O dia se entrega a noite,
Calma e fria,
Ao som das ondas
Quebrando na praia,
Das folhas dos coqueiros,
Do som do vento,
O sol se escondeu no poente,
Além do horizonte,
A tarde toda azul,
Escureceu atrás do mar.
20:44
Casas brancas, todas brancas,
Coqueiros, marngueiras e cajueiros,
Hisbiscos vermelhos pintam a paisagem
Daqui, nunca vi tanto pardal,
No mar escuma branca
Se faz das ondas vindas de longe,
Canta a rolinha,
Esse canto é peculiar,
Da terra potiguar,
Manga espada e caju,
Doces ácidos,
Saborosos, mas travosos.
Um coqueiro velho
Cresce moldado pelo vento,
O vento quem segura,
Quem o balança
Quem canta ninar
Que vida besta essa daqui,
Parada.
8:53
Brancas paredes,
Ricas paisagens
Posso rabiscar,
Atravessa a janela
O imenso mar,
De distante horizonte,
Sem sequer um monte,
Na praia deitam as ondas,
Vindas do oceano,
Beijando areia,
Lavando, se estravasando na praia,
Canta o galo distante,
Cantam os pardais,
E o vento e o mar sempre a soprar e a cantar,
Os ares de tão distante,
O azul intenso desponta no poente ou no norte?
Brancas paisagens,
Branca barriga,
É fome.
8:13
A chuva passou!
Que coisa engraçada,
Chuva torrencial pela manhã!
E o céu ta abrindo,
Como quem pinta com areia,
Lima o céu num átino,
As palmeiras soam suaves,
Passa um barco movido a diesel,
Passa quebrando as ondas,
Num tá tá tá,
Quebrando ondas,
No meio do mar, o horizonte
Está azul...
Como pode!!!
8:06
Como sopra intenso o vento,
E seu sopro vem do mar,
Que parece todo respingar,
Gostas de um mar bento,
Pela deusa Yemanjar,
E agora chove,
Quanta beleza nos mostra a natureza,
Ouço o som da chuva,
Onde o vento faz a curva,
Em terras potiguares,
Vejo da janela os mares,
E a chuva pura destilada,
Das nuvens, quanta beleza.
7:39
16 de dezembro de 2010
O mar
Ontem quando acordei e a abri a janela,
Tinha de paisagem minha acacia bela,
Hoje, vejo outra paisagem
Vindo de longa viagem,
Vejo o mar,
Vento intenso a soprar,
Ouço o mar a cantar,
a palmeira a balançar,
o calor intenso da manhã,
Sem sol, sem céu azul,
Mas sol nublado,
Mar enfesado,
Assim nasceu a manhã,
Bela, quente e ardente,
Com cheiro de mar.
7:27
Quão efêmera é a beleza da rosa,
que desabrocha em plena manhã,
toda bela, fresca e vigorosa,
e no fim do dia, perde o vigor e afã,
Efêmera é a beleza humana,
Cuidado, o que é hoje não é amanhã,
Se hoje sorri um riso branco,
Se hoje negras madeixas brilham,
Amanhã tudo te deixa,
A beleza o vigor,
Cuidado com o pudor,
Pois nem sempre tens beleza,
A rosa se desfaz em fruto
E tu em que em filhos?
Cuidado rosa,
Cuidado o que expressas,
Porque aqui tu pagas,
Tu muchas rosa,
Senão se valorizar,
Quem de ti cuidará,
Tudo passa,
Tudo morre,
A vida corre,
E a beleza efêmera
A que te sobra.
Cuidado com o que te espetas.
Cuidado com o que tu cativas.
Vida é efêmera.
Chegando a Salvador!!! 23:32.
Plana no ar o desengonçado urubu.
Chegando em Natal 0:40h
O tempo é traiçoeiro e está sempre nos seguindo onde quer que vá. Arranca de nós a beleza,
A força e o vigor, mas nos trás de presente a experiência. Nos prepara cada surpresa, nem sempre boa, nem sempre ruim. Na verdade sentimos intenso medo da morte, que nos aguarda e o tempo nos oculta. A morte está presente entre nós, nos apavora, nos leva as pessoas mais queridas, o tempo não perdoa pois conta nossos dias desde o nascimento, vai nos consumindo e nos entrega a morte ao nada.
15-12-10 23:00
Brincar de Avião.
Quando era pequeno e ainda morava com meus pais. Eu achava o avião a coisa mais interessante que existia, pois não entendia como uma asa de lata voava. Alí naquele sertão só tinha um avião. O avião do pastor Pedro que era um americano e era celebrava cultos na igreja batista. Vez por outra tirava o avião da garagem e voava, não sei pra onde. Naquele monomotor ele subia aos ares. Quando ouvia um barulho no ar, saia correndo para ver a asa de lata passar. Diziam que quem tivesse dinheiro pra pagar ele dava uma volta, nunca tive vontade ou coragem, mas que aquilo me encantava. Ah! Isso sim. Então no fim do inverno quando a palha de milho estava seco eu e meus amigos passavam as manhãs confeccionando cataventos e aviões voando pelos ares da imaginação tal qual urubu, besouro ou beijaflor. Íamos onde a imaginação nos levava. Brincávamos sobre os galhos dos cajueiros ou cirigueleiras de piloto. Era muito divertido ser piloto de avião. Hoje cá estou eu voando, mais pareço um boi na gaiola, mas pelo menos assim encurto o tempo até meu destino e ainda ouço Bach. A vida mudou muito de lá pra cá.
Voar
Em pleno ar,
Estamos a voar,
Muito além das nuvens,
Além da litosfera,
Sobre serras e planícies
Daqui tudo é tão pequeno lá em baixo,
Vemos luzes distantes a piscar,
E um céu tão escuro, nublado,
Só o pisca da asa de lata
Alumia lá fora,
Em pleno céu,
Voa a asa de lata.
15-12-10 23:00
15 dezembro de 2010-12-15 22:39
Estamos em pleno ar,
Na ave de lata,
Que não para de pular,
Parece que estamos indo por uma estrada cheia de seixos,
As pessoas até estão caladas,
As luzes estão apagadas,
Estamos indo do Rio para Salvador e depois para Natal.
Aqui dentro fazia calor agora faz frio
E o grande asa de lata não para de saculejar,
Aqui não tem muito o que fazer senão ler, ouvir música.
Estou com vários livros, de prosa e peosia.
Camões, Baudler e Maiakoveski,
Deste o que melhor compreendo é o de Camões
Já o Flores do Mal, nada e o de Maiakovski
Dar para entender o contexto social.
Da Rússia naquele tempo.
Passou um lanchinho.
Ana ta impaciente ora ler, ora tenta dormir,
Agora come.
A luz de dentro da lata impede que veja lá fora.
Sinto um incomodo no nariz agora, uma sensação de falta de ar.
Vou ouvir cantatas de Bach.

Marcas
Bem no fim da tarde o sol partiu,
O vento então soprou,
Soprou como não havia soprado
No fim de semana, soprou até amenizar o clima,
O calor partiu, dissipou no ar,
O sopro do vento deixa todas as plantas felizes
Tudas ficam acenando, pra lá e pra cá.
A luz vai minando,
A noite se entregando,
Os lírios do jardim com suas flores
Cor de fogo e fauce amarela
Ainda estão abertos,
São oito lindas flores,
A bráctea laranja da streulizia
Está tão viçosa...
As folhas da Dypsia,
Com uma panícula toda ornada,
Está num vai lá e vem cá,
E a bolina, cachorrinha,
Está impaciente indo de lá pra cá,
De cá pra lá.
Parece até uma amante esperando
O pé de lã, eita que ta assanhada
A danada.
E o vento sopra,
O oiti ta animado,
Acenando.
Olhando para o nascente pombos se equilibram
Na antena.
E a tarde acaba amena.
18:12 13-12-10
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...