18/05/20

35. Cenário

Nosso sítio.
Não, não consigo esquecer a minha infância.
A minha infância teve como cenário um maravilhoso sítio. Não que tivesse o maior pomar. Não. Era muito simples. Muito simples mesmo. Nele tinha cajueiros. Árvores que conhecia cada uma delas pela localização, pelo porte, pela doçura e pela castanha. À sombra dos cajueiros haviam as pinheiras, as goiabeiras e os araçás.
No entorno de casa tinham as cirigueleireiras, os coqueiros, mamoeiros e pinheiras. Tinha um pé de mangueira.
Que belo cenário. Tinha a área para plantar feijão, milho e fava e uma baixinha para plantar arroz. Tinham as cajaraneiras.
Tinha uma casa cheia de gente.
Tinha vacas no curral e galinhas na faxina e um porco no chiqueiro. 
Tinha muito amor.
E que cenário.
Tinham as Jitiranas, as bomba-d'água com flores azuis que me ensinaram a amar a botânica.
Tinham os vizinhos e os tios e os avós.
Tinha tudo e não tinha nada.
Hoje só restam as memórias,
Tenho tudo e mais as memórias.
E isto me basta.

34. Palavras

Palavras expressam tudo,
Mas são frias e mortas.
Palavras podem expressar meus sentimentos e minhas emoções.
As palavras são fixas, retas e exatas.
As vezes expressão emoções quando organizadas na forma de poemas.
Não sei escrever poemas e nem contos e nem escrever...
Gosto do que escrevem. 
Gosto gosto sim.
Por isso gosto de livros.
Mas não compreendo tudo que leio.
Não muitas coisas não são apenas para serem lidas, mas para serem estudadas.
Certa tarde! Estava meio nublado.
Estava no Solo Sagrado.
Não contemplei a realidade,
Mas acariciava um livro.
Era um livro de Lock.
Bom uma memória foi gerada.
A mata Atlântica,
As tibouchinas.
Tudo isso, via palavras.
As palavras nos dão um norte
Ou nos dão o caos.

33. O silêncio

O silêncio da manhã,
O vazio da casa,
Janelas e cortinas fechadas,
O escuro de uma manhã não despertada.
Pensar este vazio.
Na mente ecoam memórias
Que imbricadas não organizam um pensamento.
Só o silêncio.
Só o silêncio.
Mas há uma reação para sair desse silêncio.
Uma busca de ação para o pensamento ou um pensamento.
Faz calor.
Ligo o ventilador e sinto o frescor,
Todavia ouço o ruído do motor e das hélices girando.
O que é tudo isso?
Essa objetividade real
Que atende as leis da físicas?
Sei lá.
Só o que me interessa é o silêncio da manhã
Que se desfaz quando despertamos.
E isso é tudo.

17/05/20

32. O celular

A noite caiu lentamente.
Caiu muito escura e fresca.
Hoje não choveu como ontem.
Nem sequer choveu.
O dia foi fresco e passou bem rápido.
A noite passou rápido, 
Envolvido com as notícias
Nem percebi o tempo passar.
Ouvi a tv e vi o celular.
Sempre buscando algo para justificar essa busca por notícias do presidente.
Notícias de oposição.
Quanta perda de tempo.
Pois é!
Posso mudar tudo.
Desligando o celular.

31. Enquanto é possível

Nos dias que vivemos, vamos capturando um ser.
Este ser que somos nós.
Nossos gostos, nossos desejos, nossas crenças, nossas convicções, nossas ações,
Às vezes servem para nos definir, 
Porém quase sempre, estamos apenas experimentando a vida.
Experimentando nossos gostos, nossos desejos, nossas crenças, nossas convicções e nossas ações.
Porque nem sempre conseguímos definir o que são estas coisas.
Desconhecemos que estas existam, como desconhecemos que respiramos.
Talvez, saber destas coisas não seja essenciais para a vida,
Sejam coisas autônomas.
Como comunicar, conversar...
Sabe, sei lá.
Talvez nestas experiências, acidentes fatais aconteçam.
E as expectativas sejam frustradas.
Viver é ação,
E não podemos ficar orbitando em torno de uma coisa por tanto tempo.
O tempo é relativo, mas como descobrimos essas coisas?
Experimentando ou sei lá.
Vivendo tudo isso enquanto é possível.

30. Caos uma questão

O caos reina em nossa mente, 
São as emoções e as paixões e as angústias e os medos e os desejos.
Às vezes, tentamos encontrar um cosmos.
Todavia, trata-se de uma relutância fadada ao insucesso.
Pensar é uma das poucas maneiras ordenar ou organizar o ser.
Pensar é organizar as ideias.
Pessoa definiu pensar como "está doente dos olhos".
Às vezes, concordo ou simplesmente discordo.
Depende do pensamento.
São muitas as variáveis tanto internas quanto externas.
Serão as impressões os canais do caos?
Será por isso que reina o caos em nós?

16/05/20

29. O caos continua

Bem, faz dois meses que estamos em casa em quarentena.
Parece que nada amenizou, pelo contrário.
Chegamos a média de mais de 800 mortes diárias.
Isto porque há uma subnotificação imensa.
O ministro da saúde Nelson Teich pediu demissão.
Que cenário triste estamos vivendo.

15/05/20

28. Gostosa

A chuva chovendo bem de mansinho.
Na sombra do quarto,
O calor do corpo,
A preguiça desejada,
Sexta-feira chegou,
E agora!
Viver este momento pleno.
Este momento quimérico.
E tudo se vai,
Vai, vai,
Como o vento numa manhã fresca,
Gostosa...

14/05/20

27. Chuva

Chove ao longo da manhã.
A chuva chovendo é bonito e é agradável.
Bonita porque faz um barulho tão gostoso,
Ver a água escorrer também é bonito,
A água transparente escorrendo.
A gente ver de perto a lei da atração dos corpos
A força da gravidade,
A mágica que são os rios aéreos.
É um dos fenômenos mais impressionantes,
E importante para a nossa vida.
Fonte de água celeste.

26. Clarice

Consegui baixar um livro de contos de Clarice Lispector.
Que delícia de leitura.
Imagine comer mel no próprio favo.
Nada pode ser mais gostoso.
Então, vou saboreando os textos,
Um a um. 
E cada vez vou gostando mais.
Que mulher encantadora.
Então toda noite leio um ou dois textos.
Assim como fiz com Eduardo Galeano.
É isto!

13/05/20

25. 2007

Em 2007, estava em São Paulo. Morava com minha irmã, Meire. Fazia estágio com Rosângela Bianchini no instituto de Botanica onde ia durante a semana inteira.
Acordava de madrugada e pegava um ônibus lotado. Eram três conduções, o primeiro até o Jabaquara, o segundo até São Judas e por fim o Jardim Botânico. Amava subir caminhando naquela estrada ladeada por floresta. Prestava atenção em todas as plantas, nas pessoas que passavam de carro, nos aviões que cortavam o céu, no canto das aves, e até nos meus pensamentos. Senti muito frio, senti muito acolhido por todos pela Tereza, pela Rosângela, pela Inês, pela Margarida, pela Lúcia e pela graça. No prédio tinha o herbário com uma maravilhosa coleção, tinham livros antigos que amava consultar. Enfim tinha tudo que precisava. Foi ótimo e durou tão pouco. O que é bom dura pouco. Depois mudei para um lugar magnífico. Temos que abrir mão de umas coisas para encontrarmos outras ainda melhores.

24. Cansaço

As noites estão escuras e nublada.
Venta frio e fresco.
Dias de muito trabalho.
Cansaço com a monotonia,
Cansaço com as notícias.
Cansaço,
Não temos paciência ou sono
Ou disposição.
E assim é comigo e com quem converso.
E assim se desenrola esses dias de isolamento, essa quarentena que salva vidas.
Tudo, vai passar.

23. Caminhar

Gosto de sair para caminhar,
Enquanto, caminho vou pensando,
Os pensamentos vão mudando de acordo com as impressões.
São estímulos internos e na maior parte externos.
São as sensações que desencadeiam os temas do pensamento,
Porém são tantas impressões que nem sei se consigo organizar nada.
Às vezes, tenho boas sacadas, outras não tenho nada.
Todavia sigo caminhando, enquanto o tempo passa.
Um canto de um pássaro,
Um odor,
As formas,
Tudo vai me ajudando a resgatar as memórias,
Às vezes é bom, outras não.
Bem, se nada resulta, a caminhada melhora meu bem está.
E é assim que é.

12/05/20

22. Grisos

Ah. 
A maturidade,
A soma de nossas experiências.
Nossas respostas a nossos problemas,
A soma dessa totalidade chamada vida.
E o tempo a cada dia que passa
Vai nos coroando com os grisos pelos,
Com marcas nos corpos.
Com as memórias,
E assim, assim se vive a vida.

21. A chuva

A chuva é melancólica,
Dias mais, dias menos,
A chuva chovendo
Parece uma peneira peneirando,
Trazendo alimento para a gente.
A chuva veste o sol e muda o azul,
A chuva esfria o calor,
A chuva lava as ruas,
A chuva é divina.
Até as aves cantam agradando a chuva.
Ouvir Chopin é ouvir a chuva
Um que de triste.
É a chuva tudo isso.

11/05/20

20. Dias especulares

Dias especulares,
Dias de sol,
Dias de chuva,
Dias...
A gente vai tecendo
E construindo nossas vidas.
Acertando ou errando.
Dias especulares sobre,
Uma lua plenilúnea,
Sob uma noite estrelada.
Dias assim.

19. Tempo

O tempo passa voando,
Tempo de sol e luz,
Manhã efêmera,
Céu azul,
Nuvens frouxas cor de algodão,
Dias eternos,
Que sempre veem pelo amanhã.
Tempo infinito tempo.

10/05/20

18. Dia das Mães

Um domingo lindo de sol e céu azul.
Sem praia, sem caminhada, sem o abraço da mamãe.
Sim é o dia das mães.
Que Deus abençoe todas as mães.
E defenda aquelas que estão numa cama.
Pai celeste.
Acalma nossos corações.
Que restabeleça nossa vida normal.
Quem sabe o quanto muitas pessoas estão sofrendo neste momento.

17. Maio de Covid-19

Maio está passando muito rápido. Faz  sete semanas que estamos em quarentena. O número de mortes de Covid19 aumentou vertiginosamente. Ontem, sábado foram 730 mortes em 24 horas, quando atingimos a marca de 10.000 mortes. A angustia e medo toma conta da gente. Os dias são monótonos e o que nos conforta é falar com os familiares e amigos pelas redes sociais. Então os dias vão passando, o caos se estabelecendo e em Brasília um psicopata não se cala. Causa o tempo inteiro.
Não está sendo fácil.

09/05/20

16. Fé

Longe de casa,
A Saudades é intensa,
Presos sem poder ir ou vir.
Nossa mente fica um caos,
Medo e angustia são nossos sentimentos mais próximos.
Hoje mais que ontem.
Hoje mais que ontem.
Algumas coisas até perdem o sentido.
Com fé! isso há de passar.

08/05/20

15. Voou

Sexta chegou,
Sob uma linda lua
Que brilhava prateada no poente.
Hoje não prestei atenção em nada de som,
Só ouvi bem-ti-vi.
O céu limpo.
Essa semana voou.

07/05/20

14. Plenilúnea

Lua,
Lua nua,
Espelho no céu atropurpúreo,
Lua orbicular,
Amarela e prateada,
Reina plena celeste,
Numa noite plenilúnea,
Bombom, poema,
Espaço,
Nuvens frouxas...
A vida plena.

13. Movimento

O sol brilha plenamente nesta quinta-feira.
A lua brilhava de madrugada
Enquanto se punha no poente.
O céu estava limpo e estrelado.
Canários cantavam nas três ruas.
Poucas pessoas caminhando,
Silêncio,
Silêncio!
Pensamentos tentando organiza-se.
O sol brilha,
A madrugada passou,
A caminhada acabou,
E agora enquanto a manhã cai,
Estou aqui flertando
Com o futuro.

06/05/20

12. Aprender

Aprender,
Aprender,
Aprender,
Uma nova língua,
Um novo sistema,
Uma forma de escrever,
Uma forma fazer
Fazer qualquer coisa,
Fazer uma boa comida,
Fazer uma boa limpeza,
Aprender.

11. Sentidos

Luz,
Luz dourada,
Luz da manhã,
Luz no céu azul,
Som,
Som incolor,
Som suave,
Som doce,
Barulho,
Cheiro,
Cheiro de flores.

05/05/20

10. Concluindo

Após uma longa jornada concluí um guia.
A casa está levantada agora vem a parte mais delicadas que é rebocar, encimentar...
O acabamento não é fácil.
Mas está organizando.
Está organizando.
Um intenso trabalho.
Mas foi prazeroso vê-lo concluído ou quase. 
Apesar de tudo.
Hoje é um dia denso.
Foram 600 pessoas vítimas da peste.

9. Poeminha

Chuva, chuva...
Manhã chuvosa,
Manhã nublada,
A sombra das árvores,
O canto das aves,
Um chá,
Um poema,
Crônicas políticas,
Silêncio!

04/05/20

8. Fim do dia

Nesses tempos difíceis 
Nem percebemos as sutilezas do mundo.
Por acaso no banho vi a lua.
E percebi que estava quase cheia.
Acendendo e apagando.
As nuvens insistiam em acender e apagar.
Nublada, assim a noite caiu.
Tem flores florindo na sacada.
Flores rosas e vermelhas.
Um vento frio e fresco soprou o dia inteiro.
Agora a noite caiu.
Descansarei de um longo dia de trabalho.

7. Coruja-do-mato.

Medo de coruja?
Não!
Não tenho, ou talvez, apenas durante à noite.
À noite as sombras ocultam a lucidez.
E quando não estamos lúcidos, costumamos dar ouvidos as vozes da imaginação.
A imaginação costuma nos enganar, justamente por não ter nitidez dos fatos.
Bem de qualquer forma, talvez seja porque quando alguma corujinha cantava do lado de casa à noite.
Ou devido a reação de papai de medo?
Enfim ele corria e virava a chinela.
E afirmava que era para a coruja ir embora.
E ficou isso na minha memória.

03/05/20

6. Pandemia covid19

E o silêncio necessário continua tomando conta das ruas.
Nas estatísticas já somam mais de 6500 mortes de corona vírus.
Venho acompanhando diariamente com muita tristeza.
No início eram  menos de 100 mortes, depois pulou para mais de 200,
Depois mais de 300 e agora para mais de 400 por dia.
É extremamente triste.
E ainda temos notícias de pessoas quebrando a quarentena.
E ainda temos um presidente louco que quer quebrar o isolamento
E temos pessoas que o apoiam.
Não se sensibilizam com quem está morrendo,
E sim com suas economias.
É desolador.
É desolador.

02/05/20

5. Materialização

Entre poemas e contos e música,
Vou ouvindo e trabalhando,
Organizando, criando,
Escrevendo.
Materializando meus pensamentos,
Fazer é materializar informações.
Vou pensando no fazer,
Vou pensando no pensar.
As conversa na entrevista de Borges.
Borges...
E a manhã perfeita se materializou.

4. Memórias

O sol suave,
Os cajueiros de ramos cinzentos e folhas coriáceas.
Os escombros da velha casa e aquela velha pinheiras na lateral.
Isso existiu?
Sim são memórias.
Antigas memórias.
De um passado remoto dos anos de 1980.
Hoje existem apenas os lugares que negam toda esta descrição.
Tudo, absolutamente tudo mudou
E mostra uma realidade que nega o passado.
Existe em minha memórias.
Sol suave e a mudança da paisagem,
Despertam memórias muito esquisitas e longinguas.
E penso o que me constitui.
Não chego a conclusão alguma.
Exceto que tudo é passageiro.

01/05/20

3. Dia

Dia longo dia.
Dia claro de chuva e sol.
Calor e frio.
O céu azul
E cinza azulado,
Nuvens frouxas.
Um poema,
Um conto,
Pessoa, Bandeira, Drummond,
Borges e seus contos
E Clarice.
Dias,
Ah.
Os dias são todos diferentes.
A gente vai aprendendo.

2. Casaca-de-couro

Estranho, ouvi o canto de uma casaca-de-couro.
Coisas de minha mente.
A mente muito nos engana.
Casaca-de-couro para quem não sabe é uma ave do sertão.
Tem sua cor rufa como uma roupa de couro curtido.
Tem o tamanho de um sabiá,
A cabeça tem uma crista
E os olhos são amarelos.
Constroem ninhos espetaculares com garranchos de arbustos e aves.
São muito ativas,
No passado sempre tinha algum casal fazendo ninho no nosso sítio.
Devem ser as lembranças.

1. Passe

Abril partiu,
Que mês pesado,
Que se vá para o passado,
Vá e leve essa dor,
Vá e leve as almas desencarnadas.
Quantas coisas angustiantes vividas,
Quantas memórias produzidas,
Esperamos que tudo vai passar.
Passe.

30/04/20

78. Tarde caindo

A tarde caindo chuvosa é tão maravilhosa.
O som suave da chuva.
Uma música de piano, Chopin.
As coisas dando certo,
Sem pensar no incerto.
Logo mais virá coisas boas.
Porque entendemos do que é bom e ruim.
Sei que cada um tem a sua história.
E Nossas histórias contamos como acreditamos ser.
A chuva chovendo faz bem.
Cai bem na tarde caindo.

77. Madrugada

A madrugada caiu escura e estrelada.
O silêncio reinava
E nem mesmo as aves cantavam.
Só haviam estrelas brilhando
Num céu atropurpúreo.
Nada mais.

29/04/20

76. Sono

O silêncio escuro da noite.
Uma oração murmurada.
A chuva e o céu estrelado.
Um conto ou uma poesia lida.
Ou nada.
Só o silêncio escuro da noite.
Ou pensamentos,
Talvez memórias
Ou talvez imagens.
Impressões.
Só o sono apaga tudo.

75. Os seres e as coisas

Quantas coisas há no mundo.
No nosso mundo.
Coisas.
Coisas como flores,
Coisas como plantas,
Coisas como aves,
Coisas não seres.
Seres vivos.
O mundo é tão grande
E tão vasto...
As coisas.
Ah. O mundo.
Impressão,
Impressões.
É impressionante quando nos impressionamos com as coisas do mundo.
Eu me impressiono com essas coisas grandes
Que são as flores, as plantas e as árvores.
Assim vou ampliando meu mundo
Com seres.

74. Coisas de minha terra

Abril é um mês de chuva lá em casa no sítio Serrinha do Canto.
Que maravilhosos foram os anos que passei lá com minha família.
Quando chegava abril, nos anos bons,  chegava também a fartura nas nossas casas.
Tínhamos milho e feijão verde, melancia, melão, jerimum, goiaba, araçá e pinha.
Ah! pinha aquele fruto dos deuses de epicarpo verrucoso e endocarpo alvo, macio e doce.
A gente se esbaldava com as bacias de pinha maduras.
Saíamos para os terreiros e nos deliciávamos deixando apenas as casas e as sementes de testa preta.
A festa se estendia nos sítios cantavam dançando os sanhaçus azuis.
Cantava contente a comer pinha os papa-cebos e sabiás.
Depois, mais tarde sair e colher milho no roçado e depois assar na brasa aquelas lindas espigas.
Agradecia o loro a comer o milho verde amarelo.
Essas situações singulares de minha terra.

28/04/20

73. Encantamento

Ah.
As aves como estás me encantam.
Tenho aprendido muito sobre suas formas.
Formas que me ajudam a conhecer sua diversidade.
Formas dos bicos, das cabeças, dos abdômens, das asas, das caldas, das pernas e dos pés e os padrões de cores e os padrões de cantos.
Seus hábitos alimentares.
Encantamento...
Encantamento...

72. Paciência

Não tem sido fácil esta quarentena.
Estamos presos por um inimigo real invisível.
Não podemos trabalhar, sair de casa ou sair para passear.
O pior é não poder ir no interior visitar mamãe e os irmãos.
Não poder fotografar as belezas locais,
As ervas, os arbustos e árvores com suas flores.
As aves com seus cantos...
Paciência com tudo isso.
Vai passar.
É apenas mais uma experiência em nossas vidas.
Vai passar.

27/04/20

71. Tarde no Campus

Fui a faculdade hoje na quarentena,
O Campus estava o maior deserto. Sentir  que estava adoradável. Como havia chovido a mata estava úmida e liberando um gostoso odor de fungo. A paisagem era toda verde.
Próximo a biblioteca florescia uma Pereskia bleo. Nunca tinha aquela planta com flores tão belas vermelhas. Aquelas flores estavam sendo visitadas por abelhas.
A tarde caiu suave, nublada e bela.

70. Agradecer

A chuva chovendo é tão agradável,
Aquele som gostoso,
O clima mais ameno.
Todavia a chuva chovendo enquanto estamos na rua,
Nem sempre é uma maravilha.
Chuva vai, chuva vem,
E o tempo vai se estirando
Enquanto aguardamos o vírus se acabar.
Enquanto essa epidemia passar,
Ficamos em casa observando
Pequenas grandes coisas como
A chuva,
O entardecer,
As aves...

26/04/20

69. Simplicidade

Ouvir uma boa música,
Jaz ou blue ou uma obra clássica.
Uma caneca de chá
Um bom livro
Uma boa conversa inteligente.
Particularmente gosto de ouvir 
As entrevistas de Borges,
São tão inteligentes e 
Existia uma áurea de humildade
Na fala do grande escritor.
Passar o tempo com coisas simples
E acessíveis.
São tantas as coisas boas.

68. Vai passar

Faz mais de um mês que estamos reclusos em casa.
Algumas coisas são boas e outras ruins.
A gente precisa de paciência cotidianamente.
Ao menos fazer caminhada é uma atividade que é permitida.
Ler, ouvir música, áudio livro... essas coisas.
O que faz falta é não poder ir na casa dos pais.
As coisas parecem iguais, monótonas,
Mas só por um tempo.
Isso tudo vai passar.

25/04/20

67. Satisfação

A noite chegou lenta e suavemente.
Então aos poucos começou a chover.
Deitado no sofá só ouvia o som maravilhoso da chuva.
Que maravilhoso que é ouvir a chuva chovendo.
Sem nada para se preocupar,
Só ver tv, ler um livro ou falar com alguém no celular.
Coisas simples que nos faz bem.
A noite escura,
O som da chuva,
Uma xícara de chá.
Coisas simples que nos faz bem.

66. Um novo amanhecer

Hoje a manhã nasceu ensolarada.
Muito diferente do resto da semana
Que choveu cotidianamente.
Tudo é silêncio como todas as manhãs de sábado.
Tudo é luz intensa e céu azul.
Após um dia maravilhoso,
Vem um novo dia.
Quando o presidente cai?
Estamos torcendo.
Sempre vem o amanhã.
Sempre.

24/04/20

65. Coisas triviais

Entre tantas informações recebidas num dia,
Quantas delas conseguimos absorver?
Rádio, internet, tv...
Pouco importa.
Captamos o que damos atenção.
As informações mais simples que passam despercebida cotidianas são  muito  importantes.
Coisas como pio das aves, o barulho da cozinha cozinhando, o cheiro da comida, a textura da roupa, dos lençóis, o perfume do shampoo e do sabonete.
Essas coisas triviais são tão boas
Que nos faz apegar a vida.

64. Memória auditiva

A audição é um sentido excelente para resgatar memórias.
Acabei de ouvir o canto de um encanto de ouro (Icterus pyrrhopterus)
E a memória que tive foi do lugar onde vovó Sinhá morou.
Esse lugar se chama Vertentes e fica em Serrinha dos Pintos.
No passado foi muito habitado por diversas famílias.
Hoje encontra-se abandonado e parece que nunca ninguém morou lá.
Estranho não.

Antônio Pereira

 O poeta da saudade Semana passada ouvi o compositor Santana declamando um dos mais lindos versos sobre saudade. Ele falou de Antônio Pereir...

Gogh

Gogh