A tarde caiu em silêmcio.
17/09/26
Fobia
Minha irmã,
A mais velha me contou que tinha acordado com pânico.
Não falei nada, mas entendo e sei qual é sua fobia.
Solidão, abandono, morte.
Sentimentos que fazem parte da natureza humana.
Também eu já acordei assim.
Quando meus pais eram vivos,
Pensava tanto na morte.
E tudo aconteceu,
E foi tão rápido...
Sinto essas fobias mana.
Deus te abençoe.
Sinfonia da mata
Uma ave faz quebrar o silêncio na mata,
Canta um canto breve e me faz fugir dos pensamentos,
Faz surgir um pensamento real.
Penso no desconhecimento deste canto,
Um canto sem encanto,
Conhecido, porém desconhecido,
Que ave é a que canta?
A realidade que acessamos pelas sensações,
Pelos sentidos,
Requer tempo e atenção...
Entorno, matéria ser.
Na existência se acessa a realidade
E o ser filtra e cria a nossa realidade...
Que ave será aquela,
Que sempre quebra o silêncio...
Será que é parte da sinfonia da mata...
16/09/26
Turbilhão
Entre as leituras obrigatórias,
Perco-me em minha mente,
O calor, ronco de motores,
Formas das coisas conhecidas,
Desordem de ideias...
Tanta coisa pesa nesta leitura...
A linguagem truncada científica,
O tema novo,
A ingratidão sentida...
Quanto peso por 15 minutos, meia ou uma hora...
Quanta angústia,
O tempo temporando,
O desvelamento constante da vida,
A obrigação quanto a partenidade,
O amo incondicionado...
Concentração tem tempo,
Como encontrar.?
Self e o desconhecimento
Às vezes a gente nosso self,
A gente sente nossa solidão no mundo.
Nascemos só e morreremos sós.
Porque o Self é unidade.
Uma unidade advinda de uma grande multiplicidade,
A qual chamamos de realidade.
É incrível o quanto pensamos nisto,
O quanto pensamos que somos.
Uns pensam mais
Como poetas e escritores e filósofos,
Mas não desconsidero um só ser humano...
É da nossa natureza
A incompreensão de quem somos,
De onde viemos
E para onde iremos...
Criamos inúmeros coisas para dar sustentação a nossas crenças,
Mas são ideias,
São abstrações,
Acreditamos na materialidade das coisas...
Por isso essa sensação angustiante...
Esse desconhecimento do self.
Oxalotle
Ontem, cumpri o acordo com Sassá, desenhamos e jogamos futebol.
Chegamos da escola, regamos as plantas e fomos desenhar as criaturas marinhas. Sim conversamos sobre essas criaturas marinhas sinistras. Mas quando fomos desenhar ele preferiu desenhar uma salamdra Oxalotle do México.
Depois jogou futebol como jogador e time mexicano. Ganhou de 10 x 7.
Depois promessa cumprida tomamos banho e ele ficou a cargos da mãe dele que foram fazer as lições de casa.
Foi isso. Eu dormi.
Gilberto Pattaro
Quando morava em São Paulo, tinha a estranha mania de decorar nomes de ruas. Virou costume. Algumas das ruas que decorei inconscientemente, ou sei lá foi uma Rua em Campinas chamada de Gilberto Pattaro. Ontem, terça-feira, 15 de setembro de 2026, ao levar meus alunos para a sementeira para aula prática sobre pteridófitas. Percebemos que estava lá fechado e os meninos que cuidam de lá não estavam ali. Então foi falar com Nelson o responsável. Um colega seu chamado de Gentil Lobo me levou a sala onde poderia encontrá-lo, mas ele não estava. Quem me atendeu foi Gilberto Ramos. Na nossa conversa, comentei que usava os nomes conhecidos para decorar novos nomes.. Disse que Ramos era um nome que conhecia várias pessoas da família Ramos e Gilberto. Bem veio a mente o nome de uma rua, Gilberto Pattaro. Sabia que era de Campinas, mas não sabia qual era. Agora, um dia depois fui conferir e aquela rua que não lembrava a posição só o nome. Era que passava todos os dias para ir à Unicamp. Esta rua está junta da moradia Estudantil da Unicamp, rua que vai dar na rotatória, Rua que se alcança a Rua Felizberto Brolezzi... Passei tantas vezes ali. Doces memórias. Que aparentemente surgem do nada. Engano meu, conhecido que conviveu comigo na Unicamp teve um AVC está bem, mas me impactou bastante. Por isso suponho que vieram as memórias de Campinas.
Guardada a sete chaves
Nas idas e vindas da vida,
Vejo as marcas do tempo.
Vejo as marcas do tempo na minha face,
Vejo as marcas do tempo na minha mente.
São tantas as experiências,
São tantas as vivências...
Emoções, sentimentos para a vida toda.
A amizade cultivada,
O trabalho compartilhado,
O amor pelo outro,
O amor a Deus...
As vezes me sinto pluricentenário,
Mas vou aprendendo,
Desenvolvendo e cultivando novo hábitos...
A hora da cega,
Está chegando,
E me atormenta,
Essa grande fração da humanidade que pulsa em mim.
Nas idas e vindas da vida,
Esperança é o que nos nutre,
A realidade dura nos definha,
Ou é o tempo,
Ou é a biologia.
Esperança,
Perfume para a alma,
As coisas boas vividas,
As coisas boas guardadas...
A sete chaves.
15/09/26
Porque não jogou?
Sassá fez nossa programação para a noite,
Colarmos figurinhas de Minikraft e jogar boa,
Bem nós colamos, organizamos,
E brincamos com os minikrafrts,
Mas o cansaço não me permitiu jogar.
A certo momento eu adormeci na rede,
Levantei para escovar os dentes.
Então ele me perguntou porque não tinha jogado como quem diz você prometeu.
Disse que estava cansado.
Ai ele falou que tinha jogado com a mamãe.
Ai perguntou se ia dormir no quarto,
Afirmei que sim.
Ele ficou muito feliz,
Então fomos deitar.
E tudo ficou bem.
Alento e desalento, um caminho
Céu limpo e estrelado,
Uma noite de lua crescente,
Uma manhã fria e seca,
As ervas floridas,
Rostos amigos,
Falas amistosas...
Contemplar tanta beleza,
Um beijo no seu filhinho,
Uma cruz de madeira,
O canto das aves,
O tronco forte das árvores,
A terra seca,
Folhas secas...
Encontrar ai um alento,
Desta vida de desalento.
14/09/26
Realidade, história, literatura
Numa manhã enquanto varria o terreiro, mamãe ganhou duas mudas de algaroba. Então com uma faca de mesa furou o chão molhado e plantou uma muda ao norte e uma muda ao sul.
As mudas pegaram.
Com os anos foram crescendo e deram uma outra fisionomia a nossa casa.
Por muito tempo tivemos sombra.
Estavam sempre verde. Ali as aves faziam ninhos e cantavam.
Ali sentava com uma cadeira um livro e lia. Por causa das folhas miúdas resolveram cortá-las. E a fisionomia mudou novamente.
Ainda existem os troncos, resistem ao sol intenso no verão e as chuvas no inverno. Em parte me sinto algaroba dada a minha mãe por Deus, plantado por minha mãe... agora que foi arrancado foi mamãe e papai e vivem em mim
Alteridade
Venho descobrindo o mundo olhando através de outro lado. Acredito que seja o lado real onde as coisas são coisas desprovidas de representação.
Coisas que são coisas que nos afetam e impressionam.
Olhar a vida com um olhar desprovido de saber... A isso creio ser a realidade.
A realidade não condicionada.
O que parece simples é muito mais complicado... Nos destronarmos de nossas certezas subjetivas ou objetivas...
Um olhar pueril para um olhar que tente ver o mundo através do olhar do outro.
é um difícil movimento... Muito rico. Essa dialética é desgastante porque puxa nosso ego pela raiz e faz ele se adaptar... por aí.
Profissão 13
Hoje dia 13 de setembro,
Completo 13 anos de docência.
no dia 13 de setembro de 2013
assinei meu contrato na reitoria da UFPB.
profissionalmente
foi a minha maior conquista
e uma das maiores conquistas pessoais.
parabéns 🎉
Agradeço a Deus por este sacerdócio,
Nem sempre pleno, mas também bem sempre triste.
Os anos e as práticas vêem me ensinando. A experiência nos trás serenidade e sou muito grato por tudo que vivi até aqui.
Foram experiências doces e amargas,
todavia faz parte do aprendizado.
é isso.
Despertando
O sol desponta no nascente
E uma coroa de luz tudo alumia,
Ganham formas e cores tudo que lhes toca.
O mundo se mostra e é mostrado.
Da minha rede posso ver,
Da minha rede posso ouvir
O canto de um galo, o corrochiar de um pardal,
Da minha rede sinto o vento frio da noite passada
que ainda corre...
Um cão ladra na outra rua,
e ganha eco no vazio desta,
pois a rua dorme,
Despertas as plantas florescem,
As aves cantam...
Na minha rede de algodão enrolado na coberta feita lá no sertão
Minha alma se regozija.
Este momento é meu, sou feliz,
estou pleno.
sou atemporal...
Mamãe, papai, nossa casa está aqui nesta rede,
está aqui nesta coberta,
está aqui na manhã de sábado,
está aqui nas aves despertas...
Hum, minha fome me pede café com leite e bolacha seca...
O grito da Maracanã faz intuir que estou em João Pessoa.
A parte isto... sei que sou eu, sempre fui eu com minha forma de ser e existir uma cola bem intensa...
Forjada neste mundo de coisas simples, mas maravilhosas pela simplicidade.
Velhice
Os músculos de um corpo cansado,
Idoso corpo,
As forças se foram,
Agora só se sente o frio.
Agora só resta o cansaço,
A casa ficou grande e vazia,
A casa é toda fria.
Na casa se ouve o som arrastado,
Que se dará no fim.
Um bocejo,
Cérebro sem exercício,
Uma conversa,
Desilusão,
Realidade...
A vida crua,
Se revela por inteiro
Ao chegar ao seu fim.
Curica
Gritos na mata,
Gritos das curica,
Está na mumguba,
Está na sucupira,
Está no pau-sangue,
Grita,
Como quem chama alguma coisa,
Será o sol,
Será a manhã,
Ou será ganas de gritar.
Na mata do campus,
Na mata do povo,
Canta como sempre cantou...
Manhãs afins...
Será se só me pus a ouvir quando conheci?
11/09/26
Como ele foi gostar de futebol
Sassá ama futebol. Olhe o que fez a copa 2026. Está interessando no jogo, nos jogadores e nos times. Ontem estava pedindo para a mamãe dele imprimir camisas, e poses. Pensei em trabalhar o reconhecimento dos números acima de dez. Disse para a mãe imprimir camisas e colocar ele para ler o número. Ela melhorou a ideia imprimiu camisas e números para ele colocar. Ai surgiu um problema que ele queria saber quem era o jogador referente aquele time. Cheguei em casa par almoçar e ele estava com as folhas com as camisas, então fomos pesquisar de quem eram aquelas camisas.... Foi divertido.
Um mundo moinho
Há um mundo,
Fora de mim,
Dentro de mim,
Um mundo objetivo,
Um mundo subjetivo,
Um mundo que permite minhas experiências,
Esse mundo externo,
Um mundo construído com minhas experiências,
Mundo interno,
Mundo do espaço,
Mundo do tempo,
Mundo real,
Mundo ideal,
Como as pás do moinho sempre girando,
Há um mundo só,
O resto é puro desejo de ser.
A sucupira e eu
Na curva da sucupira,
O sol nasce primeiro,
Um dia aquela sucupira
Aquela sucupira nasceu,
E levaram anos para era crescer,
Anos se passaram até nosso encontro,
Nosso primeiro encontro,
Nem me recordo,
No primeiro dia que aqui pus meus pés
Estava ela lá crescendo,
Vendo o sol nascer primeiro,
Agora muitas vezes
Os papagauios cuicas
Vem nela gritar,
Gritam alto,
Gritam como quem anunciam algo,
Anunciam o sol...
Venho reparando isso a pouco tempo.
Será a relação da cuica com a sucupira
Mais antiga que a minha com ela?
Não sei...
A sucupira idosa,
Tem seus ramos cansados,
Mas ali está,
Forjada em madeira de ferro...
Através dos anos no mesmo espaço...
Nada restará em certo tempo.
Quem foi sua mãe?
Só sei que é minha amiga.
Nada mais.
10/09/26
Liberdade
Como poderão ver o que vi,
Senti o que senti,
Em outro espaço,
Em outro tempo?
Como poderei está no aqui e agora,
Se olho pela lente de uma mente,
Se olho memórias.
Um dia fará falta o tempo,
Um dia fará falta a concentração,
A atenção na realidade...
Que o amor nos inflame,
Que a fé nos inflame,
Que o desejo de igualdade nos inflame,
Que sejamos fortes
E resistamos nossos desejos.
Ficamos reféns quando exercemos nossos desejos.
Nos livremos do ego.
Pronto, ponto.
A baixa, o tempo e a esperança
Em meio as baixas de capim,
Conservavam o verde.
Costumava olhar a baixa de campim
De João de Janoca,
Sempre verde,
Um pedaço do inverno
No ano todo.
Olhava para aquele verde,
Achava tão lindo,
Parecia que ali havia um reino mágico.
Talvez animais fantásticos.
Havia um veio de água,
Revença do açude do Alívio...
Deveras o verde era um alívio a vista,
Da cinza que tudo dominava,
Ou era o sol com toda sua energia,
Ou era o calor,
Ou era a falta de água.
A baixa me dava esperança.
O tempo hoje seria minha baixa?
Questões existenciais
Na madrugada,
Ouvi vários cantos de galos,
Estava escuro...
Galos cantam na madrugada,
Mas em setembro,
O mundo parece mais nítido.
Despertei satisfeito.
Algo em mim me fez sentir bem,
Memórias da casa paterna,
Sensação de bem está do agora?
09/09/26
Adeus
No alpendre, a sombra e o vento refrescam o calor intenso. Sentado na cadeira, José pensa na vida. Fez as atividades da manhã, acordou de madrugada, fez o café, pegou o burro no paieiro, colocou a cangaia e as ancoretas, pegou uma carga dágua de beber. Deu milho as galinhas. Ligou o rádio para ouvir uma voz humana, uma voz conhecida do locutor Artur de Moneiteiro, ouviu cantoria de Eliseu Ventania. O tempo passou e agora estava ali, olhava a parede de tijolo, as duas colunas, as telhas velhas. Olhara para o pé, precisava aparar as unhas. Tirou um cochilo e não acordou mais.
Setembro sertanejo
Setembro chegou,
No sertão a mata perdeu a folha,
Os campos ficam abertos,
O pasto se acabando,
A água escaceando,
As rolinhas capoeira e branca
Fazem seus ninhos entre a mata pranca,
Mata nua,
Caatinga...
Voam rolinhas cinzentas,
Cantam rolinhas cinzentas...
O sertão fica tão lindo seco,
As noites mais estreladas,
As belas noites infinitas
Com incontáveis estrelas...
Mesmo adulto,
O mistério divino continua.
E a beleza,
A beleza daquele lugar,
Ecoa no meu peito,
Que quer voltar...
Corte de cabelo
Ontem Sassá cortou o cabelo, acho que é a sétima vez, não quis mais deixar a juba crescer. Cortou o mesmo corte de jogador. Está muito lindo. O cabelo está mais escuro e o fio mais grosso. Chegou na escola ganhando elogios. Então a noite estava todo feliz. Meu menino está crescendo. Está lendo, contando e somando. Seu pé já está maior que minha mão. Está cheio de saberes e vontades. Gosta de Carros da Hotwheels, xadrez, chocolate... Cada dia fica mais seguro de si. Suas fazes ele decidiu. Deixamos bem a vontade, até que ele se sinta seguro, foi assim para andar, para deixar de mamar, para desfraldar, para ir a escola, para ter cabelo grande e agora cabelo curto... ufa! Como passa rápido.
08/09/26
Um sonho
Um dia despertei do sono eterno,
acho que era inverno,
acho que estava com minha mãe,
vi a coisa mais linda,
tinha cor de violeta,
ou era roxa,
eu não sabia,
não conhecia está cor,
tinha amarelo,
tinha um perfume
doce, não sabia que era doce,
mas me agradava,
tinha bichos grandes voando
no entorno das varas com flores,
mamãe disse que eram mangangá,
pediu para tomar cuidado,
acho que tomei,
mas fiquei encantado,
podia comer?
Bosque pau-brasil
O sol brilhava intenso num céu azul,
A sexta-feira estava perfeita,
Em frente a biblioteca central,
o bosque de pau-brasil floria,
notei pelas flores deitadas sob a copa das árvores
e logo senti o perfume de suas flores,
um aroma doce e intenso,
acho tão delicioso...
foi aqui que conheci este perfume...
perfume da planta que deu nome a nossa terra,
que deu nome a este bosque.
que vou levar pra toda vida.
Alma
A alma é nossa essência,
A alma é nossos sentimentos,
nossa emoção,
nossa razão,
nossa consciência,
nossa autoconsciência...
nossas memórias,
nossas experiências...
não tem como delimitar a alma,
definir...
alma é a ideia de corpo como afirmava Spinosa.
Uma coisa é certa
alma não é matéria ou é?
mas a alma precisa da matéria para existir...
Ser aí, existência,
Ser assim, essência...
Alma está nesta última categoria.
Devir e deveio
A alma é a união destes dois momentos...
Alma uma função superior da mente...
A alma une o tempo e existe num corpo portanto num tempo.
A causalidade que une espaço e tempo...
tem inicio e fim.
e a alma um momento ascende a experiência, ascendente a existência....
Encarnando a tarde
É tarde,
A manhã voou,
Sala de aula,
Seleção de materiais,
Exposição de partes das plantas,
Explicação,
Ciclo de vida!
Homosporia,
Heterosporia!
Á manhã voou.
Agora a tarde,
O céu está azul,
O vento sopra fresco.
Olho pela janela
Vejo uma ixora
Folhas verdes e brilhosas,
Flores vermelhas e brilhosas...
Vermelho esmalte,
Vermelho batom.
Vermelho coccineo.
Encarnado.
Bananeiras
Vi o sol num lugar diferente,
Vi uma outra mata,
Vi outras igrejas,
Vi outras casas.
Conversei tanta coisa.
Vi um novo espaço,
Senti um novo espaço,
Vi uma fração de suas história,
Tanta coisa interessante.
Foi de longe,
Foi de perto,
Mas deu pra perceber,
Conheci o que conhecia de ouvido...
Através das histórias...
Bananeiras na Paraiba,
O brejo paraibano...
Foi tanto,
Ficou um gostinho de quero mais.
04/09/26
Moldura do tempo
Um dia olharei para estas frases
com saudades talvez.
Olharei para esta composição,
Uma moldura com o tempo dentro,
Uma moldura com signos.
Um reflexo da causalidade,
Espaço, tempo, pensamento e ação.
Então, estamos no fim de um dia,
Estamos numa sexta-feira não é fim de semana ainda,
Não é segunda.
É sexta-feira,
Setembro de 2026.
Fim.
Remorso
Sassá, na ida para escola, falamos sobre o dia da semana. E ele expressou que queria que fosse sábado. Perguntei o porquê? E então me respondeu com um para a gente poder brincar mais. Eu que já estava com remorso por está cansado a noite e não ter forças para brincar, fiquei com remorso. Bom, estou ciente disso, assim vou buscar melhorar esse hábito.
Florada
Setembro chegou
E junto com o mês,
Vieram as floradas das anacardiáceas,
Cajueiros e mangueiras e cajás,
Árvores tão grandes
De flores tão pequenas,
Flores tão perfumadas,
Flores por abelhas polinizadas,
O cheiro anuncia um banquete de néctar,
A gente fica feliz,
As mangueiras parecem ressucitar,
Já já é a época da manga,
Doce manga,
Amarela manga,
Manga espada,
Manguita...
Setembro é quente,
Mas é doce.
Amizade
Na avenida do contorno, dois cães seguiam marchando, feito dois amigos.
Iam em direção a mata ao viaduto dos bancários.
Brancos com detalhes pretos.
Seguiam pareados.
Lembrei da amizade,
Lembrei da parceria.
03/09/26
Chuva em setembro?
Chuva em setembro,
Que imprevisível...
Como esperar chuva em setembro,
Chão molhado,
Neomáricas floridas,
A mata cheia de frutos,
Cheia de sâmaras...
E a erva verde nos jardins,
Da chuva em setembro.
Estranho,
Átipico.
Soletrar no letramento
Sábado fim de agosto foi fantástico.
Após o almoço, Sassá desembainhou a soletrar as palavras.
Tudo quanto era palavra ele soletrava.
Brincamos tanto. Ganhou um picolé.
Foi maravilhoso.
Já sabe somar,
Já sabe soletrar...
Com cinco anos.
Eu entrei na escola com seis anos, em 1986...
Lá em casa não tinha livros, revistas... nem televisão...
Só um motorádio amarelo.
E as palavras dos irmãos e adultos.
Sassá sabe soletrar e somar...
Sabe tanta coisa.
Amém.
Esse tal de Self
No campus onde trabalho,
Tem enormes árvores,
Eu trabalho na Universidade,
As árvores são sucupiras.
Chego muito cedo,
Paro o carro e penso.
Gosto de chegar cedo,
Penso na vida por ser invadido por pensamentos metafísicos.
Queria eu ser uma sucupira
E não pensar em nada.
Só ser
E crescer,
E mudar de folhas,
E florescer,
E frutificar
E ser...
As vezes penso ser uma sucupira...
Não seria metafísico.
É abstrato...
Adversidades todos vivemos...
É a vida.
Então chego e vou bebendo com os olhos
A beleza do campus,
Sozinho
Com meus pensamentos...
A natureza é a natureza
E o eco em minha mente,
Repete ideias,
Conceitos...
Tento me afirmar,
Essa autoconsciência...
Esse tal de Self...
É.
02/09/26
Galope
No silêncio da madrugada,
Infinito é o tempo,
Minha mente cavalga o vento,
Segue em frente,
Volta atrás,
Tudo sente...
E o sono
Que sumiu volta lento...
Mas aí, a vida manda levantar
Pro novo dia começar.
Vontade
Como queria voltar ao passado,
Ver minha vida antiga,
Voltar a minha casa e encontrar mamãe e papai,
Ocupando os vãos daquela casa, habitando alí.
Naquele tempo sabia, mas não imaginava um hoje.
Que vontade de abraçar meus pais
Momentos juntos
Ontem Sassá fez as atividades e pediu para a mamãe um aniversário de tema Truks da hotwheels. Pediu um carro. Conversamos sobre isso. Sassá está voltado para a aventura. E no desenho que viu mostra muito isso. Foi falando sobre isso de casa até na escola. Dormi, mais cedo e nem pude acompanhá-lo. O tempo está encurtando e meu cansaço me impede de dividir mais momentos juntos.
Um mundo
Água escorrendo no riacho,
O coachar de um sapo,
A mata gotejando,
A chuva findada,
Terra molhada...
Marcas da alegria em meu peito...
Havia uma sensação de mistério em tudo isso...
Uma flor rosa perfumada de um cipó,
Que crescia na numa barreira,
Flores brancas de arbusto,
O vento carregando seu incenso
Mundo a hora...
Guardado ficou em minha memória...
Tudo ficou pra trás.
O tempo levou junto,
São memórias,
Minhas doces ilusões.
Saudades
Até parece um sonho que minha mãe se encantou.
Minha mãe, minha nossa senhora...
Há dias que a saudade me consome
E nem sei o que fazer ou como agir.
Sinto falta de seus conselhos, da sua amizade, da sua proteção,
Sinto falta do seu amor...
Tenho que carregar essa dor até o fim de meus dias.
Assim é.
Cultivando uma colônia
No meu jardim plantei uma colônia,
Ela pegou e cresceu,
Formou uma linda fuste,
Suas inflorescências são vináceas,
Suas flores são alvas.
No inverno fica de boa,
Mas no verão requer mais atenção,
Todo dia tem que ser regada,
Caso falte água,
Tem as folhas amareladas...
Atenção ao meu jardim,
A minha colônia,
A minha alma,
Plenitude no espaço e no tempo,
Determinados aquis e agoras.
01/09/26
Nos passos da peosia
Na poesia a realidade é moldada,
Na poesia uma mente é concentrada,
Na poesia uma chave é encontrada,
Na poesia uma fechadura é aberta pela chave,
A poesia decanta os pensamentos,
Nela se busca harmonia,
Nela se encontra um sentido,
Nela se realiza a abstração plena da realidade,
Metáforas...
A gente não entende
Ou a gente entende.
A realidade de forma sensitiva.
Lego, paz e concentração
Ontem Sassá ao chegar da escola pegou o lego e foi pra cima da cama, espalhou as peças e se concentrou profundamente, por mais de uma hora ficou ali montando as peças. Estava concentrado, nem quis ajudar ou atrapalhar, deitei do lado e fui fazer minhas lições de duolingo. Ajudava quando ele pedia para unir ou separar alguma peça. No final ele montou uma nave e um flamingo. Foi um bom momento de paz. Depois foi jantar, fazer a lição, tomar banho e deitar, para fechar foi ler a revistinha da Monika. Achei muito lindo aquela concentração.
Causalidades
Encanta-me o canto das aves,
Encanta-me a forma das aves,
Encanta-me as cores das aves,
Encanta-me o comportamento das aves,
Encanta-me o hábito das aves,
As aves em seus habitates...
Um dia fui pequeno,
E despertei para as belezas grandes da existência,
As aves me encantaram,
Com sua plenitude?
Com sua beleza?
Elas estavam ali,
Eu estava ali,
Eu conheci o cajueiro,
O cabeça-vermelho fez um ninho no cajueiro,
Ele morava no cajueiro,
Eu morava ao lado do cajueiro...
Compartilhávamos o mesmo espaço e tempo.
Causalidades,
Causalidades,
Causalidades...
E esse amor pelas aves só cresceu em mim.
Metafísica
O silêncio,
Uma pausa para a reflexão,
Metafísica...
Coisas além da explicação,
Coisas além da percepção.
O infinito,
O bonito...
A natureza,
A história...
O que é a glória...
Nesse mundo de imanência,
Há também a transcendência...
Substantivos abstratos,
Sentimentos
E o feixe do conhecimento...
Coisas do racional,
Coisas da humanidade...
Afinal o que é a metafísica que tanto há em nós?
31/08/26
Deus
Deus pode ser sentido!
Deus pode ser visto,
Deus pode ser ouvido,
Deus!
Estava almoçando,
Ouvia uma rádio Inglesa,
Então começou a tocar a música
Interestelar
de Hans Zimmer...
Senti algo maravilhoso,
A sensação de plenitude...
Algo muito catártico e profundo.
Seria Deus falando comigo?
Será se todas as vezes que me emociono não é Deus
Tocando minha alma?
Fiquei querendo repetir
Aquela música infinitas vezes...
Senti uma presença Divina...
Momento certo
Olhei o jardim,
Precisava de água,
Vi que haviam plantas novas ali.
Vi a terra,
Vi as plantas,
Vi as formas nas partes das plantas,
Vi o que podia enxergar,
Entendi o que podia entender.
Fiquei ali por um bom tempo...
Senti paz,
Senti aconchego,
Senti esperança,
Senti segurança.
Cuidei do meu jardim,
Mesmo sem flores,
As flores brotam no momento certo.
A beleza está no todo,
Não apenas nas partes.
Espelho, Janela e Alma
Olho através das janelas diáfanas, O fino vidro separa o interno do externo, Permitindo contemplação do externo, Mostrando a mata, As árvor...
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Grande Bach. Suas composições nos aproximam do criador. São tão intensas como o mar ou um céu estrelado. Não tem como não se sentir pequeno...
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Campinas, Barão Geraldo. Hoje quando voltava do Bandeco vinha eu perdido em meus pensamentos, meu olhar vagando nas paisagens. Quando num in...
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Amanhã que virá? Sei lá! E hoje... Bem, acho que posso decidir, Mas apenas o agora e não depende muito de mim. Acho que depende de meu...
Gogh