23/09/10

Momento

O momento.

Apreendo o momento,
cristalizo o instante,
numa foto,
numa pintura,
num texto.

A foto apreende as cores,
as formas.

A pintura acrescenta as cores do sentimento.

O texto nos fala do clima, cheiro e a cor.

A foto e a pintura não podem ser desfrutada por quem não ver,
o texto pode ser sentido pelos dedos.


A casa de vo sinha

A casa de avó Sinhá.

Vovó Sinhá tinha duas casas uma na serra e outra no sertão.
A do sertão é a que gosto mais, pois era mais simples. Só tinha a sala de alvenaria e todo o resto de taipa. A parte de taipa era tão engraçada, era toda engembrada, desde o teto as paredes, tinha grandes moirões sustentando as paredes. A cozinha muito era preta da fumaça da comida. A comida era feita com lenha tirada no broque bem próximo dali. Quando chovia aquele lugar ficava lindo.

22/09/10

Cadelinha!

O calor do dia,
a preguiça.

Sobre o colchão dorme a cadelinha, ventilador ligado.
Hoje ela foi ao petshop onde teve o pelo tosado,
o corpo banhado.

Mirando fora da janela,
sob o sol escaldante,
trabalham o pedreiro e seu ajudante.

Desde cedo trabalha no calor.
Quanto vale seu trabalho?


Fome

A fome!

Quando sinto fome não penso,
qualquer coisa dispenso,
quero comer,
não adianta,
não consigo fazer nada,
se quer uma piada.

Quando tenho fome,
faço o que comer,
ou pago pra alguém fazer.

Quando tenho fome
sou outra pessoa.

Sinto fome todos os dias
os mesmos horários e sempre tenho o que comer.

Mas quem não tem?
o que é viver pra essas pessoas?

meio dia

O sol no meio do céu,
brilha intensamente,
tudo intensamente branco,
quente.

O céu num azul claro,
até o verde das plantas furtam a cor,
nossos corpos é puro calor.

Fadiga e ociosidade nos impedem de trabalhar,

como pensar sob o sol escaldante do meio dia.

Mole o corpo transpira,
a fadiga e o cansaço.

Aqui a natureza se impõe.

É preciso paciência,
senão se enlouquece.

21/09/10

A graça da praça

Quando era menino queria crescer para passear na praça sozinho,
mas só me restava o cos da calça de meus pais, que diziam
tenha calma, já acaba, cale a boca.
Finalmente fui crescendo e me tornando livre, e então podia ir a praça quando quisesse,
desfrutei muito dessa liberdade, mas o tempo passa.
E aquela praça perdeu a graça, as meninas não me olhavam,
fui conhecer outra praça a da cidade vizinha, curti por um tempo, mas também ficou sem graça,
eu não percebia que era eu que estava perdendo a graça e cedendo espaço para os outros
rapazes que se tornavam livres. O tempo passou, fui embora da cidade,
para a universidade onde tinha praça, mas vazia e sem graça,
o que me encantava eram as discussões.
Quando voltei para casa, já tinha perdido parte de mim, já tinha construído outro eu.
Quem eu deixei evoluira e eu me perdera.
Gerações novas vieram e sequem lembram de mim.

Aquela praça foi reformada perdeu os bancos o riso e eu
pareço meu pai ontem.

Água

Um copo laranja, transparente cheio de água sobre a mesa.
Esse copo dar forma a água informe.
Um limite sutil entre sólido, liquido e gasoso.
O copo e a água.
O copo da forma a água e a água toma a forma do copo.
Tomo a água o copo se esvazia,
meu corpo resfria,
e a água agora me constitui.
o copo é só um objeto.
A água o precioso conteúdo.

20/09/10

Chuva


Hoje tão de distante do sertão,
distante das terras de seixos,
solos solos e plantas nuas, algumas quase em extinsão,

plantas armadas, curvadas as vezes românticas,
algumas parecem candelabros ornando os serrotes,
onde encontramos magotes de bodes.

Saudades do calor ardente,
do canto da cigarra,
do entardecer com suas barras.

Hoje tão distante,
quando vi a chuva cair,
ai lembrei de lá,
lembrei de ver papai correr,
com medo do relampago e do trovão,
lembrei dele falar fulamo morreu de um raio,
o filho de zacarias.
Conheci um professor, Geraldo, cujo avô lá pras bandas de Barbalha morrera de um raio.

Lembrei do meu sertão,
que agradecia a chuva exalando um cheiro gostoso,
gota a gota na bica,
juntava-se formando um cano d'agua, oba amanhã não vou butar água.

A chuva cai, a chuva caia, me trazendo alegria,
me trazendo poesia...

19/09/10

Vento

O vento que não dorme,
viaja mundo a fora,
a toda e qualquer hora,
principalmente em dia ensolarado,
sai por ai empolgado,
a beijar as flores,
mexer com as árvores,
fazendo-as chiar.

Sai por ai, de cá pra lá,
este sem vergonha,
muito cedo, antes que o sol me acordasse,
já veio me incomodar,
entrou de fininho,
por debaixo da porta,
soprando em meu rosto,
me fez acordar,
fez a acacia da minha minha rua a chiar,
vi a incitando a brigar,

veio e ficou,
chamou o sol,

me trouxe o dia.

Bem quase não consegui acordar,
meus olhos resistiam em abrir,
mas abriu,
minha bexiga exigiu,
desapertar,
foi ao banheiro,
enquanto isso o sol inundou meu quarto de luz,

quando voltei para a cama,
já era dia,
hum que frio,
foi o vento que trouxe o frio,
me enrolei no cobertor,
e olhei de lado,
debaixo da tv,

uma linda kalanchoe,
de sorriso ardente,
picante,
enamorada,
vermelha,
sorria, como sorria,
ao ver e ou vir o vento,
batendo na porta,
exigindo seus beijos,
quando ela me viu observando essa cena,
ficou mais vermelha,
sorriu emcabulada,
sorri e corri com o sol,
que não deixou os passarinhos cantarem,

talvez tenha trazido o frio,
ou sei lá,

sei que a rua tá vazia, só o silêncio ai habita agora.
e o vento...

vai viajar vento.

17/09/10

caminhos

Quantos caminhos temos para seguir?

Depende de onde queremos chegar, do que buscamos.

alimenta tua alma

Alimenta tua alma todo dia,
os dias são lisos, e foge de nós sem percebermos.
Não sabemos quanto nos resta, ainda bem senão entrariamos em desespero.
Alimentemos nossa alma que tudo que temos,
quando o tempo passa tudo perdemos,
esperamos na esperança tudo melhorar.
As vezes parece um engano que nada muda.

Quem sabe?

Alimenta tua alma todo dia.

16/09/10

O que me faz viver?



Praticamente faço as mesmas coisas todos os dias. Acordo, tomo café, vou para a universidade, trabalho, estudo, almoço, trabalho, volto pra casa e descanso. As vezes isso tudo parece não ter sentido, pois é tão mecânico. O que me prende a essa rotina diária? Talvez os fatos, as ideias que construo e vou alimentando constantemente, transformando meus atos. Acho interessante o que acontece em Brasília, São Paulo e Campinas, já que vivo aqui, me interessa saber o que está acontecendo aqui, portanto os jornais prendem parte do meu tempo. Gosto do estudo que desenvolvo, acho um tanto quanto complexo, às vezes fico de cabeça quente, mas aprendi a apanhar e a não fazer as coisas como deveria. Talvez não obtenha tantos resultados, mas enfim faz parte de mim. Não que queira me enganar, tenho que melhorar cada dia e melhoro, talvez não no que eu deveria, mas melhoro. Gasto parte do meu tempo tentando me programar para o que devo fazer. Adoro conversar com os amigos, falar coisas indelicadas, rir, almoçar com eles, trocar minhas ideias. Meus amigos são algo muito importante pra mim passo o tempo suficiente com eles. Bem minha namorada mora longe daqui nos vemos nos fins de semana, conversamos via chat e telefone é um tempo precioso sua presença. Confesso que passo maior parte do meu tempo comigo mesmo. Pensando, gulosamente tentando apreender o mundo e minha mente caminho, penso, sento e leio, penso, ouço rádio e penso, tento usar todas as vias que possam me trazer conhecimento. Portanto passo maior parte da vida aprendendo.
Percebo agora o que me motiva viver é a busca pelo saber pensar.

15/09/10

Silencio da noite

O silêncio da noite.

Noite de inverno se entregando ao verão,
céu limpo estrelado,
noite muito escura,

faz um silêncio aqui,
silêncio que não se ouve um grilo.

Faz tempo que não ouço grilos,
mas mosquitos, incomodam quase sempre.

Hoje nessa noite,
eles resolveram fazer silêncio.

Será que estou surdo ou faz silêncio,
ou desconheço o significado de SILÊNCIO.

A noite adentro se arrasta,
sem vento,
sem som,

marcando o tempo no pulsar das estrelas.

Conversando.

É conversando que se esvazia e se enche.

Quando estamos com a cabeça quente, cheia de idéias ou problemas, sem saber o que fazer, ficamos nervosos, ansiosos e talvez desesperados. As coisas parecem conspirar contra nós. Tudo bem tenha calma, respire e tente relaxar. A melhor coisa que se tem para fazer é buscar um amigo e conversar sobre qualquer coisa até mesmo aquilo que te incomoda. Porém é difícil encontrar alguém que te escute, pois muitas vezes os os problemas são tão peculiares que seria impossível um amigo resolve-lo, convidi-0 para tomar um café. Conversar é muito importante, pois veja bem no momento que voce senta com a outra pessoa e começa a conversar, começas a organizar suas ideias e logo as soluções vão começando a brilhar na mente. Seja mais paciente com a vida, com as pessoas. As coisas sempre se resolvem e conversando voce abre sua mente.

14/09/10

Primavera


Cor de gema,
ou será gota,
sem clara,
um girassol,

Vejam

ai vem a primavera.

Quotidiano

Quando olho no horizonte e vejo o sol pleno surgindo lentamente,
na velocidade de uma antese. Inspiro fundo sinto o aroma do dia.
Sinto a brisa matinal, o cheiro frio deixado pela noite que passou.
Ouço o cantar das aves, o vento a assanhar a copa das árvores.

Quando eu acordo e saio fora da porta que vejo o cachorro espreguiçar,
tremendo o corpo, abrindo a boca e curvando a língua e rosnando,
abanando o rabo de alegria, parece até que ouço ele falar um bom dia.

Os primeiros passos são para arrumar a rádio do celular,
encontro alguém e solto um bom dia.

Sempre tem algo belo para observar.
Flores das árvores, das ervas e o aurora da manhã.

Os carros começam a passar.

O dia segue ao sabor do vento!

Quotidiano

Quando olho no horizonte e vejo o sol pleno surgindo lentamente,
na velocidade de uma antese. Inspiro fundo sinto o aroma do dia.
Sinto a brisa matinal, o cheiro frio deixado pela noite que passou.
Ouço o cantar das aves, o vento a assanhar a copa das árvores.

Quando eu acordo e saio fora da porta que vejo o cachorro espreguiçar,
tremendo o corpo, abrindo a boca e curvando a língua e rosnando,
abanando o rabo de alegria, parece até que ouço ele falar um bom dia.

Os primeiros passos são para arrumar a rádio do celular,
encontro alguém e solto um bom dia.

Sempre tem algo belo para observar.
Flores das árvores, das ervas e o aurora da manhã.

Os carros começam a passar.

O dia segue ao sabor do vento!

Um dia maravilhoso

Quando acordei, pensei hoje vai ser um ótimo dia.
O dia começou, fui trabalhar e pouca coisa pude fazer, mas fiz.
A tarde me dei conta que algumas não poderiam ser resolvidas no meu trabalho.
Fui mais cedo para casa, tomei um banho frio e seguir para tentar não perder a tarde.
Resolvi várias coisas no mesmo dia.
O dia hoje foi produtivo, pena que nem todos dos dias sejam assim.
Um comentário me desagradou, mas o dia foi maravilhoso.

13/09/10

Primeira solidão


Fui ao quintal,
vias flores de cores lilás e branca.

vi formigas sobre bagaço de laranja,
uma população linda.

Vi a casa de abelha,
num entra e sai destas a trabalhar.

Vi o silêncio da manhã.

Senti a luz do sol, pura vitamina D.

Quando acordei, ouvi cantar o sabiá.

latir o cachorro, de casa e da rua.

admirei a beleza do dia,
da vida.

Senti solidão,
mas uma solidão boa,
eu comigo mesmo.

Estou sempre comigo e
ainda sinto-me feliz por isso.

acho que só eu me entendo.

Por isso acordo cedo pra ver o sol,
pra sentir a brisa da manhã,
pra encontrar um bom dia.

pra viver essa vida maluca.

12/09/10

vai

A tarde com o silêncio da luz do sol que parte,
desinteressante sentado na cadeira,
pensamento vago.

Um sabiá canta.
um carro passa.

o quarto fica mais escuro,
frio e vazio.

Tudo e nada.
mente vazia.

Tarde de domingo.

11/09/10

A semente

Uma semente

Enquanto caminhava sem pressa olhava para o chão e nessas varreduras encontrei uma semente.
Isso uma semente, parecia pintada de preto e vermelho ou de vermelho e preto tanto faz. Uma semente rubro negra, mas de que planta será essa semente? Minha mente viajou e não encontrou nenhuma lembrança de algo semelhante. Encarei aquela semente e esta parecia me encarar. Fiquei encantado e ao mesmo tempo curioso. De onde veio? pertence a que planta? bem pelo tamanho parece ser de uma árvore. Puz na palma da mão e fiquei hipnotizado. Se eu plantar ela nasce?
Coloquei-a no bolso da muchila e fui embora para a taxonomia. Ah! desculpem essa curiosidade surgiu por que sou botânico, risos. Talvez não aquela semente chamaria atenção até o mais insensíveis dos homens. Será não sei. Quanto chegue ao laboratório minha mente tinha esquecido aquela vida latente. Tempos depois mexendo na minha muchila encontrei-a e ainda tinha aquela dúvida. Fui na estante do Marcelo, meu colega de moradia, sobre plantas do Cerrado Paulista folhiei e várias páginas até que achei na página 207. Semente da espécie Ormosia Arborea da família Leguminosae, vulgamente conhecida como olho de cabra.
Decifei-a sobre a visão taxonomica, mas quimicamente de que é constituída, se plantar ela nasce?
Ai já é outra história.

Pais

Quando papai fala, todo mundo cala.
Quando mamãe fala, todo mundo cala.
Quem fala mais?
Não sei, são tão humildes e modestos.

Quem sou.

Quem eu sou?

Meu passado ficou para trás, atrás da serra onde o sol se põe.
Está adormecido, talvez escondido, mas seu reflexo reluz em mim.
Sim quando eu falo e quando calo.
Porque nunca deixei de ser eu.
Eu carrego minha cultura, minhas raiz em mim,
vinte anos só de interior,
vinte anos no interior,
assim me constituí,
aprendi com o silêncio das plantas a calar,
não aprendi a comunicar,
só sei falar o que vem a mim língua,
falo, metade do que falo pode se escorrer pelo ralo,
não se aproveita nada,
aprendi com a brida da tarde que me fala e não diz nada,
mas balança os ramos das árvores,
faz o catavento girar sem parar.
Quanta coisa me constitui, quantos mundos, palavras, culturas.
O que cabe em minha mente?
Não sei, mas sei que o que tem nela me constitui.

09/09/10

apego

Que loucura o que pensam sobre vencer na vida.

Passar no vestibular,
fazer faculdade, pós-graduação,
conseguir um emprego e ganhar muito dinheiro.

que sentido faz isso?

como aprendemos e nos tornamos viciados no capital?

Água

Água

Água que bebo,
sinto escorrer garganta a baixo,
sinto refrigerar o calor,
da minha carne,
dos meus nervos,
sinto esmorecer minha digestão.

Água que consumo
aos poucos me constitui,

escorre em minhas veias,
purifica meu sangue,
queima e me dar energia,

água que é transpirada,
respirada, exalada de mim.

Sem ti como viver,
sem ti irei morrer.

Água não tem cabelo,
escoa entre as mãos,
é escura, fria e profunda,
salobra.

água é vida.

08/09/10

Céu azul

O céu azul,
abriga nuvens brancas,
desfiadas como algodão e
aves que planam.

O céu azul,
claro com um sol de brilho intenso,

de vento escasso,

o dia claro
reflete o verde viçoso das folhas,
as cores das flores,
as paredes cobertas de musgos.

o céu azul,
no dia de sol.

07/09/10

chuva na tarde

Que tarde chuvosa,
que barulho das gotas caindo,
dos pássaros cantando,
pardais, sanhaçus e sabiás.

Ouço a bbc que toca
uma melodia, maravilhosa.

Tarde chuvosa!

preguiçosa!

dar vontade de deitar,
dormir...

Eu me lembro,
de em 2001 está no RN,
em São João do Sabuji,

fazia tanto calor naquele sertão,
todo mundo se preparava para o desfile,

Rubens, Anderson e Tamar.

chuva de primavera

A chuva cai molhando e desfazendo a poeira,
gota a gota molha a telha, a rua e vai lavando,
as árvores e vem trazendo força para a floração.

A chuva anuncia a chegada de uma nova estação,
sem muito sol, muita luz ou muita canseira.

É logo mais a a primavera vai chegando,
pra fazer o mundo mais belo,
colorido...
Bem que as aves avisaram hoje cedo,
também as árvores já demonstravam isso,
trocaram as folhas,
verdes empoeiradas,
agora lavadas,

pela chuva

feriado 2

O sol não apareceu, pois as nuvens vieram e cairão,
gota a gota, umedeceram e amenizaram o clima.

Feliz cantaram o sabiá, o roxinó, a cambacica e o sanhaçu.
O cachorro da casa, Estrela, late como quem canta, pausadamente, ruge.

O dia sete de setembro é um dia de feriado que me faz bem.

Hoje duplamente bem.

06/09/10

é

Quantas palavras usarei para fazer algo, mágico, encantador surgir?
Que texto escreverei?
Não sei!
Até lá vou vivendo, matutando, maturando uma ideia, outra e nessa indecisão.
Não chego lá.
sei lá.

À tarde

Estava impaciente, pois passara o dia todo enfurnado em meu quarto. O sol brilhou o dia todo, mas não foi um dia quente. Essa impaciência me faz pegar a bike e sair pra ver o mundo, a tarde.
Sai bem devagar e fui andando vendo as casas, as ruas, cruzando os bairros. Assim consegui me livrar do incomodo. Passei por praças, e perto da fazenda onde contemplei o por do sol ao sabor dulcíssimo de amoras. Minha língua chegou a ficar roxa. Hum que doce tarde. Bem logo começou a ventar um vento frio e ficou nublado.
Assim foi o fim do dia.


A tarde veio e se foi,
a tarde veio vermelha,
depois ficou azul,
azul marinho,
e então as estrelas apareceram.
a tarde se foi,
fria e solitária,


Música

Música divina Música,
tu que me seduz,
me leva pra viajar,
nas asas da imaginação.

Paro, respiro e vivo.

Música,

tu que resististes ao tempo,
permanece, linda e encantadora,
não perdes o encanto.

Ah, quem te concebeu já partiu,
e tu permanece eterna,
encantando, amortizando,
a vida e seus percalços,
mostrando melhores caminhos,
a serem seguidos,
tua beleza.

Oh Música divina música.

Quanto ouço a ti,

fico encantado, enamorado e acabo por esquecer quem sou,
ou o que sou, pois sedes tão universal,
tão minha, tão democrática...

nona sinfonia de Beethoven.

feriado

Casa vazia,

Manhã leve em que a luz entra entre as frestas da janela,

Faz um friozinho gostoso.

A rua vazia exala silêncio,

As crianças e os cães dormem.

O silêncio,

A casa.

Apenas um rádio trás notícias das cidades grandes.

Silêncio,

Preguiça.

O que vou fazer,

Penso, não sei,

Enquanto isso vou matando o tempo,

Só, ao sabor da luz e do frio da manhã indecisa.

05/09/10

vela

O que eu quero?
Não me sentir só.
Quando?
por toda a vida.
É possível?
Não sei.

Vivo e viver é um drama.
acordo todos os dias errante como um barco a vela
levado para todo lugar e para nenhum lugar ao mesmo tempo.

04/09/10

sonhos ao vento

Agora que o vento levou o meu olhar,
fico ditado a sonhar,
sonhar com toda a viagem,
por onde passei,
com quem conversei,
as coisas que marquei,
o engraçado que me sinto só,
nessa viagem que é a vida,
nascemos e morreremos só,

os mundos que construímos só nossos.

as verdades que assumimos nem sempre são verdades.

em que devemos acreditar?

Não sabemos porque consumimos os sonhos alheios.

Quando acordar espero que o vento tenha voltado.

Eu me acostumo a vida.



Todos os dias quando acordo renasço, revivo e volto ao que fui ontem, anteontem.
E assim a vida vai me construindo todos os dias que um a um vão engessando uma personalidade.
Todos os dias aparecem novos desafios, nossas formas de aprender e ver o mundo.
Os dias passam sem parar, independente de mim, mesmo que me isole, me esconda ele passa.
Não cansei de lutar, pois há algo em mim que não se cansa, algumas vezes no entanto, quando estou extremamente cansado eu oro, preciso de fé, de convicção.
A vida mais parece uma batalha trágica, pois quando mais me recuso a lutar, menos vida tenho.
Eu amo a vida, mas me custa muito cansaço, estresse, amor e paixão. Tudo disso disponho para não perecer antes do tempo. Apego-me cada dia a uma coisa diferente, uma loucura diferente quem sabe. Sei que não é fácil, mas tenho que me apaixonar todos os dias pela vida. Como uma música que toca, toca sem parar a qual tenho que apreciar todas as vezes como se fosse a primeira vez.
Sentimentos como saudades, me ajudam a permanecer nos trilhos, quando estou me esquecendo, a saudade relembra. A vida é difícil e ao mesmo tem um sabor de mel. A vida nos embriaga, tira de nos todos os desejos e por fim nos entrega a morte a eternidade.
Todos os dias acordo para a vida.

O sol

O sol nasce pleno,
belo e atinge cada ponto descoberto do mundo.
E vai viajando no espaço.
Assim também viaja a terra girando em torno de si.
Gira mundo entorno do sol.
Oh sol dono da luz,
dono da vida.
A vida pulsa em cada um,
não é qualquer coisa.
A vida é um milagre alimentado pela nave mãe,
o sol.

01/09/10

origem

Nem tudo que vejo entendo,
nem tudo que toco tenho noção do que seja,
nem tudo é.
Nem tudo que penso faz sentido.
Nem sempre me expresso,
simplesmente sou.
Esse corpo orgânico, humano que pode tudo e nada.
Mas preciso compreende que sem saber do simples,
não saberei nada e se souber do simples,
posso alcançar muita coisas.
um sentido para a vida.

31/08/10

verdade

Poucas verdades são ditas, as verdades incomodam, por isso ficam omissas, nos olhares, nos gestos.
A verdade incomoda como catinga de suvaco de amigo, que insistimos e silenciarmos por amizade.
Quem sabe quando se pode falar a verdade?
Nem se sabe o que é verdade, pois o que vale é quem melhor traqueja o discurso.

verão

Já é tarde, o meio dia passou, o almoço foi gostoso, mas agora ai.
que calor,
que sol forte,
que sono.
um cochilo ia bem, mas onde?
dormir não posso,
só me resta
tomar um chá e acordar.
e voltar a vida.

Ai que canseira que me dar nesse verão.

30/08/10

Parieiro

Seixos de pedra vermelha, solo argiloso, troncos caraquentos e cinzas dos cajueiros. Os cupins de barro, caminhos fechados pelas unhas de gatos. A alma de gato. O calor o solo molhado, coberto de grama, vem por outra uma coral. O cheiro da flor.
O gado, o pasto a vida.
Minha infância.

29/08/10

Meu quarto

Estou na casa de minha irmã, não é exatamente uma casa é um apartamento, muito bem organizado. Morei aqui por um ano tem uma vista agradável que dar para vilas de casa de gente muito humilde e simples. Fica bem próximo a Belmira Marinho. Bem aqui desta janela de meu quarto onde tanto olhei para o tempo, para as casas, para o movimento e nunca consegui descrever o que sentia. Bem aqui de minha cama tanto pensei, tanto li, tanto refleti, parte de mim está aqui, nos dias de sol, nos dias de chuva, de dia e de noite estive aqui. Quantas sensações senti aqui? Diversas, desesperos, medos, anciedades. Eu senti frio, senti a dor de ouvir falar que minha querida e amada vô morrera, lembro que fiquei o fim da tarde ouvindo música no escuro. Foi daqui que saltei de alegria quando passei na seleção de doutorado. Agora o que sinto neste instante não sei.
Ouço Bach e a panela de pressão e os carros, nem vejo o tempo passar, aliás já são quase meio dia.
Continuo sem saber descrever o que sinto, sei que agoras estou feliz.

Cemitério

Uma coisa que me encanta é uma pessoa que sabe contar uma boa história. Já andei um pelos mais diversos lugares no Brasil, já vi diversas pessoas boa de histórias. Confesso que uma pessoa que mais chamou atenção até hoje foi um guia, talvez tenha sido o único, mas não foi tiveram outros. Certa vez, estava eu em Buenos Aires sem ter muito o que fazer, entediado, doido para vir embora para o Brasil, faltavam três dias para meu voo de volta. Então resolvi sair um pouco para desparecer e enfim conhecer mais aquela cidade com arquitetura tão diferente a que conheço. Eu tinha em mente ver uma flor gigante que tem ao lado da Faculdade de direito, no Bairro Ricoleta. Bem um dia antes tinha ido ao zoológico com duas amigas, mas estas queriam fazer um cititur, um passei que se faz num ônibus adaptado, então decidi sair só. E ver a bela flor, sai do hostel, peguei o metro ou subter como eles chamam lá, então desci na plaza Itália e então peguei um ônibus e cheguei ao tal lugar, achei muito bonitas aquelas praças tirei inúmeras praças. Então chequei a uma feirinha bonita, mais como vida de estudante não é fácil e o dinheiro é curto só passei vendo aquelas coisas e achando o preço salgado, tinha ido a um congresso e não fazer turismo, no final da feira eis que dou de cara com um cemitério, lembrei que um amigo tinha me falado que nos cemitérios tem muita escultura segui em frente, entrei achei aquilo muito diferente, pois as tumbas pareciam malsoléus, diferentes dos cemitérios que conhecia no Brasil, e fui andando, quando olhei por uma portinhola e vi caixões grandes, velhos um, dois, três, vários, não aquilo me deu um mau está, mas segui, vendo muitas obras, mas muitos caixões e pensei vida breve. Então vi um grupo entre eles um guia. Neste dia fazia muito frio uns nove graus, o dia estava nublado. Então vi aquele home simples, idoso aparentava ter entre 65 e 70 anos nos. Falava com uma segurança e propriedade de quem conhecia tudo ali. Aquelas ruas cinzas, desprovida de planta de cores,, apenas marmores, lapides. Ele apresentava uma a uma e as tumbas e num instante, aquele lugar ermo, triste, sem vida, criou uma grandiosidade uma glória, uma potência... Estava alí as pessoas que tanto lutaram por ideais, condições e com força e suor humano ergueram uma sociedade mais forte, progressista. Ele apresentava cada uma das que ele achava mais importante com uma graça, uma intimidade que arrancava a atenção até de adolescentes. Fiquei encantado com tamanha facilidade de atrair a atenção, eram tantas as histórias que aquele cemitério encerrava em suas portas. Quantas pessoas aquele cemitério consumira ou abrigava. Sem aquele senhor, aquele monte de concreto e esqueletos não seriam nada. Muitas vezes ele quer dizer alguma coisa, mas para aqueles que conhecem, mas eu que nunca estivera alí, aquele cemitério só conseguira arrancar de mim um pavor, um medo, então quando passei a ouvir, mesmo em espanhol as histórias, os cadaveres e as tumbas ganharam vida, importância. E o senhor declamava Jorge Luiz Borges, e falava de Evita Peron, Che Guevara, os que m e lembro e conhecia, explicou as obras de arte as pessoas. Ufa! que riqueza de cultura. Então encerrou o tur em frente a saida explicou todos os símbolos que estava na saída.
Lógico que ganhou uma salva de palmas. Mesmo sem dentes ou boa feição, sequer belas roupas, aquele senhor prendeu a atenção de muita gente. Depois do tur agora indico a quem for a Buenos Aires a conhecer o Cenitério da Ricoleta e conheça o senhor que conta sua história. Finalmente ele falou que quando voltassemos lá, ele estaria presente nas 4 mil e tantas tumbas, presente mesmo que em espírito.

24/08/10

mundo

Vejo o mundo,
sinto seu cheiro,
vivo no mundo,
de sol e de lua,
com ou sem rua.

Me vou e o mundo fica.
me consome.

Há limites















Onde posso ir?
Posso viajar por todo mundo, ir as terras mais distantes e conhecer as mais diferentes culturas.
Posso aprender tudo que estiver ao meu alcance, tudo que me interessar.
Posso querer fazer tudo que no instante me está acessível.
Posso modificar minha forma de ver o mundo, absorver tudo ao meu redor, mas também posso transbordar o que ha dentro de mim e mudar tudo ao meu redor.
Eu sofro e exerço influência no que me circunda.
Sentado posso fazer tudo que minha mente permite fazer, ou seja numa onda de faz de conta, posso fazer tudo ou executar tudo.
Quais são os meus limites? aqueles que os imponho.
Posso tornar-me mais interessante, sim talvez, mas preciso com certeza solver e filtrar o que há no mundo fora de mim.
Essa troca entre o eu interno e o mundo externo que me dar matérias para me constituir e constituir o mundo.
Existo, penso, reajo e avalio o quanto posso.
o infinito é o limite.

23/08/10

pós-alomoço

Dia ensolarado e quente, o corpo sente uma fadiga, uma vontade de dormir. O Tempo ocioso me impede até de pensar. Impaciente com o relógio que parece que colou os ponteiros.
Vou pra fora, tomo água, tomo chá. Nada do tempo passar. Troco uma ideia, duas, três e a tarde continua. Implacável e dura a tarde me maltrata, faz sumir todas minhas ideias, meus pensamentos fogem como o cão da cruz. E esse dia tão precioso parece não querer passar, mas passa.

22/08/10

Sabiá

Como o sabiá canta,
canta de manhã cedo,
canta de manhã,
canta a tarde,
canta no crepúsculo.

Como o sabiá canta,
em sua breve existência,
canta!

Amanhã sabe lá o que vai acontecer,
por isso canta.

Cuida para que tudo der certo em sua vida,
canta.

Cuida para que não tenhas inimigos,
cuida para não despertar inveja.

Seja como o sabiá
que canta pra ter a natureza mais bela.

mais amenos seus dias.

canta, pois a poesia,

é o mais sábio dos discursos.

Existência

Tudo começa com um choro ingênuo de criança após ser expulsa do ventre materno. Lágrimas, sangue e dor e a vida é apresentada ao mundo que agride esse ser que nada conhece. A luz irrita seus olhos e sua pele. O ar que tem que tem que aprender a inspirar. E assim a vida entra em contato com a dor. Viver é sofrer. Ao mesmo tantas coisas nos são apresentadas no mundo.
A dor é a principal delas que irá lhes marcar por toda sua existência, sempre presente. Nós acabamos nos acostumando, porque estamos sempre sofrendo, perdendo de nossa existência. Podemos recomeçar sempre, partir de onde paramos ou simplesmente começar. Sempre. A existência é uma dádiva, algo tão tênue e precioso, no entanto nem sempre percebemos isso e achamos que a vida é um drama, na verdade a vida é uma tragédia eminente. A qualquer momento não seremos mais, já fomos, até parece uma longa viagem, sem porto, parada enquanto se existe. Os instantes passam, escoam-se como líquido sobre mármore.

Gostaria de carregar esse texto de tudo que sinto, mas não conseguiria expressar meus sentimentos.

Só sei que quando paro e penso na vida... eu tenho medo, pois a vida é algo tão maravilhoso, precioso, mas que não está em nosso domínio o quanto de tempo a teremos.
Não somos como as pedras que tem sua existência prolongada pela matéria que a constitui. Não somo como os gases onipresente, não somos como as estrelas que pulsam e dispersam sua luz por toda a galáxia.
Somos seres humanos, humos, somos capazes de tudo, de ação, invenção, inovação das coisas mais belas e das coisas mais horríveis. Podemos fazer tudo. Desde que tenhamos a sorte de ter uma luz que nos guie.
E por fim o corpo se cala sem inspiração, esfria, apodrece só sobra a obra ou sua existência sem expressão, sua inexitência.

20/08/10

Esponja

Digerir o que se come e o que se bebe.
Digerir o que se ler o que se ver.
Assimilar tudo, fazer do externo o interno.

constituir o mundo externo dentro de ti.

pluma ao vento

Um fruto plumado
que desgarrou da árvore mãe,
foi levado ao vento,
para longe muito longe.

Caiu em terra fértil
e logo germinou,
uma nova planta formou.

Um fruto plumado
que desgarrou da árvore mãe,
não se agarrou ao vento
e nos pés de sua mãe
germinou logo uma nova planta formo

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh