28/11/13

A preguiça

A sombra da mata,
O vento fresco,
A estrada de terra,
O verde da mata,
A preguiça quase se arrastando.
Pequena, magra e cinza,
Mais parece uma criança.
Ia passando e ela na indecisão,
Cruzar ou não cruzar a estrada,
Ajudei-a...
Tão magrinha.
A sombra da mata.
Os ingas...

25/11/13

Pisca-pisca quase natal

A noite esta quente e escura,
O céu estrelado,
E o vento sopra através da janela.
O tempo passa depressa,
Já estamos novamente no fim do ano,
Nas ruas pisca-piscas piscam
todos coloridos azuis, verdes e vermelhas
Piscam, piscam noite a dentro
Anunciando o Natal...
O silêncio da noite...
Todos distantes, meus pais, meus irmãos meus sobrinhos, meus amigos.
A minha mente vê a poeira das estradas
que povoavam minha infância
os galhos secos.
A embauba que de longe ganhava verde das folhas,
O açude que seca se preparando para a chuva,
A barra mais limpa a cada manhã,
Meus avós vivos envelhecendo,
Meus pais jovem e fortes
E nós crianças crendo em papai Noel,
Nunca ganhei presente de Natal,
Mesmo assim gostava de saber que papais Noeis existiam na televisão.
A noite está escura,
Minha mente também,
Só sob a luz de lembranças da vida.

24/11/13

A arca de Noé

Na minha infância à noite saíamos para a casa de algum vizinho. Geralmente íamos a casa de Chico Franco.
Caminhávamos no escuro silenciosos, olhando para a lua, pisando na poeira vermelha da estrada. A noite era um breu. As vezes encontrávamos alguns vizinhos indo fazer boca de noite na casa de outras pessoas e as vezes  nos reuníamos numa só casa. Naquele tempo não tinha televisão a conversa era a unica distração, quebra do tédio. Na casa de seu Chico tinha um quadro que adorava olhar. Era uma representação da Arca de Noé. Uma arca em forma de navio com uma estrada que levava todos os animais para o seu interior da arca. Aquela pintora era a unica forma de ver animais africanos elefantes, leões, zebras... Todos eles emparelhados me seduziam e me tomavam a atenção. Enquanto isso os adultos conversavam, vez por outra saia um café. E a conversa ia até tarde as 21 horas. Depois voltávamos para casa e levava na imaginação como tantos animais se acomodavam em uma arca.

20/11/13

Um dia

Que se passava na cabeça de Borges,
Uma cabeça cheia de ideias, de memórias,
De livros lidos e apreendidos.
Uma cabeça em que os sonhos
Se confundem com a realidade.
Amo tanto os livros,
Amo as ideias,
Ideias engendradas
nos giros e circunvoluções cerebrais...
Dos mais sábios dos homens.
Quanto sabemos?
Sabe-se lá...
Ainda muito pouco, mas é assim...
Um dia saberemos quem sabe.

17/11/13

Noite

A noite enluarada e silenciosa,
Becos vazios, perfumados por quisqualis,
Sobre os muros Himatanthus florescem
Flores brancas,
Fauces amarelas.
Que bela noite...
Que silenciosa noite,
Vazia noite de domingo.

A flor

A flor que nasce no campo,
Nasce no campo,
A flor perfumada,
Flor desejada,
Flor ornamentada,
Flor colorida,
Flor querida,
A flor que nasce no campo,
É uma flor estimada...

16/11/13

Profundidade

Uma canção perdida no ar,
O vento que a tudo afaga,
As flores que doam sua beleza.
O mar com seu horizonte ilimitado,
O céu com o sol ou suas estrelas,
A noite com sua profundidade,
O homem com sua visão limitada,
O desejo consumido,
Coração partido,
A partida...
O querer objetivado,
Algo de tudo isto nos compõe,
Algo de tudo isto nos faz ser quem somos.
Mais nada.

Acontecer

As flores desabrocham dos botões,
Flores vermelhas, flores brancas, flores amarelas.
O sol no céu azul.
Schumann tocando no sábado.
A solidão,
Alvo sótão,
O vento soprando,
Peito perdido,
Emoção,
Lágrimas...
Luz.
Flores e a solidão.

Como bolas de sabão "existência"

Quem eu sou e como me definir?
Não sei quem eu sou e nem como me definir.
Viver não me diz quem eu sou nem me define.
Ser para mim é viver, não preciso de uma definição.
Mas para o outro aquele que me desconhece,
Aquele que é. O vejo e o defino.
Nem um espelho nos define.
Nos definir seria nos conceituar,
Nos categorizar...
Não sei quem eu sou,
E todos os dias me descubro, forte ou fraco, bom ou mal, amigo ou inimigo.
Como saber, para o meu eu atribuo sempre o melhor,
O que não condiz com a alteridade.
Sou um pouquinho de cada um daqueles que me cerca,
Sou um pouquinho daquilo que aprendi a perceber...
Ser... Este fluxo que se esvai, essa ampulheta que conta os meus dias,
Meu construir existencialista...
As vezes me definem Borges, Pessoa e Drummond, e Adelha...
As vezes eles me indicam um caminho,
Quando os leio me vejo ali em suas palavras.

As vezes me encontro em meus pais,
As vezes numa máxima avulsa.

E tenho medo de existir e de desexistir.
Sei que amanhã não serei nada,
Nem este corpo que respira que age,
Que sigo para ser prisioneiro do meu corpo,
Caso não desexista primeiro.

Um gole de água, o sabor de uma fruta, o perfume de uma flor.
A paixão pelo perfume de uma pessoa que me prende,
Sabe lá por que? Química louca da vida,
Sem explicação...
Eu me defino na maior parte das vezes para o outro
E não para mim...
Uma definição seria a alma, a história de vida, saber agir...
Quem sabe,
Palavras avulsas como bolas de sabão.

O congresso

O encontro
Ainda é noite ou madrugada ou dia quando partimos,
Malas cheias, coração a mil.
Quantas expectativas!
E partimos de muito perto ou de muito distante.
Aos poucos vão surgindo rostos amigos,
Risos, abraços e beijos...
O grande encontro.
Encontro que já imaginávamos no passado,
Encontro do amigo querido, quase irmãos...
De quarto, de copo, de dificuldades, de estudo, de afinidade.
Aqui, faz-se amigos, renova-se a amizade, mata-se a saudade...
E aumenta a saudade daquele que ficou,
É festa, gente de todo o Brasil,
Gente que nunca se viu, mas que agora,
É parte de nossa existência,
Conversas, trocas de experiências,
E é cansativo, mas é gostoso,
Mas o tempo voa,
E já temos que partir, mesmo sem mochila.
E partimos de volta,
Cada um a sua maneira...
Ano que vem quem sabe, estaremos juntos novamente neste grande encontro.

Um maravilhoso congresso.

13/11/13

Povo mineiro

Belo Horizonte,

Que grande cidade,
lá encontrei a praça da Liberdade,
Um lindo jardim,
Cheio de cores das flores.

Prédios da década de vinte,
Estátuas de bronze de Bernardo Guimarães,
Arachis repens e Arachis pintoi...

Os meus passos calmos, meu olhar atento,
As formas e as cores...
O que eu vejo e o que senti na praça...

A arte mineira depositada nos museus,
Quanta coisa maravilhosa.

O povo mineiro valoriza a arte e a praça,
Sou mineiro de coração,

Sou brasileiro, senti um orgulho desse povo
bonito e culto, meus irmãos mineiros.

Sentir Minas

Minas Gerais,
Belo Horizonte,
As ladeiras,
Os bares,
As árvores,
O sotaque!
Quantas riquezas há em Minas?

O mercado central,
Gente bonita e hospitaleira,

Museus, a Pampulha...

Minas Gerais,

Drummond, Adelha prado de Divinópolis,

Milton Nascimento,

Pelé... Badine...

O paulista mais mineiro João Aranha,

As montanhas, a cachaça...

A arte sacra...

Que sei eu para falar de Minas,

Nada só vindo aqui

Para sentir.

11/11/13

Incognita

No deserto choveu,
Uma semente dormente geminou,
E choveu novamente,
E a semente numa planta,
Se transformou,
Se cresceu quem sabe?
O deserto é tão adverso.

07/11/13

Sensações cotidianas

O dia ensolarado,
Nuvens que passam carregadas e escuras.
O vento frouxo na rama das árvores e bambus.
Flores desprendendo de seus cachos,
Colorindo por um breve espaço
O vazio do mundo.
Tanta coisa me impressiona.
A vida é tão maravilhosa...
Que dizer da vida?
Vivemos fazes.
Cada uma destas fases devem ser vividas com intensidade.
O tempo é irreversível.
Devemos aprender com os dias que passam,
Com os dias presentes e tentarmos ser feliz
E valorizar tais instantes.
Há momentos que penso, poxa a vida poderia se cristalizar aqui,
Mas tudo passa...
Cuidado com as vaidades,
Cuidado com as vaidades.
Um dia ensolarado,
A saúde perfeita,
Flores florindo,
Que pode ser melhor?

05/11/13

Envelhecer

É doce ver o mundo e ter uma opinião sobre este.
O tempo nos dá este sabor, mas tira-nos os dias que nos resta.
Cada manhã vivida é uma manhã perdida.
Cada tarde que se passa não volta mais.
O tempo é irreversível.
A infância passa,
A adolescência passa,
Nos tornamos idosos e nem percebemos
Que consumimos nosso tempo iludidos com nossos sonhos,
Muitas vezes nos esquecemos de viver.
Viver é conhecer,
Viver é consumir cada inspiração e expiração.
Coragem! O medo nos consome, mas temos que ir
De encontro com este e façamos os dias melhores,
Vivamos com intensidade,
Tudo é incerto,
Inclusive o amanhã.

Em algum lugar

Nascestes ali, naquela casa de tijolo cru caiada de branco, onde tudo era rústico por natureza. A frente dá para a estrada de poucos transeuntes e a cozinha da para um vale que depois de cruzado dá numa linda montanha. Seu horizonte tem um limite, mas quem precisa de um amplo horizonte se ali se concentra toda a beleza do mundo nas formas das rochas, na neblina frouxa das nuvens. A casinha simples rodeada de terreiros de terra branca. Uma pequena planta cresce no rodapé da casa botando cada flor linda e colorida.
Ai há silêncio, tudo é silêncio exceto quando a barra é quebrada, quando aurora surge e anuncia a chegada do sol. Um jatobá faz sombra sob o céu e o sol azul. A água se derrama montanha abaixo.
Tudo é silêncio. O tom azulado das rochas na montanha. Ode casa! E lá vem uma pessoa adorável e doce e nos atende com a paciência de um tibetano. Oferece-nos um café. A brisa fresca nos dar uma sensação de paz. A voz abreviada e tímida moldada pela montanha e pelo silêncio. Gente ali fica feliz quando ver gente.
A vida ali é calma e longa...

30/10/13

Doce Anonna

O branco doce da Anonna squamosa (pinha).
Desmancha na boca.
Na pinheira, quando há pinha madura,
É sempre festa, cantam sabiás, sanhaçus e patativas.
Voam lerdas as arapuás.
E de longe, sempre malandro, buscava sempre
uma festa da passarinhada,
Ali, encontrava sempre a doçura gerada da terra.
Pinheira nova e viçosa, com ramos crescendo
Fugindo da sombra dos cajueiros,
E lá estava ela uma, duas enormes pinhas,
Doces pinhas, que frutos doces,
Sementes negras,
A casca enrugada.
Vai o doce e ficam as cascas,
e lá se vai em busca de outra passarinhada.

Vinte

Pela manhã, saia do meu apartamento de número 20,
ouvindo a bandnews e caminhava para a Embrapa
Até a sala de número 20.
Chegava, abria a porta de número 20,
Entrava e abria o computador,
Ligava na tomada 220 volts.
E punha uma música, de Mozart.
Então, ela vinha de um lugar que não era de número 20.
Mas entrava pela porta de número 20,
Ela que não tinha 20 anos ainda.
Abria um sorriso maior que a lua cheia quando nasce.
Nos abraçávamos, seu cabelo dela cheirava a mel.
Sua voz suave. Comentava o que acontecera fora da sala 20.
Ouvia e ela perguntava o que ouvia. 
_ Mozart respondia. -É óbvio.
Ela pedia para colocar Chopin.
Como poderia negar aquele olhar e aquele riso.
Então ao som de Chopin sorria  a sala 20.
E assim, Senhorita Stêfani,
Vicie-me em Chopin,
Na sala de número 20,
No meu apartamento de número vinte...
Soa suave agora no 303...
Em algum lugar do mundo.

Novos hábitos

O calor da manhã,
À proximidade com a mata onde crescem
Ingas, Protium, Erioteca e muitas outras árvores.
O ronco do ar,
O canto das aves, sanhaçus, patativas e sabiás.
Aos poucos desperto para o dia,
Aos poucos desperto para o trabalho,
As notícias dos jornais,
As colunas,
A cigarra canta.
E assim percebo as manhãs de minha nova lida
Tomar sua forma.

29/10/13

Noite de chuva

A noite escura após a chuva.
A água escoa caindo sempre para baixo.
Enlameada, se mistura com o pó que oras é seco
Oras é lama...
O mundo cheira após a chuva.
No escuro silencioso da noite,
Após uma longa estiagem
Suprimida pela chuva,
Ovos de insetos desencadeiam seus desenvolvimento.
As árvores sedentas matam sua sede
E silenciosamente se transforma para o novo dia.
As aves após o banho acordam se preparam para um novo dia
Acordarem cantando...
E ao quebrar da barra
A luz dar cores as formas
E as velhas cores ganham um novo tom.
O chão molhado, fresco, unido nos enche de alegria.
Sementes germinarão nos campos e em nossos peitos.
A vida com toda força
Volta a pulsar após uma noite de chuva. 

A velha


A manhã desperta da noite.
A barra quebrada, vermelha em brasa, aurora partiu.
O sol cresce levemente atrás das árvores.
A luz atravessa a janela e toda o cheiro suave
Da roupa guardada, a roupa de cama embrulhada.
Na cozinha a lenha estala e se queima quase molhada.
O cheiro do café. A goma perdendo a umidade no caco.
Café pronto. Levanta levemente a velha senhora,
Caminha devagar e vai ao oratório.
Reza uma oração e segue para a cozinha.
O conforto que só o tempo dá a paciência.
A idade domou o corpo vicejante que hoje
Arde em dor, rugas, dores e a longa espera pela morte.
A manhã talvez virá...
A morte chega antes às vezes.
Hoje, já não estamos mais só.
Temos rádio, televisão e um aposento que não nos deixa passar fome.

28/10/13

Textura da noite

O silêncio da noite.
O silêncio das luzes
Que alumiam ou sinalizam
Rotas, olhares...
Noite vazia, às vezes fria
As vezes quente e triste.
Chiam as folhas dos coqueiros,
Flores de Avenrroa no chão,
Um fruto ou outro no chão frio e escuro da noite.
Areia fina como o escuro da noite.
E inebriado de sono
Durmo tocando a textura macia e escura da noite.

26/10/13

Lúcia

A casa amarela,
A lojinha,
A sobra fresca da área,
A roseira, as flores e os anões artesanais,
Um cavalinho de barro...
Rubinho cachorro, quando você chegou?
Olha Jacinto quem está aqui.
Ah! Cabra besta, Willianinha venha falar com Rubinho.
Um abraço forte, bem apertado...
Beijos e afagos amigos.
A risada...
E como anda o coração?
Deixa de ser safado...
Água... Sente ai.
Gente sobe e desce.
Os dias de trabalhos juntos.
Curta manhã para tanto assunto,
Do mundo, de Serrinha...
Olho o jardim com um contentamento
De quem sente afagado pelo estética viva,
O crescer paciente das flores.
Balanço-me e conto como estou
E quero saber como está.
Volte mais, não vá embora sem vir aqui CACHORRO.

Bom, não viverei mais estas senas,
Minha doce amiga partiu,
Concluiu sua caminhada,
De certo agora descansa num campo
Flores, num campo de rosa
Sob árvores de Tílias,
Ouvindo hinos de amor,
Contemplando o senhor.
Deixa saudades,
Está viva em nossa memória
Até que nós sejamos só memória.
Adeus linda flor, doce amiga.
Lúcia.

24/10/13

Refletidas

Quantas são as fazes da vida?
Tudo poderia ter sido tão suave.
Por que me cobrei tanto?
Não imaginava que a vida passava tão depressa.
Agora que sei quanto tempo me resta,
Deixei de fazer tantas coisas,
Nem se fui feliz pelas minhas escolhas,
Felizes ou não a vida passa!
O tempo passa,
Tudo passa,
E não podemos esperar parados,
Temos que fazer as coisas acontecerem.
De vez em quando ouvir Mozart,
Ler Borges ou Drummond ou Neruda,
Apreciar Gogh,
Apreciar o mar ou o céu ou a lua,
Ou apreciar o que se ver.
Nosso universo as vezes é tão melhor do que o universo
do outro e nem percebemos,
Não conseguimos perceber a intersubjetividade...
Mas a vida continua,
A vida é imortal,
Enquanto vida existir,
As coisas belas serão refletidas...

23/10/13

Meu castelo

O lugar onde moro, está mais para castelo.
Quando vou a sacada e olho para o céu é tão belo.
No céu de minha noite,
A lua vai minguando,
As estrelas estão brilhando,
Nuvens passam sombreando a lua,
Hoje, que trabalhei tanto estou tão cansado,
Mas recebo o afago do vendo,
Um abraço da noite
E a cama me chama.
Minha casa é meu castelo,
Nunca me senti tão bem,
No meu pequeno castelo,

22/10/13

Fazer

Noite vazia,
Corpo cansado!
Alma suave!
Alma lavada,
Função executada.
A vida passa.

20/10/13

Feliz manhã

O coqueiro cresce fagueiro,
No quintal da vizinha,
Cresce também uma caramboleira.
No chão crescem gramas.
No alto do coqueiro
Pousam sanhaçus
Com chamado curto...
Na manhã ensolarada,
Plantas coberta de flores
Flores brancas, lindos Himatanthus,
Embelezam tantos jardins
Do meu bairro,
E canta, canta a cambacica,
E a manhã se vai...
E o coqueiro faqueiro
Dança acompanhando a brisa.

Agrados da vida

Uma manhã de sol,
Após a chuva.
A brisa soprando.
O cheiro das flores,
Música clássica na vizinhança,
Uma poesia de Borges, Neruda, Drummond ou Bandeira.
A música de Almir Sater ou Cartola.
Uma cédula de alto valor perdida no bolso de uma roupa guardada.
Um telefonema marcando um encontro,
Um riso de criança,
Um afago,
A paixão de alguém pela vida e seu prazer em executar.
Acordar cedo ou dormir até mais tarde.
Um bom almoço,
Uma boa companhia
E uma boa conversa.
Coisas que são possíveis apenas
Em vida.

A lua, a manhã e cantatas

A lua cheia encheu a noite
Duma luz clara e suave.
A lua reinou na noite
E junto com a brisa
A noite silenciou.
O sol nasceu,
Os pássaros cantam felizes
Coletando néctar e frutos.
E a manhã vai passando.
Ao som das cantatas de Bach.

19/10/13

Quantos?

Quantos seres habitam em mim?
Quantos são aqueles que fazem de mim quem sou?
O que vejo,
O que sinto,
O que ouço,
O que penso,
Sentimentos de alegria,
Sentimentos de tristeza,
Quem me descreve uma poesia?
Faço às vezes alguma proeza?
Quantos seres habitaram Pessoa?
E Gogh,
E Nietzsche,
Aquilo que nos separa a vida,
Aquilo que nos une o amor
A existência!
Existir é sofrer sempre,
Amar é sofrer,
É ter coragem de se doar
Mais que receber...
E há algum dentro de mim
Que quer amar?
Aquilo que me constitui
é aquilo que permito
ou que insiste e expressar em mim.
Porque sou apenas um ser
Que aguarda sem pressa pelo fim.

18/10/13

Sexta-feira

Na minha nova rotina para quem não sabe, adoro uma rotina. Acordo muito cedo. Antes das seis horas já estou quase de banho e chá tomado. É lógico que estou dormindo supercedo.
Acordo, abro a janela e contemplo o sol e comtemplo a mata e contemplo a vida.
Quando acordo, em meu apartamento despertam juntos o rádio e o fogão.
O rádio fala e o fogão aquece. Confortam-me a solidão.
E o sol me abraça e o dia se passa.
E tudo vai passando.
Agora é menos de onze e eu já estou vovozando.
É a vida.

16/10/13

Tudo passa!

O tempo passa!
O tempo urge!
Fotos, objetos e memórias
E o tempo nos liga
Nos une e não deixa
Nos esquecer que o tempo passa.
O ontem nos é tão próximo!
A quem viveu muito,
O amanhã chega tão depressa,
Tudo passa,
Tudo passa!

Para o fim

A noite caiu suave,
Nem a vi chegar,
E ela nem veio depressa!
Veio devagar,
Quando percebi,
Era noite,
Quando percebi,
A lua crescente brilhava no céu.
O vendo derrubava
Os estames das flores de jambo.
E a noite corria para o fim...

15/10/13

O vago da noite

A noite caiu tão depressa
Que nem vi o sol partir.
A noite caiu e quem viu?
O sol de hoje se foi,
Um dia a menos,
Tanto esforço
E tanto cansaço!
Tudo foi levado pelo fim da tarde!
Amanhã é outro dia,
Outra luta, outras coisas acontecerão.
Engraçado, sempre cremos na felicidade
Presente no passado.
Cadê a tarde e o sol rubro?
Sei lá, ainda hei de ver!
A solidão e os livros e as aulas
Me acompanham!
Sinto falta de minhas doces leituras!
Sinto falta das tardes!
Tudo se foi com a tarde e o tempo...
Será isso mesmo que eu quero?
Goethe dizia que um homem sem tempo
é um homem sem métodos.
Acho que não tenho métodos...
E ansiedade horas tomam conta de mim,
Horas a esqueço!
Ainda bem que posso ouvir Pessoa, Neruda e Borges!

08/10/13

Caminhar

Cada dia em nossa vida,
é único, cada um deles 
um teste, uma provação,
Por isso esqueço dos dias,
leio poesia, leio a natureza,
ouço o que fala a brisa,
paquero a lua mesmo da rua,
E a vida me revela dura
e a vida me revela doce,
E continuo a viver
A buscar, mas docura para a vida,
quem sabe não encontre,
alguma doce companhia.

07/10/13

Sonho

A vida uma poesia,
Ao sonho a paciência
De poder aguardar e realizar,
Ou esquecer!
Tudo é ilusão depois de vivido,
E desejo e paraíso pelo não merecido.
A brisa da noite canta
E me faz dormir
E me faz sonhar,
E me faz ser quem sou,
Pois tudo é emprestado
E passagueiro.

06/10/13

Nocturne

Nocturne!
Após a noite
A luz do dia me acaricia
E me acorda,
A brisa da manhã me afaga!
Cantam as cambacicas
Os sanhaçus,
Cheiam as folhas do coqueiro,
O mundo é tão vasto de minha janela.
E meu ser se torna vasto para o dia,
Refletir Tao the Ching,
E viver mais um dia

Nocturne

Nocturne!
Após a noite
A luz do dia me acaricia
E me acorda,
A brisa da manhã me afaga!
Cantam as cambacicas
Os sanhaçus,
Cheiam as folhas do coqueiro,
O mundo é tão vasto de minha janela.
E meu ser se torna vasto para o dia,
Refletir Tao the Ching,
E viver mais um dia

03/10/13

Apelo

Borges, Nietzsche e Pessoa venham me tirar da solidão,
Dai-me com suas lindas palavras um pouco de ilusão.
O amanhã é incerto e pra mim já chegou,
Vejo as coisas sem graça nem alegria,
Ah, Neruda e Drummond me enbriem com suas poesias.
Amanhã será outro dia.
O amanhã não nos pertence,
Nada nos pertence, os lugares, as coisas, as pessoas...
São todos passageiros e seguimos o mesmo fluxo
Em direção ao nada.
Por que e para que querer tanto...
Buda já dizia e Schopenhauer reverberava
Que apego é sofrimento.
E como viver neste mundo incerto,
Cheio de homem esperto?
Sabe lá. Sabe lá.

Andar perdido

Quando anda perdido,
Caminha sem saber para onde,
Vai e volta.
Quem anda perdido,
Certamente está buscando se encontrar.
E aprende a ir e vir,
Aprende a se virar,
Aprende a ser.
Não se sabe quando se anda perdido,
As vezes quando estamos perdidos,
Estamos mais apto para viver,
Mas viver a solidão,
É está eternamente perdido.

02/10/13

Efêmera

O sol que anima a vida
Também queima e arde
A pele e a alma,
Pode tirar a calma!
Vida passagueira,
Como um pessegueiro
Cuja frutificação
É tão efêmera.
Tantas coisas assim o são.

Cada momento

A noite escura
De céu estrelado,
Grilos cantando,
Cachorros dormindo,
Música clássica,
Um chá de gengibre
E a cama e o sono
Que mais pode querer
Um homem simples.
Viver cada momento.

29/09/13

Novo lar

Estranha a noite!
Não me adaptei ao novo lar,
Minha morada é tão boa.
Abro a porta da sacada
Sobra fresca a brisa,
Ouço grilos cantarem,
Quando deito na cama,
Vejo as estrelas brilharem
E as nuvens passarem,
Quando ainda é madrugada
O sol já nasceu!
E aos poucos me acostumo,
Aos poucos volto a calma
E a paz num novo lar.

24/09/13

Tudo Passa

Às vezes perco a paciência,
Quando aguardo e não acontece.
Aguardo o dia todo e nada,
Mas é preciso esperança,
É preciso paciência
Porque tudo passa...
Tudo passa!

23/09/13

Correr da lua

Noite de lua minguante,
Na rua nem um passante,
A lua no horizonte,
Oras se esconde,
Oras aparece,
Parece que acende...
Lua que tudo viu,
Lua que tudo viu,
De maio a abril,
É noite de setembro,
Primavera toda bela.
Noite se vai,
Tempo se vai,
Vida se vai.

21/09/13

Litoral

Oras chove,
Ora o sol abre.
A brisa que vem do mar
Assovia no telhado,
E chove e para de chover,
E venta, venta...
Que friozinho bom.
Que tempo agradável,
Um papa-capim canta
E canta...
E a manhã vai passando.


20/09/13

Saudades...

Só se tem saudades quando se tem memórias.
Quanto vemos fotos antigas revivemos,
Ficamos saudosos.
O tempo passa e nem percebemos.
Não percebemos as árvores do bosque crescer,
As rugas e os cabelos brancos surgirem.
Tudo passa tão depressa e parece se arrastar.
Aprendemos vivendo...
Vamos transformando o mundo.
Saudades... saudades... saudades...

18/09/13

Adaptar

Sol, calor e suor.
O verde das árvores,
As cores das flores,
A brisa do mar,
A gente andando na praça,
Caixas de som...
Aos poucos me acostumo a tudo isso.

11/09/13

Noite

Noite que refrigera minha alma,
Maravilhosa que me traz a calma.
Noite que vem e que vai.
Enluarada ou estrelada.
 

09/09/13

Adeus Brasilia

É hora da partida,
Hoje aqui amanhã
Outra vida,
Adeus flores do cerrado,
Planura do planalto,
Lago Paranoá,
Céu intenso de Brasília,
Tardes maravilhosas,
Parque Olhos D'água,
Leila, Dani, Ismael, Djalma, Stefani, Rosas,
Estufa de Arachis,
Amigos do Herbário CEN...
Adeus Brasília...
Distrito Federal.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh