17/06/16

Air de Bach

Poucas coisas humanas perfeição semelhante aquela encontrada na natureza.
A música é uma dessas poucas músicas e Bach foi um dos maiores compositores que aqui respirou.
São tantas suas obras e dentre elas algumas me cativam mais. Tenho certeza que a Air de Bach é uma das obras mais lindas que conheço. Aquele momento que ao ouvir penso na existência, na cortina do tempo...
Ao certo acho que a primeira vez que ouvi foi quando ainda morava em Serrinha. Desde então ouço
E contemplo uma obra perfeita humana.

https://www.youtube.com/watch?v=rrVDATvUitA

16/06/16

Intermitente

Hoje incrível optei pelo silêncio.
Sempre ouço algo, uma música ou uma palestra...
Todavia hoje quis o silêncio orgânico.
Só o vazio do apartamento...
Quis ouvir o som do mundo, além do ronco dos veículos.
Olho a lua,
Hum...
Fechei os olhos e me vi no sertão.
O sertão plenilúneo.
Hoje preferi fugir de significante e significado.
As vezes os corpos querem serem apenas corpos,
Querem se compreenderem como matéria,
Essa matéria de aspiração intermitente.
Talvez tudo isso seja um pouco da compreensão
Sobre mim, sobre minha consciência.

15/06/16

Consciência

Consciência

Observar
Quem observa, sempre observa algo.
Observar sem contemplar é não perceber, não ver.
Só vemos aquilo que conhecemos,
Só conhecemos o que nos causa curiosidade.
Uma vez que os nossos sentidos são nossas vias de conhecimentos.
Então, na maior parte do tempo estamos descolados do mundo,
Olhamos sem observação,
Vemos simplesmente aquilo que é de nosso interesse.
Todavia  viver é um ato dinâmico é ação
E de uma forma ou de outra
Enfim atingiremos a consciência que é a apreensão de um sentido.

Natureza irracional

Natureza,
Flora, flores, cores, odores,
Troncos, folhas, serapilheira,
Um inseto, uma aranha,
Mamíferos, répteis, peixes,
Uma abelha,
Os pássaros, ah os pássaros,
Passarão, Passarinho,
Um poeta percebe a natureza,
Mas um filósofo,
Um engenheiro,
Sabe lá,
Talvez um biólogo botanicando.
Mas a natureza do poeta,
Visa a estética...
Beira a loucura ser poeta,
Brincadeira singela de criança
A dançar...

14/06/16

Seta, caminho

Por que entender o ser?
Coisa de poeta ou de filósofo?
Na maior parte do tempo somos pragmáticos,
Pensar a existência é bizarro,
Mas há tanta coisa mais bizarra,
Como mascar fumo e tocar reco-reco.
Creio que nunca entenderemos de fato o ser,
Não encontraremos uma determinação,
Mas assim,
Talvez a gente consiga pensar a existência
E encontrar um caminho e uma forma de viver melhor.

13/06/16

Curtaurta

Este mundo que leio,
Que não entendo nada,
E que me familiarizo,
Mundo louco,
Mundo muito,
Mundo pouco,
É nele que desvela minha vida,
Essa existência braquia.

Espiral

Agora,
Noite jovem de domingo,
Sempre temos algo a fazer ou a esperar,
Pensamos no amanhã,
Pensamos no ontem,
Resgatamos as memórias,
Criamos novas memórias,
Vivemos e descobrimos no viver
Uma fonte eterna do conhecer do aprender,
E como uma vela consumimos o que temos de existência.
Por isso temos que fazê-lo com sabedoria,
Todavia esta só nos chega com o consumo de nossa vida...
Ah, se pudesse voltar atrás...
Não, não há essa possibilidade,
Viver é movimento,
É devir,
Enquanto soa essa música de Mozart,
Enquanto minha garganta está irritada,
Enquanto meu peito pulsa,
Enquanto sinto desconforto,
A vida acontece,
Tudo acontece...
Pode me agradar ou não.
Acendi um incenso de canela,
Tomei um banho e me perfumei,
Vou jantar e o que poderia ser mais perfeito?
As vezes é importante sair do ideal e viver o real.

09/06/16

Reflexo

A noite é surda, cega e fresca.
A noite por ser sombria
É um mar de solidão
Em que nos afogamos,
Talvez por isso que a noite podemos descansar
E encontramo-nos com nossos sonhos,
E talvez assim a gente tente encontrar o melhor de nos,
Na noite há reflexão.

Mundo vasto

Mundo vasto  mundo de Drummond,
De tão vasto,
Onde me encontro?
Onde me encontro?
Não sei aonde estou,
Porque sou devir,
Agora estou aqui sentado na cadeira em frente ao computador,
Mas em instantes não estarei,
Somos movimento,
E me movimento por onde quero,
Tenho a liberdade que o tempo me permite agora,
Porque o futuro está imbricado,
O passado também
E o que me resta é o aqui e agora,
Esse devir,
Não existe essência,
Não existe nada demais,
Só a eterna liberdade sartreana.
Mundo vasto mundo,
Como subjetivá-lo?
É necessário tempo, tempo, tempo,
Tempo que não temos.
E a tarde cai sem que percebamos,
Então amém.

08/06/16

Quem sabe

A noite,
Um cão latindo,
O cansaço,
A alegria que se esvai,
O corpo que quer descanso,
A vida e seus espaços,
O cheiro que nos atrai ou nos repulsa,
Algo que está oculto a nossa compreensão,
Que se dissolve no nada,
Não se expressa,
Mas...

07/06/16

Divagação

Uma aurora,
Pés de Castanhola,
A grama verde brilhante crescendo,
Tricomas de ramos e folhas,
Folhas, flores e frutos,
Troncos e ramos,
Rizomas,
Crescer,
Crescer,
Florescer,
Algo em comum? 
A existência,
A existência,
O que sou o eu,
O que é o outro?
Minha percepção,
Sua percepção,
Unidas nos permitem ampliar o mundo,
Veja as rochas,
Vejo as flores,
Veja o céu,
Vejo um grão de areia,
As formas,
As faces...
Alguma explicação?
Divagação...

06/06/16

Busca

Porto seguro,
Eis o que buscamos,
Porque sabemos a dimensão da solidão.
Somos seres solitários por natureza,
Desde o nosso nascer até nosso falecer,
São atos peculiares, exclusivos,
Que nos faz esses seres tementes a solidão
E buscamos um porto seguro inexistente...
Talvez tudo que buscamos é o ato de buscar.
Quem sabe?
Quem sabe o que buscamos da vida?
São tantas as variáveis...
Ah...
Sabe lá.

05/06/16

Bendita terra

Bendita nossa terra,
Bendita nossa terra natal,
Essa terra fértil que nos acolheu,
Essa terra fértil que nos alimentou e alimenta,
No passado e no presente,
Essa terra bendita que em teu seio guarda nossos queridos entes,
Que assim viveram, aqui existiram e nos produziram,
Somos parte dessa terra,
Somos o que somos por ti bendita terra,
Bendita terra,
Partiremos para ti,
Mas há de abrigar nossas gerações,
Nosso tempo se esvai,
E com ele nos faz sermos quem queremos ser
E aos poucos nos perdemos,
Mas temos a ti bendita terra.
O amanhã é incerto,
Por isso,
Te amo bendita terra.

03/06/16

Inércia

Apaixonar-se pela vida,
Eis maior adrenalina,
Porque o amanhã é tão incerto.
A vida é tão inserta,
Há tanta incerteza,
O que conta é quase nada,
Mero acaso,
A sua existência,
A sua felicidade,
A sua tristeza,
Eterno devir,
Ser...
Ser o que penso,
Não se não pensa em nada.
Eh. inércia.

Apologia a sexta

Sexta-feira.
A gente se sente bem nas sextas,
Esse dia da semana maravilhoso.
Tenho a sensação que renascemos neste dia.
Hoje, melhor que qualquer outra sexta,
A chuva choveu na madrugada,
A chuva chovia na manhã cedinho,
A chuva brinca, chove, pára...
Gostas se desprendem com ternura dos ramos molhados, viridescentes...
Eh, chuva,
Eh, sexta,
Eh, Carlos Pereira e suas crônicas.

02/06/16

Divagar

O vento não tem soprado ultimamente,
A tarde é bela, mas tão organiza,
Quem dera pudesse voar com o vento
Feito pipa, feito ave a planar,
Ir para qualquer lugar
Onde pudesse esquecer de tudo,
Onde pudesse ser esquecido,
E ainda assim existisse,
Não falo da morte,
Mas falo se uma leveza do não ser,
Algo impressionante como o segundo crepúsculo,
Inesquecível como histórias de aventura,
De superação...
Ah, divagar,
Divagar,
Amanhã...
O amanhã nunca será o dia perfeito,
Então, no mundo nasceu Platão,
Que tirou tanta beleza do mundo,
Com a maldita da razão,
Pensamento linear carteziano...
Deus, Deus, Deus...
Essa loucura passageira que é a vida.

Não caminho

Onde encontrar a substância para viver e não apenas existir.
Cada um encontra a sua maneira.
Não existe receita pronta.
Não acredite em autoajuda.
Sinta a vida orgânica.
Tome suas decisões,
Seja responsável por suas atitudes.
Amadurecer é um processo traumático
E requer muita responsabilidade,
Ser quem se quer ser mais difícil ainda...
E a gente vai sendo ator na vida,
Um dia descobre que não era nada daquilo.
A gente descobre a vida,
Ela nos revela.
A consciência nos vem.
A consciência, como diriam os fenomenólogos,
é a apreensão de um sentido...
E vamos tomando consciência da vida,
E a gente descobre que a substância para viver
É ter coragem de sair da cama e fazer o que pra fazer...
O resto são consequências.
Lembre-se a vida não é teleológica.

Valores

Temos ânsia de entender o mundo. Esse mundo que tem tantas faces, tantas vertentes que o pensamento não consegue ou não tem tempo de conhecer. Nosso conhecimento é tão limitado diante do mundo, todavia há aqueles que sempre querem expandir o mundo. E o fazem a sua maneira.
Meu pai muito cedo com 17 anos tomou exemplo dos amigos, saiu de sua terra natal e foi a terras muito distantes. Saiu de Serrinha dos Pintos seio de sua família e foi para São Paulo numa viagem que suponho deslumbrante, foram 17 dias de viagem. Imagina o medo e a emoção de papai. Menino homem, que quando chegou a aquela cidade não tinha sequer um par de sapatos. Largou a enxada, o sol a pino, para trabalhar na construção civil como servente de pedreiro, abraçado a uma esperança deixou de trabalhar apenas para comer por um salário. Papai que nunca tinha visto dinheiro, passou a vender o seu trabalho e a ter algum dinheiro e ajudar a sua família. Bom filho, bom irmão e bom marido. De papai nunca tive queixa, não tenho más histórias, teve que amadurecer muito cedo. Papai na sua simplicidade foi boêmio, aprendeu carpintaria e não ficava seis meses num lugar e já mudava, queria uma nova obra, um novo lugar, novas pessoas. Papai adorava tirar barato, naquela época varava a madrugada ouvindo Nelson Gonçalves de quem tanto gosta. E quando chegava em Serrinha era o cara. Papai conheceu as grandes cidades o eixo da economia da época: Rio, São Paulo. Descreve de cabeça o centro de São Paulo e do Rio...
Papai ampliou sempre o seu olhar, sempre gostou de conhecer o mundo e hoje o tempo cada vez mais torna-o prisioneiro do seu corpo, Borges já dizia e é o que acontece nos tornamos prisioneiros de nossos corpos de nosso tempo e não acompanhamos o nosso tempo.
Apesar de tudo coragem não faltou, seu entendimento é o de seu tempo, hoje encontra-se imbricado em seus pensamentos, muitas verdades que aprendi com ele se desfazem. Verdades que para ele são teorema, verdades como as políticas, que na época do regime militar era que funcionava.
Papai não leu Foucault, Sartre, Nietzsche... Papai não leu teorias. Tudo que aprendeu foi com a vida.
Ele me ensinou valores que são atemporais. Valores que aprendeu com seus pais e irmãos.
Os valores são atemporais. Vão além das fronteiras do conhecimento. 
Por isso devo tudo a meu pai e a mamãe pelos valores que me ensinou.
Creio que mais que bens materiais valores são aqueles bens que melhor de devem deixar para os filhos.

31/05/16

Sujeito

Ser,
Até quando?
Que importa.
O ocaso,
É quem sabe,
Amanhã...
Talvez existirá,
Talvez não...
Impossível,
Imprevisível...
Esse ser subjetivo...

30/05/16

Imaginário

Imaginário!
O que sou?
Fecho os olhos e sou quem ou o que quero ser...
De tento ouvir que era mentira,
Desaprendi a imaginar,
Ah, meu imaginário, minha maior riqueza que me tiraram...
Quando criança a sobra de pinheiras ou serigueleira era quem eu queria,
Vivia de imaginar,
Aprendi a fazer as coisas imaginando,
Por isso as coisas saem meio torta,
E dai, Gaudi pensava coisa tortas e todos acham tão lindo...
Ah, já nem sei brincar,
Só sei ser um personagem sem imaginação
Que envelhece e empobrece a imaginação...
A realidade é dura,
As pessoas são duras,
O meu imaginário...
Não é perfeito como contos de Borges,
Belo como pintura de Gogh,
Inteligente como Nietzsche,
Mas é meu...
É bom fazer,
É fazendo que aprendemos,
E quando temos gosto...
Ah, o imaginário.

A chuva na mata atlântica


Que o nordestino gosta de chuva, isto não é nenhuma surpresa, mas há aqueles que gostam mais que outros. Refiro-me ao sertanejo. Como sertanejo tenho propriedade para falar. Gostamos muito de ver a chuva, sentir, ouvir e até mesmo cheirar a chuva. A chuva é nossa esperança de dias melhores. Todavia há sertanejos que não conhecem a mata atlântica, nunca chegaram a ir a capital de seu estado, Natal, João Pessoa, Recife entre outras que chove muito. Lembro que ainda muito novinho quando acabara de chegar na UFRN para cursar Ciências Biológicas ficava encantado com tanta chuva, por vezes aborrecido pelos vário banho que tomei só por não ter um guarda-chuva.
Durou muito a conhecer a chuva na mata. Só quando fui a Pipa, a trabalho, onde dormi numa casinha no meio da mata no Santuário Ecológico, a casa fedia a mofo. Todavia quando acordei ouvi a chuva chovendo, suave intermitente então fui para uma área e fiquei ali sentindo a chuva. A chuva como numa sinfonia usava as folhas das árvores para tocar seu canto. Desfiava seus pingos por toda a manhã. Desprestenciosamente chovia. E vivia pela primeira vez a chuva chovendo na mata.
De lá pra cá foi muito tempo... Vi a chuva chover na mata de São Paulo e em muitos lugares, chuva de verão, chuva de inverno...
Aqui da janela vejo a mata sendo tocada pela mata e dou graça por conhecer a chuva na mata atlântica.

29/05/16

Perdido

Uma manhã ensolarada,
Ruas vazias,
Nem um cão a ladrar,
Ecoa em minha mente,
Memórias, memórias
Daquilo que se passou,
Sem retorno,
Sem retorno.
Minha realidade me desagrada?
Sei lá.

26/05/16

Oração

Aurora divina aurora,
Nesta hora que me levanto,
Nessa hora que bom se há espanto,
Aurora, mas se não dormi
Se nem percebi chegar,
Ah, aurora,
Acalentai os corações perturbados, sofridos, desiludidos...
A vida é tão maravilhosa para que no seio do amor nasça rancor,
Fruto da dor,
E como há aqueles que sofrem que pagam tudo resguardam sua vida para se livrar do sofrimento,
Sofrimento inerente a vida.
Aurora, desperta em mim a felicidade e a alegria de viver,
Ao perceber o quanto tenho nas coisas mais simples,
No que parece um nada, mas que é tudo, um bom dia, um gesto carinhoso...
Desperta em mim contentamento com o mais simples e puro dia,
Pois a vida é feita de coisas simples,
Não somos gênios como Mozart, Borges, Gogh, Gandhi, Nietzsche...
Somos seres humanos normais
Que precisa viver a vida de maneira ética,
Precisamos entender que somos o que pensamos e queremos,
Que meio copo não é simplesmente meio copo é sim meio copo cheio...
Tende piedade daqueles que acham que estão se dando bem as custas dos outros,
Que vendem sua dignidade por bens materiais...
Desperta em mim sempre o melhor que pode ser um ser humano,
Porque um dia aurora não te verei chegar.

É tempo de perceber

Uma flor que desabrocha perfumada encanta o dia,
Uma poesia cheia de mistério,
Uma conversa animada,
A chuva no verão,
Poeira ao vento,
O tempo, o tempo, o tempo...
Tempo pra poder viver,
Tempo para conhecer,
Conhecer o mundo, as pessoas, as histórias e as coisas...
Mundo vasto,
Somos grãos de areia ao vento...
Na praia...
A chuva,
A aurora,
O jambeiro florido...
A vida é beleza.

24/05/16

Interrogações

Cada maneira de ser,
É uma maneira de existir,
Quantas maneiras poderemos assumir como ser?
Haveria de mudar se mudasse a língua?
A cultura? os hábitos?
Será?
Poderia ser outro?

Epifania

Uma manhã de chuva suave,
O caos das vias,
Ônibus lotado, calor,
Nada impede de seguir para o trabalho,
Todavia algo distinto pode está acontecendo neste momento.
Uma compreensão distinta do mundo,
Despertada por uma imagem,
Uma palavra, uma música,
Qualquer coisa pode ser causa de epifania.
Ser causa de uma epifania eis grande gloria,
Sábios são os poetas que as fazem estourar como milho de pipoca.
As vezes a gente aprende a fazer da vida um caldeirão de pipoca.

23/05/16

Hoje

E no fim do dia,
Se fecha um ciclo,
Amanhã, talvez,
Tudo pode ser melhor,
Talvez não,
Todavia quem deve esperar pelo amanhã?
Ninguém...

ininterruptamente

Viçosas as árvores crescem ininterruptamente,
Crescem os ramos e o tronco e as raízes,
Trocam-se as folhas,
Produzem-se as flores e os frutos e as sementes,
Tudo a seu tempo,
Agora mesmo, imponentes na mata
Estão imóveis, não há vento,
Só a luz se difunde se entranha, embrenha-se na mata.
Os fungos sempre a consumir a devorar
Troncos, e ramos e folhas mortas.
Algumas aves a cantar,
Seu canto ecoa na mata.
Eu, mero observador,
Não sou árvore, não sou fungo, não sou ave...
Nem sei o que sou,
As vezes sou árvore, sou fungo, sou ave...
Todavia, buscando sempre saber quem sou.
Espinhoso caminho, de saber quem se é,
Como saber quem se é?
Somos o que queremos ser,
Mas a moral, mas os códigos, mas tanta coisa nos desvia de nós mesmos...
Ser um ser livre.
E as árvores crescem ininterruptamente,
Como os nossos anos.

22/05/16

Angústia

Como conseguiria escrever sobre o que sinto e penso
Sobre a existência, as sensações tão peculiares.
Há momentos em que penso que vou explodir de alegria, algo que creio ser felicidade,
No entanto no mesmo dia surge em mim um vazio intenso
Sinto meu peito tornar-se oco como uma caverna carbonática.
Varia tanto em meu ser todos os humores.
Feito milho numa panela aquecendo
E pipocas sendo estouradas...
Não entendo meu ser, não entendo a mim.
Minha memória é um espelho do passado
Que a todo momento como uma galeria expõe quadros
E me faz pensar no passado,
E me faz sentir um profundo niilismo,
Que me deixa descontente estando sou ou acompanhado,
Todavia na solidão creio serem menos brandas as sensações de vazio.
E vai se consolidando em mim um mundo ideal.
Existencialismo,
Kafkianismo,
Borges, Gogh, Mozart...
Aqueles que amo, nem eles me permitem expressar minhas sensações.
Esse meu ser inquieto,
Que garimpa na palavra um sentido para viver,
E nada encontra,
Nada me define...
Ojeriza,
Sabe lá...
Esse medo da vida.
Essas sensações inverbalizavéis, inexplicáveis,
São parte da angústia de nossa existência.

19/05/16

O melhor

Esse chegar,
Se apossar,
O amanhecer pós-madrugada estrelada,
A noitinha plenilúnea,
O silêncio...
Esse silêncio ensurdecedor,
Uma música,
A melhor melodia
Que nos enche de alegria,
Ah esperança que sempre
Enche os nossos corações
A qualquer hora...
Porque viver é a melhor coisa na vida.

17/05/16

Espiral

Gira  mundo,
Gira fundo,
Passa tempo,
Passa vento,
Vai o dia,
Nasce poesia,
O espanto,
O encanto,
Gira,
Gira,
Gogh,
Borges,
Chopin,
Mozart,
E acordamos,
Do sonho,
Viver é sonhar.

16/05/16

Chuva chovendo

E o dia foi quente,
E o sol reinou,
O dia inteiro,
Mas a noite
Se entregou a chuva,
A noite se domou,
A canção da chuva chovendo,
Sempre ouvir a chuva chovendo,
Ah.
Lembro de Pessoa.

Transcender

Renascer,
Das cinzas,
As cinzas ao vento,
Cinzas cinzas,
Desbotada do tempo,
Desgastada a matéria,
E assim tudo se transforma,
Tudo se acaba,
É a lei da natureza.

Renascer

A flor que pela manhã vicejava,
Já não é mais flor,
Efêmera existência de flor,

Suas pétalas e sépalas murcharam,
E agora parte de se fruto e faz,
O tempo não volta atrás,
Agora fruto será,
E depois que sobrará
Somente será semente.

15/05/16

Entardece

Amanhece e é menino,
E o tempo cai, homem se faz,
Veio o meio dia, lesa poesia,
A gente entardece,
Para a vida,
Ah essa vida... 

12/05/16

Revolução

De que adianta ficar indignado?
Pessoas mediocres no poder,
Mesmo assim ainda podemos viver,
Essas pessoas gananciosas,
São todas iguais,
Fisiologistas,
Covardes, espertos como raposas,
As raposas ao menos o fazem para sobreviver,
Estas para surrupiar,
Para serem o que são tapurus,
Tapurus...
Larvas de mosca,
Vermes malditos,
Vermes que deveriam serem exterminados banidos da terra,
Mas continuarão alí
Com terno e gravada de pastores,
Todavia com roupa de grife,
Essas vermes,
Esses vírus nunca se acabarão,
Viver é uma condição,
São os incontentes,
Nunca saciarão sua sede de poder e de ter...
Somente uma revolução poderia mudar o Brasil.

11/05/16

Movimento

A  noite,
Tudo repousa,
Abriu se foi,
E o inverno chegou,
Chuva,
Chuvas sem parar,
E o tempo sempre a passar.

10/05/16

Ouvir

O tempo é infinito,
Eternamente se repete,
Infinitamente se repete,
E as vezes a gente ouve o tempo,
A gente passa a perceber o tempo pela audição,
A gente ouve a madrugada,
Ouve a manhã
E ouve a tarde.
Como agora ouço,
Estou aqui quieto
Ouvindo o tempo,
Ouvindo a tarde
Que crisa passa.
Vai passando,
E nossos sentidos
Se perdem nas ocupações,
Quase esquecemos de ouvir o tempo...
A tarde tem um som bom,
Som de distante,
De som leve.
Que faz a gente se sentir
Eterno.

09/05/16

Emoção jovem

Hoje, vivi uma experiência extremamente gratificante, incrível.
No fim da tarde, recebi uma visita de quatro alunos do ensino médio, seguido do professor.
O intuito era mostrar aos alunos as atividades desenvolvidas por um profissional formado em biologia.
Não sabia, porém tive a grata surpresa de se tratar de alunos de escola pública.
Aqueles quatro garotos de aspecto extremamente simples,
Tinham nos olhos ganas do saber.
Cada frase que enunciava uma pergunta, extremamente atentos a tudo.
Mostrei os objetos que usamos para coletar, local de secagem, montagem, e a nossa coleção botânica.
E tomei uma chuva de perguntas.
Depois comecei a falar a minha história de vida, de superação,
Todas as coisas que passei, tentando mostrar sempre que apesar das dificuldades é possível se conquistar um espaço no mundo.
Burilei minha história de Serrinha até aquela sala, então teve um momento
Em que um dos jovens se emocionou, chorou um choro real,
Estava realmente emocionado, falou que amava a biologia desde a primeira aula.
Poxa!
Naquele momento ficamos em silêncio,
E então tiramos uma fotografia,
Concluímos a conversa e formos embora.

Gratidão

A manhã que nasce sem sol,
Nasce sob a chuva,
A natureza se cala
Para ouvir a chuva,
A vida agradece pela chuva,
Pingos que desprendem das nuvens
E se transformam em vida,
Sementes germinam,
Esporos germinam,
As plantas crescem,
E a vida se renova,
Gratidão...
Eterna gratidão
Pela vida,
Pela vida.

08/05/16

Desfazer

A mente da gente,
Em elipse,
O tempo sucessivo tempo,
O vazio,
A chuva,
O ocaso,
A noite,
O silêncio de uma noite de domingo,
A indefinição da segunda,
A desilusão dos dias,
A semana.
O amor frustrado,
Coisas da vida,
Soturna vida.

Limitar

Ser,
Aquilo que nos impressiona como seres,
O belo,
O forte,
O insuperável,
O nascer,
A morte,
Aprender,
Adaptar-se...
Não se pode limitar.
E o que são os limites?
Uma definição, talvez.

07/05/16

Existir

Quem somos nós? Quem sou eu? Quem é você?
Constantemente, no ócio, nos questionamos quanto a nossa existência como seres.
A corrente filosófica conhecida como Existencialismo que teve como precursor Kierkaard e posteriormente profundamente estudada e evidenciada por Sartre nos apontou um caminho um entendimento sobre tais questionamentos. Infelizmente apesar de tantas ideias já aclaradas, há uma profunda ignorância no mundo, e me incluo ai como um humano ignorante, muitas vezes carrego muitos medos, reflexos do mundo obscuro que vivi, tantos medos, tanta ignorância, num universo profundamente afetivo sob poucos registros, sob pouca luz da razão.
O mundo é semelhante a uma panela de pressão onde tudo ocorre ao mesmo instante sob mesma temperatura e pressão, e sob essas variáveis físicas vamos nos forjando nos tornando seres, nos afirmando, tomando por fim quem somos. E pasmem nunca nos tornamos quem somos, pois somos por demais platônicos.
Eis nossa eterna angústia a busca da perfeição. Na verdade perfeição é um ideal. Então vivemos presos a um passado ou a um futuro. Só depende do referencial. Se somos jovens nos apegamos a um futuro e se somos velhos a um passado. Todavia há um meio termo ai que seria o presente e só os mais sábios vivem o presente. Pessoa dizia que se apegar aos sentidos é se ater ao presente, elencaria ainda, se apegar uma jornada, uma obra... algo um tanto quanto materialista. Fato, pra que tanto se o fim é a morte? Viver é preciso e uma vida sem sentido é uma existência rota.
Ah, sob a luz da filosofia, da poesia, da ciência, da religião... Assim vivemos sob alguma destas sombras.
O tempo passa, a gente envelhece e as coisas sempre mudam, mesmo quando parece que nada está mudando, Guimarães Rosa já percebia isso no silêncio dos sertões.
Então a compreensão de mundo nos torna felizes.
E fazendo algo que nos faz bem nos torna mais humano, infelizmente não conseguimos que isso seja onihumano, ocorre lentamente.
Que assim seja.

05/05/16

Viver

Ver a chuva cair,
A chuva cantar,
É tão maravilhoso
Quanto ver o sol brilhar,
Quanto sentir a brisa passar,
Quanto degustar uma comida,
Mas a vida,
A vida pode nos fazer sofrer,
Podemos adoecer,
entristecer,
E por fim morrer,
Mas viver é além de tudo,
Viver é esta vivo,
É acão,
É mudança,
É possibilidade...

04/05/16

Coragem

Um caminho a seguir,
Uma manhã,
Uma estrada,
Coragem, coragem,
Fé e alegria,
Pra viver é preciso ser forte.

03/05/16

Que valores?

O tempo não tem prioridades,
Nós temos prioridades,
E nós selecionamos o que é prioridade...
Hum, saudades das minhas leituras,
Saudade de ficar a toa,
Ouvir uma boa música...
A partir de que priorizamos as coisas?
Creio que a partir dos valores.
O que valores são esses?
Acho que renunciamos nosso tempo para o outro,
Acho que estamos renunciando a vida real,
Vivemos tanto no virtual.
Se tudo é uma construção,
Que alicerces terão nossos filhos?
O caos sem uma rede social.

02/05/16

Redemoinho

O tempo gira
Feito um redemoinho
E não deixa nada,
Se desfaz no ar,
Para lá,
Pra cá...
E nada faz sentido,
Extra nós,
Nada...
O sentido é o que nos faz querer ser vivos.
E o tempo a medida de nossos valores.
O mais... nada.

01/05/16

Germinar

A casa vazia,
O barulho de qualquer música,
Livros de poesia, prosa, de botânica...
Objetos, ímas, uma geladeira,
Um sofá, uma cama,
Ir e vir,
Segurança, insegurança,
Aqui é o meu lugar.
Será?
Sei lá, as vezes
acho que sou como a lua,
Um satélite a orbitar,
Mas o que me diz,
O que me faz ser de algum lugar,
Conhecer,
Conviver?
Sei lá.
Tanta coisa sem sentido na vida.
Perguntas vazias...
Talvez por ser uma vida fria,
Cadavérica,
Talvez não, talvez sejas semente,
A qualquer momento pode germinar.

Morcegos

É noite,
Noite jovem,
Escureceu!
Os morcegos piam,
Voam desajeitados,
Voam desordenados,
Em busca de saciar sua fome,
Comem de tudo, insetos, polém, néctar e frutos,
Tão lindo os morcegos...
Não os vejo,
Apenas ouço,
Acho tão linda sua existência,
Essa vida de morcegos,
Guardas noturnos da mata atlântica.
Trabalham a qualquer noite,
Não distinguem a semana,
Não reclamam,
Amam,
A vida morcegular.

Renovação

O que resta?
Folhas secas sobre o chão,
É tudo que resta após uma estação,
Frutos e sementes dispersos,
E chegará mais um verão.
Logo virá o calor,
Logo o vento trará o frescor,
E o tempo sempre a passar,
E a vida sempre a marcar,
A espera de uma nova estação.
Mais um domingo se foi,
Mais um dia se foi,
Foi-se abril,
O tempo sumiu,
A esperança... Ela se renova,
Um novo mês,
Uma nova semana...
E nossas metas?
Amadureceram?
O cinza da mata branca,
A terra preta de humos.
E o que resta?
E o que sobra?
A esperança por uma nova estação.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh