Ontem ao sairmos da escola, fomos ao mercado.
Sassá pegou seu chocolate e seu rocambole.
Quando ele está interessado, toma de conta das coisas.
Sempre que levar suas coisas consigo no acento.
Ontem ao sairmos da escola, fomos ao mercado.
Sassá pegou seu chocolate e seu rocambole.
Quando ele está interessado, toma de conta das coisas.
Sempre que levar suas coisas consigo no acento.
Meses do ano
1. Janeiro é o mês com um rio que separa o Rio Grande do Norte do Rio Grande do Sul.
2. Fevereiro é o mês onde são gerados os escorpioninos.
3. Março é o mês das águas.
4. Abril é o mês quatro embora seja o mês de abertura.
5. Maio é o mês das flores e da mais importante de todas sua mãe.
6. Junho é o mês de Campina Grande ser o centro do Brasil.
7. Julho é o mês das chuvas em João Pessoa. Economia de energia com o friozinho gostoso aqui.
8. Agosto é o mês que nos deixa maluco com o sol e a chuva disputando maior presença.
9. Setembro é o mês do sete, mas que se trata do mês nove.
10. Outubro é o mês do oito que segura a balança.
11. Novembro é o mês do nove que é representado pelo onze.
12. Dezembro é o mês do 10, mas é representado por 12.
Ontem, retornamos para casa em João Pessoa.
Sassá acordou cedinho, mesmo atordoado, dando conta de coletar suas coisas e colocar no carro.
Seus aviõeszinhos que ganhou.
Ficou desperto por um bom tempo, depois dormiu muito até chegar na tapiocaria em Angicos.
Então, como estava faminto comeu uma tapioca inteira de carne de sol e banana.
Depois seguimos viagem.
Sempre atento a viagem viemos conversando muito.
Em determinado momento se pôs a desenhar.
Um galo gigante que vimos em Assu, um casco de peba, um tucuxi, um papa-vento, um teiú, uma preguiça, um carcará...
Paramos para ir no banheiro no mato.
Encontre uma rocha oval.
Chamei-a de eggrock.
Gostamos da palavra.
Chegamos em casa e nem percebemos.
A semente do mussambé no baldo do açude deitou.
Quando a água secou ali germinou...
Cresceu molestada por percevejos,
Se vestiu de pelos glutinosos...
Bem lentamente sob o sol escaldante
Sob a noite enluarada, por vezes estrelada,
Crescia sem parar.
Seu corpo se dividia,
Suas células se reproduziam
O caule se ramificou,
Seus ramos armados e glutinosos,
Exalavam um cheiro de sertão.
Foi crescendo...
Crescendo...
Até que chegou o dia
Dia de floração...
Foi se desenvolvendo, se consgruindo,
Célula a célula,
Dai veio a inflorescência,
Dai veio o botão...
E numa tardizinha...
Como bicho que pare perante o sofrimento...
Uma flor desabrochou.
A primeira flor...
Flor de corola alva,
Quatro lindas pétalas unguiculadas,
Arrodeando o centro seis estames longos, finos e liláses suportavam as anteras.
No cento uma haste sustentava o singelo ovário
Com seus óvulos só esperando a fecundação...
A primeira flor foi abortada...
A segunda vez já não é surpresa...
Na inflorescência várias flores floriram...
Sempre a tardinha...
O cheiro se espalhou pela caatinga...
E para surpresa,
Naquela noite enluarada.
Uma visita aconteceu...
Um morcego veio e sem pousar,
Agradeceu e o néctar comeu...
Levou consigo o cheiro e um monte de polém, trouxe polém também.
E assim aconteceu.
Um amor no meio de sertão.
Caminhando contemplava o amanhecer,
De dourado a cinza a vegetação se tingia,
Meu peito pulsava de tanta alegria,
A cada passo mais coisas a se ver...
Na vastidão do nascente o sol de luz tudo preenchia,
A salsa na beira da estrada suas estrelas desabrochava,
Rosa vivo, verde vivo...
Rodeada de sequidão...
O sol estrela grande
Alumiava e aquecia e tudo tostava,
Mas a salsa resistente,
Nem assim se entristecia,
Sua estrela ao mundo sorria.
Mirando o juazeiro e a aroeira,
Cheirava o aroma das flores de mangueira.
Resistente, no setembro que cresce para dormir em outubro.
Sassá foi desfilar no sete de setembro.
Foi vestido de leão.
Estava todo empolgado, embora não conhecesse nenhum coleguinha.
Eu estava emocionado, afinal meu filho desfilou nas ruas de Serrinha e eu nunca.
Estava radiante como o sol ao fim da tarde.
Os raios dourados do sol tornaram a roupa de Sassá ainda mais bela e dourada.
A mãe foi feito um satélite.
Desfilou o tempo o todo.
Até a concentração na praça de evento.
No fim fomos brindados com uma lua gigante e amarela.
Uma lua meio eclipsada.
Assim definiu Sassá
Sassá adora desenhar.
A mãe abre o computador e coloca imagens para ele desenhar.
Ontem, quando cheguei em casa, ele estava todo orgulhoso, pois havia acabado o caderno de desenho e estava desenhando nas folhas.
Quis desenhar bichos da Austrália. Então desenhou casuar, canguru, diabo da tasmanina, raposa vuadora, ornitorinco...
Estava todo feliz.
Mostrou os desenhos todo fofo.
Então fui deixar ele na escola.
Conversamos sobre a minha manhã.
O silêncio do ser,
O existir refletido...
Manhã, tarde e noite,
Madrugada, aurora, crepúsculos...
Uma noite estrelada,
O mar...
E a pergunta fulcral
Quem sou eu?
O que sou eu?
Em que momento desperto para o meu ser?
O calor do afeto,
O frio da saudade...
A necessidade de Deus,
Que pode ser mais humano?
A razão.
Os pares de opostos
Bom ou mal,
Belo ou feio,
Justo e injusto...
Que horas desperto pra tudo isso.
É o começo do fim.
A inocência que é perdida ao despertar para a vida.
Ser um ser de relação.
Ser e existir...
Uma condição única a vida com razão.
A tarde nublada e ventilada cai suavemente.
No horizonte um navio passa lentamente.
As ondas vindo vindo vindo
Alegram a alma.
Penso nas Maracanãs que sempre ouço aqui.
Ouço uma patativa, um bem-te-vi.
Vinícius alegre fala sozinho.
Tem quatro anos.
Zildo o homem dos guarda sol se foi.
Descansa depois de mais um sábado.
Uma barreira feira pela maré aqui está.
Areia quente e seca
Anuncia o verão.
Quanta coisa boa.
30-08-25
Escrito em na praia de Cabo Branco, num lindo sábado.
Sassá acordou cedo!
Estava com muito frio, o ar estava gelado.
Então se levantou e foi me encontrar na cozinha.
Reclamou do frio. Levei-o ao banheiro para ele fazer xixi.
Depois voltou e começou a conversar.
Tanta coisa boa ele conversa.
Sobre bichos. Ele ama os bichos. Quer ter o mundo.
Risos.
Abraço, cheiro ele e peço a benção.
Enquanto tomava banho ele contava os seus planos.
Então após arrumado.
Ele me abraçou me beijou e disse que me amava.
E me fui.
Algo em mim tenta falar comigo.
Como se meu eu do passado quisesse dizer algo ao presente.
As tardes sublimes de minha juventude já sentiam esse oco metafísico.
Nem imaginava este mundo que agora vivo.
Mas algo naquelas tardes no corredor de nossa casinha, apontava para isso.
Algo eterno ficou em mim.
Conceitos éticos, religiosos, além do físico.
Sinto como se aquele eu estivesse olhando para mim.
E espreito, como se pudesse olhar para ele naquele tempo...
Uma tarde, nunca cadeira, li alguns conceitos que deixaram muito em mim.
Ideias... a imortalidade de Platão.
A não violência de Gandhi.
Só sinto.
Sábado fomos ao jardim botânico.
Fizemos a trilha pequena;
Engraçado que Sassá já reconheceu e perguntou porque vamos fazer a trilha pequena.
Queria ver bicho.
Vimos apenas dinoponera.
Ficou satisfeito.
Depois brincamos muito, fotografamos, vimos as abelhas.
Foi muito sossegado o fim de semana de Sassá.
Prestei atenção a minha conversa com Sassá ao deixá-lo na escola.
E o tem foi a gata mel.
No nosso prédio tem um jardim.
Ali muitas vezes os gatos fazem suas necessidades.
Tem uns três gatos, mas uma é mais amigável e presente.
Tem o pelo preto e vermelho amarelado, e olhos melados.
Por isso, a denominamos mel.
Ela está sempre presente.
Bom ela costuma se esconder atrás de uma espada são jorge.
Ontem, cheguei e fui aguar as plantas.
Então deu um banho em mel.
Então quando desci e entrei no carro, contei do banho em mel.
Ele ficou encabulado no fato de mel gostar de se esconder.
Por que mel se esconde papai?
Pra não ser vista.
Por que mel se esconde papai?
Pra não ser aborrecida.
Por que mel se esconde, ali na espada de são jorge?
Porque é mais fresco.
Por que mel se esconde, ali na espada de são jorge?
...
Com esses porquês quase fizemos o trajeto todo.
Na rua paralela a escolha, onde tem uma oficina, vi um fusca vermelho.
Gritei um fusca vermelho.
Como sempre disse!
Vamos desenhá-lo.
Concordei, pois não adianta discordar.
À tarde quando fui pegá-lo havia mais um fusca vermelho agora dois.
Quase parei para fotografar,
Acabei me esquecendo de comentar com ele.
A chuva chovendo,
Tem diferentes faces,
A face de cada é subjetiva, peculiar de cada sujeito,
Agora chove!
É maravilhoso ouvir a chuva chovendo.
Molhando a mata, o chão, o telhado...
Sinto paz,
Quando estou em segurança.
Para mim, que vim de onde chove pouco.
Chuva é sinônimo de benção.
Ontem, como sempre fui deixar Sassá na escola. Fomos conversando sobre como havia sido sua manhã. Falou que foi ao dentista, mas que foi rápido. Conversamos sobre o que eu havia feito. Enfim, fomos mais devagar. Sol quente do meio dia merece um ar ligado, janelas fechadas para não assanhar o cabelo de Sassá. Havia colocado sua blusa de frio, pois sua nova sala tem um ar agora. Cheguei, estacionei e como tinha pressa não estacionei como de costume. Foi mais apressado. Então quando chegou lá, dei um beijo e me despedi. Ele foi andando quando ganhou um abraço por trás de uma coleguinha. Foi engraçado, pois ele se sentiu desnorteado e feliz. Sem saber qual a direção. Depois sai correndo para a reunião.
Sassá está cada vez mais dinâmico.
Ontem por acaso pulei na cama e ele viu meu pulo e adorou.
Praticou inúmeras vezes até fazer o melhor.
Adoro isso!
Uma criança repete inúmeras vezes a mesma ação.
Até achar que está bom.
Meu garotinho está nessa.
Gosta de repetir as atividades.
Será se é para se sentir seguro?
O lugar onde nasci.
Terra arenosa e poeirenta,
Espelho da terra alvo e alaranjado...
Está lá, está lá, está lá.
Meus primeiros passos físicos, espirituais e mentais.
Uma longa caminhada em busca da sabedoria.
Essa busca nunca cessa.
Nunca cessa.
Voltei-me ao mundo.
Agora volto-me minha terra natal.
E não encontro nada.
Só o lugar que é e sempre foi um lugar.
Em mim, memórias.
Carrego uma face uma gama de histórias.
Carrego minha história.
Se volto lá.
Nada revivo.
Porque estou sempre vivendo.
Mas voltar aquele lugar me ajuda a
Entender o que sou.
A perceber como me construi e como nada e duradouro...
Areia, barro, Jurema e caju.
E eu.
Acordava com medo da vida,
Despertando a consciência de que o tempo passa e não tem retorno,
Pensava em papai e mamãe gozando sua velhice.
Sentia o maior medo de minha vida a perda deles.
Na rede fresca olhava o telhado velho amigo de infância.
Telhas, ripas, caibros e linhas tecidos e uniformes, mostrando a pluralidade da unidade.
Meus ouvidos revelavam a beleza daquele lugar e canto do sabiá fazia entender a beleza de viver isso no inverno,
No verão me despertava o galo de campina...
Os jegues emudeceram...
Os cambitos e caçoas morreram.
Sem a fecundação humana morre a cultura e sobra na natureza.
Sem nosso saber e nossa presença morre também o lugar.
Papai se foi a quase cinco anos e mamãe a quatro.
A casinha está viva
Com uma luz acesa de nome Francisca...
Sou bisneto, Neto e filho de Francisco.
Carrego um cordão de São Francisco no pescoço e um tao de santo Antônio no peito.
E a minha alma que não é franciscana precisa ser domada todo dia ao som a ave Maria peço perdão a Deus.
Meu dia chegará,
Por agora é rezar e cumprir a tarefa da vida.
Viver
Ontem fomos a procissão da capela de são Rafeal ao santuário da Penha.
Chegamos na igreja e a missa estava quase terminando.
Ficamos apenas na porta lateral.
Então Sassá perguntou por que não íamos entrar e sentar e assistir a missa.
Ai tentamos explicar para ele.
Ele parcialmente entendeu. Dissemos que íamos assistir a missa no santuário da Penha.
Assim fizemos, participamos da carreata e chegando lá assistimos a missa.
No fim da missa comprei uma blusa para ele da procissão da penha.
Ele já vestiu.
Ontem a noite Sassá fez a primeira travessura.
Estávamos jogando bola. E ele estava gostando muito do fato de está chutando bem.
Antes de mais nada chutando forte.
Sem senso de direção, mas chutando, aperfeiçoando os chutes.
Pois criamos um obstáculo para não entrar na cozinha, como a bola é grande não adiantava muito.
E como nossa cozinha é americana.
Uma bomba saiu do pé de Sassá e atingiu em cheio o vaso com o arranjo que quebrou.
E foi isso.
Ai foi o fim do jogo.
Fui dar banho nele.
Chorou pelo banho...
Daí, passou a mamãe fez pipoca e ele foi ler comendo pipoca.
A vida avança e ganha sentidos.
Precisamos de objetivos um emprego, um objeto para comprar, morar só, ter melhores condições.
Bom isso até a gente ter filhos.
Com os filhos nossos valores pessoais mudam,
Assim, quando você nasceu a vida de nossos pais mudou muito...
Ama mais quanto mais filhos tem...
Há que saber dividir o amor.
E você foi a terceira que vingou e segurou em nossa casa.
Foi intensamente amada.
Quem tem mais de um filho ama de forma diferente.
Mas o amor é por igual.
Os valores são os mesmos.
Eu olho para o tempo e percebo como passou rápido.
Se olho para o esforço dos meus pais, concluo que valeu apena.
Estou aqui, e segurei o bastão quando quis ter filhos.
Amor incondicional.
Quem tem mais de um filho ama mais...
Amar é dividir...
Amar é se doar por inteiro.
Como chegamos aqui!
Basta olhar na nossa história,
A nossa história é a mesma dos nossos avós, nossos tios e nossos pais.
No final somos iguais, porque o que nos uniu e une é o amor.
Ontem, Sassá e eu brincamos de carrinhos.
O carro dele era um carro com rabo de peixe vermelho.
O meu um moderno carro azul.
As rodas cantaram na sala.
Colocamos como obstáculos uma bola e uma chinela com uma embalagem de bolacha maria.
Vai e volta chegando a perder de vista.
Parou sob o sofá, sob a geladeira na cozinha.
Dai usei o cabo de vassoura na porta da cozinha para impedir que o carro parasse sob ageladeira.
Deu maior trabalho.
Depois à noite, após a escola, nossa brincadeira mudou...
Estava tão cansado e ele queria brincar de encontrar dinossauro no nosso livrinho.
Mas eu apaguei.
Ontem na hora do almoço.
A mamãe pediu para ler a história do curupira.
Li primeiro uma versão bem interessante e longa.
Depois li uma versão bem curta da turma da Mônica.
O interesse de Sassá por histórias é intenso.
Ajuda muito o fato dos livros infantis serem muito ilustrados, pois facilita e viabiliza a imaginação.
Além do poder que tem a imagem de fixar o conceito.
Li, mas de uma vez.
A historia que envolver muito o cuidado com a natureza,
O entendimento que a natureza é o lar dos personagem.
A luta do bem e do mal.
As ideias sendo inseridas ai.
Não sei como foi, pois ele iria contar essa história na sala.
Deve ter sido bom.
Ontem, Sassá e eu brincamos muito.
Após chegar da escola, sem encheu de doce do aniversário de Lis.
E ai comeu muito pouco.
Dai, a mamãe falou basta. Ele moeu, moeu querendo mais, mas a mãe foi firme e ele esqueceu.
Estava na rede dai ele chamou para irmos para a cama.
Fomos, levamos o locutor e tirando.
Brincamos até de apresentação.
Então a mamãe, escovou os dentes dele e deu um banho.
Na volta, peguei vários livros entre eles o favorito no momento.
"Não estou desaparecido".
Li, li mais dois e quando percebi estava dormindo.
Quando sai para o trabalho estava na mesma posição.
Que sono maravilhoso.
Sábado, sai com Sassá para fazer umas fotos.
Ele me perguntou se emprestaria o celular para fotografar.
Afirmei que sim.
Saímos de carro.
Por que vamos de carro me perguntou?
Para ser mais rápido e é longe.
Para ficarmos protegidos da chuva perguntou.
Sim. Isso mesmo.
Na ida ao passar pela avenida do contorno vi uma iguana.
Mas resolvi que só iriamos ver na volta.
Fizemos as fotos.
Fizemos as fotos, fomos até o jardim, mas estava fechado.
Retornamos e no lugar já não vi a iguana,
Mas por sorte vimos no pé de jitaí que já fiz uma foto espetacular com sete preguiças,
pudemos ver uma linda mamãe com um filhote.
Ele quis fotografar.
Depois saímos em busca de mais coisas para fotografar.
E no retorno do carro na avenida do contorno.
Vimos outra preguiça numa Cecropia.
Então dali fomos ao mercado.
E ao chegarmos em casa, tomamos banho e fomos a peixada do amor.
Sassá o esperto,
Ao sair da escolha perguntou pela bala que eu havia encontrado.
Pensei que era o embaré de leite.
Disse está lá no carro.
Quando chegou no carro, dei o embaré para ele.
Então me disse, não é essa.
Cadê a bala?
Eu disse.
Ele falou não é essa.
Cadê a bala?
Respondi que era aquela.
Ai entendi que ele tinha percebido que eu havia encontrado uma bala.
Que ele se referia aquela...
Mas...
Papai amava a natureza,
A gente se combinava,
E se eu gostasse ele aprovava,
Uma nova planta era preservada.
Um pé de Jucá,
Uma cajaraneira,
Um mororó,
Uma aroeira,
Um feijão-brabo,
Um mandacaru,
Um cumarú....
E o sítio ficou a nossa cara.
A saudade aperta o peito.
Quando lembro de ti papai,
Quando lembro de ti mamãe.
Tantas vezes juntos,
Tantas vezes compartilhamos nossa existência...
Tantas vezes fomos felizes.
Agora estou aqui seguindo a vida sem vocês dois.
Mas um dia estaremos juntos na eternidade.
Vieram primeiro e foram primeiro.
Assim é.
Ontem, Sassá conheceu o coloral. Uma semente tirada de um pé de urucum. A mãe dele o apresentou.
Não sei qual foi a reação não o vi. Só sei que ele usou o pilão que usaram para pilar as sementes para fazer um aquário.
Ele só pensa em aquário.
Faz aquário de tudo.
Garrafa pet, garrafa de água, copo, e agora até o pilão.
Ontem amou o livro que ganhei um catálogo de animais da Paraíba!
Vimos todos os bichos do livro e empolgado, gritava os nomes dos bichos que conhecia.
A noite cansado! Pediu colo. A mamãe leu para ele e finalmente dormiu.
Ontem à tarde, sai para pegar o meu filho na escola. Fui à pé, pois preciso caminhar para melhorar minha saúde. Parecia que tinha despertado de uma noite longa, parecia que tinha sido curado de uma doença. Tamanho foi o prazer de caminhar e sentir o mundo com o nariz, com a pele, com os ouvidos e com os olhos. Até atravessei a rua só para pegar uma flor de jasmim. O cheiro do jasmim manga me recorda a infância. Recordar é algo interessante e mais quando a gente tem memórias da infância! quando a gente recorda, parece que estamos despertando para o mundo. Parece que nossa alma volta ao mundo ou vem ao mundo porque começamos a ver o mundo com nitidez. Parece que a gente desperta para a coisa, para as ideias... Tudo estava ai, sempre esteve ai, mas um determinado momento a gente sente! E percebe! e conhece!
Que potente isso.
Então desperto sai caminhando.
Vi um cachorro rajado que sempre vejo. Ele latiu para mim. Vi um cachorro preto mais a frente que olhou para mim. E acho que ele sentiu o meu medo.
Vi um pinheiro budista que acho lindo...
Vi árvores de Carolina.
E fiquei impressionado com a beleza.
Caminhava devagar, parecia pisar nas nuvens...
Peguei o meu filho e voltamos caminhando.
Ele sentiu a textura da malha de serpente da casa 191 da rua da flipper.
Passamos na praça da vacaria,
Sob grandes gameleiras...
Senti uma certa fraqueza nas pernas.
Chegamos em casa.
E isso foi tudo.
A aurora vinha vindo,
Anunciava a chegada de Apolo
Que clareava a mata de verde.
Por ali passava uma forte mulher com cabelo cor de fogo, sua pele de canela,
Vinha caminhando e se expressando...
Suas palavras cheias de vitalidade, falava o com inteligência...
A sombra da manhã a tornava mais curiosa!
Quem és?
Josenilda Felix Santos
De onde vens? De algum lugar em João Pessoa,
Mas sua terra natal era Pirpirituba!
Só a vi passar...
Sempre ir e nunca voltar.
Voltava com a tarde.
Mas ontem ela dormiu na eternidade.
Fugaz a sua existência.
Assim como surgiu,
Desapareceu.
Oculta para o mundo.
Mas não para minhas palavras.
Descanse em paz.
Cheguei em casa para o almoço, e encontrei Sassá orgulhoso.
A médica pediu para fazer alguns exames e ele corajosamente foi ao laboratório para tirarem o sangue.
Ele resistiu a picada da agulha e falou que era uma picada falsa porque não tinha sentido nada.
Após o sacrifício é lógico que pediu um sorvete por seu esforço!
A mãe assim o fez.
Ele queria mesmo era uma casquinha, mas a ainda não havia aberto os estanderes de casquinha.
Então me contando que não tinha comido casquinha.
Eu prometi que na próxima ida ao shop ele comeria a casquinha.
Espertinho Sassá.
Falei que ele iria ganhar a casquinha por sua bravura.
E assim ele se sentiu muito orgulhoso.
Sábado, fomos a Bica, mas foi diferente!
Dona Lenita não estava lá! Achamos estranho, pois foi a segunda vez seguida.
Então entramos tudo bem. Passeamos junto ao fluxo. Cedo a Bica estava lotada.
Era 10:30h tinha ido ao banheiro e quando voltei para o recinto da leoa quem encontrei conversando com Dayane e Vinícius?
Dona Lenita nossa amiga (Maria Helena Nobrega de Oliveira).
Nossa amizade começou a uns quatro anos atrás quando Vinícius era bebezinho.
A gente sempre comprava água a ela.
Ela ficava ali n frente da Bica!
Vivemos coisas juntos. A doença e morte do marido dela.
A morte de minha mãe.
A gente até trocava brindes, carrinhos, pratos, xícaras.
Dona Lenita era o nome da minha segunda professora da 2 e 3 série.
Assim, demos um estojo de copos e nos despedimos com abraço e choro.
Dona Lenita não vai mais vender água.
Fizemos uma fotos e nos perdemos na multidão da Bica.
Dona Lenita é de Campina Grande!
Já faz cinco anos que recebi de meu pai o parabéns pela paternidade!
Papai não conheceu Vinícius, meu filho, mas ele sabia que Dayane, a mamãe de Vinícius estava grávida.
Ainda no calor e terror da pandemia! Passamos um mês ou quase isso juntos. Foi o mês de junho de 2020.
Em agosto, exatamente no dia dos pais ele me ligou. Conversamos e eu o parabenizei pela última vez pelo dia dos pais e ele me parabenizou pela primeira vez pelo dia dos pais. Não sabíamos deste ápice! E assim Deus o quis.
Guardo com carinho este momento.
Guardo com amor a memória de quem me gerou.
A figura em quem me inspirei!
Aquele que me moldou profunda e eternamente.
Tive um pai sem precedentes! Um pai tão presente quanto os versos em um poema,
Tão presente como doce cheiro de uma rosa,
Tão presente quanto a beleza no canto do sabiá...
Estivemos juntos por vinte anos de minha vida!
Sabe que é isso! Absorvi profundamente os seus valores como amor e bondade pelos seres vivos, animais e vegetais, o respeito ao outro, ao preservar sempre a amizade e o respeito.
Aprendi que papai era humano e por ser humano eis uma eterna luta na busca pelo perdão, na busca pelo melhor, na busca pela justiça, no fé em Deus e na coragem de enfrentar a vida.
Silencioso enfrentou uma doença que o venceu, mas nunca reclamou de Deus!
A noite ele rezava, silencioso... antes de rezar nós o abraçavamos e o confortava com um eu te amo...
Assim foram seus últimos dias. Descansou em paz.
Deus me deu o maior presente de todos que foi a paternidade!
E só quem é afetado profundamente por isso é quem é pai.
O germe do amor ou o amor em potência mostrou sua intensidade na noite que nasceu o meu filho.
A lua estava cheia, o ano estava quase vencido!
Então nasceu meu filho... E eu chorei, pois havia perdido meu pai 11 dias antes, mas ganhado a paternidade.
E desde então eu amo.
Descobri o amor.
Pessoa disse num lindo poema que "Amar é a eterna inocência".
Amar é não pensar.
Amor é sentimento e não razão.
Ser pai é amar
Ontem, estava bem melhor da mente e pude brincar com Sassá.
Desenhamos, e fomos brincar com o locutor um lobo de borracha grande e tirando um dinossauro.
Quando Sassá era menor eu costumava brincar que o locutor ia narrando as atividades que Sassá fazia.
Ele virou bundacanacha e ele virava...
Brincamos também com o carrinho que ele construiu com a mãe dele.
Brincamos de rima com as palavras.
Depois banhei ele.
Depois disso a mamãe dele assumiu o cuidado dele.
Sassá comemora o dia dos pais.
Fomos convidados para ir ao colégio para uma atividade de dia dos pais.
Nos divertimos muito nos jogos entre os coleguinhas.
Foram cinco jogos muito divertidos.
Ontem, 5 de agosto, foi feriado. Sassá dormiu até quase 10h. Quando ele acordou, veio ao quarto onde estava então eu o abracei e dei aquele cheiro. E dancei com ele nos braços como vazia quando era bebezinho. No feriado nós brincamos, exploramos o guia turístico do México, desenhamos. Brincamos na cama... Almoçamos e saímos para passear. Ainda, fomos ao mercado.
A noite já na cama ele me deu um beijo e me disse "Eu te amo papai".
Foi maravilhoso.
Te amo Sassá.
Senti saudades de um lugar onde passei. Não morei alí, mas algo ali encheu meu coração de alegria.
Será a estrada de areia branca
Ou o cinzento da mata branca.
Cinzento das catingueiras, dos mufumbos e marmeleiros...
O que será?
Minhas primeiras impressões de existência.
A vontade de conhecer papai era novinho e mamãe também e nem dava por isso.
Vovó e vovô adultos feitos com sua casinha modesta de terreiros alvos e limpos, de telhas e paredes velhas. No quintal as Pinheiras cresciam para adoçar no inverno e as algarobas para refrescar o calor do sol.
Na baixa de moreninha crescia a cana docinha... Doce só de frutas e cana.
No terreiro as galinhas exploravam e ovos lhes davam e um peru a cantar e guines a cacarejar.
Pouca água e muita disposição...
Saudades do meu sertão.
Senti que o tempo passa.
Sabia que passava, mas tinha esperança.
Sentia-me imortal.
Só amadurecia e entendia o mundo.
Estava em ascensão.
Não achei que iria envelhecer.
Mas o tempo todo revela.
O tempo é o mesmo eterno.
Nós o consumimos e vamos descobrindo a vida.
Não se entende como se dá a vida racionalmente, mas é preciso sentir.
A experiência vai nos forjando para além de nossas crenças.
O tempo me deu muito, só agradeço, mas primeiro levou meu pai. Meu primeiro vazio. Mas me preencheu com o meu filho e me tirou minha mãe.
Três anos atrás destes fatos, chorei olhando o campo florido e entendendo que depois vinha a seca e tudo seria pô.
Depois o tempo levou minha mãe e veio o segundo vazio.
E todo o meu mundo infantil está ruindo feito uma casa abandonada.
A gente sente que de repente pode ser o fim.
Enquanto aguardava o tempo passar bem ali na bananeira, um cacho de banana me cativava.
Eu o olhava e de tão belo o desejava.
Bananas docinhas bem madurinhas.
De tantas bananeiras apenas aquela eu mirava.
O tempo passou e me fui. Nunca mais verei sequer comerei, mas aquela bananeira me cativou como tantas coisas me cativam.
Onde está o gatilho que desperta a vontade e assim se transforma em desejo?
26/7/25
Olhei para o tempo e não vi um chão.
O mato seco o céu azul.
O calor do tempo.
A terra seca vermelha.
A poeira...
As memórias.
Meu irmão volta a são Paulo.
Essa viagem tem feito tanto em sua vida.
Foi embora em 1989.
Ficou lá por dois anos seguidos. Depois vem anualmente desde 1991. O que somaria 34 viagens, sendo esta a 34. Ele tem 55 eu tenho 45. Foram vários os anos afortunados. Digo assim pois contava com papai, mamãe e a mãe de sua esposa.
O Verão está chegando. Como choveu pouco este ano, as fruteiras estão sofridas. Vingaram, mas as frutas não cresceram... Uma bananeira cum belo cacho de banana. Um picapau pica o cajueiro e um galo de campina corrochia no cajueiro.
Dias cheios de luz e vento. O vento frouxo levanta poeira.
A vegetação doirando-se de folhas secas.
A palha seca do milho e do capim.
A aroeira chumbada.
O vináceo ao verde das folhas.
Os picapaus e casacas de couro se aninhando.
A cigarra cantando.
A vegetação silenciando.
E julho se entrega a agosto.
Termina o inverno e começa o verão.
Vai embora meu irmão.
26/7/25
Meus pais morreram,
Mas a casa continua viva.
Vive em minha irmã.
Aqui meu espírito se materializa.
Tudo é memória...
Uma castanha encontrada lembra papai, o guarda roupa
Lembra mamãe...
Memória desperta é vida acordada.
Saudades de vocês meus amores.
25-7-25
O poeta da saudade Semana passada ouvi o compositor Santana declamando um dos mais lindos versos sobre saudade. Ele falou de Antônio Pereir...