sempre alegria,
A aurora embrasada,
O cantar da passarada,
Os Cabeças vermelhos sucedem os galos,
E segue-se a sinfonia,
Rouxinol, sabiá, siririca...
As flores despontam nos ramos,
A terra molhada...
A babugem erguendo-se em erva, arbusto e árvore,
O coaxar dos sapos...
Quanta biologia,
Quanta poesia.

13/01/19

Férias

A manhã despertou ornada pelo canto das aves,
A nambu cantou enquanto caminhava,
O rouxinol enquanto saltitava,
O sabiá só cantou pousada num lugar alto,
A casaca de couro se arrepiou para cantar,
O sanhaçu todo azul canta parece se armar...
Nessa sinfonia se faz o dia
Aqui em casa...A manhã despertou ornada pelo canto das aves,
A nambu cantou enquanto caminhava,
O rouxinol enquanto saltitava,
O sabiá só cantou pousada num lugar alto,
A casaca de couro se arrepiou para cantar,
O sanhaçu todo azul canta parece se armar...
Nessa sinfonia se faz o dia
Aqui em casa...

11/01/19

Oculta beleza

As belezas, muitas vezes, encontram-se encantadas.
Hoje, acordei na madrugada,
Acho que nunca havia visto o céu tão estrelado,
Haviam milhões de estrela rutilando
Sobre a atmosfera atropurpúrea
em todo firmamento do céu via as constelações,
Pensei em tantas coisas
E não consegui conectar nada,
Então apenas contemplei,
Lembrei da laranjeira florida
Que linda analogia alvo e verde perfumada,
Envolvido pelo frio da madrugada.
Voltei para a cama
E fiquei matutando
Quanta beleza se encontra oculta.

08/01/19

Significado

Buscamos sempre por um significado,
Responder as nossas dúvidas talvez,
Algo que nos faça sentir bem.
Todavia, descobrimos que não existe significado,
As coisas são como são,
Nós que não aceitamos elas serem o que são.
Só o tempo nos ensina que mudar ou não mudar dá no mesmo,
Ter ou não conforto, bom senso, bens materiais...
Ai que colocamos nossa fé,
Porque só aprendemos com a experiência.
Os livros, a tecnologia, a ciência, a academia nos ensinam,
Mas só a prática que trás a perfeição...
E tudo isso é somente um caminho,
Assim como a religião...
O conhecimento é um fim,
Mas no fim o que importa é isolar a solidão,
Ter sempre um amigo, um amor, uma família
para atravessar o que se chama de vida.

07/01/19

religião

Entre tantas faces da vida,
A religião é muito importante,
Assim aprendi,
As flores frescas coletadas,
As cores suaves,
A reflexão,
O acaso,
O respeito ao devir,
De joelhos se reza a oração,
Unica herança trazida de geração em geração.
Jesus amado, o filho de Deus revelado,
Os santos, a devoção...
O bom e o mau.

Ser

Forjados no dia-dia
Com ou sem poesia,
Experimentando,
Acertando ou errando,
Sendo.
Neste espaço,
A cada passo,
É preciso amizade,
É preciso esperança,
Ser é tão simples só
E tão complexo em sociedade...

Acaso

Na fresta da calçada uma semente de vinca germinou,
E sua plântula logo cresceu e aos poucos de flores se encheu,
Flores alvas genuínas que aos ricos frutos formou,
E o tempo passou, a vinca envelheceu,
E suas sementes povoaram o quintal.

06/01/19

Árida poesia

Ah. Estas terras arenosas e áridas de solos rasos
Onde só cresce juremas e povoadas de calongos, grilos,
E pássaros pequenos...
Os angicos floridos.
Que recurso há aqui?
Pau e po e rocha e alma.
O vento e o tempo.
Terras velhas,
Quebradas cansadas,
A mente vazia...
A poesia breve como a existência!

Agradecer

Após vento, chuva e uma noite maravilhosa,
Aqui o dia nasceu encantado
Com o som do vento e dos pássaros,
No escuro do quarto sobra imaginação e agradecimento...

05/01/19

Noite de reis

Ontem, choveu pela primeira vez no ano,
Ano passado choveu muito, porém a estiagem em seus últimos meses foi intensa.
Hoje, agora amanhece num sábado nublado,
Há 26 anos meu avó José Neves sofrera um infarto que o levara a morte no dia seguinte que seria o dia de reis.
Hoje, será noite de reis, 5 de janeiro de 2019.
Como os anos se passam rápido
E quantas coisas acontecem,
Umas importantes outras indiferentes...
Fatos subjetivos não?
Fiz-me quem sou e todos se fizeram quem são...
O importante é ser.
Pois cada um é o que é por escolha.
Muitos creem em destino, por escolha ou ignorância?
Meu primo que esteve aqui, ontem, com uma fala firme afirmou que dirigir é um dom.
Em meu silencio sepulcral nem concordei ou discordei, de certo que pensou que havia concordado.
Agora, penso se meu silêncio é soberba ou sabedoria?
A chuva de ontem refrescou a noite,
Após a chuva chover sai para caminhar,
Os pássaros cantavam tão ativos,
O sol dourado partia lentamente,
Enquanto caminhava com uma câmera tentando fotografar algo belo...
Dai minha escolha do que é belo,
Uma seleção tão subjetiva,
Encantam-me as plantas ou partes delas como flores e nectários,
Ou ainda os pássaros com seus cantos,
Após muito silêncio,
Perdi a fala,
Prefiro as letras, os poucos amigos que me restam,
Leituras mais reflexivas e a comida.
Penso muito na grandeza, no reconhecimento,
mas...
A natureza me contempla com tudo isso.
Refiro-me as flores floridas,
Ao canto cantado dos pássaros,
Do amanhecer ao por do sol,
De poemas e poetas falando...
Que loucura não.
Que loucura!
Meu silêncio é tão sem graça que ninguém me pede uma opinião
E não quero dá-la, pois de nada serve.
Com a chuva de ontem, aqui ficou mais gostoso.
Como é bom está em casa novamente...
Em 1993, papai comprou uma carga de rapaduras,
Enquanto guardávamos Bi, desceu na moto para o sertão
Foi avisar que José Neves deixara de ser,
Eu meu amor pelo meu avó era o amor de mamãe,
Que corta o meu coração quando ela chora...
Envelhecemos juntos...
Hoje, É nossa 39 noite de Reis,
Estou feliz por amanhecer mais uma vez.


04/01/19

Chão do Sertão

Esta terra,
Este chão,
Com solos cansados,
De distinta coloração,
Alvos de areia,
Vermelhos, laranjas de argila,
Ornado de rochas, seixos de quartzo,
Essa terra quente e nua,
Que se desfaz pela escassez,
Que morre com a perca da microbiota,
Com a perca das raízes...
Esse mundo desconhecido
Que abriga e consome
Nossos corpos por gerações e gerações...
Tão curta nossa existência
E tão extrema nossa ação de degradar,
Nada vai sobrar...
Será...
Esta terra e este chão.

Vincas

Como são singelas as vincas com flores alvas e folhas verde-escuro com seus ramos tênues e longos Que crescem nas frestas das bases das calçadas.
E como são subarbustos resistentes a aridez.
Com um copo de água são tão gratas ao pipocarem de flores.
Que bela paisagem que me enchem os olhos e fazem pensar na vida.
A vide que segue pelo vetor do tempo
Num caminho só de ida.
Que seja bela enquanto dure.

03/01/19

Casa de casa

O natural me encanta tanto,
As flores do quintal,
As palmeiras de catolés,
As ciriguelas cor de pimenta,
As raquetes de palma,
As ervas de chanana e fedegoso,
As vincas alvas e rosas,
A resistente Crinum,
O canto das aves e pássaros,
Porque aqui é o meu canto
E aqui está a minha alma.

Alma feliz

A laranjeira floresceu
E está cheia de flores
Que são tão alvas quanto perfumadas,
Sob sua sobra doce o mundo fica mais incensado e agradável,
Constantemente visitadas
Suas flores são polinizadas por meliponias e apis,
Enquanto oportunistas aranhas se banqueteiam com abelhas,
As alvas flores simétricas e multiestaminadas
São actinomorfas e de pétalas crassas e oleosas,
Quantos terpenos são produzidos,
Quanta beleza numa só planta generosa
Que só carece de água para este lindo processo
Acontecer,
Deste árido chão flores singelas enfeitam e perfumam a laranjeira
E a minha alma se expande se felicidade.

Pássaros coloridos

Os pássaros marrons são tão franciscanos como o roxinol e a casaca de couro,
Os pássaros verdes são tão barulhentos como pacuns e loros,
Sabiás são cantores fabulosos de cores laranjas ou brancos,
O vem-vem é laranja e azul-marinho eles chamam visitas,
Periquitos amarelos e verdes fazem muito barulho nas ciriguelas,
Papa-arroz são azul marinho ou escuros como a noite?
Os tricolores cabeças vermelhos são vermelhos, alvos e cinzas...
Azuis-cinzentos são sanhaçus
E esse é meu despertador de manhã


02/01/19

Construir uma história

O que aprendemos com a vida?
Que envelhecemos,
Que sonhos são bons,
Que as pessoas morrem,
Que as coisas acontecem,
Que temos invernos bons,
Que os verões são sempre áridos,
Que pode cair dilúvios, mas sempre terá verões,
Que esperamos sempre pelo melhor,
Que o zinco dura anos,
Que árvores vivem séculos,
Que a barriga é um centro de energia,
Que o corpo entra em desequilíbrio
E que viver é construir uma história.

Singularidade

Os anos que se passaram
E imbricaram algo de maravilhoso que existia,
Uma marca deixada,
Uma perca,
A subjetividade,
A sensibilidade,
A dor,
As memórias,
Tudo que foi e fez ou fazia sentido,
Um vetor,
As leituras no corredor,
Toda esta totalidade,
Inexplicável na singularidade do indivíduo.

01/01/19

curso

As estações,
Os encontros e desencontros,
O tempo que passou e com ele possibilidades
Se desfizeram...
Nossas perspectivas,
Acertamos ou erramos?
É loucura matutar sobre essas coisas.
Os anos que se foram e aqueles que virão.
O conhecido e o desconhecido,
O mundo ao nosso redor
E nossa subjetividade
São apenas traços de nossa humanidade. 

Entendimento

O tempo, o espaço, o infinito, o eterno...
O presente e o passado,
Os hábitos,
Os momentos,
O agora.
As memórias,
A fé,
Flores alvas do jardim,
O desgaste da matéria,
O entendimento de tudo isso que pode efluir
Ou ficar adormecido na eternidade.

31/12/18

Último dia

Um dia como todos os demais,
Com manhã, tarde e noite.
Pela manhã, quando o sol nasceu, a brisa soprou,
As aves e pássaros cantaram,
A manhã foi nítida e transparente,
Pelos espaço do sítio
Percebi como é lindo este lugar,
Como são sólidas as árvores.
E a tarde caiu...
Fim de ano de 2018
31-12-2018

30/12/18

A impermanência e um história

Os anos se passaram e os coqueiros catolés cresceram no terreiro,
Papai deixou de criar gado.
Não produzimos mais leite ou carne ou afetos pelas reses,
Agora sobra palha que às vezes o fogo as consome.
Não temos porcos...
E o que mudou?
O que sobrou?
Um lugar não menos seco, mas muito mais belo.


A vida

Ah... a idade,
São botões que se desenvolvem e desabrocham em belas flores e doces frutos que se formam.
Só vivenciando,
Só compreendendo,
A vida,
A vida é tudo.
Flores num jardim...

Transformação

As estações do ano,
O pó do verão,
A lama do inverno,
Plantas em flores,
O sol, o nublado e a chuva,
As aves cantando,
As árvores e arbustos se enramando,
As flores florindo,
Os frutos se frutificando,
Os livros sendo lidos,
A compreensão,
O entendimento,
A experiência,
O conhecimento,
A consciência,
A percepção,
A vida.

29/12/18

Férias

A luz crisa matinal,
O canto das aves,
A preguiça boa de quem não tem nada para aprontar,
Férias

Estação e emoção

Início e fim,
Chegada e partida
Assim é a vida
Essa coisa bela,
Essa existência sem exigência,
Essa construção de emoção,
Sentimentos, apegos, idas e vindas,
Bossa nova,
Poesia,
As estações,
Memórias.

Hora da partida

A aurora que se acende paulatinamente
Num céu atropurpúreo ainda estrelado,
No quarto escuro
Ouve-se um choro de criança, a Gabriela desconfortada com a quebra do sono angelical.
A casa escura se desperta,
É quase hora de partida,
Ouve-se o próprio suspiro,
E suspiro de choro,
Um nó se faz na garganta,
Uma luz se acende iluminando os átrios
Enquanto a luz preenche o recinto
E se derrama pelas frestas,
Papai acende o fogão para preparar um café e um chá,
Enquanto mamãe chora,
Enquanto cada um chora em seu coração
A hora da partida,
Gabriela acordou com cara de sono,
Dou meus últimos afagos,
Pego Gabi no colo e ela inocente
Não entende nossas lágrimas,
A Gi dá dois biscoitos a Gabi que coloca em minha boca 
E me faz entre lágrimas mastigar,
Então o carro chega,
E é hora da partida,
Nos abraçamos e depois de 25 dias
Lá se vai Rosângela com Gabi...
- Deu dinheiro a ela Chico pergunta mamãe a papai.
Então Rosa se acomoda o carro é ligado
E sai... o som desaparece
E a casa fica cheia de saudades
Com papai, mamãe, Dayane, Li e Gi.

28/12/18

Moda

Tudo muda constantemente,
E tentamos entender estas mudanças,
Porém nem sempre conseguimos.
Nestes movimentos uns partem e outros chegam,
Uns se distanciam e outros se aproximam,
E é este movimento conduz a vida até seu extremo.
Algumas memórias são mais presentes e outras em consequência
Das mudanças são peculiares únicas.

26/12/18

Alegria

A família reunida para o café,
A mesa farta,
Crianças despertas,
O falatório,
O café quentinho,
Queijo de coalho,
O bucho saciado,
Um bom chá,
Alegria é algo parecido com isso.

Liberdade

A vida essa dádiva a ser vivida,
O cosmos e o caos,
O entendimento do princípio de ordem,
Os fundamentos do universo,
A substância que tudo preenche,
As informações, as coisas,
Algas, briófitas, samambaias, espermatófitas,
Insetos, aves...
O micro e o macrocosmos.
Até onde vai a existência,
Que matéria constitui o saber?
Quem se importa.
Porque tudo é movimento.

Plenitude

Uma manhã suave despertando,
O sol despontando no céu,
Os pássaros cantando,
A luz do sol acendendo o dia,
Os fundamentos do entendimento,
Filosofia, física, geologia, botânica,
Literatura, música,
Platão, Nilton, Agassis, Bentham,
Borges e Bach,
A plenitude em nossas mãos,
A sensação de entendimento,
A percepção do sentido de felicidade
Nos preenchendo por inteiro.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh