A lua alumiada ao cair da barra.
De cor rosada a barra se desfazia
Amanhecendo devagarinho,
Enquanto a lua crescia no céu.
A lua era uma banana doce pra vista crescente crescendo no tempo.
A lua alumiada ao cair da barra.
De cor rosada a barra se desfazia
Amanhecendo devagarinho,
Enquanto a lua crescia no céu.
A lua era uma banana doce pra vista crescente crescendo no tempo.
Corrochia intensamente o sabiá
Seu canto belo e perfeito
Dá mostras da beleza de natureza divina.
Até meu peito fica emocionado.
Em plenitude sinto a vontade de viver.
Pois a beleza divina expressa nos dá ganas de viver mais e assim sentir o senhor em sua imensa maravilha divina.
Fui a padaria e me lembrei de um momento crítico na minha vida. Os primeiros dias em Natal. Foi quando precisei ser mais forte. Estava totalmente só. Não tinha ninguém por mim. Minha vida era só saudades e solidão. Nem café da manhã tinha. Saia as vezes pra comprar algo para tomar de café. Não tinha regras como era acostumado. As luzes do quarto só eram apagadas muito tarde e tive que me adaptar. A força Deus dá. Todo começo é muito difícil. Cada um tem uma história que conta a seu sabor. É preciso aquecer o coração para relaxar e entender a vida... As janelas para o passado de vez em quando precisa ser aberta para entender que a vida é uma história em acontecimento. E que somos responsáveis pela cor e pelo brilho que tem nela.
Fui contando coisas para Vinícius enquanto íamos a padaria. Coisas que não entende, mas a gente vai conversando.
Domingo dia do senhor. Dia de pensar na vida.
Aí volto a Serrinha, mamãe, papai, João de Licor, Elita... Personagens de nossa história.
O vento tem seu ritmo, o vento tem seu tempo e canta conforme o tempo e o ritmo. O vento da manhã é diferente do vento da tarde e ou o vento da noite.
Suave pela manhã, intenso à tarde e veloz e frio à noite.
Como sei de tudo isso porque sinto.
Porque ouço, porque penso.
Nos ritmos e no tempo parte da matéria que me construe.
Ontem, quinta-feira, foi feriado.
Tive o dia para brincar e amar Sassá.
Acordei e fui fazer o que amo até ele acordar.
Quando acordou coloquei uma música e fomos dançar, tomar café.
Depois nos arrumamos e fomos passear no campus I...
Levamos a bicicleta flash. Fomo até o grande tronco da munguba que caiu.
Fizemos fotos. Fomos na borda da mata...
A gente foi conversando, fotografando, rindo e brincando.
Revivemos e Sassá pode se lembrar do que havíamos vivido aqui.
Ele me perguntou sobre as serpentes que haviam aqui e então foi a conversa que reinou.
Giboias, corre-campus, malhas de sapo, corais.
Ele é curioso e me fez inúmeras perguntas. A noite até desenhamos serpentes.
Saímos do campos quase meio dia.
Com fotos, risos e uma flor de jambo para a mamãe.
Ah. quebramos valvas de pau-brasil.
Terapéutico.
Essas coisas ai.
Cigarras,
Saíras,
Cantam animadas.
A manhã ensolarada,
A mata mudando a folha,
A sapucaia está florida.
Ferreirinho acerta a hora.
Nessa vida tem coisa melhor que contemplar.
Sentado aqui a ver, ouvir e pensar.
Agradeço a Deus por tudo isso.
Essas coisas ai.
Aprendi a ler,
Lápis e caderno, um quadro negro e a professora.
A professora professou as vogais e o alfabeto.
Foi bem devagar que me pus a pronunciar
o A, É, I, O e U.
Depois veio o alfabeto...
A, B, C...
Foi professora Livani que me ensinou.
Esse foi meu alfa.
Deus é unidade,
Deus criou o homem e a mulher, aos cristãos Adão e Eva.
E por via do pecado foi concebido o filho...
Mulher e filho é a dualidade.
Com o filho surge a tercealidade...
A santíssima trindade.
Surge ai a consciência.
A consciência tem como gênese uma tercealidade,
A consciência surge quando se conhece o bom,
E aquilo que não é bom?
Bom por via da essência, da palavra facilmente se atribui a antítese como mal.
No tao te ching
Verso 42...
De tao veio um,
Do um veio o dois,
Do dois veio o três
E no três está a origem de todas as coisas.
Será isso essência?
Essas coisas aí...
A coleção botânica me encanta.
Gosto de trabalhar no herbário.
Gosto do cheiro seco das plantas.
O silêncio, o espaço vazio.
O frio...
Nas exsicatas, as datas, os lugares, as letras...
Cheiro do tempo documentado em matéria e signos.
Ai posso me perder nos meus pensamentos,
Posso me perder no tempo
E ser pleno e universal.
Absoluto!
Não sei, mas tive essa oportunidade e amei.
E busco aprender mais e mais e ser o melhor de mim.
Aqui no herbário onde as tardes são de prazer
Onde o tempo acelera e não sei porque.
Um texto para tão poucos, mas cheio de amor
E sentimentos singelos.
Só isso.
O ferreiro ama o Ferro. Na sua ferraria tem tudo que você imaginar de ferro. Uma forja, carvão, um fole e sua habilidade e seu amor pelo som metálico, pelo calor que domina e amolece o ferro e essa arte milenar que não escolhe que irá suceder. Acontece. Acho que é amor ao ferro. Ferro frio ou quente, sempre denso e duro e seu som peculiar. Conheci um ferreiro quando era criança se chamava Antônio de Chapéu. Ele tinha muitas habilidade e uma delas era nadar. Entrava no açude do alívio e sai nadando só a cabeça flutuando parecia o corpo está imóvel. Por ironia da vida, morreu afogado. Outro ferreiro que conheço é Edson... Novo, inteligente, ver com os olhos e faz com as mão. É uma inteligência prática descomunal. Fui outro dia a ferraria dele e vi tudo quanto é coisa de ferro. Alegria no rosto e atenção. Colocou o cabo numa roçadeira e fez o fio da lâmina. Ficou excelente. Naqueles dias eu vinha lembrando do amor que as pessoas tem a matéria. Coisa de impressionar.
Sabe que me impressiona a arte genuína e domar o fogo e domar o ferro é uma delas.
Ser é somente uma combinação de forças ou energias físicas e mentais, influenciadas pelo meio que nos rodeia, em perpétua transformação
Sassá cortou o cabelo e tomou vacina na segunda-feira. Estava superfeliz porque ia ganhar um sorvete. A mamãe contou a saga que foi segurar ele para tomar a vacina, depois viu que não era um bicho de sete cabeças. Após eles foram no barbeiro e cortaram o excesso do cabelo e a franga. No almoço ele estava muito feliz e lindo. Então fomos para a escola. Estava extrovertido conversamos um pouco. Foi para aula, mas na ansiedade do sorvete. A aula terminou e eu já estava lá esperando por ele. Então fomos numa sorveteria nas três ruas. Selecionei vários sabores, dentre estes um azul, perguntei qual era o sabor azul e ele respondeu que era de blueberrie. Depois fomos para casa e o dia foi assim, maravilhoso.
Com meu pai a trabalhar limpando a baixa de arroz. Senti que podia ir mais. Senti a infância partida. Senti a felicidade de uma nova fase passar a existir. Meu coração já desejava. Então minha meta era limpar até acabar. A baixa era tão pequena, mas o trabalho era duro. E na companhia de meu pai me sentia seguro e feliz. Nem precisava pensar na vida, bastava limpar a baixa. Ver o vento soprando a folha do arroz me animava, ver as nuvens broiando no céu me animava, ver o sol quente me desanimava. Mas Deixava tudo nas mãos de Deus. E a felicidade enchia meu coração só de ver o inverno bom e papai com saúde.
Na madrugada desperto vi
Uma estrela se passou,
Veio a lua corada e sorriu
E foi crescendo no céu.
Em meio aos pensamentos,
A lua me despertou.
Sorria para mim.
Desperto só contemplei a lua.
Depois nos pensamentos adormeci.
Compramos o livro para Sassá a médica Era uma vez. A história de uma jovem que sai ajudando os personagens que ficaram com enfermidades no conto. Tem o pé da cinderela machucado, as farpas no bumbum e a boca queimada de cachinhos dourados, o lobo queimado dos três porquinhos, a dor de cabeça de Rapunzel... Sassá adorou, li com ele e depois ele leu as imagens e comentou com a mãe dele. Ontem, fomos para a missa e ele adormeceu de tão cansado. Depois quis ir comer um cachorro quente o favorito, segundo ele.
Na madrugada o sabiá cantou.
Foi um canto intenso de amor.
Um canto de encanto,
Aquele canto que encanta a vida.
Havia energia, paixão e vontade de viver,
Vontade de amar naquela expressão.
Quem viveu entenderá,
Quem não viveu poderá entender.
Quando descobrir a força da vida
Querendo se eternizar.
E era madrugada.
Sassá minha paz. Ontem li um livro para ele. Quando o mar encontra o céu. Um livro com imagens belíssimas. Estamos empolgados porque daqui a pouco Sassá começará a ler. E ai ele vai ser mais livre. Quando começar acessar os conceitos nas palavras. Sempre que leio aproveito as imagens para me posicionar no mundo da percepção da realidade. Essas coisas ai.
A tarde me fez sair de casa,
Sentir o frescor da chuva chovida,
Na paisagem seguindo um caminho
E me deparei com aquela mangueira.
Que vive lá nas três ruas.
Uma mangueira de mangas espadas.
Pendulas as mangas me levaram lembrar,
E lembrar é recordar e quando recordo
Transponho o espaço e o tempo...
Voltei a minha adolescência, fui ao sítio de Fora,
Onde vovó viva tinha um sítio de manga.
Era tanta manga que pegava de carga no jumento café com leite de orelha cortada.
Ia com minha irmã, até vovó e ela mandava a gente cata manga no sítio.
Chegava no sítio era tanta manga burro, manga espada.
A gente enchia a vista e depois enchia o bucho.
Felizes com os caixões cheios de manga,
Mas encontrar uma manga espada no pé,
Fazia da gente guloso.
Felizes a gente chegava em casa...
E havia fartura por um ou dois dias.
Amar verbo intransitivo.
Sério! Vi ontem, mas o texto nasceu agora.
Amém.
Senti a necessidade do vazio.
Ausência de tempo.
Melhor sair sem pensar no tempo que passa.
Melhor deixar a mente vazia
E não pensar em nada só caminhar.
Só ser.
Daqui a pouco parto desta para outra
Ou melhor perco a existência.
Volto para o vazio.
Volto para o nada.
Não tenho memória alguma dos anos que antecedem minha infância.
Porque tudo era vazio.
Agora tudo é uma breve consciência.
Uma suposta realidade que não passa de uma ilusão.
Bom, então preciso do vazio...
Preciso esvaziar a mente
Que deseja ideias...
Tudo com parcimonia.
Sassá ontem ganhou um quebra-cabeça do mapa do Brasil. Após o almoço nos montamos. Curioso que ele se interessou. E ai, a noite ele pegou de novo e foi montar e obviamente eu fui ajudando, sem ajudar. Ele ficou muito feliz ao montar o mapa do Brasil. Aprendeu o nome de alguns estados Brasileiros. É um objeto tão maravilhoso e educativo que nem começamos a explorar suas propriedades. Entender e conhecer o Brasil como um pais uma unidade constituída de estados e que estes estados são organizados em regiões e o que está presente em cada estado, por exemplo a língua portuguesa e a influência dos imigrantes, as novas palavras aportuguesadas, as palavras tupis... E assim. Sentiu-se muito feliz pelo novo objeto de aprendizagem ou de estudo. Já conhece a bandeira do Brasil como um símbolo e isso ensinamos olhando para o prédio do altiplano onde tem uma bandeira hasteada ora da Paraíba ora do Brasil... No atacadão também tem... Dai sempre que ver, percebe e enriquece a informação.
Essas coisas.
Uma serra para olhar,
Através da janela,
A cajaraneira,
O juremal...
A cinza do verão...
Isso é imagem do sertão.
Isso é intercurso de estação.
Empoeirado está o chão,
O marmeleiro nu perfuma ao ser tocado,
O facheiro se mostra armado,
Xique-xique é candelabro...
Isso é imagem do sertão.
Galinha a cacarejar
Quanto quer por vai ao ninho,
Poe e sai a gritar,
O menino o ovo vai buscar,
Pra comer batido com farinha e açúcar...
Isso é imagem do sertão.
Eu o matuto matutino,
Da enxada ao enchadeco,
Da foice a roçadeira,
Fiz de tudo pra estudar,
E da lida me livrar
Isso é imagem do sertão.
Hoje distante em outra lida fico a pensar,
Como é calmo meu Sertão...
E a gente sabe melhor como é a vida.
Cai a tarde!
Os anos se passam e mudam meu olhar.
Lá se vai a tarde e tudo que quero é o agora.
O passado só memória.
Doce memória.
Algo que não volta jamais.
Mamãe, papai, vovôs e vovós...
Agora meu filho.
Agora um raio de felicidade.
Forte amor.
Depois ficarei fraco e partirei...
Mas esse sentimento é de quem é pai...
Vamos fazer o aniversário de cinco anos de Sassá. A mamãe se encarregou da organização. Há alguns dias Sassá desenhou os bichos para o convite. A mamãe fez o convite imprimiu e bom preparou os envelopes. Ontem Sassá escreveu o nome dos meninos nos envelopes. Então, ao levá-lo para a escola nós fizemos a entrega aos seus coleguinhas. Foi uma festa. Sassá se sentiu muito feliz em distribuir para todos os coleguinhas um convite. Dai foi para a escola e na escola não sei como foi. Foi isso, maravilhoso ver um riso com brilho nos olhos dele.
O tempo se torna cada dia mais precioso.
O tempo vale ouro.
Tempo pra pensar o que me edifica.
Tempo precioso para se cultivar.
Cultivar bons hábitos,
Cultivar boas ideias,
Cultivar conhecimento.
A cada dia que se passa menos tempo
E por isso tenho que aprender o que é mais importante,
Aprender a eternizar o que me faz melhor
E deletar o que me faz pior.
Essas coisas.
O limiar
Quem se doa?
Entre o dia e a noite é a noite que cede ou é o dia que doa?
Aurora quem existe e aparece...
Entre o mar e a praia como podemos delimitar?
Qual é o limiar? Ora o mar cresce ora a praia cresce e quem é que se doa.
A maré aí está.
No amor quem é dia? Quem é noite? Quem é mar quem é praia?
Na linha do horizonte quem delimita o oceano e quem delimita o céu?
A matéria ora ocupa espaço e ora desaparece! Onde está o limiar?
A mata silenciosa,
Cadê o vento?
Cigarras em sinfonia,
Contentes com o tempo.
O sol brilha intensamente,
As folhas caem enquanto folhas jovens são tecidas pelas árvores.
Troncos expostos cinzentos.
Pássaros a cantar.
É o momento
Os encontros e desencontros se dão no espaço e no tempo é claro que é necessário que haja uma relação e para que esta ocorra uma conexão.
O peixe de Sassá apuleu morreu. Que fazer para não ver Sassá sofrer. Bom dissemos que ele havia ido ao médico e que voltaria logo. Ontem fui a mangabeira numa lojinha muito boa e comprei o apuleu II, mas Sassá não precisa saber, ele não precisa sofrer. Quando chegou da escolha, temeroso foi ver e fez um monte de questões. Não sei se ficou convencido. E foi assim que aconteceu.
Sassá vai ao Zoo com seu amigo Rocha. Foi a maior festa. Após o evento na escolinha de natação.
Convidamos Rochinha, filho do nosso compadre para ir a Bica conosco. Eles fizeram a festa. Gritavam, riam, iam e vinham, brincavam, falavam com os animais. Vimos todos os recintos, andamos na mata. Eles amaram os obstáculos.
Trocaram ideias e aprenderam muito.
Foi extremamente rico a experiência.
Esqueci o cabo do computador em casa. Voltei para pegar o cabo numa bicicleta de um amigo. Encontrei Sassá pedalando nas três ruas. Ele ficou muito eufórico quando me viu. Então pedalamos um pouco até casa. Dai chegando em casa. Peguei ele no braço e subi as escadas. Já em casa, encontrei o cabo e ai como ele estava com muita fome foi explorar a geladeira. Ao ver que a geladeira estava sem muita comida. Ele de geladeira aberta olhou e falou pra mim. Papai olhe, está na hora de ir ao mercado. Na hora nem me toquei só depois já no trabalho. Dai ri até. Quanta coisa linda na ingenuidade de uma criança.
O fim é um fechamento.
Todo fim é também um início.
Assim que tem um fim, aparentemente tem um vazio,
Esse vazio é o fim...
Fim da vida, inicio da eternidade.
Fim da eternidade, início da vida...
Fim do sentido e início do sentido.
Fim dos versos e início da reflexão
Ontem ganhei um melocactus e o levei para casa e a história aqui está no meio. Então vamos lá.. Na segunda feira ao agoar o jardim encontrei um mandacaru pequeno. Coloquei num envelope e levei para o apartamento onde pretendia levar para plantar na UFPB, mas Sassá viu e gostou e perguntou se poderia plantar e bom não sei dizer não para ele com frequência. Perguntei qual seria o nome e ele disse chico bento, porque estavam lendo uma estória do chico bento. Observou que os espinhos eram moles e não furavam. Colocou lá na sacada do lado do angico. Então, ontem quando cheguei com o outro cacto coroa de frade perguntei qual era o nome e ele falou zé lelé. Dai ele perguntou e os espinhos são frágeis, disse que não. Dai ele levou para a sacaca e perguntou de novo se os espinhos eram moles. Dai eu disse teste. Testou? Bom disse dê um beijo ai. Ele deu um beijo de longe e disse dei um beijo invisível. Dai Ri. Abracei ele e disse que o amava.
Recebi ontem o exemplar do livro de meu contemporâneo e amigo de Moraria estudantil da UFRN Lino sapo. Adorei o título e a arte da capa. São 156 páginas repleta de rimas e memórias e de sabedoria popular e subjetiva. Folheando as páginas, atento aos títulos de olhos nas rimas podemos perceber quão alinhado está o poeta com a sonoridade, com as ideias com a essência do sertão. Deveras no DNA encontramos a essência da vida em código biológico a ser expresso em forma sob a vontade maior que é a preservação da vida. Este livro retrata memória compartilhada por todos os nordestinos e possibilita por via dos versos, das palavras que conheçamos o sertão nordestino na sua essência. Amigos e amigas vemos os sertões aparecerem e desaparecerem. Nesse movimento natural ação e reação... Um sertão velho desaparece para dar cara a outro sertão... Já sinto o ar da saudade... Já me sinto passado e passando quando já se foram meus avós e pais... Que poderemos salvar e esquecer do sertão? Sem dúvidas que desapareça a fome, pobreza e miséria e que permaneça a cultura, a arte e os versos dos poetas do povo da gente... Doces feito alfininho, gostosos como arroz de leite com carne de sol. Dessas coisas que a gente enche o bucho e sempre voltamos a ter vontade de comer novamente.
Agora, tarde de domingo, dois de novembro aqui estou. Deitado na rede a ouvir uma conversa de Borges.
Tenho participado tantas vezes destas conversas com este autor. Algo em suas ideias me encantam e me fazem querer ouvir mais uma vez, mais de uma vez.
Um descanso, um intervalo e um momento de reflexão.
A redescoberta dos momentos via reflexão... Nesse tempo que engole a humanidade. Borges reflete a eternidade.
Hoje, não estarei aí para acender uma vela.
Não estarei aí para render homenagem.
Para encontrar as pessoas e compartilhar com elas meus sentimentos.
Ver o sol se despedir sob a benção do padre.
Hoje, por forças externas, estou aqui.
Cada dia nos despedimos um pouco desta existência.
Hoje, podemos refletir essa realidade que está sempre se atualizando.
Dois de novembro dia da eternidade.
A unidade é divina,
A dualidade eterna,
O três é a completude,
O quarto é a moldura,
O cinco são os sentidos,
O seis é a terceira dimensão.
O sete é uma semana perfeita.
O oito é moldura dupla.
Nove é terceira ao quadrado.
O resto tu inventas.
Os terminos de uma árvore mudam, às são gemas, as vezes flores e as vezes frutos.
Pouco importa isso.
As vezes a gente pensa por pensar.
Mas que pensemos bons pensamentos.
Mais nada...
De fato esse pensamento acima está vazio.
Mas lembrei de uma frase que a primeira vez que ouvi ainda morava em serrinha do canto ou seja a mais de 25 anos atrás.
É o seguinte.
Num dos sermões do Pe. Walter Colini proferiu esta linda ideia.
"Se não houve frutos, mas valeu a beleza das flores;
Se não houve flores, mas valeu a sombra das folhas,
Se não houve folhas, mas valeu a intenção da semente".
Agora melhorou.
Adoro o silêncio desta sala, a vista para a mata, para a aroeira e o jutaí.
A manhã nublada e a aves em sua alegria a cantar.
Na correria dos nossos compromissos esquecemos das coisas mais simples e importantes da vida.
Ontem ganhamos um melocactus, coroa de frade e Sassá resolveu chamá-lo de Zé lelé o amigo de chico bento. Ontem, ainda saiu da escola cheio de energia imitando um leão. Ele ama os cabelos longos. Diz que leão sem juba é leoa. Estamos nos organizando para a festa de aniversário dele. Fará cinco anos e como seu aniversário é no dia 30 de dezembro, antecipamos para que ele tenha pelo menos um aniversário com seus coleguinhas da escola. Enfim. Essas coisas como ele costuma dizer.
Ontem Sassá leu inúmeras histórias da turma da Monika.
Também desenhou.
Também brincou.
A tarde quando voltamos da escola aguamos as plantas.
Engraçado que ele só agoa as plantas são mato.
Percebeu que o quebra pedra estava de folhas fechadas.
Dai expliquei que a noite a folha não faz fotossíntese, apenas respira.
Bom depois ele encontrou meu mandacaru novinho.
Pediu para plantar e eu deixei.
Perguntei qual seria seu nome e ele respondeu. Chico Bento.
Ele plantou chicobento do lado do anjico Zédoalive.
Silêncio!
Seis horas da manhã.
A mata silenciosa, embora já tenham cantados as cigarras.
Sol sob nuvens.
Pia o sabiá sabe lá que quer falar.
O departamento dorme com seus professores.
Rivete e Felipe não chegaram.
Enquanto isso a vea espera por comida.
Nem vi Nildo.
Sei que ele está aqui já aguou seu jardim.
Ontem o encontrei angustiado, pois levaram nosso cacho de banana.
Um barulho.
É Nindo.
Sábado foi um dia especial. Completei 46 anos. Sassá se pulou da cama, disse que era o aniversário do papai. Depois voltou para cama e disse que estava cansado. Fui lá e beijei ele e abracei com muito amor. Dai ele levantou e foi trabalhar na confecção de meu cartão de aniversário. Fez três cartões lindos. Depois fomos desenhar os dinos para o convite do aniversário dele que iremos fazer para os amiguinhos dele. E ficamos juntos a manhã inteira. Desenhando e brincando. Só saímos para almoçar. Fomos ao mangai... O mais esperado para ele era a sobremesa. Coloquei um bocado satisfatório. À tardinha, fomos a lagoa assistir a decoração de natal. Encontramos os padrinhos dele e ele pode se divertir até cansar. Quando deitou na cama nem mamou, já dormiu.
Fiz 46 anos,
Estou mais velho, mas não me sinto assim.
Ser e sentir são a mesma coisa?
Sinto-me feliz por tudo.
Só tenho a agradecer.
Na sala nove, do DSE, aos dias 29 de outubro foi trocada a porta. Uma porta frágil de plástico por uma porta de jatobá.
Quanto tempo durará.
Ontem, Sassá entrou em seu mundo fantástico. Ele descreveu um ser que dizia ser um tigre, mas parecia mais um dinossauro ou coisa do tipo. Descreveu as patas com três garras enormes. Os dentes feito iguais aos de tigre dente de sabre. Depois fomos desenhar. Lembrei de um conto maravilhoso de Borges "Tigres azuis". Depois de pensado foi e desenhamos tigres eu fiz um tigre verde. Depois fomos tomar banho.
A Siriri cantou animada são três da madrugada.
Aí lembrei de uma época que vivia com os meus pais.
Acordava cedo pra pegar água. Ia de jumento pela estrada. Devagar podia reparar a vida.
Via os cajueiros, os postes, as casas.
Nos cajueiros ou nos fios cantava a siriri. E eu querendo dormir como agora.
A madrugada silenciosa me faz companhia.
Ouço o ronco de um motor distante. Quem será?
Ouço o estalo da cerca elétrica...
O vento soprando nas plantas.
Ouço o canto dos grilos.
E confundo tudo com o barulho na minha mente.
Mamãe, papai e Vinícius.
A sombra da noite me afaga.
Mais nada.
Ontem, 29 de outubro de 2025, faleceu a esposa de nosso tio Raimundo das Neves Teixeira. Ela se chamava Tereza Fernandes de Lima. Das memórias que tenho de infância são tão poucas, quase nenhuma. Nosso tio foi embora para Natal. Foi estudar e quase nunca visitava a terra. Só algumas vezes quando vovó era vivo ele vinha sempre, lembro das últimas vezes que veio a Martins enquanto criança. Temos até umas fotos. Acho que foi em 1992. no ano seguinte Vovô morreu e se foi. Só restou um retrato de sua formatura na parede. Ficamos isolados. Esquecidos. Quem esquece é esquecido. Mas sempre havia aquela áurea de admiração. A gente sente quando conversa entre os primos. Tem também um que de decepção.
Tive a oportunidade de conviver com eles quando fui para a faculdade. Ia lá as vezes. E pude conviver um pouco. Mas a relação era um pouco assimétrica, e eu não entendia bem. As conversas com ela eram mutio poucas. Se não tem conversa não se gera empatia ou antipatia.
Ela passava seus dias a trabalhar. Trabalhou muito para dar as coisas ao único filho. Não sei. Minha mãe até se aproximava deles. Mas as relações eram complexas. Ele era o segundo irmão mais velho. O único mais instruído...
Não sei o que dizer...
Descanse em paz.
A mamãe de Sassá assinou um serviço de acesso as leituras da turma da Mônica.
Sassá está muito feliz. Eles leram tantas historinhas ontem que nem vi eles dormirem.
Só sei que acordei e estava a luz acesa e Sassá entre nós. Dormiam profundamente.
Acho interessante ver ele olhando a revista como se lesse mesmo, as letras e não as figuras.
Num sertão qualquer do nordeste,
Na beira de um riacho, mora uma oiticica.
Ali se encontra areia e sombra a qualquer hora.
O verde escuro e cheiro das folhas, das flores e dos frutos é sempre constante.
Seu grande tronco que cresceu com toda força, agora só enlanguesce.
Sustentando sua copa, suas folhas, flores e frutos.
Ali, quantas coisas aconteceram, das idas e vindas do roçado, da rua, do açudo,
Um pouso para refresca-se em sua sombra.
Os frutos colhidos para serem vendidos.
O cochilo tirado certo dia.
Quantos ai passaram, quantos não já se foram.
E ela continua ai, imponente, até que alguém não queira!
Até lá, cresce oiticica.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...